Crítica: Vingadores – Ultimato

O bom cinema – aquele pensado para entreter com qualidade (porque há aqueles filmes feitos somente para aumentar as cifras dos cofres dos estúdios, sem qualquer compromisso – pode ser dividido em três tipos de produções: os filmes leves, feitos apenas para relaxar e desligar a mente (como Bonequinha de Luxo (1961) e Uma Linda Mulher (1990), por exemplo), os filmes mais densos e complexos, estes já desenvolvidos para fazer o público pensar (Blade Runner (1982), Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008) e A Origem (2010) são bons exemplos) e aqueles pensados para serem épicos (Os Dez Mandamentos (1956), Ben-Hur (1959) e a saga do Senhor dos Anéis (2001-2003) só para citar três).

A alma do MCU

Vingadores – Ultimato (Avengers – Endgame, 2019), que estreia esta semana, entra nesta última categoria. Cada minuto do filme foi minuciosamente planejado para ser épico. Depois de onze anos de aventuras, com um universo cuidadosamente planejado para interligar vários personagens diferentes numa mesma linha narrativa, a exemplo do que acontece nos quadrinhos, a Marvel Studios fecha com chave de ouro o ciclo iniciado em 2008, com Homem de Ferro, que foi a pedra fundamental e a alma dos longas que vieram a seguir. Não há como negar que tudo que veio depois foi construído na excelente interpretação que o ator Robert Downey Jr. deu a Tony Stark e ao Gladiador Dourado, tendo Stark como o centro e o resto dos personagens girando ao redor.

A participação do Homem de Ferro não é grande, mas é fundamental.

Tanto que o herói, conhecido apenas pelo público que já o conhecia dos quadrinhos, ganhou o status de preferido nas festas infantis (posto que, até então, pertencia ao Homem-Aranha e, quiçá, ao Capitão América, para falarmos apenas de Marvel) e deixou de ser um personagem coadjuvante nos mixes das revistas para ganhar seu próprio título em bancas – algo que nunca mais perdeu. Em Vingadores – Ultimato, o herói faz valer a sua responsabilidade. Tem uma participação pequena, mas importante. Ele não precisa brilhar o filme todo, mas brilha nos momentos em que aparece.

O filme não é ação do começo ao fim. Tem um “momento marasmo” na história.

Falar do longa sem revelar nada importante é uma missão praticamente impossível, já que tudo nele é tão amarrado que se torna difícil desassociar uma cena de seu contexto. São três horas e dois minutos – na verdade, um pouco menos, já que temos uns 15 minutos só de créditos – de história que conclui uma fase da Marvel no cinema, fechando uma porta e abrindo outra, para um futuro ainda incerto e mais jovial. Toda essa duração poderia, sim, ser diminuída. O filme tem uma enorme barriga, onde nada acontece, só bate-papo. A edição poderia dar uma acelerada e tirar, pelo menos, uns 20 minutos da história sem qualquer prejuízo.

Gênio, playboy, bilionário, filantropo… e derrotado.

Mas mesmo com o momento de marasmo, a história não cansa e flui naturalmente, fazendo as três horas passarem num flash (ops, desculpe, DC!). O filme começa onde Guerra Infinita terminou, ainda mostrando o sumiço de pessoas e a desolação do Homem de Ferro (Downey Jr.) no espaço, sem ter como voltar para casa, após enfrentar Thanos (Josh Brolin) e perder seus amigos. Na Terra, acontece o mesmo: na sede dos Vingadores, Capitão América (Chris Evans), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Máquina de Combate (Don Cheadle) convivem com o próprio fracasso. Mas, claro, o Homem de Ferro consegue retornar à Terra e reunir novamente os amigos para encontrar Thanos e vingar os mortos – afinal, eles são Vingadores, não esqueça!

O Gavião Arqueiro assume a identidade de Ronin, numa referência às HQs.

Essa é a primeira meia-hora do filme. As outras duas horas e meia são um espetáculo de referências aos filmes anteriores da Marvel Studios e também aos quadrinhos, com cenas memoráveis e algumas participações especiais que só olhos treinados vão notar (sim, Stan Lee também participa e sua cena é hilária). O maior mérito é que, diferente do anterior, que teve uma HQ para se basear, este lida com as consequências da trama de uma forma inédita e desvinculada dos quadrinhos, mas sem esquecer os easter-eggs. O filme segue seu próprio caminho e dá um destino totalmente diverso a vários personagens, alguns bem surpreendentes.

Toda nobreza do Deus do Trovão é jogada no ralo.

O humor também está presente, como em todos os filmes da Marvel e, mesmo com alguns excessos, também estão no contexto. A única coisa realmente incômoda foi a personalidade de Thor, que já vem sendo avacalhada desde Thor: Ragnarok (2017) e, em Ultimato, chega ao último degrau da indignidade. Chega a surpreender como ele ainda consegue erguer o martelo. Uma pena que um personagem de linhagem tão nobre seja retratado como um fanfarrão.

A máscara do Homem-Aranha é mais expressiva que a atriz Brie Larson.

A Capitã Marvel, cujo filme foi lançado para servir de gancho entre os dois capítulos de Vingadores, não chega para roubar a cena, como muita gente previa. Sua participação é pontual e bem colocada – muito embora a inexpressividade da atriz Brie Larson continue ainda mais forte do que no seu filme solo – e, por assim dizer, também grandiosa. As cenas dramáticas também vão arrancar lágrimas dos mais sensíveis, principalmente com as mortes de personagens (são quatro, se não me falha a memória) e o clímax da história, com a batalha final, certamente vai estremecer os cinemas.

Uma história de sucesso

Ultimato foi criado para ser grande e entrega exatamente aquilo que ele se propõe. Há, sim, furos no roteiro, porque resgata cenas de filmes passados e há coisas sem explicação lógica. No entanto, nem dá para levar em conta essas pequenas falhas em detrimento do grande espetáculo apresentado. Ao sair do cinema, você vai ter a impressão de ler um gibizão de 300 páginas e, ao chegar ao final da história, virar a última página com a satisfação de ter lido uma grande saga. Ultimato “vira a página” e fecha um ciclo de 22 filmes com perfeição. Superman – O Filme (1978) nos fez acreditar que um homem podia voar. A Marvel Studios nos fez acreditar que um universo repleto de superseres é possível e que eles estão dentro de cada um de nós. A história do cinema nunca mais será a mesma.

Cotação Raio X:

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Raio X – Nove Anos

Hoje, nosso blog completa nove anos de existência. Nesses anos de nossa trajetória, podemos assumir nosso lado X-9 – para quem não sabe, uma gíria para espião. Um jornalista nada mais é do que alguém que fica de olho nos acontecimentos, colhe os fatos, pesquisa, filtra o que é importante e divulga com o objetivo de manter todos bem informados. O nome que adotamos, Raio X, também simboliza esse desejo de ser transparente, enxergar além da superfície e mostrar um “algo mais”.

É por isso que nossas matérias costumam ter, além do que o título indica, sempre uma informação extra (ou X-tra, para sermos condizentes à nossa “marca”), com curiosidades e detalhes pouco conhecidos e sempre informações de qualidade, nunca com apelação. Essa é a missão que assumimos com todos os leitores e seguidores. Agradecemos a todos pelo prestígio e por fazerem parte destes nove anos.

Para comemorar, dois presentes: o primeiro é o sorteio do livro Guerra Civil (capa cartão), da editora Novo Século. Se você ainda não está concorrendo, clique neste link e depois em “Quero participar”, pois restam poucas horas para o sorteio (será hoje, à meia-noite). O segundo é a crítica do filme Vingadores: Ultimato, que sai daqui a pouco. Aproveito esse post comemorativo para agradecer também às 200 curtidas em nosso blog e também aos 204 seguidores que curtiram nossa página no Facebook. A cada um, o meu abraço particular e meu carinho. Vamos rumo à nossa primeira década!!

Saído do Forno: O Grande Almanaque Disney

Em março, as revistas Disney trocaram de casa. Depois de 68 anos sendo publicadas ininterruptamente pela Editora Abril, a gaúcha Culturama, que já licenciava livros infantis da Disney, adquiriu os direitos de publicação também dos quadrinhos. Longe das bancas desde julho/2018, as edições zero de cinco revistas (Pato Donald, Tio Patinhas, Mickey, Pateta e Aventuras Disney) chegaram às bancas e lojas de departamentos com excelente qualidade gráfica e histórias inéditas dos queridos personagens criados por Walt Disney. As revistas podiam ser adquiridas individualmente ou numa caixa exclusiva com todas juntas e uma cartela de adesivos de brinde.

Mensais podem ser compradas individualmente ou em caixa exclusiva.

Era óbvio que a Culturama não ia se limitar apenas a estes cinco títulos, mas ninguém esperava que fossem lançar uma novidade tão rápido. Durante o Festival Guia dos Quadrinhos 2019, a editora lançou O Grande Almanaque Disney, uma publicação bimestral, com 196 páginas, lombada quadrada e formato 15 cm X 21 cm, um pouco maior do que as revistas formatinho. Além da novidade, também foram lançadas as edições número 1 das cinco mensais além de livros infantis de vários personagens, com destaque para Dumbo, que ganhou um longa-metragem live action recentemente.

Grande almanaque tem formato maior em comparação com as mensais.

O evento foi a grande apresentação da Culturama para o público colecionador de São Paulo. Para coroar esse momento, a editora trouxe da Itália o roteirista e desenhista Francesco Guerrini, que passou praticamente todo evento autografando e desenhando personagens para os fãs, no stand montado logo na entrada do salão de eventos do Hakka Hotel, no bairro da Liberdade (SP). Além disso, o artista também participou de um bate-papo no domingo, falando sobre a nova casa dos quadrinhos Disney no Brasil.

O autor passou dois dias desenhando e autografando o Almanaque.

O Grande Almanaque Disney foi a coqueluche do evento, pois os fãs quiseram aproveitar a presença de Guerrini para pegar seu autógrafo na capa da revista, principalmente porque a história que abre a edição, foi escrita e desenhada por ele. Além disso, o almanaque também tinha uma entrevista com o autor onde ele fala de sua carreira e inspirações. A edição tem “apenas” quatro histórias (seis, se contarmos que duas delas são narradas em dois capítulos), mas são grandes aventuras, escolhidas a dedo.

Almanaque traz quatro grandes aventuras

Além da história de Guerrini, O Inversor Gravitacional, o almanaque também trouxe uma divertidíssima HQ dinamarquesa estrelada pelo Pato Donald (ou um ancestral dele, em A Volta do Pato Zampata), uma história curta da Maga Patalójika e uma mega-aventura do Mickey que ocupou nada menos do que metade do exemplar (Tudo isso Aconteceu Amanhã) e tem uma característica importante: é uma continuação de outra aventura publicada na revista Mickey 883 e 884 (2016), da Editora Abril. Nela, o Mickey do passado (de calças curtas) se une à sua versão de nossos dias para impedir o João Bafo-de-Onça de dominar o mundo.

Nós também pegamos nosso exemplar, com direito a ilustração da Margarida.

Impresso em papel offset e capa cartão com detalhes em verniz, O Grande Almanaque Disney estreou em grande estilo, com uma qualidade ímpar. As revistas número 1 também melhoraram em comparação com a anterior. Sinal que a Culturama tem grande investiu pesado no mercado de quadrinhos e tem interesse em conquistar um público fiel. Tanto que a editora gaúcha já tem até serviço de assinaturas  pelo telefone 0800 006 8520, com direito a cartão de sócio e brindes diferenciados. Esperamos que a editora continue mantendo a qualidade e traga muitas surpresas para os fãs. Os personagens Disney mereciam essa renovação.

Crítica: Shazam!

A DC Comics parece estar se acertando na sua jornada pelo mundo cinematográfico e, desta vez, chega às telas com Shazam! (idem, 2019), que estreia amanhã. Este certamente é o filme mais diferente de todos que já foram apresentados desde O Homem de Aço (2013), que inaugurou o universo compartilhado da editora, exatamente porque se exclui desse universo e tem um clima totalmente novo. e descontraído.

Família é onde o coração está.

Shazam! conta a história do jovem Billy Batson (Asher Angel), um adolescente que foi abandonado pela mãe quando criança e, desde então, vive jogado entre casas de acolhimento e lares adotivos, dos quais sempre foge com rebeldia para procurar sua mãe sanguínea. A situação muda (um pouco) quando Batson é adotado por um casal que abriga mais cinco adolescentes – Freddy (Jack Dylan Grazer), Mary (Grace Fulton), Pedro (Jovan Armand), Eugene (Ian Chen) e a fofíssima Darla (Faithe Herman) – com os quais desenvolve uma empatia, principalmente com o primeiro.

Billy é conduzido magicamente à Pedra da Eternidade.

Após arrumar encrenca com um grupo de valentões na escola, Billy entra no metrô e é conduzido magicamente à Pedra da Eternidade, onde encontra com um mago moribundo que lhe concede superpoderes sempre que pronunciar a palavra Shazam, a fim de combater os Sete Pecados da Humanidade, que foram libertados e incorporados pelo Dr. Silvana (Mark Strong) – rejeitado quando criança para possuir os poderes de Shazam.

Com a ajuda de Freddy, Billy aprende a usar seus eletrizantes poderes.

Assim, o garoto se transforma num homem adulto (Zachary Levi) que ainda precisa descobrir como utilizar as habilidades recém-adquiridas e, para isso, pede a ajuda de Freddy. O problema é que os garotos acham tudo uma grande diversão e acabam se expondo irresponsavelmente. Isso chama a atenção de Silvana, que passa a perseguir Batson para reivindicar os poderes que ele acredita serem seus por direito. Shazam precisa aprender primeiro a total extensão de seus poderes e a usá-los responsavelmente, para depois combater o vilão.

Crianção

Desde Mulher-Maravilha (2017), a Warner/DC vem se afastando do clima sombrio que o diretor Zack Snyder impôs ao universo de super-heróis, mas Shazam é o primeiro que quebra totalmente as amarras e assume o lado HQ com uma comédia leve e agradável de se ver. O filme bebe na fonte de clássicos como Quero Ser Grande (1988) – e tem até uma referência hilária ao filme – e traz uma história que dosa muito bem o humor, sem piadas exageradas ou fora de hora, com o drama familiar do jovem Batson em busca de sua mãe e o envolvimento com os irmãos adotivos.

Silvana: malvadão vingativo

É nesse drama, muito mais que na aventura, que se centra a narrativa, conduzida pelo diretor David Sandberg. A relação de Billy, um garoto cheio de traumas pelo abandono, entra em outra família também desajustada, mas encontra ali o amor e a amizade, descobrindo que os laços de sangue são menos importantes do que a afetividade. Exatamente o oposto de Silvana, que também veio de uma família abusiva, mas nunca se abriu para a compreensão e o perdão e passou a se deixar dominar pelo desejo de vingança. Esta antítese vai mostrar a Billy onde reside o seu maior superpoder.

Numa única foto, várias referências ao Universo DC.

Apesar de se afastar do universo compartilhado – que, segundo declarações recentes dos executivos da Warner, não existe mais e as produções de super-heróis serão independentes – o filme traz várias referências aos longas anteriores, bem como aos quadrinhos do personagem, da fase Novos 52, escrito pelo roteirista Geoff Johns. Até mesmo a série de TV Smallville encontra eco no no roteiro, num diálogo bem divertido (que só deve ter graça na versão legendada, pois na dublagem, a piada se perde).

“Nunca mais teremos problemas com a conta de luz!”

Embora os filmes mais recentes já tenham tido uma visível melhora na qualidade, Shazam! se difere por ter um roteiro caprichado, que não desanda em momento algum – diferente de Aquaman (2018), que é um bom filme no geral, mas tem uma caída no ritmo na segunda metade. Não que o roteiro seja perfeito, porque não é. Há, sim, algumas incoerências, mas estas se perdem em meio aos acertos e o longa-metragem cumpre totalmente a sua proposta de apresentar um novo super-herói ao público que ainda não o conhece e ainda respeitar os fãs mais antigos.

Diga a palavra! Sinta o poder!

O filme tem uma trama divertida, coerente, com ritmo e boas atuações (alguém já pode dar um Oscar para a pequena Faithe Herman, por favor?). Assim como Batson descobrindo seus poderes, o espectador também sairá do cinema com um sorriso nos lábios e a certeza de ter visto um filme que não esconde aquilo que ele é: uma deliciosa brincadeira.

Cotação Raio X:

 

Crítica: Dumbo

Seguindo a sequência de refilmar em live action seus grandes clássicos como Cinderela (crítica aqui), Mogli (crítica aqui) e A Bela e a Fera (crítica aqui), a  Disney Studios estreia esta semana o filme Dumbo (idem, 2019), com a terna história do elefante orelhudo que podia voar.  O longa-metragem é dirigido por Tim Burton – que também foi responsável pelo remake com atores de Alice no País das Maravilhas (crítica aqui), outro clássico desenho da Disney – mas tem um clima menos dark e mais familiar, bem mais condizente com o tema circense.

Mancini é o dono de circo decadente

A história já é conhecida: o decadente circo dos Irmãos Mancini – na verdade, somente Max Mancini (Danny DeVito), que usa o “irmãos” apenas como apelo de marketing – chega a uma cidade carente de uma atração que realmente chame a atenção do público e recupere o prestígio perdido. É quando a elefanta Jumbo dá à luz seu pequeno filhote com orelhas enormes, causando grande aversão em todos. No entanto, o que parecia um defeito do Bebê Jumbo – que acaba sendo batizado de Dumbo, num jogo de letras que é explicado por um acidente que acontece durante a história – acaba se tornando a atração que faltava para aumentar a popularidade do circo, quando se descobre que Dumbo pode voar abanando suas orelhas gigantes.

Você vai acreditar que um elefante pode voar.

O sucesso do elefante voador ganha a atenção não apenas do público, mas também do ganancioso empresário V. A. Vandevere (Michael Keaton), que decide fazer uma parceria com Mancini para dar início ao seu projeto de criar a Dreamland, um parque de diversões que faz uma óbvia referência à própria Disneyland. Enquanto isso, Dumbo passa a contar com a amizade de Milly (Nico Parker) e Joe (Finley Hobbins), filhos do ex-cavaleiro Holt Farrier (Colin Farrell), que volta da guerra para suas funções no mundo dos espetáculos. Porém, como seus cavalos foram vendidos por Mancini para pagar as despesas do circo, o artista assume a função de cuidador dos elefantes e passa a proteger Dumbo.

Amigos reais

Essa interação entre animais e humanos é o grande diferencial da nova versão de Dumbo, uma vez que isso não existe no desenho animado de 1941, no qual o grande amigo de Dumbo é o ratinho Timóteo, que o ensina a voar com o uso de uma “pena mágica” – na verdade, uma pena comum, usada apenas para motivar o elefantinho. Burton faz referência a Timóteo no longa, mas o ratinho não tem mais a função de “consciência” para Dumbo, afinal, a ideia da nova versão é lidar com animais “de verdade” (mesmo que sejam digitais) e não com bichos falantes. Nesse quesito, o diretor soube dar o tom de realismo sem perder o toque de magia da história.

Fiquei um mês sem poder falar quando vi um elefante voar

Há outras referências à animação, como os elefantes cor-de-rosa dançarinos e o tocante encontro de Dumbo com sua mãe aprisionada num vagão de trem, além de outras cenas que vão levar os mais emotivos às lágrimas. Porém, Dumbo é quase um coadjuvante nessa produção e quem brilha mesmo são os atores. As mudanças em relação à animação clássica apenas valorizam o conjunto da obra, uma vez que foram limadas as partes “infantilizadas” como a cegonha que traz o bebê Dumbo para sua mãe ou o arrastado diálogo com os corvos (do qual a só se salva a canção “Eu vi um elefante voar”) que podem ter funcionado muito bem na década de 1940, mas hoje soariam bem ridículas.

Dreamland é onde o impossível acontece.

A nova versão de Dumbo é fascinante, com uma história bem contada, efeitos digitais de primeira linha e momentos de drama e humor muito bem dosados. É, talvez, o filme mais família de Tim Burton, sem o clima sombrio que é característica marcante do diretor. Ao fugir da tendência de repetir em live-action cada frame da animação clássica (um pecado que parece que vai acontecer com O Rei Leão, com estreia para 18 de julho) e entregar uma história renovada, Dumbo ganha em novidade. Com isso, consegue trazer frescor a uma história que já é conhecida, mas manter a magia da primeira vez.

Cotação Raio X:

Ganhe um livro Guerra Civil!

O blog Raio X estará comemorando nove anos no dia 24 de abril. Para festejar a data, estamos sorteando uma edição do livro Guerra Civil, de Stuart Moore (capa simples) publicado pela Ed. Novo Século. É uma forma de agradecer a todos aqueles que nos prestigiam nesses nove anos de história. Quer ganhar esse presentão sem gastar um único centavo? Então se liga na nossa promoção!

Este livro pode ser seu!

Para concorrer é muito fácil:

1) Clique no link da promoção e depois em “Quero Participar”. https://www.sorteiefb.com.br/tab/promocao/714046

2) Curta nossa página no Facebook (https://www.facebook.com/blograiox/) e marque dois amigos no post, para que eles também fiquem sabendo da promoção (e não comecem uma guerra civil com você, por não tê-los convidado para participar também).

3) Aproveite e também compartilhe este post na sua linha do tempo (mas ATENÇÃO: é importante lembrar que só concorrem aqueles que clicarem no botão “Quero Participar”. Curtir ou compartilhar o post não são requisitos básicos para o sorteio – mas se você fizer isso, estará ajudando a promover o sorteio e fará um mutante muito feliz).

Uma briga que abalou as estruturas do Universo Marvel

4) A promoção tem início dia 15 de março de 2019 e termina no dia 24 de abril de 2019, às 23h59, data em que o blog Raio X comemora nove anos. O sorteio será realizado dia 24/04/2019 no horário citado via Sorteie.me e o resultado será divulgado na fan page do Blog Raio X, bem como em postagem do próprio blog no dia 25.

5) O premiado deverá enviar um e-mail para mutantexis@hotmail.com com nome e endereço completos (com CEP).

6) O prazo máximo para reclamação do prêmio é de duas semanas (14 dias a contar a partir da data do sorteio). Caso o premiado não reclame seu prêmio, será efetuado um novo sorteio.

De que lado você está?

7) A promoção não tem fins lucrativos nem está vinculada ao Facebook, WordPress ou Sorteie-me. Seu caráter é estritamente pessoal e de inteira responsabilidade do seu realizador (no caso, euzinho). 

8) A promoção vale para todo Território Nacional e não há restrição de idade (mas é aconselhável que você saiba ler, pois vai aproveitar muito mais o presente. 😛 )

Não perca tempo, escolha o seu lado nessa guerra e participe já! Independentemente se você é do time do Capitão América ou do time do Homem de Ferro, você pode ser o vencedor!

Crítica: Capitã Marvel

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a Marvel Studios lança o primeiro filme com uma protagonista feminina. No Brasil, o longa Capitã Marvel (Captain Marvel, 2018) chega no dia 7 de março, um dia antes da data comemorativa (nos EUA, estreia na sexta mesmo), e tem a missão dupla de apresentar a heroína ao público que não acompanha quadrinhos e fazer escada para o próximo longa-metragem da Marvel Studios: Vingadores: Ultimato, que estreia em 26 de abril, colocando um ponto final na fase 3 do Universo Marvel.

A heroína da Marvel tem a responsabilidade de se tornar tão relevante quanto a Mulher-Maravilha.

É uma tremenda responsabilidade, principalmente para uma personagem que sempre foi secundária nos quadrinhos e só recentemente foi elevada ao status de personagem representante da editora (saiba um pouco mais sobre a heroína e suas várias versões na nossa seção Guarda-Roupa, clicando aqui). Em termos leigos, podemos dizer que ela é a Mulher-Maravilha da Marvel e, também nos cinemas, tem a função de fazer mais sucesso que sua concorrente, que já teve seu próprio filme em 2017, além de duas aparições em Batman Vs. Superman (2016) e Liga da Justiça (2017).

sim, aquela cena que você não entendeu fazia referência à Capitã Marvel.

Antes de ver o filme, porém, cabe um alerta: trata-se de um filme de origem. Quem pensa que vai ao cinema e já ver a heroína peitando Thanos, como uma espécie de filme intermediário entre os dois Vingadores, corre o risco de se decepcionar. Capitã Marvel é o que se pode chamar de filme genérico da Marvel, cujo objetivo é pura e simplesmente mostrar a gênese da heroína, como ela conheceu Nick Fury e como se tornou a última esperança dele para salvar o Universo (você ainda lembra do pager na cena pós-crédito de Vingadores – Guerra Infinita, né?).

O filme revela como Fury ganhou seu característico tapa-olho.

A trama se passa na década de 1990, quando Fury (Samuel L. Jackson) ainda tinha cabelo, era um mero agente da Shield e não usava tapa-olho, ao passo que o Agente Coulson (Clark Gregg) era um aprendiz. Nessa época, a oficial Vers (Brie Larson), da raça alienígena kree, é atormentada por visões de uma vida passada ao qual ela não se recorda. Ao mesmo tempo, é a única kree com habilidades especiais – ela pode carregar seu corpo com energia fotônica e disparar rajadas pelas mãos – que ela também não sabe como adquiriu, nem como usar direito.

A capitã kree é capaz de lançar rajadas fotônicas pelas mãos – mas não sabe como adquiriu essa habilidade.

Enquanto tenta conhecer a si mesmo, ela é enviada com seus parceiros Larson (Jude Law), Minn-Erva (Gemma Chan) e Korath (Djimon Hounson), numa missão de resgate num planeta dominado pelos skrulls, uma raça alienígena capaz de mudar de forma. Durante uma fuga, a nave de Vers perde o rumo e vem parar na Terra. Em seu encalço, um grupo de skrulls se infiltra entre os humanos e logo iniciam uma batalha que chama a atenção da agência de espionagem Shield, forçando uma aliança entre o agente Fury e a heroína kree. Ao mesmo tempo, Vers descobre que teve uma vida anterior na Terra e passa a procurar sua amiga Maria Rambeau (Lashana Lynch) a fim de encontrar respostas sobre seu passado.

Goose, o gato, isto é, o flerken, reserva cenas hilárias.

Envolvida na batalha entre krees e skrulls, com os humanos no meio, Vers acaba entrando numa jornada de autoconhecimento e encontrando aquilo que a define, tornando-se a heroína que estava destinada a ser. Assim como todos os filmes da Marvel Studios, o filme mistura ação frenética com momentos de humor – principalmente protagonizados por Nick Fury e Goose, o gato da heroína, que não é um gato de verdade, mas uma criatura da raça Flerken (isso fica melhor explicado no decorrer do filme em cenas hilárias). As referências às HQs, claro, não faltam: a primeira delas é o fato da heroína ter “visões” sobre sua vida passada, uma clara alusão ao sexto sentido, um dos poderes que ela tinha quando foi criada, ainda com o nome de Ms. Marvel.

Empoderada naturalmente, sem levantar bandeiras

Assim como fez com Guardiões da Galáxia (2014) e Homem-Formiga (2015), o estúdio consegue criar uma aventura empolgante que, ao contrário do que muita gente espera, não vai levantar nenhuma bandeira feminista, assim como Pantera Negra (2018) não levantou a do racismo, mas consegue trabalhar o tema mesmo assim, transmitindo a força e o protagonismo da mulher no contexto da história. Para bons e inteligentes entendedores, é o que basta. E, por falar em inteligente, o filme traz uma homenagem emocionante a Stan Lee (morto em novembro) feita da forma mais inteligente que poderia ser feita. Por isso, vale chegar cedo ao cinema para não perder nem um segundinho do filme, já que essa homenagem acontece logo no início.

Skrulls resolveram pegar uma praia antes de invadir o planeta.

Por outro lado, é importante ressaltar que o longa está longe de ser perfeito. Há algumas cenas bastante incoerentes, furos de roteiro e fatos fora de contexto do próprio Universo construído ao longo dos últimos onze anos. Um dos perigos de se fazer um retcon (inserir novos fatos em histórias já contadas) é exatamente a possibilidade de criar incongruências – e foi o que aconteceu em Capitã Marvel, quando recuperam um fato que já tinha sua história e, de repente, reaparece e não termina do jeito que foi narrado nos filmes anteriores.

Maria Rambeau dá um banho de interpretação na protagonista. E ainda tem referência na foto!

A interpretação de Brie Larson também deixa a desejar. Com uma síndrome de Superman-do-Zack-Snyder, a personagem dificilmente sorri, em modo de eterno mau humor. Faz sentido se contextualizarmos o fato dela ser uma alienígena sem conhecimento das rotinas humanas e, principalmente, desmemoriada. Porém, nas cenas em que interage com Maria Rambeau, fica evidente a superioridade de talento da segunda. Claro, isso são apenas detalhes técnicos que não interferem na diversão, mas que podem incomodar espectadores com um olhar mais clínico.

A heroína uniformizada com elmo e poder.

Como já foi dito, o filme não tem nenhuma menção a Thanos, focando mesmo nas origens da heroína. Mas há uma participação de Ronan (Lee Pace) que não chega a ser significativa e só tem relevância nos momentos finais da história. Também cabe mencionar que a Inteligência Suprema Kree – a criatura virtual de cara verde com tentáculos formada pela mente unida de todos os cientistas daquela raça – e Mar-Vell, o herói que tem uma íntima ligação com os poderes da Capitã Marvel estão, sim, na história e de uma forma tão surpreendente que talvez incomode alguns puristas, mas que não deixa de ser uma inserção genial e respeitosa à mitologia da personagem.

Vai encarar?

Capitã Marvel não é o melhor filme da Marvel Studios e nem se propõe a ser. Ele é apenas uma peça do quebra-cabeças, uma ponte que liga o que foi construído ao longo de dez anos ao grande clímax que virá em abril, com o capítulo final dos Vingadores. Nesse sentido, ele cumpre seu papel com primor e coloca a heroína no rol dos grandes super-heróis da Marvel. Nos quadrinhos, demorou 40 anos para a Capitã Marvel atingir esse patamar; no cinema, ela já chega voando mais alto, mais longe e mais rápido que sua versão das HQs!

Cotação Raio X