Sequência Favorita: Homem de Ferro 2

Nossa Sequência Favorita de hoje traz o que é, para mim, o trecho mais empolgante do filme Homem de Ferro 2 (2010), a sequência que, quando mencionam esse filme, é a primeira que me vem à cabeça. Depois da surpresa que o primeiro longa-metragem do Vingador Dourado causou, pela sua qualidade e fidelidade, além da excelente interpretação do ator Robert Downey Jr. no papel de Tony Stark, a sequência foi feita rapidamente, introduzindo novos elementos na mitologia cinematográfica do personagem.

O veterano Mickey Rourke não encaixou no papel.

É verdade que a sequência deixou a desejar em vários aspectos. Um deles foi o vilão Chicote Negro, interpretado por Mickey Rourke, que não se encaixou tão bem no papel como deveria. No entanto, a primeira cena da luta do vilão contra o Homem de Ferro tem todos os elementos para se tornar inesquecível. Enquanto participava de um evento automobilístico em Mônaco, Tony é atacado pelo Chicote Negro que, com sua arma eletrônica, passa a fatiar o carro dirigido por Stark.

Todo mundo deveria ter uma maleta dessas.

Ao ver o ataque pela TV, Pepper (Gwyneth Paltrow) e Happy (Jon Favreau) correm para entregar ao patrão a maleta com sua armadura, mas são atacados pelo vilão. A sequência, ao mesmo tempo que é tensa, tem muito humor, pois Stark não consegue pegar sua maleta já que Happy tenta prender o Chicote Negro com seu carro enquanto o inimigo distribui chicotadas. Quando a situação parecia fora de controle, Pepper joga a mala pela janela e esta cai aos pés do empresário, que pisa nela, ativando o mecanismo que a transforma na armadura portátil, vermelha e prateada.

Legal, mas nem tanto.

Lembro que, no cinema, a pessoa ao meu lado, bateu os pés no chão de empolgação quando esta cena aconteceu. Uma prova do quanto ela foi emocionante e inesquecível. Uma pena que, a partir do final da luta que se seguiu, o filme começou a decair e perdeu o ritmo. Não a ponto de ser um filme ruim, obviamente (ele tem nota 7 no IMDb, site que lista produções cinematográficas), mas de ser classificado como os piores da Marvel Studios. Veja a cena a seguir e deixe nos comentários qual a sua sequência favorita:

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Crítica: O Predador (2018)

A estreia da semana é o novo longa-metragem O Predador (The Predator, 2018), que traz de volta um dos monstros mais queridos e conhecidos do cinema. Já faz 31 anos desde sua estreia e sete desde a última aparição nas telas, de modo que a expectativa pelo novo filme é bem grande. Soma-se a isso o fato das últimas sequências não terem sido tão bem aceitas pelo público e o trabalho massivo do marketing da Fox em divulgar a produção e temos aí um novo blockbuster.

Quem disse que só os galãs de cinema atraem público?

Mais ou menos. Blockbuster o filme será por conta do título que, por si só, já é um chamariz de público. No entanto, a história contada já acende a luz de alerta. Três delas, formando um triângulo, se me permitem o trocadilho. O novo capítulo da franquia é uma sequência de erros que até tem uma premissa bem interessante e começa bem, mas se perde no desenrolar da trama. Já começa pelo título do filme, que dá a entender que seria um reboot – e, aliás, ele foi anunciado como sendo, mas o diretor Shane Black resolveu mudar de última hora. Assim, a franquia agora tem dois filmes com o mesmo título. Não, pera… o primeiro é só “Predator” e este é “The Predator”. Então tá.

Nave do Predador chega na Terra levantando poeira.

A trama mostra um predador rebelde fugindo de um caçador de sua raça e vindo buscar refúgio na Terra. A nave cai no meio de uma missão militar e o monstro é capturado e levado para ser estudado. Antes, porém, o capacete e a manopla do alien caem nas mãos de Quinn McKeena (Boyd Holbrook), um atirador de elite que cumpria missão no local, e ele decide ficar com o armamento em segredo, atraindo, com isso, a atenção de outro predador que perseguia o anterior. A partir daí começa a correria e perseguição.

Predador do bem Vs. Predador do mal.

A trama se perde totalmente ao apresentar um “predador do bem” (o fugitivo), que veio ajudar a humanidade, mas que sai matando quem vê pela frente, enquanto que McKeena faz uma parceria forçada com um grupo de renegados militares para capturar o bicho, que foge do centro de pesquisas onde estava sendo estudado e é perseguido pela Dra. Bracket (Olivia Munn), uma especialista em seres alienígenas.

Grupo protagoniza os momentos de humor (ou da tentativa de) na trama.

Estes renegados são considerados insanos pelo alto comando militar e, para justificar isso, são autores de diálogos sem noção que se tornam mais vergonhosos do que engraçados. Sem mencionar o baixo calão dos termos (tanto que o filme recebeu classificação etária 16 anos no Brasil), ditos de forma gratuita e descontextualizada, unicamente para pagar de “filme descoladão”. Infelizmente, isso só comprova a falta de direção: não sabe se quer ser ficção científica ou comédia. É claro que os gêneros podem se misturar numa mesma produção, mas tem que haver um equilíbrio, o que não acontece neste caso. São tantas piadas sem graça e tantos palavrões ditos sucessivamente, que a trama em si acaba ficando em segundo plano. 

“Não precisa atirar que eu não faço nada com os protagonistas!”

Por fim, há a questão da lógica, ou, no caso, da falta dela. É evidente que filmes de ação são repletos desses momentos e exigir lógica num filme que ficção é o mesmo que pedir que não haja armas de fogo em filmes de faroeste, mas quando a coisa sai do limite, não dá pra engolir. É uma ofensa à inteligência do espectador: o predador sai matando todo mundo indistintamente, mas nunca faz nada com os heróis da trama; um “cachorro” alien superferoz que fica dócil feito um poodle, um equipamento metálico que, numa cena é visivelmente maior que o braço do usuário e, na outra, está perfeitamente encaixado nele; um personagem que “sabe” códigos alienígenas para abrir a nave espacial do Predador; um campo de energia que protege a nave, mas não protege as turbinas da mesma (exatamente sua parte mais vulnerável) e por aí vai. Parecia até filme de segunda categoria feito pela produtora Asyllum, famosa por “homenagear” (leia-se “plagiar”) os principais blockbusters do cinema.

Ator mirim dá um show de interpretação.

A sequência de absurdos é tanta que acabam incomodando e dando a sensação de que o filme é mais longo do que realmente é (ele tem 107 minutos). No entanto, para não dizer que tudo é ruim, a atuação do garoto Jacob Tremblay é digna de aplausos. O ator, que já fez o menino deficiente de Extraordinário (2017), novamente interpreta um garoto com algum tipo de deficiência mental – o filme não deixa claro qual é – o que potencializa sua inteligência. Por último, uma curiosidade: o diretor Shane Black atuou no primeiro Predador, de 1987. Só por isso, seria um motivo para tratar a franquia com mais dedicação e não transformá-la num pastiche. Uma pena.

Preparem as armas, porque vai ter continuação, sim!

Com o gancho deixado no final do longa-metragem – e, principalmente, com a bilheteria milionária que o filme deverá arrecadar – é óbvio que ainda veremos outras sequências do monstro caçador. Esperemos que, na próxima, ele consiga apagar a mancha que as últimas sequências deixaram no histórico da franquia. Desta vez, ainda não conseguiu.

Cotação: 

Agendão Raio X – Novas Temporadas 2018/2019

Está chegando a hora de estrear as novas temporadas das séries de TV nos Estados Unidos. E o nosso blog, pra não deixar ninguém desamparado, criou aquele “agendão” com as datas de todas as séries de super-heróis que serão exibidas na TV americana. Vale reforçar que, no Brasil, essas datas são diferentes e nem todas as emissoras já programaram as estreias. Por isso, focamos exclusivamente no mercado americano, onde as datas já foram confirmadas – salvo alterações de última hora.

Sua vida social chegou ao fim. De novo.

Com a rapidez da Internet, fica fácil acompanhar essas produções antes de estrearem no Brasil e, assim, ficar livre de spoilers que, certamente pipocarão antes que os episódios sejam exibidos pelos canais brasileiros. Portanto, copie a imagem abaixo, divulgue pros amigos e fique antenado nesse universo de super-heróis que está, cada vez mais, se multiplicando e despertando o interesse dos grandes estúdios. Aventura e ação é o que não falta!

Cabelos sempre sedosos, pela honra de Grayskull.

O grande destaque é a estreia da série dos Titãs, pelo novo canal streaming DC Universe e também a chegada da nova série animada da She-Ra, pela Netflix. Mas claro que as redes abertas também têm seus destaques com as segundas temporadas de The Gifted (Fox), Raio Negro (CW) e Fugitivos (Hulu), a quarta temporada de Supergirl e Legends of Tomorrow, a quinta de The Flash e a sétima de Arrow, todas pela CW. E, claro, sem esquecer da terceira do Demolidor, que foi anunciado de supetão pela Netflix. Tudo isso só em 2018! Ufa!

Invasão de super-heróis na TV

 

Dica Literária: Guerreiros – Contos sobre Lutadores

Em mais um lançamento da Darda Editora, o livro Guerreiros – Contos sobre Lutadores reúne 15 contos sobre vários homens e mulheres que fazem da batalha o seu estilo de vida. Os organizadores Davi Paiva e Lucas Palhão são escritores que já tiveram obras e contos publicados pela mesma editora, o que lhes garante a experiência para selecionar os textos dentro da temática proposta.

Para quem mata um leão por dia.

Embora a arte da capa remeta a um gladiador, a coletânea não se resume a lutas em arenas. Os textos vão desde lutadores medievais até lendas folclóricas, contos de fantasia e histórias cotidianas, com “lutadores” urbanos cuja batalha é ganhar o pão de cada dia. Como sempre acontece nesse tipo de obra, alguns contos são sempre mais interessantes que os outros e há sempre aqueles que chegam a surpreender, como o caso de A Ferramenta Infernal, de Samuel de Andrade, história que abre a antologia. Com um final inesperado e extremamente criativo, a trama dá uma visão bastante particular sobre um conhecido personagem da literatura fantástica.

Preparados para a guerra

O grande mérito da obra está em abrir as portas para novos autores, que tiveram sua primeira oportunidade de publicar contos neste livro – e começaram muito bem, diga-se de passagem. Autores mais experientes também estão presentes na obra e até mesmo os organizadores participam, com abordagens bem distintas em seus contos: Palhão embarca numa aventura pelas matas brasileiras e lendas indígenas em O Senhor da Lança, enquanto Paiva prefere ambientar seu conto no fictício Raysh, o mundo de fantasia criado por ele mesmo e bastante explorado em sua obra Cavaleiro Negro (já falamos sobre esse livro aqui), com o conto O Olho do Espírito.

Capa do livro

Por sua estrutura simples, Guerreiros – Contos sobre Lutadores proporciona uma leitura bem rápida (cada conto tem até 8 páginas) e pode ser uma excelente opção para ser adotado em escolas, para incentivar novos leitores a tomar gosto pela leitura. O livro tem pode ser adquirido no site da Darda Editora (clique aqui) ou diretamente com os autores.

Crítica: Os Jovens Titãs em Ação! nos cinemas

Após cinco temporadas de sucesso no canal Cartoon Network, a versão animada dos Jovens Titãs chega aos cinemas a partir de 30 de agosto, num longa-metragem pra lá de bem humorado, que não tem vergonha de rir de si mesmo e das produções da DC Comics para o cinema. Em Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (Teen Titans Go! to the Movies, 2018), Robin, Cyborg, Ravena, EstelarMutano buscam provar seu valor e conquistar o direito de ter seu próprio filme, a exemplo dos outros super-heróis.

“Sssslaaaaade!” O nome do vilão rende uma ótima gag na trama.

O problema é que os estúdios não se interessam pelos jovens, por não considerá-los importantes, mas, em contrapartida, produzem filmes dos mais obscuros personagens, o que causa revolta em Robin, que sonha em sair da sombra de seu mentor. Enquanto isso, Slade (nos quadrinhos, o vilão é chamado de Exterminador, mas na série optaram por usar seu nome civil) prepara um plano para dominar a mente da população mundial e cabe aos desprezados Titãs impedi-lo.  O longa segue o mesmo ritmo frenético da série animada, com ação constante e diálogos estapafúrdios que não poupam nem mesmo a concorrente Marvel, em momentos hilários e participações especiais.

Os personagens mais desconhecidos (MESMO!) da DC aparecem no longa.

O fãs de quadrinhos das antigas vão se divertir identificando as inúmeras referências que aparecem a todo instante e vão desde prédios conhecidos a personagens coadjuvantes do Universo DC e pôsteres na parede remetendo a filmes famosos, tudo com um humor escrachado e subversivo – em algumas situações, até mesmo politicamente incorreto. Não é para menos que uma piada envolvendo Batman V Superman – A Origem da Justiça (2016) por pouco não foi cortada da edição final, porque teria desagradado os executivos da Warner. Felizmente, o produtor Sam Register conseguiu convencer o alto escalão da empresa e fomos brindados com um dos momentos mais engraçados do longa.

Piadas de bastidores também estão presentes.

Mas quem pensa que as piadas estão limitadas aos diálogos e cenas, engana-se! Nem mesmo os bastidores das produções cinematográficas foram deixados de lado: desde sempre, o ator Nicolas Cage manifestou seu desejo em interpretar o Homem de Aço nos cinemas e quase conseguiu seu objetivo na década de 1990, numa produção intitulada Superman Lives! que nunca saiu do papel por conta do roteiro ruim. O fato acabou rendendo uma participação do ator: ele faz a voz do Superman na animação.

Filme que não se leva a sério é mais divertido.

Esses pequenos detalhes tornam o desenho ainda mais genial, mas se você não está por dentro das notícias, não se preocupe: independentemente delas, o Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas vai agradar pelo roteiro ágil e pelo humor escrachado, feito para todas as idades. Assim como Lego Batman – O Filme (2017), o longa prova que não é preciso ser sombrio e realista para fazer um bom filme e que a DC continua imbatível no campo das animações. 

Quarto temático em hotel é estratégia de marketing.

Em tempo: a Warner acredita tanto no apelo desta animação junto ao público que vem investindo bastante na divulgação, tanto que chegou até mesmo a lançar um quarto temático do filme no Gran Mercure Hotel Riocentro que dá direito a ingressos do filme para quem se hospedar em suas dependências. Os dubladores brasileiros do longa também vieram de terras cariocas (o estúdio de dublagem é o Wan Macher) para uma entrevista coletiva em São Paulo, a fim de promoverem o filme e falar de seu trabalho.

Cotação: 

Ilha Paraíso …ou Zona Fantasma? com Sidney Gusman

Estamos de volta com mais uma seção Ilha Paraíso …ou Zona Fantasma? , revelando gostos e desgostos de convidados do nosso blog. O entrevistado da vez é um grande especialista em quadrinhos e editor da Graphic MSP, título que vem revolucionando o mercado editorial desde 2012, com versões bem peculiares da Turma da Mônica. Estamos falando de Sidney Gusman, que além de quadrinhos, também é um “fã-nático” por futebol (especialmente um certo Timão da zona leste de São Paulo) e tem uma larga experiência na área editorial.

Sua larga experiência em quadrinhos, só poderia render um trabalho ao lado do maior autor de HQs nacionais.

Gusman já trabalhou na Conrad Editora, foi editor da revista Wizard Brasil (Panini) e co-autor de vários livros da Coleção 100 Respostas, da revista Mundo Estranho (Ed. Abril). Além disso, também lançou seu livro solo Mauricio – Quadrinho a Quadrinho, onde revela detalhes da vida de Mauricio de Sousa, com quem viria a trabalhar mais diretamente, como responsável pelo planejamento editorial da MSP – Mauricio de Sousa Produções. Pelas suas mãos, foram editados os três livros MSP 50, MSP +50 e MSP Novos 50, em comemoração aos 50 anos de carreira do quadrinhista, além de Ouro da Casa, Mônica (s) e, claro, a Graphic MSP.

Gusman à frente do Universo HQ

Além do trabalho direto com o pai da Mônica, Sidão – como é chamado pelos amigos – também é editor-chefe do site Universo HQ, um dos mais importantes sites sobre quadrinhos do Brasil. Tanta paixão pelos quadrinhos já lhe rendeu o Troféu HQMIx de melhor jornalista especializado em quadrinhos no Brasil entre 2000 e 2006 – mas ele escreve sobre o tema desde 1990. Incansável, criatividade a mil e dono de opiniões firmes em suas postagens no Twitter, Sidney concordou em dividir conosco essas opiniões em sete temas escolhidos e decidir se mandaria para a Ilha Paraíso (quando o tema é agradável) ou se baniria para a Zona Fantasma (quando poderia sumir do mapa).

E aí, Sidney? É Ilha Paraíso ou Zona Fantasma para:

MSP é uma grande família (Você é capaz de encontrar o Sidney nessa foto? Nós acreditamos que o vimos por aí…)

Mauricio de Sousa Produções: Ilha Paraíso. Foi a empresa que me deu oportunidade de editar quadrinhos nacionais, de propiciar oportunidades a muita gente e, especialmente, de ampliar o público que lê quadrinhos. Além disso, edito todos os livros (que não são de quadrinhos) da casa e é sempre incrível ver o quanto essas publicações impactam o público de todas as idades.

Essa imagem de Rafael Albuquerque deu o que falar por conta do “politicamente correto”…

Politicamente correto nas HQs: Zona Fantasma, mas com restrições. Há quem entenda – erradamente – que mostrar inclusão e diversidade (de qualquer tipo ou gênero) seja o que se define por “politicamente correto”. Não! Isso é só retratar o mundo à nossa volta de uma forma mais necessária, a meu ver. Mas, como em todo processo de transição, há uma tendência, por parte de alguns, a querer coibir tudo. Aí, corre-se o risco de tornar os quadrinhos chatos, pasteurizados. E é esse lado que mando pra Zona Fantasma.

Brasil foi campeão da Copa de 2018… na criação de memes.

Seleção Brasileira: Se for na Copa do Mundo de 2018, Zona Fantasma. Um time sem alma, com um treinador que estava mais para guru de autoajuda do que para sua atividade-fim, e que não conseguiu fazer o time jogar. Eu nunca esperei o título, mas achava que cairíamos na semifinal contra a França. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) conseguiu afastar a torcida da Seleção. E, enquanto o Del Nero e companhia por lá estiverem, ficará difícil a “amarelinha” resgatar seu lugar na Ilha Paraíso. O que não me impede de torcer por ela sempre, apesar de ser contraditório.

Sim, nós temos quadrinhos.

Quadrinho nacional: Ilha Paraíso. Nunca se produziu tanto quadrinho nacional, e tanta coisa boa. Claro, tem muita coisa ruim também, mas é importante esse furor de gente fazendo, pra vislumbrarmos dias em que haja um mercado mais forte para todos. Só que nossos autores e editores precisam definir o que querem. Se é publicar somente em livrarias ou se querem investir em bancas. E definir isso muda completamente o foco que cada um deve seguir. Mas o fato é que tem muita gente fazendo quadrinhos bons no Brasil, nos mais diversos gêneros.

Procura-se.

Revisão gramatical nos quadrinhos: Zona Fantasma. Quando você se pega elogiando edições por estarem sem erros de português, algo está errado. Isso é o mínimo que se deveria esperar. E os maus tratos com a revisão não são apenas em obras independentes (em que é mais comum, já que nem sempre o autor tem como pagar um revisor), mas também em editoras consolidadas. Aí, é imperdoável, pra mim. Erros acontecem? Claro, e não é pecado admiti-los. Mas quando são 20, 30 ou mais numa edição, pra mim, incomoda demais.

Se não usar fone de ouvido, vai pra Zona Fantasma!

Podcasts: Ilha Paraíso, mas devo confessar que ouço pouco. Mesmo assim, sabendo separar joio do trigo, certamente se encontra muita coisa boa.

“Cale a boca e leve minha grana!!”

Crowdfunding para quadrinhos independentes: Ilha Paraíso, pois possibilita a muita gente a oportunidade de se lançar no mercado e, de repente, chamar a atenção de uma editora. O problema é: se graficamente os materiais saem com qualidade de editora, o mesmo não se pode dizer no aspecto editorial. A maioria das HQs que apoio saem com problemas de revisão e isso é algo que, na minha opinião, deveria ser colocado como investimento pelos autores, em seus projetos.

Entrevista: Ultraje nas estrelas

A série Jornada nas Estrelas é, indiscutivelmente, um grande sucesso de público e crítica, que influenciou – e ainda influencia – várias áreas da cultura pop desde seu surgimento, na década de 1960. Como não poderia deixar de ser, a saga tem uma legião de fãs, inclusive, alguns bem famosos. Um deles é Marcos Kleine, guitarrista da renomada banda Ultraje a Rigor, e também líder da banda PAD, voltada para ótimos projetos autorais.

É dia de rock e nerdice, bebê! Nosso repórter entrevista o roqueiro fã de Jornada nas Estrelas.

O que surpreende sobre a paixão de Kleine sobre o universo de Jornada nas Estrelas é o fato dele fazer parte da diretoria da Nova Frota BR, o maior fã-clube sobre o assunto no Brasil. Dono de itens invejáveis em sua coleção particular, que vão desde uma fita VHS autografada pelo próprio Leonard Nimoy (o Sr. Spock da série original e dos filmes para o cinema) a um cortador de pizza autografado por Simon Pegg (o atual Sr. Scott do recente franquia cinematográfica), o guitarrista nos recebeu para uma entrevista para falar sobre seu lado nerd e apresentar os projetos futuros voltados para os fãs.

(Nota do Editor: por uma questão de fidelidade, mantivemos o nome Jornada nas Estrelas e Guerra nas Estrelas ao invés das versões adotadas atualmente – Star Trek e Star Wars.)

Por Júnior Batson

Item sagrado: fita VHS autografada por Leonard Nimoy.

Que tipo de nerd é você?
Sou nerd de trilhas sonoras e seriados. Tudo começou em 1977, quando chegou às minhas mãos uma fita K-7 com a trilha sonora de Guerra nas Estrelas. Eu ouvi aquilo e fiquei alucinado! A música me pegou desde muito pequeno: sempre fui muito musical e eu me lembro de ver na TV um pouco de Jornada nas Estrelas. Não lembro em que canal, mas eu gostava muito! Assistia tudo de Jornada que passava na TV, quando passava! Hoje tem a Netflix e facilita pra caramba, mas antigamente a gente tinha de correr atrás, às vezes comprar fitas VHS (o DVD não existia na época)! Quando estreou Jornada nas Estrelas – O Filme, em 1979, eu fui ao Cine Marabá (São Paulo) na estreia! Desde então, mantenho uma tradição: vi todos os filmes já lançados em sua estreia, seja sozinho ou com amigos.

Sobre o reboot da franquia (a linha do tempo Kelvin, iniciada em 2009), qual é a sua opinião sobre a trilha sonora de Michael Giacchino?
A trilha dele é horrorosa, muito fraca. Pouca gente sabe que ele fez a trilha de Star Wars – Rogue One na correria, e se ele não tivesse feito dessa forma, teria sido fraca do mesmo jeito. Vi John Williams e Jerry Goldsmith em ação e, musicalmente falando, considero Giacchino meio brega…

Coleção de selos com o tema Star Trek. Sua mensagem chega aonde nenhum homem jamais esteve…

Mesmo o tema principal, “Enterprising Young Men”?
Horrível! Aquilo não me emociona. A trilha de A Ira de Khan (segundo filme da franquia, lançado em 1982), composta por James Horner, é absurda, o cara é um gênio! Até o Jeff Russo, compositor da trilha de Star Trek – Discovery (o seriado mais recente, disponível na Netflix), é muito melhor que ele!

Já que tocou no assunto: o que achou da nova série, Star Trek – Discovery?
Se puserem atores jogando bocha e vestidos com os uniformes da Frota Estelar, eu estou assistindo! Achei legal pra c@#@$%*! Assisti em tempo real, acordava cedo toda segunda. Tem muito trekker (como são chamados os fãs da saga) xiita que não curte que mexam no cânone e tals, mas, mano, vá se divertir! Certa vez, eu disse isso num debate no MIS (Museu da Imagem e do Som) entre caras que curtiam esse seriado (que é o meu caso!) e os caras que não gostavam – ou que fingem, sei lá! Eu disse a eles: “Vocês sabem que a série não é de verdade, não? É feita pra você se divertir!”. Não é preciso ficar alucinado com isso! E fiquei muito feliz recentemente sobre esse assunto, pois terão mais séries…

Memorabilia de Kleine: itens raros e autografados

Era exatamente isso que eu ia te perguntar! Qual sua expectativa sobre essas séries novas?
Se eu me contentaria com caras jogando bocha e usando os uniformes, quem dirá sobre séries novas! Verei tudo! Existe também uma conversa sobre um filme decente da Nova Geração, que merece um bom filme. Jornada nas Estrelas – Generations (1994) é legal, vi várias vezes no cinema, mas mais parece um episódio longo da série; Jornada nas Estrelas – Primeiro Contato (1996) é bem produzido, mas ele capenga do meio pro final, acaba sendo um filme meio arrastado; aí veio Jornada nas Estrelas – Insurreição (1998), que é uma bomba, você tem de ser muito fã pra gostar; já o Jornada nas Estrelas – Nêmesis (2002) pra ser ruim tem de melhorar muito. Eu assisti a todas as séries pelo menos duas vezes cada episódio, então sei do que estou falando! O último episódio da Nova Geração, “All good things…”, eu devo ter assistido umas dez vezes, seguramente…

Agora, a clássica pergunta (apesar de já saber a resposta): Jornada nas Estrelas ou Guerra nas Estrelas?
A minha opinião é que não dá pra comparar! Jornada é ficção científica e Guerra é fantasia.

Que a Força tenha vida longa e próspera. Não, pera…

Há uma frase que diz que “Jornada nas Estrelas é ópera, Guerra nas Estrelas é rock n’ roll”. Você concorda com essa afirmação?
Não concordo, porque é uma questão ideológica, filosófica até! Jornada projeta o futuro, Guerra é um mundo de fantasia, então daqui a dez ou duzentos anos, digamos assim, não vai ter ninguém lutando com espadas laser, enquanto que Jornada projetou um monte de coisas, como o disquete e o celular StarTAC, que era pra se chamar “Star Trek”, mas por um problema de royalties, acabou não rolando. Então, são coisas completamente distintas, você pode gostar de Guerra sem achar que está “traindo o movimento” de Jornada. Isso é besteira! Eu gosto de Guerra nas Estrelas e meus filmes favoritos da saga são O Império Contra-Ataca e Rogue One. Gosto, vejo, mas não enxergo como ficção científica! Ficção científica, pra mim, é Jornada, no qual vejo as tecnologias e penso “Nossa, imagina isso daqui a um tempo!”. Jornada nas Estrelas é muito visionária! Em plena Guerra Fria ter um russo na nave, apresentar o primeiro beijo inter-racial da história da televisão, só isso já faz de Jornada algo bem diferente de Guerra nas Estrelas.

E qual você considera o melhor episódio de toda a saga?
Digo a todos os nerds: assistam “The visitor” (terceiro episódio da quarta temporada), de Jornada nas Estrelas – Deep Space Nine. Não precisa saber tanto sobre a mitologia da série para entender o episódio, não faz parte de um arco, ele é um episódio jogado na cronologia e que emociona a qualquer pessoa, e isso é o que eu acho incrível nele.

Astro de Jornada também canta… e Kleine tem o CD autografado!

E sobre as demais sagas espaciais em seriados de tevê, como “Babylon 5” e “Galactica – Astronave de Combate”, acompanhou alguma delas?
Não vi nada, porque eu fico muito vinculado a Jornada. Séries de ficção que eu vi foram poucas, como Terminator – As crônicas de Sarah Connor (2008-2009). Não sei te dizer nada que eu tenha visto que eu te diga que é bom… Mas gosto de Black Mirror, acho bem legal! A última série que eu vi foi Vikings, uma série que eu nunca quis muito ver, mas fui pra Noruega em janeiro e naveguei nos fiordes, vi a aurora boreal e assisti meio que para ter uma recordação do local. Esta foi a última série que eu assisti.

Quando jovem, sofreu muito bullying por ser nerd?
Sofri e mandava se f#$@%! É o que falta no mundo hoje em dia! É bullying, as pessoas precisam saber se posicionar e se proteger por elas mesmas. Eu era um nerd roqueiro; desde muito cedo, já era cabeludo, tocava rock n’ roll e, obviamente, era excluído da sociedade, pois quem tocava rock era visto como drogado, essas coisas. Eu tinha 15, 16 anos e gostava de Jornada nas Estrelas, não fazia o tipo clássico do nerd que existe hoje em dia, de óculos, todo certinho, um tipo que não existia à época. Nem o nome “nerd” existia! As tribos que existiam na década de oitenta e que eu vivi eram skinhead, punk e metaleiro! Me chamar de nerd era algo que não aconteceu, pois não existia isso.

Enterprises para todos os tamanhos e gostos.

Você tem em sua prateleira vários itens de colecionador, entre eles o VHS de “Jornada nas Estrelas – A ira de Khan” autografado por Leonard Nimoy, o Sr. Spock da série clássica. Além desse contato, qual foi sua experiência com ele?
Fui técnico de som da convenção que o trouxe ao Brasil, e também toquei nessa convenção. Foi uma experiência tremenda! Ele é o Jimmy Hendrix da ficção científica! Foi como ver o Hendrix ao vivo!

E quais são seus ídolos entre os compositores de trilhas sonoras?
John Williams e Jerry Goldsmith, total! Williams criou os temas de E.T., Indiana Jones, Guerra nas Estrelas, é o grande hitmaker em trilha sonora; Goldsmith dispensa comentários. Acho fantástico também Hans Zimmer. O recente filme Dunkirk tem uma trilha sonora fantástica e elementos psicológicos na música. Ao ouvir essa trilha sonora você sente a tensão sem ver o filme e, quando vi, fiquei colado na cadeira. Danny Elfman também é muito bom!

Você usaria esse cortador de pizza… para cortar pizza?!?

Você também é ligado a quadrinhos?
Uma tia minha, já falecida, e meus primos tinham uma coleção de quadrinhos do Superman, coisa antiga mesmo, e eu lia quando moleque. Adorava, mas não tive muito acesso a quadrinhos depois disso, nunca tive vontade de comprar.

E os filmes baseados em quadrinhos, você assiste?
– Assisto. Já estou meio de saco cheio, mas assisto. São legais, têm filmes muito bons! Na Marvel, curti Capitão América – Guerra Civil (2016) e o Capitão América – O Soldado Invernal (2014); na DC eu gostei de Mulher Maravilha (2017) e a versão estendida de Batman vs Superman (2016), porque explica muita coisa, é muito bacana. Ainda não assisti a esse último filme dos Vingadores porque não me interessei, mas curti o primeiro Deadpool. Tem coisa legal sendo feita por aí.

Kleine e a banda Ultraje a Rigor com Danilo Gentili no The Noite.

Pra finalizar, quais são seus próximos projetos?
Bem, o Ultraje a Rigor tá aí, firme e forte; Estamos lá no The Noite (programa de entrevistas apresentado por Danilo Gentili de segunda a sexta-feira, à 0h30, no SBT) ganhando da Globo direto! Tenho uma outra banda, chamada PAD, e lançamos um álbum recentemente (clique aqui para ouvir no Spotify)e vamos lançar um projeto paralelo com músicas que eu componho, produzo e masterizo. Tem também a convenção StarCon, organizado pela Nova Frota (antiga Frota Estelar Brasil – clube repaginado que está sob nova direção, da qual eu faço parte!), que acontecerá no dia 18 de agosto, no Auditório Elis Regina- Anhembi (Avenida Olavo Fontoura, 1209 – Santana/SP). É um evento para os geeks, nerds, fãs de Star Wars e Star Trek e o povo que curte séries. Vamos trazer René Auberjonois, o Odo da série Jornada nas Estrelas – Deep Space Nine, que está comemorando 25 anos de seu lançamento. A banda PAD vai ser a banda do evento, vamos tocar temas de filmes e seriados num  grande show. Será uma convenção para entrar pra história e as informações estão no site (clique aqui). Então, vamos aproveitar e consumir, porque é indo a esse tipo de evento que você movimenta o mercado de convenções para poder trazer mais atores e gente importante de seu interesse.

Cartaz de divulgação do evento StarCon, voltado a fãs.

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