Crítica: WiFi Ralph

Seis anos depois do lançamento de Detona Ralph (Wreck-It Ralph, 2012) – leia nossa crítica aqui) –, chega aos cinemas a continuação da história. Em WiFi Ralph (Ralph Breaks the Internet, 2017), o truculento Ralph (voz de Tiago Abravanel) e sua amiga Vanellope (voz de Mari Moon) se veem às voltas com uma novidade que surge na loja de fliperamas: um roteador de Internet. A história também se passa seis anos após o filme anterior e a dupla possui uma forte amizade, mas Vanellope começa a se mostrar insatisfeita com a rotina do seu jogo, Corrida Doce

Um roteador instalado na loja de fliperamas muda a rotina dos personagens.

Ralph até tenta ajudar a acabar com o marasmo da amiga, mas tudo o que consegue é provocar um acidente que pode resultar no desligamento definitivo do jogo, uma vez que o mesmo não é mais fabricado e não tem como substituir a máquina. Com a chegada da Internet à loja, Ralph e Vanellope se aventuram pelo universo virtual em busca de recursos para salvar a corrida, com direito a muitas descobertas neste fascinante – e, pelo menos para eles – novo mundo.

Shank (de cabelos compridos, ao centro), mais poderosa que a Mulher-Maravilha

Nessa jornada, eles fazem amizade com Shank, a piloto de um jogo on line (dublada por Gal Gadot no original e Giovanna Lancelotti na versão nacional), que vai ajudá-los na jornada e se torna uma peça fundamental para que Vanellope amadureça e redescubra sua motivação na vida.  Shank é a chefe de um badalado game de corridas e protagoniza cenas pra lá de radicais com várias manobras em seu carro tunado.

Marcas, empresas e franquias conhecidas aparecem aos montes.

Da mesma maneira que, no filme anterior, a diversão era identificar os videogames clássicos e personagens conhecidos, nesta continuação a grande sacada e prestar atenção nas referências ao universo da Internet. Com muita inteligência e bom humor, o longa brinca com marcas famosas e bem familiares, apresentando uma visão muito divertida do que ocorre dentro dos computadores quando conectamos em algum site – mais ou menos uma versão virtual do que a Pixar fez com a mente humana em Divertida Mente (2015).

O simpático personagem tenta adivinhar o que o usuário quer.

Só para citar um exemplo e não estragar a diversão com spoilers, o Sr. Sabe-Tudo, o anfitrião de um site de buscas, tenta adivinhar aquilo que a pessoa deseja buscar citando várias alternativas (exatamente o que faz o Google, quando você digita uma palavra e a palavra se autocompleta com várias opções de preenchimento). Os Popups, vendedores que ficam oferecendo produtos a todo mundo que passa (nem todos confiáveis), é outra piada divertida com as incômodas janelinhas que abrem sem a gente solicitar. A grande diversão do filme é identificar essas piadas e associar com a vida real (ou virtual, no caso).

Spamley é um divertido popup que ensina a ficar rico jogando videogame.

Outros elementos tão familiares ao universo digital – curtidas, avatares (tem até um senhor bem conhecido no meio de uma multidão de usuários), games online, vírus e leilões virtuais – são apresentados ao longo da trama, sempre de forma criativa e inovadora, mostrando que a Disney sabe lidar com uma quantidade imensa de informações e referências e transmitir tudo de forma fluente e que não fique cansativa. Não à toa, é a maior empresa de entretenimento do mundo.

Ralph e Vanellope são amigos pra valer. Será?

O filme perde um pouco a mão nos minutos finais, quando entra na obrigatoriedade de transmitir uma lição de moral sobre o valor da amizade, o respeito e a maturidade. Sem fugir do clichê, as cenas acabam “esquecendo” o que vinha sendo trabalhado durante o filme todo – o que eles foram fazer na Internet? – mas dá pra dar um desconto, considerando a qualidade do conjunto. É uma produção da Disney e não poderia faltar a Moral da História, como nos melhores contos de fada. Então, tá beleza.

A história tem uma importante participação das Princesas Disney.

Claro, há cenas pós-crédito. São duas – uma no meio e outra bem no final – portanto, não dê atenção à atendente do cinema que faz questão de querer expulsar os usuários da sala antes do final dos créditos dizendo que não tem mais nada. Fique até o fim e você não vai se arrepender. WiFi Ralph conseguiu a façanha de superar o longa anterior e já entra para o ranking dos melhores filmes do ano. 2019 começou muito bem!

Cotação Raio X

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Sequência Favorita: Os Vingadores

Em um filme como Os Vingadores (2012), que é cheio de frases de efeito e sequências de ação de tirar o fôlego, difícil eleger uma cena favorita. Mas como a premissa desta seção é a primeira cena que nos vêm à cabeça quando o filme é mencionado, na minha, imagino logo a imagem da reunião dos heróis, por ser a mais icônica e aguardada por quatro longos anos, desde a estreia de Homem de Ferro (2008), quando soubemos que a Marvel iria fazer um universo interligado.

Loki é o grande responsável pela reunião da equipe.

Foi a primeira vez na história do cinema que personagens de vários filmes diferentes foram colocados juntos, numa superaventura em conjunto. Apesar da grande quantidade de personagens, a direção perfeita de Joss Whedon deu espaço a cada um deles e não se perdeu no roteiro, que trazia Loki (Tom Hiddleston) fazendo uma aliança com a raça Chitauri para uma invasão ao planeta Terra. Para deter os alienígenas, o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) se uniu ao Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarlett Johannson), sob a liderança de Nick Fury (Samuel L. Jackson), formando os Vingadores.

Pôster traz uma prévia da cena.

A cena da batalha de Nova York, que mostra toda a equipe reunida em círculo, enquanto a câmera faz um giro por cada super-herói ao som da eletrizante trilha sonora de Alan Silvestri é um dos momentos mais empolgantes do longa. Até hoje, Os Vingadores ainda é um dos filmes mais divertidos da Marvel Studios, que traz para as telas o mesmo clima das histórias em quadrinhos. Avante!

Crítica: Homem-Aranha no Aranhaverso

Dentre as estreias de cinema da semana, o destaque vai para Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse, 2017),  primeira animação longa-metragem do Amigão da Vizinhança, que faz parte da estratégia da Sony Pictures em explorar e expandir o universo aracnídeo e gerar outras franquias de sucesso – no ano passado, o estúdio lançou Venom, com uma excelente aceitação do público. O desenho estreou nos EUA em 14 de dezembro e só agora chega em terras brasileiras, mas com uma repercussão muito boa lá fora.

Focado no Homem-Aranha Miles Morales, o filme tem um visual psicodélico que remete às HQs.

A novidade é que o filme é focado em Miles Morales, o Homem-Aranha do Universo Ultimate (dimensão paralela ao Universo Marvel tradicional, onde o aracnídeo é Peter Parker. Bem, isso vocês já sabem…), que adquire seus poderes ao ser picado por uma aranha (que o filme não revela se é radioativa ou geneticamente alterada) e adquire poderes aracnídeos (habilidade para escalar paredes, sentido de aranha que o alerta dos perigos, além de uma “picada” bioelétrica e a possibilidade de ficar invisível por um determinado período de tempo).

Um Peter barrigudo incentiva Miles a ser o Homem-Aranha daquele mundo.

O adolescente divide seu tempo entre os estudos e as atividades comum aos jovens (como pichar muros com seu tio Aaron, para desespero do pai policial). Enquanto decide o que fazer com os poderes recém-adquiridos, Morales vê o Rei do Crime matar o Homem-Aranha (Peter Parker do Universo Ultimate) daquele mundo e passa a ser perseguido pelos capangas do vilão: Gatuno, Duende Verde, Escorpião e o Lápide. Nesse meio tempo, Morales encontra outro Peter Parker (um pouco mais velho que o nosso conhecido e um tanto fora de forma), que apareceu naquele mundo por meio de um portal dimensional aberto pelo acelerador de partículas financiado pelo Rei.

Treinamento de aranhas

A instabilidade do aparelho ameaça a continuidade espaço-tempo e, por isso, Peter passa a ensinar Morales a usar seus poderes aracnídeos e assumir o legado do Homem-Aranha para impedir o Rei. Juntam-se à dupla outros heróis aracnídeos, vindos de mundos diferentes e que também foram atraídos pelo portal: Mulher-Aranha (Gwen Stacy), o Homem-Aranha Noir (herói da década de 1930), Peni Parker e seu robô Ar/nh (no melhor estilo anime) e o impagável Porco-Aranha, vindo de uma realidade de animais antropomórficos.

Vários Homens e Mulheres-Aranhas (e ate Porcos) se encontram.

O genial da animação é que o estilo se adapta a cada Aranha. Por exemplo, o Homem-Aranha Noir é preto e branco, Peni Parker tem as expressões e ritmo dos animes e o Porco-Aranha imita os desenhos animados da série Looney Tunes, inclusive com bigornas e marretas que surgem de lugar nenhum. Outra inovação foi assemelhar os cenários com as histórias em quadrinhos, com uma definição um tanto desfocada (simulando a tinta das páginas) e o uso de balões e onomatopeias. O estilo tão diferenciado incomoda um pouco no início (a impressão é de ver um filme em 3D sem os óculos), mas acaba agradando depois de uns minutos, quando compreendemos que tudo aquilo é proposital.

Miles tá assustado com a qualidade da animação (reparem no fundo desfocado).

A trama envolvente é repleta de referências ao universo do Homem-Aranha em todas as mídias (tem o tema clássico de 1967, a dancinha de Homem-Aranha 3 e vários uniformes usados pelo herói ao longo dos anos, por exemplo). Além disso, as piadas são muito bem utilizadas, tornando a história leve, mas sem perder sua carga dramática. Em resumo, Homem-Aranha no Aranhaverso é uma excelente animação, diferente de tudo que já foi mostrado até hoje e que deixa um gosto de quero-mais após os créditos. Falando nisso, vale mencionar que a cena pós-crédito é sensacional e a participação tradicional de Stan Lee também é bem divertida, embora deixe um toque de saudades por ser, involuntariamente, uma homenagem póstuma. 

Na torcida para rever esses personagens outra vez!

Em tempo: a saga Aranhaverso, na qual o desenho foi inspirado, foi publicada em 2014/2015 nos títulos aracnídeos (Amazing Spider-Man, Spider-Man 2099, Spider-Woman e outros, criados especialmente para a saga). Teve o mérito de reunir centenas (isso mesmo!) de versões do Homem-Aranha, de várias épocas, mídias e universos paralelos. Assim, tivemos o Homem-Aranha do Quinteto Fantástico (What If…? 1, 1977), o Aranha de Seis Braços (Amazing Spider-Man 100, 1971), o Aranha de uniforme negro, da série animada de 1967 e até do seriado japonês, entre vários outros. Os Homens-Aranhas se unem para combater Morlun, o vampiro sugador de energia, e seus familiares, que decidiram eliminar os aracnídeos de todas as realidades.

Animação teve leve (bem leve!) inspiração na saga dos quadrinhos.

A animação fugiu totalmente deste enredo e aproveitou apenas a ideia de reunir diferentes heróis com poderes de aranha para uma trama livre. O resultado é um desenho animado como poucos, que vai te fazer sair do cinema com um sorriso no rosto de satisfação. Prova disso é que, merecidamente, o desenho ganhou o Globo de Ouro (uma prévia do Oscar, mas eleito pela crítica ao invés dos atores) na categoria de Melhor Animação. E olha que o filme concorreu com pesos pesados como Os Incríveis 2 e Wi-Fi Ralph! Que venham novas animações desta categoria!

Cotação Raio X

Preview 2019

O ano virou e já estamos na expectativa das produções de cinema que estrearão em 2019. E, cá para nós, teremos um ano bem rico, principalmente no que diz respeito a produções de super-heróis e continuações de franquias de sucesso. Como fazemos todos os anos, preparamos um preview especial com 25 lançamentos para você se programar e não perder nenhum deles. E prepare-se, porque só de super-heróis serão NOVE produções, já começando em janeiro! Este ano, não colocarei o nosso “expectativômetro”, por se tratar de uma opinião pessoal, que já está descrita no texto sobre cada produção. Dito isto, vamos aos principais lançamentos!

Ralph e Vanellope vão ter que se adaptar à tecnologia

Wi-Fi Ralph (Estreia: 3/1) – O ano já começa com a continuação deste desenho animado da Disney, numa história que se passa seis anos após os eventos de Detona Ralph (2012, leia nossa crítica aqui). O divertido da coisa é que o truculento personagem de máquinas arcade (nossos conhecidos fliperamas) vai ter que se adaptar à tecnologia, pois descobre um roteador de wi-fi na loja onde sua máquina está instalada e parte com sua amiga Vanellope para muitas aventuras conectadas à Internet.

Seis aracnídeos juntos

Homem-Aranha no Aranhaverso (Estreia: 10/1) – Primeiro desenho animado em longa-metragem do Homem-Aranha, faz parte da estratégia da Sony em expandir o universo do herói aracnídeo e gerar outras franquias. A ideia é bem interessante, pois o protagonista nem é Peter Parker, mas Miles Morales, o Aranha do Universo Ultimate. Além disso, também conta com a participação da Mulher-Aranha (carinhosamente chamada pelos fãs de Gwen-Aranha), do Homem-Aranha Noir (versão anos 30 do herói), um robô-Aranha estilo anime e o impagável Porco-Aranha. Será que vai render filmes solo desses heróis?

Trilogia inquebrável

Vidro (Estreia: 17/1) – Terceiro longa da trilogia que começou com Corpo Fechado (2000) e teve uma continuação em Fragmentado (2016). A premissa é bem interessante: o segurança David Dunn (Bruce Willis) usa suas habilidades para rastrear perturbado Kevin Crumb (James McAvoy), o homem que tem 24 personalidades diferentes. A briga tem jeito de ser muito boa e o material promocional também está chamando bastante atenção. Sem contar que o nome de M. Night Shyamalan também é um bom chamariz de público.

Banguela acha a sua dentadura.

Como Treinar Seu Dragão 3 (Estreia: 17/1) – Outro filme que fecha uma trilogia. Os dois filmes anteriores do jovem Soluço e o fofíssimo dragão Banguela foram muito bacanas e este promete seguir a mesma linha. No entanto, essas animações da DreamworksShrek, Madagascar, Kung Fu Panda, Como Treinar… – acabam virando seriado e perdem toda a graça esperar por um filme no cinema. Vai ser bom? Creio que vai. Mas será apenas mais uma história a ser contada, sem novidades. A premissa deste filme é a descoberta de uma fêmea da mesma raça de Banguela e a luta pela paz no reino dos dragões.

Vai encarar?

Creed 2 (Estreia: 24/1) – Não vi o primeiro filme, mas a crítica positiva deixa uma boa expectativa para este segundo longa. Principalmente porque o pupilo de Rocky Balboa vai enfrentar o filho de Ivan Drago, o lutador que enfrentou o próprio Rocky em Rocky IV (1985). Resgatar essa franquia, com fidelidade ao que já foi apresentado é uma ideia de mestre dos produtores. Tem tudo para dar certo.

Lendas nunca morrem

O Menino que Queria ser Rei (Estreia: 31/1) – Uma versão moderna da história do Rei Arthur na qual uma reencarnação adolescente do Mago Merlin pede ajuda a um garoto de 12 anos que sofre bullying na escola, para impedir a ameaça da bruxa Morgana. Para isso, ele encontra a lendária espada Excalibur. A história do Rei Arthur, por si só, já é excelente. Modernizá-la pode ser uma boa estratégia, principalmente se for bem feito. E, pelo que foi mostrado no trailer, este filme promete ser bem divertido.

Tudo é incríveeeeeeeeeeeel…

Uma Aventura Lego 2 (Estreia: 7/2) – Filmes baseados no brinquedo Lego existem aos montes. Mas Uma Aventura Lego é diferente, porque junta todos os personagens das várias franquias, tornando tudo muito mais engraçado. É o tipo de filme que mostra como uma ideia simples e até ridícula pode se converter numa animação de primeira categoria.

Empoderamento nível máximo

Capitã Marvel (Estreia: 7/3) – A Marvel Studios entra em 2019 com o primeiro filme estrelado por uma super-heroína. É mais uma proposta arriscada do estúdio, visto que a Capitã não tem tanta popularidade para segurar um longa-metragem. Por outro lado, a confiabilidade conquistada nos últimos dez anos garante que, se não for o melhor filme do ano, ao menos não será decepcionante. E vale dizer que o filme se encaixa no hiato entre os dois filmes dos Vingadores, trazendo a origem da personagem que, ao que tudo indica, terá uma importante participação em Vingadores: Ultimato. Só por isso, o longa já é imperdível.

Como não soltar corações pelos olhos?

Dumbo (Estreia: 28/3) – A Disney está iniciando uma tradição de “personificar” seus clássicos animados. Começou com Cinderela (2015), depois Mogli (2016), A Bela e a Fera (2017) e agora, Dumbo. A única coisa que incomoda é a possibilidade do filme ser exatamente igual à sua versão animada. Mas considerando que o primeiro Dumbo estreou em 1941, esta nova versão será bem-vinda. E trará muita fofura, obviamente!

Diga a palavra mágica e sinta o poder!

Shazam! (Estreia: 5/4) – Dando continuidade ao universo cinematográfico da DC, chegou a vez do ex-Capitão Marvel ganhar sua versão para os cinemas. O personagem chegou a ser mais popular que o Superman nos anos 1940, mas sempre teve complicadas questões judiciais atrapalhando seu sucesso. A última delas diz respeito ao seu nome, que mudou para Shazam porque a Marvel registrou o nome “Capitão Marvel” para um personagem próprio, na década de 1970 (que virou Capitã Marvel no cinema. É complicado e qualquer dia explicaremos essa história direito). Mas a história de como o garoto Billy Batson adquiriu poderes místicos e se transforma no adulto superpoderoso sem perder sua inocência infantil promete trazer momentos bem divertidos.

Harbour dá vida ao herói demoníaco

Hellboy (Estreia: 12/4 – EUA) – O personagem nunca foi um dos meus favoritos e nunca consegui ver os filmes anteriores com a atenção devida. Não que fossem ruins, mas é exatamente pelo fato do anti-herói não atrair minha atenção. Não importa: chega aos cinemas um terceiro filme, com tudo renovado: novo diretor (Neil Marshall no lugar de Guillermo del Toro), novo protagonista (sai Ron Pearlman, entra David Harbour) , uma aventura que reinicia a franquia. Talvez seja a motivação que eu precisava para rever os longas anteriores e me interessar pelo personagem.

O Capitão já chora a despedida.

Vingadores: Ultimato (Estreia: 25/4) – Este filme tem um gosto amargo de despedida. Tem tudo para ser um grande épico, pois finaliza a história que deixou muita gente com um nó na garganta em 2018 (especialmente que não leu os quadrinhos no qual a trama foi baseada), mas também encerra a Fase Três da Marvel Studios e deixa um mistério sobre o futuro dos heróis da editora no cinema. A Marvel Studios não anunciou sua Fase Quatro (com exceção de algumas produções isoladas como Dr. Estranho 2), o que deixa tudo muito nebuloso. Assim, a expectativa é boa, mas ruim ao mesmo tempo.

Indiana Jones é o escambau! Eu sou Alladin!

Alladin (Estreia 23/5) – A caracterização dos personagens, já mostrada nas fotos de divulgação, não deixa dúvidas de que será mais uma excelente produção dos Estúdios Disney. Will Smith tem toda cara de ser um excelente Gênio, pelo jeito extrovertido do ator, que combina perfeitamente com o personagem. No entanto, como já falamos na resenha sobre Dumbo, se for mais uma produção ipsis litteris do desenho animado, só vai valer mesmo pela curiosidade.

O monstrão está nervoso. Mas será que veremos lutas desta vez?

Godzilla 2 – Rei dos Monstros (Estreia 31/5 – EUA) – Um novo filme do Godzilla sempre causa furor, afinal o monstro é um ícone da cultura pop. Mas depois do fiasco do filme anterior, que é visualmente muito bem feito, mas deixou a desejar na edição, que cortava as cenas mais empolgantes, fica a dúvida se essa continuação vai consertar o erro ou seguir pelo mesmo caminho.  O fato de ter a atriz mirim Millie Bobbie Brown (a Onze de Stranger Things) no elenco ajuda a atrair atenção. Mas o trailer escuro ao extremo mostra que as lutas do lagartão contra outros monstros clássicos – Mothra, King Gidorah e Rodan – podem ser frustrantes.

Será que essa Fênix vai pegar fogo ou ficar nas cinzas?

X-Men: Fênix Negra (Estreia: 7/6 – EUA) – A história na qual o longa é baseado é, indiscutivelmente, uma das melhores aventuras – senão a melhor – da equipe mutante. Mas eu me questiono se essa adaptação dará toda carga dramática da história, principalmente considerando a insossa Jean Grey (Sophie Turner), que teve uma participação mínima em X-Men: Apocalipse (2016)e não criou a empatia necessária com o público. E creiam: nessa trama da Fênix Negra, empatia é tudo. Pode ser a pá de terra que vai enterrar de vez a franquia dos mutantes no cinema.

A brincadeira ainda não terminou

Toy Story 4 (Estreia: 20/6) – Com um ano de atraso (era para estrear em 2018, mas como Incríveis 2 estava com a produção mais adiantada, a Pixar inverteu as datas dos dois filmes), uma nova aventura de Woody, Buzz e Cia. Após a triste história anterior, que arrancou lágrimas de muito marmanjo (exceto eu, cof… cof…) não sei o que esperar dessa continuação. Só sei que é sempre bom rever velhos amigos e que a Pixar nunca decepcionou.

Quer brincar?

Brinquedo Assassino (Estreia: 21/6 – EUA) – Reboot da franquia do boneco Chucky, depois de sete filmes de relativo sucesso, sendo que os dois últimos lançados apenas para o mercado doméstico, retomando o clima de suspense e terror da franquia, que tinha se tornado um pastelão. Espera-se que o reboot mantenha o mesmo nível e não caia no mesmo erro que a franquia Halloween, que tentou um recomeço pelas mãos do roqueiro Rob Zombie e perdeu completamente o rumo.

É hora dos planos infalíveis!

Laços (Estreia 27/6): Primeiro longa-metragem live-action da Turma da Mônica, baseado na graphic novel criada por Vitor e Lu Caffagi (fizemos uma crítica sobre o álbum aqui) As caracterizações estão perfeitas, o cuidado técnico está impecável e a história, por si só, é sensacional. O trailer emociona. Teremos uma das maiores produções do cinema nacional, sem sombra de dúvida.

Depois da Mary Jane Loira, uma Mary Jane Morena?

Homem-Aranha: Longe de Casa (Estreia: 5/7 – EUA): Em sua segunda aventura solo, o nosso aracnídeo favorito enfrenta o vilão Mysterio, que será interpretado por Jake Gyllenhaal, o ator que sempre teve perfil para ser Peter Parker quando era mais jovem e a Marvel ainda não tinha começado a bombardear os cinemas com seus heróis. Pouco se sabe a respeito da produção (vai inaugurar a Fase 4?), mas ver o Homem-Aranha de Tom Holland é sempre legal e Mysterio é um bom vilão para ser trabalhado.

Lindo. Mas igual.

O Rei Leão (Estreia: 18/7) – Quando o trailer estreou, há algumas semanas, muita gente chorou, todo mundo compartilhou imagens e emojis apaixonados. De fato, foi um show de fofura e de beleza visual. Mas isso o desenho animado já tinha. Que o filme será sensacional, não tenho dúvidas. O desenho animado já foi. Mas eu, sinceramente, gostaria de me surpreender no cinema, não ver algo que já vi. E desculpem se, pela terceira vez, repito a mesma coisa. Mas são três remakes da Disney no mesmo ano…

Será que desta vez sai?

Novos Mutantes (Estreia: 2/8 – EUA) – a equipe mutante renovou o universo mutante nos anos 1980 e teve uma excelente fase desenhada pelo artista Bill Sienkiewicz. O fato de direcionarem o filme para o terror combina com esse período nos quadrinhos, mas o trailer não foi tão empolgante e deixou dúvidas se será uma boa produção. O fato de alterarem a data de estreia duas vezes (era 13/4/2018, depois 12/2/2019 e, finalmente, 2/8/2019), embora justificada para evitar conflitos com Deadpool 2 e Fênix Negra (que também teve seus adiamentos) não ajuda nem um pouco e só mostra uma grande desorganização. Tomara que seja só uma falsa impressão.

Sempre rir, sempre rir…

Coringa (Estreia: 4/10 – EUA) – A proposta de um filme solo do Coringa é tão absurdamente ridícula quanto a caracterização de Joaquin Phoenix como o vilão. Provavelmente nem vai estrear nessa data, mas se estrear, quem se importa? Tem tudo para ser o mico do ano.

Walking Dead juvenil

Zumbilândia 2 (Estreia: 11/10 – EUA) – Continuação que traz de volta o mesmo elenco para uma nova caçada aos zumbis. Jesse Eisenberg, o ator de uma expressão só; Emma Stone, a Mary Jane Loira; Bill Murray, de Caça-Fantasmas a Caça-Zumbis e Amber Heard, diretamente da Atlântida para a Zumbilândia. Diversão descompromissada.

Hamilton (à direita) fazendo o perfil badass.

Exterminador do Futuro 6 (Estreia: 1/11 – EUA) – Arnold Schwarzenegger volta ao papel do Exterminador. Como se não bastasse, Linda Hamilton também volta a interpretar Sarah Connor, 35 anos depois. Se os filmes anteriores da franquia deixaram a desejar, este promete. Por enquanto, ainda não tem nem título oficial definido e talvez fique para 2020. Mas já é uma boa expectativa saber que está sendo produzido.

Aguardadíssimo final da trilogia.

Star Wars – Episódio IX (Estreia 20/12 – EUA) – Outro filme do qual se sabe pouco, exceto o fato de que encerrará a terceira trilogia que dividiu opiniões dos fãs, alguns considerando que ela descaracterizou a franquia, outros gostando dos novos heróis. No meu entendimento, a renovação foi muito bem feita e necessária. Os Últimos Jedi deixou um gancho interessante e vamos ver como a saga será finalizada. Infelizmente, os filmes intermediários acabaram saturando o mercado e tirando um pouco do interesse pela franquia. Mas Star Wars é Star Wars e a ida ao cinema é garantida.

Top 10 – Melhores livros lidos em 2018

Finalizando nossa retrospectiva, hoje vamos eleger os 10 melhores livros do ano. Já faz algum tempo que tenho estabelecido uma meta de ler 52 livros por ano (um por semana). Claro, a correria do dia a dia não permite que eu atinja essa meta, mas consigo manter uma boa meta. Neste ano, foram 30 livros lidos (29, na verdade, com um em finalização), dos quais listo aqui os dez melhores.

Sempre uma diversão garantida

10 – Diário de Um Banana 13 – Batalha Neval (Jeff Kinney)– A série Diário de um Banana já rendeu 13 livros e quatro filmes para o cinema. É um fenômeno mundial e inaugurou um estilo divertido que foi copiado por muitos outros autores. A cada nova edição, o “banana” Greg Heffley se mete em muitas confusões em sua busca por popularidade e, talvez aí esteja o sucesso da série, são situações pelas quais muita gente passa também – reservadas as devidas proporções. Após 13 livros, o texto não tem muita novidade e acaba sendo “mais do mesmo”, mas é sempre uma diversão garantida.

Quatro em um

9 – Coração de Vidro (José Mauro de Vasconcelos) – Livro bem antigo (é de 1964), conta uma mesma história narrada sob quatro pontos de vista diferentes: um pássaro, um peixe, um cavalo e uma árvore. O sensacional é perceber como cada história se relaciona com a outra e como transmite preciosas lições sobre empatia, liberdade, respeito com a Natureza, solidão e saudades. Leitura perfeita para pais ensinarem esses valores às crianças.

Lições de vida em família.

8 – Família – Urgências e Turbulências (Mário Sérgio Cortella) – Qualquer livro do filósofo Cortella é uma aula de sabedoria, além de proporcionar uma leitura rápida e fluente, sem termos incompreensíveis. Esta obra reflete sobre as relações familiares e sobre como os pais sentem dificuldades em educar os filhos nos dias atuais, porque desaprenderam a estabelecer limites. Educação não é receita de bolo e cada família tem o seu jeito e a sua vivência de educar os filhos, mas algumas normas são universais e é exatamente estas que o filósofo traz à tona, com toda propriedade que lhe cabe.

Coleção baseada nas séries de TV

7 – Coleção TV Estronho – O Incrível Hulk / Ultraman – Dois livros que fazem parte de uma coleção que resgata clássicos seriados de TV, são um verdadeiro guia para os fãs. O livro do Incrível Hulk, de autoria de Saulo Adami, traz curiosidades de bastidores da série do Verdão, com direito a uma trajetória também pelos desenhos animados, quadrinhos e longa-metragens do cinema. Já o livro do Ultraman, de Danilo S. Modolo (falamos sobre ele aqui), é bem mais informativo, com entrevistas com dubladores originais do seriado japonês além de traçar a trajetória do herói e séries derivadas. Ambos os livros trazem guia de episódios com sinopses detalhadas. Obra de fã.

Fantasia medieval

6 – Drako e a Elite dos Dragões Dourados (Paola Giometti) – Ainda estamos devendo uma matéria mais completa sobre este livro na seção Dicas Literárias, mas já podemos colocar o livro no ranking. Mais uma obra encantadora da autora Paola Giometti, que já nos encantou com a trilogia das Fábulas da Terra (falamos um pouco sobre ela aqui) e, desta vez, nos leva ao reino dos dragões para ensinar valores como a perseverança, a fé e a amizade, independentemente da raça, cor ou condição. Um texto agradável e cheio de reviravoltas a cada capítulo.

Dose cavalar de literatura

5 – A Última Corrida (Marcos Rey) – Obra do famoso autor paulista, datada de 1963, tem como cenário os bastidores das corridas de cavalo, muito mais populares em décadas passadas. E um assunto velho, datado e desinteressante se torna, nas mãos de Marcos Rey, uma história fascinante e envolvente. O autor dominava a arte da escrita como ninguém e soube, com seus livros, trazer muita cultura e um retrato da sociedade de sua época, sempre tendo como pano de fundo as esquinas de São Paulo.

É um livro ou um CD?

4 – Playlist – Vidas em Singles (Leandro Schulai) – Um projeto pra lá de criativo, tanto do autor quanto do editor. O primeiro escreveu contos relacionados a músicas que fizeram parte da sua vida. O segundo criou um livro num formato diferenciado que lembra um CD e reunirá mais três edições até 2021, cujas capas, colocadas lado a lado, formam uma imagem única. Não tem como não se encantar! Mas fora essa questão estética, os textos são muito bons e você praticamente ouve as músicas enquanto lê. Aliás, uma sugestão para leitura é exatamente ouvir a música enquanto lê o conto, tornando a interação entre história e canção ainda mais viva. São experiências criativas que um livro é capaz de proporcionar…

Pesquisa aprofundada sobre a trajetória do Homem de Aço.

3 – Superman – Uma Biografia Não Autorizada (Glen Weldon) – Um verdadeiro dossiê sobre tudo o que se sabe sobre o Homem de Aço, passando pelos quadrinhos, rádio, teatro, séries de TV, cinema, games… enfim, um extenso e completíssimo trabalho de pesquisa realizado pelo autor que só foi estragado pela falta de zelo na edição brasileira, cheia de erros de tradução e digitação. Porém, isso não tira o mérito da qualidade do material original, indispensável para quem é fã do personagem que inaugurou a era dos super-heróis. 

Celebrando 25 anos do selo

2 – Vertigo – Além do Limiar (Vários Autores) – Encabeçado pelo designer, fã de quadrinhos e administrador do site Guia dos Quadrinhos, Edson Diogo, o livro reúne jornalistas especializados em quadrinhos, roteiristas, profissionais da área e conceituados desenhistas em contos para comemorar os 25 anos do selo Vertigo, propriedade da DC Comics. Fizemos nossa crítica mais detalhada aqui, mas vale destacar que o conjunto da obra, que inclui o texto e as artes exclusivas que ilustram cada um deles, além da edição primorosa e impressão de qualidade fazem valer cada centavo gasto com o exemplar. Merece destaque como um dos melhores do ano, com todo mérito!

Livro para ouvir

1 – Almanaque da Música Pop no Cinema (Rodrigo Rodrigues) – O cinema e a música têm uma relação desde os primórdios da sétima arte, quando os filmes eram mudos e as orquestras ocupavam os saguões dos cinemas, animando as projeções com uma trilha sonora incidental. De lá para cá, muito se evoluiu a algumas músicas se tornaram tão marcantes que é impossível separá-las de seus respectivos filmes. Esse livro compila várias delas, de todas as épocas, com curiosidades de bastidores dos filmes e um checklist completo de sua trilha sonora. Ideal para, assim como relatado no item 4 deste check list, ler ouvindo. Uma leitura divertida com uma trilha deliciosa.

Dá pra ficar doente com esse vírus…

Mico Literário – Ambientado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, o livro O Vírus Literário Bagunça a Bienal (A. D. Fróss) tem a pretensão de ser uma obra infantil. Mas tem um texto confuso, que se propõe a explicar como funciona o mercado editorial e os bastidores do popular evento, misturando a fantasia de um vírus vilão e um vagalume super-herói que se torna amigo do protagonista… enfim, a história atira para todo lado e não acerta lugar nenhum. Um horror!

Feliz 2019 a todos os leitores e seguidores do blog Raio X!

Com este post, encerramos nossa Retrospectiva 2018. Desejamos a todos os nossos leitores um Feliz Ano Novo e que 2019 traga muitas coisas boas, entre livros, filmes, quadrinhos, games, séries de TV… Nos vemos no ano que vem com nosso Preview Cinema 2019!!

Top 10 – O Melhor dos Quadrinhos 2018

Dando continuidade à nossa Retrospectiva Nerd 2018, segue agora a lista dos melhores quadrinhos que li neste ano. Você vai notar a predominância de títulos encadernados com republicações de histórias clássicas e pouca coisa recente, com a ausência de títulos mensais. Tudo isso é fruto da baixa qualidade das HQs atuais, cujas histórias vêm caindo mais e mais na mediocridade. Obviamente não se pode generalizar: ainda se encontra muita coisa boa nos títulos atuais, mas o perigo de gastar dinheiro à toa com o que não presta enquanto caça algo bom é tão grande que preferi investir no porto seguro. Tomara que essa situação melhore no próximo ano.

Quadrinhos e Hard Rock: tudo a ver

10 – Noites de Trevas: Metal – A primeira super saga da fase Renascimento envolvendo vários títulos da DC teve uma premissa interessante envolvendo um demônio milenar, um metal desconhecido, um segredo guardado pelo Batman… e rock metal! A Panini caprichou na apresentação do material, com cinco edições mensais de capa metalizada e dois especiais com verniz envolvendo os títulos paralelos (Liga da Justiça, Jovens Titãs, Arqueiro Verde, Flash, Asa Noturna, Esquadrão Suicida, Hal Jordan e a Tropa dos Lanternas Verdes). Com isso, os 26 títulos americanos foram compactados em apenas sete edições, proporcionando uma boa economia. A história não é nota 10, mas é interessante e a apresentação caprichada valorizou o material, chamando a atenção na banca e despertando o interesse do leitor eventual. Ponto pra Panini!

Só boas HQs de mundos alternativos.

9 –  O Que Aconteceria Se…? (Coleção de Graphic Novels Salvat – Clássicos XXXVII) – Em 1977, a Marvel criou seu conceito de “Multiverso” – embora não o chamasse dessa forma – com excelentes versões alternativas de histórias clássicas com um final diferente. Narradas pelo Vigia, o ser que observa tudo no Universo sem poder interferir,  a ideia deu supercerto. Este encadernado compila algumas excelentes histórias, três delas inéditas no Brasil. Um dos melhores volumes da coleção de clássicos da Salvat.

 

Santo encadernado, Batman!

8 – Batman: Gotham 1889 – A HQ que inaugurou a linha Elseworlds (no Brasil, chamada de Túnel do Tempo) mostra uma versão vitoriana do Batman, convivendo com Jack, o Estripador. Além da história que, por si só, já é excelente, a Panini teve a ótima ideia de publicar no mesmo encadernado a continuação da trama, que não é tão boa quanto a antecessora, mas também é bem bacana. Tudo isso por um preço acessível. As duas histórias juntas mostram o porquê do Batman ser um dos maiores ícones do Universo DC, pois tem a versatilidade de ser colocado em qualquer época ou local sem perder sua verossimilhança.

 

Força jovem

7 – Lendas do Universo DC – Novos Titãs: Depois de N títulos do Batman, alguns do Superman e quatro volumes da Mulher-Maravilha da fase criada por George Pérez, a coleção dos Novos Titãs pelo mesmo artista foi uma grata surpresa. Com histórias clássicas dos anos 1980 escritas pelo roteirista Marv Wolfman, é impossível não se deleitar com o texto dinâmico e a deliciosa arte de Pérez, cuja fase contou com uma química muito boa entre os heróis e lançou ameaças dignas dos jovens heróis, como a Colmeia, o Exterminador e Trigon. E ainda vem muito mais por aí!

Quadrinhos de classe

6 – Lendas Disney 1 – Esta edição já começa a ser legal pelo formato diferenciado, um intermediário entre os especiais em capa dura e os mensais temáticos. A edição maior e o papel diferenciado eram um toque de requinte e as histórias são de altíssima qualidade, pois apresentam as primeiras HQs do Superpato, todas antecedidas por um completo editorial contextualizando a história e repleto de curiosidades. Um título feito com muito carinho que, infelizmente, não passou da primeira edição com o cancelamento dos títulos Disney pela Editora Abril. Quem sabe com a chegada da editora gaúcha Culturama, esse projeto seja retomado. O mercado e os fãs dos personagens Disney merecem.

Oito volumes de uma vez só, para acalmar a raiva dos fãs.

5 – Coleção Histórica Marvel: O Incrível Hulk – Uma Coleção Histórica do Incrível Hulk era um antigo pedido dos fãs do Gigante Verde, que a Panini resolveu atender este ano. E ninguém pode reclamar, pois não foi apenas uma coleção, mas duas, em oito volumes, da fase escrita por Bill Mantlo e desenhada por Sal Buscema, que marcou a transição dos quadrinhos do Verdão da antiga editora RGE para a Editora Abril, no começo dos anos 1980. Nesses oito volumes, alguns momentos icônicos, como a luta do Golias Esmeralda com o Poderoso Thor, a “cura” pelas mãos do Líder, a batalha contra o Capitão Marvel, o inusitado encontro com Rocky Racum (numa das primeiras aparições do personagem) e a fase do “Hulk Inteligente”, entre outros. Se os roteiros eram um tanto quanto inocentes, os oito volumes valem pelo valor histórico. Imperdível!

O símbolo de uma luta que deveria chegar ao fim.

4 – Graphic MSP – Jeremias: Pele – O projeto Graphic MSP teve início em 2012 (sim, já faz seis anos!) e trouxe uma revolução ao mercado editorial. Quando a gente pensa que o selo iria entrar numa zona de conforto, ele nos apresenta esse álbum sensacional escrito por Rafael Calça e desenhos de Jefferson Costa, reinterpretando o personagem negro da Turma da Mônica, numa história sobre racismo e preconceito, mas sem cair na pieguice do discurso militante. É uma história humana, real, vivida pelos autores em sua própria… bem… pele, que nos faz pensar sobre a importância de se lutar contra qualquer tipo de discriminação – inclusive a velada – desde a mais tenra idade, para que nossas crianças possam crescer com igualdade e a capacidade de lutar para alcançar seus sonhos. Uma leitura obrigatória!

Quadrinhos é cultura e essa edição é a prova concreta.

3 – O Melhor da Disney – Brasil 1950-1952 – Como parte do mesmo projeto de Lendas Disney (veja nossa sexta colocação), este título se propunha a reunir as melhores histórias da Disney publicadas no Brasil em determinado período de tempo (no caso desta edição, dos anos 1950 a 1952). Mas não apenas isso: a revista tinha o mesmo capricho editorial (capa cartão, preço intermediário, papel de qualidade) e uma parte jornalística repleta de curiosidades sobre as histórias publicadas e sobre o que se passava no País naqueles anos nas áreas da cultura, esporte e quadrinhos. Mais que “apenas” uma HQ, uma aula de História que, infelizmente, também ficou pela metade (espera-se, por pouco tempo).

Fofura Hard Level

2 – Graphic MSP – Horácio: Mãe – Elogiar os títulos do selo Graphic MSP é chover no molhado. Mas esta edição é histórica e especial, pois trata-se da primeira vez que o autor Mauricio de Sousa, que sempre fez questão de escrever ele mesmo as historinhas do dinossauro Horácio (para manter o tom filosófico do personagem e transmitir sua própria visão de mundo) permitiu que seu “filho” fosse cuidado por outra pessoa. O autor Fabio Coala correspondeu à confiança do Mestre e nos presenteou com uma história terna, emocionante e, claro, bastante filosófica, onde Horácio vai em busca de suas origens. O traço infantil de Coala esconde um texto adulto, que nos transmite uma profunda lição de vida. Um álbum encantador!

Tesouro oriental

1 – Coleção Histórica Marvel: Mestre do Kung Fu – Uma compilação de histórias do Mestre do Kung Fu, seja em Coleção Histórica, seja em capa dura da Salvat, seja em qualquer edição especial, era um sonho impossível. Por questões de direitos autorais do uso dos personagens de Sax Rohmer, a Marvel estava proibida de republicar as HQs do personagem, que fizeram tanto sucesso na década de 1970, época em que as artes marciais dominavam a mídia. Mas um acordo entre os herdeiros do autor e a editora do Homem-Aranha liberaram esse material e os leitores foram presenteados com esse tesouro em forma de quadrinhos. Assim como o Hulk, já foram publicados seis volumes (mais dois a caminho) e a expectativa é que virão mais, pois a saga do lutador é bem extensa. Um delírio visual acompanhar as coreografias das lutas do protagonista, num estilo quase cinematográfico.  

Boa premissa, péssima execução

HQ Mico – A fase Renascimento inaugurou uma nova era para os quadrinhos da DC depois do malfadado reboot que originou o período conhecido como Os Novos 52, em 2011. Resgatando alguns conceitos antigos para os super-heróis, os títulos da DC ganharam novo fôlego e histórias muito mais emocionantes, mas o título Superwoman (nada a ver com a Supergirl) é uma decepção neste meio, embora a premissa seja muito boa. O problema é que, para entender a origem da heroína o o seu papel no novo universo DC, o leitor precisa ter conhecimento prévio de muita coisa que veio antes e isso é que atrapalha. Sem contar que as aventuras são muito focadas no chororô dos dramas pessoais da protagonista, tornando a leitura desinteressante. Um micão!

Amanhã temos o último post da retrospectiva, com os melhores livros do ano! Estejam conosco!

Top 10 – O Melhor do Cinema 2018

Final de ano chegando, já é hora de começar aquela velha e tradicional retrospectiva. E o nosso blog começa com os dez melhores filmes de 2018. Foi um ano de excelentes produções, grande parte delas dando continuidade a franquias de sucesso, o que já serviu para deixar a expectativa lá no alto (ou não). De modo geral, posso dizer que fiquei satisfeito com o que vi, salvo raras exceções – só uma, na verdade, que entrou no nosso troféu Cine Mico. O restante, se não entrou na lista, também não decepcionou e cumpriu a função primordial da sétima arte, que é a diversão, pura e simples.

2018 foi um ano muito bom para o cinema!

Como fazemos todo ano, cabe a velha justificativa: listas sempre são polêmicas e, claro, a minha preferência com certeza será diferente da sua. Aquele filme que você achou ruim, pode ser o que mais gostei e o que você mais gostou, talvez nem tenha entrado no meu Top 10. Alguns filmes que tinha vontade de ver, acabei não vendo por pura falta de tempo e dinheiro, então, é provável que a lista fosse até diferente se tivesse visto tudo que tive vontade. Mas, daquilo que vi, está aí o resultado:

Injustiçado

10 – Han Solo – Uma História Star Wars – Dentro da franquia Star Wars, este foi o maior fracasso, com apenas US$ 213,7 milhões na bilheteria americana, a mais baixa da saga. Mas o problema nem é do filme, mas talvez do excesso de longas desde que a Disney resolveu lançar uma nova trilogia, o que acabou fazendo os fãs perderem o interesse na marca. Han Solo é um filme ágil, divertido, que estabelece alguns conceitos para o protagonista que viriam a se tornar canônicos e tem ótima caracterização do ator Alden Ehrenreich no papel principal. Não é nenhuma obra-prima, mas também não merece ser tão escorraçado.

Conclusão digna.

09 – Maze Runner – A Cura Mortal – Depois de uma espera de três anos entre um filme e outro (tempo este dedicado à recuperação do ator Dylan O’Brien, que se acidentou durante as filmagens e os produtores não quiseram substituí-lo por outro ator), o terceiro capítulo encerrou a saga – obviamente pelo mesmo motivo, já que são cinco livros e todos os atores já estariam muito velhos para seus papéis de adolescentes – com chave de ouro. Uma trama intensa, ágil, cheia de reviravoltas e que a gente assiste com a respiração presa. Os produtores souberam dar um fechamento digno e coerente, o que é muito difícil quando uma produção é envolta em problemas e vem de um segundo capítulo morno.

Venom devorou as bilheterias mundiais

08 – Venom – E quem diria que o refugo do universo do Homem-Aranha, cujos trailers indicavam que seria uma bomba, acabaria se saindo tão bem a ponto de superar até mesmo a poderosa Mulher-Maravilha (personagem muito mais popular) na bilheteria? Claro que bilheteria não é sinônimo de bom filme, apenas indica que o estúdio soube atender o apelo do público. Porém, Venom não é ruim, embora também esteja longe de ser bom. É uma boa diversão, que entretém e consegue tirar leite de pedra, uma vez que o personagem é raso feito um pires e dificilmente renderia uma boa história. Só por isso, merece figurar entre os dez melhores.

Booyah!

07 – Jovens Titãs em Ação! nos Cinemas – Ah, desenho animado, quem não os curte? Ainda mais um feito com tanta paixão, com tantas boas referências ao universo DC e piadas tão inteligentes? Jovens Titãs soube explorar as características dos personagens e presenteou o público com um filme leve e gostoso de ver.

Aventura em família

06 – Incríveis 2 – Há quem diga que o roteiro desta continuação é praticamente o mesmo do primeiro, só com outros personagens. Vou concordar que, analisando friamente, a afirmação tem um fundo de verdade. Porém, isso não tira o mérito do longa, que é bem divertido e que dá muito mais espaço ao Zezé, que é o “ladrão de cenas”. Se o filme não correspondeu às expectativas dos 14 anos de espera entre uma aventura e a outra, talvez seja porque a Pixar é melhor com novidades do que com continuações. Mesmo assim, a produtora continua imbatível na produção de obras-primas.

Anti-herói nacional com qualidade hollywoodiana.

05 – O Doutrinador – Eu já disse várias vezes por aqui que não gosto de filmes brasileiros. Filme de um super-herói nacional, praticamente desconhecido, é pra ficar com os dois pés atrás. Mas o Doutrinador quebra todos os preconceitos que possam existir com o gênero, pois é um filme que não economizou na qualidade técnica, digna dos melhores estúdios de Hollywood. Enquanto os americanos tentaram, sem sucesso, levar o Justiceiro para as telonas, o criador Luciano Cunha acertou de primeira no tom de seu personagem, num roteiro incrível que mistura ação, drama e suspense.

Quem é rei nunca perde a majestade

04 – Aquaman – Aos poucos, a DC vai se ajeitando e estabelecendo seu universo de super-heróis. O irônico é que seja o Aquaman, um personagem sempre desprezado e relegado às mais infames piadas por conta de sua suposta “inutilidade” entre os poderosos da Liga da Justiça – o que não é verdade – aquele que subiu o degrau mais alto depois da Mulher-Maravilha, no ano passado. O Rei dos Mares veio com um filme que enche os olhos e os ouvidos, com visual acachapante e trilha sonora deliciosa, mas derrapa no ritmo do filme, que começa bem, cansa no segundo ato e só engata no clímax final. Entre mortos e feridos, foi melhor do que a maioria dos filmes deste ano, o que não é pouco.

Épico Marvel

03 – Vingadores: Guerra Infinita: Sem dúvida, o filme mais aguardado do ano, Guerra Infinita é o ápice da Marvel Studios no cinema, a resolução dos mais de 20 filmes que convergiram para esta reunião épica de super-heróis. Desde Homem de Ferro (2008), os filmes da Marvel construíram um universo interligado como nos quadrinhos, que apontaram para a reunião dos heróis em Vingadores (2012). A cena pós-créditos, mostrando Thanos como o grande arranjador dos eventos chega ao seu clímax, reunindo TODOS os personagens num único filme que, se tem um defeito é exatamente esse: o excesso de personagens deixou uma participação superficial de cada um deles. Mesmo assim, o roteiro foi muito bem conduzido pelos Irmãos Russo, o final foi surpreendente (para quem não leu a HQ na qual o longa foi baseado, bom que se diga) e a continuação será tão aguardada quanto.

Militante sem fazer militância.

02 – Pantera Negra – Se Vingadores foi tão épico, porque o Pantera Negra está uma posição acima? Talvez porque foi um filme muito mais surpreendente. Guerra Infinita eu já conhecia a história e fiquei um tanto frustrado porque já sabia o que ia acontecer (embora tenha tido algumas surpresas, claro!). Já com o Pantera Negra, foi tudo inédito e o filme fez um excelente trabalho ao apresentar o herói africano sem o alarde de levantar bandeiras de representatividade e antirracismo, mas fazendo isso com categoria e dignidade, o que foi ainda muito melhor: o herói não precisou mendigar seu espaço, ele conquistou pela própria qualidade técnica do filme, com belos cenários, uma trama muito bem escrita e as excelentes interpretações. Precisamos de mais filmes como esse.

Viva, destruindo corações sensíveis

01 – Viva – A Vida é uma Festa – Se um filme consegue ser divertido, te fazer rir, cantar, não cansa durante a exposição, tem uma boa história, tem um visual que encanta e, no final, ainda te arranca lágrimas e deixa aquele aperto no peito de emoção, não tem como não elegê-lo como o melhor do ano. Viva – A Vida é uma Festa tem um título medonho, comparado ao original – Coco, em homenagem à avó do personagem principal, o garoto Miguel – mas sua história nos enche de ternura. Mais um gratificante acerto da Pixar, que só nos presenteia com produções da mais alta qualidade.

Predador bom Vs. Predador mau. E piadas ruins no meio.

Cine Mico – Em meio a tantas boas produções, tinha que ter aquela que nos dá vontade de pedir o dinheiro do ingresso de volta. O Predador descaracteriza todos os filmes anteriores da franquia que, apesar de vários fracassos comerciais, ao menos, mantinham a personalidade do monstro como um caçador especial. Neste, tudo é errado, a começar do título – o mesmo do filme original, exceto pelo artigo “O” – que dava a entender se tratar de um reboot da franquia e não de uma continuação. O elenco é péssimo, as piadas são de extremo mau gosto e o Predador… bem… se tornou um defensor da Terra. Onde eu assino para resgatar meu ingresso, por favor?

Tão mágico quanto na estreia, há 40 anos.

Menção honrosa – Para comemorar os 80 anos do Superman, a rede Cinemark exibiu o primeiro longa-metragem do Homem de Aço, estrelado por Christopher Reeve, trazendo de volta a mesma sensação de 1978, quando pudemos ver aquela obra prima em tela grande e som estéreo. O filme já foi exibido à exaustão na TV e nem a versão digital é novidade, já que o blu-ray possibilitou essa melhoria – e ainda com versão estendida, com vários minutos a mais de cenas extras e deletadas (a versão exibida foi a mesma de 1978). Mesmo assim, Superman – O Filme merece uma menção honrosa neste Top 10 por provar que bons filmes não envelhecem. Reeve fez muito mais do que nos fazer acreditar que um homem é capaz de voar: ele também nos fez acreditar que somos capazes de sonhar.

Continue conosco. Nosso Top 10 – Retrospectiva 2018 continua amanhã.