Leituras da Semana – Setembro (3)

Já entrando no clima da Primavera, uma semana cheia de títulos protagonizados pelo Superman, mas também com espaço para Marvel e Mauricio de Sousa. Títulos variados como variadas são as espécies de flores que chegam com a nova estação, trazendo colorido e alegria de viver.

Símbolo do comunismo

Superman: Entre a Foice e o Martelo (ago/2017) – Embora tenha sido lançada pela primeira vez numa minissérie em 2004 e republicada num encadernado em 2006, esta é uma HQ que nunca tinha lido. E o furor dos fãs a respeito dela, bem como os constantes pedidos de republicação (a Panini demorou 11 anos para isso!), despertaram a curiosidade a respeito da história, que imaginei algo acima da média. Puro exagero dos fanboys. A minissérie, criada num universo imaginário, não tem absolutamente nada de extraordinário, muito embora tenha uma visão interessante do Homem de Aço. A histórica mostra o que aconteceria se a nave do bebê Kal-El, ao invés de posar nos Estados Unidos, posasse na antiga União Soviética. Criado em regime comunista, o Superman adota outra postura e se torna um herói bem diferente daquele que estamos acostumados. A temática politizada transforma a trama num texto sem dinamismo e, por isso, arrastado em determinados momentos. É, sim, uma HQ com um curioso ponto de vista para o principal herói da DC, mas está longe, bem longe, de ser uma história que revoluciona o universo.

“Não mexa com meu filho!”

Superman 6 (set/2017) – Duas histórias que mostram o encontro entre o Superboy e Robin e o início de uma amizade entre ambos (embora “amizade” não seja bem o termo adequado quando se coloca em destaque a arrogância de Damian Wayne com a inocência de Jon Kent). Claro que, entre brigas e provocações, os superpais vão interferir e preparar um teste de aptidão para seus filhos, onde eles terão que provar que são capazes de trabalhar juntos. Histórias bem divertidas.

Ops! Eliminamos o Superman errado!

Action Comics 6 (set/2017) – Para evitar que Lex Luthor se torne um tirano e dominador de planetas, um alienígena conhecido como Assassino de Deuses e seu comparsa vêm à Terra para eliminar o empresário. Mas encontram o Superman no meio do caminho e, como Luthor também usa o símbolo do Homem de Aço, o herói acaba entranho na lista dos guerreiros espaciais. Duas boas HQs que iniciam um novo arco do herói de Krypton.

Uma visão diferenciada do grande vilão da Turma da Mônica.

Graphic MSP 16 – Capitão Feio: Identidade (ago/2017) – Vilão feito para interagir com a Turma da Mônica e passar mensagens de preservação ambiental e cidadania, o Capitão Feio tem uma interessante releitura pelas mãos dos irmãos paranaenses Magno e Marcelo Costa. Sem memória e com poderes que ele não compreende, o homem que viria a se tornar o Capitão Feio vai recuperando fragmentos de suas lembranças e construindo sua própria identidade, ora agindo como herói, ora como um perigoso supervilão, ao mesmo tempo em que percebe que as pessoas “normais” sempre vão temer aquilo que não entendem. Uma história intrigante, com uma arte belíssima e leitura com poucos diálogos, onde, muitas vezes, a imagem fala muito mais do que o texto. Além disso, há uma infinidade de easter-eggs escondidos, principalmente no meio do lixo. Uma curiosidade: reparem na silhueta que abre o encadernado e na última imagem que, aparentemente, é a mesma. Só aparentemente, porque há pequenos detalhes que mostram a transformação do homem no supervilão. Uma sacada genial!

A estreia de Indigno Thor

Thor 7 (ago/2017) – A primeira HQ desta edição traz a volta de Odinson em busca de redenção por ter deixado de ser digno. O título Indigno Thor promete finalmente revelar o motivo pelo qual o filho de Odin deixou de ser digno (e eu espero, sinceramente, que seja algo bem sério, porque se for algo do tipo “ele bebe hidromel até se embriagar”, vou ficar MUITO bravo). Na segunda história, a poderosa Thor reúne um grupo bastante eclético para invadir o reino de Malekith, no melhor estilo A Sociedade do Anel. Fraquinha.

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Dica Literária: Sílvio Santos: A Trajetória do Mito

Dizem por aí que tudo que Sílvio Santos toca vira dinheiro. O livro Sílvio Santos: A Trajetória do Mito, do professor e pesquisador Fernando Morgado, é uma prova de que o animador não precisa nem tocar para fazer sucesso: basta trazer seu nome e já é garantia de boas vendas. Lançado no início deste ano, o livro já está em sua quarta edição, o que significa que, em cerca de cinco meses, foram vendidos exemplares suficientes para garantir quatro reimpressões.

Livro traz texto dissertativo e declarações do próprio animador.

Publicado pela editora Matrix, o livro não se limita a contar a história do empresário e animador, mas inclui uma série de depoimentos saídos de sua própria boca que mostra como pensa e age um dos artistas mais amados do Brasil. O livro é dividido em seis capítulos: o primeiro traça, em linhas gerais, um perfil do homem Senor Abravanel, o filho de imigrantes que começou sua vida como camelô e, com uma visão empreendedora como poucos, evoluiu, enriqueceu e se transformou em dono de uma das maiores redes de televisão do País.

O autor, em noite de autógrafos na livraria Saraiva.

Os seguintes, temáticos, apresentam um perfil de Sílvio sobre Negócios, o Artista Sílvio Santos, o Dono de Televisão, o ingresso na Política e a Vida Pessoal. O livro termina com uma breve linha do tempo cronológica de sua vida. A obra tem uma leitura tão cativante e ágil que é praticamente impossível parar de ler. O pensamento de Sílvio Santos, por vezes contraditório (ora extremamente conservador, ora liberal), e sua linha de trabalho disciplinada consistem de um verdadeiro modelo de dedicação e perseverança, admirável até mesmo para quem não acompanha seu programa dominical. Simplesmente porque a história de Sílvio Santos vai além do artista e apresentador, mas entra em outros campos, como empreendedorismo, disciplina, honestidade, ética, visão de mundo e muito mais.

Morgado entregou seu livro pessoalmente a Sílvio Santos.

Trata-se de uma leitura apaixonante, não apenas pela suntuosa figura que Sílvio Santos representa, mas porque sua história de vida é, de fato, um exemplo de como o trabalho é importante na vida de uma pessoa. É fato que nem tudo que Sílvio Santos faz é digno de elogios ou de aprovação. No entanto, pelo texto, é possível ver que os motivos por trás de suas atitudes mais polêmicas são corretos, dentro de seu ponto de vista.

Ma oeeee… Sílvio Santos exibe sua biografia.

A apuração do autor é tão boa que apresenta muitos fatos inéditos (ou, ao menos, bem pouco divulgados) na vida do apresentador, que tornam ainda mais rica sua trajetória. Sílvio Santos é um mito, mas Senor Abravanel é um homem como qualquer um de nós, que precisou de ajuda de muita gente para galgar os degraus do sucesso – entre elas, Manoel de Nóbrega, a quem considera como um pai – mas que soube aproveitar suas oportunidades para fazer delas não apenas um degrau, mas um elevador. E que hoje ensina: “vamos sorrir e cantar porque do mundo não se leva nada”.

Tributo a Len Wein

Uma notícia triste para os fãs de quadrinhos: morreu neste final de semana, aos 69 anos, o roteirista Len Wein, um dos nomes mais importantes para os fãs dos quadrinhos Marvel e DC. Wein é ninguém menos do que o “pai” de personagens icônicos como Wolverine, Tempestade, Noturno, Colossus, Pássaro Trovejante e Monstro do Pântano e alguns menos conhecidos como o Irmão Vodu (Marvel), Estrela Vermelha (DC) e os vilões Fogo Fátuo, Rocket Racer, Gangue da Demolição, o terceiro Duende Verde (Dr. Bart Hamilton) e Mongul, poderoso inimigo do Superman, entre vários outros.

Duas importantes criações de Len Wein: Monstro do Pântano e Wolverine.

O artista iniciou sua carreira na DC, estreando na revista Teen Titans 18 (1969). Mais tarde, em 1971, criou, juntamente com o desenhista Bernie Wrigthson (também falecido este ano) o Monstro do Pântano, na revista House of Secrets 92. Também escreveu para as revistas Adventure Comics, Superman, The Flash e Phantom Stranger, além da cultuada fase da Mulher-Maravilha de George Pérez, com quem dividiu os roteiros. Pela Marvel, estreou em Daredevil 71 (1970) e, em pouco tempo, se tornou um dos mais prolíficos roteiristas da Casa das Ideias, passando por uma longa fase na revista do Homem-Aranha, O Incrível Hulk, Thor, Quarteto Fantástico e Marvel Team-Up entre outras.

Entre os trabalhos de Wein como editor está a icônica minissérie Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons

Wein também atuou como editor e entre seus trabalhos mais marcantes estão as minisséries Camelot 3000, Novos Titãs, Batman e os Renegados, Crise nas Infinitas Terras e a aclamada Watchmen. Nosso blog presta uma homenagem a este grande profissional selecionando 10 histórias escritas por ele que merecem ser lidas. Prova do grande profissional que era, capaz de despertar as melhores emoções nos leitores. Obrigado, Wein! A vida é breve, mas suas histórias são eternas.

Aventura tocante

1 – Os Mais Longos Cem Metros (Amazing Spider-Man 153, 1976) – Uma história tocante na qual o Homem-Aranha ajuda um ex-jogador de futebol a resgatar sua filha, sequestrada por chantagistas. Além do final emocionante, o destaque vai para a sequência que mostra o jogador realizando um touchdown em uma narrativa em flashback, repetida exatamente igual em outra situação. Um toque de genialidade como poucas vezes se viu nos quadrinhos. No Brasil, essa história foi publicada duas vezes: na revista Homem-Aranha 34 (RGE, 1981) e em A Teia do Aranha 32 (Abril, 1992)

Grande estreia

2 – E agora… Wolverine! (The Incredible Hulk 181, 1974) – A clássica estreia de Wolverine (na verdade, o carcaju estreou na edição anterior, mas só aparece no último quadro da história), na qual o mutante canadense enfrenta o Incrível Hulk e o lendário monstro Wendigo dispensa comentários. É interessante notar como o personagem era diferente, muito mais contador de vantagem e com sua indefectível máscara com “orelhas” menores e bigodinhos de gato. O personagem foi criado para fazer esta única aparição, mas agradou tanto que foi incluído na reformulação dos X-Men. O resto é história. No Brasil, esta aventura já foi publicada pela primeira vez na revista O Incrível Hulk 22 (RGE, 1980) e teve várias republicações: Grandes Heróis Marvel 26 (Abril 1989), Wolverine 100 (Abril, 2000), Os Heróis mais Poderosos da Marvel 3 – Wolverine (Salvat, 2014) e Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel XVIII – Marvel Origens: A década de 1960 (Salvat, 2016). Curiosidade: em todas essas republicações, a história sempre foi publicada com nomes diferentes.

Encontro de Titãs

3 – Batman vs. O Incrível Hulk (DC Special Séries 27, 1977) – Depois do sucesso do encontro entre o Superman e o Homem-Aranha, um ano antes, a DC e a Marvel resolveram repetir a dose e juntar mais dois heróis de grande sucesso. E o encontro não poderia ser mais inusitado, com a criatura mais forte do planeta mas de inteligência limitada e o típico homem comum com dons atléticos e uma das mentes mais brilhantes do mundo. O resultado é mais uma história vibrante e cheia de ação que mostra o Coringa se aliando ao Figurador (um alienígena capaz de realizar sonhos) para dominar o mundo. Encontro imperdível. Foi publicado em Batman Vs. O Incrível Hulk – Edição Extra de Batman (Ebal, 1982) e Grandes Encontros Marvel & DC 3 (Abril, 1993)

O reboot que deu certo

4 – A Segunda Gênese (Giant Size X-Men 1, 1975) – Não bastasse criar Wolverine, personagem que se tornaria um dos mais populares e queridos da editora, Len Wein também ajudou a levantar o título dos X-Men, que estava à beira do cancelamento, recriando a equipe com novos membros vindos de vários lugares do mundo (numa época em que ninguém falava em diversidade) e, obviamente, incluindo nela sua criação do ano anterior. Sabe o que aconteceu? A dinâmica entre os membros da equipe foi tão perfeita que o título dos X-Men não apenas deixou de ser cancelado como se tornou o mais popular da editora, igualando – e, tempos depois, superando – até mesmo o imbatível Homem-Aranha. Além dos Novos X-Men, o mundo também ganhou Tempestade, Colossus, Noturno e Pássaro Trovejante (que morreria na missão seguinte, numa dramática aventura). No Brasil, essa aventura foi publicada em Superaventuras Marvel 16 (Abril, 1983), Heróis da TV 109/110, com inclusão de novos detalhes extraídos de Classic X-Men 1 (Abril, 1988), Wolverine 100 (Abril, 2000) e Coleção Histórica Marvel – X-Men 2 (Panini, 2014).

Oito páginas de puro terror… e uma grande criação.

5 – O Monstro do Pântano (House of Secrets 92, 1971) – Em apenas oito páginas, Wein criou uma lenda. Uma história de terror, que mostrava um casal numa mansão isolada, um assassinato em flashback e um monstro pantanoso que surge para salvar a vida de uma moça quando o homem está prestes a matá-la também. O final deixa subentendido que o monstro era a vítima do assassinato anterior, criando um clima para mexer com o imaginário do leitor. O sucesso dessa HQ foi tamanho que gerou um título próprio para o monstro apenas um ano depois. Quando Alan Moore assumiu o Monstro do Pântano na década de 1980 e o levou ao patamar de personagem cult, Len Wein foi o editor das primeiras histórias e fez seu trabalho com o mesmo primor com que criou o herói. No Brasil, essa aventura foi publicada em Vertigo DC – Casa dos Mistérios 16 (Fractal, 1999) e Clássicos DC – Monstro do Pântano: Raízes vol. 1 (Panini, 2013).  

Uma HQ para chorar.

6 – Um nome… para ser lembrado (The Incredible Hulk 182, 1974) – Logo após a estreia de Wolverine, o roteirista produziu outro clássico que, estranhamente, nunca ganhou o devido crédito, talvez por ser uma história “corriqueira”, mas que possui uma enorme carga dramática e uma das mais humanas mensagens numa aventura do Gigante Verde. Fugindo do Canadá após sua luta contra o Wolverine, o Hulk vai se esconder do exército numa floresta, onde encontra um mendigo chamado Jackson Bolachudo. Na amizade que nasce da simplicidade de duas pessoas humildes, o Hulk decide acompanhar seu novo amigo no reencontro com seu filho, que estava na prisão. Ele só não sabia que um alienígena concedeu uma arma poderosíssima para o rapaz e seu parceiro de cela, transformando a dupla numa grande ameaça que o Golias Esmeralda precisaria enfrentar. O final é dos mais emocionantes.  No Brasil, esta HQ foi publicada uma única vez, na revista O Incrível Hulk 23 (RGE, 1980).

O nascimento das lendas

7 – Lendas (Legends 1-6, 1986) – Logo após a saga Crise nas Infinitas Terras, o Universo DC estava se reestruturando e a minissérie Lendas serviu para mostrar a reformulação da Liga da Justiça, que tinha membros bastante impopulares e era pouco querida pelos leitores. Assim, o vilão Darkseid passou a desacreditar os heróis da terra com o objetivo de se tornar ele a única lenda do planeta. Unidos, os heróis derrotaram o tirano e, ao final da batalha, formaram uma nova Liga da Justiça: Batman se encarregou de liderar a equipe formada pelo Capitão Marvel (Shazam), Besouro Azul, Lanterna Verde (Guy Gardner), Canário Negro e Caçador de Marte.  Superman, Flash e Mulher-Maravilha não quiseram se unir ao grupo. Além da nova Liga da Justiça, a minissérie também marcou a estreia de Amanda Waller e do Esquadrão Suicida na Era Moderna. No Brasil, foi publicada na minissérie Lendas 1 a 6 (Abril, 1988), Grandes Clássicos DC 10 – Lendas (Panini, 2007) e Lendas do Universo DC – Darkseid (Panini, 2017). 

Um encontro arrepiante

8 – A nau dos condenados (Giant Size Spider-Man 1, 1974) – Para salvar a vida de sua Tia May, que se adquiriu uma doença mortal, o Homem-Aranha precisa encontrar A. J. Maxfield, a única pessoa capaz de curá-la, que se encontra num navio no meio do Oceano Atlântico. Ao mesmo tempo em que é a fonte de salvação da pobre velhinha, Maxfield também é uma ameaça para o Príncipe dos Vampiros, Drácula, que se dirige ao navio com o intuito de eliminar o problema. O confronto com o aracnídeo é inevitável. Uma HQ com tudo que os leitores mais gostam: o encontro de personagens icônicos que brigam entre si numa história com muito drama, ação e uma surpreendente reviravolta sobre a identidade de Maxfield. Esta história foi publicada pela primeira vez em Homem-Aranha 16 (Abril, 1984) e republicada em Drácula versus Heróis Marvel 2 (Abril, 1995).

Inimigo poderoso

9 – A chave que liberou o caos (DC Comics Presents 27-29, 1980) – Esta HQ marcou a estreia de outro perigoso e poderoso vilão do Universo DC: Mongul. Em busca de um artefato que seria uma chave para conquista, o alienígena sequestra os melhores amigos do Superman e o convence a roubar o item. Sem alternativas, o Homem de Aço vai em busca do item e entra em confronto com o Caçador de Marte, que é seu guardião. Após perder a chave, o Superman conta com a ajuda da Supergirl e do Espectro para recuperá-la. O vilão criado por Len Wein cresceria em importância dentro do Universo DC nos anos seguintes a ponto de se tornar o protagonista de mais duas aventuras memoráveis: Para o Homem que Tem Tudo, escrita por Alan Moore, e A Cidade da Morte, que mostra a destruição de Coast City, fazendo o Lanterna Verde enlouquecer e se tornar o vilão Parallax. Em Super-Homem 2 (Abril, 1984), foram publicadas as três partes da história (com cortes) e em Coleção de Graphic Novels DC Comics 30 – Lanterna Verde: Crepúsculo Esmeralda/Novo Amanhecer (Eaglemoss, 2016) foi publicada só a primeira aventura, na íntegra.

Parceria espetacular

10 – Fóton é o outro nome de…? (Amazing Spider-Man 171, 1977) – Segunda parte de uma aventura que começou na revista Nova 12 (escrita por Marv Wolfman), esta história conclui a trama do assassinato do tio de Richard Rider (o herói Nova) da qual Peter Parker é um dos suspeitos. O Homem-Aranha junta forças com Nova para investigar o caso e capturar o assassino, chamado Fóton. A história tem uma pegada de detetive, com pistas seguidas pelos heróis que conduzem ao gran finale e o leitor descobre que o nome do assassino sempre esteve evidente. Mais um roteiro criativo e dinâmico de Wein, que tem o mérito de juntar os dois personagens adolescentes mais populares daquele final de década de 1970. No Brasil, esta aventura foi publicada em Homem-Aranha 43 (RGE, 1982), A Teia do Aranha 41 (Abril, 1993) e Coleção Histórica Marvel – Homem-Aranha 8 (Panini, 2014).

Leituras da Semana – Setembro (2)

Neste segunda semana de Setembro, quando comemoramos nossa Independência, nada melhor que começar com uma HQ nacional de um dos brasileiros mais admiráveis. Mas também temos HQs de super-heróis gringos, claro! Uma delas, a  mais agradável surpresa.

Resgate histórico

Sílvio Santos – Vida, Luta e Glória (set/2017) – Publicada originalmente no ano de 1969, esta HQ narra a trajetória do apresentador e empresário Sílvio Santos, desde seu nascimento até o incêndio da Rede Record em 1968, que (não sabia disso!) só não foi pior porque Sílvio conseguiu dispersar o público sem criar pânico nos estúdios, enquanto gravava seu programa. Anunciada originalmente por nós (leia aqui) com uma restauração colorida, a revista sai em branco e preto, certamente para manter fidelidade ao original. Outra mudança é com relação ao papel (originalmente anunciado como couché, a revista sai em papel inferior, dando um ar mais nostálgico à publicação). Um importante documento histórico escrito pelo roteirista Rubens Luchetti e ilustrado por Sérgio M. Lima que também mantém a linguagem daquela época, tornando a leitura bastante prazerosa e, porque não dizer?, divertida em certos momentos, pelos termos e gírias usados na época. Leitura recomendável que traz importantes lições de vida do homem que nasceu pobre e, com trabalho e dedicação, se tornou um dos mais bem sucedidos empresários do Brasil. O único problema (que não é um problema da HQ, pois ela é fiel ao original lançado em 1969) é que Sílvio Santos ainda teve muito mais coisa para contar e para ensinar e a publicação não traz o restante dessa história.

Batalha cósmica de titãs

Thanos – Relatividade Infinita (ago/2017) – Mais uma saga cósmica capitaneada por Jim Starlin, que mostra o Aniquilador, com seus recém-conquistados novos poderes (adquiridos na minissérie Thanos Vs. Hulk, publicada na mensal Universo Marvel) em mais uma investida contra o universo positivo. Para derrotá-lo, forma-se uma equipe formada pelos Guardiões da Galáxia, a Guarda Imperial de Shiar e o evoluído Adam Warlock, cujas novas capacidades estão além de sua própria compreensão e podem ser a chave para a derrota do Aniquilador. No entanto, apenas Thanos sabe desse segredo e se torna a única salvação do universo. A história tem um começo bastante confuso, principalmente para quem não acompanhou as tramas anteriores – Revelação Infinita e a já citada Thanos Vs. Hulk -, com trechos que parecem deslocados dentro da história (há uma conversa de Warlock e Gamora que foge totalmente da linha narrativa e não se sabe se aquilo é um devaneio de Warlock, de Gamora ou de Thanos. A trama só engata mesmo a partir da metade e se mostra mais uma empolgante aventura como só Starlin é capaz de proporcionar. Infelizmente, o fato de estar presa às aventuras anteriores e continuar na próxima Marvel OGN (Thanos – Final Infinito) prejudica apreciar a obra como ela merece.

Assumidamente subversivo.

Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel – Volume XXIX – Howard, O Pato (Ago/2017) – De todos os personagens da Marvel, este é, sem sombra de dúvidas, o último da lista que alguém poderia imaginar que ganharia um encadernado em capa dura. Por incrível que pareça, é um dos mais interessantes volumes da coleção, divertido até última gota de tinta gasta na impressão, cheio de situações insanas que trazem por trás uma crítica social do autor. Howard é assumidamente uma piada e isso fica claro nos seus inimigos: o Homem-Nabo, um artista frustrado que tem a mente dominada por um nabo espacial (!!!); a Mulher dos Rins, uma velha reclamona, com obsessão em proteger seus rins de supostos perseguidores; uma vaca vampira; o Homem-Biscoito, uma espécie de Frankenstein feito de… hã… biscoito… e por aí vai. A gozação é tanta que o autor brinca até com o fato de perder o prazo e criar uma edição totalmente enrolativa só para tapar o buraco. Hilário e imperdível!

 

Dica Literária: O Chamado dos Bisões

Terceiro livro da série Fábulas da Terra, o livro O Chamado dos Bisões é mais um belíssimo conto da autora Paola Giometti, que narra a história da pequena Mika, uma filhote de bisão que se perde da família durante a migração anual da sua espécie e precisa caminhar sozinha para reencontrar seus rebanho, enfrentando inúmeros perigos comuns à espécie, como lobos, coiotes e o mais perigoso de todos os animais, conhecido como Nukpana.

Série Fábulas da Terra possui outras duas obras

O livro completa uma trilogia iniciada com O Destino do Lobo (2015) e O Código das Águias (2016), com os personagens Biso e seu bisneto, a quem ele transmite as lições que aprendeu dos animais em sua evolução e luta pela sobrevivência. De forma lúdica, a narrativa de Biso invade o pensamento dos animais e os humanizam, fazendo seu bisneto (e todos os leitores) compreender os preciosos ensinamentos trazidos pelos antepassados, que permanecem pelas gerações.

Bovinos migram para atender ao chamado de seus antepassados.

O fio condutor da história é a migração e o porquê da necessidade dos bisões ficarem mudando de lugar ano a ano para fugir do fustigante frio de inverno da região montanhosa, mas com isso colocando sua própria integridade em risco ao se exporem aos predadores e à incerteza da chegada. Ao mesmo tempo em que resgata uma consciência histórica – os bisões já foram abundantes nas pradarias da América do Norte, mas a caça acabou por ameaçar a espécie de extinção – a história traça um paralelo com a trajetória humana em busca de seu próprio crescimento interior.

A autora apresenta, com sensibilidade, toda sabedoria da Mãe Natureza

Não bastasse a sensibilidade com que conduz a história, a autora também é responsável pelas ilustrações do livro, que são poucas, mas sempre surgem em momentos-chave da leitura, transmitindo ainda mais o clima tocante da narrativa. Embora sejam obras independentes e uma não dependa da outra para ser compreendida, os três livros da autora se interligam por meio de sutis referências que os leitores mais atentos percebem com facilidade. Por tratar do reino animal, lobos, águias e bisões são coadjuvantes na história uns dos outros e isso torna tudo muito mais completo ao deixar claro que, na natureza, ninguém está sozinho e somos todos parte de um todo.

Ilustrações da autora são tocantes

O Chamado dos Bisões é uma publicação da Andross Editora, sob o selo Engrenagem. Tem 144 páginas e pode ser adquirido nas livrarias e pelo site da autora.

Crítica: Diário de um Banana – Caindo na Estrada

Com um certo atraso, mas ainda em tempo, o filme Diário de um Banana – Caindo na Estrada pode ser uma boa dica de diversão, se você resolveu – com o perdão do trocadilho – não cair na estrada neste feriado prolongado e procura uma opção despretensiosa para curtir com a família. O longa-metragem é baseado na série de livros do autor americano Jeff Kinney, que já está no 12º. volume (a ser lançado em novembro) e já teve três filmes antes deste: Diário de um Banana (2010), Diário de um Banana 2 – Rodrick é o cara (2011) e Diário de um Banana 3 – Dias de Cão (2012).

É o quarto filme da série, mas adapta o nono livro.

Apesar disso, os filmes não seguem a cronologia dos livros, sendo, respectivamente o primeiro, segundo e quarto volumes. O atual filme adapta o 9º. livro da série, que é também o mais engraçado por colocar o protagonista, o impopular Greg Heffley, em situações para lá de inusitadas quando seus pais resolvem tirar um final de semana em família e visitar uma velha tia que fazia seu 90º. aniversário e morava em outra cidade. O filme também segue essa premissa e reserva bons momentos com as confusões de Greg e seus familiares pela estrada, lembrando bastante a série de filmes Férias Frustradas, protagonizados por Chevy Chase.

Estreia embananada

A novidade deste longa é a troca do elenco, uma vez que o ator Zachary Gordon, intérprete de Greg Heffley nos três filmes anteriores, cresceu e não tinha mais condições de representar um adolescente na faixa dos 14 anos. O novo “banana” é interpretado Jason Drucker, que não faz feio no papel, além de ser muito mais parecido com a caricata figura dos livros do que Gordon. No entanto, o garoto não tem o mesmo carisma que seu antecessor, o que pode ter prejudicado o desempenho do filme.

Um passeio em família se torna uma verdadeira saga para os Heffley.

O restante do elenco é formado por Alicia Silverstone e Tom Everett Scott, como os pais de Greg, Charlie Wright, como o irmão Rodrick (esse sim, ruim de dar dó) e Owen Asztalos como o melhor amigo Howley, cuja participação foi relegada a uma breve aparição no início e outra no final do filme. Uma pena. Os gêmeos Dylan e Wyatt Walters se revezaram no papel de Manny, o irmão mais novo de Greg. A história mostra a mãe de Greg querendo criar situações que aproxime os membros da família, contrariando os filhos, que preferem ter sua própria diversão. Ela organiza uma viagem para visitar uma tia nonagenária e Greg só aceita porque o caminho fica próximo de uma convenção de videogames, onde ele poderá conhecer seu ídolo do You Tube e, dessa forma, ganhar popularidade entre seus amigos.

Referências…

Obviamente, nem tudo – leia-se “nada” – dá certo nessa viagem, que é recheada de trapalhadas e situações inusitadas, principalmente com a presença constante do “Sr. Barbudão” (Chris Coppola), um pai de família totalmente mal educado, também passeando com seus familiares e que, para azar de Greg, segue o mesmo caminho. O tremendo azar do garoto reserva até uma engraçadíssima referência à cena do chuveiro de Psicose (1960), entre outras gags.

“Peraí, essa nota tá mais baixa que a da banda Fräwda Xeia”

Nos Estados Unidos, Diário de Um Banana – Caindo na Estrada teve a pior cotação dos filmes da série (apenas 39 no Metascore, site que faz uma média das notas de vários sites especializados, contra 56, 51 e 54 dos longas anteriores), o que não deixa de ser estranho, uma vez que o diretor David Bowers manteve o espírito da franquia (apenas o primeiro filme teve direção de Thor Freudenthal). Mais do que isso, ele é também o roteirista, juntamente com o autor Jeff Kinney (que também faz uma aparição no filme, a exemplo de Stan Lee nos longas da Marvel). A justificativa, provavelmente, se deve à troca de elenco, cuja falta de entrosamento transpareceu no resultado final e, para um filme familiar, é uma falha irreparável.

Caindo na estrada… literalmente.

Uma pena, pois Caindo na Estrada é um filme divertido e fiel ao livro no qual é inspirado. Não se trata de uma produção para arrancar elogios nem para concorrer ao Oscar, mas também não justifica uma cotação tão negativa, principalmente porque cumpre aquilo a que se propõe, que é ser uma comédia feita apenas para descontração. Nesse quesito, o longa vale mais a pena do que o stress causado por horas perdidas numa estrada congestionada.

Cotação: 

 

Leituras da Semana – Setembro (1)

Quando entrar Setembro e a boa-nova andar nos campos, eu quero sair, eu quero falar e ensinar o vizinho sobre as revistas em quadrinhos lidas nesta semana. Uma overdose de Renascimento DC, todas elas com excelentes aventuras, bem no estilo dos clássicos heróis deste universo.

A Lois que não é a Lois, mas passa a ser a Lois. Isso é o Multiverso DC.

Action Comics 5 (ago/2017) – O que acontece quando a Lois Lane de outra realidade tem que substituir sua contraparte? É o que mostra esta edição, que soluciona o paradeiro da Lois do universo Novos 52 e apresenta a nova heroína Superwoman.  Bem legal.

Romantismo no ar

Mulher-Maravilha 5 (ago/2017) – Esta edição traz detalhes da infância e juventude de Bárbara Minerva (a Mulher-Leopardo) e de como surgiu seu interesse em mitologia. E também mostra a Mulher-Maravilha resolvendo suas pendências com Steve Trevor depois de salvá-lo do deus Urzkartaga.

Apresentando o novo Lanterna Fantasma

Lanternas Verdes 5 (ago/2017) – Esta edição encerra o arco que traz a batalha final entre Hal Jordan e Sinestro e inicia um novo arco, onde a Tropa dos Lanternas Verdes lida com as consequências da guerra e enfrenta um velho inimigo (ou dois, se consideramos o final da segunda história). Ao mesmo tempo, também mostra a origem do novo Lanterna Fantasma, o detentor do anel criado pelo guardião Rami. As histórias são boas, mas os Lanternas Simon Baz e Jessica Cruz são duros de engolir e não funcionam como dupla de parceiros, pois são personagens mal construídos em sua essência. Até o Lanterna Fantasma, que estreia nessa edição, tem mais profundidade que os dois juntos. É ler para crer.

Correndo como nunca

Flash – Volume 1 (jul/2017) Encadernado que traz as cinco primeiras edições de Flash na nova fase Renascimento, além da edição especial que mostra o herói reencontrando seu sobrinho Kid Flash e descobrindo que, de alguma forma, dez anos de suas vidas foram roubados desde o final da saga Ponto de Ignição. Como o principal causador da anomalia temporal, o Flash tenta descobrir o que aconteceu nesses anos perdidos e por que ninguém se lembra de nada. Contudo, uma tempestade de raios dá supervelocidade a várias cidadãos de Central City e nem todos decidem usar as recém-adquiridas habilidades para o bem. O arco é muito bom e traz novos personagens velocistas que devem dar início a uma Equipe Flash.

Fim do mistério! A verdade sobre os pais de Tony Stark.

Homem de Ferro 9 (ago/2017) – Para ninguém pensar que virei decenauta, também teve uma revista da Marvel, com o texto ágil de Brian Michael Bendis na conclusão do arco sobre a origem dos pais de Tony Stark. São duas HQs, cujas consequências… bem, o que importa quem foram os verdadeiros pais de Tony Stark, após mais de 50 anos de aventuras do Vingador Dourado? Nem Howard Stark é realmente importante para a cronologia… Ou seja, é mais um retcon inútil criado pela Marvel, mas que resultou numa aventura dinâmica e com excelentes diálogos. Não tem utilidade, mas é muito boa. Na terceira capa, uma dúvida: eles anunciam “Na próxima edição, em outubro”. Significa que Setembro não terá a revista do Homem de Ferro ou que ela será apenas dedicada ao evento Guerra Civil II e outubro será o mês em que a cronologia do herói segue normal? Vamos aguardar o anúncio da Panini sobre esta aguardada (só que não) nova saga.