Dica Literária: Diário de Rowley – Um Garoto Supimpa

O livro O Diário de um Banana, escrito pelo cartunista Jeff Kinney, foi lançado em 2007 e teve um sucesso estrondoso nos Estados Unidos, sendo considerado o livro mais vendido no ano de lançamento, permanecendo 114 semanas na lista do New York Times. Tornou-se uma franquia de sucesso e já foi traduzido em mais de 28 línguas ao redor do mundo. No total, já foram lançados 13 livros, mais duas edições especiais (Faça você Mesmo e O Livro do Filme), com o 14º. volume a caminho, além de virar uma franquia de filmes com quatro longas-metragens.

Quem nunca teve aquele amigão dos tempos de escola?

Com tanta popularidade, até que demorou bastante para a série lançar seu primeiro “derivado”. O livro Diário de Rowley – Um Garoto Supimpa (V&R Editora) é protagonizado pelo melhor amigo de Greg (a estrela dos livros Diário de um Banana), que decidiu sair da sombra de seu amigo e fazer o seu próprio diário. O problema é que Rowley é um tanto quanto infantil e inocente, perante a sagacidade de Greg, que acaba revertendo a situação e convencendo o garoto a escrever o diário onde ele continua sendo secundário e Greg é a estrela.

O traço está diferente… porque é Rowley quem “desenha”.

A obra tem o mesmo bom humor da série do Banana, com a narrativa sob o ponto de vista de Rowley e as ilustrações sob o traço do garoto (por isso, não estranhem um Greg um pouco “diferente”). O divertido é que o autor teve o cuidado de incluir fatos que os leitores da série podem identificar, mas narrados sob outra perspectiva, além de muitos fatos inéditos. As confusões e trapalhadas dos personagens, porém, continuam as mesmas.

“Aí ele falou: ‘É um livro de memórias, não um diário!’ e me deu uma livrada.” Livrada merece essa falta de pontuação!

Infelizmente, o livro peca – e bem grave, diga-se de passagem – na gramática. Narrado em discurso indireto, é constante a falta de vírgulas e aspas no texto e a impressão que dá é que tudo é proposital, como se fosse o estilo de Rowley escrever (como ele é uma criança, ainda não tem o conhecimento completo de regras gramaticais). No entanto, a desculpa não cola: sendo um livro voltado para o público infantil, existe a obrigação de trazer uma linguagem correta, pois até o Chico Bento, com sua fala “acaipirada”, emula o jeito de falar do personagem, mas a gramática do texto é impecável, só para citar um exemplo.

“Ah, é! Esqueci de dizer que também não coloquei a pontuação correta.”

A criança assimila o que lê e, num texto sem pontuação adequada, ela vai escrever também dessa forma. Não dá pra conceber um livro infantil que seja recheado de falha tão primária. Por conta disso, o prazer da leitura é diminuído, atrapalhando a imersão no texto e deixando de ser tão prazerosa quanto deveria. A expectativa é que, se houver um próximo volume, essa “linguagem” do Rowley seja melhorada (até porque, como personagem, ele é bem mais estudioso que o Greg, e este escreve corretamente). O livro Diário de Rowley – Um Garoto Supimpa pode ser encontrado nas livrarias ou comprado pelo site da V&R Editora (clique aqui).

Dica Literária: Drako e a Elite dos Dragões Dourados

Lançado no ano passado, o livro Drako e a Elite dos Dragões Dourados é a mais recente obra escrita por Paola Giometti, autora da trilogia Fábulas da Terra (falamos sobre ela aqui). Já faz um bom tempo que li o livro – ele até entrou no Top 10 de melhores livros de 2018 – e estava devendo uma resenha decente, pois não queria fazer uma crítica escrita às pressas.

Primeira versão do livro, lançado de forma independente.

O livro foi escrito quando a autora tinha apenas 16 anos e lançado de forma independente em 2012. Agora chega numa edição caprichada da Editora Lendari, com acabamento em verniz e capa com hot-stamping no título, à altura das grandes obras da literatura. O livro é claramente voltado para crianças, mas também tem elementos que agradam os adultos, como os conflitos internos do protagonista e uma mensagem que valoriza a amizade, a perseverança e a fé.

A autora, no lançamento do livro, ao lado do editor deste blog.

Drako é um dragão vermelho criado artificialmente pela bruxa Creonice, que tinha o objetivo de se tornar importante dentro da Máfia dos Feiticeiros e adquirir poder para conquistar o couro dos dragões dourados, os mais importantes na estirpe dragonídea, capaz de curar todas as doenças. No entanto, a falta de um ingrediente fez com que Drako nascesse sem a fúria característica dos dragões vermelhos, o que frustrou a bruxa.

Lançamento teve direito a Drako e Zezé criado pela Negro Gato Produtos Artesanais.

Ingênuo e gentil, Drako é tratado com desprezo pela sua criadora e encontra a amizade numa mosca chamada Zezé, que vive na sua orelha. Mais vivida, Zezé passa a ajudar o dragão a desenvolver seus dons – ela o ensina a voar e lhe dá vários conselhos a respeito da vida – para que Drako se torne respeitado. Com uma linguagem leve e bem humorada, o livro mostra a missão de Drako em salvar a raça dos dragões dourados do mal perpetrado por sua egoísta “mãe” e os parceiros da Máfia dos Feiticeiros.

Magiquímica ou tecnologia? Drako sai das páginas do livro!

Cheio de reviravoltas a cada capítulo o leitor é envolvido na encantadora amizade entre Drako e Zezé e descobre importantes valores sobre a vida, a bondade, o respeito, a humildade e outros. O livro tem ainda um recurso interativo desenvolvido por André Genesini: apontando a câmera do celular para a capa do livro, ele exibe um dragão em 3D que se movimenta. Para isso, o usuário deve baixar o aplicativo pelo Google Play (disponível para celulares Andróid 4.1 ou superior). É a magia do livro se mesclando com a tecnologia.

A belíssima capa do livro, também pintada pela autora.

A capa traz o subtítulo “livro 1”, o que significa que podemos esperar novas aventuras do simpático dragão e das metáforas utilizadas pela autora que se utiliza do lúdico para transmitir conceitos de amor e respeito ao semelhante. Obras assim são sempre uma leitura agradável e necessária. A obra pode ser adquirida no site da Editora Lendari, clicando aqui

Dica Literária: Lembranças Feitas à Mão

Lançado simultaneamente ao livro Playlist – Vidas em Singles (veja nossa crítica aqui), o microlivro Lembranças Feitas à Mão, de Gislene Carvalho, é um projeto bastante inovador da Andross Editora, por meio do novo selo Simbiose, cujo objetivo é criar uma relação diferenciada entre a editora e os autores para desenvolver obras que fujam do lugar-comum e, dessa forma, também tragam uma percepção diferente para o leitor.

Livro cabe na palma da mão.

No caso desta obra, o formato é a grande novidade: com apenas 6 cm de altura, o livro cabe na palma da mão e entra em sintonia com o próprio título, que traz as lembranças da autora em suas vivências pessoais. Segundo a autora relata em seu prefácio, o livro surgiu de um desafio do editor Edson Rossatto à sua antiga professora da universidade, criando uma estranha ironia: a mestra, que avaliava os textos do aluno, tornou-se a autora avaliada por ele, enquanto editor.

A autora, na tarde de lançamento da obra. (Foto: Arquivo pessoal da autora)

Dessa experiência (ou simbiose?) surgiu uma obra que encanta pela sua simplicidade. Os 25 microcontos presentes no livro provam que é possível dizer muito em poucas linhas – às vezes, uma só. Resgatando suas próprias memórias, a autora nos apresenta fragmentos de sua própria história que, na maioria das vezes, convergem com as histórias pessoais dos próprios leitores e prova que, na leveza das palavras, se esconde um universo de sentimentos e significados.

Uma linha, uma história.

Trata-se de um exercício interessante mergulhar nesse universo dos microcontos e ler as entrelinhas, descobrindo que, em um ou dois parágrafos é possível contar uma história cheia de detalhes que a imaginação do leitor vai criando. A leitura do livro é rápida (dependendo da fluência e velocidade de cada leitor, 10 ou 15 minutos é suficiente para ler a obra inteira), mas o interessante é ler cada microconto e “perder tempo” meditando sobre o que a autora quis transmitir por meio de cada personagem – em sua maioria, mulheres. Nesse sentido, a leitura de cada microconto se torna uma experiência bem mais demorada e agradável. 

Lembranças Feitas à Mão é um livro que pode ser comparado às crianças. Pequenos no tamanho, simples nas palavras, mas cujo interior esconde uma grandeza e uma sabedoria tamanha que ninguém consegue alcançar. Não é à toa que a obra tenha sido escrita por uma professora, cujo conhecimento e experiência de vida revelam mais do que as palavras. São lembranças que marcam e permanecem.

Dica Literária: Guerreiros – Contos sobre Lutadores

Em mais um lançamento da Darda Editora, o livro Guerreiros – Contos sobre Lutadores reúne 15 contos sobre vários homens e mulheres que fazem da batalha o seu estilo de vida. Os organizadores Davi Paiva e Lucas Palhão são escritores que já tiveram obras e contos publicados pela mesma editora, o que lhes garante a experiência para selecionar os textos dentro da temática proposta.

Para quem mata um leão por dia.

Embora a arte da capa remeta a um gladiador, a coletânea não se resume a lutas em arenas. Os textos vão desde lutadores medievais até lendas folclóricas, contos de fantasia e histórias cotidianas, com “lutadores” urbanos cuja batalha é ganhar o pão de cada dia. Como sempre acontece nesse tipo de obra, alguns contos são sempre mais interessantes que os outros e há sempre aqueles que chegam a surpreender, como o caso de A Ferramenta Infernal, de Samuel de Andrade, história que abre a antologia. Com um final inesperado e extremamente criativo, a trama dá uma visão bastante particular sobre um conhecido personagem da literatura fantástica.

Preparados para a guerra

O grande mérito da obra está em abrir as portas para novos autores, que tiveram sua primeira oportunidade de publicar contos neste livro – e começaram muito bem, diga-se de passagem. Autores mais experientes também estão presentes na obra e até mesmo os organizadores participam, com abordagens bem distintas em seus contos: Palhão embarca numa aventura pelas matas brasileiras e lendas indígenas em O Senhor da Lança, enquanto Paiva prefere ambientar seu conto no fictício Raysh, o mundo de fantasia criado por ele mesmo e bastante explorado em sua obra Cavaleiro Negro (já falamos sobre esse livro aqui), com o conto O Olho do Espírito.

Capa do livro

Por sua estrutura simples, Guerreiros – Contos sobre Lutadores proporciona uma leitura bem rápida (cada conto tem até 8 páginas) e pode ser uma excelente opção para ser adotado em escolas, para incentivar novos leitores a tomar gosto pela leitura. O livro tem pode ser adquirido no site da Darda Editora (clique aqui) ou diretamente com os autores.

Dica Literária: O Incrível Hulk

Lançado em dezembro do ano passado – mas só descobri recentemente – o livro O Incrível Hulk, quinto volume da Coleção TV Estronho, de autoria de Saulo Adami, traça um panorama da clássica série de televisão do Gigante Verde no final da década de 1970 e início dos anos 1980. Embora focado na série, o livro é bem completo e traz também outras aparições do personagem da Marvel em animações e longas-metragens para o cinema, além de mostrar sua origem nos quadrinhos.

Livro contém detalhadas informações de bastidores.

Além disso, o autor revela curiosidades de bastidores e apresenta um guia com direito a sinopse e elenco de cada um dos 82 episódios nas cinco temporadas que durou a série, sem esquecer os três longas-metragens que tentaram ressuscitar o seriado e, de quebra, incluir outros personagens da Marvel como Thor e Demolidor, na expectativa de gerar séries solo desses heróis. Tem também o guia de episódios das três séries animadas do Hulk – ou seriam duas séries animadas e uma “desanimada”?

Obra traz entrevista com o desenhista Carlos Magno, que fez Captain Universe/ Incredible Hulk 1 (2006)

Ricamente ilustrado, com fotos da produção e frames capturados da TV, o livro traz ainda uma introdução escrita por uma psicóloga – esposa do autor – analisando o perfil do monstro e sua relação com o próprio comportamento humano e uma entrevista com o desenhista Carlos Magno, que trabalhou em uma importante HQ do Verdão nos Estados Unidos. Em resumo, é um livro muito bom, que serve como guia para colecionadores e saudosistas relembrarem desta série que marcou época, bem como apresentar o programa para um público novo que nunca teve contato com esta versão antiga do Golias Esmeralda.

Hulk, Thor e o “papai” Lee.

Porém, como nem tudo são flores, a obra tem um grave problema. Embora seja de autoria de Saulo Adami, o autor contou com a colaboração de dois especialistas no personagem – Marcelo Amado, que destaca algumas participações especiais nos episódios e José Aguiar, que faz o resumo dos três filmes posteriores à série. É aí que reside o perigo, pois autores com estilos diferentes no mesmo livro provocam uma quebra na narrativa que traz opiniões distintas e destoa no conjunto.

“Sr. Aguiar, não me irrite falando mal da minha série. O senhor não ia gostar de me ver nervoso!”

Exemplo: Adami tem um texto sério e passa o livro inteiro exaltando a série e mostrando sua importância para a cultura pop, sem esquecer, obviamente, que o programa tinha suas bizarrices: tinta verde que desbotava, sapatilhas verdes, peruca mal feita… Era o que o orçamento e a tecnologia da época permitiam e há que se olhar para esses “defeitos especiais” com um ar condescendente. Aguiar, por sua vez, usa do discurso “engraçadinho” (com certo exagero, até) para denegrir todos os filmes posteriores, se opondo totalmente à imagem cult que Adami tentou trazer. Há até um alerta de “informações nocivas à saúde”! Desnecessário e depreciativo.

Hulk de sapatilhas? A série tem suas falhas, mas o livro também dá seus tropeços…

Há também alguns problemas de revisão que destaca o desenhista Alex Ross como brasileiro, a Tempestade dos X-Men como “Auroru” (o nome verdadeiro da moça é Ororo) e erros de pontuação. Não chega a tirar o mérito da obra como um todo, mas poderiam ter sido evitados com um pouco mais de atenção. Esperamos que uma segunda edição do livro corrija essas falhas, pois a obra tem uma boa pesquisa que merece ser valorizada.

“Cabô” o café!! Assim não dá pra controlar a raiva…

O Incrível Hulk pode ser adquirido no site da editora, ao preço médio de R$ 39,90. Vale dizer que a Editora Estronho tem livros de outras séries clássicas de televisão, como Ultraman (falamos sobre este livro aqui), Planeta dos Macacos, Perdidos no Espaço, Kung Fu e a coleção prevê mais lançamentos, entre os quais: A Feiticeira, Terra de Gigantes, Vigilante Rodoviário, Jornada nas Estrelas e outros. Para quem gosta de séries clássicas, é um item obrigatório que não deve faltar na estante.

Dica Literária: Almanaque da Música Pop no Cinema

Desde que O Cantor de Jazz (1927) inaugurou o cinema sonoro, música e filme praticamente se tornaram uma coisa só. Antes disso, até, porque os filmes mudos contavam com pianistas ou orquestras tocando ao vivo enquanto as pessoas acompanhavam as projeções. Mas o fato é que a música é tão importante para o cinema que algumas canções nasceram por causa dos filmes. Outras, deram origem a eles. E outras levaram intérpretes ao estrelato. Há filmes que é impossível lembrar sem associá-los às suas canções-tema.

O autor (ao centro, vestido de Marty McFly) e a banda The Soundtrackers

É disso que trata o livro Almanaque da Música Pop no Cinema (Editora Leya/Lua de Papel), escrito pelo apresentador e músico Rodrigo Rodrigues. Como idealizador e guitarrista do grupo The Soundtrackers, Rodrigues interpretava famosas canções de cinema em shows da banda e a experiência o motivou a escrever o livro, compilando o que de melhor a música pop já produziu em associação com a indústria cinematográfica. Começando com Elvis Presley e Beatles até os dias atuais (o livro foi lançado em 2011), a obra traz uma biografia de quase 120 filmes e a lista de suas trilhas sonoras, tudo repleto de curiosidades de bastidores e perfeitamente organizadinho, como um verdadeiro documento sobre o gênero musical e cinematográfico.

Livro traz informações, imagens e curiosidades sobre trilhas marcantes.

O livro não trata das trilhas chamadas Score (apenas instrumentais, tocadas de fundo nas cenas), mas sim das Soundtracks, as músicas cantadas por astros da música pop que misturam filme e trilha de uma tal forma que ninguém consegue mais imaginar um sem o outro. Por exemplo, alguém conseguiria pensar em Titanic (1997) sem vir à cabeça a melosa canção de Celine Dion? Ou Grease (1978), sem se lembrar de John Travolta e Olívia Newton-John rebolando ao som de You’re the One that I Want e Summer Nights? E o que dizer das sempre excelentes trilhas dos filmes de 007, quase tão icônicas quanto o personagem?

Lista completa das músicas de cada filme faz parte da obra.

O Almanaque da Música Pop no Cinema é ricamente ilustrado, com cenas dos filmes, seus respectivos pôsteres e a capa do CD no box que lista todas as músicas constantes do mesmo. Um livro tão gostoso de ler que se torna ainda melhor se, a cada capítulo/filme, o leitor colocar a trilha sonora respectiva ao fundo enquanto descobre as curiosidades e informações a respeito dela. Assim como o filme e sua trilha não se separam, este livro também não é para ser lido em silêncio.

Dica Literária: Vertigo – Além do Limiar

Fruto de mais um esforço coletivo de artistas e fãs de quadrinhos, o livro Vertigo – Além do Limiar foi lançado no último Festival Guia dos Quadrinhos, que aconteceu nos dias 14 e 15 de abril, no Club Homs, em São Paulo. A obra é o segundo projeto lançado pelo criador do site Guia dos Quadrinhos e responsável pelo evento, o designer Edson Diogo. O primeiro foi o livro Os Mundos de Jack Kirby, lançado em 2017, comemorando os 100 anos do artista, cocriador do Universo Marvel, e contendo 100 artes de desenhistas nacionais homenageando as criações do “Rei”.

Primeiro livro lançado pelo site homenageou Jack Kirby.

Em Vertigo – Além do Limiar, a premissa foi basicamente a mesma: comemorar os 25 anos do selo adulto da DC Comics com 25 artistas nacionais dando sua visão particular sobre os personagens do selo. Desta vez, porém, o livro ganhou um atrativo: além dos desenhos, há também 25 contos (está mais para depoimentos) de jornalistas, roteiristas e editores contando suas impressões sobre os personagens, gerando uma obra muito mais rica no quesito literário. A obra foi editada por Diogo e organizado e diagramado pelo quadrinhista Will.

Edson Diogo, orgulhoso, exibe sua obra.

Os textos incluem profissionais do cacife de Leandro Luigi Del Manto (editor que trabalhou na Editora Abril na década de 1990 e foi responsável pelo lançamento dos primeiros títulos da linha Vertigo no Brasil), Manoel de Souza (editor da revista Mundo dos Super-Heróis), Sidney Gusman (atual editor da Mauricio de Sousa Produções), Levi Trindade (editor da linha DC da Panini), Alex Mir, Cassius Medauar, Daniel Esteves, Maurício Muniz, Felipe Folgosi, Carol Pimentel, Marcelo Alencar, Franco de Rosa… todos nomes importantes do mercado de quadrinhos no Brasil.

Textos apaixonados contam a história da Vertigo

Os artistas que ilustraram a obra também incluem nomes consagrados no mercado brasileiro: Laudo Ferreira, Omar Viñole, Joel Lobo, Octavio Cariello, Thiago Spyked, Will, entre outros. Muito mais do que simples depoimentos de fãs, relatando o quanto os títulos da Vertigo tocaram suas vidas, o livro traça um panorama do que foi o selo, destacando sua importância e seu pioneirismo na história das Histórias em Quadrinhos, revolucionando um mercado que andava estático e apagado. Tudo escrito com muita paixão, por quem entende do assunto.

Arte de Joel Lobo para o conto sobre a série Orquídea Negra, escrito por Felipe Folgosi

A obra tem uma linguagem acessível e um visual bastante agradável, com a imagem complementando os textos, ao invés de se tornar um elemento à parte. Além disso, como se trata de textos curtos (quatro páginas para cada título do selo), o livro tem uma leitura viciante, de modo que é impossível terminar de ler um sem se sentir motivado a ler o seguinte. Finalizando cada texto, um perfil de cada autor (texto e imagem) e uma breve resenha do título homenageado (escrito por Ben Santana), enriquecendo a obra com informações editoriais.

Visão de Octavio Cariello para a série Preacher.

Completa a obra entrevistas exclusivas de Wilson Simonetto com Karen Berger (editora responsável pela criação da Vertigo), Jamie Delano e Peter Milligan (roteiristas) e depoimentos de Jenette Kahn e Paul Levitz, editores da DC Comics na década de 80/90, bem como uma lista de todos os títulos da Vertigo publicados no Brasil e suas respectivas edições.  Vertigo – Além do Limiar não é apenas um catálogo ilustrado ou um material feito de fã para fã. Trata-se de um rico trabalho de pesquisa e um documento histórico que serve como fonte de informações sobre o selo Vertigo desde sua criação até os dias atuais. Para adquirir o livro, entre em contato com o autor pelo email guia@guiadosquadrinhos.com.