Leituras da Semana – Julho (4)

Com a frente fria que atacou São Paulo nesta semana, nada melhor que ler embaixo dos cobertores depois de um bom banho quente. Eu, que detesto frio, poderia ficar o dia todo nessa, se não tivesse que trabalhar. Como não sou político e tenho que ir à luta pra pagar as contas, não deu pra ler muita coisa, mas ainda deu para salvar alguma coisa, que resenho abaixo:

A Liga da Justiça enfrenta seus próprios medos

Liga da Justiça 4 (jul/2017) – Inicia-se um novo arco, onde uma estranha criatura é capaz de impor medo em todos os heróis da Liga, incluindo o Batman e os Lanternas Verdes – que, diga-se de passagem, são personagens totalmente inúteis. De qualquer forma, a HQ tem bons momentos, como o encontro romântico do Flash com a Lanterna Jessica Cruz e a luta entre o Batman e o Superman.

História continua em outro título: receita para perder leitores.

Batman 4 (jul/2017) – Na conclusão do arco de Gotham e Gotham Girl, o Batman tenta ajudar a garota, que foi afetada pelo Pirata Psíquico e está agindo insanamente pela cidade. Depois, tem início um novo arco, A Noite dos Homens-Monstro, que vai se estender também pela revista Detective Comics. E aqui termina minha leitura pela revista do Homem-Morcego, pois além da história ser ruim, ainda vai ter continuação em outra revista que não compro. É o tipo de estratégia editorial que, mais do que atrair, afasta os leitores.

Edição acima da média.

Superman 4 (jul/2017) – No final do arco O Filho do Superman, o Homem de Aço faz de tudo para defender sua família contra o poder do Erradicador. A história termina perfeitamente e marca a estreia oficial de um novo herói no Universo DC. A segunda história traz um momento família do herói de Krypton, com humor, ternura e aventura também, embora num ritmo mais leve. Mostra porque o Superman é o maior herói de todos, mesmo que não precise usar uniforme.

Boas histórias, mas narrativa dispersa

Homem de Ferro 8 (jul/2017) – Tony Stark continua a busca pelos seus verdadeiros pais em mais uma dose dupla da edição americana International Iron Man. As histórias são boas, mas o estilo narrativo atual ainda me incomoda, com uma “linha do tempo” que parece um jogo de montar, alternando entre datas aleatoriamente e fora de ordem para mostrar eventos que influenciaram o hoje. Deve haver algum problema na mente dos roteiristas para primeiro mostrar todo o passado para depois narrar a história atual sem precisar desse vai-e-vem constante. Tudo bem que seja um recurso literário válido, mas usado constantemente, perde seu impacto. Infelizmente, não é estilo de um único roteirista, mas se repete em todas as HQs modernas. Acabou a história com começo, meio e fim: hoje, temos a história com meio, começo, meio, fim, meio, começo e antes do começo. Por fim, a edição também anuncia oficialmente o início da saga Guerra Civil II para setembro, o que significa que a edição de agosto ainda terá HQs genéricas do Vingador Dourado.

Dica Literária: Os Filhos de Odin

Lançado em 2015, o livro Os Filhos de Odin (Única Editora, 224 páginas) embarca no sucesso dos filmes da Marvel e da série de TV Vikings (History Channel) para apresentar as lendas da mitologia nórdica que narram as aventuras dos deuses cultuados pelos antigos vikings. O autor, Padraic Colum, narra, em diversos contos, a saga dos deuses mitológicos desde a sua origem até o final dos tempos, chamado de Ragnarök.

O autor Padraic Colum

O livro é dividido em quatro grandes capítulos – Os habitantes de Asgard, O coração da bruxa, Odin, o andarilho e A espada flamejante e o crepúsculo dos deuses – trazendo, em cada um deles, diversos contos que podem ser lidos isoladamente, mas que, lidos em sequência, fazem uma grande narrativa da história dos deuses nórdicos.

Livro vem no embalo das produções da Marvel e série de TV dos Vikings

A obra tem uma linguagem que lembra as histórias contadas pelos vikings ao pé da fogueira e que passaram de geração em geração, com suas narrativas fantásticas e exageradas – conta-se que tentaram enganar Thor dando-lhe um chifre para beber contendo as águas do mar. E tanto ele bebeu que chegou a baixar as marés) – e textos cheios de apostos (“Odin, o mais velho dos deuses”; “Loki, o trapaceiro”; “Baldur, o bem- amado” e por aí vai), repetidos à exaustão, para fazer o interlocutor gravar  na memória as características dos personagens.

A mitologia nórdica tem muito mais do que apenas Thor e Loki.

Ideal para quem quer conhecer um pouco mais dos mitos narrados nos quadrinhos do Poderoso Thor (muitas histórias foram adaptadas na série Contos de Asgard, lançada recentemente pela Salvat), o livro é uma leitura deliciosa que amplia o conhecimento sobre nossos antepassados e mostra que os mitos são uma maneira dos nórdicos encontrarem, no espírito guerreiro dos seus deuses, o mesmo vigor e força para vencer suas batalhas. Interessante conhecer um mundo que vai muito além das aventuras de Thor e das maldades de Loki.

Os Filhos de Odin é da Única Editora, um selo da Editora Gente e pode ser encontrado nas livrarias ou no site da editora.

Leituras da Semana – Julho (2) e (3)

Julho, mês de férias… período ideal para ler muitas HQs bacanas… só que não. Muito trabalho nos últimos dias, o ritmo diminuiu e acabei lendo pouca coisa (tanto que juntamos duas semanas, pra fazer mais volume). Mas as leituras foram boas. Aqui trazemos algumas dicas:

Completando a coleção

Coleção Histórica Marvel – Wolverine Vol. 4 (abr/2017) – Fechando a coleção histórica, a última edição traz um arco onde Wolverine (cada vez mais X-Man e cada vez menos Caolho) impede um carregamento de cocaína de chegar ao seu destino apenas para se ver envolvido num esquema que vai além do tráfico e visa transformar cobaias em super-humanos. É um arco bem intrigante, que traz de volta conceitos criados por Jack Kirby (Celestiais, Eternos, Deviantes) numa história que mistura ação, o clima de espionagem das HQs solo de Wolverine e a participação de um vilão que não faz parte do universo dos X-Men, como parte da saga Atos de Vingança. Bem legal.

Herói internacional

Homem de Ferro 7 (jun/2017) –  Edição que traz duas HQs do título International Iron Man pois a mensal do ferroso já entra na saga Guerra Civil II e a Panini decidiu enrolar até chegar o momento cronológico certo de publicar a saga (não que alguém esteja com pressa ou interessado, claro!). A história, da dupla Bendis/Maleev, é bacana e tem o clima de conspiração que sempre foi padrão nas aventuras do Homem de Ferro. Até mesmo a dinâmica de flashbacks é bem conduzida pelo roteirista e mostra como os fatos do passado se repetem no presente do herói. Coisa de quem sabe escrever e não enrolar. Vale a leitura.

O Mistério de Clark Kent

Action Comics 4 (jul/2017) – Superman e toda Metrópolis querendo descobrir o mistério por trás de Clark Kent, que surgiu durante a batalha contra o Apocalypse. Ele jura de pés juntos que não é o Superman – e não é mesmo, já que o Superman também está surpreso com esse mistério – E eu estou surpreso com o fato de todo mundo saber que o Superman é Clark Kent neste novo universo dos Novos 52, mas agora não sabem mais, pois o novo Superman, que é do Universo antigo – e que também é Clark Kent – e apareceu após a morte do outro Superman e… bem, não queira entender essa salada dos infernos que a DC criou com esses Novos 52 malditos. O importante é que o Renascimento está ajustando as coisas aos poucos e a história é boa.

Edição maravilhosa

Mulher-Maravilha 4 (jul/2017) – Maravilhoso (desculpem, não deu pra evitar o trocadilho) esse arco Ano Um, apresentando o início da carreira da Princesa Amazona. Carregado de inocência e frescor, é uma retomada às origens, mas com um pé na modernidade. E a segunda história, já em nossos dias, mostra Diana tendo que salvar Steve Trevor de ser sacrificado ao deus Urzkartaga.

Minissérie em seus últimos momentos – ainda bem!

Cavaleiro das Trevas III – A Raça Superior 8 (jul/2017) – Uma série que até começou bem, em seus capítulos finais, perde o fôlego e se torna decepcionante. A edição anterior já foi pobre de roteiro, com diálogos simplórios, leitura rapidíssima e meia revista só com esboços. Esta edição segue o mesmo esquema. A impressão que dá é que a trama, que poderia acabar em quatro edições (como a Cavaleiro das Trevas original, de 1986), está se arrastando para, obviamente, faturar mais um pouco. A minirrevista da vez é Detective Comics e traz uma história de qualidade bem duvidosa. É o que se falava quando ela foi anunciada: desnecessária e caça-níqueis. Frank Miller podia ter se poupado desta vergonha.

O melhor desta revista é a HQ.

Homem-Aranha: De volta ao Lar – Revista Oficial do Filme (jul/2017) – O divertido dessas “revistas oficiais” de filmes é saber curiosidades de bastidores e detalhes da produção. Esta revista não é diferente, mas não traz nada que já não tenha sido mostrado pela Internet. No entanto, a HQ que acompanha o conteúdo é muito, muito divertida, mostrando um Peter Parker afoito para ir a um show de uma banda famosa e tendo que lidar com criminosos no caminho. O Homem-Aranha em seu espírito descontraído, que é a característica básica do herói. Vale a pena. De brinde, ainda ganhamos um álbum de figurinhas do filme.

 

Crítica: Homem-Aranha – De Volta ao Lar

Estreou, em 6 de julho, o primeiro longa-metragem do Homem-Aranha produzido pela Marvel Studios, depois de vários anos nas mãos da Sony. Os direitos do personagem continuam com a distribuidora, fruto de um contrato feito nos anos 1990, para evitar a falência da Marvel, mas um acordo entre os dois estúdios fez com que o aracnídeo pudesse ser feito por quem realmente entende dele, ou seja, sua casa-mãe. E é claro que a Marvel não ia perder a piada: o título Homem-Aranha – De Volta ao Lar (2017) é uma referência clara a esse fato.

“Oi, galera!” Herói estreou ano passado, em plena Guerra Civil.

A estreia do herói se deu brevemente em Capitão América: Guerra Civil (2016) e deixou os fãs empolgados com a divertida participação do Aranha, bastante fiel à sua versão em quadrinhos – ao contrário do que aconteceu nas franquias anteriores, quando foi interpretado por Tobey Maguire (2002-2004-2007) e Andrew Garfield (2012-2014). Em De Volta ao Lar, a história começa com essa participação do jovem Peter Parker (Tom Holland) em Guerra Civil, narrada pelo ponto de vista do rapaz. Ao final da batalha, Tony Stark (Robert Downey Jr.) leva Peter de volta pra casa e deixa com ele o traje tecnológico do Homem-Aranha como um presente (na verdade, uma espécie de pagamento por seus “serviços”. Sim, Tony Stark é um canalha!).

Shocker também causa problemas pro nosso herói

A partir daí, Peter passa a agir na cidade com mais intensidade (ele já agia antes, com um traje caseiro, mas depois de Guerra Civil, se tornou uma celebridade) e esbarra nas atividades do Abutre (Michael Keaton), que agia como traficante de armas baseadas na tecnologia Chitauri, espalhada por Nova York após a batalha contra os Vingadores, mostrada no filme de 2012. Junto a ele estão o Consertador (Michael Chernus), responsável pela construção dos equipamentos, e o Shocker (Logan Marshall-Green e Bokeen Woodbine – vendo o filme, vão entender o motivo de ter dois atores para o mesmo personagem), seu capanga.

Betty, Flash, Liz, Ned, Michelle e Peter: amigos do peito.

Enquanto tenta provar que é um super-herói capaz de solucionar o crime na sua cidade e fazer uma média com Stark, Peter gasta o restante de seu tempo com problemas típicos de qualquer adolescente: os estudos no colégio Midtown, a paixão contida por Liz Allen (Laura Harrier), a amizade nerd com Ned Leeds (Jacob Batalon) e a rivalidade com Flash Thompson (Tony Revolori). Isso até o Abutre decidir que o Homem-Aranha é um incômodo que precisa ser eliminado.

“Não tente brilhar mais que eu nesse filme, pirralho!”

Ao contrário do que transpareceu nos trailers, o filme não é uma espécie de Homem de Ferro 4 e a participação do Vingador Dourado está ali apenas como apoio mesmo. O astro é o Homem-Aranha, como pede o título, e o filme resgata a jovialidade das primeiras aventuras do personagem, com muito bom humor e trata o aracnídeo como o adolescente que era em início de carreira – mas adaptado aos dias atuais, com muita tecnologia de celulares e Internet. Longe de (re) contar a origem do Homem-Aranha, que todos já estão carecas de saber, a trama vai direto à ação e brinca com toda inexperiência do rapaz. Imagine um garoto de 15 anos que, de repente ganhasse habilidades fantásticas… Não tem nada de “grandes poderes e grandes responsabilidades”: o que Peter quer é fazer o que é certo e ajudar as pessoas usando seus superpoderes – o que nem sempre dá muito certo. E é aí que está a graça da coisa.

“Eu só queria ajudar…”

Para os fãs puristas, o novo Homem-Aranha, embora seja o mais próximo dos quadrinhos já apresentado nos últimos 15 anos (40 anos, se considerarmos também a versão da série de TV), ainda não é o herói ideal. No filme, Peter é um perfeito pateta e, na maioria das vezes, causa mais dano do que ajuda (sabe a cena do navio partido ao meio mostrado no trailer? Pois é…). Essa versão poderia atuar junto com o Superman de Henry Cavill e concorrer a quem destrói mais a cidade tentando salvá-la. O humor do filme não está nas tiradas geniais que o herói sempre teve durante suas lutas, mas sim nas trapalhadas que ele provoca ou nas situações em se envolve, quase como um Jim Levenstein, o protagonista da franquia American Pie.

Escalando a pilha de referências.

O fato é que o tom do filme puxou bastante para uma comédia juvenil, muito mais do que para uma aventura de super-heróis, fruto das inspirações do próprio diretor Jon Watts, que assumiu ser fã dos filmes do roteirista e diretor John Hughes, como Curtindo a Vida Adoidado (1986). Não chega a ser um incômodo – ao contrário, é um filme leve e divertido de se ver, com um roteiro inteligente e muito bem conduzido, capaz de encaixar o herói dentro do Universo Cinematográfico da Marvel com referências desde a Homem de Ferro (2008), passando por Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), além dos dois longas dos Vingadores (2012-2015) e o óbvio Guerra Civil. Referências aos quadrinhos são inúmeras e deliciosas de se encontrar e vão desde personagens a fatos históricos da carreira do herói aracnídeo.

Michael Keaton dá um show

Sobre Michael Keaton, interpretando o Abutre, há pouco a se dizer além de que o ator é perfeito e merece o título de Lord of the Wings (Senhor das Asas, piada que tem circulado na Internet e cuja tradução perde a referência a Lord of The Rings, o Senhor dos Anéis). Um único porém é o modo como seu personagem é caracterizado, parecendo mais um Norman Osborn genérico, pelas características mostradas no filme e que não vamos dizer quais são para não revelar spoilers. No entanto, esses defeitos passam batido no contexto geral e o Abutre é, talvez, um dos melhores vilões dos filmes da Marvel, ao lado do Dr. Octopus de Alfred Molina. Uma verdadeira ameaça, com motivações sólidas e não apenas um desejo inexplicável de dominar o mundo.

“Bem-vindo de volta, parceiro. Você fez falta.”

Mesmo com esses poucos defeitos, Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um mais que bem-vindo retorno do Cabeça-de-Teia à Casa das Idéias, numa aventura totalmente integrada ao Universo Marvel e boas chances de gerar novas continuações de sucesso. Por enquanto, vamos nos contentar com a participação do Aranha nas duas partes de Vingadores: Guerra Infinita (2018/2019), que, esperamos, seja bem explorada. Finalmente, o Homem-Aranha voltou pra casa (mesmo que emprestado) e pode mostrar a todos o porquê dele ser o mais popular de todos os super-heróis.

Cotação: 

Leituras da Semana – Julho (1)

Na última semana de junho e o primeiro final de semana de julho, muitas (mas muitas mesmo!) revistas para resenhar. Colocando em dia as leituras atrasadas e já incluindo várias HQs de junho, estamos praticamente zerados nas leituras. Nas próximas semanas, vamos estar bem mais atualizados com as resenhas, falando daquilo que está chegando fresquinho nas bancas. Vamos começar com as HQs do mês:

Aquaman prova que é, sim, um personagem relevante.

Aquaman Vol. 1 (jun/2017) – Entrando na fase Renascimento, o soberano dos mares continua com fôlego para boas histórias enfrentando a descrença e o preconceito das pessoas. Os roteiristas estão sabendo explorar muito bem a história de que o herói é “irrelevante” e proporcionando excelentes tramas. Nesse encadernado, que reúne seis edições americanas e mais o especial Aquaman Rebirth, Arthur tenta provar ao povo da superfície que os atlantes são amigáveis e desejam conviver pacificamente. Porém, entre os atlantes, há quem não queira paz com o povo da superfície e essa tensão é o suficiente para que Aquaman se veja no meio de uma guerra que vai envolver até o Superman. Muito boa história!

Batman está encrencado com o novo herói de Gotham.

Batman 3 (jun/2017) – Controlado pelo Pirata Psíquico, Gotham (o novo herói de Gotham City) perde o controle e se torna uma perigosa ameaça que Batman sozinho não consegue conter. Obviamente, nosso Cavaleiro das Trevas sabe a quem pedir ajuda quando a coisa foge ao controle, mas o auxílio verdadeiro vem de quem ele menos espera. Boa história, com roteiro inteligente e uma chocante reviravolta.

Poderes quase divinos contra a Liga da Justiça

Liga da Justiça 3 (Jun/2017) – Na conclusão do arco dos Similares, a Liga da Justiça precisa impedir os seres quase onipotentes de destruir o planeta. Atuando em várias frentes, onde cada herói explora aquilo que tem de melhor, a Liga pode não ser capaz de conter uma ameaça tão poderosa. É uma história tensa, com uma conclusão mediana.

Releitura da origem da Mulher-Maravilha

Mulher-Maravilha 3 (jun/2017) – O Ano Um da Princesa Amazona continua, desta vez mostrando a escolha de Diana para conduzir o recém-recuperado Steve Trevor ao mundo do patriarcado e assumir o manto de embaixadora de Themyscira entre a humanidade. Na segunda história, Diana continua sua busca pela verdade sobre quem ela é realmente. A história é boa, mas tem tantas tramas paralelas que a Mulher-Maravilha fica em segundo plano na trama. Edição com duas capas diferentes (eu, claro, escolhi a capa do filme).

Novas ameaças para o Dr. Estranho

Doutor Estranho 7 (Jun/2017) – Após a derrota do Empirikul, é hora do Doutor Estranho reconstruir sua vida, mas ele percebe que isso não vai ser tão fácil quanto aparentava. A HQ traz de volta uma personagem há muito afastada de suas histórias e mantém o clima de humor ácido que passaram a caracterizar o Mago Supremo. Boas histórias nesta edição.

Identidade ameaçada

Thor 5 (jun/2017) – A identidade de Thor continua ameaçada, principalmente quando a Shield invade os aposentos de Jane Foster em Asgárdia e descobre mensagens trocadas com o Capitão América. Para piorar, a deusa do trovão ainda tem que lidar com o Samurai de Prata enquanto tenta evitar a explosão da ilha da Roxxon sobre Manhattan. Boa trama com muita ação e suspense, além de uma conclusão intrigante.

A mais divertida revista Marvel da atualidade.

Guardiões da Galáxia 7 (jun/2017) – Se tem uma edição mensal que vale a pena acompanhar, é Guardiões da Galáxia. As tramas são tão leves e bem humoradas que é uma das leituras mais divertidas do mês. Sim, é infantil. Mas dane-se! Melhor que o “mundo sombrio e realista” de uma certa outra editora ou os heróis lacradores e representativos de minorias da própria Marvel. A primeira história mostra o Coisa e Rocky Racum numa aventura que mostra uma química perfeita entre os dois personagens, muito mais do que com Groot. Se bem que a última HQ, da americana Rocky Racoon & Groot também tem cenas hilariantes (Groot atendendo o telefone, por exemplo), embora, cronologicamente falando, o título não acrescente absolutamente nada à mitologia dos heróis. Mas é pura diversão e é isso que importa. Ainda tem uma HQ solo do Drax, onde o Destruidor reencontra um velho amigo.

Conclusão da trama do Regente reserva ótimos momentos.

O Espetacular Homem-Aranha 8 (jun/2017) – O Regente captura todos os Vingadores e, com os poderes de vários heróis reunidos, só falta enfrentar o Homem de Ferro e nosso simpático Amigão da Vizinhança. Mais uma vez, sobra pro Aranha salvar a pátria, contando com uma ajudinha pouco provável de dois amigos muito especiais. A conclusão da trama é muito boa, no quesito ação e reviravoltas. A última HQ continua a trama do Homem-Aranha tentando resolver o mistério do homem que ressuscitou. Será um milagre ou há uma resposta científica? Um bate-papo com o Fera traz uma discussão bem interessante, provando que quadrinhos são muito mais do que mera discussão e, mesmo no âmbito da ficção, pode trazer boas reflexões.

Lemire acerta no alvo em nova série do Gavião Arqueiro.

Gavião Arqueiro – Legado do Arco 1 (jun/2017) – Nova série do Gavião Arqueiro da fase Totalmente Nova Marvel que reconta detalhes da origem e infância do herói enquanto ele e a Gaviã Arqueira tentam salvar crianças com poderes especiais de serem usadas como arma, tanto pela Hidra como pela própria Shield. Apesar de, particularmente, não gostar de histórias com narrativa vai-e-vem, que não segue uma linha narrativa, mas fica indo e voltando ao passado e presente, no geral, o arco é muito bom e tudo indica que fará uma dobradinha com o encadernado do herói em capa dura que a Panini vem lançando, da fase anterior do personagem. Para quem gostou da fase de Matt Fraction, essa nova série, de Jeff Lemire mantém a mesma qualidade. Que continue assim.

Encadernado que completa a coleção de adaptações cinematográficas.

Star Wars – Episódio VII – O Despertar da Força (jun/2017) – Estava faltando este encadernado capa dura para fechar a coleção de quadrinizações da saga espacial. Completamente inesperado (não foi anunciado pela Panini), mas totalmente bem-vindo, é um excelente material, tão bom quanto o filme que ele adapta. O destaque fica para a arte de Luke Ross e Mark Laming. Imperdível para quem tem os outros seis capas-duras, formando uma coleção muito legal.

O suprassumo do Mago Supremo

Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel – Clássicos Vol. XXVI – Doutor Estranho: Uma realidade à parte (jun/2017) – Uma das primeiras HQs do Mago Supremo que li, foi quando o herói enfrentou o misterioso Adaga de Prata, um vilão que consegue matá-lo usando uma adaga (de prata, claro!) enfeitiçada. Nostalgicamente, essa história tem um grande valor sentimental para mim, mas não só isso: ela é, de fato, muito boa (embora tenha uma enrolação no meio, que a Editora Abril pulou quando publicou por aqui na revista Superaventuras Marvel, mas que a Salvat publicou na íntegra). Além desse arco do Adaga de Prata, o encadernado também compreende o que veio antes, publicado na revista Marvel Premiere, onde Strange encontra-se com o mago Sise-Neg e presencia a origem do Universo. O que dizer disso tudo? Leitura obrigatória para quem conheceu o Doutor Estranho no cinema e quer descobrir o que de melhor já foi publicado

Os brutos também amam

Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel – Clássicos Vol. XXII – Hulk: No Coração do Átomo (mar/2017) – Se há uma fase memorável do Gigante Esmeralda são as histórias desenhadas por Sal Buscema e Herb Trimpe. Em uma dessas HQs, o Hulk encontra uma mulher de pele verde e se apaixona por ela, sendo correspondido. A rainha do mundo subatômico, Jarella, foi uma personagem que apareceu em algumas histórias do incompreendido herói e foi capaz de trazer um pouco de paz ao seu coração. Este encadernado compila todas as histórias em que a personagem aparece e mostra que, por traz de um corpo gigantesco e bruto, também existe um coração manso e capaz de amar. Imperdível.

Dois velhos conhecidos em duas novas identidades.

Coleção Histórica Marvel – Wolverine 2 (mar/2017) – Nas histórias-solo de Wolverine em Madripoor, quando adotou o codinome de Caolho, ele se encontrou com o Hulk, quando este vivia um momento cinza e inteligente, chamado de Sr. Tira-Teima. Este encadernado contempla este período, com o Caolho no meio de uma guerra de gangues, pela liderança do crime na cidade. São boas histórias clássicas do mutante canadense.

Arco completo de excelente qualidade neste volume.

Coleção Histórica Marvel – Wolverine 3 (abr/2017) – Um excelente e intrigante arco é publicado completo neste volume. São seis histórias que mostram o Caolho e seus amigos às voltas com uma pedra mística capaz de libertar um demônio com poderes sobrenaturais. História envolvente e de qualidade.

Qualidade excepcional

Injustiça – Deuses entre Nós  7 (abr/2017) – Quando Tom Taylor saiu dos roteiros e foi substituído por Brian Bucellato, me disseram que o nível das histórias deste universo decairia. Não é verdade: a qualidade dos roteiros continua altíssima e vale a pena a leitura. Neste sétimo volume, correspondente ao ano quatro da série original, os deuses gregos decidem intervir na tirania do Superman e sua equipe e interferir no mundo dos homens, surpreendendo, inclusive, com a Mulher-Maravilha. Shazam também se mostra uma peça fundamental na batalha, que fica cada vez pior para o time de Batman. Ação e aventura nota 10.

Boa HQ, mas superestimada.

Cavaleiro da Lua 4 (mai/2017) – Outro encadernado cujas críticas não equivalem ao conteúdo. Ouvi dizer que era uma história com roteiro excepcional, que explorava muito bem a esquizofrenia do herói e tudo o mais e o que vi foi uma trama intrigante, sim, mas com um final idiota e inconclusivo, que não esclarece nada do que veio sendo apresentado nas cinco edições presentes neste encadernado. Claro que a história não terminou e haverá uma nova edição que pode trazer algumas respostas, mas o roteiro não é nada fora do comum. É apenas uma história bacana, inferior à fase antecedente e até um tanto confusa, principalmente para quem não conhece o personagem. Por sinal, vale dizer que a esquizofrenia do Cavaleiro da Lua é recente. Quando ele foi criado, tinha quatro personalidades, mas não era nenhum lunático, com o perdão do trocadilho.

Trailer: Cult of Chucky

A Universal Pictures liberou o primeiro trailer do filme Cult of Chucky (ainda sem título em português), um novo thriller do boneco Chucky, que hospeda a alma de um serial killer e provoca uma série de assassinatos com toques de sadismo. Chucky estreou em 1988, na trilogia de filmes Brinquedo Assassino (Child’s Play, 1988-1990-1991) e depois ganhou mais duas continuações com seu nome no título: A Noiva de Chucky (1998) e O Filho de Chucky (2004). A franquia, que começou como terror/suspense e descambou para a comédia voltou às origens em 2013, com o longa A Maldição de Chucky, lançada diretamente para o mercado de DVD (Leia nossa crítica aqui). O novo longa-metragem repete a estratégia e será lançado em outubro, em blu-ray e DVD, prometendo muito sangue e bons sustos.

Leituras da Semana – Junho (3) e (4)

Ao final do mês de junho, o destaque é a volta do Almanaque Disney e uma publicação que demorou mais de 10 anos para ser lançada, além dos novos mensais da fase Renascimento da DC.

Tudo que a série não mostra, você vê na HQ.

Agentes da Shield 1 (mai/2017) – Leia nossa crítica sobre esta edição aqui.

Fase maravilhosa

Lendas do Universo DC – Mulher-Maravilha 3 (mai/2017) – Encerrando a trilogia da Princesa Amazona, o último encadernado da fase escrita e desenhada por George Pérez traz Diana às voltas com a bruxa Circe além de um encontro com o Superman onde há um início de romance entre os heróis. A fase de George Pérez vai muito além desses três encadernados, mas só eles bastam para mostrar o que de melhor a Mulher-Maravilha já teve publicado e por quê ela é uma das heroínas mais cultuadas do mundo.

Esquadrão Suicida da Marvel

Segredos (mai/2017) – Particularmente, acho bem legal a série de encadernados lançados pela Panini focando nos vilões Marvel. Começou com Os Julgamentos de Loki, seguiu-se com o Caveira Vermelha – Encarnado, Magneto – Atos de Terror, Dr. Octopus; Origem e outros, num total de nove edições, publicadas entre 2014 e 2016. Curiosamente, algumas dessas tramas apresentam uma defasagem bem grande em relação à sua publicação original. Loki, por exemplo, demorou quatro anos para ser lançado por aqui. Pior foi o Capuz, último encadernado lançado em 2016, cuja publicação original é de 2002, uma defasagem de 14 anos. O mesmo acontece com Segredos, cujo arco Disk Identity foi lançado nos Estados Unidos em 2005. Doze anos depois, somos apresentados à trama que reúne seis dos mais perigosos vilões do Universo Marvel – Abutre, Dentes-de-Sabre, Fanático, Homem-Areia, Mercenário e Deadpool que, embora não seja um vilão, também não se enquadra na categoria de herói – em busca de um disco com informações sigilosas de todos os heróis e vilões uniformizados do País que se encontra em posse da IMA. Para unir os vilões – numa espécie de Esquadrão Suicida Marvel – um misterioso chefão do crime ameaça cada um deles com seus segredos pessoais. Manter tantas personalidades distintas atuando juntos e combinando suas habilidades de forma que se completem para cumprir a missão é o grande desafio. A história é boa, mas nada essencial. Leitura divertida e descompromissada, apenas.

Volta triunfal (ou quase)

Almanaque Disney 373 (jun/2017) – Uma das mais importantes publicações da Disney no Brasil está de volta, com a mesma numeração onde havia parado em 2005, após 35 anos de publicação praticamente ininterrupta. Caracterizado por dar espaço a personagens obscuros, como o indiozinho Havita, Lobão e Lobinho, Zorro e a quadrinização de clássicos do cinema, o almanaque manteve esta função, para os amantes da nostalgia. No entanto, nem tudo são flores: a tradicional borda quadrada foi substituída pela lombada canoa (com grampos) e diminuiu a quantidade de páginas (de 132 para 100), para “viabilizar o relançamento”, segundo nota publicada no site Planeta Gibi. Reflexos da crise. Mesmo assim, é uma publicação bem-vinda.

Um novo Batman contra o Erradicador?

Superman 3 (jun/2017) – Continuando o arco O Filho do Superman, o herói de Krypton e seu filho Jonathan continuam enfrentando a ameaça do Erradicador e descobrem que o autômato é bem mais do que apenas um ser artificial. O destaque fica para a revelação de uma batcaverna no lugar mais impossível que você poderia imaginar e o surgimento de uma nova heroína eventual vestindo uma armadura-morcego. Duas HQs dinâmicas e empolgantes.

A batalha definitiva contra o Apocalypse

Action Comics 3 (jun/2017) – Determinado a proteger seu filho do ataque do Apocalypse, o Superman pede ajuda à Mulher-Maravilha para proteger sua família enquanto lida com o monstro kryptoniano. Ao mesmo tempo, Luthor – agora reconhecido como herói – lida com as consequências da destruição causada pela batalha contra o monstro em Metrópolis. Como diz o título da revista, são duas histórias cheias de ação e de ótima qualidade.