Leituras da Semana – Dezembro (2)

Na segunda semana de dezembro, tivemos lançamentos bem interessantes, com destaque para a bem produzida Alfa – A Primeira Ordem, lançamento bastante aguardado pelos fãs de quadrinhos nacionais. Outro personagem brasileiro, Lorde Kramus, foi adquirido no evento de lançamento da revista Alfa e se mostrou uma boa surpresa.

Heróis brazucas unidos!

Alfa – A Primeira Ordem – Parte 1 (dez/2017) – Veja a resenha completa deste título clicando aqui.

Os párias dos super-heróis

Coleção Super-Heróis – Vol. 5 – Hulk & Aquaman (nov/2017) – O quinto volume da Coleção Super-Heróis traz uma dupla bem interessante que, aparentemente, não tem nada a ver um herói com o outro, mas conforme seus perfis vão sendo desvendados, o leitor descobre que ambos são párias, rejeitados por seu povo e até mesmo relegados a um segundo plano nas equipes às quais fazem parte. O livro traz um completo dossiê do Golias Verde e outro do Rei dos Mares, com muitas curiosidades de suas criações, histórias importantes em suas carreiras e momentos mais marcantes. O Aquaman, inclusive, é a primeira vez que tem um dossiê exclusivo (na revista Mundo dos Super-Heróis, ele já teve matérias aleatórias).

Começa o quebra-pau

Guerra Civil II 3 (nov/2017) – A situação entre o Homem de Ferro e a Capitã Marvel se torna insustentável e o primeiro quebra pau entre a comunidade super-heroica acontece. Diferente da primeira Guerra Civil, os X-Men assumem um lado, bem como os Inumanos. Esta é a edição com os momentos mais empolgantes desde que a minissérie começou, mas isso não é, necessariamente, algo bom. Em comparação com a primeira Guerra Civil, tudo parece meio superficial, tornando fácil definir o lado correto. Se antes tanto o Capitão América quanto o Homem de Ferro tinham motivações que colocavam até o leitor dividido sobre quem estava certo, desta vez, a impressão é que o próprio roteirista já conduz a trama para um único lado. Vamos ver como isso terminará – mas, aparentemente, o vencedor já está definido.

Termina o Ano Um.

Mulher-Maravilha 8 (nov/2017) – O arco Ano Um chega ao final, com a batalha da Princesa Amazona contra Ares, o deus da guerra e o reconhecimento mundial da heroína. Ao mesmo tempo, tem início outro arco, chamado A Verdade, onde a Mulher-Maravilha continua em busca de detalhes sobre sua origem. Esta edição possui uma capa variante com a Trindade da DC – obviamente, destacando a Mulher-Maravilha – feita exclusivamente para a CCXP que é bem mais bacana que a capa oficial da edição.

Álbum antigo, mas ainda pouco conhecido.

Lorde Kramus 1 (2010) – Personagem do gênero espada e magia, criado por Gil Mendes, Lorde Kramus é um nobre da raça Krorher, com aparência demoníaca e pele vermelha, que foi banido por conquistadores de sua terra tão logo nasceu e foi criado entre selvagens. O herói lembra muito as HQs de Conan, o Bárbaro, pelo fato de se passarem numa época perdida, nos primórdios da civilização. A revista, no formato magazine (21cm X 29,5cm) em preto e branco, traz duas aventuras do personagem e foi publicada em 2010, depois de um tempo sendo lançado em fanzines e edições esporádicas. A primeira história mostra Kramus ajudando uma fêmea da raça Goros a combater uma criatura capaz de mudar de forma. A segunda HQ reconta a origem do personagem. Temática interessante, com uma arte bacana. Por se tratar de uma publicação independente, a revista pode ser encontrada diretamente no site da Editora Universo

Edição especial colorida

Lorde Kramus Especial em Cores 1 (2017) – Esta edição especial colorida traz o personagem num crossover com Perseu e Aline, irmãos criados pelo quadrinista Tony Brandão. Ao perseguir um mago em busca de dominar a Era Primordial, Lorde Kramus vem parar em nossa época e se encontra com a dupla de irmãos, unindo-se a eles contra a ameaça mística. Mais uma edição bacana e muito bem produzida pela Editora Universo, que também pode ser encontrada no site, no link acima.

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Saído do Forno: Alfa – A Primeira Ordem

Aconteceu, no dia 2 de Dezembro, o lançamento da HQ nacional Alfa – A Primeira Ordem – Parte 1, publicação financiada pelo Catarse no início deste ano. A revista tem o mérito de reunir mais de 40 super-heróis brasileiros numa única história, apresentando (talvez pela primeira vez para uma parcela do público) personagens que já existem há tanto tempo quanto os super-heróis americanos publicados pelas editoras Marvel e DC, mas que, por falta de divulgação e mercado adequado, são totalmente desconhecidos do público.

O criador da HQ não pára de lançar novidades, apesar do mercado pouco favorável.

O autor do ousado projeto, o jovem Elenildo Lopes, tem mostrado grande dinamismo desde 2007, quando criou o site Meu Herói e começou a divulgar os trabalhos de quadrinistas nacionais. Em 2012, lançou com recursos próprios, a HQ do Capitão R.E.D, personagem criado por ele, inspirado no Capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite (2007). Pouco tempo depois, em 2015, teve o projeto Protocolo: A Ordem financiado pelo Catarse, que trazia  mais de 20 heróis nacionais reunidos na mesma trama. O álbum recebeu o Troféu Ângelo Agostini na categoria de Melhor Lançamento Independente em 2016. Incansável, Lopes já tem engatilhado mais dois projetos: Velox, um super-herói gay; Excalibur, herói baseado na mitologia grega e a Liga Apocalyptica, uma equipe de heróis brazucas.

Os autores da HQ

O novo álbum Alfa – A Primeira Ordem – Parte 1 repete a façanha de reunir uma equipe formada pelos super-heróis brasileiros, mas nada tem a ver com o título anterior. Segundo o autor, ele preferiu criar uma história independente e resgatar também personagens clássicos dos quadrinhos nacionais, como Capitão 7, O Flama, Capitão Gralha, Raio Negro e Homem-Lua. O roteiro ficou a cargo do experiente Gian Danton, com a arte de Marcio Abreu e cores de Vínicius Townsend. A equipe de profissionais possui larga experiência com editoras estrangeiras e dá muito mais peso ao trabalho.

Capitão R.E.D estudando os eventos.

A HQ teve parte de seu custo também financiada pelo Catarse e o restante foi assumido pela Editora Kimera, graças a uma parceria com o criador, que também teve o Capitão R.E.D relançado pela empresa e terá continuidade em sua história, com edições semestrais. Alfa começa com a revelação de que um mal muito antigo está retornando para ameaçar a humanidade, perigo este que já chega assassinando uma personagem, chamando a atenção de outros heróis, especialmente o Capitão R.E.D, que investigava o caso.

Aéris é uma ameaça que causou muitos problemas aos antigos super-heróis brasileiros.

Como uma boa HQ de super-heróis, os personagens se encontram em várias partes do País – e para nós, brasileiros, é bem divertido identificar locais que nos são familiares como a cidade de Niterói (RJ), Chapada Diamantina (BA), Pico da Neblina (AM), entre outros – e, durante as investigações, enfrentam asseclas do vilão principal, Aéris. Tudo apontando para o grande combate final, quando os heróis se unirão para enfrentar Aéris, numa megabatalha.

Excesso de personagens prejudicou a trama.

A trama peca pela falta de ritmo. Na ânsia de apresentar os inúmeros heróis e seus respectivos encontros nos quatro cantos do País, o roteiro ficou picotado e sobrou pouco espaço para o desenvolvimento das ações. Num momento, um grupo de heróis está impedindo uma rebelião de presos em São Paulo, no outro o Capitão R.E.D está em outro extremo do país, com o tempo avançando alguns dias e as repercussões da rebelião, bem como o paradeiro dos heróis ficou no vácuo – só pra citar um exemplo.

Muitos heróis são desconhecidos do público

Além disso, o roteiro supõe um pré-conhecimento do leitor acerca dos personagens, o que é uma faca de dois gumes. Se, por um lado, é possível realizar uma rápida busca na Internet e conhecer um pouco mais sobre a origem de determinado super-herói, por outro, também se deve levar em consideração o desinteresse do público em ter que procurar – reforçando bem o sentido de “obrigação” – algo que deveria estar ali, à mão. Sim, estamos num País com pouco hábito de leitura e quanto mais se puder incluir de informações relevantes na história, tanto melhor para não perder aquele leitor.

Abreu fala sobre sua arte em evento de lançamento em SP

Obviamente, esses problemas não são demérito da HQ (que tem uma linha narrativa muito boa, aliás), mas sim de um mercado que pouco valoriza o produto nacional. Só para exemplificar, quando a Marvel e a DC resolveram fazer um crossover entre os Vingadores e a Liga da Justiça em 2003, todos os personagens já eram conhecidos e nenhuma apresentação foi necessária. No Brasil, fazer um crossover com todos os nossos heróis é um dilema, pois o mercado brasileiro não permite que esses personagens façam parte do nosso imaginário (muitos deles são publicados há muitos anos, mas de forma independente e com tiragem limitadíssima a um seleto público).

HQ foi lançada em SP no dia 2 de dezembro em evento na faculdade Alpha Channel.

Esse problema se fez sentir na trama, que ficou amarrada ao fato de ter que inserir cada um deles na batalha e, em alguns casos, limitá-los a um único quadrinho ao lado de seu logotipo – um recurso visual bem interessante, a propósito. Fora isso, arte de Márcio Abreu são de encher os olhos, com uma boa solução dos quadros e as cores de Townsend valorizando ainda mais o conjunto. A HQ faz valer a confiança dos fãs ao apoiar o projeto no Catarse e resultou numa HQ de qualidade, com seus problemas, sim, mas que, num contexto geral – e considerando o conturbado momento econômico e o mercado de quadrinhos nacional – está num nível bem superior ao esperado – superior, inclusive à premiada HQ que a precede.

Super-heróis clássicos do Brasil.

Uma pena que a HQ termine com um gancho empolgante cuja solução só teremos na segunda edição, que deve demorar mais um ano para chegar às nossas mãos (segundo o autor, um novo projeto de financiamento será lançado em breve para arrecadação de fundos). De qualquer forma, a continuação promete muita ação e a inclusão de novos personagens, incluindo os aguardados heróis clássicos que, neste capítulo, aparecem apenas em flashback. Alfa – A Primeira Ordem – Parte 1 ainda será lançada no Rio de Janeiro, em data e local a confirmar.

Leituras da Semana – Dezembro (1)

Dezembro chegou! No último mês do ano, é tempo de começar a zerar as leituras (Ha! Ha! Vai sonhando! Minha pilha nunca diminui…) para preparar a lista dos melhores do ano. Ainda pegando um restinho de novembro, esta semana reserva poucos títulos, mas bem diversos: um da Marvel, um da DC e um da Disney. Vamos a eles:

Consequências de guerra

Homem de Ferro 11 (nov/2017) – Duas histórias relacionadas com a Guerra Civil II, onde o Homem de Ferro e Capitã Marvel refletem sobre as consequências das duas primeiras tragédias do evento. História com pouca ação e nenhuma ameaça a enfrentar. Só flashbacks e reflexões, mas sempre com os diálogos ágeis de Brian Michael Bendis. No frigir dos ovos, não é uma edição que vá fazer alguma diferença no contexto geral da saga.

Kirby é sempre Kirby.

Lendas do Universo DC – Super Powers Vol. 2 (set/2017) – Aventura dos anos 1970, desenhada pelo “rei” Jack Kirby com um roteiro bem “superamigos”. Darkseid é expulso de Apokolips e decide conquistar outro planeta. Adivinhem aonde ele vem? Óbvio que para a Terra! Para isso, planta sementes em cada canto do planeta, que crescem e suas raízes devem alcançar o centro da Terra. Os heróis se dividem e vão, cada um para um canto, para conter a ameaça. E assim a minissérie foca, cada capítulo, num grupo de personagens até culminar na união de todos e na batalha contra o tirano no último capítulo. Apesar dos clichês e da ingenuidade, é um bom material que coroa o último trabalho de Kirby para a DC Comics e uma bela homenagem ao centenário do criador.

Trapalhadas heroicas

Disney Especial – Os Heróis (nov/2017) – Dezesseis histórias com os super-heróis mais divertidos dos quadrinhos. Tem o Superpato, Superpateta, Morcego Verde, Morcego Vermelho, Superpata e alguns heróis incomuns, como Mickman e Robteta (nem precisa dizer quem são…) ou a dupla Mancha e Roedor. E também tem a batalha do século com Superpato vs. Morcego Vermelho. Diversão garantida.

Leituras da Semana – Novembro (4)

Novembro já está chegando ao fim e, neste último domingo, a fase Renascimento da DC é destaque, com duas boas opções de leitura. A Salvat também tem dois encadernados épicos e os Clássicos do Cinema da Turma da Mônica, como sempre, vêm com uma divertida sátira cinematográfica.

Boa história que peca pelo texto fragmentado.

Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel – Clássicos XXXI – Deathlok: Origem (out/2017) – A primeira vez que li uma história do Deathlok foi na revista Heróis da TV 69 (1985) e achei sensacional o conceito do ciborgue que passa o tempo todo dialogando (discutindo, na verdade) com o computador instalado em seu cérebro. Passados 30 anos, a mesma história foi republicada neste encadernado, acrescida das seguintes, que permaneciam inéditas. Confesso que já não achei tão boa assim: as frases do computador tornam a narrativa bastante fragmentada e quebra o ritmo da história, que é, sim, muito boa. Talvez (precisaria ler novamente para comprovar) o fato de eu ter gostado tanto na época foi por causa de uma atitude totalmente execrável da Editora Abril, de cortar as histórias para adequar o espaço das revistas. Com isso, as três HQs se tornaram uma única história e, o que deveria ser condenável, acabou eliminando muita enrolação e tornando a história mais dinâmica. Quem diria! De modo geral, a trama é interessante e mostra o herói angustiado com sua situação e tentando ser humano. Um conceito interessante que poderia ser melhor se o texto fosse mais ágil.

O ouro de Jim Starlin

Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel – Clássicos XXXIII – Warlock – Parte 2 (nov/2017) – Conheci Adam Warlock na antiga revista da Bloch (Thor 16, 1976), quando ele era conhecido apenas como Ele e enfrentou o Deus do Trovão. Na época, eu era muito criança e não compreendia aquela história. Era só mais um inimigo do Thor e pronto. Sem saber que era o mesmo personagem, tive outro contato com o herói no Superalmanaque do Homem-Aranha 5 (RGE, 1981), quando ele se alia ao Homem-Aranha para enfrentar o Estranho na lua, com a ajuda do Jardineiro (história que está nesta edição). História bacana, mas como Warlock era um coadjuvante, também passou batido. A primeira história solo do personagem li em Heróis da TV 48 (Abril, 1983), que comprei exatamente porque, na ocasião, os personagens da RGE estavam todos migrando para a nova casa. A história do Ladrão de Estrelas era algo tão sensacional que fiquei fascinado pela genialidade da história, do personagem ao roteiro, passando pela arte, tudo ali era perfeito. Este encadernado também traz essa aventura, que resgatou todas essas recordações. A conclusão da saga do Warlock, que culminará com sua morte, na clássica batalha contra Thanos é o suprassumo de Jim Starlin, o auge do escritor, que nos presenteou com muito mais sagas cósmicas, todas excelentes, mas nenhuma com o mesmo nível destas aventuras de Adam Warlock. Que prazer poder ter tudo isso compilado nesta edição!

Pouco papo, muita ação.

Viúva-Negra 2 (set/2017) – A conclusão do título da espiã russa escrito por Mark Waid. O roteirista é sempre sinônimo de boas histórias, mas esta edição é inferior ao primeiro volume. Viúva tenta salvar um grupo de crianças de serem transformadas em armas vivas, a exemplo dela própria. A história tem um ritmo dinâmico e a leitura é bem rápida, com as imagens falando mais do que o texto. É a maneira de Waid contar histórias, sem muitos diálogos, mas com muito conteúdo.

Reino ameaçado

Aquaman 2 (set/2012) – O segundo volume da fase Renascimento do Rei dos Mares continua interessante. Aquaman enfrenta uma criatura praticamente invencível e tem que fazer isso sem a ajuda da Liga da Justiça. Mera tem que provar que é digna de ser rainha da Atlântida, mas uma profecia pode colocar tudo a perder. E o Arraia Negra ameaça o reinado de Aquaman colocando a superfície e a Atlântida em pé de guerra. Edição bem bacana.

Melhorando o “imelhorável”

Clássicos do Cinema Turma da Mônica 58 – Batmenino Vs Super-Home (nov/2017) – É possível consertar um dos piores (senão o pior) filmes de super-heróis dos últimos tempos e transformá-lo numa aventura divertida e coerente? Sim, se for a sátira feita para esta edição de Clássicos do Cinema. A Turma da Mônica encarna os heróis brigões numa hilária HQ que não deixa passar uma única referência do filme: desde o nome Martha, a descaracterização de Lex Luthor e a falta de habilidade dedutiva de Bruce Wayne. As risadas são garantidas!

Personagem alinhado com a série de TV

Flash Vol. 2 (out/2017) – Ainda lidando com as consequências da população que adquiriu poderes de supervelocidade iguais aos seus, o Flash tem que descobrir a identidade do misterioso Deus da Velocidade, que está matando os velocistas. Essa revelação, na conclusão do arco, é surpreendente. Ao mesmo tempo, a edição também traz a relação de Barry Allen com o novo Wally West da realidade Novos 52, que também é um dos que adquirem superpoderes e se torna o Kid Flash. O bacana desta HQ é que ela está bem alinhada com a série de TV do Corredor Escarlate e, quem ler, pode fazer a associação – como, aliás, deve ser feito sempre. Embora sejam mídias diferentes, a pessoa que se interessa pela TV e vai comprar quadrinhos, não pode ver um personagem diferente daquele que ele vê, senão perde o interesse. Dos títulos da fase Renascimento, sem dúvida o do Flash é um que está valendo a pena ler.

O clima está tenso!

Guerra Civil II 2 (out/2017) – O Incrível Hulk sempre teve um papel dúbio no Universo Marvel: ora como aliado dos heróis, ora como antagonista, o fato é que o Verdão sempre foi um problema, devido à sua natureza selvagem e imprevisível. Quando o inumano Ulysses prevê que o Hulk será responsável pela destruição dos Vingadores, a Capitã Marvel e seus aliados se vêem na obrigação de impedi-lo antes que ele o faça… o que se mostra uma atitude não tão eficaz. Não bastasse a morte da edição anterior, esta edição reserva mais uma perda importante. O ritmo da história é bem dinâmico e tenso. Particularmente, estou gostando da minissérie. Resta saber se vai continuar assim ou vai desandar no meio do caminho.

 

Leituras da Semana – Novembro (3)

Chegamos à terceira semana do mês, com um feriadão prolongado, propício para colocar as leituras em dia, pegar um cinema para conferir a estreia da Liga da Justiça ou mesmo ficar em casa, conferindo a série do Justiceiro pela Netflix. Todas essas críticas, você confere aqui no nosso blog (leia a crítica da Liga da Justiça aqui e a da série do Justiceiro aqui). Conforme prometido na última semana, desta vez trazemos a resenha do encadernado do Magneto e outras HQs.

Seja como herói ou como vilão, Magneto inspira respeito.

Magneto – Infame (nov/2017) – Anunciado pela Panini desde março, finalmente chegou às bancas o encadernado do Magneto, que reúne as primeiras histórias do título do vilão lançada em 2014 nos Estados Unidos e publicado por aqui na revista X-Men Extra 15 a 19 (2015). Acostumado a lutar ao lado dos X-Men para defender a raça mutante, Magneto se auto-reprimiu e não é mais o criminoso impiedoso de outrora, mas ele decide retomar o que perdeu e provar ao mundo que ainda deve ser temido. É uma boa história, escrita por Cullen Bunn (responsável por trazer para os quadrinhos a versão atual de Nick Fury e o Agente Coulson) que tem uma trama envolvente e dinâmica, mas nada fora do normal. A arte de Gabriel Hernandez Walta e Javier Fernandez também é bacana e vale a leitura.

Histórias duplas para adiantar a cronologia.

Aranhaverso 16 (set/2017) – Uma edição “adianta-cronologia” com aventura dupla de Gwen-Aranha (bem chatinha) e dos Guerreiros da Teia (divertida), além de continuar com a história do Carnificina (Bleargh!), da Teia de Seda (boa, com a Gata Negra descobrindo a traição da heroína) e do Aranha em início de carreira enfrentando o Dr. Destino (Nhé!). Ficaram de fora desta edição a Mulher-Aranha e o Homem-Aranha 2099, que voltam na edição de outubro (mas que não vou resenhar aqui, porque estou parando a coleção deste título).

O roteiro original de George Lucas que (ainda bem!) não foi filmado.

Star Wars – A Guerra nas Estrelas Vol. 1 e 2 (2015) – Pouca gente sabe, mas antes do Episódio IV estrear no cinema e revolucionar a cultura pop, praticamente inaugurando o “cinema blockbuster”, houve um roteiro anterior da história, com uma trama bem diferente daquela que foi mostrada nas telas. É essa história que é mostrada nos oito capítulos presentes nesses dois encadernados (com o artigo antes do título, para diferenciar do original), onde podemos ver, entre outras coisas, um Han Solo com cara de lagarto, um Darth Vader sem máscara, um Luke Skywalker no auge de seu poder jedi, um R2-D2 falante e um C-3PO com visual saído do filme Metrópolis, de Fritz Lang. Sem contar a trama, que é arrastada e chata pra dedéu. Ainda bem que os estúdios recusaram o roteiro e Lucas o reescreveu. Se essa versão original fosse filmada, teríamos um filme esquecível e não a maior saga espacial do cinema, que perdura até hoje, às vésperas da estreia de um novo filme da franquia. Vale a leitura pela curiosidade e só.  Importante mencionar que esta edição em duas partes está sendo relançada pela Panini em uma única edição com capa dura, neste mês.

Crítica: O Justiceiro

O Justiceiro nunca foi um dos meus personagens preferidos. Aliás, tenho minhas reservas quanto a um herói (ao menos, é esse o conceito das HQs, não? “Quadrinhos de super-heróis”?) que mata impiedosamente e sem reservas. No entanto, é fato que o personagem tem certo charme que conquista o leitor de suas aventuras. Talvez pela sua história trágica, que justifica seus atos, ou pelo fato de fazer justiça a qualquer preço e só atacar bandidos, nunca inocentes (algo que, verdade seja dita, todos nós, pobres mortais, temos vontade às vezes).

Encarnações anteriores não fizeram justiça ao personagem

O fato é que o público gosta do Justiceiro. Motivo pelo qual ele já foi levado três vezes ao cinema – em 1989, na pele de Dolph “He-Man” Lundgreen, num filme que descaracteriza totalmente o personagem (exceto pelo fato dele matar mafiosos); em 2004, interpretado por Thomas Jane (na minha opinião, a melhor caracterização do anti-herói), mas com um roteiro fraco que não emplacou; e, finalmente, em 2008, num longa violento e fiel aos quadrinhos, mas que também não teve grande repercussão – talvez pelo fato do ator Ray Stevenson (o Volstagg, da trilogia de filmes do Thor) pouco lembrar o personagem, embora ele não estivesse ruim no papel.

Justiceiro roubou a cena na segunda temporada de Demolidor.

Quando parecia que a Marvel finalmente tinha desistido de nos empurrar goela abaixo um personagem que pode até ser legal nos quadrinhos, mas pouco tem de apelo no cinema (já temos vários filmes de fuzileiros linha dura que se revoltam e decidem detonar os inimigos. Bruce Willis, Sylvester Stallone, Kurt Russell, Arnold Schwarzenegger e afins que o digam!), a Netflix decide incluí-lo numa participação na segunda temporada da série do Demolidor. Frisson entre os fãs. Veremos o Justiceiro numa série de TV! Agora vai! E foi. A breve, mas marcante participação do anti-herói na pele do ator Jon Bernthal era a deixa que a Marvel precisava para dar um sinal verde para a produção de uma série de TV. No cinema não emplaca, mas uma série, talvez funcione.

Jon Bernthal e sua cara de mau. “I’m Batm… não, pera…”

Não funciona. Feita às pressas, fora da programação original do canal streaming (que não previa nem a segunda temporada do Demolidor, aliás), a série O Justiceiro (The Punisher, 2017) explora o passado de Frank Castle (Bernthal) desde o tempo em que ele atuava como fuzileiro naval ao lado de Billy Russo (Ben Barnes) e Curtis Hoyle (Jason R. Moore). Vale lembrar que a série do Demolidor já mostrou o assassinato de sua família, que o motivou a declarar guerra contra o crime, então era preciso ir além.

Madani e seu parceiro Sam: investigação proibida.

É revelado que Frank cometeu uma atitude pouco louvável no Afeganistão, muito embora ele a tivesse feito seguindo ordens superiores (soldados não discutem, apenas fazem o que lhes mandam, sabe como é.) Isso o coloca na mira da investigadora Dinah Madani (Amber Rose Revah) que vem para Nova York atrás dos responsáveis por tal ato, mas ela é impedida de prosseguir seu objetivo pelo delegado Carson Wolf (C. Thomas Howell), que, ao que tudo indica, tem muito a esconder sobre o caso.

Microchip – ou simplesmente Micro: bons soldados nunca lutam sozinhos.

Nesse meio tempo, Castle elimina todos os responsáveis pela morte de sua família, destrói o equipamento do Justiceiro e tenta levar uma vida normal, sob a identidade de Pete Castiglione, trabalhando numa obra. No entanto, ele é descoberto por um misterioso hacker chamado Micro (Ebon Moss-Bachrach), que o convoca para lutar contra o Sistema, já que ambos perderam suas vidas graças à corrupção no Governo.

O ritmo é semelhante a fazer uma escultura: muitos detalhes e pouco avanço

Esses três parágrafos resumem os três primeiros capítulos da série – que, como de praxe, assistimos para fazer esta crítica – dos treze disponíveis. Ou seja, em três capítulos, não tem muita coisa para dizer, diferente das outras séries da Netflix, onde a trama já estava bem construída e se desenrolando. Em O Justiceiro, o ritmo é lento, muito lento. Imagens em flashback de sua esposa, na cama, acordando-o pela manhã são mostradas a cada 10 minutos. Cenas com os filhos, a cada 15. Se, por um lado, isso é válido, pois mostra a personalidade psicótica do Justiceiro, por outro, se torna maçante, uma vez que não dá espaço para a trama principal.

Curtis (Esq.) e Russo, amigos de Castle. Nos quadrinhos, Russo é o criminoso conhecido como Retalho.

Já sabemos que Castle perdeu sua família e se culpa por isso. Já sabemos que ele se tornou obcecado em acabar com a criminalidade. Vamos andar? Não, vamos dar mais flashbacks para a investigação de Madani (que também caminha a passos lentos. Parece até a Justiça Brasileira resolvendo os casos de corrupção do Governo). Frank visita seu amigo Curtis, cujo único trabalho é pendurar cadeiras após a reunião dos Fuzileiros Neuróticos Anônimos, ou algo do tipo, para falar sobre nada. Também se encontra com Karen Page (Deborah Ann Woll), que veio direto da série do Demolidor, fazendo uma participação quase romântica. Depois disso, Frank descobre a identidade de Micro e passa um episódio inteiro fazendo três ou quatro perguntas (respondidas com mais flashbacks) para virarem amigos ao final e Castle decidir voltar à ativa.

Conferindo se a caveira está bem desenhada.

A série não tem ritmo – ou tem, mas é vagaroso e sonolento. A investigação (que, invariavelmente revela aquilo que já sabemos: o Governo é corrupto e alguém precisa fazer uma limpeza) não tem nenhum elemento intrigante, que nos faça querer saber mais. Bernthal, que estava tão bom no Demolidor, parece ligado no piloto automático: só fazendo cara feia e tendo pesadelos com a esposa. Isso sem mencionar algumas cenas de dar vergonha alheia, como o Justiceiro acertar um tiro a quilômetros de distância e o bandido em pé conseguir ler um nome num documento caído no chão a mais de 10 metros dele. Ok, é ficção, mas sem forçar demais a barra, né?

Estreia do anti-herói: “nasci coadjuvante; deveria continuar coadjuvante”.

Apesar disso, como só vimos três episódios (equivalente a 23% da série), a esperança é que a trama engate (principalmente porque o terceiro capítulo termina com um gancho que indica isso). Caso melhore, faço questão de voltar aqui e retificar a crítica. Mas vale lembrar que uma série que não conquista logo no início, a tendência é que o público não siga até o final. Como disse no início, o Justiceiro nunca foi um dos meus personagens favoritos. Mesmo assim, ainda tenho um pouco de boa vontade para com ele. A Marvel também deveria ter e perceber, de uma vez por todas, que o personagem simplesmente não funciona em live-action. Melhor deixá-lo nos quadrinhos. Seria muito mais justo. 

Cotação: 

Crítica: Liga da Justiça

Quinto filme do “Universo estendido” da DC, o filme Liga da Justiça (Justice League, 2017) estreia amanhã, 16 de novembro, já provocando polêmica e divisão entre os fãs dos personagens. Os trailers exibidos mostravam que os mesmos erros de Batman Vs. Superman (2016) seriam repetidos – cenas escuras, personagens mal desenvolvidos e descaracterizados, câmeras lentas usadas à exaustão, duração excessiva – e os críticos (este que vos escreve, inclusive) não pouparam comentários negativos à produção, já prevendo o baixo nível de qualidade.

Primeiras imagens mostravam cenas escuras e ação forçada.

No entanto, como fã de quadrinhos e dos personagens, é muito bom poder admitir que cometemos um erro. Liga da Justiça é um filme que mostra a salvação da DC no cinema – algo que já começou com Mulher-Maravilha, em junho, mas que tinha na Liga da Justiça a sua esperança definitiva de redenção. Afinal, tratava-se da maior equipe de super-heróis dos quadrinhos, que reúne os maiores ícones da editora, o equivalente aos Vingadores para a Marvel (e sabemos que o primeiro filme dos Vingadores é praticamente uma unanimidade entre os fãs como o melhor filme da Marvel Studios).

Zack Snyder ganhou o reforço de Joss Whedon na produção.

Não dá pra negar que parte do mérito desta qualidade do filme se deve à chegada de Joss Whedon (o diretor dos dois filmes dos Vingadores) à produção. Com a tragédia da morte de sua filha no início do ano, o diretor Zack Snyder se afastou da produção e deixou Whedon em seu lugar para finalizar a edição do longa-metragem. Com isso, o filme ganhou mais leveza e dinamismo, perdendo aquele tom pesado e mal humorado de BvS e aproximando-se mais das histórias em quadrinhos.

Batman reúne a equipe para honrar da morte do Superman.

Claro que a marca de Snyder ainda está lá, principalmente no início, onde a trama é mais sombria – afinal, o mundo ainda está lidando com a morte do Superman, causada pelo Apocalypse no filme anterior. Abalado com a morte do maior herói do planeta, Batman (Ben Affleck) tenta fazer a diferença no combate ao crime, mas a aparição de estranhos alienígenas voadores chamam a atenção do Homem Morcego para uma possível invasão. Assim, ele convoca a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) para buscar os heróis descobertos nos vídeos roubados de Lex Luthor (Jesse Eisenberg) para formar uma equipe.

Lobo da Estepe: de vilão mequetrefe a ameaça invencível.

No entanto, a Princesa Amazona alerta que uma ameaça muito maior se faz presente: o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds), um tirano vindo de outro planeta, que já havia tentado dominar o planeta há 5000 anos mas fora rechaçado pela atuação conjunta das amazonas, atlantes, deuses e outros aliados (atenção a esta cena!), está de volta, em busca de três caixas maternas espalhadas pelo mundo, para retomar seus planos de conquista. Mais poderoso do que nunca, Lobo da Estepe consegue recuperar a primeira caixa em posse das amazonas em Themyscira e parte em busca das outras duas.

Mundo colorido: Superman volta inspirador, heroico, sorridente… e azul brilhante!

Assim, Batman e Diana recrutam Aquaman (Jason Momoa), Flash (Ezra Miller) e Cyborg (Ray Fisher) para honrar o legado do Homem de Aço e impedir o vilão. Em meio a tudo isso, o Superman (Henry Cavill)também volta à vida e se junta ao grupo (um retorno já esperado, mas não vamos dizer como isso acontece para não revelar spoilers. Apenas vamos dizer que a trama difere totalmente dos quadrinhos). O herói retorna muito mais inspirador, sorridente e com uniforme com cores muito mais vivas que o azul e vermelho apagados das produções anteriores. Esse, sim, é o Superman em sua essência (muito embora a interpretação de Cavill ainda deixe a desejar)!

Flash é um bobão… mas tem seus poderes muito bem caracterizados no filme.

A equipe tem um bom entrosamento e o filme tem algumas piadas, a maioria facilmente identificáveis como marca registrada de Joss Whedon, que funcionam dentro do contexto e não são gratuitas nem excessivas – como aconteceu em Thor: Ragnarok. Aliás, o corte de cerca de uma hora de cenas, que indicava que o filme perderia seu ritmo e se tornaria uma colcha de retalhos, nem é sentido (muito embora a mudança de tom nas cenas reescritas e gravadas por Whedon seja explícita). Mesmo o Flash de Ezra Miller, cujas previsões apontavam que seria um fiasco – principalmente com o simpático personagem que acostumamos a ver na série de TV, interpretado por Grant Gustin – se mostrou um personagem bacana. A única coisa que permaneceu foi sua personalidade abobalhada e infantil, quase um Jar Jar Binks velocista.

 

Cyborg é uma grata surpresa no filme, apesar do visual Transformer.

Uma agradável surpresa foi ver a atuação de Cyborg, que se mostrava o estranho no ninho – nem nos quadrinhos, o personagem tem grande relevância – mas teve um bom desenvolvimento e participação fundamental dentro da equipe, com a carga dramática de sua situação muito bem explorada. Já o Aquaman, que parecia ser a grande revelação do longa é um herói apagado, que tem suas cenas importantes e cumpre seu papel nelas, mas só. Não tem qualquer destaque nem nada que mereça ser elogiado.

Aquaman deixou a desejar.

Algumas cenas em CGI ainda deixam a desejar. O Lobo da Estepe está melhor em tela grande do que nos clipes vistos pelo computador, mas deixa uma impressão de personagem mal desenhado. O bigode do Superman, tão comentado nas redes sociais (o ator Henry Cavill filmava Missão Impossível 6 simultaneamente e foi obrigado, por contrato, a manter um bigode), também tem marcas visíveis, mas nem tanto quanto se esperava, de modo que só quem sabe do “acessório” vai perceber a falha.

Falta gente na equipe. Mas já estão por aí…

O roteiro consegue até mesmo suprir a ausência de um “filme de origem” para Aquaman, Flash e Cyborg, de modo que o público conhece suas histórias de forma resumida no decorrer da trama e que, provavelmente, serão melhores exploradas nos longa-metragens vindouros (Aquaman estreia em 2018, enquanto que Cyborg e Flashpoint estão agendados para 2020). Há, sim, um vácuo que se faz sentir, mas o público em geral vai compreender perfeitamente os papéis desses heróis no contexto. O filme não tem muitas referências nerd, mas tem algumas participações que vão agradar os fãs, principalmente nas duas cenas pós-crédito. Não saia do cinema antes, senão vai perder cenas que não são meras piadinhas sem sentido.

Sob as bênçãos de Themis, a deusa grega da Justiça

Enfim, Liga da Justiça é um filme otimista, que tem seus problemas, um clímax pouco inspirado que denota a pressa em encerrar a produção nos 120 minutos exigidos pelo estúdio, mas mesmo assim, aponta que a DC finalmente encontrou o rumo para suas produções. Não é um filme perfeito, mas dentro de tudo que vem sendo mostrado desde 2013, é muito bom poder ver que os maiores heróis dos quadrinhos ganharam um longa-metragem com roteiro definido, ritmo e que não nega suas origens dos quadrinhos. Você não pode salvar o mundo sozinho, mas pelo menos, já pode dormir em paz, sabendo que a Liga da Justiça foi bem representada no cinema.

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