Saído do Forno: Quadrinhos cristãos

Não é de hoje que as histórias da Bíblia vem sendo adaptada nas mais diversas mídias para que a mensagem cristã chegue a todos os públicos. Adaptar as histórias mais famosas em quadrinhos também não é nenhuma novidade, mas a Editora 100% Cristão vem fazendo isso com competência e arte, sem esquecer a didática.

Sagrada Escritura em quadrinhos

A editora é responsável pela Bíblia em HQ, publicação de mais de 300 páginas ilustradas pelo artista Danny Bulanadi, que já trabalhou para a Marvel e DC. A empresa lançou uma série de HQs com vários trechos importantes da Sagrada Escritura que vão do Gênesis ao Apocalipse, em títulos que variam entre 24 e 40 páginas, ricamente ilustradas. Cada narrativa é acompanhada das citações bíblicas onde aqueles fatos podem ser encontrados, para que o leitor faça o paralelo, caso tenha interesse.

Logotipos estilizados imitam HQs de super-heróis

A maior parte das revistas têm roteiro de Art Ayres e desenhos de Danny Bulanadi, mas outros artistas também emprestam seu talento para as adaptações, como Ben Avery, Michael Pearl, Jeff Slemons, Mike Lilly, Sergio Cariello e outros. As revistas são traduções dos títulos publicados nos Estados Unidos pela editora Kingstone Comics, que define a si mesma como a “Marvel do mercado da fé”. Não é nenhum exagero, visto que, além de utilizar artistas de sucesso nos quadrinhos de super-heróis, as HQs seguem o mesmo estilo, com logotipos estilizados de acordo com o personagem.

Série em vários volumes narra a história de Jesus Cristo

Entre os títulos lançados, estão Gênesis, Noé, Êxodo, Moisés, Josué, Sansão, , Ester, Rei Davi, Elias, Jonas, Pedro e Apocalipse, além da série O Cristo, composta de vários volumes narrando a trajetória de Jesus. A editora 100% Cristão também tem publicações em formato de mangá (como a história do apóstolo Paulo), jogos bíblicos e outros tipos de quadrinhos, como os de ficção e baseados em fatos reais como a história de Lutero, entre outros. O preço das HQs varia entre R$ 9,90 e R% 34,90 e podem ser adquiridas na loja virtual da editora clicando AQUI..

Os fãs de mangás não foram esquecidos.

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Saído do Forno: Alfa – A Primeira Ordem

Aconteceu, no dia 2 de Dezembro, o lançamento da HQ nacional Alfa – A Primeira Ordem – Parte 1, publicação financiada pelo Catarse no início deste ano. A revista tem o mérito de reunir mais de 40 super-heróis brasileiros numa única história, apresentando (talvez pela primeira vez para uma parcela do público) personagens que já existem há tanto tempo quanto os super-heróis americanos publicados pelas editoras Marvel e DC, mas que, por falta de divulgação e mercado adequado, são totalmente desconhecidos do público.

O criador da HQ não pára de lançar novidades, apesar do mercado pouco favorável.

O autor do ousado projeto, o jovem Elenildo Lopes, tem mostrado grande dinamismo desde 2007, quando criou o site Meu Herói e começou a divulgar os trabalhos de quadrinistas nacionais. Em 2012, lançou com recursos próprios, a HQ do Capitão R.E.D, personagem criado por ele, inspirado no Capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite (2007). Pouco tempo depois, em 2015, teve o projeto Protocolo: A Ordem financiado pelo Catarse, que trazia  mais de 20 heróis nacionais reunidos na mesma trama. O álbum recebeu o Troféu Ângelo Agostini na categoria de Melhor Lançamento Independente em 2016. Incansável, Lopes já tem engatilhado mais dois projetos: Velox, um super-herói gay; Excalibur, herói baseado na mitologia grega e a Liga Apocalyptica, uma equipe de heróis brazucas.

Os autores da HQ

O novo álbum Alfa – A Primeira Ordem – Parte 1 repete a façanha de reunir uma equipe formada pelos super-heróis brasileiros, mas nada tem a ver com o título anterior. Segundo o autor, ele preferiu criar uma história independente e resgatar também personagens clássicos dos quadrinhos nacionais, como Capitão 7, O Flama, Capitão Gralha, Raio Negro e Homem-Lua. O roteiro ficou a cargo do experiente Gian Danton, com a arte de Marcio Abreu e cores de Vínicius Townsend. A equipe de profissionais possui larga experiência com editoras estrangeiras e dá muito mais peso ao trabalho.

Capitão R.E.D estudando os eventos.

A HQ teve parte de seu custo também financiada pelo Catarse e o restante foi assumido pela Editora Kimera, graças a uma parceria com o criador, que também teve o Capitão R.E.D relançado pela empresa e terá continuidade em sua história, com edições semestrais. Alfa começa com a revelação de que um mal muito antigo está retornando para ameaçar a humanidade, perigo este que já chega assassinando uma personagem, chamando a atenção de outros heróis, especialmente o Capitão R.E.D, que investigava o caso.

Aéris é uma ameaça que causou muitos problemas aos antigos super-heróis brasileiros.

Como uma boa HQ de super-heróis, os personagens se encontram em várias partes do País – e para nós, brasileiros, é bem divertido identificar locais que nos são familiares como a cidade de Niterói (RJ), Chapada Diamantina (BA), Pico da Neblina (AM), entre outros – e, durante as investigações, enfrentam asseclas do vilão principal, Aéris. Tudo apontando para o grande combate final, quando os heróis se unirão para enfrentar Aéris, numa megabatalha.

Excesso de personagens prejudicou a trama.

A trama peca pela falta de ritmo. Na ânsia de apresentar os inúmeros heróis e seus respectivos encontros nos quatro cantos do País, o roteiro ficou picotado e sobrou pouco espaço para o desenvolvimento das ações. Num momento, um grupo de heróis está impedindo uma rebelião de presos em São Paulo, no outro o Capitão R.E.D está em outro extremo do país, com o tempo avançando alguns dias e as repercussões da rebelião, bem como o paradeiro dos heróis ficou no vácuo – só pra citar um exemplo.

Muitos heróis são desconhecidos do público

Além disso, o roteiro supõe um pré-conhecimento do leitor acerca dos personagens, o que é uma faca de dois gumes. Se, por um lado, é possível realizar uma rápida busca na Internet e conhecer um pouco mais sobre a origem de determinado super-herói, por outro, também se deve levar em consideração o desinteresse do público em ter que procurar – reforçando bem o sentido de “obrigação” – algo que deveria estar ali, à mão. Sim, estamos num País com pouco hábito de leitura e quanto mais se puder incluir de informações relevantes na história, tanto melhor para não perder aquele leitor.

Abreu fala sobre sua arte em evento de lançamento em SP

Obviamente, esses problemas não são demérito da HQ (que tem uma linha narrativa muito boa, aliás), mas sim de um mercado que pouco valoriza o produto nacional. Só para exemplificar, quando a Marvel e a DC resolveram fazer um crossover entre os Vingadores e a Liga da Justiça em 2003, todos os personagens já eram conhecidos e nenhuma apresentação foi necessária. No Brasil, fazer um crossover com todos os nossos heróis é um dilema, pois o mercado brasileiro não permite que esses personagens façam parte do nosso imaginário (muitos deles são publicados há muitos anos, mas de forma independente e com tiragem limitadíssima a um seleto público).

HQ foi lançada em SP no dia 2 de dezembro em evento na faculdade Alpha Channel.

Esse problema se fez sentir na trama, que ficou amarrada ao fato de ter que inserir cada um deles na batalha e, em alguns casos, limitá-los a um único quadrinho ao lado de seu logotipo – um recurso visual bem interessante, a propósito. Fora isso, arte de Márcio Abreu são de encher os olhos, com uma boa solução dos quadros e as cores de Townsend valorizando ainda mais o conjunto. A HQ faz valer a confiança dos fãs ao apoiar o projeto no Catarse e resultou numa HQ de qualidade, com seus problemas, sim, mas que, num contexto geral – e considerando o conturbado momento econômico e o mercado de quadrinhos nacional – está num nível bem superior ao esperado – superior, inclusive à premiada HQ que a precede.

Super-heróis clássicos do Brasil.

Uma pena que a HQ termine com um gancho empolgante cuja solução só teremos na segunda edição, que deve demorar mais um ano para chegar às nossas mãos (segundo o autor, um novo projeto de financiamento será lançado em breve para arrecadação de fundos). De qualquer forma, a continuação promete muita ação e a inclusão de novos personagens, incluindo os aguardados heróis clássicos que, neste capítulo, aparecem apenas em flashback. Alfa – A Primeira Ordem – Parte 1 ainda será lançada no Rio de Janeiro, em data e local a confirmar.

Saído do Forno: Pantera Negra

Com a proximidade do filme do Pantera Negra pela Marvel Studios (lançamento em 15 de fevereiro de 2018), é natural que a Marvel comece a investir em quadrinhos do personagem. Com isso, não é surpresa que a Panini lance por aqui o material publicado nos Estados Unidos no ano passado. O encadernado Uma Nação sob Nossos Pés – Livro Um chega em edição de luxo, capa dura, papel couché e lombada branca, seguindo o padrão da Panini para os encadernados da fase Nova Marvel. Ponto para a editora, que demonstra respeito aos colecionadores.

O soberano de Wakanda encontra um país fragmentado

O elogio termina aqui. O álbum, escrito pelo premiado Ta-Nehisi Coates, “autor best-seller do New York Times“, como destacado na capa, mostra o Pantera Negra enfrentando problemas em sua nação, com um grupo rebelde que faz justiça com as próprias mãos para defender as mulheres ameaçadas pelos malvados opressores masculinos. Há também uma cruel vilã controladora de mentes tão profunda como uma esfiha aberta e uma trama política que, por si só, já é pesada e desinteressante, mas se intensifica pela falta de habilidade do roteirista em entender que o Pantera Negra, mais do que um rei, é um super-herói e é isso que os leitores esperam do título.

o autor best-seller Ta-Nehisi Coates

A história é tão cheia de tramas paralelas que nenhuma delas é desenvolvida e resulta num roteiro fragmentado que começa do nada e leva a lugar nenhum. A arte de Brian Stelfreeze é bonita, mas só isso não é suficiente para segurar a história confusa e sem empolgação que mostra o Pantera Negra lutando numa página e, na outra, corta do nada para uma conversa existencial com sua “mãe” adotiva. Nem o Louco da Turma da Mônica seria capaz de escrever algo tão sem continuidade.

Mulher, negra, homossexual: o auge da lacração!

Na tentativa de se mostrar engajada – tendência atual – a Marvel não se importa com um bom roteiro, desde que 1) o roteirista negro escreva sobre o herói negro porque, afinal, ele vai “entender” melhor o personagem; 2) haja uma luta de sexos onde mulheres lacradoras enfrentam os opressores masculinos para mostrar que são superiores, mas não iguais; e 3) essas mulheres, claro, sejam homossexuais, afinal, isso também dá pontos e agrada militantes. O resultado, claro, é uma HQ vazia que desqualifica seu protagonista e desconstrói a imagem dele criada desde 1966, quando ele estreou nas páginas da revista Fantastic Four 52 que, aliás, também faz parte do encadernado, como um pedido de desculpas da editora para que, ao menos algumas páginas valham o investimento.

O essencial do Pantera Negra está aqui.

O problema é que a história, em duas partes, só tem a primeira, terminando com um gancho para uma continuação que provavelmente não virá – se ela foi programada para o Livro 2, fica meu pedido antecipado de desculpas. Se não foi, fica a dica para os leitores procurarem a Coleção Oficial de Graphic Novels Salvat Vol. V, onde a história foi publicada completa. O investimento será muito mais proveitoso, afinal, estamos falando de uma edição inteira produzida pela dupla Stan Lee/Jack Kirby. Outra dica é a recém-lançada A Fúria do Pantera, na mesma coleção, escrita por Don McGregor. Ali sim há um enredo bem desenvolvido com diálogos inteligentes e ritmo incansável.

Arco ainda terá mais dois volumes. Poupe seu dinheiro!

Quando ao “novo” Pantera Negra, a má notícia é que o arco “Uma Nação sob nossos pés” tem doze capítulos e o livro um traz apenas quatro deles. Isso significa que mais dois volumes virão por aí até o lançamento do filme, no ano que vem. Se a ideia da Marvel era que a HQ despertasse o interesse do público no personagem e o levasse aos cinemas, o tiro saiu pela culatra. Talvez Coates seja um bom escritor político – e nem cabe aqui questionar o currículo do autor – mas o que se percebe, no entanto, é que ele não tem o mínimo talento para quadrinhos de super-heróis. O autor não entendeu que o Pantera Negra, por si só, já é um personagem de engajamento. Qualquer discurso além disso perde o sentido. Mais boas histórias e menos “lacração” é tudo que esperamos dos quadrinhos Marvel.

Saído do Forno: Comunhão

Produzir quadrinhos no Brasil não é uma tarefa muito simples se você não se chama Mauricio de Sousa. Porém, o mercado tem espaço para bons trabalhos que, a exemplo do célebre cartunista, decidem não ficar choramingando a falta de oportunidades, mas correm em busca delas. É o caso do ator e roteirista Felipe Folgosi, que acaba de lançar seu novo álbum, Comunhão, publicado sob a batuta do Instituto dos Quadrinhos e financiada pelo site Catarse em 2016.

Comunhão também foi financiada pelo site Catarse

Em 2015, Folgosi já havia lançado a HQ Aurora (leia nossa crítica aqui), também confiando na colaboração dos leitores interessados, que, literalmente, “pagaram para ver” a obra pronta. E tanto valeu a pena que o autor repetiu a dose, com vários atrativos que superam o álbum anterior. Para começar, a obra fugiu ao tamanho tradicional: enquanto Aurora seguia o tamanho americano (17cm X 26cm), Comunhão chega com 22,3 cm X 31 cm, formato maior do que a revista Veja, para comparar. Além disso, o álbum tem 144 páginas, 36 a mais do que o anterior. Com este formatão, é possível apreciar melhor a arte de J. B. Bastos, parceiro de Folgosi neste projeto.

O artista J. B. Bastos já trabalhou com o tema “terror” em HQs gringas.

A arte, aliás, é outro diferencial: em Comunhão, o autor optou por desenhos em preto e branco, uma vez que a trama segue pelo gênero do terror e as antigas revistas do gênero seguiam o estilo sem cor. Bastos, que já trabalha nos títulos Night Trap e Knight Rider (quadrinhos da antiga série de TV A Super Máquina), da Lion Comics, tem o ritmo de quadrinhos de terror e soube criar quadros com momentos bem tensos e assustadores. O roteiro, segundo o autor, foi fruto de uma conversa com um amigo há 10 anos, no qual este lhe sugeriu que escrevesse um roteiro de terror. A princípio resistente, Folgosi resolveu seguir o conselho e idealizou uma história que se passasse no Brasil e fosse realista, mas mexendo com o psicológico.

Felipe deu o sangue para publicar esta edição.

Na trama da HQ, Amy é uma atleta que decide encerrar sua carreira após um trauma com um acidente, encontrando um sustento na fé. Anos depois, ao realizar uma trilha na floresta amazônica com um grupo de amigos, acaba se metendo numa série de eventos que separam uns dos outros e os colocam em contato com vários perigos da região. Em busca da sobrevivência, Amy e seus amigos são confrontados com seus próprios instintos e a ex-atleta encontra o outro lado da religião, repleto de violência e morte.

A HQ tem momentos bem pesados e assustadores.

Embora apele para o lado religioso, a HQ não é doutrinária – embora deixe a lição de que a fé pode fortalecer em momentos difíceis e até formar o caráter, tanto para o bem quanto para o mal. O título tem a ver com a Última Ceia, mas pode chocar leitores mais conservadores e sensíveis (lembrando que é uma HQ de terror, não religiosa…). Não por acaso, o título é recomendado para maiores de 16 anos, pois está repleto de cenas de violência explícita. No entanto, a história é bastante envolvente e nos faz ficar ansiosos pelo desenrolar dos eventos.

Felipe Folgosi autografa sua obra, no lançamento (Foto: arquivo pessoal do autor)

Também merece menção o ajuste nos nomes dos colaboradores. Em Aurora, as pessoas que ajudaram a financiar o projeto no Catarse, tiveram seus nomes impressos na terceira capa, em sequência e sem qualquer ordem, dificultando para a pessoa encontrar-se no meio da multidão de nomes. Em Comunhão, os apoiadores foram organizados em ordem alfabética, separados em três colunas, muito mais agradável de se ler.

Arte de Luke Ross para promover a obra.

A única crítica vai para a capa da HQ, desenhada por Will Conrad e Ivan Nunes. Sem desmerecer os artistas, que fizeram um belíssimo trabalho, mas o desenho pouco lembra o conteúdo da trama. Tem, sim, uma referência aos fatos que deflagraram toda história, mas não condiz com a trama em si. Em questão de adequação ao tema, é muito mais apropriada a arte feita por Luke Ross, usada para divulgação do álbum. Mas, como diz o ditado, não se deve julgar um livro pela capa e, no caso de Comunhão, o dito é verdadeiro. Folgosi superou a si mesmo neste ótimo trabalho e quem ganha somos nós, leitores.

Saído do Forno: Agentes da Shield

Na cola do sucesso da série televisiva Agentes da Shield – cuja quinta temporada estreia em 2018 pelo canal ABC – a Marvel lançou, em 2015, uma HQ de mesmo nome, com as aventuras dos agentes Phil Coulson, Melinda May, Jemma Simmons e Leo Fitz nos bastidores (ou nem tanto) das atividades dos super-heróis da Marvel. Esse material só chegou agora ao Brasil, pela Panini, em duas versões: capa cartonada (R$ 21,90) e capa dura (R$ 29,90) e papel couché.

Todo Universo Marvel interage com os agentes

Apesar do atraso de dois anos (e isso se faz sentir nas versões dos personagens, pré-Guerras Secretas), o encadernado é uma deliciosa surpresa. O texto ágil de Mark Waid coloca os agentes em contato com a nata do Universo MarvelVingadores, Homem-Aranha, Dr. Estranho – e faz da HQ tudo aquilo que a série deveria ter sido, mas não foi por questões de direitos autorais. A maior crítica dos fãs ao seriado foi exatamente a ausência de personagens conhecidos, fazendo com que Coulson e sua equipe se envolvessem com ameaças mornas e pouco atraentes, o que afastou grande parte da audiência.

Série marca a estreia de May, Fitz e Simmons nas HQs.

Livre dessas limitações, a HQ tem todo o Universo Marvel à disposição e o utiliza de forma primorosa. A primeira história já traz a equipe de Coulson aliada aos Vingadores para derrotar um grupo terrorista que aprisionou Heimdall e tomou posse de sua espada mística para fins de dominação. O conhecimento de Coulson dos poderes e características de cada herói o coloca como o grande estrategista, usando cada habilidade de maneira certeira contra os vilões.

Don’t touch Lola!

Na segunda aventura, Jemma Simmons se disfarça como professora na escola onde a Miss Marvel estuda a fim de desbaratar o contrabando de equipamentos de supervilões. Na história seguinte, o aliado de Coulson é o Homem-Aranha e tem até uma piada envolvendo Lola, o carro tunado do agente. A Mulher Invisível, a Feiticeira Escarlate e o Homem-Absorvente participam das histórias seguintes, que seguem o mesmo clima descontraído.

May é sub-aproveitada, mas ganha edição especial onde é destaque.

Um grande atrativo da edição é que as histórias são praticamente independentes e funcionam isoladamente, evitando o intrincado quebra-cabeças que é formado com as constantes continuações. Ao menos nesse início, há um pequeno item que relaciona as tramas e, mesmo assim, algumas delas funcionam sozinhas, com começo, meio e fim. Ideal para quem está começando a conhecer esse universo e veio atraído pela série de TV. A única crítica vai para o sub-aproveitamento da personagem Melinda May. Uma das mais carismáticas (ou quase isso) da série, ela mal aparece nas HQs. A boa notícia é que a personagem teve um edição especial solo que, espera-se, também seja publicado por aqui.

Fitz ganha um macaco de estimação. Mas só no final do encadernado.

O encadernado reúne as seis primeiras edições do título americano (restam mais seis na primeira fase). Na segunda série, os roteiros ficaram a cargo de Marc Guggenheim e durou 10 edições e incluiu também a participação do agente Grant Ward, que na TV se revelou um agente da Hidra infiltrado. Esta fase, porém, deve demorar um pouco para chegar ao Brasil. Enquanto isso, vale curtir as aventuras dos Agentes da Shield nos quadrinhos, num dos melhores encadernados da Marvel publicados pela Panini nos últimos meses. Considerando a baixa qualidade das HQs atuais, é para se comemorar um material deste nível. Nível oito, como os agentes.

Saído do Forno: Motoqueiro Fantasma

Com três anos de atraso (o material original estreou nos Estados Unidos em maio de 2014), a Panini decidiu publicar as aventuras do herói renovado na fase Nova Marvel – evidentemente aproveitando a popularidade que o personagem conquistou após sua participação na série de TV Agentes da Shield. Infelizmente, a editora pecou pela adoção de um erro conceitual dos mais burros: chamar de motoqueiro um personagem que não tem mais uma moto, mas um automóvel.

O primeiro Ghost Rider andava a cavalo.

Para entender o imbróglio, é preciso remeter às origens do personagem. No original, ele se chama Ghost Rider, onde “rider” é uma palavra com significado bem genérico em inglês, podendo ser usada para quem monta cavalo, bicicleta, moto, carro ou até mesmo trem. Em outras palavras, rider é alguém que é carregado por alguma coisa. Tanto que existiu um personagem de mesmo nome que atuava nos quadrinhos de faroeste, muitos anos antes do motoqueiro dar as caras  pela Marvel. No Brasil, esse personagem foi chamado de Cavaleiro Fantasma.

Esta é a moto mais envenenada que você vai ver na vida.

Sendo assim, a Panini optou por “manter o nome pelo qual o personagem é conhecido no Brasil”, ignorando toda lógica e coerência. Afinal, trata-se de um personagem totalmente modernizado que nada tem em comum com seus antecessores, exceto o fato de ser um esqueleto com o crânio flamejante. Nada, nem mesmo o demônio que lhe dá os poderes é o mesmo. Uma mudança de nomes, portanto, não seria apenas “estética”, mas deixaria claro que se trata de um novo conceito. E nem era preciso pensar muito: no caso de querer fugir do óbvio “Motorista Fantasma”, a própria HQ apresenta uma série de variações diferentes para batizar o misterioso herói que surge nas ruas de Los Angeles.

Super-Homem, Punhos de Aço, Eléktron e Capitão Marvel também tiveram seus nomes alterados… e o público aceitou.

Sabemos que esse tipo de decisão editorial nem sempre é fácil, pois envolve também a questão comercial. Contudo, são vários os casos de personagens consagrados que mudaram de nome ao longo do tempo, principalmente na troca de editoras e, nem por isso, os leitores deixaram de se acostumar com essas alterações, embora cause estranhamento num primeiro instante. Basta um pouquinho de bom senso e uma boa estratégia de marketing.

Renascido do inferno

Mas falando da HQ do Motorista Fantasma, o encadernado reúne as seis primeiras edições do título americano e mostra a origem do personagem. Robbie Reyes é um jovem adolescente que vive sozinho com seu irmão mais novo, que é paraplégico – a HQ não explica se ele já nasceu assim ou se a deficiência foi causada por alguma acidente – num bairro bem barra pesada de Los Angeles. Para sustentar a casa, o rapaz trabalha como mecânico numa oficina do bairro e divide seu tempo também com os estudos. Como o dinheiro é curto, Reyes participa de rachas noturnos e ganha um extra com o valor das apostas.

Mr. Hyde ficou verdadeiramente assustador (na verdade, essa arte transforma até os Ursinhos Carinhosos em assustadores.)

Isso muda radicalmente quando ele usa um dos carros que chegou à sua oficina, que pertencia a um traficante e, em cujo porta-malas, havia escondido uma bolsa de drogas, sem que ele soubesse. Perseguido pelos traficantes, Robbie é metralhado e morre, mas o demônio Eli lhe dá uma oportunidade de se vingar, restaurando sua vida e concedendo-lhe o poder do Espírito da Vingança. Agora, Robbie precisa enfrentar os traficantes, liderados pelo Dr. Calvin Zabo – o alter ego do vilão Mr. Hyde – cuja droga transforma todos em monstros superpoderosos.

Artista peca pelo exagero visual.

O texto dinâmico e envolvente logo faz o leitor se envolver na história de Reyes e querer saber o que virá a seguir. O clima de violência é um tanto pesado, tanto com a apologia a drogas como com os diálogos, cheios de simulações de palavrões, indicando a vizinhança barra pesada onde mora o protagonista. Faltou, talvez, uma advertência na capa com restrição de idade para os leitores, porque, definitivamente, esta não é uma HQ para crianças. A arte caricata e de qualidade duvidosa do artista Tradd Moore por vezes deixa confuso o que está acontecendo, mas não tira o mérito da HQ, repleta de ação.

Gabriel Luna interpreta o herói na TV. Incrível!

Segundo a editora, serão dois encadernados pré-Guerras Secretas, então podemos esperar o próximo para breve. Recentemente, a Marvel vem sofrendo com as baixas vendas de suas revistas, motivadas pelas constantes mudanças que a editora tem feito em seus personagens principais. O Motorista Fantasma, contudo, é um dos que, aparentemente, escapou da chuva de críticas, tanto que até ganhou uma versão live-action, interpretado por Gabriel Luna. Uma prova de que, quando os personagens são bem trabalhados, o público leitor aceita as mudanças. Incluindo traduções.

Saído do Forno: Ginho, o ET de Varginha

blog-abreNem tão “saído do forno” assim, mas ainda em tempo, o álbum Ginho, o ET de Varginha, do cartunista Márcio Baraldi, foi lançado em outubro de 2016 em parceria entre a revista UFO e a GRRR (Gibi Raivoso Radical e Revolucionário), selo independente do próprio autor. Baraldi, um dos nomes mais expressivos do cartum nacional e dono de um traço bem conhecido e característico, criou Ginho em 2007,  para dar um toque de humor à seriedade da revista UFO, publicação especializada em casos envolvendo extraterrestres.

O criador em um contato imediato

O criador em um contato imediato

Inicialmente publicado no formato de tirinhas, o personagem agradou os leitores da revista e logo ganhou uma página inteira para sua mensagem divertida mas, ao mesmo tempo, carregada de uma temática social, ecológica e até política, exigindo das autoridades mais liberdade na divulgação de informações sobre eventos ufológicos. O álbum traz as origens do personagem, com o resgate das primeiras tiras (onde ele nem aparece) e também tem publicações inéditas, feitas exclusivamente para a edição.

Ginho surgiu na revista UFO, em 2007.

Ginho surgiu na revista UFO, em 2007.

Em 48 páginas, o autor mostra o personagem em suas aventuras no planeta Terra, presente nos casos mais importantes que se têm notícia no Brasil, como agroglifos (imagens esculpidas em plantações), aparições de aeronaves e investigações de presenças de extraterrestres em nosso País, dos quais o registro mais famoso é o ET de Varginha, em 1996, que inspirou o próprio personagem-título. As charges se tornam mais divertidas ao considerar que os personagens coadjuvantes são pessoas reais, como os editores da revista UFO, personalidades que relataram contatos imediatos (como o fazendeiro Antonio Vilas Boas). Até uma certa “presidenta” marca presença na revista.

Qualquer semelhança é mera crítica do autor.

Qualquer semelhança é mera crítica do autor.

A publicação veio como uma forma de comemorar os quase 10 anos de parceria entre o cartunista e a revista e vem se juntar a outros álbuns de Baraldi, como Roko-Loko, Tatoo Zinho, Rap Dez e outros. Pode ser adquirido na Comix Book Shop ou na loja do site oficial do criador, onde também é possível comprar outros produtos. É de leitura rápida e, de forma bem humorada, faz o leitor refletir sobre a questão de estarmos ou não sozinhos no Universo.