Crítica: O Justiceiro

O Justiceiro nunca foi um dos meus personagens preferidos. Aliás, tenho minhas reservas quanto a um herói (ao menos, é esse o conceito das HQs, não? “Quadrinhos de super-heróis”?) que mata impiedosamente e sem reservas. No entanto, é fato que o personagem tem certo charme que conquista o leitor de suas aventuras. Talvez pela sua história trágica, que justifica seus atos, ou pelo fato de fazer justiça a qualquer preço e só atacar bandidos, nunca inocentes (algo que, verdade seja dita, todos nós, pobres mortais, temos vontade às vezes).

Encarnações anteriores não fizeram justiça ao personagem

O fato é que o público gosta do Justiceiro. Motivo pelo qual ele já foi levado três vezes ao cinema – em 1989, na pele de Dolph “He-Man” Lundgreen, num filme que descaracteriza totalmente o personagem (exceto pelo fato dele matar mafiosos); em 2004, interpretado por Thomas Jane (na minha opinião, a melhor caracterização do anti-herói), mas com um roteiro fraco que não emplacou; e, finalmente, em 2008, num longa violento e fiel aos quadrinhos, mas que também não teve grande repercussão – talvez pelo fato do ator Ray Stevenson (o Volstagg, da trilogia de filmes do Thor) pouco lembrar o personagem, embora ele não estivesse ruim no papel.

Justiceiro roubou a cena na segunda temporada de Demolidor.

Quando parecia que a Marvel finalmente tinha desistido de nos empurrar goela abaixo um personagem que pode até ser legal nos quadrinhos, mas pouco tem de apelo no cinema (já temos vários filmes de fuzileiros linha dura que se revoltam e decidem detonar os inimigos. Bruce Willis, Sylvester Stallone, Kurt Russell, Arnold Schwarzenegger e afins que o digam!), a Netflix decide incluí-lo numa participação na segunda temporada da série do Demolidor. Frisson entre os fãs. Veremos o Justiceiro numa série de TV! Agora vai! E foi. A breve, mas marcante participação do anti-herói na pele do ator Jon Bernthal era a deixa que a Marvel precisava para dar um sinal verde para a produção de uma série de TV. No cinema não emplaca, mas uma série, talvez funcione.

Jon Bernthal e sua cara de mau. “I’m Batm… não, pera…”

Não funciona. Feita às pressas, fora da programação original do canal streaming (que não previa nem a segunda temporada do Demolidor, aliás), a série O Justiceiro (The Punisher, 2017) explora o passado de Frank Castle (Bernthal) desde o tempo em que ele atuava como fuzileiro naval ao lado de Billy Russo (Ben Barnes) e Curtis Hoyle (Jason R. Moore). Vale lembrar que a série do Demolidor já mostrou o assassinato de sua família, que o motivou a declarar guerra contra o crime, então era preciso ir além.

Madani e seu parceiro Sam: investigação proibida.

É revelado que Frank cometeu uma atitude pouco louvável no Afeganistão, muito embora ele a tivesse feito seguindo ordens superiores (soldados não discutem, apenas fazem o que lhes mandam, sabe como é.) Isso o coloca na mira da investigadora Dinah Madani (Amber Rose Revah) que vem para Nova York atrás dos responsáveis por tal ato, mas ela é impedida de prosseguir seu objetivo pelo delegado Carson Wolf (C. Thomas Howell), que, ao que tudo indica, tem muito a esconder sobre o caso.

Microchip – ou simplesmente Micro: bons soldados nunca lutam sozinhos.

Nesse meio tempo, Castle elimina todos os responsáveis pela morte de sua família, destrói o equipamento do Justiceiro e tenta levar uma vida normal, sob a identidade de Pete Castiglione, trabalhando numa obra. No entanto, ele é descoberto por um misterioso hacker chamado Micro (Ebon Moss-Bachrach), que o convoca para lutar contra o Sistema, já que ambos perderam suas vidas graças à corrupção no Governo.

O ritmo é semelhante a fazer uma escultura: muitos detalhes e pouco avanço

Esses três parágrafos resumem os três primeiros capítulos da série – que, como de praxe, assistimos para fazer esta crítica – dos treze disponíveis. Ou seja, em três capítulos, não tem muita coisa para dizer, diferente das outras séries da Netflix, onde a trama já estava bem construída e se desenrolando. Em O Justiceiro, o ritmo é lento, muito lento. Imagens em flashback de sua esposa, na cama, acordando-o pela manhã são mostradas a cada 10 minutos. Cenas com os filhos, a cada 15. Se, por um lado, isso é válido, pois mostra a personalidade psicótica do Justiceiro, por outro, se torna maçante, uma vez que não dá espaço para a trama principal.

Curtis (Esq.) e Russo, amigos de Castle. Nos quadrinhos, Russo é o criminoso conhecido como Retalho.

Já sabemos que Castle perdeu sua família e se culpa por isso. Já sabemos que ele se tornou obcecado em acabar com a criminalidade. Vamos andar? Não, vamos dar mais flashbacks para a investigação de Madani (que também caminha a passos lentos. Parece até a Justiça Brasileira resolvendo os casos de corrupção do Governo). Frank visita seu amigo Curtis, cujo único trabalho é pendurar cadeiras após a reunião dos Fuzileiros Neuróticos Anônimos, ou algo do tipo, para falar sobre nada. Também se encontra com Karen Page (Deborah Ann Woll), que veio direto da série do Demolidor, fazendo uma participação quase romântica. Depois disso, Frank descobre a identidade de Micro e passa um episódio inteiro fazendo três ou quatro perguntas (respondidas com mais flashbacks) para virarem amigos ao final e Castle decidir voltar à ativa.

Conferindo se a caveira está bem desenhada.

A série não tem ritmo – ou tem, mas é vagaroso e sonolento. A investigação (que, invariavelmente revela aquilo que já sabemos: o Governo é corrupto e alguém precisa fazer uma limpeza) não tem nenhum elemento intrigante, que nos faça querer saber mais. Bernthal, que estava tão bom no Demolidor, parece ligado no piloto automático: só fazendo cara feia e tendo pesadelos com a esposa. Isso sem mencionar algumas cenas de dar vergonha alheia, como o Justiceiro acertar um tiro a quilômetros de distância e o bandido em pé conseguir ler um nome num documento caído no chão a mais de 10 metros dele. Ok, é ficção, mas sem forçar demais a barra, né?

Estreia do anti-herói: “nasci coadjuvante; deveria continuar coadjuvante”.

Apesar disso, como só vimos três episódios (equivalente a 23% da série), a esperança é que a trama engate (principalmente porque o terceiro capítulo termina com um gancho que indica isso). Caso melhore, faço questão de voltar aqui e retificar a crítica. Mas vale lembrar que uma série que não conquista logo no início, a tendência é que o público não siga até o final. Como disse no início, o Justiceiro nunca foi um dos meus personagens favoritos. Mesmo assim, ainda tenho um pouco de boa vontade para com ele. A Marvel também deveria ter e perceber, de uma vez por todas, que o personagem simplesmente não funciona em live-action. Melhor deixá-lo nos quadrinhos. Seria muito mais justo. 

Cotação: 

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Crítica: Liga da Justiça

Quinto filme do “Universo estendido” da DC, o filme Liga da Justiça (Justice League, 2017) estreia amanhã, 16 de novembro, já provocando polêmica e divisão entre os fãs dos personagens. Os trailers exibidos mostravam que os mesmos erros de Batman Vs. Superman (2016) seriam repetidos – cenas escuras, personagens mal desenvolvidos e descaracterizados, câmeras lentas usadas à exaustão, duração excessiva – e os críticos (este que vos escreve, inclusive) não pouparam comentários negativos à produção, já prevendo o baixo nível de qualidade.

Primeiras imagens mostravam cenas escuras e ação forçada.

No entanto, como fã de quadrinhos e dos personagens, é muito bom poder admitir que cometemos um erro. Liga da Justiça é um filme que mostra a salvação da DC no cinema – algo que já começou com Mulher-Maravilha, em junho, mas que tinha na Liga da Justiça a sua esperança definitiva de redenção. Afinal, tratava-se da maior equipe de super-heróis dos quadrinhos, que reúne os maiores ícones da editora, o equivalente aos Vingadores para a Marvel (e sabemos que o primeiro filme dos Vingadores é praticamente uma unanimidade entre os fãs como o melhor filme da Marvel Studios).

Zack Snyder ganhou o reforço de Joss Whedon na produção.

Não dá pra negar que parte do mérito desta qualidade do filme se deve à chegada de Joss Whedon (o diretor dos dois filmes dos Vingadores) à produção. Com a tragédia da morte de sua filha no início do ano, o diretor Zack Snyder se afastou da produção e deixou Whedon em seu lugar para finalizar a edição do longa-metragem. Com isso, o filme ganhou mais leveza e dinamismo, perdendo aquele tom pesado e mal humorado de BvS e aproximando-se mais das histórias em quadrinhos.

Batman reúne a equipe para honrar da morte do Superman.

Claro que a marca de Snyder ainda está lá, principalmente no início, onde a trama é mais sombria – afinal, o mundo ainda está lidando com a morte do Superman, causada pelo Apocalypse no filme anterior. Abalado com a morte do maior herói do planeta, Batman (Ben Affleck) tenta fazer a diferença no combate ao crime, mas a aparição de estranhos alienígenas voadores chamam a atenção do Homem Morcego para uma possível invasão. Assim, ele convoca a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) para buscar os heróis descobertos nos vídeos roubados de Lex Luthor (Jesse Eisenberg) para formar uma equipe.

Lobo da Estepe: de vilão mequetrefe a ameaça invencível.

No entanto, a Princesa Amazona alerta que uma ameaça muito maior se faz presente: o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds), um tirano vindo de outro planeta, que já havia tentado dominar o planeta há 5000 anos mas fora rechaçado pela atuação conjunta das amazonas, atlantes, deuses e outros aliados (atenção a esta cena!), está de volta, em busca de três caixas maternas espalhadas pelo mundo, para retomar seus planos de conquista. Mais poderoso do que nunca, Lobo da Estepe consegue recuperar a primeira caixa em posse das amazonas em Themyscira e parte em busca das outras duas.

Mundo colorido: Superman volta inspirador, heroico, sorridente… e azul brilhante!

Assim, Batman e Diana recrutam Aquaman (Jason Momoa), Flash (Ezra Miller) e Cyborg (Ray Fisher) para honrar o legado do Homem de Aço e impedir o vilão. Em meio a tudo isso, o Superman (Henry Cavill)também volta à vida e se junta ao grupo (um retorno já esperado, mas não vamos dizer como isso acontece para não revelar spoilers. Apenas vamos dizer que a trama difere totalmente dos quadrinhos). O herói retorna muito mais inspirador, sorridente e com uniforme com cores muito mais vivas que o azul e vermelho apagados das produções anteriores. Esse, sim, é o Superman em sua essência (muito embora a interpretação de Cavill ainda deixe a desejar)!

Flash é um bobão… mas tem seus poderes muito bem caracterizados no filme.

A equipe tem um bom entrosamento e o filme tem algumas piadas, a maioria facilmente identificáveis como marca registrada de Joss Whedon, que funcionam dentro do contexto e não são gratuitas nem excessivas – como aconteceu em Thor: Ragnarok. Aliás, o corte de cerca de uma hora de cenas, que indicava que o filme perderia seu ritmo e se tornaria uma colcha de retalhos, nem é sentido (muito embora a mudança de tom nas cenas reescritas e gravadas por Whedon seja explícita). Mesmo o Flash de Ezra Miller, cujas previsões apontavam que seria um fiasco – principalmente com o simpático personagem que acostumamos a ver na série de TV, interpretado por Grant Gustin – se mostrou um personagem bacana. A única coisa que permaneceu foi sua personalidade abobalhada e infantil, quase um Jar Jar Binks velocista.

 

Cyborg é uma grata surpresa no filme, apesar do visual Transformer.

Uma agradável surpresa foi ver a atuação de Cyborg, que se mostrava o estranho no ninho – nem nos quadrinhos, o personagem tem grande relevância – mas teve um bom desenvolvimento e participação fundamental dentro da equipe, com a carga dramática de sua situação muito bem explorada. Já o Aquaman, que parecia ser a grande revelação do longa é um herói apagado, que tem suas cenas importantes e cumpre seu papel nelas, mas só. Não tem qualquer destaque nem nada que mereça ser elogiado.

Aquaman deixou a desejar.

Algumas cenas em CGI ainda deixam a desejar. O Lobo da Estepe está melhor em tela grande do que nos clipes vistos pelo computador, mas deixa uma impressão de personagem mal desenhado. O bigode do Superman, tão comentado nas redes sociais (o ator Henry Cavill filmava Missão Impossível 6 simultaneamente e foi obrigado, por contrato, a manter um bigode), também tem marcas visíveis, mas nem tanto quanto se esperava, de modo que só quem sabe do “acessório” vai perceber a falha.

Falta gente na equipe. Mas já estão por aí…

O roteiro consegue até mesmo suprir a ausência de um “filme de origem” para Aquaman, Flash e Cyborg, de modo que o público conhece suas histórias de forma resumida no decorrer da trama e que, provavelmente, serão melhores exploradas nos longa-metragens vindouros (Aquaman estreia em 2018, enquanto que Cyborg e Flashpoint estão agendados para 2020). Há, sim, um vácuo que se faz sentir, mas o público em geral vai compreender perfeitamente os papéis desses heróis no contexto. O filme não tem muitas referências nerd, mas tem algumas participações que vão agradar os fãs, principalmente nas duas cenas pós-crédito. Não saia do cinema antes, senão vai perder cenas que não são meras piadinhas sem sentido.

Sob as bênçãos de Themis, a deusa grega da Justiça

Enfim, Liga da Justiça é um filme otimista, que tem seus problemas, um clímax pouco inspirado que denota a pressa em encerrar a produção nos 120 minutos exigidos pelo estúdio, mas mesmo assim, aponta que a DC finalmente encontrou o rumo para suas produções. Não é um filme perfeito, mas dentro de tudo que vem sendo mostrado desde 2013, é muito bom poder ver que os maiores heróis dos quadrinhos ganharam um longa-metragem com roteiro definido, ritmo e que não nega suas origens dos quadrinhos. Você não pode salvar o mundo sozinho, mas pelo menos, já pode dormir em paz, sabendo que a Liga da Justiça foi bem representada no cinema.

Cotação: 

Crítica (em vídeo): Thor – Ragnarok

Filme que fecha a trilogia do Thor no cinema, o filme Thor – Ragnarok estreia esta semana com a promessa de elevar o nível dos filmes do Deus do Trovão, que são tidos como os mais fracos da Marvel Studios. Será que ele consegue? Veja nossa crítica em vídeo (sem spoilers) e descubra que nem tudo é o que parece.

Cotação: 

Crítica (em vídeo): Chocante

Em meio às estreias deste final de semana, um filme nacional entra na briga com as grandes franquias do cinema americano. O longa Chocante (2017) terá um páreo duro pela frente, com Pica-Pau, Blade Runner 2049 e My Little Pony – O Filme, mas promete muitas risadas com a volta do grupo musical que estourou nas paradas nos anos 1990 e decide se reunir novamente, 20 anos depois.

Boy Band dos anos 90 retorna em (não tão) grande estilo.

A convite da Imagem Filmes, nosso blog participou da cabine de imprensa do filme e da coletiva com parte do elenco e dos produtores e trazemos no vídeo abaixo, nossas considerações sobre o longa-metragem. Acompanhe conosco a volta de Téo (Bruno Mazzeo), Tim (Lúcio Mauro Filho), Tony (Bruno Garcia), Clay (Marcus Majella) e Rod (Pedro Neschling) neste lançamento que é um verdadeiro choque!

Cotação: 

Em Primeira Mão: O Culto de Chucky

Com lançamento marcado para 3 de outubro nos Estados Unidos e 25 de Outubro no Brasil, o filme O Culto de Chucky (Cult of Chucky, 2017) teve cópias vazadas na Internet, deixando o diretor Don Mancini bem irritado, a ponto dele se manifestar em sua conta no Twitter dizendo que sabe quem vazou e vai tomar as medidas cabíveis. Bom para os fãs, que puderam conferir antes o sétimo filme da franquia Brinquedo Assassino, que traz o boneco Chucky (Brad Dourif) em mais uma história cheia de tensão, violência explícita e muito, muito sangue.

Do You Wanna Play? Andy retorna à franquia e não está nem um pouco feliz.

O novo longa-metragem é uma volta às origens e traz de volta o ator Alex Vincent no papel de Andy Barclay, o primeiro a ter contato com Chucky, no filme de 1988. Barclay, por sinal, já tinha aparecido na cena pós-crédito de A Maldição de Chucky (2013) e é exatamente nesse ponto que a história retoma. Após os eventos do filme anterior, a jovem paraplégica Nica (Fiona Dourif, filha de Brad) é considerada louca e internada num hospício de segurança máxima. Após alguns meses de tratamento, nos quais seu médico, Dr. Foley (Michael Terriault) a convence que ela é que assassinou os membros de sua família e transferiu a culpa para o boneco, ele considera que Nica já pode ser transferida para uma clínica com mais liberdade.

Trazer o boneco para a terapia de grupo pode não ser uma boa ideia.

Durante a terapia de grupo, a jovem conhece outros internos: Michael (Adam Hurtig), com crise de identidade; Claire (Grace Lynn Kung), com problemas de temperamento; Angela (Marina Stephenson Kerr), que acredita já estar morta e Madeline (Elisabeth Rosen), depressiva após a morte de seu filho. O médico decide usar um boneco Bonzinho para ajudar no tratamento de Nica e desperta o instinto materno de Madeline, que associa o brinquedo a seu filho. Ao mesmo tempo, Tiffany (Jennifer Tilly) leva outro boneco para Nica, como “presente” de sua sobrinha Alice.

Tiffany também está de volta.

Não demora e os pacientes começam a morrer assassinados e Nica é a principal suspeita, mesmo ela jurando que os crimes são causados pelo boneco Chucky. Como há dois bonecos na clínica, fica a dúvida qual é o assassino e qual é, de fato, um brinquedo. Porém, é revelado que o verdadeiro Chucky, com sua cabeça destruída pelo tiro de Andy, encontra-se trancado num cofre, na casa do próprio rapaz, que a usa para descarregar sua frustração acumulada de anos contra Chucky.

Que Chucky fez isso a gente sabe. O que não dá pra saber é como o sangue não preenche os espaços das letras.

O filme trabalha o clima de paranoia existente numa clínica de doentes mentais e faz o público entrar na mesma neurose. Afinal, é o brinquedo que está matando ou tudo não passa de um delírio de Nica e ela é a verdadeira assassina? Existe mais de um Chucky? Há outro maníaco se fazendo passar pelo boneco? O filme responde essas perguntas no desenrolar da história, mas não tem uma narrativa clara e muita gente pode ficar confusa com o “culto” de Chuckys que se forma na hora e meia de projeção. A situação piora ainda mais, visto que o filme não tem um final, mas deixa um gancho para uma próxima história e muitas perguntas no ar.

Esse filme é pequeno demais para nós dois!

Felizmente, o diretor Don Mancini (que também é o criador de Chucky) percebeu que o caminho da comédia adotado nos longas A Noiva de Chucky (1998) e O Filho de Chucky (2004) estava ridicularizando o personagem e praticamente enterrando a franquia. Ao retomar o clima de suspense que originou o personagem, Mancini trouxe um ar de renovação que revitalizou a franquia. Até mesmo o rosto costurado do boneco foi restaurado – e a solução para isso foi simples e muito bem aceitável.

Hihihihihihihihi… (Ô risadinha maquiavélica!)

Embora seja inferior ao longa que o antecedeu, O Culto de Chucky é um bom filme de suspense que vai agradar aos fãs e devolve o personagem ao seu lugar como um dos principais assassinos do cinema de terror. Apenas fica o alerta para quem tem estômago fraco que o filme tem cenas bem fortes e sanguinolentas. O velho Chucky está de volta, definitivamente.

Cotação:

 

Crítica: Diário de um Banana – Caindo na Estrada

Com um certo atraso, mas ainda em tempo, o filme Diário de um Banana – Caindo na Estrada pode ser uma boa dica de diversão, se você resolveu – com o perdão do trocadilho – não cair na estrada neste feriado prolongado e procura uma opção despretensiosa para curtir com a família. O longa-metragem é baseado na série de livros do autor americano Jeff Kinney, que já está no 12º. volume (a ser lançado em novembro) e já teve três filmes antes deste: Diário de um Banana (2010), Diário de um Banana 2 – Rodrick é o cara (2011) e Diário de um Banana 3 – Dias de Cão (2012).

É o quarto filme da série, mas adapta o nono livro.

Apesar disso, os filmes não seguem a cronologia dos livros, sendo, respectivamente o primeiro, segundo e quarto volumes. O atual filme adapta o 9º. livro da série, que é também o mais engraçado por colocar o protagonista, o impopular Greg Heffley, em situações para lá de inusitadas quando seus pais resolvem tirar um final de semana em família e visitar uma velha tia que fazia seu 90º. aniversário e morava em outra cidade. O filme também segue essa premissa e reserva bons momentos com as confusões de Greg e seus familiares pela estrada, lembrando bastante a série de filmes Férias Frustradas, protagonizados por Chevy Chase.

Estreia embananada

A novidade deste longa é a troca do elenco, uma vez que o ator Zachary Gordon, intérprete de Greg Heffley nos três filmes anteriores, cresceu e não tinha mais condições de representar um adolescente na faixa dos 14 anos. O novo “banana” é interpretado Jason Drucker, que não faz feio no papel, além de ser muito mais parecido com a caricata figura dos livros do que Gordon. No entanto, o garoto não tem o mesmo carisma que seu antecessor, o que pode ter prejudicado o desempenho do filme.

Um passeio em família se torna uma verdadeira saga para os Heffley.

O restante do elenco é formado por Alicia Silverstone e Tom Everett Scott, como os pais de Greg, Charlie Wright, como o irmão Rodrick (esse sim, ruim de dar dó) e Owen Asztalos como o melhor amigo Howley, cuja participação foi relegada a uma breve aparição no início e outra no final do filme. Uma pena. Os gêmeos Dylan e Wyatt Walters se revezaram no papel de Manny, o irmão mais novo de Greg. A história mostra a mãe de Greg querendo criar situações que aproxime os membros da família, contrariando os filhos, que preferem ter sua própria diversão. Ela organiza uma viagem para visitar uma tia nonagenária e Greg só aceita porque o caminho fica próximo de uma convenção de videogames, onde ele poderá conhecer seu ídolo do You Tube e, dessa forma, ganhar popularidade entre seus amigos.

Referências…

Obviamente, nem tudo – leia-se “nada” – dá certo nessa viagem, que é recheada de trapalhadas e situações inusitadas, principalmente com a presença constante do “Sr. Barbudão” (Chris Coppola), um pai de família totalmente mal educado, também passeando com seus familiares e que, para azar de Greg, segue o mesmo caminho. O tremendo azar do garoto reserva até uma engraçadíssima referência à cena do chuveiro de Psicose (1960), entre outras gags.

“Peraí, essa nota tá mais baixa que a da banda Fräwda Xeia”

Nos Estados Unidos, Diário de Um Banana – Caindo na Estrada teve a pior cotação dos filmes da série (apenas 39 no Metascore, site que faz uma média das notas de vários sites especializados, contra 56, 51 e 54 dos longas anteriores), o que não deixa de ser estranho, uma vez que o diretor David Bowers manteve o espírito da franquia (apenas o primeiro filme teve direção de Thor Freudenthal). Mais do que isso, ele é também o roteirista, juntamente com o autor Jeff Kinney (que também faz uma aparição no filme, a exemplo de Stan Lee nos longas da Marvel). A justificativa, provavelmente, se deve à troca de elenco, cuja falta de entrosamento transpareceu no resultado final e, para um filme familiar, é uma falha irreparável.

Caindo na estrada… literalmente.

Uma pena, pois Caindo na Estrada é um filme divertido e fiel ao livro no qual é inspirado. Não se trata de uma produção para arrancar elogios nem para concorrer ao Oscar, mas também não justifica uma cotação tão negativa, principalmente porque cumpre aquilo a que se propõe, que é ser uma comédia feita apenas para descontração. Nesse quesito, o longa vale mais a pena do que o stress causado por horas perdidas numa estrada congestionada.

Cotação: 

 

Em primeira mão: Inumanos

Numa parceria entre a Marvel Studios e os cinemas com tecnologia IMAX, foram exibidos ontem no Brasil (e hoje nos Estados Unidos) os dois primeiros episódios da série de TV Inumanos (Inhumans, 2017), que estreia no final deste mês pelo canal ABC (exibido pela Sony no Brasil). Editados em formato de longa-metragem, o filme tem 78 minutos e, ao contrário do esperado, não se tratou de uma exibição única, mas ainda pode ser visto nos próximos dias em cinemas equipados com a tecnologia IMAX (tela gigante e sistema de som stereo com 7 canais e projetor de alta definição).

Figurino do elenco foi motivo de piada nas redes sociais.

As primeiras exibições para a imprensa americana não foram muito favoráveis, resultando numa enxurrada de críticas que minaram o interesse do público pelo seriado dos desconhecidos heróis. Para piorar, o preço elevado da sessão em IMAX (R$ 53 reais) também não ajuda a atrair o espectador para estas sessões especiais. Somado ao fato de que a página da IMAX no Facebook e os próprios cinemas não tinham informações detalhadas sobre locais e horários de exibição, a estratégia da Marvel para impulsionar o seriado não foi lá muito acertada.

Adivinhe por que os Inumanos não usam chinelos…

Independentemente disto, a série é interessante e representa com fidelidade os personagens na tela. Escondidos da perseguição dos humanos na Lua, os Inumanos são uma raça de seres evoluídos onde cada membro tem um poder diferenciado, que ele recebe após se submeter a um processo chamado Terrigênese, no qual cristais especiais formam um gás que, absorvido, despertam os genes evoluídos em seus corpos. A série foca a família real inumana, formada pelo líder e rei, Raio Negro (Anson Mout), sua esposa Medusa (Serida Swan), a irmã dela, Cristalys (Isabelle Cornish), o chefe da guarda Gorgon (Eme Ikwuakor), o conselheiro Karnak (Ken Leung), seu irmão Triton (Mike Moh) e Maximus (Iwan Rehon), o irmão de Raio Negro. Completa o grupo o fofíssimo Dentinho, animal de estimação de Cristalys, que se assemelha a um buldogue gigante. 

A série já começa com cena de perseguição.

A história começa com o desaparecimento de Triton, aparentemente morto ao tentar ajudar uma inumana na Terra a fugir de um grupo de caçadores que a perseguia. Durante uma cerimônia de terrigênese, dois irmãos se tornam inumanos e um deles adquire o poder de ver o futuro, alertando Maximus de que ele seria atacado por serpentes, que ele entende ser os cabelos vivos de Medusa. Cansado de se esconder dos terrestres, o ambicioso inumano – o único que não possui poderes especiais – decide dar um golpe de estado e tomar o poder a fim de dominar nosso planeta e estabelecer aqui seu novo lar.

Maximus quer saber a marca do shampoo de Medusa.

Com a ajuda de Dentinho, que tem o poder de teletransporte, a Família Real é transportada ao nosso planeta, mais especificamente na ilha do Havaí, mas cada um num ponto diferente, exceto Cristalys, que é capturada antes de conseguir fugir. O problema é que, ao chegar à Terra, os Inumanos desconhecem nosso cotidiano e, obviamente, causam problemas. Separados, mas próximos, eles precisam se reencontrar e se unir para retornar à Lua, recuperar o poder e derrotar Maximus.

“Fora, Raio”. Maximus dá um golpe e toma o poder.

As críticas negativas aos dois primeiros episódios (a série terá oito, no total) foram um tanto quanto exageradas. É verdade que os efeitos especiais para representar os poderes de cada inumano são bem fracos e limitados em comparação ao que estamos acostumados a ver nos outros filmes da Marvel, mas para o nível de uma série de TV, com orçamento limitado, não fazem feio. Os cabelos da Medusa, tão aguardados pelos fãs, tiveram um recurso econômico que, provavelmente vão desagradar muita gente e gerar muitas críticas. Os cenários também são limitados – a maior parte do filme se passa no palácio real – com algumas panorâmicas que mostram toda cidade de Attilan e externas com as belas paisagens do Havaí. No entanto, isso pode mudar ao longo dos próximos episódios.

Terrigênese em Agentes da Shield é diferente da dos Inumanos

Sobre a história em si, vale lembrar que os Inumanos nunca foram personagens com grande apelo e tiveram raras histórias realmente relevantes no Universo Marvel. Portanto, o que é mostrado nas telas não é nem mais nem menos do que o esperado. O que faltou, talvez, foi uma ligação com a série Agentes da Shield, já que foi lá que o conceito dos Inumanos foi apresentado inicialmente – a terceira temporada, inclusive, trabalhou esse tema fortemente. A própria Terrigênese é diferente da mostrado na série, assemelhando-se mais aos quadrinhos e distanciando-se do conceito de universo unificado tão comum nos filmes da Marvel. Mesmo assim, os episódios têm ação, drama e conflitos na medida certa e não fazem feio.

Alerta: passear com seu cãozinho no meio do trânsito pode provocar acidentes.

Diferente do que aconteceu com Agentes da Shield, onde os personagens eram inéditos e os super-heróis não eram uma constante (começaram a aparecer depois, com a queda na audiência), Inumanos já começa com o universo heroico e, só por isso, já é um ponto positivo. Maximus está o perfeito vilão de quadrinhos: cruel, dissimulado, ambicioso e capaz de tudo para atingir seus objetivos, inclusive trair a própria família. E Dentinho, claro, será o favorito de todos. Não tem como não amar aquele cachorrão gigante com fofura pra dar e vender. Todo mundo vai querer uma pelúcia dele pra ontem!

Quem resiste a tanta fofura?

Inumanos é uma série curta, criada nos moldes de Agente Carter – para preencher o espaço de estreias e não precisar interromper a temporada na metade para as férias de final de ano. A diferença é que a série estrelada por Hayley Atwell estava intimamente ligada aos agentes secretos enquanto que Inumanos se distanciou desse contexto. Se os futuros episódios vão estabelecer uma ligação ou se a série vai manter a exclusividade, só o futuro dirá. O que se sabe, no entanto, é que Inumanos trouxe mais uma superequipe dos quadrinhos à vida de forma satisfatória. Os fãs não têm do que reclamar.

Cotação: