Dica Literária: Cavaleiro Negro

No início deste ano, foi lançado pela Darda Editora o livro Cavaleiro Negro, primeiro livro solo do autor Davi Paiva. O escritor já participa há vários anos de antologias, juntamente com outros autores e até já chegou a ser organizador de duas delas para a mesma editora – Poderes (cuja crítica fizemos aqui) e o recém-lançado Monstros Entre Nós (aguarde crítica para breve) – mas é a primeira vez que Paiva tem um livro inteiro só seu.

A trajetória de um garoto se transformando num homem sedento de vingança.

A trama conta a história do jovem Fidler Koogan, desde sua infância trágica até ele se tornar o rei da província de Ryddle, do fictício mundo de Raysh (uma analogia à palavra alemã reich – império, nação). O livro se divide em sete arcos – Infância, Esgrima, Veneno, Magia, Convocação, Guerra e Rei -, cada um deles contando uma fase da transformação do ambicioso Fidler num hábil lutador de um estilo proibido de luta, mostrando sua determinação em atingir seus objetivos e arquitetar uma vingança contra aqueles que lhe fizeram sofrer.

Uma jornada inesperada pelo reino de Raysh.

É clara na história a influência de obras como Game of Thrones, O Senhor dos Anéis, Star Wars, Eragon e outros épicos da fantasia, além de games como Ragnarök e Magic – The Gathering, mas o autor constrói sua história com muito cuidado, dando profundidade aos personagens e amarrando a trama tão minuciosamente que até a contagem do tempo é impecável. Há também um mapa do reino de Raysh, para situar o leitor no espaço, mostrando o cuidado com que o autor construiu sua história. O livro é tão envolvente que, mesmo sabendo que o caminho trilhado por Fidler é pouco ético, não deixamos de torcer pelo seu sucesso e a concretização de sua vingança.

Criador e criatura

Assim como George R. R. Martin, autor da saga Game of Thrones, Paiva não se priva de matar personagens importantes, criando reviravoltas surpreendentes na trama, principalmente nos primeiros capítulos. O resultado é uma obra envolvente, de leitura simples e uma trama perfeitamente bem conduzida cuja única crítica negativa fica para a capa do livro, de difícil visualização (espada preta no fundo preto não dá!) e tão simplista que não corresponde ao seu conteúdo.

A capa é simples demais para um conteúdo tão rico.

De qualquer forma, o ditado “não julgue um livro pela capa” é levado ao pé da letra nessa obra. Imperdível a todos os amantes de fantasia medieval! Cavaleiro Negro tem 360 páginas e pode ser adquirido pelo site da Darda Editora.

Raio X – Sete anos

No dia 25 de abril de 2010, este blog nasceu. Na verdade, nasceu o “blox”, porque é um blog com X, exclusivo e diferentão. Não que os assuntos sejam diferentes da maioria dos blogs que abordam cultura pop por aí, pelo contrário. O que é diferente é a abordagem. Quando resolvi criar este blox, a proposta era oferecer ao leitor algo a mais do que ele encontra nas outras páginas. Não é nosso objetivo apenas postar uma notícia pra ser os primeirões, mesmo que não tenha qualquer conteúdo – aquela coisa de “foi divulgada a primeira foto de bastidores do filme da Liga da Justiça” e a imagem traz um ator vestindo um roupão de banho com informação zero no texto.

Enxergando além da notícia.

Não, nosso objetivo é ir além. Nascemos como “O X da Questão”, já trazendo a premissa de revelar coisas. A partir de 2013 (e lá se vão quatro anos!), adotamos o nome Raio X, significando um olhar mais aprofundado e revelador (afinal, o raio X atravessa objetos sólidos). O nome caiu como uma luva, porque além do X, que é nossa marca registrada, ainda transmite a função jornalística de informação apurada dos fatos e incorpora um dos poderes do Superman, o primeiro de todos os super-heróis, que é um dos principais assuntos de nossa página.

Já viu espetáculo mais belo da Mãe Natureza?

Dito isto, só tenho que agradecer por estes sete anos. O número sete traz em si a ideia da perfeição e da plenitude: o mundo foi feito em seis dias e Deus descansou no sétimo, com sua obra completa; são sete as cores do arco-íris, a decomposição perfeita do espectro de luz; sete também são os dias da semana, completando o ciclo do trabalho e descanso; também são sete as notas musicais, que, juntas e em harmonia, resultam em belas canções.

A postos, contra os monstros da desinformação.

Nesses sete anos de blox estamos longe da perfeição e da plenitude. Nem é isso o que buscamos, aliás. Nosso objetivo é trazer diversão e informação. Se estamos conseguindo, é graças a você, leitor, que nos acompanha e visita sempre. Tenho muito que agradecer, pois é fazendo esse trabalho não remunerado que realizo meus sonhos e também me realizo profissionalmente. Quando a gente começa uma caminhada, nem sempre temos ideia da distância a ser percorrida. A caminhada, por si só, é que vale. Estou muito feliz pelo caminho percorrido nesses sete anos e espero avançar muitos mais e continuar trazendo o que de melhor a cultura pop pode oferecer. Obrigado a todos e parabéns para nós!

Crítica (em vídeo): Guardiões da Galáxia Vol. 2

Com estreia em 27 de abril (uma semana antes que nos Estados Unidos), o filme Guardiões da Galáxia Vol. 2 chega aos cinemas dando continuidade à Fase 3 da Marvel e com a missão de manter o alto nível do longa anterior, que conquistou público e crítica. Será que ele conseguiu? Veja a crítica no vídeo:

Cotação: 

Leituras da Semana – Abril (4)

As leituras desta semana trazem algumas edições de abril, organizando o calendário da Panini, que costumava lançar as edições com um mês de atraso. Além disso, também inclui algumas aquisições do Festival Guia dos Quadrinhos.

Estudar História pode ser divertido.

Saiba Mais – História do Brasil (set/2011) – Uma das aquisições do Festival Guia dos Quadrinhos, esse encadernado reúne sete edições mensais da revista Saiba Mais que, juntas, narram momentos importantes da nossa História, como o Descobrimento do Brasil, Índios, Folclore, Independência do Brasil, Proclamação da República, Imigrantes e Imigração Japonesa. Todas com o humor característico da turminha mais amada do Brasil. Além de divertida, a edição também é didática e educativa. Uma importante colaboração de Mauricio de Sousa para a Educação no País.

Dr. Estranho enfrenta o fim da magia

Doutor Estranho 5 (abr/2017) – As duas aventuras do Mago Supremo mostram o doutor reunindo suas últimas forças contra o destruidor da magia Empirikul. A capa é feia pra dedéu, mas as histórias são bem interessantes.

Briga de família

Thor 3 (abr/2017) – O pau quebra feio quando a poderosa Thor resolve enfrentar Odin. A briga abala todo o Reino Dourado, que entra numa guerra civil cujo resultado só pode terminar em tragédia. A segunda história, no estilo Contos de Asgard narra uma aventura das antigas do poderoso Thor, narrada por Loki. É uma boa história que seria ainda melhor se a arte fosse menos “rupestre”.

Indo aonde ninguém jamais escreveu.

Coleção Mundo Nerd – Como a Cultura Nerd Mudou o Mundo – Vol 1: Star Trek (jun/2016) – Um compêndio de informações sobre a série Star Trek e sua importância para a cultura pop, com bastidores da série de TV e das produções cinematográficas, as outras mídias – livros, animação, HQ – em que a franquia investiu. Um excelente trabalho de pesquisa da equipe da revista Mundo Nerd (que, modéstia à parte, contou com um capítulo escrito por mim) numa coleção de alto nível, que só não é melhor porque o livro não tem capa dura como a Coleção Mundo dos Super-Heróis, lançada poucos tempo antes. Mas a capa cartonada de forma alguma desqualifica a coleção, que até ganha uma identidade própria. É um excelente material para antigos fãs e também para os novos, que desejam ingressar nesse rico universo.

Aventuras espaciais bem humoradas

Guardiões da Galáxia 4 (mar/2017) – Os Guardiões precisam salvar Gamora das mãos de Hala e o Senhor das Estrelas tem um plano. Ou não, para desespero de Rocky. Drax e seu novo amigo Terrax são capturados e forçados a lutar numa arena para diversão de Fin Fang Foom. O destaque fica para o resgato do personagem Torgo, que só os fãs beeeeeeeeeeeem antigos do Quarteto Fantástico vão lembrar. Rocky e Groot jogam futebol com o Homem de Ferro numa HQ que é puro besteirol e não tem nada de útil, mas é diversão pura.

Rocky e Groot são a cara dos personagens Disney

Guardiões da Galáxia 5 (abr/2017) – Mais três HQs com o clima descontraído dos Guardiões. Na primeira, o arco de Hala é encerrado e o Senhor das Estrelas precisa lidar com uma conspiração do Conselho Galáctico para tirá-lo da liderança de Spartax. Na história do Drax, o enfezado personagem enfrenta o poderoso Fin Fang Foom e percebe que ele não é tão casca grossa quanto parece (metaforicamente falando). Já a HQ do Rocky e Groot, passa a impressão de que estamos lendo um gibi do Pato Donald: é engraçada, mas totalmente inútil, feita apenas para divertir. O próprio estilo da arte imita o estilo das HQs da Disney. Teria muito apelo entre o público infantil se fosse lançada em formatinho e como título independente.

O épico da fantasia.

Coleção Mundo Nerd – Como a Cultura Nerd Mudou o Mundo – Vol 2: O Senhor dos Anéis (nov/2016) – Edição primorosa, com tudo o que é necessário para mergulhar no universo criado por J. R. R. Tolkien e se aprofundar em suas criações. Mesmo que não tenha visto os filmes ou lido os livros, a edição esmiúça a característica de cada personagem, dá detalhes de bastidores – tanto do livro como do filme – e explica por quê a obra, escrita de forma tão despretensiosa, modificou a cultura pop e se tornou um épico.

Leituras da Semana – Abril (2) e (3)

Com o Festival Guia dos Quadrinhos acontecendo na semana passada e a Semana Santa tomando todo tempo disponível, a postagem de domingo passado precisou ser adiada. Hoje, fazemos uma postagem englobando as leituras das duas semanas, com muitas novidades das bancas.

Ele não tem moto… mas se chama motoqueiro. #vergonhaalheia

Motoqueiro Fantasma 1 (mar/2017) – Datada de 2014, esta HQ chega com três anos de atraso, e uma tradução mal feita da Panini. Leia nossa crítica completa clicando aqui.

Edição (quase) perfeita

Turma da Mônica Jovem (nova série) 4 (mar/2017) – Depois de um encontro histórico em duas partes (leia tudo sobre essa HQ aqui e aqui) publicado nas edições 43 e 44 (2012), a Turma Jovem volta a se encontrar com Safiri, desta vez numa aventura que se passa na Terra de Prata, lar da princesa criada por Osamu Tezuka.  A história leva Mônica e seus amigos ao reino de Safiri para comemorar os 15 anos da heroína, em cuja festa ela deve renovar os votos de proteger o país e manter o legado de seus pais. No entanto, uma ameaça promete estragar a festa e impedir o “príncipe” de cumprir seu destino. Para quem conhece o anime A Princesa e o Cavaleiro, vai sentir o mesmo clima de ação da série, com personagens conhecidos e a mesma personalidade vista no desenho. Uma história brilhante e repleta de saudosismo, que só se estraga no final, com uma mensagem faminista jogada na cara dos leitores. Não teria nada demais se a mesma roteirista não fosse responsável por outra polêmica nas HQs da TMJ pelo mesmo motivo, o que leva à conclusão de que não foi acidental ou um ato inocente, mas um texto proposital. E daí? Daí que a Turma da Mônica e Safiri são maiores do que essas ideologias e não precisam desse tipo de premissa, visto que ambas as personagens, por si só, já levam à reflexão sobre o poder e a igualdade da mulher. Totalmente desnecessário manchar uma HQ que tinha tudo para ser perfeita. Mauricio de Sousa não merece isso em suas revistas.

promocional bacana

Preview Especial – Os Novos 52 (ago/2013) – Uma das aquisições no Festival Guia dos Quadrinhos, essa edição especial foi uma introdução à saga Guerra da Trindade, publicada em Liga da Justiça 22-24 e Constantine 3-4, entre março e maio de 2014. A HQ, de apenas 16 páginas, mostra a entidade Pandora em busca da mitológica Caixa de Pandora para redimir seu maior crime: ter liberado o mal na Terra. É um material até interessante, considerando se tratar da fase Novos 52.

De protagonista a coadjuvante sem perder o encanto.

Doutor Estranho 4 (mar/2017) – Ao invés de duas histórias do Mago Supremo, esta edição traz apenas uma história, que apresenta vários magos do Universo Marvel enfrentando a ameaça do Empirikul, o destruidor de magia. A história é tão boa, que consegue transformar o protagonista da revista num coadjuvante com aparição em pouquíssimas páginas e, mesmo assim, manter um nível excelente. Além, claro, de trazer um humor refinado que cabe como uma luva na temática. Excelente!

Thora em HQs de alto nível

Thor 2 (mar/2017) – Thor e Loki se encontram num bate-papo amistoso, enquanto Malekith invade o reino dos Elfos e Odin julga sua esposa Freyja por traição. Todos os peões se juntam num clímax que deixa o leitor ansioso para a próxima edição. Embora o conceito da Thor mulher seja um tanto incômodo (não pelo fato de ser mulher, mas pela forma como foi apresentado – Thor se torna indigno de forma inexplicada, vira um babaca, assim como seu pai, que passou de um deus sábio e bondoso num velho tirano, ignorando anos e anos de nobreza com que foram criados), há que se considerar que as HQs estão com um ritmo muito bom.

Aventura no Japão

Homem de Ferro 4 (mar/2017) – O Homem de Ferro e o Máquina de Combate se unem a um certo herói aracnídeo no Japão para enfrentar uma vilã capaz de controlar a tecnologia dos heróis. E Mary Jane Watson começa a trabalhar nas Indústrias Stark – ou será que não? HQ dinâmica, texto gostoso e a química entre os heróis proporciona ótimos momentos.

Fase que marca início da carreira de Neal Adams

Coleção Oficial de Graphic Novels Salvat XV: X-Men – O Crepúsculo dos Mutantes (out/2016) – Pouco antes do título dos X-Men ser cancelado nos anos 60, o desenhista Neal Adams participou da revista e deixou sua marca numa fase marcada por novos mutantes – Destrutor, Polaris, Monolito Vivo – e o retorno dos Sentinelas. Este encadernado resgata essa fase que, embora tenha suas incoerências de roteiro, também é repleta de ação frenética e drama que era bem comum nas HQs dos mutantes. Não é uma leitura excepcional, por vezes, pode soar até mesmo datada… mas é uma importante fase dos heróis que merece, ao menos, ser conhecida.

Jogando a personalidade do herói no lixo.

O Espetacular Homem-Aranha 5 (mar/2017) – Em duas HQs, o Aranha conclui a trama em que enfrenta o Senhor Negativo e inicia outra, em que vai ao espaço sideral para hackear um satélite e descobrir o paradeiro do Escorpião (não o antigo inimigo do aracnídeo, mas aquele que é membro do Zodíaco). O problema está na palhaçada que o roteirista Dan Slott faz com o herói, mostrando-o caindo do espaço rumo à Terra, sem uma espaçonave, com pouca teia e caindo no meio dos Estados Unidos sem sofrer um único arranhão. Sério: estamos falando do Homem-Aranha, não do Hulk ou do Homem de Ferro, que tem sua armadura para protegê-lo! Ridículo! E nem adianta dizer que o uniforme tecnológico atual o protegeu, porque ele rasgou na reentrada da atmosfera. A questão é uma descaracterização do personagem nas mãos do “genial” Slott. Uma ofensa à inteligência.

 

 

Trailer: Thor – Ragnarok

Mais um blockbuster da Marvel vem aí! O estúdio acaba de liberar o trailer de Thor – Ragnarok, longa-metragem que estreia em novembro e traz o Deus do Trovão (Chris Hemsworth) enfrentando uma ameaça que pode ser o fim dos deuses de Asgard. O destaque fica para a participação de Hela, a Deusa da Morte (Cate Blanchett, divinamente bem caracterizada) e um certo “amigo de trabalho” com pele verde. Curtam o vídeo abaixo e não fiquem arrepiados com a trilha sonora de Led Zeppelin, se puderem.

Saído do Forno: Motoqueiro Fantasma

Com três anos de atraso (o material original estreou nos Estados Unidos em maio de 2014), a Panini decidiu publicar as aventuras do herói renovado na fase Nova Marvel – evidentemente aproveitando a popularidade que o personagem conquistou após sua participação na série de TV Agentes da Shield. Infelizmente, a editora pecou pela adoção de um erro conceitual dos mais burros: chamar de motoqueiro um personagem que não tem mais uma moto, mas um automóvel.

O primeiro Ghost Rider andava a cavalo.

Para entender o imbróglio, é preciso remeter às origens do personagem. No original, ele se chama Ghost Rider, onde “rider” é uma palavra com significado bem genérico em inglês, podendo ser usada para quem monta cavalo, bicicleta, moto, carro ou até mesmo trem. Em outras palavras, rider é alguém que é carregado por alguma coisa. Tanto que existiu um personagem de mesmo nome que atuava nos quadrinhos de faroeste, muitos anos antes do motoqueiro dar as caras  pela Marvel. No Brasil, esse personagem foi chamado de Cavaleiro Fantasma.

Esta é a moto mais envenenada que você vai ver na vida.

Sendo assim, a Panini optou por “manter o nome pelo qual o personagem é conhecido no Brasil”, ignorando toda lógica e coerência. Afinal, trata-se de um personagem totalmente modernizado que nada tem em comum com seus antecessores, exceto o fato de ser um esqueleto com o crânio flamejante. Nada, nem mesmo o demônio que lhe dá os poderes é o mesmo. Uma mudança de nomes, portanto, não seria apenas “estética”, mas deixaria claro que se trata de um novo conceito. E nem era preciso pensar muito: no caso de querer fugir do óbvio “Motorista Fantasma”, a própria HQ apresenta uma série de variações diferentes para batizar o misterioso herói que surge nas ruas de Los Angeles.

Super-Homem, Punhos de Aço, Eléktron e Capitão Marvel também tiveram seus nomes alterados… e o público aceitou.

Sabemos que esse tipo de decisão editorial nem sempre é fácil, pois envolve também a questão comercial. Contudo, são vários os casos de personagens consagrados que mudaram de nome ao longo do tempo, principalmente na troca de editoras e, nem por isso, os leitores deixaram de se acostumar com essas alterações, embora cause estranhamento num primeiro instante. Basta um pouquinho de bom senso e uma boa estratégia de marketing.

Renascido do inferno

Mas falando da HQ do Motorista Fantasma, o encadernado reúne as seis primeiras edições do título americano e mostra a origem do personagem. Robbie Reyes é um jovem adolescente que vive sozinho com seu irmão mais novo, que é paraplégico – a HQ não explica se ele já nasceu assim ou se a deficiência foi causada por alguma acidente – num bairro bem barra pesada de Los Angeles. Para sustentar a casa, o rapaz trabalha como mecânico numa oficina do bairro e divide seu tempo também com os estudos. Como o dinheiro é curto, Reyes participa de rachas noturnos e ganha um extra com o valor das apostas.

Mr. Hyde ficou verdadeiramente assustador (na verdade, essa arte transforma até os Ursinhos Carinhosos em assustadores.)

Isso muda radicalmente quando ele usa um dos carros que chegou à sua oficina, que pertencia a um traficante e, em cujo porta-malas, havia escondido uma bolsa de drogas, sem que ele soubesse. Perseguido pelos traficantes, Robbie é metralhado e morre, mas o demônio Eli lhe dá uma oportunidade de se vingar, restaurando sua vida e concedendo-lhe o poder do Espírito da Vingança. Agora, Robbie precisa enfrentar os traficantes, liderados pelo Dr. Calvin Zabo – o alter ego do vilão Mr. Hyde – cuja droga transforma todos em monstros superpoderosos.

Artista peca pelo exagero visual.

O texto dinâmico e envolvente logo faz o leitor se envolver na história de Reyes e querer saber o que virá a seguir. O clima de violência é um tanto pesado, tanto com a apologia a drogas como com os diálogos, cheios de simulações de palavrões, indicando a vizinhança barra pesada onde mora o protagonista. Faltou, talvez, uma advertência na capa com restrição de idade para os leitores, porque, definitivamente, esta não é uma HQ para crianças. A arte caricata e de qualidade duvidosa do artista Tradd Moore por vezes deixa confuso o que está acontecendo, mas não tira o mérito da HQ, repleta de ação.

Gabriel Luna interpreta o herói na TV. Incrível!

Segundo a editora, serão dois encadernados pré-Guerras Secretas, então podemos esperar o próximo para breve. Recentemente, a Marvel vem sofrendo com as baixas vendas de suas revistas, motivadas pelas constantes mudanças que a editora tem feito em seus personagens principais. O Motorista Fantasma, contudo, é um dos que, aparentemente, escapou da chuva de críticas, tanto que até ganhou uma versão live-action, interpretado por Gabriel Luna. Uma prova de que, quando os personagens são bem trabalhados, o público leitor aceita as mudanças. Incluindo traduções.