PQP – Padrão de Qualidade do Português: Quarteto Fantástico – Zona de Guerra

Hoje em dia, com o sucesso dos filmes da Marvel, as editoras investiram nas aventuras romanceadas dos heróis e o mercado já conta com vários livros lançados por editoras como Novo Século e Excelsior. Mas este tipo de literatura não é novidade: muitos personagens estrearam na literatura e depois foram transformados em personagens de quadrinhos – caso de Conan, que surgiu nas páginas dos pulps escritos por Robert E. Howard, em 1932 e até mesmo os coadjuvantes do Mestre do Kung Fu, que surgiram na literatura do autor Sax Rohmer.

Livros da Marvel lançados pela Panini

Aqui no Brasil, embora haja muitos lançamentos em livros voltados para crianças, a moda de romances estrelados por super-heróis nunca pegou de verdade como vem acontecendo nos últimos anos. Prova disso é que, em 2005, a Panini tentou lançar uma coleção de livros, publicados em papel barato, bem à semelhança dos pulps americanos, mas a iniciativa não deu muito certo e tivemos apenas quatro volumes: Homem-Aranha – Ruas de Fogo (Keith R. A. Decandido), Quarteto Fantástico – Zona de Guerra (Greg Cox), X-Men – Espelho Negro (Marjorie M. Liu) e Wolverine – Arma X ( Marc Cerasini) – estes últimos foram relançados recentemente pela editora Novo Século.  As tramas são muito boas e trazem a essência dos personagens, exatamente como os lemos nos quadrinhos, mas a qualidade do texto dá vergonha alheia.

Quinze anos de publicações desleixadas.

Guardei durante todo esse tempo o livro do Quarteto Fantástico sem ler (leituras acumuladas, qual leitor compulsivo nunca as teve?) e, no começo deste ano, resolvi colocar a obra na meta de leitura. Gostei bastante da história, mas o livro tem uma quantidade tão grande de erros gramaticais e ortográficos que chega a assustar: contei 39. Obviamente, há que se considerar que um livro, com texto corrido, é muito mais passível de erros do que quadrinhos, onde os textos são fragmentados pelos balões. Mesmo assim, não dá pra ser condescendente com um trabalho tão mal feito como esse, vindo de uma editora multinacional.

Fica ainda pior considerando que alguns não são apenas erros de digitação, mas falta de conhecimento básico da língua, pois eles se repetem várias vezes, conforme vamos notar nas fotos abaixo. Como nosso objetivo é prestação de serviço e colaborar para uma melhor qualidade linguística, cada foto traz a correção do erro, com a devida explicação do porquê dele estar errado.

Abordagem errada no uso do termo.

1 – Logo na página de abertura, somos brindados por um “abordo”, palavra que existe se fosse a conjugação da primeira pessoa do presente do indicativo do verbo “abordar” (“o policial aborda o criminoso”, por exemplo) mas que, no caso, tem o significado de estar no interior de um veículo e, por isso, se escreve separado: a bordo. Ok, foi só um errinho de digitação. Vamos em frente.

Colocamos tudo junto pra mostrar que é separado que se escreve.

2 a 6 – Bem, aqui percebemos que não foi “um errinho de digitação”… No decorrer do livro, em vários momentos, aparece novamente o “abordo”. Significa que o tradutor não sabe escrever… e que o revisor e o editor também não sabem.

Parecia que a concordância verbal era uma ilustre desconhecida.

7 – O livro apresenta vários problemas com plural. No exemplo acima, o verbo deveria concordar com “as cores” e ser flexionado no plural, já que elas são o sujeito da frase. “As cores pareciam pertencer a um espectro” é a forma correta.

Patente Panini: a palavra “pro-proparoxítona” e o “algarismo romanumeral”.

8 a 10 – Nesse exemplo triplo, a impressão é que o tradutor tentou criar tendências. Primeiro, modificando a numeração romana para uma mescla entre o algarismo e o numeral. Ficou charmoso (só que não). Em seguida, tentou criar uma palavra “pro-proparoxítona”. Como sabemos (quero crer que sabemos, né?), todas as proparoxítonas são acentuadas (Fan-tás-ti-co, por exemplo), mas “fantasticarro” tem a sílaba tônica na penúltima sílaba e não na “ante-antepenúltima”: Fan-tas-ti-car-ro.  É o mesmo raciocínio da palavra cafezinho, por exemplo. Café tem acento, mas seu diminutivo não, pois a tônica muda de posição.

O texto ficou queimado com esse erro de digitação.

11 – Aqui temos um erro de digitação que poderia passar batido. Quem digita rapidamente, por vezes o próprio software corrige a palavra por uma de grafia próxima. “Poderia”, se fosse só ele. Juntando com todos os outros se torna um trabalho mal feito mesmo… A gente tentou deixar passar, “mas não conseguiu”.

É muito preocupante uma editora deixar passar um erro desses…

12 e 13 – Não bastasse a falta da vírgula após a locução adverbial, ainda temos o desprazer de ver um “preocupa-se” ao invés de “preocupasse”, como pede a conjugação verbal no pretérito imperfeito. E olhe que ainda estou ignorando a separação silábica “Jo-hnny”, um pouco mais abaixo…

Deslize verbal

14 – Neste caso, o erro permite várias interpretações. Primeiro, e o mais óbvio, é que o verbo está conjugado errado. Seguindo a sequência de ações realizadas pelo Sr. Fantástico, tudo leva a crer que o verbo deveria estar no pretérito perfeito: largou (o rifle), retraiu (o braço) e foi (em direção à cela). Mas o verbo também pode estar conjugado certo (no gerúndio), indicando uma ação contínua do herói. Nesse caso, o erro é a conjunção “e”, que estaria sobrando: “Retraindo seu braço, foi em direção à cela”. O primeiro caso indica ações isoladas e feitas uma de cada vez. No segundo, a ação foi contínua: ele caminhou em direção à cela ao mesmo tempo em que retraiu o braço. Porém, em ambos, o texto está errado.

Desta vez, ninguém quis lacrar. Foi erro de concordância mesmo!

15 e 16 – É fato que as publicações da Marvel lançadas atualmente adoram “lacrar”, com heróis representantes de ideologias de gênero, não para representar de fato, o que não haveria problema algum, mas para ser “engajadões” e fazer discurso panfletário. Não é o caso aqui, mas ninguém pode negar que o gênero foi um problema na hora de fazer a concordância nominal. Afinal, o poço estava “lacrado” e não “lacrada”. Na sequência, parece que faltou alguma palavra que explicasse o que o Aniquilador fez nas placas de adamantium. Pisou? Sentou? Chorou de desgosto?

Aposto que eles não sabem o que é aposto.

17 – Aposto é um termo que serve de explicação para o termo ou frase anterior. Gramaticalmente, sempre vem entre vírgulas. Mas claro que o redator do texto não sabe disso, porque engoliu a segunda vírgula após “Carniceiros”, que explica quem são “os leais servos do Aniquilador”.

Até os cavalos ficaram com vergonha desta.

18 – O termo estaria correto se o Coisa tivesse jogado o guarda em cima de um cavalo que estivesse disponível. Mas não foi isso que aconteceu: ele o jogou mesmo num recinto utilizado para prender criminosos – que estavam fugindo, aliás, indicando que não tem nenhum quadrúpede nessa história – ao menos, teoricamente.

A mim, parecia que os editores não entendiam nada de plural.

19 – Mais um caso de erro de concordância. “Machos e fêmeas pareciam…”: Substantivos no plural exigem o verbo também no plural. Simples assim. Mas que parecia um bicho de sete cabeças para o autor desse texto.

Já não existem erros o suficiente neste livro?

20 – Aqui temos um artigo definido “o” sobrando. Acredito que não houve tempo suficiente para uma revisão apropriada.

Os controles obedecem a um público bem restrito. Mas não tanto assim.

21 – Os problemas de plural continuam. Uma equipe como o Quarteto Fantástico tem vários amigos e aliados, mas alguém deve achar que eles têm apenas um único aliado.

A situação está ruim, a ponto de precisarem de profissionais mais qualificados.

22 – Mais um erro de digitação que, provavelmente, foi corrigido pelo software de edição de texto. Poderia ter sido pego pelo revisor, mas…

Mais um erro de plural com o verbo “parecia/pareciam”.

23 – Mais um caso de concordância verbal mal feita. E com o mesmo verbo. Acho que é implicância – ou, como no caso do “abordo”, desconhecimento das normas mesmo…

Nem vou legendar essa imagem.

24 – Mas de novo, Panini? O canhão parecia ser um inútil aborrecimento, mas os canhões pareciam ser aborrecimentos. Bem como essa quantidade absurda de erros, né?

Eu também anseio por ver uma revista sem erros.

25 – Faltou o sujeito da frase. A filha, a jovem, a alienígena, a pessoa, a criatura – qualquer coisa que o valha –  anseia por ver os pais novamente. E os leitores anseiam por uma edição mais bem editada.

Não, isso não é encenação. É trabalho mal feito mesmo.

26 – Aqui houve a troca do substantivo “encenação” pelo gerúndio do verbo “encenar”. E os leitores ficaram com a impressão de estar num palco sendo enganados pelos atores desta tragédia.

Na verdade, quem tem vontade de fugir pra algum lugar bem longe somos nós, leitores.

27 – As pessoas tentavam fugir para a segurança das ruas. É compreensível que, na hora de digitar, algumas letras sejam omitidas. Também é compreensível que um ou outro erro acabe passando. Mas não é compreensível, tampouco aceitável, que uma quantidade tão grande de deslizes aconteçam no mesmo livro. O leitor está pagando por ele e tem direito a um produto de qualidade.

Faltou a crase, sobrou o artigo e tropeçou no plural (de novo!).

28 a 30 – Locuções femininas, sejam elas adverbiais ou prepositivas, pedem a crase. Nesse caso, indica que o módulo estava sempre em vantagem com relação aos raios, e não apostando corrida até tomar a dianteira (nesse exemplo, não ocorre a crase: o carro passa a frente do seu oponente). É o que acontece na sequência, onde a ideia é colocar distância entre os heróis e seus atacantes. O problema é que tem um artigo sobrando e o pronome no singular não concorda com o substantivo no plural.  Tá feia a coisa…

Ficar em frente à TV e não estudar dá nisso…

31 e 32 – Mais um erro de crase seguido de outro de digitação: a regra básica da crase é que ela é usada apenas diante de palavras femininas e, por definição, ela acontece quando a preposição “a” encontra o artigo feminino “a”. Assim, um macete para identificar se ocorre a crase é substituir o substantivo feminino por outro masculino. Se a substituição resultar em “ao” (preposição a + artigo o), ocorre a crase. Assim, se o Tocha Humana reclamasse que perdeu sua noite em frente ao rádio, concluímos que em frente à TV pede crase. No erro seguinte, o verbo no subjuntivo está conjugado errado: que eu saia, que a gente saia… supondo que eles saibam conjugação verbal, claro!

Alguém mais tem problemas com crase além dos editores da Panini?

33 a 38 – Tá, já deu, né? Ao invés de citar um por um, vamos fazer um apanhado de erros de crase: mais seis, ao longo do livro. Em todos, o mesmo erro primário: bastava substituir a palavra feminina por uma masculina. Assim, a câmara de acesso ao portal da Zona Negativa, os Carniceiros não tinham iniciativa para se juntar aos invasores; Johnny poderia perguntar ao seu cunhado; o Coisa correu em direção ao inimigo e Reed lutava para resistir ao desejo de correr para o portal. Apenas um deles é o mesmo raciocínio já citado nos itens 28 a 30, onde o herói se preparava para o que ia enfrentar à frente (locução adverbial). Ufa!

Não aconteceu nada àquela criança. Ao português, no entanto… pobrezinho!

39 – Neste fica comprovado que o tradutor não entende de crase, pois saberia que a preposição “a” + o pronome demonstrativo “aquela” podem ser aglutinados numa mesma palavra craseada: àquela.

Unidos contra o desleixo editorial

Esta seção foi criada com o objetivo de apontar os defeitos encontrados nas HQs, prezando pela qualidade linguística, uma vez que, enquanto lemos, assimilamos de forma inconsciente a grafia das palavras, pontuações e afins, complementando a teoria aprendida nos bancos escolares. Quanto vemos textos mal escritos, principalmente vindos de empresas que, teoricamente, deveriam primar pelo perfeccionismo, temos também a desvalorização da língua. As editoras precisam lembrar de sua função principal e jamais colocar a ideologia política e o lucro como prioridades, caso contrário só colaboram para que nossa sociedade fique mais e mais ignorante.

Se você encontrar algum erro de ortografia ou gramática e quiser mandar pra PQP, fotografe ou escaneie e envie para nós pelo email que está na nossa página “Sobre mim”. Clique neste link para acessar. Vamos prezar pela qualidade da nossa língua, que é nosso maior patrimônio cultural.

PQP – Padrão de Qualidade do Português (Biblioteca Histórica Homem-Aranha)

Há alguns meses, a Panini resolveu lançar um tijolão com quase 500 páginas compilando as primeiras histórias do Homem-Aranha de autoria da dupla Stan Lee/Steve Ditko. Apesar do preço proibitivo (R$ 150), o encadernado teve público dirigido e foi uma ótima iniciativa para aquele colecionador das antigas ter, num único volume e em capa dura, uma coletânea da história do mais popular personagem da Marvel. O tipo de publicação para guardar como um grande tesouro, não fosse a baixa qualidade editorial, que trouxe os já tradicionais erros gramaticais e de digitação, além do absurdo de ter um balão em branco, problema que, dado o alto investimento, não poderia jamais ter acontecido.

Use sua criatividade e imagine o que o Tocha Humana está dizendo!

O material provocou uma chuva de reclamações na editora, que chegou a fazer recall do produto e lançar uma nova edição, com o balão devidamente consertado (não sei dizer se os demais erros de digitação também foram corrigidos, mas quero crer que sim). No entanto, não pensem vocês que esses erros ocorreram apenas nesta “edição definitiva”. A primeira iniciativa da Panini em trazer essas histórias, na finada Biblioteca Histórica Marvel, publicada entre 2007 e 2012 já tinha uma quantidade absurda de erros para um encadernado com preço elevado (já naquela época).

O redator não decidiu ainda qual o nome correto da personagem.

A edição número 2, por exemplo, lançado em outubro de 2008, apresenta seis erros de digitação entre grafias erradas de nomes de personagens, ausência de palavras, repetição de termos e separação de sílaba incorreta. O que torna o problema mais grave é que – como de praxe – uma revisão não muito apurada pegaria tais falhas. Por exemplo, o erro no nome da personagem Betty Brant, que saiu grafada como “Brand” numa fala de J. Jonah Jameson. No mesmo quadro, Peter Parker menciona a secretária por seu nome correto. Só pra reforçar: no mesmo quadro.

Kraven não quis dar entrevista para um jornalista que não sabe separar sílabas.

2) Erros em separações de sílaba são bastante comuns na hora de fazer diagramações. O software não sabe efetuar as separações seguindo as normas gramaticais, mas sim de acordo com o espaço disponível e quem tem que prestar atenção é tanto o diagramador quanto o revisor e o editor. Exatamente pela facilidade com que ocorrem, dever-se-ia ter uma atenção redobrada nesses casos, para evitar que aconteçam. (Só para deixar claro, a separação correta é SE-NHOR.)

Um erro para quem quiser ver.

3) A fala de Flash dizia que ele tinha grandes novidades, mas o leitor não esperava que fosse uma “engolida” na letra M no final da palavra “quem”. E o erro estava lá, para quem quiser ver (E não nos critiquem por sermos exigentes: foi Stan Lee quem mandou ler cuidadosamente a história!).

O Demolidor tem o quê mais desenvolvidos? Exercite sua memória.

4) Numa história detalhando os poderes do Homem-Aranha, o roteiro exalta os sentidos superdesenvolvidos do herói e os compara com os do Demolidor. O problema é que “esqueceram” de explicar o que o Aranha tinha de tão apurado. E o texto ficou assim, faltando uma informação.

Não! Não! Não!!!

5) Em outro quadro, o narrador explica que o Homem-Aranha não tem sido visto, mas deu uma “gaguejada” na hora de explicar e deixou um “não” sobrando no meio da fala, ensinando como NÃO se deve fazer uma revisão.

Preposições são palavras que ligam dois elementos de uma frase. Sim, elas fazem falta.

6) Por fim, a edição traz uma história engraçadinha estrelada por Stan Lee e Steve Ditko explicando como os autores criam as HQs do herói aracnídeo. Lee é tão chato que Ditko pede a sua secretária que não quer atender as ligações DE um cara chamado Lee. Mas a edição brasileira “comeu” a preposição. Será que estavam digitando o texto na hora do almoço?

Não seja burro! Quadrinhos também formam leitores. Respeite a língua!

Esta seção foi criada com o objetivo de apontar os defeitos encontrados nas HQs, prezando pela qualidade linguística, uma vez que, enquanto lemos, assimilamos de forma inconsciente a grafia das palavras, pontuações e afins, complementando a teoria aprendida nos bancos escolares. Quanto vemos textos mal escritos, principalmente vindos de empresas que, teoricamente, deveriam primar pelo perfeccionismo, temos também a desvalorização da língua. As editoras precisam lembrar de sua função principal e jamais colocar a ideologia política e o lucro como prioridades, caso contrário só colaboram para que nossa sociedade fique mais e mais ignorante.

Se você encontrar algum erro de ortografia ou gramática e quiser mandar pra PQP, fotografe ou escaneie e envie para nós pelo email que está na nossa página “Sobre mim”. Clique neste link para acessar. Vamos prezar pela qualidade da nossa língua, que é nosso maior patrimônio cultural.

PQP – Padrão de Qualidade do Português (Novos Guerreiros)

Uma triste constatação de nossos dias é que a qualidade do material colocado em bancas atualmente tem despencado a olhos vistos, o que nos faz crer, por vezes, que os editores não dão a mínima para os consumidores e estão interessados apenas em entupir as prateleiras com produtos de luxo para atender à demanda, mas com nenhum esmero na produção destes. Particularmente, não creio que seja assim: ainda quero acreditar que um profissional que ama o que faz, faz com cuidado e bem feito, pensando sempre na outra ponta da cadeia produtiva, que é o consumidor final. Mas está difícil pensar dessa forma.

Tem que ser guerreiro pra ler uma HQ com tantos erros.

A razão é o volume 84 da coleção Os Heróis Mais Poderosos da Marvel – Novos Guerreiros (Salvat, 2018), publicado sem qualquer dedicação, passando a ideia de um trabalho largado, feito às pressas e com aquele famoso “botãozinho do f” em modo ativo. Só assim para explicar os 24 erros de digitação e tradução do encadernado – que custa nada modestos R$ 47,90 no site da empresa (não chamaremos de “editora”, porque edição é algo que não teve neste e em vários outros volumes, tanto da coleção de capa preta como da de capa vermelha).

“Página maldita” no Facebook aponta erros nas HQs.

O mais lamentável é que, apesar das constantes reclamações dos colecionadores em suas redes sociais, nenhuma providência é tomada, os erros, ao invés de diminuir, se multiplicam e os responsáveis fazem cara de paisagem. Pior: os grupos que foram criados para apontar esses erros são tratados com descaso – cito aqui o mais popular no Facebook, chamado Todo dia um erro nos quadrinhos diferente, que  já foi chamado de “aquela página maldita” numa entrevista -, como se as editoras estivessem dando os quadrinhos de graça e qualquer reclamação seja uma ofensa, ao invés de servir de alerta para melhora dos serviços prestados.

“Esse processo é tão desgastante…”

É o que foi dito no início: o consumidor que se dane, desde que continue comprando – e os empresários sabem que vão continuar comprando, porque quem ama quadrinhos de super-heróis e iniciou uma coleção não vai deixá-la incompleta. Eles também sabem que o Código de Defesa do Consumidor garante que os produtos com defeito sejam substituídos, mas que a Justiça brasileira é tão lenta e morosa que qualquer ação que se mova vai dar mais despesa e dor de cabeça do que benefício e, por isso, o colecionador deixa pra lá. Assim, fazem o que bem entendem, sem qualquer respeito.

Mas vamos aos erros da edição. É preciso assumir que alguns deles são simples erros de digitação, como faltas de letras ou inversão das mesmas. Coisa pequena que seria, sim, perdoável (afinal, qualquer um está sujeito a um deslize), mas o que incomoda é a sucessão de “errinhos” numa mesma edição (são 24, só para reforçar!) tornando o produto inteiro descartável. O raciocínio é mais ou menos esse: uma laranja com um gomo podre, dá pra consumir, mas se forem vários gomos, o melhor a fazer é jogar a laranja toda no lixo. Contando:

Você é autor e escrevem seu nome errado na sua própria obra. #vergonha

1 – A vergonha alheia já começa no editorial, onde o desenhista Ron Frenz é grafado com S. Lembrando que uma obra de quadrinhos tem o roteirista e desenhista: esses são os autores da obra – e a empresa conseguiu grafar errado o nome do “pai da criança”. Imagine que você vai comprar um livro do Paulo Koelho, Monteiro Lobatto ou George Amado… Não é pouca coisa.

“From the Ground Up”: é expressão que, traduzida ao pé da letra deixa um significado pobre de sentido.

2 – A primeira história mostra a origem da equipe. O título “De baixo para cima” pareceu-me um tanto sem sentido e fui verificar o título original: From the Ground Up. Trata-se de uma expressão da língua, cujo significado é “a partir do zero”. Aí, sim, o título enriquece: trata-se da origem do grupo, ou seja, eles estão começando do nada para formar uma equipe. O que prova que, para ser tradutor, não basta apenas usar o Google, mas tem que ter um prévio conhecimento das expressões linguísticas.

Fico imaginando quem levaria a sério um grupo de vilões chamado Atos de Vingança…

3 – Mais um erro de tradução na história seguinte: qualquer leitor bem informado sabe que Atos de Vingança foi um arco de histórias publicado nos anos 90 que mostrava os maiores supervilões da Marvel se unindo para armar uma revanche contra os heróis. Mas eles não formaram nenhuma equipe, apenas trocaram de adversário, para explorar suas fraquezas. Portanto, ao ler o arco definido como “a maior equipe de super-vilões” logo chamou atenção. No original, “the ultimate super villains team-up” pode ser traduzido como aquilo que o arco é: “a união definitiva de super-vilões”. Team é equipe; team-up é união (nesse caso, até o Google Tradutor confirma!). Ou seja: falta de conhecimento de expressões. De novo.

É um sofrimento ver esses erros tão primários…

4 – Fanático não é nenhum exemplo de vilão inteligente. Mas, até onde me lembro, ele sempre soube usar corretamente os tempos verbais em suas falas. Quando começa a frase no imperativo, mantém-se a mesma lógica na frase seguinte. Portanto, “saia do caminho, ou sofra as consequências!”. Daí, também podemos dizer: faça um bom trabalho ou seja ridicularizado nas redes sociais.

Um intelectual como o Pensador Louco usaria as palavras corretas.

5 – Um erro de digitação: o correto seria “em suas palavras”. Algo que uma revisão bem feita pegaria fácil.

Estardalhaço deviam fazer os editores para exigir mais qualidade nas revisões.

6 – Mais um erro de digitação: “fazer um estardalhaço”.

“Os mano, pow. As minas, anotações.”

7 – O rapaz está falando das anotações, não das namoradas. “Copiou as minas anotações” é mais um caso de digitação feita às pressas e revisão pior ainda.

Sim, eles conseguiram errar duas vezes numa mesma frase. Dá pra entrar pro Guinness!

8 e 9 – Dobradinha de erros numa mesma frase: se Speedball acha que as coisas (e não as cosias) estão ruins, ele deveria aprender que Guinness é grafado com dois SS no final, porque se refere à marca da cerveja irlandesa de mesmo nome, que criou o famoso Livro dos Recordes. Por sua vez, a cerveja foi batizada com o mesmo nome do proprietário da empresa, Arthur Guinness. Lembra do que dissemos no item 1? Pois é…

bastões de eskrima (ou escrima) são utilizados nas artes marciais filipinas.

10 – Radical, a exemplo de um certo Homem-Morcego da concorrente, não tem superpoderes e treinou vários estilos de luta, usando apetrechos dessas lutas como defesa e ataque. Um deles é o bastão de Eskrima, uma espécie de arte marcial das Filipinas. Por não ser um nome muito comum, a grafia estranha chamou a atenção e fui conferir no original. Claro que o R estava depois do C (em português, a grafia com k também é usada). Portanto, “esrkima” é mais um erro de digitação não revisado.

Não dá pra ficar “calme” com tantos erros assim.

11 – Quem consegue ficar calmo perdendo a atenção na leitura a todo instante?

 

Expressões idiomáticas precisam … ah, já disse isso!

12 – Mais um caso de tradução mal feita envolvendo expressões idiomáticas: make my day, em inglês, significa algo que você gosta muito quando acontece, algo que “faz valer o dia”. Ninguém diz “Faça o meu dia” quando quer algo agradável, mas “faça valer o meu dia” torna a frase muito mais condizente com nosso idioma. A título de curiosidade, quando essa história foi publicada pela primeira vez no Brasil, na revista Homem-Aranha 132 (Abril, 1994), a tradução foi “Me divirta”. Simples e eficaz.

Bagunça mesmo é um texto mal digitado e mal traduzido.

13 – Que a expressão está errada, já dá pra ver de cara: ninguém “limpa da própria bagunça”. Nesse caso, há duas possibilidades: limpem “a própria bagunça” ou “sua própria bagunça” – as duas estariam corretas, mas para dar mais autenticidade à tradução, fui conferir no original e está lá o pronome possessivo “their”, o que significa que devem limpar “sua própria bagunça”.

Nome difícil

14 – A personagem Namorita adotou o sobrenome de uma amiga de Namor chamada Betty Prentiss, que cuidou dela na pré-adolescência. Isso o tradutor não precisa saber. Mas adotar um padrão para a grafia correta do nome da moça, seria essencial. Na mesma publicação, o nome aparece ora com dois SS, ora com apenas um. No mínimo, seguir o original americano.

Será uma nova categoria de santos? Não, é erro de digitação mesmo!

15 – O mandroide (armadura de segurança) resolveu xingar os jovens heróis, mas foi atrapalhado pelo letrista desatento, que digitou “Sãos” ao invés de “seus”. Que cretinice, hem?

Não adianta pegar as notas se não faz a lição de casa direito, senhor Revisor!

16 – As notas, com certeza, seriam baixíssimas para o revisor, que deixou passar esse “as” sobrando no meio do texto.

Vou ali me esconder embaixo da cama de vergonha.

17 – Muita gente ainda não sabe que “em baixo” não existe e o correto é “embaixo”, pois trata-se de um advérbio de lugar. O oposto, “em cima”, se escreve separado: “O livro que estava em cima da mesa caiu no chão e foi parar embaixo da cadeira.” (Vale dizer que escrever “encima” é uma aberração pior que bater na mãe!) A expressão “em baixo” só é aceita escrita separadamente se “baixo” tiver função de adjetivo: “O logotipo da empresa foi impresso em baixo relevo”, ou “aquela música estava em baixo tom.”

É claro que foi erro de digitação. E é claro que a revisão dormiu no ponto. De novo.

18 – O foguete foi lançado pela Stane Internacional, é claro. Também é claro que o Ç está perto do L no teclado e que, na hora de digitar, as letras foram trocadas. Seria perdoável, se não fossem os outros 17 erros anteriores e os seis que ainda virão a seguir.

Falha até debaixo d’água

19 – Triton encontra Namorita e acha bom vê-la com vida. Mas a gente não gosta de ver essa digitação mal feita.

Parece que esses erros vão acontecer indefinidamente…

20 – Nesse caso, além de erro crasso de tradução, ainda há o erro de contexto. Indefinivelmente é um advérbio que significa “de modo que não se pode definir” e, além de não caber no sentido da frase da Medusa, não é a tradução correta para indefinitely. O correto seria indefinidamente (de modo interminável), termo que até tem grafia parecida com o anterior, mas cujo significado é totalmente diferente. E, só para constar, em inglês, indefinivelmente é indefinably.

Quando fizer seu trabalho, não queira terminar logo, para não sair de qualquer jeito.

21 – Nova não tem problemas com conjugação verbal. Mas usar o futuro do pretérito (queria) ao invés do presente do subjuntivo (queira) é o cúmulo. A Salvat devia prezar mais pelas publicações, a menos que queira perder todos os leitores.

Tradução mal feita é assim. Repete palavras porque não sabe usar os termos próprios.

22 – Nesse caso, traduzir ao pé da letra dá o sentido ideal da frase: a existência (dos Inumanos) representa tudo o que o (personagem) Ladrão das Estrelas tem medo (afraid of = ter medo de). Se a existência dos heróis representasse o que o vilão representa, eles seriam amigos. O sentido é totalmente o inverso. Dá pra conceber um erro primário desses?

Nome trocado de novo, Salvat?

23 – Além de simplesmente traduzir o texto, os profissionais precisam ter um mínimo conhecimento dos personagens para não acontecer esse tipo de bobagem: dar ao mesmo personagem nomes diferentes na mesma edição: na HQ ele é o Ladrão das Estrelas. No texto extra que há no final do volume, ele é o Saqueador Estelar (no original, Star Thief). Isto deve ter acontecido porque, para agilizar os trabalhos de tradução, textos diferentes foram dados para tradutores específicos. Ou seja: a probabilidade de “dar ruim” é maior. Aí entraria o revisor que… bem, vocês entenderam.

Que absuldo!

24 – Ok, nem vou comentar esse. Hortelino Troca-Letras manda ablaços. Cebolinha plometeu um plano infalível para coligir os plóximos volumes (e já sabemos o resultado desses planos…). Sabe o que é pior? O R nem está perto do L no teclado…

Se eu trabalho em editora de quadrinhos? Sei de nada, não!

Ao que parece, esta edição bateu todos os recordes do aceitável. Sinceramente, se eu fosse um dos nomes presentes no expediente da revista, morreria de vergonha por ter meu nome associado a um produto de tão baixa qualidade… Esta seção foi criada com o objetivo de apontar os defeitos encontrados nas HQs, prezando pela qualidade linguística. Afinal, a leitura é a melhor forma de enriquecer nossa cultura, pois, de forma inconsciente, vamos assimilando a grafia das palavras, pontuações e afins, complementando a teoria aprendida nos bancos escolares. As editoras precisam lembrar de sua função principal e jamais colocar a ideologia política e o lucro como prioridades, caso contrário só colaboram para que nossa sociedade fique mais e mais ignorante.

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PQP – Padrão de Qualidade do Português (CHM Hulk 9)

Depois de um tempo ausentes com a seção PQP, estamos de volta para continuar nossa prestação de serviços, colaborando para o conhecimento da nossa língua. Já falamos aqui sobre o exagero dos erros numa única edição do encadernado Lendas do Universo DC – Novos Titãs, que se repetiu nas edições seguintes, tirando todo o brilho da coleção. A Coleção Histórica Marvel do Incrível Hulk parece querer repetir a façanha, muito embora a editora venha afirmando ter tomado providências para reduzir dos erros nas suas publicações.

Coleção Histórica… de erros.

Durante a leitura da edição 9 (a primeira da terceira caixa), alguns errinhos pontuais de digitação que, não sejamos tão radicais, dá para perdoar e ignorar. A fase do Gigante Verde é tão icônica e importante – considerada uma das melhores do personagem, na qual a mente Bruce Banner assume a personalidade do Hulk, proporcionando uma nova dinâmica nas histórias – que pequenos erros são irrelevantes… até a última história. Com a participação da Mulher-Hulk, a HQ tem tantas gafes que estas saltam aos olhos, principalmente no que diz respeito à tradução.

O Hulk não consegue controlar a raiva de ver tantos erros…

Aqui cabe dizer que o tradutor da edição é um nome novo – pelo menos, este que vos escreve nunca o tinha visto creditado nas revistas – o que sinaliza uma ação da Panini para minimizar as falhas, trocando alguns membros da equipe. Uma pena que ainda não tenham acertado o ritmo, pois até quem não tem tanta familiaridade com a língua, percebe que há erros gritantes. Veja a seguir:

Then = advérbio mal usado.

1 – Logo na abertura da história, temos dois erros: um de concordância e um de tradução. Primeiramente, o tempo do verbo encontrar deveria concordar com o substantivo “sentimentos”, pois são eles que se ENCONTRAM em uma fuga de Bach (Fuga, no caso, não é do verbo fugir, mas um estilo de composição com várias vozes). Em seguida, o tradutor se “atrapalhou” com o advérbio then (veja no destaque), traduzindo-o ao pé da letra e deixando de dar fluência ao texto, além do óbvio sentido lógico da frase. Caberia muito melhor um “Assim, as notas…” ou “Por isso, as notas…” . O bom tradutor sabe que não basta transpôr de uma língua para a outra, mas adaptar as expressões para que o texto ganhe vida.

Diálogo estranho

2 – Outro problema de “texto duro” e sem vida se percebe no encontro de Bruce Banner com sua prima, a Mulher-Hulk. O Homem de Ferro diz que vai deixar os primos em paz e a Mulher-Hulk emenda a fala do Vingador, mas o texto “não dá liga”, exatamente porque foi, mais uma vez, traduzido ao pé da letra. Ficaria muito melhor se a verdona começasse sua conversa dizendo “E renovar velhos contatos, certo, primo?” No caso, o tradutor entendeu a preposição “to” como parte do texto, mas ela, na verdade, está ligada ao infinitivo do verbo, to renew, podendo ser omitida. O outro balão também ficou esquisito, porque ninguém coloca “um bocado [de contatos] em dia”. Aqui, poderia traduzir como “Temos muito o que conversar, não é?”. Bem mais simples, direto e de acordo com o linguajar cotidiano.

É verdade que a tradução tem deficiências.

3 – Mais um caso de tradução deficiente nesse quadro, onde Banner relembra os fatos de sua origem. Ele diz que foi o responsável pela sua maldição, pois foi o criador da Bomba Gama, apesar de outros fatores alheios à sua vontade terem concorrido para que a ele fosse apanhado pela explosão. O original – “Oh, true, it was…” – ficaria melhor traduzido como “Na verdade…” ou “É verdade que…”, para emendar com a conclusão do pensamento no quadrinho seguinte, quando ele explica: “Mas fui eu que criei a bomba.” Do jeito que está, a conversa parece formal demais e não condiz com a intimidade existente entre primos.

Erro de concordância por erro de tradução.

4 – Neste caso, temos um erro de concordância. Betty Ross se bronzeava sob O SOL, mas ELE não a AQUECE, porque seu coração está frio. Porém, chamou a atenção um espaço em branco no recordatório, o que indicava que ali deveria ter mais palavras… Uma consulta no original e estava lá: a jovem se bronzeando sob OS RAIOS DO SOL. Aí, sim, ELES não a aqueciam. Neste caso, o erro foi duplo: do tradutor,  que simplificou o primeiro box, mas esqueceu da concordância no seguinte, e da revisão, que não pegou a falha.

Hulk inteligente: fase muito aguardada.

É muito triste ver um material tão querido e aguardado pelos fãs sendo tratado com tanta falta de cuidado. Cabe lembrar que esta seção tem como objetivo apontar os defeitos encontrados nas HQs, prezando pela qualidade linguística. Afinal, a leitura é a melhor forma de enriquecer nossa cultura, pois, de forma inconsciente, vamos assimilando a grafia das palavras, pontuações e afins, complementando a teoria aprendida nos bancos escolares. As editoras precisam lembrar de sua função principal e jamais colocar a ideologia política e o lucro como prioridades, caso contrário só colaboram para que nossa sociedade fique mais e mais ignorante.

Se você encontrar algum erro de ortografia ou gramática e quiser mandar pra PQP, fotografe ou escaneie e envie para nós pelo email que está na nossa página “Sobre mim”. Clique neste link para acessar. Vamos prezar pela qualidade da nossa língua, que é nosso maior patrimônio cultural.

PQP – O estranho caso do povo “estadunidense”

Nossa coluna PQP (Padrão de Qualidade do Português) de hoje traz um estranho caso de erro que não é exatamente um erro (ao menos, não gramatical, nem ortográfico). O uso do termo estadunidense ao invés de americanos para se referir aos habitantes dos Estados Unidos se tornou uma prática cada vez mais comum. Por isso, cabe uma reflexão bem profunda sobre os motivos que levam os editores a adotarem essa palavra tão bizarra no seu vocabulário – muito embora ela exista no dicionário. Num primeiro momento, o uso do termo nem chegou a incomodar, mas o seu uso se tornou tão indiscriminado e abusivo que acendeu a luz de alerta para a existência de algo além de uma simples palavra retrógrada.

A Morte do Superman – Tradutores e editores diferentes nas edições da Eaglemoss (acima) e Panini (abaixo) mostram sua visão política no texto.

É interessante notar que não são todas as publicações que a tal palavra aparece – o que torna ainda mais plausível a teoria abaixo. Em algumas publicações, os habitantes dos Estados Unidos continuam sendo chamados de americanos, numa tradução correta e literal do texto em inglês. No entanto, na visão de alguns – não se sabe se tradutores, letristas, revisores ou editores – americanos são aqueles que moram na América (continente) e não no país (Estados Unidos). Assim, mudam a tradução ao seu bel prazer única e simplesmente para transmitir a visão DELES sobre algo que não concordam. Ou seja: tudo é uma birrinha política.

No original de New Teen Titans 18, o termo usado é “american”.

É uma forma de “protestar” contra a supremacia do país sobre seus vizinhos – o que, convenhamos, é uma idiotice, já que a própria HQ vem de lá. Se é pra protestar de verdade, então que se pare de publicar quadrinhos daquele país e se valorize o produto nacional. Mas… como são apenas contratados por uma editora multinacional e não podem impedi-la de oferecer ao nosso mercado os quadrinhos americanos, resolvem poluir os textos com uma tradução porca de um termo que já caiu em desuso há muito tempo e só é mesmo usado para expor uma visão política (ou a falta dela).

Até onde chega o absurdo: No Brasil, defecaram o termo SEIS vezes na mesma página (sem contar os erros gramaticais do restante da edição).

Esse tipo de atitude é tão ridícula – e seus autores parecem não perceber isso e acham que estão “lacrando”, quando na verdade, estão mostrando o quanto são infantis – que se esquecem que o povo americano não “roubou” um termo que pertence ao continente. Eles estão apenas usando algo que lhes é próprio, uma vez que o nome do país é “Estados Unidos DA AMÉRICA“. Sem contar, obviamente, o fato de se preocuparem mais com doutrinação ideológica do que em escrever corretamente o bom português, lançando edições cheias de erros gramaticais (como já mostramos aqui e aqui). Isso é inadmissível para um profissional da área!

Liga da Justiça – O Prego, da Eaglemoss: o editor não decidiu que termo utilizar. Vamos aguardar até que ele amadureça mais um pouco, daí, quem sabe…

Além disso, cabe a pergunta: se é para protestar, por que não mudam o nome do personagem mais bandeiroso da Marvel para Capitão Estadunidense? Muito embora já esteja bem claro que o herói não representa apenas os Estados Unidos, mas todo o continente americano, ele ainda usa as cores e os símbolos da bandeira dos Estados Unidos. E aí? Além do mais, o protesto é tão incoerente que chega-se ao cúmulo de usar termos diferentes na mesma página: estadunidense e norte-americano, outra versão menos esquerdista, mas igualmente errada, visto que canadenses e mexicanos também podem ser chamados dessa forma.

Novos clássicos do cinema, na visão distorcida do povo esquerdista que tomou conta das redações.

Se a moda pega, as futuras versões de vários filmes, quando forem relançados em blu-ray ou DVD trarão estampadas em suas capas: Beleza Estadunidense (Vencedor de cinco Oscars, entre os quais o de melhor filme), Um Lobisomem Estadunidense em Londres (um clássico!), Fievel, um Conto Estadunidense (fizemos uma Sequência Favorita dele aqui), Psicopata Estadunidense (o filme que impulsionou a carreira de Christian Bale), e por aí vai.

Clássica HQ de Curt Swan foi estragada pela politicagem.

Como são os editores os principais responsáveis pelo texto final e quem garante que tudo saia direitinho nas revistas, a culpa recai sobre eles. São eles que deveriam cuidar para que essas sutilezas – já não tão sutis assim – parassem de poluir as páginas das revistas, porque os leitores compram HQs para se divertir, não para receber panfletagem política. Quem quer produzir esse tipo de material, que vá se filiar a um partido ou a um sindicato e doutrinar quem está disposto a receber tais ensinamentos ao invés de estragar uma revista em quadrinhos de quem não compartilha com tal posição.

Mais uma d’O Prego: até a placa foi alterada. É o último prego no caixão de quem fez esse trabalho…

E antes que alguém diga que quadrinhos também são uma plataforma para discussão político-social (taí o Capitão América e os X-Men, que não me deixam mentir), vale lembrar que, sim, eles podem discutir. Só não podem apresentar uma visão distorcida e autocrática de uma única vertente que muda até o texto original para transmitir sua ideologia.

Guerra Civil: nos quadrinhos e na doutrinação política editorial.

Por fim, cabe lembrar que esta seção tem como objetivo apontar os defeitos encontrados nas HQs, prezando pela qualidade linguística. Afinal, a leitura é a melhor forma de enriquecer nossa cultura, pois, de forma inconsciente, vamos assimilando a grafia das palavras, pontuações e afins, complementando a teoria aprendida nos bancos escolares. Quando uma editora despreza esses fatores e coloca a ideologia política acima da sua função principal, só está colaborando para que nossa sociedade fique mais e mais ignorante. Se você encontrar algum erro de ortografia ou gramática e quiser mandar pra PQP, fotografe ou escaneie e envie para nós pelo email que está na nossa página “Sobre mim”. Clique neste link para acessar. Vamos prezar pela qualidade da nossa língua, que é nosso maior patrimônio cultural.

PQP – Padrão de Qualidade do Português (Novos Titãs Vol. 2)

Um sonho dos leitores mais antigos era ver compilada toda a fase dos Novos Titãs escrita por Marv Wolfman e divinamente desenhada por George Pérez. Foi um clássico dos anos 80 que, por aqui, saiu nas revistas Heróis em Ação e, posteriormente, na própria revista Novos Titãs, da Editora Abril. Fazem parte de um período revolucionário, porque renovaram a antiga Turma Titã, colocando novos membros com conflitos e problemas típicos da adolescência daquela época, criando uma empatia com os leitores e uma química bem interessante entre os integrantes da equipe.

Fase consagrada dos Titãs é um desejo antigo dos leitores.

A Panini atendeu os desejos dos leitores com a publicação de Lendas do Universo DC – Novos Titãs por George Pérez, dando também a oportunidade aos novos leitores de conhecerem uma fase tão marcante na trajetória da equipe. Infelizmente, o que seria motivo de comemoração acabou se tornando uma enorme decepção durante a leitura. A falta de zelo no texto demonstrou um grande descaso na edição do material, tal a quantidade de erros de digitação, acentuação, balões trocados… enfim, uma falta de capricho que desmotiva os leitores a manterem a coleção. Afinal, quem quer ter uma coleção cheia de defeitos?

Volume 2 da coleção tem festival de falhas. Um verdadeiro desrespeito ao consumidor!

Veja abaixo os problemas que encontramos APENAS no segundo volume da coleção. Segundo informações, os próximos estão piores. Vale lembrar que esta seção não tem como objetivo desmerecer nenhum profissional envolvido, nem a própria empresa, mas apenas apontar os defeitos encontrados nas edições, prezando sempre pela qualidade linguística. Afinal, a leitura é a melhor forma de enriquecer nossa cultura, pois, de forma inconsciente, vamos assimilando a grafia das palavras, pontuações e afins, complementando a teoria aprendida nos bancos escolares. Quando uma editora despreza esses fatores só está colaborando para que nossa sociedade fique mais e mais ignorante.

1 – Comecemos com uma “básica” troca de balões. A fala da garota foi atribuída à Ravena, enquanto que a resposta da heroína foi atribuída à garota. Para evitar esse tipo de problema nos quadrinhos existe um aplicativo bem simples que pode ser usado pelos editores nos momentos de revisão: chama-se atenção.

Troca de balões não ofende a gramática nem a ortografia. Mas ofende o leitor.

2 – Faltou a crase na fala do Exterminador: o verbo equivaler, por sua própria função, pede a preposição: tudo que equivale, equivale a algo. Logo, se a palavra seguinte for feminina, pede a crase. Nesse caso, a palavra é oculta: “minha força equivale à (força) de dez homens”. Como saber que tem essa palavra marota escondida? Pelo simples uso da preposição “de”. Se ele tivesse dito: “minha força equivale a dez homens”, não teria crase. Como usou a preposição, a crase é obrigatória. Difícil? Um pouco, mas faz parte da riqueza da nossa língua.

Crase é um grave problema para muita gente. Mas não devia ser.

3 – Cronos é o nome correto do titã. Esse é um erro clássico de digitação, principalmente porque as outras vezes que ele é citado, está grafado corretamente. Um problema recorrente quando se digita rapidamente… mas que uma revisão atenta pegaria.

Erraram o nome do titã. Será que faltou tempo para a revisão?

4 – Decerto é a grafia correta, pois o personagem usou um advérbio que significa “certamente”, “com certeza”. Escrito separadamente, só para falar sobre algo não especificado (“Falar de certo assunto me incomoda”) ou verdadeiro (“O que a editora fez de certo foi publicar esta edição”). Para saber a diferença, pode-se substituir a palavra pelo seu antônimo: “de errado, alguma de suas agências tem a informação”. Não combina. Porém: “Com certeza, alguma de suas agências tem a informação”.

De certo essa frase não tem nada.

5 – “Se” duplicado: a palavra “se”, nesta frase, tem duas funções: o primeiro indica uma condição. Já o segundo é um pronome reflexivo, ou seja, indica que a ação acontece com a própria pessoa que a faz. Quando uma pessoa “se corta”, ela corta a si mesma. O fato é que o segundo “se” está sobrando, claro! Nesta frase, ele é totalmente descartável e o correto seria “Ainda não sei se ela gosta de mim… ou se é coisa da minha cabeça.”

Afinal, Ravena gosta do Kid Flash ou dela mesma?

6 – Falta de preposição “com”: alguns erros deixam dúvida se eles, de fato, são erros. Embora, no caso abaixo, Hipérion tenha dito, no balão anterior, que a Moça-Maravilha “caminha COM Hipérion”, dando a entender a ausência da preposição no diálogo seguinte (“caminha COM os deuses”), a falta dele também dá sentido se imaginarmos que, “a partir de agora, os humanos perderam a chance. Agora caminham os deuses”. Mesmo assim, haveria o erro na conjugação do verbo, que deveria ser flexionado no plural. Apesar disso, fomos ver como estava no original para sanar a dúvida… e lá estava a preposição With/com.

Algum esfomeado comeu a preposição “com” (que existia no texto original, em inglês).

7 – Plural inexistente: Nem tem o que explicar. O adverbio “longe” não tem plural. Com certeza, está bem longe de uma boa gramática.

“Também estamos longe de oferecer um texto de qualidade”

8 – Cadê o H? Concordamos com o Mutano: não é justo que isso esteja acontecendo DE NOVO! Falta muita atenção na edição é revisão dos textos para um erro ortográfico desse calibre passar em branco. Principalmente considerando que a palavra “patrula” não existe (para não deixar dúvidas, o correto é “patrulha”). O próprio Word identificaria o erro…

“O H não é letra muda? Então tira ele daí que ninguém vai notar…”

9 – Plural inexistente. De novo. Na oração, o personagem associa duas pessoas diferentes que possuem qualidades opostas. Logo, as fraquezas de um são as qualidades do outro. Até poderia ser “dos outros”, se estivesse comparando uma pessoa com várias outras, mas mesmo assim, o erro persistiria, faltando o plural da preposição.

“Não zombe dos erros do Zôto.”

10 – Palavra duplicada: Obviamente, mais um erro de digitação que nem precisa explicação. Estelar se sente parecida com seus amigos e (por isso, se sente) em casa. O segundo “em” está sobrando. O curioso é que um está em negrito e o outro não, o que indica que alguém teve que mexer na palavra (mas deixou o erro).

Estelar tem um caso raro de gagueira.

Ufa! É muito erro para uma edição só! Infelizmente, isso desvaloriza o próprio material, além de empobrecer a leitura. Continuaremos com esta seção para patrular, digo, patrulhar as editoras a fim de colaborar para que esse tipo de coisa não aconteça ou, no mínimo, aconteça cada vez menos. Se você encontrar algum erro de ortografia ou gramática e quiser mandar pra PQP, fotografe ou escaneie e envie para nós pelo email que está na nossa página “Sobre mim”. Clique neste link para acessar. Vamos prezar pela qualidade da nossa língua, que é nosso maior patrimônio cultural.

 

PQP – Padrão de Qualidade do Português

Sabe quando você está lendo aquela revista em quadrinhos com o maior gosto, a história está empolgante, o personagem é bacana e, de repente, você dá de cara com um erro de gramática ou de ortografia causado por uma revisão mal feita? Não dá pra controlar o desejo de mandar tudo para PQP, não é verdade? Pois agora você pode! Estamos inaugurando a seção PQP – Padrão de Qualidade do Português, para você mandar aquelas gafes medonhas que aparecem nas HQs e colaborar para o nível linguístico daquilo que você lê.

Erro de acentuação NA CAPA da revista Superman 47 (Panini). Raiz não não tem acento, porque não se acentuam as palavras oxítonas terminadas em Z.

Esta seção foi motivada pelos sucessivos “descuidos” das editoras de quadrinhos, que pecam pela falta de uma revisão e, com isso, colaboram para o empobrecimento da língua portuguesa. Um País que já não tem boa fama nos investimentos em educação, se não tiver um cuidado extremo das grandes editoras, que tem nas palavras, a base do seu trabalho, só vai provocar mais e mais “desaprendizagem”. A leitura – seja ela de quadrinhos, livros, jornais ou revistas – é a melhor forma de enriquecer nossa cultura, pois, de forma inconsciente, vamos assimilando a grafia das palavras, pontuações e afins, que complementam a teoria aprendida nos bancos escolares.

As CIRCUNSTÂNCIAS exigem uma revisão mais bem feita para que esses erros de digitação não ocorram com tanta frequência. (Os Heróis Mais Poderosos da Marvel Vol. 43 – Salvat)

Quando uma editora despreza esses fatores – com a desculpa que “a responsabilidade de educar é do Estado”, por exemplo – só está colaborando para que nossa sociedade fique mais e mais ignorante. Não é porque o Governo não faz a sua parte que as empresas devem deixar de cumprir o seu papel e dar sua colaboração. É exatamente neste sentido que criamos esta seção: não queremos achincalhar o trabalho de nenhuma editora, redatores ou tradutores de forma pessoal, mesmo porque, sabemos que todo trabalho é passível de erros. O grande problema está mesmo na frequência com que esses erros ocorrem e nosso objetivo é colaborar para uma forma correta de escrever e se expressar.

Outro erro ortográfico na capa. Falta de zelo editorial na tradução de “CAPTAIN” para “CAPITÃO”. (Os Heróis Mais Poderosos da Marvel Vol. 7 – Salvat)

Nós não concordamos que “o importante é se comunicar”; nosso lema é “o importante é se comunicar de forma correta e culta”, sem assassinar o pobre do Português. Assim sendo, vamos apontar o erro, sim, mas também mostrar como é o correto, colaborando, dessa forma para o aumento da cultura geral dos leitores e, principalmente, com o aprimoramento dos profissionais que erraram, para que corrijam estas aberrações linguísticas e melhorem a qualidade dos produtos que comercializam. Dessa forma, atrairão novos leitores e ganharão muito mais lucro. Todos saem ganhando!

Alguém “esqueceu” de apagar a camada do texto em inglês. E ninguém na editora reparou… (Os Heróis mais Poderosos da Marvel Vol. 1 – Salvat)

Se você encontrar algum erro de ortografia ou gramática e quiser mandar pra PQP, fotografe ou escaneie e envie para nós pelo email que está na nossa página “Sobre mim”. Clique neste link para acessar.