Crítica (em vídeo): Esquadrão Suicida

blog abreCom estreia marcada para hoje, dia 4 de agosto, o filme Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016) é a nova aposta da Warner/DC para emplacar seu universo de quadrinhos no cinema. Confirma nossa crítica em vídeo com informações sobre quem é o Esquadrão, detalhes da trama (sem spoilers), pontos positivos e negativos.

Cotação: blog cotação esquadrão

Saído do Forno: Protocolo – A Ordem

blog abreEncontros entre super-heróis sempre atraíram a atenção dos leitores. Marvel e DC fazem isso desde os primórdios e sempre alardearam as grandes sagas, que reuniam vários personagens ao mesmo tempo e que, de um tempo pra cá, se tornou a mola mestra das vendas de HQs. Os crossovers entre editoras diferentes, então, levam os fãs ao delírio. Nesse sentido, a HQ Protocolo – A Ordem, produção nacional que começa a ser distribuída pelo País, gerou uma grande curiosidade nos leitores pelo ineditismo de reunir, numa mesma trama, mais de duas dezenas de super-heróis nacionais.

Cheklist: quantos desses personagens você conhece?

Cheklist: quantos desses personagens você conhece?

Primeiro, porque super-herói nacional é uma raridade. Não que eles não existam, pelo contrário. Eles existem,  e aos montes, mas a grande maioria é desconhecida até mesmo entre os leitores regulares de quadrinhos. A produção nacional sofre com o preconceito, a falta de interesse mercadológico e, sendo bastante sincero, em grande parte das publicações, a baixa qualidade tanto de roteiro como de arte. Por conta disso, o álbum ganha um interesse ainda maior, por “apresentar” esses personagens pouco conhecidos ao público leitor.

Da esquerda para a direita: Guilherme de Sousa, Gabriel Rocha e Elenildo Lopes com um fã (em pé) no lançamento da HQ, em Niterói (RJ).

Da esquerda para a direita: Guilherme de Sousa, Gabriel Rocha e Elenildo Lopes com um fã (em pé) no lançamento da HQ, em Niterói (RJ).

Mas apenas isso não seria suficiente se, como já foi dito, a qualidade de arte e roteiro não fossem bons. Não é o caso. Protocolo – A Ordem tem a ideia fantástica de reunir os heróis numa mesma aventura que ganha forma no excelente roteiro de Thiago da Silva Mota (criador do personagem Dragão Negro, que também faz parte da trama) e nos desenhos de Ton Marx.  Completa o álbum o primoroso acabamento gráfico e papel de qualidade.

Capitão R.E.D. descobre uma invasão alienígena. Melhor pedir ajuda!

Capitão R.E.D. descobre uma invasão alienígena. Melhor pedir ajuda!

Financiado pelo site Catarse em 2015, a obra faz valer o valor arrecadado e oferece ao público leitor tudo aquilo que foi prometido: uma aventura única, toda em cores, com 100 páginas e a reunião de um exército de heróis brazucas, mostrando que nosso País também tem bons personagens que lutam por seu espaço nas bancas. A trama não é inovadora, mas também não decepciona: Tudo começa quando o Capitão R.E.D. (criação de Elenildo Lopes, que foi o idealizador do projeto) descobre uma invasão alienígena ao nosso planeta. Incapaz de conter a ameaça sozinho, R.E.D. começa a recrutar vários super-heróis para formar uma superequipe em defesa da Terra.

Uma página para apresentar cada personagem. Recurso repetitivo, mas necessário.

Uma página para apresentar cada personagem. Recurso repetitivo, mas necessário.

Além disso, no decorrer da história, o grupo descobre que, entre eles, existe um traidor, que está do lado dos alienígenas. Com isso, instaura-se um clima de paranoia entre os heróis. As páginas iniciais, que mostram a convocação dos heróis, um por página, com direito a logotipo e nome do criador, é um recurso que até tornou a narração um pouco repetitiva, mas era necessário que fosse dessa forma a fim de dar o crédito aos personagens e seus respectivos criadores, apresentar os mesmos aos leitores e preparar o terreno para o combate que viria. Tirada essa ambientação inicial, a história esquenta e só cresce a cada página, com as tradicionais batalhas entre os heróis e depois contra os vilões. Além de cenários conhecidos, o leitor mais atento também encontrará alguns rostos e diálogos familiares.

Discurso familiar? Qualquer semelhança não é golpe.

Discurso familiar? Qualquer semelhança não é golpe.

Segundo Lopes, um segundo álbum já está em planejamento. O jovem quadrinista parece, ele próprio, ter fôlego de super-herói. Além de já idealizar a continuação de Protocolo – A Ordem, também planeja o número 2 da revista Capitão R.E.D. e anunciou, recentemente, o lançamento do herói Velox, o primeiro herói homossexual dos quadrinhos brasileiros (inclusive, a primeira imagem oficial do herói foi divulgada hoje, com exclusividade, pelo site Papo de Quadrinho). O único empecilho para todos esses projetos é mesmo a questão mercadológica brasileira, que investe pouco em super-heróis nacionais.

Novo herói que vem por aí. Imagem divulgada com exclusividade pelo site Papo de Quadrinho no dia de hoje.

Novo herói que vem por aí. Imagem divulgada com exclusividade pelo site Papo de Quadrinho no dia de hoje.

A expectativa e a boa recepção de Protocolo – A Ordem talvez mude esse panorama. O álbum mostrou que é possível criar uma boa história ambientada em nossas paisagens com uma qualidade tão boa quanto às publicadas lá fora. O maior inimigo que os heróis precisam vencer é o preconceito contra o que é produzido em terras brazucas. Foi preciso a união de mais de 20 super-heróis para vencer a primeira batalha. A guerra continua.

Dormindo com o inimigo: quem será o traidor?

Dormindo com o inimigo: quem será o traidor?

Para conhecer mais sobre o projeto e adquirir um exemplar de Protocolo – A Ordem, entre em contato diretamente com os autores, na página do álbum no Facebook.

Em Primeira Mão: Batman – A Piada Mortal

blog abreO consagrado roteirista Alan Moore tem o costume de reclamar de todas as adaptações de suas obras, seja para quadrinhos, seja para cinema, por considerar que elas foram concebidas daquela forma, naquela época e para aquela mídia – no caso, quadrinhos – e não aceita que sejam feitas as alterações decorrentes de uma transposição para outras mídias. Se ele visse o que fizeram com a graphic novel Batman – A Piada Mortal (1988) na recente animação homônima que acaba de ser lançada pela DC/Warner para o mercado doméstico, certamente teria mais um de seus chiliques.

Cena de "Batgirl - O Filme"... não, pera...

Cena de “Batgirl – O Filme”… não, pera…

Não que a animação seja ruim, o que não é. O grande problema está na inserção desnecessária de um prelúdio focado na Batgirl que dá ao espectador a impressão de que ele comprou o desenho errado. Pior que isso: a animação, alardeada com uma classificação etária Rated-R (indicada para maiores de idade), deixa explícito que a heroína teve um envolvimento sexual com Batman antes dos acontecimentos da trama principal. Uma besteira feita para explicar – ou pelo menos, acalmar os ânimos, aliviar, disfarçar, tirar a atenção… chamem do que quiserem – outra baboseira decorrente do mundo politicamente correto que transforma uma capa variante numa polêmica desprovida de qualquer bom senso.

Cena da HQ é reproduzida na animação e roteiro também serviu de inspiração para o filme O Cavaleiro das Trevas (2008)

Cena da HQ é reproduzida na animação e roteiro também serviu de inspiração para o filme O Cavaleiro das Trevas (2008)

Explicando: quando foi lançada, em 1988, a graphic novel A Piada Mortal teve a premissa de revisitar as origens do arqui-inimigo do Batman, o Coringa, e mostrar que tanto o herói como o vilão são faces de uma mesma moeda. O que os diferencia é a forma como cada um encara sua “loucura” e qual o direcionamento que dá para seus valores. A premissa de que “qualquer um pode enlouquecer se tiver um dia ruim” foi usada no filme Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008), mostrando uma das mais marcantes interpretações do Palhaço do Crime, interpretado pelo finado Heath Ledger. Algumas cenas da HQ também foram transpostas para o filme – como a cena em que o Batman visita o Coringa no Asilo Arkham.

Capa polêmica: homenagem ou apologia à violência contra a mulher?

Capa polêmica: homenagem ou apologia à violência contra a mulher?

É nessa HQ que o Coringa atira na coluna da Batgirl, deixando-a paraplégica e obriga seu pai, o Comissário Gordon, a ver fotos da filha nua e ensanguentada (deixando em aberto a dúvida se o vilão também a estuprou). O fato, até hoje, gera discussão entre os fãs e se intensificou após o desenhista Rafael Albuquerque criar uma capa variante para a revista da Batgirl onde homenageia a graphic novel e mostra o Coringa ameaçando a heroína. Grupos feministas consideraram a capa ofensiva porque expõe a heroína a uma situação de ameaça e, segundo esses mesmos grupos, é uma apologia ao estupro e à violência contra a mulher. O bafafá foi tão grande que Albuquerque pediu desculpas aos leitores e a DC relegou a capa-homenagem ao limbo.

Batgirl peitando Batman pra mostrar quem é que manda.

Batgirl peitando Batman pra mostrar quem é que manda.

Sem entrar no mérito da capa, porque nosso objetivo é a crítica à animação, fica evidente que o roteirista Brian Azzarello (responsável pelo roteiro do desenho animado) quis dar um “empoderamento” à heroína e, antes de entrar na história que dá título à animação, mostra meia hora de ação com a Batgirl. É um prelúdio desnecessário porque não acrescenta absolutamente nada à trama. Pelo contrário, desconstrói a personagem em sua essência como super-heroína, para mostrar que ela agia mais por interesse sexual no seu parceiro do que para combater o crime. A frase “foi só uma transa” também faz parte do cardápio – frase-clichê da liberação feminina, que também descarta o “macho” mediante a sua satisfação carnal.

Cena idêntica à HQ

Cena idêntica à HQ

Tirada essa introdução dispensável, a animação segue fiel à HQ, inclusive com reproduções de cenas icônicas do álbum e várias referências a outras histórias importantes do vilão – incluindo a morte do Robin no arco Morte em Família (1988), a primeira aparição do Coringa em Batman 1 (1940) e a estréia do Homem-Morcego em Detective Comics 27 (1939). A origem do vilão é mostrada em flashback conforme a trama vai se desenrolando, até o clímax de sua batalha contra o Batman e a piada que conclui a história de forma incomum para os padrões do Homem-Morcego. Há uma cena pós-crédito com a Batgirl que também não faz parte da graphic novel, mas essa sim acrescenta algo à história e dá um fechamento brilhante aos acontecimentos, mostrando que a vida continua e os verdadeiros heróis sempre se superam. Com uma pequena cena de meio minuto, Azzarello deu à Batgirl todo “empoderamento” que a heroína precisa, dispensando meia hora de encheção de linguiça.

Classificação adulta para uma premissa infantil

Classificação adulta para uma premissa infantil

Na tentativa de ser politicamente correto e agradar grupos minoritários, A Piada Mortal “estupra” uma grande obra que nasceu perfeita em sua concepção. A impressão é que a mensagem de que “qualquer um pode se tornar insano se tiver um dia ruim” ficou em segundo plano em detrimento à mensagem subliminar de que heroínas são aquelas que transam libertariamente, contestam seus parceiros masculinos e conquistam sua liberdade. Uma imagem distorcida e desrespeitosa da imagem da mulher, que a “versão para maiores” não torna menos pior. Uma pena. Por causa de meia hora, o desenho que tinha tudo para ser uma excelente animação, foi reduzido a uma piada de mau gosto.

Cotação: blog cotaçãopiada

 

Graphic Novels Marvel – Uma coleção infinita

BLOG ABREEsta semana chega, na Inglaterra, o último número da extensão das graphic novels Marvel – que no Brasil vem sendo publicada pela Salvat. Com a saga Vingadores Vs. X-Men (edição 80), a Hachette Partworks, editora que publica a coleção no Reino Unido, encerra a segunda leva de 60 edições, que começou em dezembro de 2011 e atingiu 120 números no total.

Saga Vingadores Vs. X-Men encerra o segundo lote de 60 volumes

Saga Vingadores Vs. X-Men encerra o segundo lote de 60 volumes

Veja bem: “encerra a segunda leva de 60 edições”, porque já está previsto mais um lote, que vai aumentar a coleção para 150 números (por enquanto) e promete se estender até julho de 2017. Desta vez, o foco será na fase Marvel Now! que redefiniu o Universo Marvel imediatamente após a saga Vingadores Vs. X-Men e a lombada terá a adição de imagens do Dr. Destino, Thor e Capitão América. Com isso, a coleção de graphic novels engloba quatro fases distintas: os primeiros 60 volumes são as grandes sagas da editora; o segundo lote é dividido em duas fases – a Marvel Clássica (40 edições com algarismos romanos) e histórias recentes (20 edições, continuando a partir do número 61) e, finalmente, Marvel Now! (ou Nova Marvel, como ficou conhecida no Brasil), começando do 81 em diante. Vale dizer que grande parte dessas histórias vem sendo publicadas por aqui em edições de luxo pela Panini.

A lombada completa, com montagem que insere o Dr. Destino, Thor e Capitão América.

A lombada completa, com montagem que insere o Dr. Destino, Thor e Capitão América.

Por enquanto, ainda é cedo para dizer se essa nova extensão também chegará ao Brasil, mas é bem provável que sim. Afinal, a fórmula tem dado certo até agora e, enquanto as editoras tiverem retorno financeiro, a tendência é que continue. O problema é mesmo para nós, colecionadores. Primeiro: onde guardar essas coleções, já que as estantes estão lotadas (considerando as coleções vermelha, da DC Eaglemoss, Star Wars da Planeta DeAgostini, Batman Eaglemoss…). Segundo: o orçamento, visto que cada fascículo tem custado, em média 40 reais quinzenais. Considerando que se colecione apenas uma série, já são 80 reais por mês. Se se colecionar também a série vermelha e da DC, o rombo sobe para 240 reais. E por aí vai…

A maioria dos encadernados já foram publicados pela Panini.

A maioria dos encadernados já foram publicados pela Panini.

Ou seja: colecionar quadrinhos virou um passatempo caro. Claro que nós gostamos das coleções em capa dura e papel de qualidade, mas está difícil manter esse ritmo, ainda mais sabendo que as coleções não tem data para acabar. Os nerds viram, nos últimos anos, seus sonhos se tornarem realidade, com tantos filmes e quadrinhos legais pipocando por aí. Mas agora é aquele momento em que o sonho começa a se tornar pesadelo e fugir dos limites. Vamos ver até onde isso vai. Abaixo, você vê os fascículos que virão por aí.

No.

Título

Edição original

121 Guardiões da Galáxia: Vingadores Cósmicos Guardians of the Galaxy: Tomorrows Avengers #1 e Guardians of the Galaxy (vol. 3) #0.1 & 1-3
122 Fabulosos Vingadores: A Sombra Vermelha Uncanny Avengers #1-5
123 Gavião Arqueiro: Minha vida como arma Hawkeye (vol. 4) #1-5 e Young Avengers Presents #6
124 Novíssimo Motoqueiro Fantasma: Máquina da Vingança All-New Ghost Rider #1-5
125 Vingadores: Mundo dos Vingadores Avengers (vol. 5) #1-6
126 Surfista Prateado: Novo Amanhecer Silver Surfer (vol. 7) #1-5, All-New Marvel Point One
127 Nova: Origens Nova (vol. 5) #1-5, Marvel Now! Point One
128 Novos Vingadores:Tudo morre New Avengers (vol. 3) #1-6
129 Homem-Aranha Superior:Meu pior inimigo Amazing Spider-Man #698-700, Superior Spider-Man #1-5
130 Thor: Deus do Trovão – O Carniceiro dos Deuses Thor God of Thunder #1-5
131 Infinito (Parte 1) Infinity #1-3, Avengers (vol. 5) #18-20, New Avengers (vol. 3) #9-10
132 Capitão América: Dimensão Z Captain America (vol. 7) #1-10
133 Infinito (Parte 2) Infinity #4-6, Avengers (vol. 5) #21-23, New Avengers (vol. 3) #11-12
134 Quarteto Fantástico: Viajantes Fantastic Four (vol. 4) #1-8
135 Jovens Vingadores: Estilo > Substância Young Avengers (vol. 2) #1-5
136 A Morte do Wolverine Death of Wolverine #1-4
137 Pecado Original (Parte 1) Original Sin #0-3, Original Sins #1-3
138 Miss Marvel: Nada Normal Ms. Marvel (vol. 3) #1-5 e All-New Marvel Now! Point One
139 Matar ou Morrer Avengers Arena #1-7
140 Pecado Original (Parte 2) Original Sin #4-8, Original Sins #4-5, Original Sin: Annual #1
141 A definir A definir
142 A definir A definir
143 A definir A definir
144 A definir A definir
145 Deadpool: Guerra Secreta Secreta A definir

Em Primeira Mão: Batman Vs. Superman Ultimate Edition

blog abreTornou-se uma prática comum as edições estendidas de filmes de sucesso quando do seu lançamento para o mercado doméstico. Estas edições, geralmente, incluem cenas extras que foram deletadas na versão do cinema – na maior parte das vezes, por mera questão comercial – e que complementam a trama, tornando-a mais rica e grandiosa. Foi assim com X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido (com sua Edição Vampira – fizemos a crítica aqui), Demolidor (aquele do Ben Affleck) e os filmes da saga O Senhor dos Anéis (2001-2003), com suas muitas horas de exibição.

Você tem bafo de morcego!

Você tem bafo de morcego!

O polêmico filme Batman Vs Superman – A Origem da Justiça também ganhou uma edição estendida com três horas e dois minutos de duração. O lançamento veio na tentativa de acalmar a fúria dos fãs e críticos, que detonaram as crateras (buraco é elogio) no roteiro  do longa e tentar consertar essas falhas, mostrando que, se o filme saísse com as cenas deletadas, ele seria muito mais coerente e as coisas fariam mais sentido.

Momento Merchan (porque alguém tem que pagar por essa bomba.)

Momento Merchan (porque alguém tem que pagar por essa bomba.)

Após assistir a essa versão com cenas adicionais, a sensação que fica é que a Ultimate Edition deveria se chamar Caça-Níqueis Edition, pois é isso que ela é: só uma forma de ganhar mais dinheiro em cima dos fãs, que vão gastar uma grana a mais para descobrir que o material extra nada mais é do que encheção de saco. As cenas extras tornam o filme mais completo? Óbvio que tornam, mas nada que a versão oficial não deixe subentendido – e que, aliás, teve meia hora a menos de tortura.

"Você me acorda a essa hora pra dizer que o filme não tem nada de relevante?"

“Você me acorda a essa hora pra dizer que o filme não tem nada de relevante?”

Enumeramos a seguir algumas dessas cenas para você perceber o quanto elas acrescentaram à trama (só que não). Ou seja: a partir daqui, teremos spoilers adoidado. Se você não viu o filme ainda e quiser ver, compre a edição normal. Se quiser ver a edição estendida, tudo bem, mas saiba que o filme não melhorou absolutamente nada. E se você já viu o filme e está ansioso para ver as melhorias da edição estendida… bem… melhor esperar o reboot, porque nesse, não deu. Eis alguns extras:

1 – A cena inicial, da morte dos pais de Bruce Wayne, ganharam uns segundos a mais. A queda de Bruce na caverna é mais demorada e podemos apreciar – em câmera lenta – o bandido apontando a arma pra cara da Martha, provando que ele atirou de propósito e não um disparo provocado pelo calor do momento. É extremamente importante saber disso, pois foi o que definiu o restante da história. Ah, sim! As bolinhas do colar também demoram mais para cair e caem em maior quantidade.

2 – Não tenho bem certeza disso, mas pareceu-me que a cena em que Bruce Wayne dirige por Metrópolis durante a batalha do Superman contra Zod e os prédios vão caindo também tem alguns segundos a mais. Aparentemente, para mostrar como Batman é bom ao volante ao fugir dos destroços. Cena fundamental para a cena posterior, em que ele coloca um rastreador no caminhão e pega o Batmóvel para destruir o caminhão.

"Oi, eu tenho nome."

“Oi, eu tenho nome.”

3 – O fotógrafo se apresenta a Lois Lane e diz que se chama Jimmy Olsen. A importância desta cena está no fato de que sabemos que aquele fotógrafo era mesmo o Jimmy.

4 – Na África, também podemos acompanhar os soldados americanos acompanhando os terroristas por meio de drones e autorizando um ataque que vai causar várias mortes e responsabilizar o Superman. Antes, Superman impede um foguete de atingir o alvo.

5 – Na cena da banheira, podemos ver Clark tirando a camisa. Afinal, um corpo nu e sarado sempre ganha uns pontinhos de audiência.

6 – Na primeira aparição do Batman, na casa abandonada, é mostrado o momento em que os policiais foram chamados para cobrir o caso. Eles estavam vendo futebol. Fundamental para a trama.

A africana tem várias cenas extras. Mais até do que o Superman.

A africana tem várias cenas extras. Mais até do que o Superman.

7 – Ainda descamisado, Superman vê pela TV a africana falando mal de suas atitudes. Uma crueldade com a já baixa autoestima do herói.

8 – Antes de pichar a estátua do Superman, o ex-funcionário de Wayne é visto preparando o equipamento. Num painel de recortes, podemos ver a imagem da capa de Action Comics 1 (a edição de estreia do Superman) desenhada por Alex Ross. Olha o Fan Service!!!

9 – Lembram que o Clark é mandado por Perry White para Gotham pra cobrir um jogo de futebol e ele quer cobrir a história do vigilante vestido de morcego? Há uma cena que mostra Clark indo a Gotham para cobrir o jogo de futebol, mas ao invés disso, ele vai investigar a história do vigilante vestido de morcego!

10 – A bunda do Batman é mostrada durante um banho. Afinal, um corpo nu e sarado mostrando a bunda sempre ganha uns pontinhos de audiência.

Essa foto vai atrair muitas buscas. Mas a gente censurou as partes porque nosso blox é de família.

Essa foto vai atrair muitas buscas. Mas a gente censurou as partes porque nosso blox é de família.

11 – O discurso de Lex Luthor na festa pareceu-me um pouco maior. Porque as coisas que ele falou naquele discurso merecem uma análise mais profunda pela sua relevância.

12 – Clark liga pra mãe de madrugada pra pedir conselhos pelo fato de estarem falando mal dele. “Manhê! Aqueles jornalistas estão falando mal de mim, ó!” (mal sabia ele o que iam dizer depois de ver o filme).

13 – O capanga russo de Luthor combina com um presidiário a morte do bandido que foi marcado com a Marca da Caveira… digo… do Morcego. Ainda quero descobrir por qual motivo os “marcados” são assassinados em seguida.

14 – Lois Lane tem uma amiga que a ajuda a investigar o paradeiro da bala. O que significa que essa investigação ainda dá muito o que falar na versão estendida.

Personagem nova auxilia Lois na investigação sobre a bala (aquela, que ela passa o filme todo fazendo)

Personagem nova auxilia Lois na investigação sobre a bala (aquela, que ela passa o filme todo fazendo)

15 – Na segunda festa que encontramos Diana Prince, há uma cena que mostra o garçom assistindo TV antes de servir as champagnes aos convidados.

16 – Clark Kent entrevista a esposa do bandido que foi assassinado na prisão por ter sido marcado pelo Batman. Isso ajuda a definir os motivos que vão levar o Superman a enfrentar o Homem-Morcego (não que faça qualquer diferença, obviamente!).

17 – A africana confessa que foi induzida a depor contra o Superman. E depois sofre as consequências dessa confissão. Consideremos que ela era uma personagem fundamental na história.

18 – Depois da explosão do capitólio, Superman ajuda a resgatar os sobreviventes. Veja bem: o local teve uma bruta explosão que demoliu o local e deixou tudo em chamas. Mas haviam sobreviventes.

Tem um desenho na mesa da delegacia onde Clark faz uma investigação. Olha que importante!

Tem um desenho na mesa da delegacia onde Clark faz uma investigação. Olha que importante!

19 – Antes de Clark dar um passeio no gelo e encontrar seu pai, algumas pessoas veem ele chegando.  Enquanto isso, Lois descobre que o Superman não podia impedir a explosão do Capitólio.

20 – A cena do sonho do Batman no deserto é mais extensa e sua luta com os soldados e parademônios é bem mais acirrada.

21 – A luta entre o Superman e o Batman é maior, o que garante mais porrada, que é o que a gente quer ver nesse filme. E na cena da revelação do nome da mãe do Superman, Batman tem uns flashbacks com todas as vezes em que o nome Martha foi pronunciado ou apareceu na tela. Porque, claro, o espectador é burro e não sabe ligar as coisas.

22 – Apocalypse está mais explosivo. A cada novo ataque, ele absorve energia ao redor em explosões elétricas para evoluir e se adaptar. E, na cena em que a Mulher-Maravilha o amarra com o laço mágico, não é mostrado ela jogando o laço, mas é visto o momento em que o laço prende o monstro. (E, PINDAROLAS!, essa cena foi CORTADA!! Pô, Zack Snyder!!!)

Um monte de fan service e aquele que a gente gostaria de ver foi CORTADO! Hunf...

Um monte de fan service e aquele que a gente gostaria de ver foi CORTADO! Hunf…

23 – A Mulher-Maravilha apanha muito mais – e bate também. Ela é a única coisa que vale a pena ver nesse filme.

24 – Antes de ser preso, Luthor é visto na nave de Zod com um monstro de Apokolips e várias caixas maternas. Mas isso você já tinha visto pela Internet.

25 – Perry White vai ao velório de Clark Kent em Smallville, com direito à presença de Lana Lang e Pete Ross e cenas de Metrópolis e do Planeta Diário totalmente abandonados. Mas você só sabe que Lana e Pete estavam lá se for daqueles que gostam de ler os créditos finais.

esta imagem só está aqui pra incrementar as buscas do blox. :-)

esta imagem só está aqui pra incrementar as buscas do blox.🙂

Basicamente são essas cenas, mas posso ter deixado passar algo, afinal são detalhes tão importantes e que fazem tanta diferença que a gente acaba esquecendo. De qualquer forma, esta versão estendida cabe bem na frase que a senadora disse a Lex Luthor: “Você pode me chamar do que quiser. Pode pegar um copo de urina e chamar de chá de pêssego da vovó. Tanto faz, eu não vou beber.” Zack Snyder pode chamar este filme de “épico” e esta versão de “definitiva”. Não faz diferença: ele continua sendo ruim. O diretor devia pedir desculpas ao público por ter cometido essa bomba.

Crítica: Procurando Dory

blog abreTreze anos depois de sua primeira aparição no cinema, a peixinha esquecida Dory está de volta em uma nova aventura. Procurando Dory (Finding Dory, 2016) estreia amanhã nos cinemas, trazendo novamente a temática da família e da amizade. Dory, que sofre de perda de memória recente, de repente se lembra de sua infância e de seus pais e percebe que não sabe o que aconteceu a eles. Assim, decide partir numa busca para reencontrá-los.

Dory lembra que esqueceu de seus pais e parte em busca deles.

Dory lembra que esqueceu de seus pais e parte em busca deles.

Na jornada, conta com a ajuda de alguns velhos conhecidos do público (como Marlin, Nemo e as tartarugas), antigos amigos de Dory (como a baleia Destiny) e também novos amigos de caminhada, como o polvo Hank e os leões marinhos Fluke e Rudder. Enquanto Dory procura seus pais, o público fica conhecendo, por meio de flashbacks, a história de sua infância e como foi aprendendo a driblar sua síndrome, de forma lúdica e divertida.

O polvo Hank vai dar uma mãozinha - ou sete - para ajudar Dory.

O polvo Hank vai dar uma mãozinha – ou sete – para ajudar Dory.

As pistas levam Dory até o Instituto de Vida Marinha, onde ela conhece Hank, um polvo de sete tentáculos – ele perdeu um deles e, por conta disso, se tornou amargo e mal humorado – que é mestre em camuflagem e se torna uma ajuda fundamental para Dory conseguir atravessar o Instituto. Ela também encontra auxílio em sua amiga de infância Destiny, uma tubarão-baleia que também tem seus problemas: ela não tem senso de direção para nadar. Juntamente com Bailley, uma baleia branca que perdeu seu sonar biológico, o quarteto vai descobrir que as deficiências podem ser superadas com otimismo e bom humor.

Dá pra resistir a esses olhinhos da Dory Bebê?

Dá pra resistir a esses olhinhos da Dory Bebê?

Ao mesmo tempo, Marlin e Nemo também estão na busca por Dory, principalmente porque Marlin sente remorso por uma coisa que disse a Dory. O peixe-palhaço e seu pequeno filho aventureiro também vão aprender que a amizade é mais importante que os defeitos pessoais. Embora não seja melhor que seu antecessor, Procurando Dory mantém o mesmo clima de trapalhada e diversão, mas também reserva momentos sentimentais e emocionantes. A jornalista Marília Gabriela faz uma participação interpretando ela mesma como a locutora do Instituto de Vida Marinha na versão brasileira – no original, a voz é da atriz Sigourney Weaver.

Fofura extrema no curta animado Piper

Fofura extrema no curta animado Piper

Procurando Dory é mais um acerto da Pixar e mais uma animação para entrar no ranking dos melhores filmes do ano, que prometia ser o ano dos super-heróis, mas está perdendo feio para os desenhos animados. De bônus, ainda há o curta animado Piper, que mostra os primeiros passos de um bebê-gaivota na busca por alimento numa praia. Um show de fofice que faz o coração bater palmas de felicidade. Nem a Dory vai esquecer essa experiência.

Cotação: blog cotaçãoDory

Em Primeira Mão: Mulher-Elétrica e Garota Dínamo

blog abreLançado no início deste mês nos Estados Unidos, o filme Mulher-Elétrica e Garota Dínamo (2016), resgata do limbo do esquecimento as heroínas que só quem tem mais de 40 anos deve se recordar – e, ainda assim, com relativo esforço. A dupla estrelou uma série de TV em 1976, estrelada por Deidre Hall (Mulher-Elétrica) e Judy Strangis (Garota Dínamo) e produzida pela Sid & Marty Krofft’s (a mesma empresa responsável pelo clássico – e também esquecido – seriado infantil A Flauta Mágica).

Heroínas estrearam em 1976, como uma paródia de Batman e Robin

Heroínas estrearam em 1976, como uma paródia de Batman e Robin

Uma óbvia paródia de Batman e Robin, Mulher-Elétrica e Garota Dínamo eram duas repórteres (Lori e Judy, respectivamente) que se transformavam em super-heroínas para combater o crime. Assim como sua fonte de inspiração, a dupla tinha seu Electramóvel, uma ElectraBase e sua principal engenhoca, o ElectraCom, um bracelete com várias funções, entre as quais lançar raios de energia, permitir as heroínas levitarem, troca de roupa instantânea e comunicar-se por videoconferência com seu parceiro Frank Heflin (Norman Alden), que ficava na ElectaBase dando-lhes apoio estratégico.

A Flauta Mágica é uma série feita pelos mesmos produtores. Se você se lembra, provavelmente deve ter poucos cabelos na fronte.

A Flauta Mágica é uma série feita pelos mesmos produtores. Se você se lembra, provavelmente deve ter poucos cabelos na fronte.

A série teve 16 episódios de 15 minutos cada um e apelava para o humor e o escracho, mostrando situações absurdas e inimigos bizarros, que colocavam as heroínas em situações de perigo que terminavam sempre com o gancho “Conseguirão nossas heroínas escapar da armadilha da terrível vilã?”. Claro que, no segundo capítulo, elas sempre escapavam. O baixo orçamento também ajudava na pobreza de recursos, mas tudo era proposital, pois a série era voltada para crianças e não tinha qualquer pretensão em ser uma diversão intelectualizada. Eram tempos inocentes.

Heroínas tomam banho de loja para se adequar ao século 21

Heroínas tomam banho de loja para se adequar ao século 21

A nova versão segue a mesma premissa e ironiza o universo dos super-heróis além de ser uma paródia de si mesmo. A trama se passa em nossos dias, onde as redes sociais dominam a comunicação e os super-heróis se mantêm na mídia cedendo sua imagem para patrocinar produtos. Nesse cenário, a Mulher-Elétrica (Grace Helbig) e a Garota Dínamo (Hannah Hart) são heroínas fracassadas porque não se renderam a esse esquema. Isso muda no dia em que a dupla impede um assalto e o vídeo vai parar na Internet. Com milhões de visualizações, elas são contatadas por um empresário e ganham uma atualizada no visual para se tornarem popstars.

Hora da Electraselfie.

Hora da Electraselfie.

A situação se agrava quando surge a Imperatriz do Mal, uma vilã superpoderosa, que é a única após a histórica Guerra das Sombras, um evento que uniu todos os heróis numa batalha épica contra todos os supervilões, culminando no derrota e no desaparecimento destes últimos. Para combatê-la, as heroínas contam com a ajuda de Frank Heflin (agora interpretado por Christopher Coutts), um gênio nerd sempre entediado.

A misteriosa (e superpoderosa) Imperatriz do Mal

A misteriosa (e superpoderosa) Imperatriz do Mal

O filme tem boas tiradas e momentos divertidos, com uma série de clichês – propositais, claro! – de filmes de super-heróis. Um bom exemplo é o arrogante Major Vanglória e seu parceiro, Asa Alado, um sidekick insignificante e idiota. Há, inclusive, uma convenção de quadrinhos com sessões de autógrafos dos superseres. É verdade que algumas piadas forçam a barra para serem engraçadas, mas  lembrando que tudo é uma enorme brincadeira descompromissada, dá pra se divertir bastante com esse reboot.

Num mundo cheio de super-heróis, a batalha é pela popularidade.

Num mundo cheio de super-heróis, a batalha é pela popularidade.

O longa também brinca com a metalinguagem, pois inicialmente foi disponibilizado via streaming, em oito websódios de 11 minutos cada, para plataformas como Fullscreen, Google Play e iTunes. Uma boa piada, considerando que as heroínas só voltaram à fama após passarem por um upgrade e aderirem à modernidade da tecnologia. Tomara que não fique apenas na brincadeira e a Mulher-Elétrica e a Garota Dínamo possam, de fato, voltar à mídia como uma série regular, como um contrapeso à sobriedade de personagens como Jessica Jones e do Arqueiro Verde em Arrow. Um pouco de leveza e humor são sempre bem-vindos.

Cotação: blog cotaçãoEWDG