Top 10 – Melhores livros lidos em 2018

Finalizando nossa retrospectiva, hoje vamos eleger os 10 melhores livros do ano. Já faz algum tempo que tenho estabelecido uma meta de ler 52 livros por ano (um por semana). Claro, a correria do dia a dia não permite que eu atinja essa meta, mas consigo manter uma boa meta. Neste ano, foram 30 livros lidos (29, na verdade, com um em finalização), dos quais listo aqui os dez melhores.

Sempre uma diversão garantida

10 – Diário de Um Banana 13 – Batalha Neval (Jeff Kinney)– A série Diário de um Banana já rendeu 13 livros e quatro filmes para o cinema. É um fenômeno mundial e inaugurou um estilo divertido que foi copiado por muitos outros autores. A cada nova edição, o “banana” Greg Heffley se mete em muitas confusões em sua busca por popularidade e, talvez aí esteja o sucesso da série, são situações pelas quais muita gente passa também – reservadas as devidas proporções. Após 13 livros, o texto não tem muita novidade e acaba sendo “mais do mesmo”, mas é sempre uma diversão garantida.

Quatro em um

9 – Coração de Vidro (José Mauro de Vasconcelos) – Livro bem antigo (é de 1964), conta uma mesma história narrada sob quatro pontos de vista diferentes: um pássaro, um peixe, um cavalo e uma árvore. O sensacional é perceber como cada história se relaciona com a outra e como transmite preciosas lições sobre empatia, liberdade, respeito com a Natureza, solidão e saudades. Leitura perfeita para pais ensinarem esses valores às crianças.

Lições de vida em família.

8 – Família – Urgências e Turbulências (Mário Sérgio Cortella) – Qualquer livro do filósofo Cortella é uma aula de sabedoria, além de proporcionar uma leitura rápida e fluente, sem termos incompreensíveis. Esta obra reflete sobre as relações familiares e sobre como os pais sentem dificuldades em educar os filhos nos dias atuais, porque desaprenderam a estabelecer limites. Educação não é receita de bolo e cada família tem o seu jeito e a sua vivência de educar os filhos, mas algumas normas são universais e é exatamente estas que o filósofo traz à tona, com toda propriedade que lhe cabe.

Coleção baseada nas séries de TV

7 – Coleção TV Estronho – O Incrível Hulk / Ultraman – Dois livros que fazem parte de uma coleção que resgata clássicos seriados de TV, são um verdadeiro guia para os fãs. O livro do Incrível Hulk, de autoria de Saulo Adami, traz curiosidades de bastidores da série do Verdão, com direito a uma trajetória também pelos desenhos animados, quadrinhos e longa-metragens do cinema. Já o livro do Ultraman, de Danilo S. Modolo (falamos sobre ele aqui), é bem mais informativo, com entrevistas com dubladores originais do seriado japonês além de traçar a trajetória do herói e séries derivadas. Ambos os livros trazem guia de episódios com sinopses detalhadas. Obra de fã.

Fantasia medieval

6 – Drako e a Elite dos Dragões Dourados (Paola Giometti) – Ainda estamos devendo uma matéria mais completa sobre este livro na seção Dicas Literárias, mas já podemos colocar o livro no ranking. Mais uma obra encantadora da autora Paola Giometti, que já nos encantou com a trilogia das Fábulas da Terra (falamos um pouco sobre ela aqui) e, desta vez, nos leva ao reino dos dragões para ensinar valores como a perseverança, a fé e a amizade, independentemente da raça, cor ou condição. Um texto agradável e cheio de reviravoltas a cada capítulo.

Dose cavalar de literatura

5 – A Última Corrida (Marcos Rey) – Obra do famoso autor paulista, datada de 1963, tem como cenário os bastidores das corridas de cavalo, muito mais populares em décadas passadas. E um assunto velho, datado e desinteressante se torna, nas mãos de Marcos Rey, uma história fascinante e envolvente. O autor dominava a arte da escrita como ninguém e soube, com seus livros, trazer muita cultura e um retrato da sociedade de sua época, sempre tendo como pano de fundo as esquinas de São Paulo.

É um livro ou um CD?

4 – Playlist – Vidas em Singles (Leandro Schulai) – Um projeto pra lá de criativo, tanto do autor quanto do editor. O primeiro escreveu contos relacionados a músicas que fizeram parte da sua vida. O segundo criou um livro num formato diferenciado que lembra um CD e reunirá mais três edições até 2021, cujas capas, colocadas lado a lado, formam uma imagem única. Não tem como não se encantar! Mas fora essa questão estética, os textos são muito bons e você praticamente ouve as músicas enquanto lê. Aliás, uma sugestão para leitura é exatamente ouvir a música enquanto lê o conto, tornando a interação entre história e canção ainda mais viva. São experiências criativas que um livro é capaz de proporcionar…

Pesquisa aprofundada sobre a trajetória do Homem de Aço.

3 – Superman – Uma Biografia Não Autorizada (Glen Weldon) – Um verdadeiro dossiê sobre tudo o que se sabe sobre o Homem de Aço, passando pelos quadrinhos, rádio, teatro, séries de TV, cinema, games… enfim, um extenso e completíssimo trabalho de pesquisa realizado pelo autor que só foi estragado pela falta de zelo na edição brasileira, cheia de erros de tradução e digitação. Porém, isso não tira o mérito da qualidade do material original, indispensável para quem é fã do personagem que inaugurou a era dos super-heróis. 

Celebrando 25 anos do selo

2 – Vertigo – Além do Limiar (Vários Autores) – Encabeçado pelo designer, fã de quadrinhos e administrador do site Guia dos Quadrinhos, Edson Diogo, o livro reúne jornalistas especializados em quadrinhos, roteiristas, profissionais da área e conceituados desenhistas em contos para comemorar os 25 anos do selo Vertigo, propriedade da DC Comics. Fizemos nossa crítica mais detalhada aqui, mas vale destacar que o conjunto da obra, que inclui o texto e as artes exclusivas que ilustram cada um deles, além da edição primorosa e impressão de qualidade fazem valer cada centavo gasto com o exemplar. Merece destaque como um dos melhores do ano, com todo mérito!

Livro para ouvir

1 – Almanaque da Música Pop no Cinema (Rodrigo Rodrigues) – O cinema e a música têm uma relação desde os primórdios da sétima arte, quando os filmes eram mudos e as orquestras ocupavam os saguões dos cinemas, animando as projeções com uma trilha sonora incidental. De lá para cá, muito se evoluiu a algumas músicas se tornaram tão marcantes que é impossível separá-las de seus respectivos filmes. Esse livro compila várias delas, de todas as épocas, com curiosidades de bastidores dos filmes e um checklist completo de sua trilha sonora. Ideal para, assim como relatado no item 4 deste check list, ler ouvindo. Uma leitura divertida com uma trilha deliciosa.

Dá pra ficar doente com esse vírus…

Mico Literário – Ambientado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, o livro O Vírus Literário Bagunça a Bienal (A. D. Fróss) tem a pretensão de ser uma obra infantil. Mas tem um texto confuso, que se propõe a explicar como funciona o mercado editorial e os bastidores do popular evento, misturando a fantasia de um vírus vilão e um vagalume super-herói que se torna amigo do protagonista… enfim, a história atira para todo lado e não acerta lugar nenhum. Um horror!

Feliz 2019 a todos os leitores e seguidores do blog Raio X!

Com este post, encerramos nossa Retrospectiva 2018. Desejamos a todos os nossos leitores um Feliz Ano Novo e que 2019 traga muitas coisas boas, entre livros, filmes, quadrinhos, games, séries de TV… Nos vemos no ano que vem com nosso Preview Cinema 2019!!

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Top 10 – O Melhor dos Quadrinhos 2018

Dando continuidade à nossa Retrospectiva Nerd 2018, segue agora a lista dos melhores quadrinhos que li neste ano. Você vai notar a predominância de títulos encadernados com republicações de histórias clássicas e pouca coisa recente, com a ausência de títulos mensais. Tudo isso é fruto da baixa qualidade das HQs atuais, cujas histórias vêm caindo mais e mais na mediocridade. Obviamente não se pode generalizar: ainda se encontra muita coisa boa nos títulos atuais, mas o perigo de gastar dinheiro à toa com o que não presta enquanto caça algo bom é tão grande que preferi investir no porto seguro. Tomara que essa situação melhore no próximo ano.

Quadrinhos e Hard Rock: tudo a ver

10 – Noites de Trevas: Metal – A primeira super saga da fase Renascimento envolvendo vários títulos da DC teve uma premissa interessante envolvendo um demônio milenar, um metal desconhecido, um segredo guardado pelo Batman… e rock metal! A Panini caprichou na apresentação do material, com cinco edições mensais de capa metalizada e dois especiais com verniz envolvendo os títulos paralelos (Liga da Justiça, Jovens Titãs, Arqueiro Verde, Flash, Asa Noturna, Esquadrão Suicida, Hal Jordan e a Tropa dos Lanternas Verdes). Com isso, os 26 títulos americanos foram compactados em apenas sete edições, proporcionando uma boa economia. A história não é nota 10, mas é interessante e a apresentação caprichada valorizou o material, chamando a atenção na banca e despertando o interesse do leitor eventual. Ponto pra Panini!

Só boas HQs de mundos alternativos.

9 –  O Que Aconteceria Se…? (Coleção de Graphic Novels Salvat – Clássicos XXXVII) – Em 1977, a Marvel criou seu conceito de “Multiverso” – embora não o chamasse dessa forma – com excelentes versões alternativas de histórias clássicas com um final diferente. Narradas pelo Vigia, o ser que observa tudo no Universo sem poder interferir,  a ideia deu supercerto. Este encadernado compila algumas excelentes histórias, três delas inéditas no Brasil. Um dos melhores volumes da coleção de clássicos da Salvat.

 

Santo encadernado, Batman!

8 – Batman: Gotham 1889 – A HQ que inaugurou a linha Elseworlds (no Brasil, chamada de Túnel do Tempo) mostra uma versão vitoriana do Batman, convivendo com Jack, o Estripador. Além da história que, por si só, já é excelente, a Panini teve a ótima ideia de publicar no mesmo encadernado a continuação da trama, que não é tão boa quanto a antecessora, mas também é bem bacana. Tudo isso por um preço acessível. As duas histórias juntas mostram o porquê do Batman ser um dos maiores ícones do Universo DC, pois tem a versatilidade de ser colocado em qualquer época ou local sem perder sua verossimilhança.

 

Força jovem

7 – Lendas do Universo DC – Novos Titãs: Depois de N títulos do Batman, alguns do Superman e quatro volumes da Mulher-Maravilha da fase criada por George Pérez, a coleção dos Novos Titãs pelo mesmo artista foi uma grata surpresa. Com histórias clássicas dos anos 1980 escritas pelo roteirista Marv Wolfman, é impossível não se deleitar com o texto dinâmico e a deliciosa arte de Pérez, cuja fase contou com uma química muito boa entre os heróis e lançou ameaças dignas dos jovens heróis, como a Colmeia, o Exterminador e Trigon. E ainda vem muito mais por aí!

Quadrinhos de classe

6 – Lendas Disney 1 – Esta edição já começa a ser legal pelo formato diferenciado, um intermediário entre os especiais em capa dura e os mensais temáticos. A edição maior e o papel diferenciado eram um toque de requinte e as histórias são de altíssima qualidade, pois apresentam as primeiras HQs do Superpato, todas antecedidas por um completo editorial contextualizando a história e repleto de curiosidades. Um título feito com muito carinho que, infelizmente, não passou da primeira edição com o cancelamento dos títulos Disney pela Editora Abril. Quem sabe com a chegada da editora gaúcha Culturama, esse projeto seja retomado. O mercado e os fãs dos personagens Disney merecem.

Oito volumes de uma vez só, para acalmar a raiva dos fãs.

5 – Coleção Histórica Marvel: O Incrível Hulk – Uma Coleção Histórica do Incrível Hulk era um antigo pedido dos fãs do Gigante Verde, que a Panini resolveu atender este ano. E ninguém pode reclamar, pois não foi apenas uma coleção, mas duas, em oito volumes, da fase escrita por Bill Mantlo e desenhada por Sal Buscema, que marcou a transição dos quadrinhos do Verdão da antiga editora RGE para a Editora Abril, no começo dos anos 1980. Nesses oito volumes, alguns momentos icônicos, como a luta do Golias Esmeralda com o Poderoso Thor, a “cura” pelas mãos do Líder, a batalha contra o Capitão Marvel, o inusitado encontro com Rocky Racum (numa das primeiras aparições do personagem) e a fase do “Hulk Inteligente”, entre outros. Se os roteiros eram um tanto quanto inocentes, os oito volumes valem pelo valor histórico. Imperdível!

O símbolo de uma luta que deveria chegar ao fim.

4 – Graphic MSP – Jeremias: Pele – O projeto Graphic MSP teve início em 2012 (sim, já faz seis anos!) e trouxe uma revolução ao mercado editorial. Quando a gente pensa que o selo iria entrar numa zona de conforto, ele nos apresenta esse álbum sensacional escrito por Rafael Calça e desenhos de Jefferson Costa, reinterpretando o personagem negro da Turma da Mônica, numa história sobre racismo e preconceito, mas sem cair na pieguice do discurso militante. É uma história humana, real, vivida pelos autores em sua própria… bem… pele, que nos faz pensar sobre a importância de se lutar contra qualquer tipo de discriminação – inclusive a velada – desde a mais tenra idade, para que nossas crianças possam crescer com igualdade e a capacidade de lutar para alcançar seus sonhos. Uma leitura obrigatória!

Quadrinhos é cultura e essa edição é a prova concreta.

3 – O Melhor da Disney – Brasil 1950-1952 – Como parte do mesmo projeto de Lendas Disney (veja nossa sexta colocação), este título se propunha a reunir as melhores histórias da Disney publicadas no Brasil em determinado período de tempo (no caso desta edição, dos anos 1950 a 1952). Mas não apenas isso: a revista tinha o mesmo capricho editorial (capa cartão, preço intermediário, papel de qualidade) e uma parte jornalística repleta de curiosidades sobre as histórias publicadas e sobre o que se passava no País naqueles anos nas áreas da cultura, esporte e quadrinhos. Mais que “apenas” uma HQ, uma aula de História que, infelizmente, também ficou pela metade (espera-se, por pouco tempo).

Fofura Hard Level

2 – Graphic MSP – Horácio: Mãe – Elogiar os títulos do selo Graphic MSP é chover no molhado. Mas esta edição é histórica e especial, pois trata-se da primeira vez que o autor Mauricio de Sousa, que sempre fez questão de escrever ele mesmo as historinhas do dinossauro Horácio (para manter o tom filosófico do personagem e transmitir sua própria visão de mundo) permitiu que seu “filho” fosse cuidado por outra pessoa. O autor Fabio Coala correspondeu à confiança do Mestre e nos presenteou com uma história terna, emocionante e, claro, bastante filosófica, onde Horácio vai em busca de suas origens. O traço infantil de Coala esconde um texto adulto, que nos transmite uma profunda lição de vida. Um álbum encantador!

Tesouro oriental

1 – Coleção Histórica Marvel: Mestre do Kung Fu – Uma compilação de histórias do Mestre do Kung Fu, seja em Coleção Histórica, seja em capa dura da Salvat, seja em qualquer edição especial, era um sonho impossível. Por questões de direitos autorais do uso dos personagens de Sax Rohmer, a Marvel estava proibida de republicar as HQs do personagem, que fizeram tanto sucesso na década de 1970, época em que as artes marciais dominavam a mídia. Mas um acordo entre os herdeiros do autor e a editora do Homem-Aranha liberaram esse material e os leitores foram presenteados com esse tesouro em forma de quadrinhos. Assim como o Hulk, já foram publicados seis volumes (mais dois a caminho) e a expectativa é que virão mais, pois a saga do lutador é bem extensa. Um delírio visual acompanhar as coreografias das lutas do protagonista, num estilo quase cinematográfico.  

Boa premissa, péssima execução

HQ Mico – A fase Renascimento inaugurou uma nova era para os quadrinhos da DC depois do malfadado reboot que originou o período conhecido como Os Novos 52, em 2011. Resgatando alguns conceitos antigos para os super-heróis, os títulos da DC ganharam novo fôlego e histórias muito mais emocionantes, mas o título Superwoman (nada a ver com a Supergirl) é uma decepção neste meio, embora a premissa seja muito boa. O problema é que, para entender a origem da heroína o o seu papel no novo universo DC, o leitor precisa ter conhecimento prévio de muita coisa que veio antes e isso é que atrapalha. Sem contar que as aventuras são muito focadas no chororô dos dramas pessoais da protagonista, tornando a leitura desinteressante. Um micão!

Amanhã temos o último post da retrospectiva, com os melhores livros do ano! Estejam conosco!

Top 10 – O Melhor do Cinema 2018

Final de ano chegando, já é hora de começar aquela velha e tradicional retrospectiva. E o nosso blog começa com os dez melhores filmes de 2018. Foi um ano de excelentes produções, grande parte delas dando continuidade a franquias de sucesso, o que já serviu para deixar a expectativa lá no alto (ou não). De modo geral, posso dizer que fiquei satisfeito com o que vi, salvo raras exceções – só uma, na verdade, que entrou no nosso troféu Cine Mico. O restante, se não entrou na lista, também não decepcionou e cumpriu a função primordial da sétima arte, que é a diversão, pura e simples.

2018 foi um ano muito bom para o cinema!

Como fazemos todo ano, cabe a velha justificativa: listas sempre são polêmicas e, claro, a minha preferência com certeza será diferente da sua. Aquele filme que você achou ruim, pode ser o que mais gostei e o que você mais gostou, talvez nem tenha entrado no meu Top 10. Alguns filmes que tinha vontade de ver, acabei não vendo por pura falta de tempo e dinheiro, então, é provável que a lista fosse até diferente se tivesse visto tudo que tive vontade. Mas, daquilo que vi, está aí o resultado:

Injustiçado

10 – Han Solo – Uma História Star Wars – Dentro da franquia Star Wars, este foi o maior fracasso, com apenas US$ 213,7 milhões na bilheteria americana, a mais baixa da saga. Mas o problema nem é do filme, mas talvez do excesso de longas desde que a Disney resolveu lançar uma nova trilogia, o que acabou fazendo os fãs perderem o interesse na marca. Han Solo é um filme ágil, divertido, que estabelece alguns conceitos para o protagonista que viriam a se tornar canônicos e tem ótima caracterização do ator Alden Ehrenreich no papel principal. Não é nenhuma obra-prima, mas também não merece ser tão escorraçado.

Conclusão digna.

09 – Maze Runner – A Cura Mortal – Depois de uma espera de três anos entre um filme e outro (tempo este dedicado à recuperação do ator Dylan O’Brien, que se acidentou durante as filmagens e os produtores não quiseram substituí-lo por outro ator), o terceiro capítulo encerrou a saga – obviamente pelo mesmo motivo, já que são cinco livros e todos os atores já estariam muito velhos para seus papéis de adolescentes – com chave de ouro. Uma trama intensa, ágil, cheia de reviravoltas e que a gente assiste com a respiração presa. Os produtores souberam dar um fechamento digno e coerente, o que é muito difícil quando uma produção é envolta em problemas e vem de um segundo capítulo morno.

Venom devorou as bilheterias mundiais

08 – Venom – E quem diria que o refugo do universo do Homem-Aranha, cujos trailers indicavam que seria uma bomba, acabaria se saindo tão bem a ponto de superar até mesmo a poderosa Mulher-Maravilha (personagem muito mais popular) na bilheteria? Claro que bilheteria não é sinônimo de bom filme, apenas indica que o estúdio soube atender o apelo do público. Porém, Venom não é ruim, embora também esteja longe de ser bom. É uma boa diversão, que entretém e consegue tirar leite de pedra, uma vez que o personagem é raso feito um pires e dificilmente renderia uma boa história. Só por isso, merece figurar entre os dez melhores.

Booyah!

07 – Jovens Titãs em Ação! nos Cinemas – Ah, desenho animado, quem não os curte? Ainda mais um feito com tanta paixão, com tantas boas referências ao universo DC e piadas tão inteligentes? Jovens Titãs soube explorar as características dos personagens e presenteou o público com um filme leve e gostoso de ver.

Aventura em família

06 – Incríveis 2 – Há quem diga que o roteiro desta continuação é praticamente o mesmo do primeiro, só com outros personagens. Vou concordar que, analisando friamente, a afirmação tem um fundo de verdade. Porém, isso não tira o mérito do longa, que é bem divertido e que dá muito mais espaço ao Zezé, que é o “ladrão de cenas”. Se o filme não correspondeu às expectativas dos 14 anos de espera entre uma aventura e a outra, talvez seja porque a Pixar é melhor com novidades do que com continuações. Mesmo assim, a produtora continua imbatível na produção de obras-primas.

Anti-herói nacional com qualidade hollywoodiana.

05 – O Doutrinador – Eu já disse várias vezes por aqui que não gosto de filmes brasileiros. Filme de um super-herói nacional, praticamente desconhecido, é pra ficar com os dois pés atrás. Mas o Doutrinador quebra todos os preconceitos que possam existir com o gênero, pois é um filme que não economizou na qualidade técnica, digna dos melhores estúdios de Hollywood. Enquanto os americanos tentaram, sem sucesso, levar o Justiceiro para as telonas, o criador Luciano Cunha acertou de primeira no tom de seu personagem, num roteiro incrível que mistura ação, drama e suspense.

Quem é rei nunca perde a majestade

04 – Aquaman – Aos poucos, a DC vai se ajeitando e estabelecendo seu universo de super-heróis. O irônico é que seja o Aquaman, um personagem sempre desprezado e relegado às mais infames piadas por conta de sua suposta “inutilidade” entre os poderosos da Liga da Justiça – o que não é verdade – aquele que subiu o degrau mais alto depois da Mulher-Maravilha, no ano passado. O Rei dos Mares veio com um filme que enche os olhos e os ouvidos, com visual acachapante e trilha sonora deliciosa, mas derrapa no ritmo do filme, que começa bem, cansa no segundo ato e só engata no clímax final. Entre mortos e feridos, foi melhor do que a maioria dos filmes deste ano, o que não é pouco.

Épico Marvel

03 – Vingadores: Guerra Infinita: Sem dúvida, o filme mais aguardado do ano, Guerra Infinita é o ápice da Marvel Studios no cinema, a resolução dos mais de 20 filmes que convergiram para esta reunião épica de super-heróis. Desde Homem de Ferro (2008), os filmes da Marvel construíram um universo interligado como nos quadrinhos, que apontaram para a reunião dos heróis em Vingadores (2012). A cena pós-créditos, mostrando Thanos como o grande arranjador dos eventos chega ao seu clímax, reunindo TODOS os personagens num único filme que, se tem um defeito é exatamente esse: o excesso de personagens deixou uma participação superficial de cada um deles. Mesmo assim, o roteiro foi muito bem conduzido pelos Irmãos Russo, o final foi surpreendente (para quem não leu a HQ na qual o longa foi baseado, bom que se diga) e a continuação será tão aguardada quanto.

Militante sem fazer militância.

02 – Pantera Negra – Se Vingadores foi tão épico, porque o Pantera Negra está uma posição acima? Talvez porque foi um filme muito mais surpreendente. Guerra Infinita eu já conhecia a história e fiquei um tanto frustrado porque já sabia o que ia acontecer (embora tenha tido algumas surpresas, claro!). Já com o Pantera Negra, foi tudo inédito e o filme fez um excelente trabalho ao apresentar o herói africano sem o alarde de levantar bandeiras de representatividade e antirracismo, mas fazendo isso com categoria e dignidade, o que foi ainda muito melhor: o herói não precisou mendigar seu espaço, ele conquistou pela própria qualidade técnica do filme, com belos cenários, uma trama muito bem escrita e as excelentes interpretações. Precisamos de mais filmes como esse.

Viva, destruindo corações sensíveis

01 – Viva – A Vida é uma Festa – Se um filme consegue ser divertido, te fazer rir, cantar, não cansa durante a exposição, tem uma boa história, tem um visual que encanta e, no final, ainda te arranca lágrimas e deixa aquele aperto no peito de emoção, não tem como não elegê-lo como o melhor do ano. Viva – A Vida é uma Festa tem um título medonho, comparado ao original – Coco, em homenagem à avó do personagem principal, o garoto Miguel – mas sua história nos enche de ternura. Mais um gratificante acerto da Pixar, que só nos presenteia com produções da mais alta qualidade.

Predador bom Vs. Predador mau. E piadas ruins no meio.

Cine Mico – Em meio a tantas boas produções, tinha que ter aquela que nos dá vontade de pedir o dinheiro do ingresso de volta. O Predador descaracteriza todos os filmes anteriores da franquia que, apesar de vários fracassos comerciais, ao menos, mantinham a personalidade do monstro como um caçador especial. Neste, tudo é errado, a começar do título – o mesmo do filme original, exceto pelo artigo “O” – que dava a entender se tratar de um reboot da franquia e não de uma continuação. O elenco é péssimo, as piadas são de extremo mau gosto e o Predador… bem… se tornou um defensor da Terra. Onde eu assino para resgatar meu ingresso, por favor?

Tão mágico quanto na estreia, há 40 anos.

Menção honrosa – Para comemorar os 80 anos do Superman, a rede Cinemark exibiu o primeiro longa-metragem do Homem de Aço, estrelado por Christopher Reeve, trazendo de volta a mesma sensação de 1978, quando pudemos ver aquela obra prima em tela grande e som estéreo. O filme já foi exibido à exaustão na TV e nem a versão digital é novidade, já que o blu-ray possibilitou essa melhoria – e ainda com versão estendida, com vários minutos a mais de cenas extras e deletadas (a versão exibida foi a mesma de 1978). Mesmo assim, Superman – O Filme merece uma menção honrosa neste Top 10 por provar que bons filmes não envelhecem. Reeve fez muito mais do que nos fazer acreditar que um homem é capaz de voar: ele também nos fez acreditar que somos capazes de sonhar.

Continue conosco. Nosso Top 10 – Retrospectiva 2018 continua amanhã.

Coisas que você (provavelmente) não sabia a respeito de Viva – A Vida é uma Festa

O filme Viva – A Vida é uma Festa estreou no último final de semana como terceira maior bilheteria do país. É uma história terna, que explora a cultura mexicana e os valores familiares, com muita sensibilidade e emoção. A animação foi feita com muito cuidado (como todo filme da Pixar, diga-se de passagem) e tem uma série de curiosidades a respeito de sua produção. Nós descobrimos algumas delas e revelamos para você.

“É a glória, garoto!”

1 – O filme estreou no México em 27 de outubro de 2017, três semanas e meia antes da estreia mundial, a fim de sincronizar com o feriado do Dia dos Mortos, que acontece de 31 de outubro a 2 de novembro. Em pouco tempo, tornou-se a maior bilheteria daquele país, superando o até então imbatível Os Vingadores (2012). No Brasil, o filme estreou só em janeiro para aproveitar o período das férias, em que os pais estão em casa para levar as crianças ao cinema.

“Receba as flores que eu lhe dooooooou…”

2 – Um elemento-chave da trama é uma pétala de flor alaranjada. Esta flor é chamada de Cempasúchil,  também conhecida como calêndula asteca ou calêndula mexicana. Ela é realmente usada na tradição do Dia dos Mortos servindo como guia para os mortos chegarem até seus familiares.

Muito carinho com a vovó.

3 – O título original “Coco” refere-se à personagem Mamá Coco, a bisavó de Miguel, que sofre problemas de memória. O nome é um apelido para “Socorro”, nome bastante comum no México. No Brasil, o título do filme foi mudado para “Viva – A Vida é uma Festa” para evitar a cacofonia com a palavra “cocô”.  O nome da bisavó também foi mudado no Brasil para Mamá Lupita.

O computador é velho, mas acessa o blog Raio X.

4 – O filme é tão minucioso nos detalhes que, para quem prestar atenção, a “tecnologia” usada na Terra dos Mortos é composta por antiquados walkie-talkies e computadores MacIntosh da década de 80, simbolizando que até os equipamentos estão “mortos”.

Depois da novela “Vovô e eu”, o filme “Bisavó e eu”.

5 – O ator Gael Garcia Bernal faz a voz do esqueleto Héctor, que acompanha o garoto Miguel em sua jornada pelo reino dos mortos. Bernal é o único ator do elenco que dublou o personagem tanto na versão em inglês quanto em espanhol. Outra curiosidade acerca de Bernal é sua grande amizade com o ator Diego Luna, que dublou o personagem principal de Festa no Céu (2014), animação produzida por Guillermo del Toro que também se passa no Dia dos Mortos e o protagonista (que é músico) vai parar na Terra dos Mortos, tornando-se um esqueleto.

Curta cortado.

6 – Como tradicionalmente acontece nos longas da Pixar, o filme principal é sempre precedido de um curta-metragem. Com Viva não foi diferente: o curta era Olaf em uma Nova Aventura Congelante de Frozen, uma história de Natal protagonizada pelo carismático boneco de neve. No entanto, como o filme estreou no Brasil com dois meses de atraso – e, consequentemente, depois do Natal – ele não está sendo exibido nos cinemas. Mesmo no exterior, a aventura de Olaf também foi suprimida após algumas exibições, porque causou desconforto na plateia devido à sua duração (22 minutos).

Giacchino antes e depois da dieta.

7 – A deliciosa trilha sonora do longa, calcada no alegre ritmo mariachi, é composta pelo músico Michael Giacchino, que também foi responsável pela trilha de filmes como Speed Racer (2008), Divertida Mente (2015), Doutor Estranho (2016) e Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), entre outros. O maestro que conduz a orquestra do show de Ernesto de La Cruz no final do filme é uma caricatura “esquelética” de Giacchino. (Ouça a trilha sonora de Viva pelo Spotify, clicando aqui).

Ernesto de La Cruz e sua inspiração.

8 – O personagem de Ernesto de La Cruz foi baseado no ídolo mexicano Pedro Infante (cujo nome verdadeiro era José Pedro Infante Cruz). O ator e cantor atuou em mais de 60 filmes e ganhou o prêmio Urso de Plata no Festival de Cinema de Berlim em 1957. Foi uma das personalidades mais amadas do país, juntamente com Jorge Negrete e Javier Solís, que eram chamados de Los Tres Gallos Mexicanos. Infante também foi representado no filme e interage com Ernesto de La Cruz.

Coincidências animadas

9 – O longa começou a ser produzido em 2011, sendo o filme de maior tempo de produção do estúdio (2011-2017). Por conta disso, as especulações de que seria “cópia” de Festa no Céu (2014) não procedem, uma vez que, quando este estreou, Viva já estava sendo produzido.

Eu entendi a referência!

10 – Como todo filme da Pixar, Viva é repleto de easter-eggs, entre eles: o tradicional A113 (número da sala onde os animadores da Pixar estudaram);  o carro da Pizza Planet; Luxo, a bola amarela; personagens de animações anteriores (Toy Story é de lei) entre outros. No meio de todos estes, há também o momento-merchan: quando Miguel e Héctor chegam à praça onde várias pessoas comemoram os fogos de artifício, na parede, há um pôster de Incríveis 2, que é a próxima animação da Pixar a estrear em 15 de junho de 2018.

Top 10 – Melhores livros lidos em 2017

Encerrando nossa Retrospectiva 2017, vamos agora à lista dos melhores livros lidos este ano. Importante dizer que, como livros são algo mais permanente e exigem mais tempo para ler, as obras que figuram nesta lista não são, necessariamente, lançadas em 2017 (por isso mesmo, o título não é “Melhores de 2017”). Muitas delas estavam na lista de desejos e só este ano foram adquiridas; outras aguardavam um tempo livre para serem apreciados e, finalmente, há também os lançamentos, sempre bem-vindos.

Ler é uma viagem.

No início do ano, fiz um propósito de ler mais livros em 2017, visto que eu dava muita prioridade aos quadrinhos e deixava de ler algo mais complexo. Minha meta era um livro por semana, totalizando 52 livros, mas claro que isso não foi possível, uma vez que alguns deles demandaram mais tempo, nem sempre algo que me sobra. Num balanço geral até que fui bem: consegui ler 36 obras, entre os mais densos, obras de leitura mais rápida e livretos curtos, que lia no mesmo dia. A meta continua para 2018. E estes são os melhores deste ano.

Projeto educacional brilhante

10 – Aquarela (Alan Almario e Camila Soares) – Este é o terceiro livro fruto de um projeto pedagógico da Universidade Ibirapuera que insere os alunos do curso de Pedagogia na criação de contos com temática inclusiva. A primeira obra tratou de contos de fada recontados sob o ponto de vista de outros personagens; a segunda foi especificamente sobre inclusão social, com personagens das mais variadas minorias sociais; esta homenageia as músicas infantis que foram sucesso na televisão e tocou muito nas rádios. Cada conto tratava do tema seguindo a letra das músicas, num exercício de criatividade único e inovador. Uma pena que estes livros não estão à venda (foram produzidos pelos alunos apenas como trabalho de conclusão de curso e distribuídos em tiragem limitada), mas representam um esforço louvável dos professores Alan e Camila na busca pela valorização do processo educacional, tão decadente em nosso País.

Cantando os escritos… ou vice-versa.

9 – Ruído Branco (Ana Carolina) – Que Ana Carolina é uma excelente cantora, é indiscutível. Dona de uma voz ímpar e dotada de grande afinação, a cantora se destaca num cenário musical onde a qualidade nem sempre é predominante. No ano passado, ela também enveredou pelo caminho da literatura e lançou seu primeiro livro, com escritos aleatórios que incluíam poesias, prosas e letras de música inéditas, além de muitas fotos do seu acervo pessoal. A leitura é rápida, agradável e desperta muita reflexão. Uma delícia!

Aqui tem o Ragnarok verdadeiro, não aquela piada cinematográfica.

8 – Os Filhos de Odin (Padraic Colum) – Mitologia é um assunto que sempre me interessou. Quando se fala dos nórdicos, então, o interesse cresce mais ainda, por conta dos personagens fazerem parte do acervo de super-heróis da Marvel. Este livro traz contos originais da mitologia nórdica – muitos deles, quadrinizados por Stan Lee e Jack Kirby – numa linguagem atual e acessível a todas as idades. Muito bom conhecer detalhes dessa história que só conhecia pelos quadrinhos.

Texto ágil e inteligente.

7 – Por que fazemos o que fazemos? (Mário Sérgio Cortella) – O filósofo fala, com clareza e sem rodeios, das motivações que nos leva a tomar certas atitudes e orienta como superar alguns vícios que atrapalham o nosso convívio social. Uma aula de boa educação, que resgata valores e ensina que nem tudo que parece interessante num primeiro momento será positivo em nossa vida profissional.

Fábula encantadora

6 – O Chamado dos Bisões (Paola Giometti) – Terceiro livro da série Fábulas da Terra (que já contou a origem dos lobos e das águias), esta obra aborda o tema das migrações, feitas pela espécie dos bisões (uma espécie de búfalo que habita a América do Norte). Ao se perder da sua família, a pequena Mika inicia uma jornada para reencontrar sua família e aprende sobre a importância das mudanças. Uma história encantadora para adultos e crianças.

Uma série cada vez mais embananada.

5 – Diário de um Banana Vol. 12 – Apertem os Cintos (Jeff Kinney) – Os livros da série Diário de Um Banana completam 10 anos contando as desventuras do adolescente Greg Heffley em sua busca por popularidade. Este 12º. volume (sim, a conta está certa. Foram 12 livros em dez anos, sem contar os especiais Faça Você Mesmo e O Livro do Filme), mostra a família Heffley indo passar as férias num resort paradisíaco, mas claro que nem tudo sai como o planejado. Na verdade, nada sai como o planejado e o garoto vive as situações mais estapafúrdias, num roteiro que lembra bastante o filme Férias Frustradas, estrelado por Chevy Chase. Hilário.

Bom humor do cotidiano

4 – Diálogos Impossíveis (Luiz Fernando Veríssimo) – O estilo irreverente de Veríssimo é sempre uma leitura agradável, seja na sua coluna semanal no jornal O Estado de São Paulo, Zero Hora e O Globo, seja nos livros que compilam suas crônicas. Neste livro, a premissa é mostrar diálogos totalmente improváveis, que sempre resultam em muito bom humor. Um exemplo: Batman se encontra com o Conde Drácula no asilo e refletem sobre a vida e a morte. Outro mostra a mágoa de Isaac com seu pai Abraão, anos depois deste tê-lo tentado oferecer em sacrifício para Deus. É um mais divertido que o outro, sempre com leveza e uma conclusão surpreendente, como compete às boas crônicas.

O nascimento de um vilão. Ou quase isso.

3 – Cavaleiro Negro (Davi Paiva) – O fato do livro estar entre os três primeiros não é apenas uma gentileza com o autor, que faz parte do meu rol de amigos, mas porque a história é realmente boa. Conta a trágica história de Fidler Koogan e sua busca por vingança no fictício reino de Ryddle, tornando-se um hábil espadachim e usando todos os recursos possíveis – inclusive os não tão éticos – para conseguir seu objetivo. A trama é tão envolvente e bem escrita que você simpatiza com as trapaças de Koogan e dá razão a seus atos. Com claras influências de obras como Game of Thrones, O Senhor dos Anéis, Star Wars, Eragon e games como Ragnarök e Magic – The Gathering, tanto o reino como os personagens são desenvolvidos com profundidade e coerência.

Tributo a um mestre

2 – Os Mundos de Jack Kirby (Edson Diogo e Will) – Para comemorar o centenário de Jack Kirby, cocriador do Universo Marvel juntamente com Stan Lee, o site Guia dos Quadrinhos reuniu 100 artistas nacionais, onde cada um deu sua visão para um dos personagens criados pelo “Rei”. Só por este esforço hercúleo, o livro já mereceria um prêmio. Porém, ele é mais do que isso, pois reúne obras espetaculares para prestar um tributo às criações de Kirby. É um verdadeiro museu portátil, onde podemos apreciar lindíssimas obras de arte ladeadas por uma breve biografia dos personagens retratados e dos criadores. Mais do que um livro voltado apenas aos fãs de quadrinhos, a coletânea mostra também aos que não são familiares a este universo a grande contribuição que Jack Kirby deixou para a cultura em geral.

Agora é hora de alegria!

1 – Sílvio Santos – A Trajetória do Mito (Marcelo Morgado) – A popularidade que Sílvio Santos possui não é à toa. Ela não veio por um golpe de sorte ou por ele ter nascido em berço de ouro, nem tampouco foi conquistada por bobagens instantâneas postadas num vídeo no You Tube. O empresário precisou ralar muito para chegar aonde chegou e cada conquista foi celebrada com humildade e consciência de que sorte e talento são inatos, mas nada cai do céu se não for buscado com afinco. Este livro, com uma linguagem agradável, traz depoimentos do próprio “patrão” em vários assuntos (ou capítulos): negócios, artista, dono de televisão, política e vida pessoal. A leitura é tão envolvente que a gente não consegue parar enquanto não chega ao final, fascinados com o exemplo de luta e dedicação deste homem, que é um ícone da televisão. É muito fácil ser fã de Sílvio Santos vendo seus programas pela TV, pois sua simpatia é contagiante. Mas é muito mais fácil ser fã de Senor Abravanel quando conhecemos sua história de vida, que é modelo de empreendedorismo, dedicação e fé.

Como o desleixo pode estragar uma excelente obra.

Mico Literário – O mico literário do ano vai para o livro Almanaque dos Quadrinhos, lançado já há alguns anos pela Discovery Publicações. Vendido em bancas de jornal, a obra é um documento histórico sobre os quadrinhos, contando desde os primórdios da chamada Nona Arte até nossos dias. O autor, Franco de Rosa, é uma das pessoas que mais entendem do assunto no País e o melhor indicado a abordar as várias vertentes deste segmento. No entanto, o livro peca pela falta de zelo na revisão, talvez pela pressa em colocar logo nas bancas antes que a febre pelo tema acabe de forma repentina. Os absurdos vão desde a exibição – no topo de uma página, com destaque e fonte gigantesca – da quantidade de caracteres do editorial até um recado do editor, no meio do texto, pedindo a conferência de uma data. Legendas trocadas, imagens repetidas e informações mal checadas também fazem parte do conteúdo (Nem vou comentar o Superman com o S invertido, logo na capa…). Uma pena, pois alguém com o histórico de Franco de Rosa merecia um pouco mais de carinho no material produzido.

Top 10 – Melhores HQs de 2017

Continuando nossa Retrospectiva 2017, hoje listamos os dez melhores quadrinhos do ano. E foi uma tarefa bem árdua, nem tanto pela quantidade de coisas lidas durante o ano, mas sim pela qualidade, que está bem baixa, principalmente os quadrinhos da Marvel, cujas séries até começam bem, mas depois entram numa zona de conforto e não evoluem. Boa parte dos melhores do ano nem são deste ano, mas republicações de clássicos, o que prova que a fase atual está precisando de uma renovação.

Títulos renovados

Claro que nem tudo é ruim e tem muita coisa boa também, como prova a fase Renascimento, da DC, cujos títulos estão muito bons. Escolhemos o mais inovador para destacar essa fase, exatamente por ser diferente e inesperado. Como as resenhas já foram feitas ao longo do ano, não vamos dar muitos detalhes do conteúdo e destacar apenas o motivo pelo qual estas edições entraram na lista. É importante lembrar que as escolhas ficaram restritas àquilo que adquiri ao longo do ano dentro da minha coleção particular. Assim, muita coisa alternativa ficou de fora porque não fazem parte do meu acervo e, infelizmente, o preço ainda é um tanto proibitivo (entre manter a coleção e arriscar comprar algo que não conheço, é óbvio que vou escolher a primeira opção!). Vamos ao nosso Top 10 HQs!

Complemento da série de TV

10 – Agentes da Shield – Derivada da série de TV, a HQ insere no Universo Marvel os personagens criados para o seriado ao mesmo tempo em que tem a liberdade de usar uma série de caras conhecidas como Homem-Aranha, Dr. Estranho, Vingadores, coisa que a série nunca pode, por questões contratuais – o que afastou muitos fãs de acompanharem o seriado, diga-se de passagem. De qualquer forma, a HQ é divertida, leve, inteligente.

É Jack Kirby. Ponto.

9 – Lendas do Universo DC – Super Powers 1 e 2 – No ano em que Jack Kirby completaria seu centenário, a Panini resgatou os dois últimos trabalhos do Rei para a DC, numa publicação inédita, para homenageá-lo. As minisséries originais foram criadas para impulsionar a venda da linha de brinquedos de mesmo nome, lançada no final dos anos 1980 e têm um tom infantilizado que remete ao desenho dos Superamigos. Mas quem disse que todos os quadrinhos de super-heróis precisam ser complexos e realistas? Um pouco de leveza, com soluções absurdas e diálogos bobinhos também cumprem o papel dos quadrinhos, que é o de entreter. E, mais que tudo isso, é material de Jack Kirby, o que dispensa qualquer justificativa.

Terror psicológico

8 – Comunhão – Fora do âmbito Marvel-DC, este álbum de Felipe Folgosi, financiado pelo Catarse, traz uma história de terror psicológico e uma trama bem desenvolvida, passada em terras brasileiras. O fato do material ser em preto e branco e formato maior que o normal valorizou-o ainda mais. Também pesa o fato de ser o segundo título do artista que evoluiu sua narrativa desde Aurora (2015).

Menção ao conjunto da obra

7 – Graphic MSP – O selo de álbuns adultos de Mauricio de Sousa continua figurando na nossa lista de dez melhores porque se supera a cada novo volume, muito embora já tenha perdido o teor da novidade. Dos quatro volumes lançados em 2017 (Astronauta – Assimetria; Chico Bento  – Arvorada; Capitão Feio – Identidade e Turma da Mônica – Lembranças), todos são de qualidade ímpar. Até mesmo o Astronauta, que já teve três volumes em comparação a outros personagens que não tiveram nenhum, conseguiu surpreender positivamente. Chico Bento é de uma sensibilidade incomum. O Capitão Feio é renovado de maneira espetacular. E a Turma da Mônica nos “faz sorrir de amorzinho” (nas palavras de um conhecido meu).

A saga do clone que vale.

6 – A Coleção Definitiva do Homem-Aranha Vol. 3 – A Saga do Clone Original – A coleção lançada pela Salvat tem pouco material atrativo, pois se limita a republicar arcos já lançados em outras coleções e, as poucas edições que fogem disso, são HQs que pertencem a uma fase recente, onde o Aracnídeo já não tinha mais o frescor de seus primeiros anos. A exceção é esta edição, que reúne uma fase brilhante do roteirista Gerry Conway, cuja ideia inicial foi resgatada anos depois e gerou uma das fases mais negras do Homem-Aranha (algo que, aliás, o roteirista Dan Slott também bem fazendo: resgatar ideias antigas e recauchutá-las de forma piorada ao cubo). De qualquer forma, é um prazer reler estas histórias, que trouxe novos vilões e personagens à mitologia do Amigão da Vizinhança.

Fase maravilhosa

5 – Lendas do Universo DC – Mulher-Maravilha – Em quatro volumes, reúne toda a fase de George Pérez à frente do título da Princesa Amazona como roteirista (ele continuou mais um tempo, mas apenas na arte.) Só isso seria banal, se Pérez não tivesse renovado a heroína após a Crise nas Infinitas Terras e a devolvido seu status de um dos pilares da DC Comics. A fase é brilhante e traz a Mulher-Maravilha mais linda e heroica como nunca em toda sua carreira.

A nata de Frank Miller

4 – Os Heróis mais Poderosos da Marvel 63 – Elektra – A Saga da Elektra, a fase mais icônica do Demolidor, reunida num único volume em capa dura. Só por isso, o encadernado já merece estar nesta lista. Mas ainda tem um agravante: esta fase, que marcou a estreia de Frank Miller como roteirista do Homem sem Medo, é tão incrível que salvou o título do cancelamento e transformou o Demolidor num dos heróis mais populares da Marvel. Se você nunca leu a Saga da Elektra, você não sabe quem é o Demolidor.

As manhãs de sábado voltaram.

3 – Future Quest – Não é apenas um resgate nostálgico de personagens icônicos de Hanna-Barbera que animaram nossa infância. Future Quest é uma releitura desses personagens, reimaginando-os como se eles existissem de fato, numa história de espionagem e ficção científica que coloca juntos os grandes heróis do estúdio de animação. Uma trama de qualidade que junta Jonny Quest, Homem-Pássaro, Frankenstein Jr., Os Herculoides, Dino Boy, Mightor, Galaxy Trio e Space Ghost. Só faltou mesmo o Falcão Azul, Sansão e Golias e o mago Shazzan.

Novidade surpreendente

2 – Novo Super-man – Nas primeiras páginas deste encadernado, o novo Super-Man (assim mesmo, com hífen) nem de longe lembra o personagem que é modelo de virtude para todos nós. Um moleque irresponsável, bully, exibido e arrogante é escolhido por acidente e ganha poderes semelhantes ao do Homem de Aço para se tornar um representante da China. Contudo, conforme a história segue, ela flui de uma forma tão divertida e as situações são tão surreais que a gente não consegue parar a leitura. Uma das surpresas mais agradáveis da fase Renascimento. Ansioso pelo segundo volume.

Iaba-Daba-Du!

1 – Os Flintstones – No mesmo esquema de releitura dos personagens de Hanna-Barbera em versões mais adultas, este encadernado traz a família pré-histórica em seis histórias fechadas, cada uma abordando um aspecto da sociedade, com o humor que é característico aos personagens e uma pitada de acidez na crítica social. Claro que o desenho sempre foi assim, mas nesses novos tempos, a crítica ganha uma abordagem mais madura, mas nem por isso, menos divertida – principalmente com a ridicularização dos costumes. É sensacional! Pena que o título teve duração tão curta (apenas 12 edições, cuja conclusão deve ser publicada em breve pela Panini).

Se o filme for desse nível… vergonha alheia!

HQ Mico – Não tem nada mais desagradável do que você gastar uma grana numa edição elogiadíssima pela crítica, escrita por um autor “bestsellerizado” e passar raiva da primeira à última página. Este encadernado do Pantera Negra – Uma Nação sob Seus Pés fez isso comigo. Uma história sem atrativos, focada na política e lacração, que mostra Pantera Negra às voltas com uma crise em seu reino e mulheres exploradas. O autor Ta-Nehisi Coates é conceituadíssimo em textos políticos, mas seu estilo não casa com quadrinhos de super-heróis, que é uma “arte sequencial”, ou seja, exige uma sequência na narrativa, coisa que não existe. Conseguiu ser pior que Mulher-Maravilha Terra Um, outra forte concorrente ao HQ Mico deste ano (mas que merece uma menção honrosa nesta lista).

Top 10 – Melhores Filmes de 2017

Estamos começando nossa série de matérias com a Retrospectiva 2017 (sim, nós sabemos que é lugar-comum, mas se todo mundo faz, por que a gente ficaria de fora?) onde vamos analisar o que de mais legal nosso blog viu e leu neste ano que termina. Pra começar, vamos falar de cinema. E cabe um esclarecimento: ano passado fizemos o Top 10 em vídeo mas como a audiência foi baixa e ainda pode ocorrer do mesmo ser bloqueado pelo uso das imagens (apesar de ser um trabalho jornalístico, algumas empresas têm dificuldade de entender isso), este ano vai por escrito mesmo. Obrigado pela sua compreensão.

“Não sou capaz de opinar”

O ano foi bem rico na área cinematográfica, com seis produções voltadas para o universo dos super-heróis e muitas outras franquias de sucesso, que causaram muito burburinho entre os fãs. Parodiando Glória Pires, não somos capazes de opinar sobre todas elas, porque não conseguimos ver todas, mas vamos falar sobre as produções que pudemos conferir e que até causaram boas surpresas. Vamos lá!!

Música-chiclete

10 – Chocante – É realmente um choque saber que um filme nacional pode ser bem produzido e fazer rir sem precisar apelar para pobreza, criminalidade e baixaria. Chocante foge do comum e apresenta uma comédia deliciosa sobre uma boy band dos anos 90 que foi esquecida e decide voltar às paradas, com seus membros já quarentões. Uma metáfora sobre a superficialidade da fama e sobre valores familiares que tem, sim, seus clichês e um toque de breguice, mas a gente entra no clima da nostalgia e dá boas gargalhadas. E verdade seja dita: qualquer filme capaz de fazer a trilha sonora (de uma música só) ficar na sua cabeça merece uma posição entre os dez melhores do ano.

Conto tão antigo quanto o tempo

9 – A Bela e a Fera – Uma produção primorosa, com figurino espetacular e toda magia dos clássicos Disney, além da eterna Hermione (Emma Watson) no papel da protagonista. É verdade que o filme não foi ousado o suficiente para fugir da animação da mesma Disney, nos oferecendo uma fotocópia em live-action. Porém, como a animação foi acima da média, o resultado do longa com atores não poderia ser diferente.

Surpresa do ano

8 – Liga da Justiça – Indiscutivelmente, foi a surpresa do ano. Uma produção cheia de problemas desde o início, troca de diretores, refilmagens de última hora, uma aura de “mistério” totalmente desnecessária sobre a participação do Superman (quando todos sabiam que ele ia estar no filme) e estratégia de marketing totalmente errada só podia resultar num tombaço dos mais feios. Mas não foi assim. A chegada do diretor Joss Whedon, aos 45 minutos do segundo tempo, conseguiu aliviar a tonelada de problemas e gerar um produto que tem, sim, suas falhas, mas é agradável e divertido no fim das contas. Infelizmente, já era tarde: o filme atraiu para si uma aura de má vontade da crítica que nem a “cobertura de chantilly” colocada pelo novo diretor tirou o gosto ruim e a Liga está com resultado aquém do esperado. Melhor sorte para o Aquaman, no próximo ano.

O bom filho à casa torna.

7 – Homem-Aranha: De Volta ao Lar – Depois de sua estreia em Capitão América: Guerra Civil (2016), o Homem-Aranha de Tom Holland ganhou a aprovação dos fãs do Aracnídeo e, pela primeira vez desde que foi lançado no cinemas, em 2002, foi apresentado com fidelidade aos quadrinhos: um herói adolescente, nerd, piadista, sem sorte com as garotas, meio irresponsável, mas com um grande desejo de fazer o que é correto. O filme está à altura do personagem e trouxe o melhor Homem-Aranha do cinema, bem como uma atuação impecável de Michael Keaton no papel do Abutre. É uma produção que está longe de ser “espetacular” (com o perdão do trocadilho), mas é simpática o suficiente e entrega aquilo que prometeu, apenas.

Com a força do amor tudo fica possível…

6 – Mulher-Maravilha – O material apresentado nos trailers já mostrava que o tom do filme da Mulher-Maravilha seria bem diferente do clima obscuro adotado por Zack Snyder para o Universo Compartilhado da DC. Gal Gadot – a quem ninguém dava um tostão no papel da heroína – mostrou-se excepcional numa aventura empolgante e agradável de se ver, com o clima heroico que faltou a Homem de Aço (2013), o verdadeiro “ícone da luz” do Universo DC. A batalha final mal feita e carregada de breguice não foi capaz de estragar o brilho da personagem, que estreou nos cinemas de forma digna, como ela merecia.

Legado transferido em grande estilo

5 – Star Wars – Episódio VIII – Os Últimos Jedi – O mais recente episódio da saga Star Wars continua a missão de reconstruir o universo criado há quarenta anos. E fez isso com louvor: os novos personagens Rey, Finn, Poe, BB-8 e o vilão Kylo Ren, lançados em O Despertar da Força (2015), cumprem bem o seu papel (exceção feita a Kylo Ren, que nem de longe lembra a imponência e o carisma de Darth Vader, mas faz o arroz-com-feijão) e a trama os relaciona perfeitamente bem com os heróis da trilogia clássica. passando o bastão de forma condizente. Enquanto que o Episódio VII foi praticamente uma refilmagem de Uma Nova Esperança (1977), o novo longa traz uma aventura nova – embora tenha, sim, alguns momentos “chupados” de O Império Contra-Ataca (1980) – e empolgante. Os Últimos Jedi é um divisor de águas e encerra uma fase brilhante para começar outra, tão brilhante quanto. Aceitar isso dói menos. 

Todos os ingredientes de um bom filme na medida exata.

4 – Guardiões da Galáxia Vol. 2 – Como é bom ir ao cinema ver uma aventura de super-heróis com a dose certa de humor, drama e ação, inserindo novos personagens sem cair na superficialidade e agradar fãs antigos de quadrinhos, que identificam as referências, e os novos, que não percebem as citações, mas mesmo assim, não deixam de compreender a trama do filme. O diretor James Gunn conseguiu essa façanha e, de quebra, ainda deixou uma das cenas mais emocionantes do cinema, embalada, obviamente, por um clássico dos anos 70: a música Father and Son, de Cat Stevens. Quem não deixou escorrer uma lágrima, provavelmente é porque não viu o filme.

“Eu sou a noite. Mas não totalmente escura.”

3 – Lego Batman: O Filme – Não deixa de ser interessante constatar que o melhor filme do Batman dos últimos cinco anos seja uma animação, mesmo a Warner tendo todos os recursos para produzir o mais épico live action do personagem e o mesmo tendo, por si só, um apelo inegável de bilheteria. Depois do vexaminoso Batman V Superman (2016), os fãs do Homem-Morcego mereciam uma redenção para o personagem e esta veio nesta animação leve, divertida, que brinca com a mitologia do personagem tanto no cinema como nas animações e quadrinhos, resgatando personagens dos mais obscuros e fazendo piada de tudo. Sim, o Batman é soturno, mas não precisa necessariamente ser chato.

Humano, apenas.

2 – Logan – A despedida do ator Hugh Jackman ao papel de Wolverine, que o consagrou por 17 anos, não poderia ser mais perfeita. Um longa-metragem violento (às vezes com cenas até desnecessárias), mas com uma história bem narrada que conduz a um final honesto e coerente ao personagem. Foi uma boa surpresa, visto que os trailers apresentavam um filme pouco atraente e maçante, mas o que se viu na tela foi uma verdadeira obra-prima, que, mais do que uma aventura de super-heróis, trouxe um personagem humano.

Não é o Groot, mas é tão tocante quanto.

1- Sete Minutos Depois da Meia-Noite – Este foi o primeiro filme do ano e já abriu 2017 de uma forma tão marcante que nenhum outro conseguiu superá-lo. Uma história tocante e cheia de metáforas sobre a vida e a morte, que envolve o espectador na história até culminar com a cena final, capaz de desmontar o mais duro dos corações. Particularmente, não sou fã de dramas mas este longa tem uma pitada de fantasia que ajudou a contar a história de uma forma primorosa. É o filme do ano, sem qualquer sombra de dúvida.

Quem vê, pensa que é um super-herói. Só pensa.

Troféu Cinemico: O Troféu Cinemico de 2017, prêmio simbólico das produções que pagaram micão no cinema, não poderia ser para outro filme senão aquele que chegou aos cinemas sem saber se era uma produção voltada ao público infantil, se investia nas adolescentes ou se tentava conquistar os adultos, com cenas de ação constrangedoras. Max Steel tem roteiro fraco, efeitos sofríveis, péssimas atuações e um robozinho mais chato que o Jar Jar Binks de Episódio I. Estreou nos Estados Unidos em 2016, mas só chegou aos cinemas brasileiros no início deste ano e poderia ter saído direto em vídeo, poupando o vexame de fracassar nas bilheterias (Não há dados específicos do faturamento no Brasil, mas o Box Office Mojo registra vergonhosos US$ 2,4 milhões mundialmente e o Rotten Tomatoes marca 0% de aprovação – sim, até Mulher-Gato (2004)e Lanterna Verde (2011) são mais bem cotados!). 

Cara, ainda não consigo conceber que fizeram isso com a gente!

Menção honrosa: Não poderia deixar de figurar nessa seção outro longa-metragem capaz de causar vergonha alheia em Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. É claro que estamos falando de Thor: Ragnarok, filme que tinha tudo para fechar com chave de ouro a trilogia do Deus do Trovão e nos oferecer uma batalha épica sobre o fim do mundo, mas apresentou um show de stand up que não apenas descaracterizou o personagem como desconstruiu tudo o que foi mostrado nos filmes anteriores. Uma bola fora da Marvel Studios que, estranhamente, agradou o público.