Crítica: Uma Aventura de Babás

blog-abreO filme Uma Noite de Aventuras (Adventures in Babysitting, 1987) é mais um daqueles filmes oitentistas que marcaram época pela simplicidade de ideias e genialidade da execução. Leve e divertido, é uma opção perfeita para passar um dia chuvoso sentado no sofá assistindo TV com toda família. E, seguindo a onda de remakes de filmes desta década, a Disney Channel refez o longa numa produção apelidada de DCOM (Disney Channel Original Movie) que, embora tenha seus méritos, passa longe do charme do original.

Elenco reunido. Sabrina (loira ao centro) e Sofia (morena à direita, de azul) não possuem o carisma de Shue.

Elenco reunido. Sabrina (loira ao centro) e Sofia (morena à direita, de azul) não possuem o carisma de Shue.

Pra começar, a protagonista Sabrina Carpenter não tem o mesmo carisma de Elizabeth Shue. Bem no estilo “patricinha perfeita e afetada” (comum nas produções do canal), sua Jenny Parker (no longa de 1987, o nome era Chris Parker) chega a incomodar com o jeito histriônico de falar. Aliás, vale dizer que, nesta versão, são duas babás: a atriz Sofia Carson interpreta Lola Perez, uma rival de Jenny na luta por uma vaga de estágio numa grande empresa. Sofia, até pela força do seu papel de antagonista, também não chega aos pés de Shue. Apesar disso, a rivalidade das duas garante algumas boas risadas na trama.

Fique longe dos meus empregos!

Fique longe dos meus empregos!

Outra mudança considerável foi com as crianças: ao invés de apenas três, passaram a ser cinco, de duas famílias diferentes. A trama começa mostrando Jenny e Lola concorrendo a um estágio em fotografia na empresa do conceituado Leon Vasquez. Logo de cara, a antipatia das duas provoca um acidente que faz com que ambas troquem de celular. Assim, Lola atende uma ligação que era para Jenny e aceita um serviço de babá para ganhar um dinheiro extra e pagar uma multa de trânsito. No entanto, sem qualquer experiência, o que ela provoca é uma tremenda confusão que caberá a Jenny resolver.

Perseguições, trapalhadas e muita, muita correria.

Perseguições, trapalhadas e muita, muita correria.

A fim de resgatar Trey (Max Gecowets), o filho adolescente do casal, que fugiu pela janela para ir a um show de rock com os amigos, Jenny e Lola carregam todas as crianças com elas, mas acabam envolvidas numa sequência de erros e trapalhadas que culmina numa perseguição por traficantes de animais silvestres. Assim, o grupo passa a fugir por toda a cidade, numa correria frenética para chegar em casa antes dos pais das crianças e, pior, resolver todas as pendências que deixam no caminho.

Adeus à inocência: sai a nerd, entra a esportista.

Adeus à inocência: sai a nerd, entra a esportista.

O ritmo do filme é muito mais acelerado que a versão original e chega a pecar pelo exagero. Nem o título em português foi preservado, embora o original continue o mesmo. No entanto, a sequência de erros das duas babás e das crianças acaba gerando muitas situações hilárias que garantem boas risadas. Outras, no entanto, perderam seu encanto: uma das graças da primeira versão, a garotinha Sara (Maia Brewton) e sua paixão pelo Poderoso Thor (um mecânico interpretado por Vincent D’Onofrio, o atual Rei do Crime da série Demolidor, da Neflix), foi substituída por AJ Anderson (Madison Horsher), uma patinadora cujos ídolos são… bem… patinadoras profissionais. Adeus à magia e à inocência, fruto dos tempos atuais onde esses termos não existem. Uma pena.

Subiu aqui em cima, manda uma rima! É o Rap das Babás!

Subiu aqui em cima, manda uma rima! É o Rap das Babás!

Apesar disso, o filme tem mais pontos positivos do que negativos. Em meio a todas as confusões arrumadas pelas crianças, o roteiro direciona para que cada uma possa destacar sua personalidade, com destaque para Bobby (Jet Jurgensmeyer), o pequeno mestre-cuca em busca de seu “ingrediente secreto”, Emily (Nikki Hahn), a pré-adolescente rebelde-depressiva em busca de atenção e a fofíssima Katy (Mallory james Mahoney), cuja vaidade excessiva a leva a “roubar” os brincos e maquiagens da mãe. E vale destacar que a cena em que o grupo sobe ao palco para cantar rap foi mantida. Ponto para a direção de John Schultz.

A nova versão é legal, mas os clássicos nunca morrem.

A nova versão é legal, mas os clássicos nunca morrem.

Para quem não viu a primeira versão, certamente vai se divertir muito com as trapalhadas das duas babás em sua rivalidade juvenil. Quem, como eu, viu o longa-metragem original, fica a nostalgia de uma deliciosa comédia juvenil sendo refilmada numa nova versão que tem sim os seus méritos, mas dificilmente entrará para o imaginário do público. Afinal, o sorriso de Elizabeth Shue não se esquece tão fácil. Uma curiosidade: Adventures in Babysitting é o centésimo DCOM, mas o primeiro remake feito para a TV baseado num grande sucesso do cinema.

Cotação: blog-cotacao-babas

Saído do Forno: Selva – A Gazeta Gráfica

blog-abreO site Catarse tem proporcionado aos artistas independentes a realização concreta de seus projetos e, aos leitores, a oportunidade de ler um material que desejam, colaborando para que ele se torne viável. Nem todos os projetos têm qualidade para uma produção em larga escala e, com o sistema de financiamento coletivo, somente aqueles que estão interessados pagam por ele, o que é bem bacana, pois atinge o público-alvo específico. Outros, porém, são tão bacanas, que mereciam ter sua ideia comprada por uma grande editora e se tornarem mais visíveis a ponto de chegar a um público muito maior.

Comparação de tamanho com as tradicionais publicações em formato americano.

Comparação de tamanho com as tradicionais publicações em formato americano.

É o caso do projeto Selva – A Gazeta Gráfica, que se encontra em financiamento até o próximo dia 15 de Dezembro. A ideia não é inovadora, mas é legal pela sua diferenciação: ao invés de uma publicação nos tradicionais formatinho (13,5 cm X 19 cm) ou formato americano (17 cm X 26 cm), Selva tem formato tabloide (29 cm X 38 cm), resgatando a imagem dos antigos cadernos dominicais, que nos apresentaram personagens como Flash Gordon, Little Nemo, Sobrinhos do Capitão e outros que são a gênese das histórias em quadrinhos no início do século XX. Ao mesmo tempo, o “formatão” permite aos desenhistas uma melhor expressão de sua arte.

Um mix de artistas fizeram um trabalho "animal" nesta selva.

Um mix de artistas fizeram um trabalho “animal” nesta selva.

Além disso, a publicação é feita com papel de qualidade (couché com brilho), o que garante cores mais vivas para melhor apreciação da arte. São 16 páginas coloridas e um mix de histórias em quadrinhos que vai de adaptações de textos literários, passando por quadrinização de clássicos bíblicos a roteiros inéditos, criados especialmente para o título. Selva também inclui artigos redigidos por profissionais especializados em quadrinhos e literatura. Uma verdadeira mistura de estilos, temas e visões de mundo: daí o nome da publicação – uma selva.

A história bíblica de Jonas e um romance alemão são apenas dois exemplos da versatilidade de estilos.

A história bíblica de Jonas e um romance alemão são apenas dois exemplos da versatilidade de estilos.

Tivemos acesso à primeira edição e ratificamos a qualidade das HQs. Em Ultimatum para Nínive (Roteiro e arte de Spacca), a história bíblica de Jonas (aquele que foi engolido por um peixe gigante) é retratada com muito bom humor; Luz (roteiro e desenhos de Mika Takahashi) é uma história sem texto que trata com lirismo e delicadeza o sentimento da amizade e mostra o poder interior de cada um; A Luva (roteiro e arte de Joel Lobo) é uma divertida adaptação de um poema do alemão Friedrich Schiller; já Eterno enquanto queijo mostra a surreal história de amor entre a protagonista e uma pizza. Genial!

Experimente uma HQ com um sabor diferente do tradicional.

Experimente uma HQ com um sabor diferente do tradicional.

O projeto tem um site para os interessados ficarem por dentro das novidades e está captando recursos para a impressão da HQ até dia 15 de dezembro. A meta solicitada para o projeto é de R$ 12 mil, sendo que os colaboradores receberão, além da publicação impressa, uma série de brindes enviados conforme o valor da ajuda financeira. Veja o valor de cada pacote acessando aqui e mande sua contribuição. Poucos projetos brasileiros são tão divertidos e diferenciados como Selva – A Gazeta Gráfica. Por isso, ele merece ter todo o apoio possível para que saia, não apenas o número um, mas muitos outros exemplares.

Capitão 7 volta em nova HQ nacional

blog-abrePara o público com menos de 40 anos, o nome Capitão 7 não significa muita coisa. Porém, os fãs mais antigos sabem bem que este foi ninguém menos do que o primeiro super-herói nascido em terras brasileiras. E, depois de ter sumido por mais de uma década, ele está de volta como convidado na HQ Alfa – A Primeira Ordem, projeto criado por Elenildo Lopes.

Elenildo Lopes, idealizador do projeto

Elenildo Lopes, idealizador do projeto

O autor também é responsável pelo álbum Protocolo: A Ordem, lançado no início deste ano (veja nossa crítica aqui), que tem o mérito de resgatar duas dezenas de super-heróis nacionais e apresentá-los aos novos leitores, numa aventura onde todos se reúnem para enfrentar uma ameaça alienígena. O projeto deu tão certo que o público pediu  mais e nasceu Alfa: A Primeira Ordem, trazendo uma continuação da trama.

Imagem teaser da HQ Alfa - A Primeira Ordem

Imagem teaser da HQ Alfa – A Primeira Ordem

A revista em quadrinhos deve iniciar em breve a busca pelo financiamento coletivo no site Catarse, a exemplo do que aconteceu com Protocolo: A Ordem. A previsão de lançamento é para 2017, mas Lopes já trabalha a todo vapor na divulgação do projeto, antes de iniciar a coleta de doações. Para isso, investe na inclusão de heróis de peso como o Capitão 7, primeiro super-herói nacional, e também Raio Negro e Homem-Lua, personagens pioneiros nos quadrinhos brasileiros, ambos criados por Gedeone Malagola – que também roteirizou HQs do próprio Capitão 7.

Herói surgiu na TV e depois foi para as HQs (e não o inverso)

Herói surgiu na TV e depois foi para as HQs (e não o inverso)

O Capitão 7 foi criado em 1954 e, curiosamente, não surgiu nos quadrinhos, mas sim num programa de televisão, exibido pela Rede Record, canal 7 de São Paulo (de onde vem o número do herói). Na ocasião, a televisão no Brasil estava nascendo e a emissora idealizou um programa infantil com o personagem, criado pelo cantor de rádio e campeão de boxe Ayres de Campos. O herói era uma mistura de Superman, Flash Gordon e Capitão Marvel e foi personificado na TV pelo próprio Campos, no programa que teve muito sucesso e permaneceu 12 anos no ar, chegando a atingir 92% de audiência.

Capitão 7 também foi marca de roupas infantis

Capitão 7 também foi marca de roupas infantis

Em 1959, virou uma revista em quadrinhos, publicada pela Editora Continental e durou cerca de 60 edições. Com o término do seriado, o herói virou marca de uma fábrica de fantasias infantis na década de 1960. Com o tempo, perdeu sua popularidade, mas nunca caiu em total esquecimento. Em 2003, o criador do personagem morreu e os direitos autorais foram licenciados raríssimas vezes – a última delas foi em 2006, para a revista Triplik, publicação oficial das marcas de roupas infantis Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre, escrita e desenhada por Danyael Lopes.

Raio Negro e Homem-Lua também participarão da história.

Raio Negro e Homem-Lua também participarão da história.

Agora, Lopes fez um acordo com a família de Ayres de Campos e conseguiu a licença para utilizar o Capitão 7 em Alfa. O mesmo aconteceu com o herói Raio Negro e Homem-Lua, que também estarão presentes na HQ e foram fruto de contatos com os familiares de Malagola. Alfa – A Primeira Ordem reúne os maiores e mais clássicos super-heróis brasileiros atuando em conjunto numa saga cósmica que dá continuidade à trama de Protocolo: A Ordem, onde os heróis se reuniram para conter uma invasão espacial.

Campeão da diversidade: o atleta gay Velox

Campeão da diversidade: o atleta gay Velox

Além de Alfa, Lopes também investe em outros projetos, mostrando um fôlego incomum para criar novos heróis num mercado que dá pouco espaço para a produção de quadrinhos nacionais. Criador do Capitão R.E.D., cuja HQ foi lançada com recursos próprios em 2012, o roteirista também anunciou o lançamento de Velox, o primeiro super-herói homossexual brasileiro a estrelar histórias solo, numa revista que está em produção, ainda sem data para estrear.

Excalibur é novo herói nacional

Excalibur é novo herói nacional

Como se não bastasse, Lopes também vem lotando as redes sociais com imagens e pistas de outro personagem inédito, o semideus Excalibur. O herói mistura mitologias gregas, nórdicas e lendas inglesas. “Eu criei o personagem baseado na grande paixão que tenho por espadas, em especial a lendária Excalibur, bem como meu fascínio pelas mitologias grega e nórdica”, afirma Lopes. O verdadeiro nome do herói é Polo, um típico mau caráter, beberrão, briguento e mulherengo, que só se interessa por dinheiro até descobrir que é descendente do deus Uno e que seu destino esconde algo muito maior do que ele imaginou.

Teaser mostra galeria de heróis nacionais.

Teaser mostra galeria de heróis nacionais.

Por ser um semideus, Polo é dotado de grande força e resistência e tem uma forte ligação com cavalos além de grande habilidade no manuseio de armas. Entre seus acessórios estão um arco, escudo e a espada mística Excalibur, de onde vem seu nome. Segundo o autor, o herói fará sua estreia de uma forma bem inusitada na revista Velox 1, protagonizando o primeiro encontro entre super-heróis do selo MeuHerói, também criado pelo incansável Lopes. No que depender do autor, muitas surpresas ainda estão reservadas ao fã de quadrinhos nacionais.

Festival Guia dos Quadrinhos inicia venda de ingressos

blog-abreO Festival Guia dos Quadrinhos (antigo Mercado de Pulgas) chega à sua 11ª. edição em 2017 como um dos mais importantes eventos da área de quadrinhos do Brasil. Mais do que um evento de compra e venda de HQs, o FGDQ é um encontro de amigos e colecionadores que se reúnem para conversar sobre suas paixões e trocar experiências, ampliando o círculo de amizades.

Encontro de amigos

Encontro de amigos

A organização já está a todo vapor para o Festival de 2017, que acontecerá nos dias 8 e 9 de abril, no Clube Homs (Av. Paulista, 735 – Bela Vista – SP). Desde o dia 7/11, o primeiro lote de ingressos já está disponível para compra por meio do site oficial do evento. Os ingressos serão vendidos em três lotes, sendo que os preços do primeiro lote estão abaixo dos praticados em 2016. Confira os valores da meia-entrada:

– Ingresso individual (Válido para apenas um dos dois dias do evento): R$ 17,00

– Ingresso duplo (válido para os dois dias): R$ 30,00

– Crianças até 10 anos não pagam.

Ao adquirir seus ingressos pelo site, o comprador terá 43% de desconto em relação ao preço praticado no dia do Festival. Na compra de ingressos para os dois dias, você economiza ainda mais, ganhando 50% em relação ao preço cheio. A organização optou por estender o desconto de meia-entrada a todas as pessoas que comprarem antecipado.  Além disso, ainda garante um brinde especial: uma coleção de cards que serão distribuídos gratuitamente no dia do evento.

Cards fizeram sucesso em 2016

Cards fizeram sucesso em 2016

Os cards – que trazem capas de revistas em quadrinhos importantes do mercado brasileiro com informações sobre a publicação – fez um grande sucesso na edição de 2016 e continua a coleção com novas capas. “Antecipe sua compras e garanta já o seu ingresso para não perder o evento nem ficar com sua coleção de cards incompleta”, diz Edson Diogo, organizador e responsável pelo Festival e pelo site Guia dos Quadrinhos.

Amigos se encontram para bater papo e trocar experiências.

Amigos se encontram para bater papo e trocar experiências.

O Festival Guia dos Quadrinhos tem como diferencial o fato de ser um grande encontro de amigos que compartilham de uma mesma paixão: o ato de colecionar quadrinhos, action figures e outros objetos de cultura pop. Nas redes sociais, o grupo utiliza a hashtag #somostodoscolecionadores como uma forma de identificar essa paixão e, assim, ampliar o círculo de amizades e novos contatos.

Campanha pelas redes sociais

Campanha pelas redes sociais

Serviço:

Festival Guia dos Quadrinhos 2017
Data: 8 e 9 de abril de 2017
Horário: das 10h às 21 (dia 8) e das 10 às 19h (dia 9)
Local: Clube Homs – Av. Paulista, 735 – Bela Vista – SP. (estação Brigadeiro do metrô)
Ingressos: através do link http://www.fgdq.com.br/ingressos

 

Novo Universo Marvel comemora 30 anos

blog-abreEntre outubro e novembro de 1986, a Marvel lançou um novo projeto em comemoração aos seus 25 anos – contados a partir da publicação da revista Fantastic Four 1 (1961), título que inaugurou oficialmente a Era Marvel. Anos depois, adotou-se como aniversário oficial da editora, o lançamento da revista Marvel Comics 1 (1939). A ideia consistia em uma nova leva de super-heróis, desvinculados do universo em que viviam o Homem-Aranha, Capitão América e companhia, com uma temática mais realista.

Anúncio da época mostrava o Evento Branco como catalizador dos novos heróis.

Anúncio da época mostrava o Evento Branco como catalizador dos novos heróis.

Jim Shooter, o editor-chefe da Marvel na época, ficou encarregado da criação desse “novo universo Marvel”, que resultou em oito novos títulos interligados por um fato em comum, o chamado Evento Branco. Trata-se de um fenômeno cósmico que despertou os superpoderes em uma parcela da população do planeta – ideia que foi adaptada, anos mais tarde, na série de televisão Heroes (2006-2010). Para diferenciar os novos títulos do universo tradicional, as capas traziam uma borda preta com a inscrição Novo Universo, além de um selo mostrando a Terra atingida pelo Evento Branco.

Novo Universo começou marcado por uma estrela.

Novo Universo começou marcado por uma estrela.

O primeiro título a ser lançado foi Star Brand, em outubro de 1986, seguida por Spitfire and the Troubleshooters (que passou a se chamar Codename: Spitfire a partir da edição 10). No mês seguinte, chegaram os outros seis títulos: Psi Force, Justice, Mark Hazzard: Merc, Kickers, Inc., Nightmask e D.P. 7. Como toda novidade, o Novo Universo foi um sucesso… mas só nos primeiros meses. Os leitores logo cansaram daquele universo desvinculado do tradicional e os roteiros pouco criativos, com um realismo que amarrava as tramas. Além disso, problemas internos na editora, como a saída de Jim Shooter e sua substituição por Tom DeFalco, provocou uma mudança na linha editorial que não conseguiu segurar os títulos.

P.N. 7 lembravam os X-Men e tiveram vida mais longa.

P.N. 7 lembravam os X-Men e tiveram vida mais longa.

Como resultado, metade das revistas foram canceladas um ano depois: Kickers, Inc., Mark Hazzard: Merc e Nightmask encerraram na edição 12, enquanto que Spitfire foi até a edição 13. Pouco depois, Star Brand também chegou ao fim com a edição 19. Apenas Psi-Force, Justice e D.P. 7 tiveram uma vida mais longa, com 32 edições mensais, talvez por serem títulos mais “super-herói” do que os outros. Antes do cancelamento definitivo da linha, a Marvel ainda lançou algumas minisséries e edições especiais como Marvel Graphic Novel: The Pitt (1987), The Draft (1988), The War (1989) e Untold Tales of the New Universe (2006), minissérie criada para celebrar os 20 anos do lançamento do Novo Universo.

Crossover entre o Novo Universo e o Universo Marvel tradicional

Crossover entre o Novo Universo e o Universo Marvel tradicional

Como alguns personagens caíram no gosto dos leitores, a Marvel criou um crossover com o personagem cósmico Quasar, que acidentalmente vai parar no Novo Universo e usa a Marca da Estrela para voltar ao nosso universo. Porém, ele causa um evento que se resolve na saga Starblast (inédita no Brasil) com repercussões nas revistas do Quarteto Fantástico, Namor, Defensores além do próprio Quasar. Justice também apareceu na revista Homem-Aranha 2099, sendo apresentado como o Profeta da Rede.

Não é só a DC que faz reboots...

Não é só a DC que faz reboots…

Em 2007, o roteirsta Warren Ellis reimaginou o Novo Universo na minissérie em seis edições New Universal, que trouxe novas origens para os personagens. Oficialmente, a minissérie foi considerada como uma realidade paralela, mas esses conceitos foram retomados em 2013 pelo roteirista Jonathan Hickman, que inseriu os personagens Estigma e Máscara Noturna no universo Marvel tradicional. Na série dos Vingadores da fase Nova Marvel, os dois heróis ingressam na superequipe e ajudam na batalha contra o vilão Ex-Nihilo. Até o momento, os outros personagens do Novo Universo continuam na geladeira e não há informações se também serão incorporados ao universo tradicional.

Estigma e Máscara Noturna são inseridos em definitivo no Universo Marvel tradicional

Estigma e Máscara Noturna são inseridos em definitivo no Universo Marvel tradicional

No Brasil, o Novo Universo foi publicado em apenas duas revistas mensais: Força Psi e Justice. A primeira foi lançada em 24 de julho de 1987 e trazia um mix formado pelos títulos Força Psi, Estigma, a Marca da Estrela, Trovão e Máscara Noturna. No dia 5 de agosto de 1987, chegava às bancas Justice, que dividia suas aventuras com Merc, o Mercenário, Torpedos e P.N. 7. As duas revistas foram canceladas na edição 12, com grande parte do material americano permanecendo inédito. Estigma, o preferido dos leitores brasileiros, migrou para a revista Superaventuras Marvel anos depois e foi publicado até o final (apenas as edições 9 e 10 permanecem inéditas).

No Brasil, os dois títulos do Novo Universo, com 12 edições cada.

No Brasil, os dois títulos do Novo Universo, com 12 edições cada.

A seguir, um resumo de todos os títulos do Novo Universo Marvel:

Uma tatuagem é a arma mais poderosa do Universo. Morra de inveja, Lanterna Verde.

Uma tatuagem é a arma mais poderosa do Universo. Morra de inveja, Lanterna Verde.

Estigma, a marca da Estrela (Star Brand): A revista era protagonizada pelo jovem Kenneth Connell, que recebeu de um extraterrestre chamado apenas de “o Velho” uma tatuagem no formato de uma estrela que lhe conferia poderes extraordinários. Essa tatuagem era a arma mais poderosa do universo e podia ser transferida, segundo a vontade de seu portador. Com isso, Ken (e a Terra) se tornou um alvo para outros aliens, que desejavam roubar dele a marca da estrela.

Homem de Ferro versão feminina. E a Riri Willians achando que era pioneira...

Homem de Ferro versão feminina. E a Riri Willians achando que era pioneira…

Trovão (Spitfire and the Troubleshooters): Era uma espécie de Homem de Ferro com uma ajudantes adolescentes. Na verdade, uma mulher de ferro, já que a usuária da armadura MAX (sigla para Man Amplified eXperimental Armor, ou Módulo Amplificador Experimental, em português) era a professora Jennifer Swensen. A armadura foi desenvolvida pelo pai de Jenny para revolucionar o mercado da construção, mas atraiu a atenção de militares que desejavam utilizar o artefato para fins bélicos. Com isso, Jenny rouba a armadura e, com a ajuda de um grupo de alunos gênios chamados de Milagrosos (Theresa Roberts, Eduardo Giotti, Tim Ferris, Eric Chin e Andrew Meadows) passa a usar o protótipo para vingar a morte do pai e combater o mal.

Pela união de seus poderes, eu sou... o Falcão Psi!

Pela união de seus poderes, eu sou… o Falcão Psi!

Força Psi (Psi-Force): Cinco jovens descobrem com poderes paranormais passam a fugir de pessoas que desejam explorar esses poderes para fins egoístas e são protegidos por um agente indígena chamado Emmet Proudhawk, também um paranormal telecinético. Quando Emmet morre, após um confronto psíquico, os jovens – Wayne Tucker, com poderes telepáticos; Kathy Ling, uma telecinética; Tyrone Jesup, capaz de projetar uma forma astral; Michael Crawley, com o poder de explodir coisas com a mente; e Anastasia Inyushin, com habilidade para cura – se reúnem ao redor do medalhão de seu mentor e libertam o Falcão Psi, uma forma mística dotada da união dos cinco poderes, num conceito bem parecido com o desenho Capitão Planeta, que foi lançado anos depois.

Fazendo justiça com as próprias mãos... literalmente!

Fazendo justiça com as próprias mãos… literalmente!

Justice (Justice): John Tensen é um guerreiro de outra dimensão, com poder de enxergar a aura das pessoas e, com isso, fazer justiça e proteger os inocentes. Para isso, ele usa a “espada”, um poder energético gerado pela sua mão direita e o “escudo”, gerado pela sua mão esquerda. Sem memória, John surge em nosso mundo e, lembrando apenas de seus conceitos de bem e mal, se torna um justiceiro em busca de sua identidade.

Mutantes, não! Paranormais!

Mutantes, não! Paranormais!

P. N. 7 (D. P. 7): Sete pessoas com estranhas habilidades procuram uma clínica especializada em paranormais a fim de encontrar uma cura ou uma forma de controlar esses poderes, mas o que encontram são uma organização interessada em dominar essas habilidades e evitar o surgimento de novos paranormais. Assim, os sete se tornam um grupo de fugitivos e párias da sociedade. A equipe é formada por David Landers (Montanha, um homem de grande estatura e força sobre-humana), Randall O’Brien (Anticorpo, jovem capaz de liberar um espectro eletromagnético de seu corpo), Stephanie Harrington (Brilho, capaz de aliviar a dor e a tensão e curar pequenos ferimentos), Lenore Fenzl (Crepuscular, capaz de emitir radiação de seu corpo que provoca desmaios em quem está ao redor), Denis Cusinski (Scuzz, com a habilidade de desintegrar tudo o que toca), Charlotte Beck (Fricção, capaz de modificar a superfície dos objetos, eliminando o atrito ou tornando-os aderentes) e Jeffrey Walters (Vulto, dotado de supervelocidade).

Só para os fãs de esporte.

Só para os fãs de esporte.

Torpedos (Kickers, Inc.): o astro do futebol americano Jack Magniconte adquire força sobre-humana após os Evento Branco e tem seus dons despertados ao se submeter a uma máquina inventada por seu irmão mais velho Steve,  com o objetivo de aumentar a massa muscular. Com isso, o Senhor Magnífico, como era conhecido no campo, passou a ter uma vantagem sobre os outros jogadores, o que provocou sua saída do futebol. Quando Steve foi assassinado porque Jack se recusou a jogar no Superbowl, o astro se uniu a seus parceiros de time e, juntamente com sua empresária Darlene, formou a equipe dos Torpedos, para investigar casos incomuns e ajudar outras pessoas.

Justiceiro versão Novo Universo

Justiceiro + Nick Fury + Luke Cage = Merc

Merc, o Cão de Guerra (Mark Hazzard: Merc): Veterano da Guerra do Vietnã, Mark Hazzard é um ex-militar solitário e renegado, que usa suas habilidades aprendidas na guerra para ganhar dinheiro, oferecendo seus serviços a quem pagar melhor, desde que ele acredite na causa.

Freddy Krueger que se cuide!

Freddy Krueger que se cuide!

Máscara Noturna (Nighmask): Após o Evento Branco, o jovem Keith Remsen desperta de um coma e descobre ter a habilidade de entrar no sonho das pessoas e interagir com elas por ali. Assim, o psicoterapeuta Keith tornou-se o herói Máscara Noturna e passou a usar seus poderes para resolver os problemas de seus pacientes penetrando em seus sonhos. O problema é que o que acontece a Keith no mundo onírico se reflete em sua vida real. Assim, o herói precisa lidar com os perigos dessa dimensão da psique humana e continuar vivo para voltar à realidade.

 

Crítica (em vídeo): Doutor Estranho (Spoilers leves)

blog-abreEstreia dia 2 de novembro (a estreia foi antecipada em um dia para aproveitar o feriado de Finados) Doutor Estranho (Doctor Strange, 2016), novo filme da Marvel Studios, que dá continuidade à Fase 3 da Marvel (e não 4, como citado no vídeo. Mea culpa…) e abre caminho para um aspecto ainda inexplorado no universo cinemático da Marvel,: o mundo da magia e do sobrenatural.

Visual das HQs é reproduzido na telona. Não deixe de tomar seu remédio contra labirintite.

Visual das HQs é reproduzido na telona. Não deixe de tomar seu remédio contra labirintite.

Doutor Estranho é um dos primeiros personagens da Marvel, criado por Stan Lee e Steve Ditko (os mesmos criadores do Homem-Aranha) em 1963, mas ainda é pouco conhecido do público em geral. Por isso, o filme não deixa de ser uma proposta arriscada, ao mesmo tempo que insere o personagem no contexto dos outros filmes, intercalando as tramas e os heróis, como é de praxe nas produções da empresa. A convite da Marvel, participamos da cabine de imprensa do filme e trazemos nossas impressões no vídeo abaixo.

Pelos escudos de Serafim, os spoilers não passarão neste post!

Pelos escudos de Serafim, os spoilers não passarão neste post!

Antes, cabe um alerta: nossas críticas sempre evitam spoilers e esta não é diferente. Não revelamos nenhuma informação relevante da trama, mas alguns detalhes são citados na contextualização de certos conceitos, o que pode desagradar aqueles que querem entrar no cinema sem saber de nada. Tais informações foram dadas na crítica para esclarecer o público não familiarizado com as aventuras do herói, mas pode ser considerado “spoiler leve” pelos leitores tradicionais. Esses dados não foram citados por má fé, mas para seguir uma linha de raciocínio e fazer o espectador ficar atento a determinada cena.

Cotação: blog-cotacaoestranho

Saído do Forno: Planeta DeAgostini lança Arquivos Marvel

blog-abrePrepare o bolso e separe um espaço na sua estante, prezado fã de quadrinhos. A Planeta DeAgostini traz ao Brasil uma nova coleção chamada Arquivos Marvel, cujos primeiros exemplares já estão à venda nos tradicionais “mercados-teste”. A coleção segue o mesmo esquema das que se encontram atualmente em bancas: são volumes quinzenais, capa dura, lombada com desenho que se forma conforme os fascículos vão se alinhando. Uma diferença é que, segundo a imagem que abre este post e acompanhando o desenho da lombada, serão 75 fascículos – e não 60, como as atuais.

Coleção da Planeta DeAgostini traz informações detalhadas dos heróis Marvel.

Coleção da Planeta DeAgostini traz informações detalhadas dos heróis Marvel.

Cada edição trará informações de determinado super-herói, contando detalhes de sua origem, primeira aparição, personagens coadjuvantes, maiores inimigos, apetrechos utilizados, mapas de localidades relacionadas ao herói, infográficos e muito mais. os fascículos são separados por logotipos, que identificam a categoria ao qual o herói pertence. São sete: Homem-Aranha, Vingadores, Quarteto Fantástico, X-Men, Paladinos Marvel, Universo Cósmico e Editora Marvel.

Tamanho maior, em comparação com a coleção da Salvat.

Tamanho maior, em comparação com a coleção da Salvat.

A obra tem um tamanho maior do que o normal nas atuais publicações do gênero (22,5 cm X 29 cm) e é ricamente ilustrado em 80 páginas (incluindo a capa). Um detalhe importante é que todas as informações descritas no texto, possuem uma referência na última página, mostrando em qual edição o fato aconteceu e em que revista foi publicada no Brasil, servindo como uma obra de referência para pesquisas.

Marvel Fact Files - coleção britânica vinha com miniatura.

Marvel Fact Files – coleção britânica vinha com miniatura.

Outro fato que vale destacar é que o material é tradução da coleção britânica Marvel Fact Files (veja detalhes aqui), mas a versão brasileira é bem mais organizada. Lá fora, os fascículos traziam uma miniatura dos personagens, algo que não haverá na versão nacional, mas em compensação, cada edição tinha apenas 28 páginas sendo que elas eram divididas pelos sete temas no mesmo número. Ou seja: todo fascículo trazia informações de todas as categorias, fazendo com que os dados ficassem dispersos e desorganizados.

Informações detalhadas sobre personagens e tudo relacionado a eles.

Informações detalhadas sobre personagens e tudo relacionado a eles.

A coleção brasileira coloca ordem na bagunça e, cada volume traz um mesmo personagem e tudo que diz respeito a ele. O primeiro fascículo é do Homem-Aranha e custa R$ 9,99. O volume 2 trará os Vingadores ao preço de R$ 19,99. O terceiro número provavelmente será focado no Homem de Ferro e terá o preço de R$ 34,99. É uma coleção diferente por ser uma obra informativa para consulta e não de histórias em quadrinhos. Ideal para quem que conhecer bastidores de criação e ter descobrir nerdices sobre como funciona o lançador de teias do Homem-Aranha ou o ver como é o Edifício Baxter, lar do Quarteto Fantástico, por dentro.

Informações separadas por categorias de heróis, identificados pelos logotipos.

Informações separadas por categorias de heróis, identificados pelos logotipos.

Ser fã de quadrinhos de super-herói nunca foi tão bom como  atualmente, com lançamentos para todos os gostos e em todas as áreas. Pena que, com tantas coleções sendo lançadas simultaneamente, fica um rombo no orçamento e impede que se colecione todas elas, principalmente considerando o preço elevado de cada uma. Não é fácil ser nerd… A seguir, a provável ordem de publicação dos primeiros fascículos (esta ordem e os títulos podem sofrer alterações pela editora):

1- Homem-Aranha – Vol. 1
2 – Vingadores – Vol. 1
3 – Homem de Ferro – Vol. 1
4 – Thor – Vol. 1
5 – Capitão América – Vol. 1
6 – Guardiões da Galáxia – Vol. 1
7 – Hulk – Vol. 1
8 – Wolverine – Vol. 1
9 – Demolidor – Vol. 1
10 – Vingadores – Vol. 2
11 – Quarteto Fantástico – Vol. 1
12 – X-Men – Vol. 1
13 – Homem-Aranha – Vol. 2
14 – Doutor Estranho – Vol. 1

Ei, roubaram a sessão "guarda-roupa" do nosso blox!

Ei, roubaram a sessão “guarda-roupa” do nosso blox!

15 – Paladinos Marvel – Vol. 1
16 – Demolidor – Vol. 2
17 – Dimensão Cósmica – Vol. 1
18 – X-Men Originais – Vol. 1
19 – Vingadores – Vol. 3
20 – Quarteto Fantástico – Vol. 2
21 – Vingadores – Vol. 4
22 – Homem-Aranha – Vol. 3
23 – X-Men – Vol. 2
24 – Quarteto Fantástico – Vol. 3
25 – Universo Marvel – Vol. 2
26 – Vingadores – Vol. 5
27 – Demolidor – Vol. 3
28 – Quarteto Fantástico – Vol. 4
29 – Homem-Aranha – Vol. 4

Vilões também são destaque na coleção

Vilões também são destaque na coleção

30 – X-Men – Vol. 3
31 – Thor – Vol. 2
32 – Paladinos Marvel – Vol. 2
33 – S.H.I.E.L.D. – Vol. 1
34 – Homem-Aranha – Vol. 5
35 – Quarteto Fantástico – Vol. 5
36 – X-Men – Vol. 4
37 – Dimensão Cósmica – Vol. 2
38 – X-Men Originais – Vol. 2
39 – Vingadores – Vol. 6
40 – Quarteto Fantástico – Vol. 6
41 – X-Men – Vol. 5
42 – Realidades Alternativas Marvel – Vol. 1
43 – Criadores da Marvel – Vol 1
44 – Quadrinhos Clássicos – Vol. 1

Infográfico traz a ordem cronológica dos fatos.

Infográfico traz a ordem cronológica dos fatos.

(A partir daqui, os títulos se repetem na mesma sequência, o que pode significar que a imagem é apenas ilustrativa e não representa a real sequência dos livros). Ainda não há previsão de quando a coleção será lançada oficialmente.