Quarteto Fantástico faz 15 anos

Tim Story criou um filme descontraído que é a pura essência da equipe.

No dia 8 de julho de 2005, estreou, simultaneamente nos cinemas americanos e brasileiros, o primeiro longa-metragem do Quarteto Fantástico (Fantastic Four). Na verdade, é o segundo, mas o primeiro que vale, já que o filme de 1994, dirigido por Roger Corman não apenas não foi lançado comercialmente como foi escorraçado até pelo próprio Stan Lee. A nova versão, que completou 15 anos esta semana, veio na onda dos filmes de super-herói  da Marvel, que tiveram início na virada do milênio, antes da fundação da Marvel Studios.

Início entre erros e acertos

Vale destacar que os direitos dos personagens estavam distribuídos por vários estúdios (X-Men, Quarteto Fantástico e Demolidor na Fox; Hulk na Universal e Homem-Aranha e Motoqueiro Fantasma na Sony). Com o sucesso do filme dos mutantes em 2000, a Marvel começou a levar outros heróis para as telonas e o Quarteto Fantástico foi a nona produção – antes, vieram X-Men (2000), Homem-Aranha (2002), Demolidor, Hulk e X-Men 2 (2003), Homem-Aranha 2 e Justiceiro (2004) e Elektra (2005).

“Ei, já não te vi vestindo uma bandeira?”

O filme não foi nenhum sucesso de crítica, mas também não fez feio e rendeu suficiente para gerar uma continuação em 2007, que marcou a estreia do Surfista Prateado. No entanto, a frustração com a versão “poeira cósmica” de Galactus foi maior que as qualidades que a produção pudesse ter e a franquia se encerrou (a equipe teve um reboot em 2015, mas… bem, deixa pra lá… vamos falar de coisas boas…). Produção mediana, Quarteto Fantástico mantém o clima das HQs da equipe, onde o destaque é a vida familiar e o bom humor. Visto hoje, é bem mais divertido, principalmente por vermos Chris Evans no papel do inconsequente Tocha Humana, já que nos acostumamos a ver o ator com o uniforme e a seriedade do Capitão América. Veja mais curiosidades deste filme:

Logotipo da Marvel ficou azul para imitar o traje dos heróis.

1 – Com um custo de US$ 100 milhões, o filme acumulou uma bilheteria de US$ 333,5 milhões ao redor do mundo. Deu azar de concorrer com Batman Begins, que estreou 15 dias antes e, por conta disso, ficou em 12o. lugar no ranking dos filmes mais vistos do ano, enquanto que o Homem-Morcego conquistou a 10a. posição.

Homem de Pedra uma ova! Eu estava é mais quente que o Tocha Humana!

2 – Michael Chiklis, intérprete do Coisa, passou maus bocados em seu abafado traje de “pedra”. O calor da roupa – que tinha quase 30 kg de látex – deixou o ator bem desconfortável nas cenas de que participou e, como se não bastasse, ele ainda teve que usar uma prótese dentária, como parte do figurino. O sacrifício só foi válido porque Chiklis realizou um sonho de infância, já que é fã declarado do Coisa desde criança. Além disso, ele relutou em fazer um personagem digital, preferindo encarar as três horas de preparação para vestir a “roupa” de seu herói.

O Sobrinho da Tia Petúnia conquista a todos com seu charme.

3 – Ben Grimm só se transformou no Coisa por influência da ninja assassina Elektra. Calma que não estamos mudando a mitologia dos quadrinhos: isso aconteceu na vida real, pois a atriz Jennifer Garner (que interpretou Elektra em Demolidor e na produção solo de 2005) foi quem sugeriu o nome de Chiklis para o papel do pedregoso herói. E Stan Lee (que participa do filme como Willy Lumpkin, o carteiro) declarou que considerou o Coisa como a melhor interpretação de filmes de super-heróis da Marvel (até aquele momento, obviamente!).

Wolverine não é onipresente apenas nos quadrinhos, pelo visto…

4 – Um dos atores cotados para interpretar o Sr. Fantástico foi Hugh Jackman que, obviamente, recusou o papel, por já estar envolvido com o mutante Wolverine na franquia dos X-Men. No entanto, o filme teve uma cena deletada em que Reed Richards (Ioan Gruffudd) molda seu rosto e se transforma em Jackman.

Referências nerd.

5 – A máquina que Reed constrói para simular a tempestade cósmica e tentar curar a mutação de Ben Grimm foi inspirada no mesmo maquinário mostrado no filme A Mosca (1986), que também provoca uma alteração genética no cientista interpretado por Jeff Goldblum, transformando-o num monstro.

Com vocês… a Viúva Invisível!

6 – Scarlett Johansson foi um dos nomes cogitados para interpretar a Mulher Invisível antes da escolha de Jessica Alba. Alba, por sinal, pintou o cabelo de loiro para o primeiro filme, mas no segundo, preferiu uma peruca.

Qualquer coincidência, é mera semelhança.

7 – O roteiro do filme precisou ser reescrito após o lançamento de Os Incríveis (2004), pois o filme da Pixar tinha uma série de piadas que zombavam de coisas que aconteciam na história do Quarteto.

Já pensou ser imortalizado num filme enquanto trabalha?

8 – Na cena em que o Quarteto dá sua primeira entrevista para jornalistas, após o salvamento na Ponte do Brooklin, a multidão é formada por jornalistas reais. Um deles, inclusive, é Richard Ho, repórter da revista Wizard, que estava ali para cobrir os bastidores do filme para matéria na publicação, uma das mais importantes do mundo, especializada em cultura pop.

Uma joia da arquitetura moderna.

9 – O Edifício Baxter é tão importante na mitologia do Quarteto Fantástico que é quase um personagem à parte. Para o filme, o prédio apresenta um design que simula o símbolo do Quarteto. Formado por vários anexos, quando visto de cima, o prédio mostra o icônico número 4. dentro do círculo.

Já pensou um Quarteto Fantástico desses?

10 – O filme do Quarteto Fantástico é um antigo projeto da Marvel, que demorou muito tempo para sair do papel. A versão de Roger Corman de 1994 foi filmada sem intenção de ser lançada, apenas para segurar os direitos dos personagens. Depois disso, Chris Columbus (Esqueceram de Mim, 1990) foi cogitado para dirigir, mas nunca se chegou a um roteiro decente. Outro nome que esteve envolvido foi Peyton Reed, cujo elenco seria formado por Alexis Denisof (Sr. Fantástico), Charlize Theron (Mulher Invisível), Paul Walker (Tocha Humana), John C. Reilly (Coisa) e Jude Law como Dr. Destino. O projeto também não vingou, mas que o elenco era interessante, não  há sombra de dúvidas.

Tim Story fez um filme descontraído, que é a pura essência da equipe.

Muita gente reclama que o Quarteto Fantástico ainda não teve uma produção decente no cinema. Não é verdade. Os dois filmes dirigidos por Tim Story podem não ser nenhuma obra-prima, mas são fiéis às HQs (ok, esqueçam o Galactus!) com o mesmo clima descontraído e bem-humorado que consagraram a Família Primordial da Marvel ao longo de sua história. Basta assisti-los descompromissadamente, sem exigir demais de personagens cuja essência é a mais pura diversão.

Os 25 anos de Batman Eternamente

Conforme tínhamos dito no mês anterior, na ocasião dos 15 anos de Batman Begins, este ano marca o jubileu de prata de outra produção envolvendo o Homem-Morcego. Muito embora Batman Eternamente (Batman Forever, 1995) não seja nenhuma obra-prima cinematográfica e tenha sido o princípio do fim da franquia do herói nos cinemas na década de 1990, não há como negar a importante marca. Ao mesmo tempo em que prestamos uma homenagem póstuma ao seu diretor, Joel Schumacher, morto há exatos 15 dias (em 22 de junho).

Mudança de tom

Depois de dois bem sucedidos filmes, dirigidos por Tim Burton, que resgataram o clima sombrio do Batman apagando de vez a imagem galhofeira da série de TV dos anos 1960, o nome do herói voltou aos holofotes… mas os executivos da Warner “acharam” que o Batman estava dark demais e quiseram aliviar o tom. Burton não concordou com a direção dada e saiu do projeto. Quem assumiu foi Joel Schumacher, que deu muito mais cor (literalmente falando) ao universo do Batman. O filme estreou no Brasil em 7/7/1995. Veja algumas curiosidades da produção:

Quem é que quase foi o Charada, mesmo se parecendo mais com o Coringa?

1 – Mesmo enquanto Tim Burton ainda estava no projeto, o Charada já era o vilão programado para o terceiro filme do Batman. O ator Micky Dolenz (Os Monkees) estava cotado para o papel.

Eu prometo que farei o Duas-Caras no futuro… caso a Warner permita!

2 – No primeiro filme do Batman (1989), o promotor Harvey Dent (o alter ego do Duas-Caras) foi interpretado pelo ator Billy Dee Willians, cujo contrato previa sua participação em futuras produções do Homem-Morcego interpretando o dúbio vilão. Por conta disso, a Warner teve que pagar para Willians a fim de trazer Tommy Lee Jones para o papel.

Santo traje roubado, Batman!

3 – O filme marca a estreia do Robin na franquia. O Menino-Prodígio foi alvo de inúmeras discussões entre os fãs, que não queriam o colorido sidekick nos filmes do Batman, por acharem que o herói age melhor sozinho e o rapaz tiraria o tom sombrio de suas histórias – mesmo motivo que levou Burton a cortar o Robin dos roteiros de Batman (1989) e Batman, o Retorno (1992). Embora Chris O’Donnell tenha dado vida a Dick Grayson nas telonas, seu traje foi inspirado no terceiro Robin, Tim Drake. Em uma cena, após salvar Batman de uma armadilha do Duas-Caras, Grayson sugere usar para si o nome heroico de “Nightwing” (Asa Noturna), a mesma identidade que ele estava usando nos quadrinhos.

Caramba, esse morcego me persegue!!

4 – Problemas em sua agenda fez com que Mel Gibson perdesse duas oportunidades de se envolver com o universo do Batman. A primeira foi em 1989, quando ele recusou o papel de Bruce Wayne por conta de compromissos com as filmagens de Máquina Mortífera 2 (1989). Em Batman Eternamente, ele recusou o papel de Duas-Caras por estar envolvido com Coração Valente (1995). Santa agenda lotada, Mel!

Podia ser o Espantalho… ou o Ventríloquo!

5 – Em outra daquelas ironias do destino que a gente só pode imaginar como seria se acontecesse de verdade, Brad Dourif, o eterno intérprete do assassino Charles Lee Ray, que colocaria sua alma (e sua voz) no boneco Chucky, da franquia Brinquedo Assassino (1989-2017) deveria interpretar o Espantalho, caso Tim Burton continuasse na direção dos filmes do Batman. Dá pra acreditar no assustador vilão com a voz de Dourif?

Nicole ganhou um papel criado exclusivamente para ela.

6 – Nicole Kidman, que deu vida à psicóloga Chase Meridian, deveria interpretar a Hera Venenosa, se dependesse da vontade de Joel Schumacher. No entanto, o diretor achou que três vilões no filme seriam demais e guardou a vilã para o filme seguinte, Batman & Robin (1997) – que acabou tendo três vilões, no fim das contas. Quando à Dra. Meridian, ela foi criada exclusivamente para o filme e não veio de nenhuma HQ.

Referências monetárias.

7 – Aposto que essa você nunca notou: os arranhões na moeda do Duas-Caras formam as letras H e D, as iniciais de Harvey Dent.

Cena deletada para entrar na Schumacher’s Cut.

8 – O trailer do filme tem uma cena em que Bruce Wayne é mostrado em frente a um morcego gigante, simbolizando o maior medo do milionário ao mesmo tempo que é o outro lado de sua personalidade, mas esta cena não entrou na montagem final.

Papéis retomados.

9 – Embora seja um recomeço para a franquia com novos protagonistas e um tom mais leve, o filme dá sequência aos seus antecessores. Tanto que Michael Gough e Pat Hingle repetem seus papeis de Alfred e Comissário Gordon, respectivamente.

Batmamilos foi ideia do diretor Joel Schumacher… que o “pai” do Batman reprovou.

10 – Os polêmicos mamilos entraram no traje porque o diretor queria dar uma aparência anatômica às roupas. Ele também incluiu um brinco no visual de Dick Grayson para sugerir modernidade ao rapaz. O co-criador do Batman, Bob Kane, declarou que não gostou de nenhum dos dois recursos.

Cante comigo: Parará, para para pará pa parará…

Apesar da rejeição dos fãs (que se tornaria pior, com o filme seguinte), Batman Eternamente foi indicado a três OscarsMelhor Fotografia, Edição de Som e Efeitos Sonoros. Foi o sexto filme mais visto do ano, com uma bilheteria de US$ 336,5 milhões. Prova que, mesmo com qualidade duvidosa, a marca do Batman é certeza de atrair o público e gerar uma boa receita.

Aniversário do Morcego

Junho é mês de estreias cinematográficas nos Estados Unidos, comemorando a chegada do verão naquele país. Com as férias e a família reunida, os estúdios programam suas melhores estreias para este mês, na expectativa de dar um impulso nas bilheterias. Toda quadrilogia original dos filmes do Batman estrearam entre esses dias: Batman (1989) fará 31 anos em 23/6; Batman – O Retorno (1992) completa 28 anos amanhã, dia 19; Batman Eternamente (1995) fez 25 anos no último dia 16 e Batman & Robin (1997) completou 23 anos no Dia dos Namorados, 12/6.

“Rápido, Mestre Bruce! Não deixe os convidados do seu aniversário esperando!”

Além destes clássicos (seja para o bem ou para o mal), outro filme do Homem-Morcego também celebrou seus 15 anos no dia de ontem (17): Batman Begins (2005). Exceção feita à Batman Eternamente, que celebrou seu jubileu de prata, a maioria dos filmes tem data “quebrada” e, por isso, resolvemos dedicar este post ao grande sucesso dirigido por Christopher Nolan. Daremos o devido destaque a Batman Eternamente em 7 de julho, data que o filme estreou no Brasil. A importância de Batman Begins para o Universo DC vem justamente do fato de reinserir um herói da editora no cinema após um período de vários fracassos, como Aço (1997) e Mulher-Gato (2004). 

Gordon ativou o Batsinal para lembrar que o Batman Begins fez 15 anos.

Desde o fracasso retumbante de Batman & Robin, seguido de Aço, no mesmo ano, a DC colocou os super-heróis na geladeira, preferindo investir em séries de TV, de custo menor e cujos erros de percurso poderiam ser corrigidos ao longo dos episódios – o que não ocorre no cinema, que são obras fechadas. Foi preciso a Marvel começar a ganhar espaço (e bilheteria!) a partir de X-Men – O Filme (2000) para mostrar aos executivos que os super-heróis poderiam ser rentáveis. Ao custo de US$ 150 milhões, Batman Begins faturou US$ 371,8 milhões ao redor do mundo, um valor ainda tímido comparado às outras produções do estúdio (Harry Potter e o Cálice de Fogo, do mesmo ano, faturou mais de US$ 895 milhões), mas garantiu o 10º. lugar no ranking dos filmes mais vistos do ano, o que animou o estúdio a continuar a saga do herói sombrio. A seguir, mais curiosidades desta bat-produção:

Estreia aterrorizante nos cinemas

1 – O filme marcou a estreia do Espantalho (interpretado pelo ator Cillian Murphy) nas produções do Batman. O vilão tinha sido considerado para a série de TV de 1966, mas os produtores o acharam muito aterrador para as crianças. Ele também seria usado no quinto filme da franquia anterior, de Tim Bruton/Joel Schumacher, que acabou cancelado após o fracasso de Batman & Robin.

Bale e o efeito sanfona de seus personagens.

2 – Christian Bale é conhecido pelas mudanças físicas pelas quais passa para interpretar seus papéis. Em O Operário (2004), o ator chegou a pesar cerca de 55 Kg para o papel, alimentando-se apenas com água, uma maçã e uma xícara de café por dia. Quando foi escalado para interpretar o Batman, Nolan o orientou a ficar “tão grande quanto possível”, mas o ator exagerou: após seis meses de dieta e exercícios, atingiu a marca de 100 Kg, o que lhe rendeu o apelido de Fatman nos bastidores. Resultado: precisou emagrecer 10 Kg para chegar no peso ideal para o papel.

Enquanto isso, numa terra paralela…

3 – Henry Cavill fez teste para o papel do Bruce Wayne, mas não agradou o diretor Christopher Nolan. Ironicamente, o ator seria escalado anos depois para o papel do Superman em Homem de Aço (2013). Como se não bastasse, ainda atuou junto com o Cavaleiro das Trevas em Batman Vs. Superman – A Origem da Justiça (2016) e Liga da Justiça (2017). Destino diferente teve Cillian Murphy, que fez o teste para Bruce Wayne e teve uma interpretação tão marcante que conquistou o papel do Espantalho.

“-Isto está muito bom, não acha, Sr. Keaton?”
“-Perfeitamente, Sr. Burton!”

4 – A produção ficou tão profunda e bem feita que impressionou dois importantes nomes da mitologia do Batman: Tim Burton (diretor dos filmes de 1989 e 1992) e Michael Keaton (intérprete do personagem nos mesmos longas).

Sabe o que o Batman faz quando fica de mau humor? Ele te bat.

5 – A voz “cavernosa” dada ao Batman na interpretação de Christian Bale causou problemas ao ator, que ficou afônico três vezes durante as filmagens. Outro problema comum era o desconforto causado pelo traje do herói, que deixava Bale bem mau humorado e, no fim das contas, acabou colaborando na interpretação do personagem. Aliás, o realismo desejado por Nolan para sua versão do Homem-Morcego incluiu a utilização de equipamentos militares da vida real, caso do traje, a capa e alguns apetrechos.

Bat-Acróstico

6 – A trilha sonora do filme foi assinada por Hans Zimmer, que batizou as músicas com títulos que indicam espécies de morcegos. O músico fez até uma brincadeira de palavras no CD, dispondo as faixas Barbastela, Artibeus, Tadarida, Macrotus, Antrozous e Nycteris numa ordem de modo que a primeira letra de cada música forme a palavra “Batman” exatamente no centro, com três músicas antes e três músicas depois.

Inspiração não assumida.

7 – Muito embora o roteirista David S. Goyer tenha afirmado em entrevistas que a HQ Batman – Ano Um, escrita por Frank Miller e desenhada por David Mazzucchelli, não serviu de inspiração para o roteiro do longa-metragem, há várias referências à trama no filme: o policial corrupto Flass (Mark Boone Junior), o mafioso Carmine Falcone (Tom Wilkinson), Batman usar um sonar na sola da bota para chamar morcegos e cobrir sua fuga da polícia e o final, dando indicação de que a próxima ameaça a ser enfrentada é o Coringa. As reais inspirações de Goyer foram os arcos O Longo Dia das Bruxas e Vitória Sombria, ambas de Jeph Loeb (roteiro) e Tim Sale (desenhos).

Salvo pelo Batman para infernizar o reino no Trono de Ferro.

8 – Um papel secundário e insignificante pode ser o início de um grande sucesso futuro. Que o diga Jack Gleeson, o garotinho sem nome que encontra o Batman investigando seu prédio e, no final, é salvo de ser atacado pelos criminosos que fugiram do Arkham. Atualmente, ele é conhecido mundialmente pelo papel do sádico príncipe Joffrey, de Game of Thrones.

Ledger: Morte prematura e trágica.

9 – Heath Ledger foi um dos atores considerados para interpretar Bruce Wayne mas tanto o ator como o diretor Christopher Nolan concordaram que ele não era o ideal para o papel. Ledger foi escalado para o Coringa no filme seguinte, Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008), e o fez de forma tão intensa ao personagem que ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Infelizmente, o ator morreu por abuso de medicamentos poucos meses antes da estreia do filme.

“Ô, Morceguinho… Vem aqui que eu quero bater um papinho amigável contigo…”

10 – Dois dos interesses amorosos do Batman, a promotora Rachel Dawson e a psiquiatra Chase Meridian (em Batman Eternamente) foram interpretadas por ex-esposas de Tom Cruise na vida real – Katie Holmes e Nicole Kidman, respectivamente. Deve ser por isso que Cruise se mantém até hoje longe de produções envolvendo super-heróis…

Estou chegando para acabar com a concorrência!

Batman Begins recebeu uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Fotografia, mas perdeu para Memórias de uma Gueixa. Em contrapartida, ganhou 14 outros prêmios, incluindo o Saturn Awards de Melhor filme e Melhor Ator para Christian Bale. Foi a partir desse filme que a DC Comics passou a investir pra valer em produções cinematográficas – mesmo com várias produções de qualidade duvidosa – e, desde então, nunca mais parou de levar seus heróis às telas. 

Homem de Ferro 2 comemora 10 anos

Quando a Marvel Studios lançou Homem de Ferro (2008), havia a incerteza se a produção daria certo e agradaria o público, tanto os fãs que já conheciam o herói dos quadrinhos como aquele que ia ao cinema para ver um bom filme de aventura e nunca tinha ouvido falar do personagem. Sucesso garantido, o segundo filme não tardou a ser anunciado… e hoje, completa 10 anos de sua estreia. Embora seja melhor produzido – teve um orçamento de US$ 200 milhões, contra US$ 140 milhões do primeiro filme – o enredo é considerado inferior pelos fãs.

Filme marcou a estreia da Viúva Negra, a queridinha dos fãs. E não é pra menos!

Mesmo assim, o filme tem seus méritos, dos quais o principal deles foi marcar a estreia de Scarlett Johansson no papel da espiã russa Viúva Negra, papel que impulsionou sua carreira e lhe garantiu um longa-metragem solo da heroína – que, se não fosse pela situação caótica provocada pela pandemia do vírus Covid-19, também estrearia exatamente hoje nos cinemas. O longa também se caracterizou pela troca do personagem Jim Rhodes, que tinha sido interpretado no primeiro filme pelo ator Terrence Howard e na continuação ganhou a pele definitiva de Don Cheadle, em sua transformação no herói Máquina de Combate. Abaixo, conheça algumas curiosidades desta superprodução (e aproveite e releia nossa crítica, que saiu na época, clicando aqui):

Em um universo paralelo, a Viúva Negra teria outros rostos.

1 – Mesmo antes de conseguir o papel de Natasha Romanoff, Scarlet Johansson pintou seus cabelos de ruivo, já manifestando sua vontade de interpretar a espiã russa. Angelina Jolie (que interpretou Lara Croft em dois filmes da franquia Tomb Rider) foi considerada para o papel. Jessica Alba (a Mulher-Invisível de Quarteto Fantástico), Emily Blunt, Jessica Biel, Gemma Arterton e Natalie Portman também foram nomes cogitados. Destas, a última ganhou a pele da Dra. Jane Foster numa das produções seguintes do estúdio, Thor (2011). Já Angelina Jolie demorou um pouco mais, mas também passou a fazer parte do Universo Marvel no filme vindouro dos Eternos (fev/2021), no papel da personagem Thena.

Vai encarar?

2 – Homem de Ferro 2 foi um dos filmes mais vistos de 2010, ocupando o sétimo lugar no ranking das maiores bilheterias do ano, com faturamento de US$ 623,9 milhões. Dentro do Universo Cinematográfico da Marvel, é o filme que apresenta a maior lacuna entre as produções, sendo lançado quase dois anos depois de O Incrível Hulk (2008).

Um homem, dois rostos.

3 – A substituição de Rhodes deu pano pra manga. Embora o contrato de Terrence Howard garantisse sua participação em três filmes, o diretor Jon Favreau não gostou da performance de Howard, sendo obrigado a rever ou cortar cenas. Quando a sequência foi escrita, o tempo de tela do ator foi propositalmente diminuído e seu salário sofreu um corte proporcional de 80%. Obviamente, o ator não concordou e entrou em atrito com a produtora, que rescindiu seu contrato. Cheadle foi procurado como substituto e o papel de Rhodes foi reescrito, com uma participação mais relevante. Uma curiosidade: além de interpretar o mesmo personagem na franquia do Homem de Ferro, Don Cheadle e Terrence Howard atuaram juntos em Crash: No Limite (2004).

Aqui nesta maleta tem os planos para os próximos 19 filmes.

4 – Como o Universo Cinematográfico da Marvel estava dando seus primeiros passos, os executivos da Marvel interferiram bastante no roteiro do HF2, forçando o diretor a reescrever o roteiro enquanto o filme era gravado, a fim de fortalecer a importância da SHIELD, em preparação para Os Vingadores (2012). Esse é o motivo pelo qual o enredo do filme parece ruim, se comparado com o anterior: ele ficou cheio de recortes. Os atritos fizeram com que Jon Favreau desistisse de dirigir o terceiro Homem de Ferro, sendo substituído por Shane Black.

Base para o roteiro.

5 – A trama do longa é baseada em dois importantes arcos de quadrinhos: O Demônio na Garrafa, publicado em Iron Man 125-128 (1979), que mostrava Tony Stark se envolvendo num ardil de Justin Hammer, um empresário rival, que culminam na sua entrega ao vício do alcoolismo, e A Guerra das Armaduras (Iron Man 225-232, 1987/88), onde o mesmo Justin Hammer rouba a tecnologia de Stark e produz armamentos para os maiores inimigos do Homem de Ferro, fazendo o herói iniciar uma cruzada para recuperar sua patente.

O sorriso de quem conseguiu um contrato milionário.

6 – Depois de sua participação relâmpago nas cenas pós-crédito de Homem de Ferro, Samuel L. Jackson quase não volta a interpretar Nick Fury na sequência devido a problemas nas negociações de contrato do ator. Como o espião era peça fundamental na construção do UCM, o diretor Jon Favreau prometeu mais tempo de tela para Jackson e a Marvel garantiu sua participação em mais nove filmes da empresa.

Quem me chamar de Mandarim leva uma chicotada.

7 – Inicialmente, o vilão de HF2 seria o Mandarim, mas consideraram sua participação muito precoce e preferiram segurar o personagem para a produção seguinte. Com isso, o Chicote Negro (Mickey Rourke) ganhou os holofotes como principal super-vilão, enquanto o inescrupuloso Justin Hammer (Sam Rockwell) se tornou o antagonista do alter ego do Vingador Dourado. Rockwell, por sinal, foi um dos nomes cogitados para interpretar Tony Stark no longa anterior. Já para Hammer, um dos atores cotados para o papel foi Al Pacino.

Uma frase… e os fãs vão ao delírio.

8 – Nenhum dos personagens secundários têm seu codinome mencionado no filme: Natasha Romanoff não é chamada de Viúva Negra, Anton Vanko não é chamado de Chicote Negro e James Rhodes não é batizado como Máquina de Combate. No entanto, durante a primeira briga com Rhodes, na sua festa particular, Tony pergunta: “Você quer ser uma Máquina de Combate? Então tente!”.

Mensagens subliminares – ou nem tanto.

9 – Entre os easter-eggs do filme, dois chamam atenção: o primeiro é o escudo do Capitão América, que aparece quando Stark trabalha na descoberta do novo elemento. Isso gerou a especulação de que aquele seria um protótipo do escudo do Sentinela da Liberdade, mas o diretor Jon Favreau declarou, em entrevistas, que se tratou apenas de uma piada interna. Outro boato é que o garotinho com capacete que o Homem de Ferro salva na Stark Expo seria o jovem Peter Parker, ainda criança na época em que se passa a trama – mas não mencionado porque os direitos do herói aracnídeo pertenciam à Sony Pictures. Com o acordo entre os estúdios e a inclusão do Homem-Aranha em Capitão América: Guerra Civil (2016), o ator Tom Holland, intérprete do herói, confirmou que aquele garoto era, sim, o pequeno Peter.

O infiltrado.

10 – O Senador Stern (Garry Shandling) se mostrou bastante interessado em usar o traje e a tecnologia Stark como arma de defesa do Exército, mas o inventor se recusou a ceder sua criação e, com isso, entrou em atrito com o Governo Americano. Shandling repetiu seu papel em Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014), quando é revelado que ele era um agente do grupo terrorista Hidra, infiltrado no Governo – o que explica seu interesse em adquirir a tecnologia do Homem de Ferro.

Algumas fotos eram verdadeiras.

11 – As fotos que aparecem nos recortes de jornal mostrando Tony Stark e Ivan Vanko quando eram mais jovens são fotos reais dos atores Robert Downey Jr. e Mickey Rourke, que estavam em início de carreira nos anos 80.

Só viu essa referência quem não piscou durante o filme.

12 – Há cenas que fazem referências a heróis que só entrariam na última fase do UCM, como o Pantera Negra e a Capitã Marvel. É claro que, nessa ocasião, a Marvel ainda não tinha ideia de produções tão distantes e incluiu as referências apenas como uma brincadeira com os fãs de quadrinhos. Na cena em que Tony monta o laboratório para criação do novo elemento, ele abre uma caixa onde se lê “Projeto Pégasus”, que é um programa da NASA responsável por estudar novas fontes de energia e que aparece em Capitã Marvel (2019). No final do filme, Fury aparece numa das bases da SHIELD, onde um mapa mundi destaca a localização de Wakanda, país fictício que é governado pelo  Pantera Negra.

Os 15 anos de Elektra

No dia 14 de janeiro de 2005 (21 de janeiro no Brasil) estreou no cinema Elektra (idem), o primeiro spin-off cinematográfico da Marvel e primeiro filme da editora protagonizado por uma heroína. Com o sucesso mediano do filme Demolidor: O Homem sem Medo (Daredevil, 2003), a Marvel decidiu explorar um pouco mais a história da ninja assassina (estrelada por Jennifer Garner) em uma aventura solo. Na época, Elektra contava com boa popularidade graças a um título do selo Marvel Knights de autoria do roteirista Brian Michael Bendis (publicado no Brasil nas revistas Paladinos Marvel, Justiceiro & Elektra e Demolidor) e pareceu uma boa ideia uma investida cinematográfica.

Roupa preta não colou, Fox!

Só pareceu, porque, infelizmente, a Marvel ainda não estava estabelecida nos cinemas e seus personagens estavam sujeitos aos desmandos dos estúdios (no caso de Elektra, a 20th Century Fox), que nem sempre entendiam os personagens e faziam filmes sem qualquer respeito aos quadrinhos. Prova disso é que, no longa do Demolidor, a ninja usou uma roupa de couro preta, totalmente fora de qualquer conceito apresentado nas HQs. Os fãs reclamaram e, para seu filme solo, Elektra apareceu com a tradicional roupa vermelha, num visual até bastante parecido ao que os leitores estavam acostumados.

Sem usar o Google, você lembra o nome desses vilões? Pois é…

Porém, o roteiro ruim tornou o filme  um dos mais execrados pelos fãs. Mesmo com a dedicação da protagonista, as (poucas) cenas de ação não convencem, os vilões mal são apresentados e a trama é rasa feito um pires. Apesar disso, o longa tem certo charme e foi graças a essa “experimentação”, entre tentativa e erro, que a Marvel conseguiu fundar seu próprio estúdio e cuidar de suas criações, com todo zelo e fidelidade que os personagens mereciam. Para comemorar os 15 anos desta produção, separamos algumas curiosidades dos bastidores desta jovem debutante que não faturou o suficiente para pagar o baile.

Preguiça total em fazer esse filme…

1 – Jennifer Garner disse numa entrevista que achou o roteiro ruim desde que o leu pela primeira vez e só fez o filme por obrigação contratual do filme do Demolidor.

Pobre Matt… tá esperando Elektra até agora…

2 – Ben Affleck fez uma participação como Matt Murdock numa cena que foi deletada. Esta cena consta como extra do DVD e mostra Elektra tendo um sonho com seu amado, que lhe pede para que ela volte para ele, ao que Elektra diz que não está pronta. Então, Matt diz: “Estarei esperando!”. Outra cena que foi cortada da montagem final foi a cena do assassinato de McCabe (Colin Cunningham) – ele teve a cabeça cortada por Kirigi (Will Yun Lee). A cena foi aliviada para que o filme pudesse ter classificação PG-13.

O filme tem vários furos… mas a orelha da atriz não tinha.

3 – Nos quadrinhos, Elektra usa um par de longos brincos de argola, mas no filme, Jennifer Garner optou por não usá-los porque estes exigiam que se tivesse as orelhas furadas, coisa que a atriz não tinha.

Tyfoid: inspiração meio diferente.

4 – A atriz Natassia Malthe, que interpretou a vilã Tyfoid, fez testes para interpretar Elektra no longa do Demolidor. Tyfoid, por sinal, é uma personagem inspirada em Mary Tyfoid, personagem criada por Ann Nocenti e John Romita Jr. para as HQs do Demolidor. No entanto, enquanto nos quadrinhos ela é uma assassina com transtorno de identidade e poderes telecinéticos, no filme, Tyfoid possui poderes venenosos.

Oliver Stone: “Eu teria feito melhor…”

5 – Pode parecer piada, mas os direitos de um longa-metragem com Elektra já esteve nas mãos do diretor Oliver Stone em 1992. O filme se chamaria Elektra Assassina e seria baseado na graphic novel homônima de Frank Miller e Bill Sienkiewicz. No entanto, como os direitos da SHIELD (que perseguem a guerreira, na HQ) estavam com outro estúdio, a história mostraria Elektra enfrentando o Tentáculo. Como a Fox adquiriu os direitos da personagem, o projeto de Stone foi pra gaveta… e ficou por lá.

Frank Miller: “Quer fazer um filme comigo?”

6 – Quando estava filmando Robocop 2 (1990), Frank Miller em pessoa ofereceu à atriz Galyn Görg o papel de Elektra, numa futura produção sobre a ninja que o roteirista planejava fazer. No entanto, o convite ficou apenas na boca de Miller e nunca tomou forma, porque nenhum estúdio planejava transformar Elektra numa personagem live-action naquela ocasião.

“Filmo Elektra, Alias e ainda dá tempo de colocar as roupas no varal”

7 – As filmagens de Elektra duraram 62 dias. Jennifer Garner aproveitou o hiato de verão americano das séries de TV – ela era protagonista de Alias: Codinome Perigo (2001-2006) – para se dedicar ao papel da assassina.

Associação com os mutantes

8 – Embora seja um spin-off de Demolidor, os cartazes do filme trazem a inscrição: “Das mesmas forças que trouxeram X-Men“. Como o filme do Homem sem Medo não teve o retorno esperado, o estúdio preferiu associar sua nova produção ao filme dos mutantes, mais bem conceituado entre os fãs.

“Ops, foi mal! Cortei seu dedo. Ops, foi mal! Cortei de novo!”

9 – Durante a luta entre Elektra e Kirigi , Jennifer Garner teve os nós dos dedos feridos com a espada do vilão. A atriz fez o curativo e, quando voltou a filmar,  levou outro corte… no mesmo lugar!

Na luta das ruins, Elektra está mais bem contada, mas lucrou menos.

10 – Durante muito tempo, foi o filme da Marvel com cotação mais baixa no Rotten Tomatoes, com 11% no ranking geral. Mas aí veio o Quarteto Fant4stico (2015) e, com classificação de 9%, tirou o posto da guerreira. Esse percentual é o mesmo de Mulher-Gato (2004), outra bomba cinematográfica, feita pela concorrente DC. O curioso é que, na bilheteria, a sensual vilã dá um banho em Elektra: US$ 82,1 milhões contra US$ 56,6 milhões, respectivamente. Miau!