Dica Literária: Almanaque da Música Pop no Cinema

Desde que O Cantor de Jazz (1927) inaugurou o cinema sonoro, música e filme praticamente se tornaram uma coisa só. Antes disso, até, porque os filmes mudos contavam com pianistas ou orquestras tocando ao vivo enquanto as pessoas acompanhavam as projeções. Mas o fato é que a música é tão importante para o cinema que algumas canções nasceram por causa dos filmes. Outras, deram origem a eles. E outras levaram intérpretes ao estrelato. Há filmes que é impossível lembrar sem associá-los às suas canções-tema.

O autor (ao centro, vestido de Marty McFly) e a banda The Soundtrackers

É disso que trata o livro Almanaque da Música Pop no Cinema (Editora Leya/Lua de Papel), escrito pelo apresentador e músico Rodrigo Rodrigues. Como idealizador e guitarrista do grupo The Soundtrackers, Rodrigues interpretava famosas canções de cinema em shows da banda e a experiência o motivou a escrever o livro, compilando o que de melhor a música pop já produziu em associação com a indústria cinematográfica. Começando com Elvis Presley e Beatles até os dias atuais (o livro foi lançado em 2011), a obra traz uma biografia de quase 120 filmes e a lista de suas trilhas sonoras, tudo repleto de curiosidades de bastidores e perfeitamente organizadinho, como um verdadeiro documento sobre o gênero musical e cinematográfico.

Livro traz informações, imagens e curiosidades sobre trilhas marcantes.

O livro não trata das trilhas chamadas Score (apenas instrumentais, tocadas de fundo nas cenas), mas sim das Soundtracks, as músicas cantadas por astros da música pop que misturam filme e trilha de uma tal forma que ninguém consegue mais imaginar um sem o outro. Por exemplo, alguém conseguiria pensar em Titanic (1997) sem vir à cabeça a melosa canção de Celine Dion? Ou Grease (1978), sem se lembrar de John Travolta e Olívia Newton-John rebolando ao som de You’re the One that I Want e Summer Nights? E o que dizer das sempre excelentes trilhas dos filmes de 007, quase tão icônicas quanto o personagem?

Lista completa das músicas de cada filme faz parte da obra.

O Almanaque da Música Pop no Cinema é ricamente ilustrado, com cenas dos filmes, seus respectivos pôsteres e a capa do CD no box que lista todas as músicas constantes do mesmo. Um livro tão gostoso de ler que se torna ainda melhor se, a cada capítulo/filme, o leitor colocar a trilha sonora respectiva ao fundo enquanto descobre as curiosidades e informações a respeito dela. Assim como o filme e sua trilha não se separam, este livro também não é para ser lido em silêncio.

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Visão de Raio X – Scooby Apocalipse

A Panini lançou mais um encadernado com os personagens Hanna-Barbera. Depois de Future Quest (focado na aventura) e Os Flintstones (mais voltado para o humor), chega às bancas Scooby Apocalipse, uma versão adulta dos Caçadores de Mistérios, que pouco lembra a turma atrapalhada e divertida dos desenhos animados. Nesta HQ, a ameaça é real e os personagens têm que matar ou morrer. Com humor, mas muito mais focado no terror, a edição conta como Fred, Daphne, Velma, Salsicha e Scooby se uniram contra uma ameaça comum e os perigos que enfrentam nessa empreitada. Veja nossa análise no vídeo a seguir.

Sequência Favorita 01

Já faz um tempo que venho amadurecendo a ideia de inaugurar esta seção,  destacando aquelas cenas de filmes que mexem com os nossos sentimentos, seja a vibração por uma cena empolgante, o sonho numa cena romântica ou até mesmo as lágrimas por algum momento mais tocante. No final do mês passado criei até mesmo um rascunho para ficar como lembrete e, assim que sobrar um tempo, redigir o texto. Infelizmente, com a notícia da morte de Margot Kidder na tarde de ontem, a seção Sequência Favorita é inaugurada como uma forma de homenagem póstuma. Apesar da triste motivação, o registro é importante, pois esta cena é uma das mais bonitas sequências da história do cinema. 

Making of da sequência de voo

Chamada de “The Flying Sequence” (a sequência de voo), a cena tem cinco minutos e é, para mim, a primeira que me vem à mente quando penso no assunto. Isso acontece por vários motivos: tanto pela fantasia – quem não gostaria de um voo noturno com o Superman? – como pela excelente direção da cena, a leveza do voo e, principalmente, pelo romantismo. A sequência é embalada pelo instrumental da música Can You Read My Mind?, cuja letra foi narrada por Margot Kidder, dando um toque de poesia à cena. Conta-se que Margot deveria cantar a música – que acabou sendo interpretada pela cantora Maureen McGovern – mas os “dotes musicais” da atriz (ou a falta deles, no caso) não ajudaram.

Cena é tão icônica que serviu de inspiração para outras produções e mídias.

Não importa, porque a música declamada ficou perfeita, garantindo uma cena inesquecível. Tão marcante que se repetiu em Superman IV – Em busca da Paz (1987, sem a mesma poesia e encanto), Superman – O Retorno (2006) e até mesmo na HQ que serve de prelúdio ao mesmo filme. Sabendo que a atriz partiu ontem, aos 69 anos, (re) ver esta cena é a justa homenagem do nosso blox a ela que marcou época neste filme tão icônico e, até o momento, a melhor adaptação do Superman para as telonas. Descanse em paz, Margot Kidder. Obrigado por nos fazer sonhar.

Letra da música Can You Read My Mind

Xeretando: Para ler no banheiro

Quem nunca levou uma revista ou jornal para o banheiro naquela hora em que se vai fazer as necessidades – o chamado “número dois” – que atire a primeira pedra. É o melhor momento para relaxar e curtir uma leitura, porque estamos sós e em silêncio (pelo menos, até a mãe começar a bater na porta por conta da demora). Acredite se quiser, mas no ano de 1979, a Marvel teve uma ideia bem inusitada: colocar uma HQ curta do Homem-Aranha e do Hulk em rolos de papel higiênico.

A cólica foi forte e não deu tempo de pegar algo pra ler? A Marvel resolveu seu problema.

Não, não estamos falando da embalagem. A HQ estava no papel mesmo. O próprio, que você usa para funções nada simpáticas, principalmente considerando o destino do trabalho artístico de algum roteirista e desenhista (no caso, Jim Salicrup e Michael Higgins, que não devem ter se sentido nada à vontade com a utilidade de seu trabalho). De qualquer forma, eram outros tempos e a Marvel talvez quisesse tornar uma atividade tão solitária, e por vezes desagradável, num momento descontraído.

Cada rolo vinha embalado numa caixinha bem legal!

Uma jogada de marketing bem interessante, mas que nunca mais se repetiu, por motivos óbvios. Aliás, nem temos informações de como essa iniciativa repercutiu mercadologicamente e se o papel higiênico cultural foi líder em vendas. Mas vale dizer que a história, que mostrava o Aranha aliado ao Hulk para combater o Líder, que decide roubar um equipamento numa exposição de ciências. Esta HQ está disponibilizada abaixo, em nossa galeria, para você ler e se divertir. Pode ler no banheiro utilizando seu tablet, notebook ou celular, mas desta vez, não vai dar pra usar.

Crítica: Cobra Kai – a série do Karatê Kid

Já estreou no YouTube Red, canal streaming do site de vídeos, a nova série Cobra Kai, que traz de volta, após mais de 30 anos, a dupla Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (Willian Zabka), os protagonistas rivais do clássico Karatê Kid – A Hora da Verdade (1984). Quando os dois atores se juntaram e anunciaram o revival da parceria, uma onda de nostalgia tomou conta dos fãs do longa-metragem, ansiosos pelo retorno dos personagens.

A vida não foi muito generosa com Johnny

Os dez episódios já estão disponíveis no YouTube, com legendas em português. O primeiro episódio, Ace Degenerate (Campeão Degenerado em tradução livre) se passa 30 anos após o torneio de karatê, no qual Johnny foi derrotado por Daniel. De lá para cá, o rapaz passou a levar uma vida totalmente degradante, trabalhando como uma espécie de “marido de aluguel”, fazendo trabalhos como consertar encanamentos e instalar suportes de TV para madames.

Os rivais se reencontram… e a faísca reacende.

LaRusso, por sua vez, se tornou um bem sucedido empresário do ramo automobilístico, com filiais de sua loja por todo canto e propagandas constantes na TV, para suplício de Johnny, que não esqueceu a humilhante derrota nas mãos do rival (mostrada em flashbacks). O destino faz com que o caminho dos dois torne a se cruzar: um acidente provocado por Samantha LaRusso, a filha de Daniel (Mary Mouser), reacende a mágoa no coração de Johnny, que decide seguir o conselho de seu vizinho Miguel (Xolo Maridueña) e reabrir a escola Cobra Kai para ensiná-lo a lutar, usando a mesma filosofia de seu antigo sensei: “Ataque primeiro, ataque com força, sem piedade”.

Miguel vai aprender karatê no método errado.

Produzida pelos próprios Zabka e Macchio, a série promete colocar os dois rivais frente a frente e, segundo divulgado, mostrar que o vilão da história era Daniel e não Johnny. Ao mesmo tempo, a vida de Miguel e Sam também deve se cruzar e causar muitos problemas. O primeiro episódio é focado na vida de Johnny e o segundo inverte a posição e mostra os fatos sob o ponto de vista de Daniel. Cada episódio tem cerca de 30 minutos e as cenas em flashback ajudam o espectador a entender as motivações de Johnny, tornando desnecessário o conhecimento prévio do longa-metragem (se é que existe alguém que ainda não viu o filme).

Filosofia da escola Cobra Kai. Criando delinquentes.

Contudo, é inegável que Cobra Kai é uma série feita para fãs do longa-metragem. Dificilmente a série teria algum atrativo para um público que não conhece a história original. De qualquer forma, os produtores conseguiram juntar a nostalgia com uma trama envolvente e um ritmo dinâmico, gerando um bom resultado final. Se os novos personagens vão despertar nos jovens o desejo de aprender karatê com técnicas caseiras como encerar um carro ou pintar uma parede, a exemplo do filme de 1984, só o tempo dirá. Mas assim como Macchio e Zabka parecem se divertir muito voltando aos antigos papéis, talvez a pretensão da série seja apenas essa: divertir. E consegue, mas que a tarefa seria mais fácil com o sarcasmo do Sr. Miyagi (Pat Morita, morto em 2005), isso seria.

Cotação: 

Para saber mais sobre a série Karatê Kid, clique aqui, aqui e aqui.

Visão de Raio X 06 – O Melhor da Disney no Brasil

Chegou recentemente ás bancas e livrarias o primeiro exemplar da nova revista trimestral O Melhor da Disney no Brasil 1950 – 1952, trazendo os primórdios desses personagens em nosso País, que inauguraram a Editora Abril, com o primeiro número da revista Pato Donald, em 1950. No vídeo abaixo, esmiuçamos a edição, que é recheada de curiosidades e informações acerca das publicações Disney no Brasil e no mundo, durante o início da década de 1950.

Dica Literária: Vertigo – Além do Limiar

Fruto de mais um esforço coletivo de artistas e fãs de quadrinhos, o livro Vertigo – Além do Limiar foi lançado no último Festival Guia dos Quadrinhos, que aconteceu nos dias 14 e 15 de abril, no Club Homs, em São Paulo. A obra é o segundo projeto lançado pelo criador do site Guia dos Quadrinhos e responsável pelo evento, o designer Edson Diogo. O primeiro foi o livro Os Mundos de Jack Kirby, lançado em 2017, comemorando os 100 anos do artista, cocriador do Universo Marvel, e contendo 100 artes de desenhistas nacionais homenageando as criações do “Rei”.

Primeiro livro lançado pelo site homenageou Jack Kirby.

Em Vertigo – Além do Limiar, a premissa foi basicamente a mesma: comemorar os 25 anos do selo adulto da DC Comics com 25 artistas nacionais dando sua visão particular sobre os personagens do selo. Desta vez, porém, o livro ganhou um atrativo: além dos desenhos, há também 25 contos (está mais para depoimentos) de jornalistas, roteiristas e editores contando suas impressões sobre os personagens, gerando uma obra muito mais rica no quesito literário. A obra foi editada por Diogo e organizado e diagramado pelo quadrinhista Will.

Edson Diogo, orgulhoso, exibe sua obra.

Os textos incluem profissionais do cacife de Leandro Luigi Del Manto (editor que trabalhou na Editora Abril na década de 1990 e foi responsável pelo lançamento dos primeiros títulos da linha Vertigo no Brasil), Manoel de Souza (editor da revista Mundo dos Super-Heróis), Sidney Gusman (atual editor da Mauricio de Sousa Produções), Levi Trindade (editor da linha DC da Panini), Alex Mir, Cassius Medauar, Daniel Esteves, Maurício Muniz, Felipe Folgosi, Carol Pimentel, Marcelo Alencar, Franco de Rosa… todos nomes importantes do mercado de quadrinhos no Brasil.

Textos apaixonados contam a história da Vertigo

Os artistas que ilustraram a obra também incluem nomes consagrados no mercado brasileiro: Laudo Ferreira, Omar Viñole, Joel Lobo, Octavio Cariello, Thiago Spyked, Will, entre outros. Muito mais do que simples depoimentos de fãs, relatando o quanto os títulos da Vertigo tocaram suas vidas, o livro traça um panorama do que foi o selo, destacando sua importância e seu pioneirismo na história das Histórias em Quadrinhos, revolucionando um mercado que andava estático e apagado. Tudo escrito com muita paixão, por quem entende do assunto.

Arte de Joel Lobo para o conto sobre a série Orquídea Negra, escrito por Felipe Folgosi

A obra tem uma linguagem acessível e um visual bastante agradável, com a imagem complementando os textos, ao invés de se tornar um elemento à parte. Além disso, como se trata de textos curtos (quatro páginas para cada título do selo), o livro tem uma leitura viciante, de modo que é impossível terminar de ler um sem se sentir motivado a ler o seguinte. Finalizando cada texto, um perfil de cada autor (texto e imagem) e uma breve resenha do título homenageado (escrito por Ben Santana), enriquecendo a obra com informações editoriais.

Visão de Octavio Cariello para a série Preacher.

Completa a obra entrevistas exclusivas de Wilson Simonetto com Karen Berger (editora responsável pela criação da Vertigo), Jamie Delano e Peter Milligan (roteiristas) e depoimentos de Jenette Kahn e Paul Levitz, editores da DC Comics na década de 80/90, bem como uma lista de todos os títulos da Vertigo publicados no Brasil e suas respectivas edições.  Vertigo – Além do Limiar não é apenas um catálogo ilustrado ou um material feito de fã para fã. Trata-se de um rico trabalho de pesquisa e um documento histórico que serve como fonte de informações sobre o selo Vertigo desde sua criação até os dias atuais. Para adquirir o livro, entre em contato com o autor pelo email guia@guiadosquadrinhos.com.