Crítica (em vídeo): Capitão América – Guerra Civil

blog abreNovidade no nosso blox! Comemorando nosso sexto aniversário, estamos estreando nossa crítica em vídeo! Para começar, nada melhor do que um dos filmes mais esperados do ano: Capitão América: Guerra Civil, que inaugura a Fase 3 da Marvel dividindo a comunidade de super-heróis. O filme estreia em todo País no dia 28 de abril.

Cotação: blog cotaçãoguerracivil

Seis anos

blog abreSabe quando você arruma a maior briga em casa porque não deixou passar a data do aniversário de namoro, não por maldade, mas porque se envolveu com tantas preocupações cotidianas que nem lembrou do dia? Pois é… comigo foi assim… Tão envolvido estava com textos e tentando guardar na memória datas de consultas médicas, estreias de cinema e prazos de entrega que deletei completamente um dia que não deveria deixar passar: o aniversário do nosso blog.

Aqui tem as notícias mais  sinistras sobre quadrinhos

Aqui tem as notícias mais sinistras sobre quadrinhos

Na verdade, não passou. É hoje! Ainda deu tempo de fazer um post homenagem pelos seis anos de nosso blox, que iniciou suas atividades em 25 de abril de 2010 (embora tenha sido criado oficialmente em 19 de novembro de 2009). Mas não deu tempo de preparar nada especial, um post legal ou uma surpresa bacana. Vamos pensar nisso para os próximos dias.

Temos informações sobre cinema para todos os sentidos

Temos informações sobre cinema para todos os sentidos

Nesta postagem só queremos dizer nosso muito obrigado por fazer o nosso sucesso. A sua visita, o seu comentário, as suas estrelinhas e classificação nas  postagens, o seu compartilhamento, as buscas… tudo isso é tão gostoso de acompanhar e alcançou um tamanho que a gente nunca esperava atingir quando criou o blog. É por isso que fazer cada post é um prazer e não um trabalho. Gostaria de ter mais tempo para fazer postagens diárias, mas infelizmente, ainda não dá. No entanto, cada post (e já são 624!) é feito com muito carinho e o máximo de profissionalismo que a gente pode ter. Sem linguagem chula, sobre quadrinhos, cinema, séries de TV e tudo sobre cultura pop, sempre respeitando você, nosso leitor!

Estamos correndo para preparar as melhores postagens sobre séries de TV

Estamos correndo para preparar as melhores postagens sobre séries de TV

Obrigado por estes seis anos. Espero continuar por mais seis – no mínimo. E espero ter você aqui pra comemorar com a gente. Na data certa e com surpresas preparadas com antecedência. Todo nosso carinho pra vocês!

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Crítica (sem spoilers): O Escaravelho do Diabo

blog abrePode parecer estranho uma crítica “sem spoilers” de uma história policial cujo assassino misterioso já teve seu nome revelado há mais de 30 anos. Mas continue lendo… a gente chega lá…:-)

Primeiro livro da Série Vaga-Lume a virar filme.

Primeiro livro da Série Vaga-Lume a virar filme.

Depois de muitos anos de espera – salvo engano, o primeiro anúncio foi feito em 2012, com previsão de estreia para o ano seguinte – chega aos cinemas o filme O Escaravelho do Diabo, adaptação do livro homônimo escrito por Lúcia Machado de Almeida e que se tornou um clássico juvenil na década de 1980, como parte da consagrada Série Vaga-Lume, da Editora Ática.

Aviso fatal: vítimas recebem um escaravelho pelo correio

Aviso fatal: vítimas recebem um escaravelho pelo correio

A história policial trazia uma série de assassinatos envolvendo pessoas ruivas que recebiam um pequeno escaravelho (uma espécie de besouro) antes de morrer, cujo nome científico do animal indicava que tipo de morte elas teriam. O caso foi solucionado pelo jovem estudante de medicina Alberto, cujo irmão, Hugo, foi a primeira vítima. O filme traz a mesma premissa, mas faz uma série de mudanças pontuais, que tornam a história totalmente nova para quem leu o livro, incluindo o assassino e suas motivações.

Alberto rejuvenesceu alguns anos em relação à sua versão literária.

Alberto rejuvenesceu alguns anos em relação à sua versão literária.

Pra começar, Alberto não é um jovem rapaz, mas sim um adolescente de 13 anos (Thiago Rossetti), que tem no irmão mais velho Hugo (Cirilo Luna) um ídolo – apesar das constantes briguinhas comuns entre irmãos. Hugo é fascinado por motociclismo, o que também desperta o interesse de Alberto, que vive sonhando com o dia em que vai dirigir a moto do irmão. Quando Hugo é assassinado, o garoto desenvolve uma obsessão por descobrir o culpado e passa a participar das investigações junto com o Delegado Pimentel (Marcos Caruso).

Minha Santa Teresinha, dai-me paciência contra quem me apelidou de Dory.

Minha Santa Teresinha, dai-me paciência contra quem me apelidou de Dory.

Uma outra mudança em relação ao livro  é que o Delegado sofre de um tipo de síndrome que o faz ter lapsos de memória, o que faz com que não tenha a visão técnica necessária para desvendar os crimes. É aí que entra Alberto, que logo percebe que os crimes na cidade de Vale das Flores estão relacionados com a cor dos cabelos das vítimas. A família irlandesa do livro foi omitida da história, que ganhou novos personagens, como Daniel (Felipe de Carolis), o jornalista Louzeiro (Bruce Gomlevsky) e Delegada Dora (Ana Cecília Costa), que chega para substituir Pimentel, devido a seus problemas de memória. O elenco conta também com Jonas Bloch no papel do Padre Paulo Afonso e Bruna Cavalieri como Rachel, colega de escola de Alberto, por quem o garoto é apaixonado.

Mais realismo: nada de fantasias de besouro.

Mais realismo: nada de fantasias de besouro.

O filme tem um clima de mistério bem adequado ao roteiro do livro e resgata o passado do assassino em cenas em flashback, mostradas ao longo da trama, o que ajuda o espectador a compreender melhor suas motivações. Além disso, o assassino não aparece vestindo nenhuma fantasia de escaravelho, como no livro, mas tem uma cicatriz em formato do inseto nas costas, tornando a história menos fantasiosa e mais pé no chão. Ponto para o diretor Carlo Milani, cujo filme marca sua estreia no cinema.

AHHH!! Tem um bicho nas minhas costas!!

AHHH!! Tem um bicho nas minhas costas!!

Porém, o filme não é perfeito e tem seus problemas: o fato de utilizarem um protagonista adolescente torna a investigação um tanto quando inverossímil, já que nenhum profissional de justiça permitiria que uma criança interferisse em seus trabalhos – nem um adulto, na verdade, mas pelo menos, seria mais fácil de engolir. A presença do assassino ao longo da história também sofreu uma modificação que não vamos revelar para não estragar a surpresa, mas quebra a familiaridade que havia com o mesmo na obra literária. Contudo, não são problemas que prejudiquem o desenrolar da trama que, de um modo geral, é intrigante e fiel ao original.

Padre Paulo Afonso tem a chave para a solução do mistério.

Padre Paulo Afonso tem a chave para a solução do mistério.

O Escaravelho do Diabo é o primeiro livro da Série Vaga-Lume a ser adaptado para o cinema. O filme continua com o teor didático do livro, pois permite a discussão em sala de aula sobre uma série de temas como o bullying e suas consequências, doenças degenerativas e traição no namoro . Espera-se que, com a boa adaptação, outros livros da coleção ganhem as telas futuramente. Seria muito bom ver O Mistério dos Cinco Estrelas, outro clássico, escrito por Marcos Rey – que foi cogitado ganhar uma adaptação há mais de 20 anos e que até agora não saiu do papel – sendo levado ao cinema. Como o cinema nacional tem ganhado cada vez mais espaço e apoio, apesar de ainda sofrer com a falta de recursos, é um sonho que pode não estar tão distante. Vamos torcer.

Parece propaganda de shampoo, mas é apenas Rachel, a paixão de Alberto.

Parece propaganda de shampoo, mas é apenas Rachel, a paixão de Alberto.

Abaixo você confere, além do trailer do filme, também o clipe da música Brisa Fria, composta por Black Alien, Paulo Miklos, Don L e Pepe Cisneros – Cuba 07, em parceria com o produtor musical BiD. No canal do filme no You Tube, você também pode ver outra música do longa além de entrevistas e trailers.

Cotação: blog cotaçãoescaravelho

blog abreOs fãs de Cavaleiros do Zodíaco podem comemorar. A PlayArte anunciou hoje o lançamento dos cinco longas-metragens da série em DVD num único box em embalagem digipack. O produto chega às lojas em junho e reúne os seguintes longas animados: Saint Seiya: O Santo Guerreiro (1987), A Grande Batalha dos Deuses (1988), A Lenda dos Defensores de Atena: O Filme (1988), Os Guerreiros do Armagedon: A Batalha Final (1989) e Prólogo do Céu – O Filme (2004). No total, serão cerca de 290 minutos de animação. 

Embalagem caprichada com os cinco filmes do cinema

Embalagem caprichada com os cinco filmes do cinema

Além dos cinco discos, a embalagem traz também cinco cards com imagens exclusivas e inéditas. Cada filme estará disponível no áudio original em japonês com legendas em português e também a versão dublada em português. O anime Cavaleiros do Zodíaco foi uma verdadeira febre na TV nos anos 1990, exibido pela extinta TV Manchete. O programa provocou um boom de produções japonesas no Brasil entre desenhos animados, séries live-action (com atores) e mangás (quadrinhos), que permanece até os dias de hoje. A série ajudou a consagrar os termos anime, tokusatsu, super-sentai e outros entre as crianças da época.

Tem cards também!

Tem cards também!

 

Crítica (sem spoilers): Mogli, o Menino Lobo

nullVelhos clássicos nunca morrem. Na maioria das vezes, nem envelhece. Prova disso é a estreia totalmente renovada de Mogli, o Menino Lobo, novo longa-metragem dos Estúdios Disney, que chega aos cinemas neste final de semana. A mesma Disney já tinha lançado uma animação de Mogli há cinquenta anos atrás – mais especificamente em 1967 – que, por sua vez, é uma adaptação da obra de Rudyard Kipling, autor inglês que escreveu o livro The Jungle Book (O Livro da Selva) em 1894. Ou seja: faz mais de 120 anos que essa história foi contada, mas chega aos cinemas com atores reais e efeitos de computação gráfica extremamente realistas.

Mogli e seu irmão Gray: "Acho que mamãe pulou a cerca..."

Mogli e seu irmão Gray: “Acho que mamãe pulou a cerca…”

A Disney vem adaptando seus clássicos desenhos animados em live-action, relançando uma produção por ano. Já lançou Malévola (2014), Cinderela (2015) e, neste ano, é a vez de Mogli, interpretado pelo talentoso ator mirim Neel Sethi, que realiza seu primeiro trabalho em uma grande produção (ele já tinha trabalhado num curta-metragem em 2013). A direção é de Jon Favreau, responsável também pelo sucesso Homem de Ferro (2008).

A esconde muitos segredos e lições

A esconde muitos segredos e lições

A história começa em ritmo acelerado, com uma perseguição pela floresta, diferente da animação de 1967, que inicia mostrando a origem de Mogli e como ele foi encontrado na floresta pela pantera Baguera. Esta história fica nas entrelinhas até a segunda metade do filme, quando só então ela é mostrada em flashback. O longa faz algumas alterações na trama do desenho, aprofundando as motivações dos personagens e inserindo novos detalhes que tornam a história muito mais completa. Por exemplo, o motivo pelo qual Shere Khan odeia Mogli é muito mais aprofundado e tem a ver com a chegada do garoto à floresta.

Vamos, Mogli. Vou te levar ao cinema para ver o filme do Pantera Negra.

Vamos, Mogli. Vou te levar ao cinema para ver o filme do Pantera Negra.

Mogli foi encontrado na floresta quando ainda era um bebê. Baguera (voz de Ben Kingsley) entregou a criança a uma família de lobos e ela foi criada como se fosse um deles e aprendeu a decorar e respeitar a “Lei da Selva”, recitada pela alcateia todos os dias. Porém, ao contrário do que se esperaria (é a magia da Disney, desconsidere o racionalismo), Mogli não se tornou um selvagem, muito pelo contrário: o garoto é habilidoso e capaz de utilizar instrumentos para facilitar sua vida, sendo constantemente repreendido pelo seu pai, Akela (voz de Giancarlo Esposito).

Shere Khan. Mau, mas com motivos explicados.

Shere Khan. Mau, mas com motivos explicados.

Durante um período de estiagem, os rios secam e uma lagoa torna-se o único lugar aonde os animais podem matar sua sede. Naquele ponto, que passou a ser chamado de Pedra da Paz, predadores e presas fazem uma trégua e não atacam uns aos outros, pois a lei da selva determina que matar a sede é mais importante que guerras entre espécies. É quando surge o tigre Shere Khan (voz de Idris Elba) e declara que Mogli irá crescer e trazer a destruição à floresta, pois é o que os humanos fazem.

Melhor ter um amigo urso do que uma cobra como amiga

Melhor ter um amigo urso do que uma cobra como amiga

A profecia de Shere Khan semeia a discórdia entre os lobos e Mogli decide voltar para a aldeia dos homens. Em sua jornada, acompanhado de Baguera, o garoto encontra a cobra Kaa (Voz de Scarlett Johansson), o urso Balu (voz de Bill Murray) e Rei Louie (voz de Christopher Walken). Até seu confronto com Shere Khan, o garoto vive várias aventuras e tem a oportunidade de conhecer diversas espécies de animais, que são muito bem representadas pelos recursos gráficos do filme.

Todo mundo gostaria de ter um amigo como Balu, mesmo que fosse em CGI.

Todo mundo gostaria de ter um amigo como Balu, mesmo que fosse em CGI.

O uso de CGI para reprodução de todos os animais é de um realismo impressionante. O fato de Mogli ser o único ser humano em cena durante todo o filme só faz aumentar o deleite visual das paisagens e dos animais falantes em cena. A perfeição dos movimentos e das falas nos fazem acreditar que estamos, de fato, numa floresta. A personalidade de cada animal também é bem característica: Raksha (Lupita Nyong’o) e Akela como os pais amorosos; Baguera, o sábio conselheiro; Balu, o Boa-vida incorrigível; Kaa, a serpente misteriosa e sedutora e Shere Khan como o vilão ameaçador. Tudo se encaixa e nos faz crer que aquilo é real.

A força do alcateia é o lobo e a força do lobo é a alcateia.

A força do alcateia é o lobo e a força do lobo é a alcateia.

O filme tem uma mensagem bem explícita de amizade e proteção. A própria “lei da selva”, declamada pelos lobos, afirma que “…a força da alcateia é o lobo e a força do lobo é a alcateia”, mostrando que todos os seres são como um só. Apesar da vida selvagem predominar a soberania do mais forte sobre os mais fracos, os animais se respeitam e até veneram a ação de cada um na Natureza, onde cada papel é cumprido para trazer prosperidade ao conjunto – como na lição que Baguera ensina a Mogli sobre o papel dos elefantes. A grande ameaça a toda aquela paz é a presença da humanidade, pois são eles que controlam a “flor vermelha” – que é como os animais chamam o fogo – a única coisa que pode destruir a todos.

Na Natureza, tudo está em harmonia.

Na Natureza, tudo está em harmonia.

Mogli, O Menino Lobo é uma aventura encantadora, com momentos para rir, para torcer e até alguns sustos – afinal, a floresta tem sempre seus perigos! É um filme para adultos e crianças, que prova que velhas histórias continuam sendo boas quando se encontra um jeito novo para contá-las. A Disney tem feito isso muito bem ao longo de sua história e, parece, isto está longe de acabar, pois ano que vem teremos uma nova versão de A Bela e a Fera. Que bom!

Cotação: blog cotaçãomogli

Trailer: Dr. Estranho

blog abreA Marvel Studios começou ontem a liberar o material promocional do filme Dr. Estranho (Dr. Strange, 2016), que estreia em 3 de Novembro no Brasil. Durante os últimos dias, já circularam algumas fotos de bastidores, mas ontem o estúdio começou oficialmente a divulgação com dois pôsteres oficiais e o primeiro teaser trailer.

primeiro teaser poster divulgado pela Marvel

primeiro teaser poster divulgado pela Marvel

O visual explora bastante o surrealismo das histórias do personagem e mostra como ele passou de um médico arrogante para o Mestre das Artes Místicas. O filme tem o ator Benedict Cumberbatch no papel-título. Confira abaixo:

 

Crítica (sem spoilers): Batman vs. Superman – A Origem da Justiça

blog abreQuando o diretor Zack Snyder anunciou, durante a Comic Con San Diego 2013, que a sequência do filme O Homem de Aço (2013) teria a participação do Batman, ele levou o público à loucura ao redor do mundo inteiro, afinal um embate entre os heróis é o sonho de todo fã de histórias em quadrinhos. Foram dois anos e meio de espera, mas finalmente chegou o dia, pois esta semana estreia Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça, produção que, certamente, é um dos filmes mais aguardados de 2016.

Zack Snyder pede aos jornalistas que não revelem spoilers.

Zack Snyder pede aos jornalistas que não revelem spoilers.

A convite da Warner Bros. o nosso blox participou da cabine de imprensa na tarde de hoje e trouxemos nossas impressões sobre esta aventura – sem spoilers. Aliás, um parêntese: a questão do spoiler nas redes sociais tem se tornado um assunto tão sério que, antes do início do filme, a assessoria de imprensa da Warner pediu aos jornalistas que não divulgassem detalhes importantes e foi exibido um vídeo onde o próprio diretor Zack Snyder aparece na tela pedindo o mesmo. Acho vergonhoso termos chegado a esta situação por algo que deveria ser tão natural, que é o respeito ao prazer do outro em assistir a um filme. Isso não deveria ser necessário pedir, é obrigação e educado fazer. Gente consciente não dá spoiler, quem dá spoiler é babaca.

Quem você acha que engana com esses óculos?

Quem você acha que engana com esses óculos?

Dito isto, vamos ao filme: a história tem um bom roteiro, que trabalha muito bem as motivações dos personagens até culminar no aguardado embate entre os dois heróis. Conforme a história vai se desenrolando, o clima de tensão vai sendo alimentado de modo que os heróis só poderiam terminar se estranhando. Batman (Ben Affleck) está preocupado com a presença de um ser tão poderoso quanto um deus no planeta. Do outro lado, Superman (Henry Cavill) também se preocupa com os métodos pouco ortodoxos utilizados pelo vigilante de Gotham, que deixa marcas profundas em suas vítimas (literalmente falando).

Monumento a um herói. Ou não.

Monumento a um herói. Ou não.

Esta questão divide o povo: há os que consideram o Superman um salvador e há os que o enxerguem como uma ameaça a ser combatida e eliminada. Isso leva o próprio herói a questionar o seu papel, buscando apoio nos braços de sua amada Lois Lane (Amy Adams) e sua mãe, Martha (Diane Lane). Nesse contexto, entra Lex Luthor (Jesse Eisemberg) como o dissimulado empresário que se finge de generoso, mas cujas ações sempre têm um interesse particular por trás que envolve a destruição do Superman.

Morra de inveja, Julia Roberts!

Morra de inveja, Julia Roberts!

A descoberta de uma pedra de kryptonita nas naves alienígenas espalhadas pelo planeta após a batalha no filme anterior dá a Luthor uma arma para explorar e atrai a atenção de Wayne e também de Diana Prince, uma mulher misteriosa que participa dos eventos sociais de Luthor, mas cujos objetivos permanecem em segredo. Com as peças colocadas no tabuleiro, resta partir para a ação. E é aí que surgem os problemas. Para começar, Luthor tem uma interpretação completamente equivocada e que nada tem a ver com o personagem dos quadrinhos, um empresário sério e dissimulado.

Meu personagem não é inimigo do Batman? Então... fiz o Coringa!

Meu personagem não é inimigo do Batman? Então… fiz o Coringa!

Eisenberg criou um “Luthoringa”, um abobalhado que embora seja um gênio do crime, é histriônico, psicótico, exagerado, um agente do caos – alcunha que sempre coube ao arqui-inimigo do Batman “que se veste como palhaço”, só pra citar a referência de um dos diálogos entre Bruce Wayne e Clark Kent na trama. O ator interpretaria um excelente Coringa, mas como Luthor ele está exagerado e descaracterizado. Sua postura que não combina com a seriedade exigida a um grande empresário e muito menos com o perfil de cientista louco que ele tinha nos quadrinhos do Homem de Aço nos anos 60/70. Se a ideia de Snyder era prestar uma homenagem a esta fase, ele falhou amargamente, pois nem no seu período “cientista louco”, ele era, de fato, louco. Luthor sempre foi articulado e inteligente, não uma pessoa incapaz de seguir uma linha de raciocínio para fazer um discurso coerente na festa organizada por ele. Vergonhoso!

Alfred: extremamente sarcástico

Alfred: extremamente sarcástico

Outro problema está nos personagens coadjuvantes da trama, todos muito mal aproveitados. A história gira toda em torno do Superman, Batman, Lois e Luthor. O resto, se não estivesse ali, não faria falta. O editor Perry White (Laurence Fishburne), que teve um papel tão marcante em O Homem de Aço, está apagado, inútil. Suas falas mais relevantes são uma piadinha com a data de criação do Superman nas HQs e desqualificar as notícias trazidas por Lois e Clark. O talento de Fishburne merecia mais. Tal fato se repete com todos os coadjuvantes que, obviamente, não foram criados para terem grande destaque (por isso são coadjuvantes!), mas deveriam ajudar a contar a história, o que não ocorre. A única exceção talvez seja Alfred (Jeremy Irons), sempre com ótimos diálogos, altamente sarcásticos.

Olha! Conseguimos achar uma cena iluminada!

Olha! Conseguimos achar uma cena iluminada!

Por fim, o filme tem um ritmo lento e sombrio demais. Sabemos que esta é uma característica das produções de Zack Snyder e o estilo até funcionou bem em produções como 300 (2006) e Watchmen (2009), mas numa trama que tem um personagem capaz de voar na velocidade da luz e outro que anda pela cidade num automóvel tunado, cenas em câmera lenta são um recurso que chega a incomodar. O fato dos personagens estarem sempre fazendo cara de mau ou em conflito eterno com a existência também é exagerado. Tudo bem o Batman ser soturno, mas Superman é um herói que representa a esperança. Uma esperança sombria e depressiva, diga-se de passagem.

Lembra do Zod? Pois é... Apocalypse faz uma destruição parecida.

Lembra do Zod? Pois é… Apocalypse faz uma destruição parecida.

Também há, por demais, o uso de sonhos ou delírios para explicar coisas que ficam mal explicadas, principalmente para o público que não acompanha quadrinhos. Somado a isso, tudo demora demais para acontecer. Há, obviamente, a necessidade de se contar uma história, mas muitas cenas poderiam ser cortadas sem qualquer prejuízo na compreensão. O excesso de referências dos quadrinhos também pode confundir o espectador sem familiaridade com as HQs. E, de novo, há muita, muita destruição: em menor escala que O Homem de Aço, mas ainda exagerada para um filme de super-herói que, essencialmente, deveria salvar a cidade, não demoli-la. Snyder, pelo visto, não aprendeu com as críticas que recebeu do filme anterior.

A heroína que todos queriam ver

A heroína que todos queriam ver

Mas o filme também tem coisas boas e a Mulher-Maravilha é a melhor delas. Para quem estava preocupado com a interpretação de Gal Gadot, pode relaxar: ela passa toda verdade no papel e consegue agir como duas pessoas distintas – sensual e instigante como Diana Prince e heroica e poderosa como Mulher-Maravilha. Ver Gadot no papel só nos faz aguardar com ansiedade o filme solo da personagem. Ben Affleck também está bem como Batman, contrariando a chuva de críticas que recebeu quando foi escolhido para o papel. Ele passa credibilidade necessária ao papel do amargurado herói.

Momento aguardado: a união da Trindade

Momento aguardado: a união da Trindade

Uma das grandes preocupações era se haveria tempo de narrar tudo o que o filme se propunha. Pois a trama se sustenta naturalmente e tudo conduz a um clímax que vai surpreender o público, principalmente porque foi inspirado numa HQ de grande sucesso. Os leitores certamente vão gostar e o público que não leu os quadrinhos não terá problema nenhum em compreender a trama. Há algumas aparições inesperadas de personagens e várias pistas ao longo do filme deixam escancarado os elementos que apontarão para o filme da Liga da Justiça, que estreia no final do ano que vem.

Calmaí, Bruce! Vamos ali tomar um chá de pêssego da vovó.

Calmaí, Bruce! Vamos ali tomar um chá de pêssego da vovó.

E, antes que eu esqueça: a luta entre Batman e Superman tem motivos bem justos para acontecer, mas não empolga como deveria. Uma pena, já que o título do filme destaca exatamente essa batalha. De modo geral, Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça consegue superar O Homem de Aço, mas mantém o mesmo nível. É um bom filme que deve agradar a garotada que vai ao cinema em busca de um filme com porradaria e explosões, mas talvez desagrade os fãs mais antigos, que buscam uma história mais consistente. Não é um filme que decepciona, mas também não surpreende. Para o Batman e a Mulher-Maravilha, foi tudo bem, mas o Superman ainda precisa encontrar seu lugar ao sol.

Cotação: blog cotaçãobvs