Saído do Forno: Pantera Negra

Com a proximidade do filme do Pantera Negra pela Marvel Studios (lançamento em 15 de fevereiro de 2018), é natural que a Marvel comece a investir em quadrinhos do personagem. Com isso, não é surpresa que a Panini lance por aqui o material publicado nos Estados Unidos no ano passado. O encadernado Uma Nação sob Nossos Pés – Livro Um chega em edição de luxo, capa dura, papel couché e lombada branca, seguindo o padrão da Panini para os encadernados da fase Nova Marvel. Ponto para a editora, que demonstra respeito aos colecionadores.

O soberano de Wakanda encontra um país fragmentado

O elogio termina aqui. O álbum, escrito pelo premiado Ta-Nehisi Coates, “autor best-seller do New York Times“, como destacado na capa, mostra o Pantera Negra enfrentando problemas em sua nação, com um grupo rebelde que faz justiça com as próprias mãos para defender as mulheres ameaçadas pelos malvados opressores masculinos. Há também uma cruel vilã controladora de mentes tão profunda como uma esfiha aberta e uma trama política que, por si só, já é pesada e desinteressante, mas se intensifica pela falta de habilidade do roteirista em entender que o Pantera Negra, mais do que um rei, é um super-herói e é isso que os leitores esperam do título.

o autor best-seller Ta-Nehisi Coates

A história é tão cheia de tramas paralelas que nenhuma delas é desenvolvida e resulta num roteiro fragmentado que começa do nada e leva a lugar nenhum. A arte de Brian Stelfreeze é bonita, mas só isso não é suficiente para segurar a história confusa e sem empolgação que mostra o Pantera Negra lutando numa página e, na outra, corta do nada para uma conversa existencial com sua “mãe” adotiva. Nem o Louco da Turma da Mônica seria capaz de escrever algo tão sem continuidade.

Mulher, negra, homossexual: o auge da lacração!

Na tentativa de se mostrar engajada – tendência atual – a Marvel não se importa com um bom roteiro, desde que 1) o roteirista negro escreva sobre o herói negro porque, afinal, ele vai “entender” melhor o personagem; 2) haja uma luta de sexos onde mulheres lacradoras enfrentam os opressores masculinos para mostrar que são superiores, mas não iguais; e 3) essas mulheres, claro, sejam homossexuais, afinal, isso também dá pontos e agrada militantes. O resultado, claro, é uma HQ vazia que desqualifica seu protagonista e desconstrói a imagem dele criada desde 1966, quando ele estreou nas páginas da revista Fantastic Four 52 que, aliás, também faz parte do encadernado, como um pedido de desculpas da editora para que, ao menos algumas páginas valham o investimento.

O essencial do Pantera Negra está aqui.

O problema é que a história, em duas partes, só tem a primeira, terminando com um gancho para uma continuação que provavelmente não virá – se ela foi programada para o Livro 2, fica meu pedido antecipado de desculpas. Se não foi, fica a dica para os leitores procurarem a Coleção Oficial de Graphic Novels Salvat Vol. V, onde a história foi publicada completa. O investimento será muito mais proveitoso, afinal, estamos falando de uma edição inteira produzida pela dupla Stan Lee/Jack Kirby. Outra dica é a recém-lançada A Fúria do Pantera, na mesma coleção, escrita por Don McGregor. Ali sim há um enredo bem desenvolvido com diálogos inteligentes e ritmo incansável.

Arco ainda terá mais dois volumes. Poupe seu dinheiro!

Quando ao “novo” Pantera Negra, a má notícia é que o arco “Uma Nação sob nossos pés” tem doze capítulos e o livro um traz apenas quatro deles. Isso significa que mais dois volumes virão por aí até o lançamento do filme, no ano que vem. Se a ideia da Marvel era que a HQ despertasse o interesse do público no personagem e o levasse aos cinemas, o tiro saiu pela culatra. Talvez Coates seja um bom escritor político – e nem cabe aqui questionar o currículo do autor – mas o que se percebe, no entanto, é que ele não tem o mínimo talento para quadrinhos de super-heróis. O autor não entendeu que o Pantera Negra, por si só, já é um personagem de engajamento. Qualquer discurso além disso perde o sentido. Mais boas histórias e menos “lacração” é tudo que esperamos dos quadrinhos Marvel.

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Saído do Forno: Comunhão

Produzir quadrinhos no Brasil não é uma tarefa muito simples se você não se chama Mauricio de Sousa. Porém, o mercado tem espaço para bons trabalhos que, a exemplo do célebre cartunista, decidem não ficar choramingando a falta de oportunidades, mas correm em busca delas. É o caso do ator e roteirista Felipe Folgosi, que acaba de lançar seu novo álbum, Comunhão, publicado sob a batuta do Instituto dos Quadrinhos e financiada pelo site Catarse em 2016.

Comunhão também foi financiada pelo site Catarse

Em 2015, Folgosi já havia lançado a HQ Aurora (leia nossa crítica aqui), também confiando na colaboração dos leitores interessados, que, literalmente, “pagaram para ver” a obra pronta. E tanto valeu a pena que o autor repetiu a dose, com vários atrativos que superam o álbum anterior. Para começar, a obra fugiu ao tamanho tradicional: enquanto Aurora seguia o tamanho americano (17cm X 26cm), Comunhão chega com 22,3 cm X 31 cm, formato maior do que a revista Veja, para comparar. Além disso, o álbum tem 144 páginas, 36 a mais do que o anterior. Com este formatão, é possível apreciar melhor a arte de J. B. Bastos, parceiro de Folgosi neste projeto.

O artista J. B. Bastos já trabalhou com o tema “terror” em HQs gringas.

A arte, aliás, é outro diferencial: em Comunhão, o autor optou por desenhos em preto e branco, uma vez que a trama segue pelo gênero do terror e as antigas revistas do gênero seguiam o estilo sem cor. Bastos, que já trabalha nos títulos Night Trap e Knight Rider (quadrinhos da antiga série de TV A Super Máquina), da Lion Comics, tem o ritmo de quadrinhos de terror e soube criar quadros com momentos bem tensos e assustadores. O roteiro, segundo o autor, foi fruto de uma conversa com um amigo há 10 anos, no qual este lhe sugeriu que escrevesse um roteiro de terror. A princípio resistente, Folgosi resolveu seguir o conselho e idealizou uma história que se passasse no Brasil e fosse realista, mas mexendo com o psicológico.

Felipe deu o sangue para publicar esta edição.

Na trama da HQ, Amy é uma atleta que decide encerrar sua carreira após um trauma com um acidente, encontrando um sustento na fé. Anos depois, ao realizar uma trilha na floresta amazônica com um grupo de amigos, acaba se metendo numa série de eventos que separam uns dos outros e os colocam em contato com vários perigos da região. Em busca da sobrevivência, Amy e seus amigos são confrontados com seus próprios instintos e a ex-atleta encontra o outro lado da religião, repleto de violência e morte.

A HQ tem momentos bem pesados e assustadores.

Embora apele para o lado religioso, a HQ não é doutrinária – embora deixe a lição de que a fé pode fortalecer em momentos difíceis e até formar o caráter, tanto para o bem quanto para o mal. O título tem a ver com a Última Ceia, mas pode chocar leitores mais conservadores e sensíveis (lembrando que é uma HQ de terror, não religiosa…). Não por acaso, o título é recomendado para maiores de 16 anos, pois está repleto de cenas de violência explícita. No entanto, a história é bastante envolvente e nos faz ficar ansiosos pelo desenrolar dos eventos.

Felipe Folgosi autografa sua obra, no lançamento (Foto: arquivo pessoal do autor)

Também merece menção o ajuste nos nomes dos colaboradores. Em Aurora, as pessoas que ajudaram a financiar o projeto no Catarse, tiveram seus nomes impressos na terceira capa, em sequência e sem qualquer ordem, dificultando para a pessoa encontrar-se no meio da multidão de nomes. Em Comunhão, os apoiadores foram organizados em ordem alfabética, separados em três colunas, muito mais agradável de se ler.

Arte de Luke Ross para promover a obra.

A única crítica vai para a capa da HQ, desenhada por Will Conrad e Ivan Nunes. Sem desmerecer os artistas, que fizeram um belíssimo trabalho, mas o desenho pouco lembra o conteúdo da trama. Tem, sim, uma referência aos fatos que deflagraram toda história, mas não condiz com a trama em si. Em questão de adequação ao tema, é muito mais apropriada a arte feita por Luke Ross, usada para divulgação do álbum. Mas, como diz o ditado, não se deve julgar um livro pela capa e, no caso de Comunhão, o dito é verdadeiro. Folgosi superou a si mesmo neste ótimo trabalho e quem ganha somos nós, leitores.

Saído do Forno: Agentes da Shield

Na cola do sucesso da série televisiva Agentes da Shield – cuja quinta temporada estreia em 2018 pelo canal ABC – a Marvel lançou, em 2015, uma HQ de mesmo nome, com as aventuras dos agentes Phil Coulson, Melinda May, Jemma Simmons e Leo Fitz nos bastidores (ou nem tanto) das atividades dos super-heróis da Marvel. Esse material só chegou agora ao Brasil, pela Panini, em duas versões: capa cartonada (R$ 21,90) e capa dura (R$ 29,90) e papel couché.

Todo Universo Marvel interage com os agentes

Apesar do atraso de dois anos (e isso se faz sentir nas versões dos personagens, pré-Guerras Secretas), o encadernado é uma deliciosa surpresa. O texto ágil de Mark Waid coloca os agentes em contato com a nata do Universo MarvelVingadores, Homem-Aranha, Dr. Estranho – e faz da HQ tudo aquilo que a série deveria ter sido, mas não foi por questões de direitos autorais. A maior crítica dos fãs ao seriado foi exatamente a ausência de personagens conhecidos, fazendo com que Coulson e sua equipe se envolvessem com ameaças mornas e pouco atraentes, o que afastou grande parte da audiência.

Série marca a estreia de May, Fitz e Simmons nas HQs.

Livre dessas limitações, a HQ tem todo o Universo Marvel à disposição e o utiliza de forma primorosa. A primeira história já traz a equipe de Coulson aliada aos Vingadores para derrotar um grupo terrorista que aprisionou Heimdall e tomou posse de sua espada mística para fins de dominação. O conhecimento de Coulson dos poderes e características de cada herói o coloca como o grande estrategista, usando cada habilidade de maneira certeira contra os vilões.

Don’t touch Lola!

Na segunda aventura, Jemma Simmons se disfarça como professora na escola onde a Miss Marvel estuda a fim de desbaratar o contrabando de equipamentos de supervilões. Na história seguinte, o aliado de Coulson é o Homem-Aranha e tem até uma piada envolvendo Lola, o carro tunado do agente. A Mulher Invisível, a Feiticeira Escarlate e o Homem-Absorvente participam das histórias seguintes, que seguem o mesmo clima descontraído.

May é sub-aproveitada, mas ganha edição especial onde é destaque.

Um grande atrativo da edição é que as histórias são praticamente independentes e funcionam isoladamente, evitando o intrincado quebra-cabeças que é formado com as constantes continuações. Ao menos nesse início, há um pequeno item que relaciona as tramas e, mesmo assim, algumas delas funcionam sozinhas, com começo, meio e fim. Ideal para quem está começando a conhecer esse universo e veio atraído pela série de TV. A única crítica vai para o sub-aproveitamento da personagem Melinda May. Uma das mais carismáticas (ou quase isso) da série, ela mal aparece nas HQs. A boa notícia é que a personagem teve um edição especial solo que, espera-se, também seja publicado por aqui.

Fitz ganha um macaco de estimação. Mas só no final do encadernado.

O encadernado reúne as seis primeiras edições do título americano (restam mais seis na primeira fase). Na segunda série, os roteiros ficaram a cargo de Marc Guggenheim e durou 10 edições e incluiu também a participação do agente Grant Ward, que na TV se revelou um agente da Hidra infiltrado. Esta fase, porém, deve demorar um pouco para chegar ao Brasil. Enquanto isso, vale curtir as aventuras dos Agentes da Shield nos quadrinhos, num dos melhores encadernados da Marvel publicados pela Panini nos últimos meses. Considerando a baixa qualidade das HQs atuais, é para se comemorar um material deste nível. Nível oito, como os agentes.

Saído do Forno: Motoqueiro Fantasma

Com três anos de atraso (o material original estreou nos Estados Unidos em maio de 2014), a Panini decidiu publicar as aventuras do herói renovado na fase Nova Marvel – evidentemente aproveitando a popularidade que o personagem conquistou após sua participação na série de TV Agentes da Shield. Infelizmente, a editora pecou pela adoção de um erro conceitual dos mais burros: chamar de motoqueiro um personagem que não tem mais uma moto, mas um automóvel.

O primeiro Ghost Rider andava a cavalo.

Para entender o imbróglio, é preciso remeter às origens do personagem. No original, ele se chama Ghost Rider, onde “rider” é uma palavra com significado bem genérico em inglês, podendo ser usada para quem monta cavalo, bicicleta, moto, carro ou até mesmo trem. Em outras palavras, rider é alguém que é carregado por alguma coisa. Tanto que existiu um personagem de mesmo nome que atuava nos quadrinhos de faroeste, muitos anos antes do motoqueiro dar as caras  pela Marvel. No Brasil, esse personagem foi chamado de Cavaleiro Fantasma.

Esta é a moto mais envenenada que você vai ver na vida.

Sendo assim, a Panini optou por “manter o nome pelo qual o personagem é conhecido no Brasil”, ignorando toda lógica e coerência. Afinal, trata-se de um personagem totalmente modernizado que nada tem em comum com seus antecessores, exceto o fato de ser um esqueleto com o crânio flamejante. Nada, nem mesmo o demônio que lhe dá os poderes é o mesmo. Uma mudança de nomes, portanto, não seria apenas “estética”, mas deixaria claro que se trata de um novo conceito. E nem era preciso pensar muito: no caso de querer fugir do óbvio “Motorista Fantasma”, a própria HQ apresenta uma série de variações diferentes para batizar o misterioso herói que surge nas ruas de Los Angeles.

Super-Homem, Punhos de Aço, Eléktron e Capitão Marvel também tiveram seus nomes alterados… e o público aceitou.

Sabemos que esse tipo de decisão editorial nem sempre é fácil, pois envolve também a questão comercial. Contudo, são vários os casos de personagens consagrados que mudaram de nome ao longo do tempo, principalmente na troca de editoras e, nem por isso, os leitores deixaram de se acostumar com essas alterações, embora cause estranhamento num primeiro instante. Basta um pouquinho de bom senso e uma boa estratégia de marketing.

Renascido do inferno

Mas falando da HQ do Motorista Fantasma, o encadernado reúne as seis primeiras edições do título americano e mostra a origem do personagem. Robbie Reyes é um jovem adolescente que vive sozinho com seu irmão mais novo, que é paraplégico – a HQ não explica se ele já nasceu assim ou se a deficiência foi causada por alguma acidente – num bairro bem barra pesada de Los Angeles. Para sustentar a casa, o rapaz trabalha como mecânico numa oficina do bairro e divide seu tempo também com os estudos. Como o dinheiro é curto, Reyes participa de rachas noturnos e ganha um extra com o valor das apostas.

Mr. Hyde ficou verdadeiramente assustador (na verdade, essa arte transforma até os Ursinhos Carinhosos em assustadores.)

Isso muda radicalmente quando ele usa um dos carros que chegou à sua oficina, que pertencia a um traficante e, em cujo porta-malas, havia escondido uma bolsa de drogas, sem que ele soubesse. Perseguido pelos traficantes, Robbie é metralhado e morre, mas o demônio Eli lhe dá uma oportunidade de se vingar, restaurando sua vida e concedendo-lhe o poder do Espírito da Vingança. Agora, Robbie precisa enfrentar os traficantes, liderados pelo Dr. Calvin Zabo – o alter ego do vilão Mr. Hyde – cuja droga transforma todos em monstros superpoderosos.

Artista peca pelo exagero visual.

O texto dinâmico e envolvente logo faz o leitor se envolver na história de Reyes e querer saber o que virá a seguir. O clima de violência é um tanto pesado, tanto com a apologia a drogas como com os diálogos, cheios de simulações de palavrões, indicando a vizinhança barra pesada onde mora o protagonista. Faltou, talvez, uma advertência na capa com restrição de idade para os leitores, porque, definitivamente, esta não é uma HQ para crianças. A arte caricata e de qualidade duvidosa do artista Tradd Moore por vezes deixa confuso o que está acontecendo, mas não tira o mérito da HQ, repleta de ação.

Gabriel Luna interpreta o herói na TV. Incrível!

Segundo a editora, serão dois encadernados pré-Guerras Secretas, então podemos esperar o próximo para breve. Recentemente, a Marvel vem sofrendo com as baixas vendas de suas revistas, motivadas pelas constantes mudanças que a editora tem feito em seus personagens principais. O Motorista Fantasma, contudo, é um dos que, aparentemente, escapou da chuva de críticas, tanto que até ganhou uma versão live-action, interpretado por Gabriel Luna. Uma prova de que, quando os personagens são bem trabalhados, o público leitor aceita as mudanças. Incluindo traduções.

Saído do Forno: Ginho, o ET de Varginha

blog-abreNem tão “saído do forno” assim, mas ainda em tempo, o álbum Ginho, o ET de Varginha, do cartunista Márcio Baraldi, foi lançado em outubro de 2016 em parceria entre a revista UFO e a GRRR (Gibi Raivoso Radical e Revolucionário), selo independente do próprio autor. Baraldi, um dos nomes mais expressivos do cartum nacional e dono de um traço bem conhecido e característico, criou Ginho em 2007,  para dar um toque de humor à seriedade da revista UFO, publicação especializada em casos envolvendo extraterrestres.

O criador em um contato imediato

O criador em um contato imediato

Inicialmente publicado no formato de tirinhas, o personagem agradou os leitores da revista e logo ganhou uma página inteira para sua mensagem divertida mas, ao mesmo tempo, carregada de uma temática social, ecológica e até política, exigindo das autoridades mais liberdade na divulgação de informações sobre eventos ufológicos. O álbum traz as origens do personagem, com o resgate das primeiras tiras (onde ele nem aparece) e também tem publicações inéditas, feitas exclusivamente para a edição.

Ginho surgiu na revista UFO, em 2007.

Ginho surgiu na revista UFO, em 2007.

Em 48 páginas, o autor mostra o personagem em suas aventuras no planeta Terra, presente nos casos mais importantes que se têm notícia no Brasil, como agroglifos (imagens esculpidas em plantações), aparições de aeronaves e investigações de presenças de extraterrestres em nosso País, dos quais o registro mais famoso é o ET de Varginha, em 1996, que inspirou o próprio personagem-título. As charges se tornam mais divertidas ao considerar que os personagens coadjuvantes são pessoas reais, como os editores da revista UFO, personalidades que relataram contatos imediatos (como o fazendeiro Antonio Vilas Boas). Até uma certa “presidenta” marca presença na revista.

Qualquer semelhança é mera crítica do autor.

Qualquer semelhança é mera crítica do autor.

A publicação veio como uma forma de comemorar os quase 10 anos de parceria entre o cartunista e a revista e vem se juntar a outros álbuns de Baraldi, como Roko-Loko, Tatoo Zinho, Rap Dez e outros. Pode ser adquirido na Comix Book Shop ou na loja do site oficial do criador, onde também é possível comprar outros produtos. É de leitura rápida e, de forma bem humorada, faz o leitor refletir sobre a questão de estarmos ou não sozinhos no Universo.

Saído do Forno: Dr. Estranho

blog-abreAproveitando o sucesso cinematográfico do filme Dr. Estranho, a Panini acaba de lançar um título estrelado pelo Mago Supremo. Não é a primeira revista que tem o místico como protagonista: em 1972, ele foi o personagem-título da revista Dr. Mistério (sim, ele era chamado assim), mas a publicação durou apenas duas edições. Esta pode ser considerada, portanto, a primeira vez que o Dr. Estranho tem um título com seu nome verdadeiro.

é um mistério o porquê de alguém batizar o doutor com esse nome estranho.

é um mistério o porquê de alguém batizar o doutor com esse nome estranho.

Nos Estados Unidos, o herói não tem um título mensal desde 1996, quando o título Doctor Strange: Sorceress Supreme foi encerrado. A partir daí, o herói só estrelou minisséries e participações especiais em títulos com outros personagens. Em 2015, já antecipando a produção estrelada por Benedict Cumberbatch, a Marvel decidiu contemplar o Mago Supremo com uma nova revista chamada Dr. Strange, dando a ele um perfil mais descontraído, alinhado à sua versão cinematográfica.

HQ resgata origens místicas do personagem

HQ resgata origens místicas do personagem

Essa publicação chega só agora ao Brasil, numa edição com 60 páginas, ao preço de R$ 7,60 e duas histórias por número. O título, escrito por Jason Aaron, traz uma volta às origens do Mago Supremo, quando ele era chamado para resolver casos sobrenaturais – em sua estreia, ele foi chamado de Mestre da Magia Negra, alcunha que foi alterada depois para Mestre das Artes Místicas. O primeiro número começa com Estranho ajudando a livrar a alma de um garoto de espíritos devoradores de almas vindos de outra dimensão. Este é outro resgate do autor: as viagens interdimensionais do mago.

Zelda faz uma visitinha à sala de estar do mago.

Zelda faz uma visitinha à sala de estar do mago.

Há também a inclusão de uma nova personagem, a jovem bibliotecária Zelma Stanton que procura Strange e, por uma falha nos poderes do mago, acaba libertando parasitas espirituais dentro do Sanctum Sanctorum. Com a ajuda da jovem e de seu fiel servo Wong, o Dr. Estranho precisa recapturá-los antes que causem algum estrago. A história é bem humorada e cheia de tiradas sobre as bizarrices que fazem parte da vida de um mestre do sobrenatural. Apesar de não combinar com o clima sério e sombrio que o personagem sempre teve ao longo dos anos, a mudança não incomoda e pode se tornar um recurso bastante atrativo para novos leitores que conheceram o herói nas telonas. E convenhamos: um pouco de humor não faz mal, quando bem utilizado.

Quando a capa variante é melhor que a oficial

Quando a capa variante é melhor que a oficial

A edição brasileira chega com duas capas variantes: a imagem que abre essa postagem, com arte de Chris Bachallo e Tim Townsend (que também são os artistas da HQ) e outra com arte de Kevin Nowlan (acima). Nos Estados Unidos, a revista vem fazendo tanto sucesso que já ganhou uma nova publicação derivada: Doctor Strange and The Sorcerers Supremes, onde o herói treina místicos de várias épocas. A bibliotecária Zelma Stanton também passou a ser uma personagem fixa na série, catalogando e cuidando dos livros místicos do Dr. Estranho. Afinal, Wong precisava de um descanso. 🙂

blog-homem-de-ferro

Antenados com os lançamentos cinematográficos

Universo Compartilhado

A Panini tem sabido explorar o momento cinematográfico atual, lançando títulos conforme as produções estreiam nas telonas. Tudo começou em maio de 2010, quando chegou aos cinemas o filme Homem de Ferro 2, cujo vilão principal era o Chicote Negro. No mesmo mês, a editora lançou a revista O Invencível Homem de Ferro, trazendo o herói e seu inimigo na capa. A partir da edição 9 (janeiro de 2011) a revista passou a se chamar Homem de Ferro & Thor, uma vez que, quatro meses depois, o Deus do Trovão também chegava aos cinemas.

Capitão ganhou título próprio depois de muitos anos.

Capitão ganhou título próprio depois de muitos anos.

Em julho de 2011, quando estreou Capitão América – O Primeiro Vingador, a Panini também deu um título para o Sentinela da Liberdade, chamado Capitão América & Vingadores Secretos, depois de 14 anos como coadjuvante nas revistas mix. O título mais inesperado foi Guardiões da Galáxia, lançado em março de 2015, sete meses depois da estreia no cinema. Talvez porque ninguém imaginava que o filme fosse agradar tanto, um título solo da equipe espacial era uma proposta arriscada demais para ser lançada logo na estreia. Já com Dr. Estranho, a aposta foi mais certeira: o filme estreou em novembro e a HQ tem data de dezembro/2016.

Se não fosse o filme, os Guardiões jamais teriam seu nome estampado numa publicação.

Se não fosse o filme, os Guardiões jamais teriam seu nome estampado numa publicação.

Doutor Estranho no Brasil

O Mago Supremo estreou no Brasil na revista Quarteto Fantástico 16 (Ebal, 1971), como coadjuvante na aventura da família primordial da Marvel. Meses depois, ele apareceu em Super X 49 (Ebal, nov/dez 1971), numa aventura do Hulk que serviu de prelúdio para a estreia da série dos Defensores, equipe da qual o Doutor é um dos fundadores. No ano seguinte, ele protagonizou o título Dr. Mistério, O Mestre das Artes Místicas (Minami & Cunha, 1972). Em maio de 1976, a Bloch lançou a revista Os Defensores, com a superequipe formada por Doutor Estranho, Hulk, Namor, Valquíria e Surfista Prateado. O título, no entanto, teve vida curta (apenas cinco edições), pois era uma prática da Bloch lançar vários títulos aleatórios para ver qual emplacava.

Edições que destacaram as histórias do Mago Supremo.

Edições que destacaram as histórias do Mago Supremo.

Em junho de 1979, o Dr. Estranho teve sua origem revelada no Almanaque Marvel 2 (RGE). Durante todos esses anos, o Doutor Estranho continuou aparecendo como coadjuvante nas aventuras de outros heróis, mas a situação mudou a partir de 1982 quando o místico estreou na revista Superaventuras Marvel 2 (Ed. Abril), que republicou a mesma HQ publicada em Doutor Mistério 1, extraída do título americano Marvel Premiere 3. A partir daí, a Abril passou a dar um bom destaque às suas aventuras solo e os leitores puderam acompanhar boas fases desenhadas por Barry Smith, Frank Brunner e Marshall Rogers, tanto em Superaventuras Marvel como em Heróis da TV.

Metal Pesado lançou HQ que quase ninguém leu.

Metal Pesado lançou HQ que quase ninguém leu.

Ele também foi o astro de duas graphic novels – Shamballa (Abril, 1989) e Triunfo e Tormento (Abril, 1991), ambas relançadas pela Panini em capa dura – e teve uma edição especial lançada pela Metal Pesado em 1998, que pouca gente sabe que existiu. A minissérie Strange (2004) que atualizou a origem do mago, foi publicada em 2006, na revista Marvel Max, já pela Panini. A minissérie O Juramento, outro grande sucesso do mago, foi publicada originalmente na revista Marvel Action (Panini, 2007).

Panini publicou séries solo do mestre místico em Marvel Max e Marvel Action.

Panini publicou séries solo do mestre místico em Marvel Max e Marvel Action.

Presença constante no Universo Marvel, o herói sempre participou dos eventos importantes da Casa das Idéias, como as séries Illuminati, Hulk Contra o Mundo, Vingadores: A Queda e Guerra Civil, entre outras. O anúncio da produção cinematográfica aumentou o destaque do mago nas HQs até culminar com o lançamento que acaba de chegar nas bancas.

 

Saído do Forno: Selva – A Gazeta Gráfica

blog-abreO site Catarse tem proporcionado aos artistas independentes a realização concreta de seus projetos e, aos leitores, a oportunidade de ler um material que desejam, colaborando para que ele se torne viável. Nem todos os projetos têm qualidade para uma produção em larga escala e, com o sistema de financiamento coletivo, somente aqueles que estão interessados pagam por ele, o que é bem bacana, pois atinge o público-alvo específico. Outros, porém, são tão bacanas, que mereciam ter sua ideia comprada por uma grande editora e se tornarem mais visíveis a ponto de chegar a um público muito maior.

Comparação de tamanho com as tradicionais publicações em formato americano.

Comparação de tamanho com as tradicionais publicações em formato americano.

É o caso do projeto Selva – A Gazeta Gráfica, que se encontra em financiamento até o próximo dia 15 de Dezembro. A ideia não é inovadora, mas é legal pela sua diferenciação: ao invés de uma publicação nos tradicionais formatinho (13,5 cm X 19 cm) ou formato americano (17 cm X 26 cm), Selva tem formato tabloide (29 cm X 38 cm), resgatando a imagem dos antigos cadernos dominicais, que nos apresentaram personagens como Flash Gordon, Little Nemo, Sobrinhos do Capitão e outros que são a gênese das histórias em quadrinhos no início do século XX. Ao mesmo tempo, o “formatão” permite aos desenhistas uma melhor expressão de sua arte.

Um mix de artistas fizeram um trabalho "animal" nesta selva.

Um mix de artistas fizeram um trabalho “animal” nesta selva.

Além disso, a publicação é feita com papel de qualidade (couché com brilho), o que garante cores mais vivas para melhor apreciação da arte. São 16 páginas coloridas e um mix de histórias em quadrinhos que vai de adaptações de textos literários, passando por quadrinização de clássicos bíblicos a roteiros inéditos, criados especialmente para o título. Selva também inclui artigos redigidos por profissionais especializados em quadrinhos e literatura. Uma verdadeira mistura de estilos, temas e visões de mundo: daí o nome da publicação – uma selva.

A história bíblica de Jonas e um romance alemão são apenas dois exemplos da versatilidade de estilos.

A história bíblica de Jonas e um romance alemão são apenas dois exemplos da versatilidade de estilos.

Tivemos acesso à primeira edição e ratificamos a qualidade das HQs. Em Ultimatum para Nínive (Roteiro e arte de Spacca), a história bíblica de Jonas (aquele que foi engolido por um peixe gigante) é retratada com muito bom humor; Luz (roteiro e desenhos de Mika Takahashi) é uma história sem texto que trata com lirismo e delicadeza o sentimento da amizade e mostra o poder interior de cada um; A Luva (roteiro e arte de Joel Lobo) é uma divertida adaptação de um poema do alemão Friedrich Schiller; já Eterno enquanto queijo mostra a surreal história de amor entre a protagonista e uma pizza. Genial!

Experimente uma HQ com um sabor diferente do tradicional.

Experimente uma HQ com um sabor diferente do tradicional.

O projeto tem um site para os interessados ficarem por dentro das novidades e está captando recursos para a impressão da HQ até dia 15 de dezembro. A meta solicitada para o projeto é de R$ 12 mil, sendo que os colaboradores receberão, além da publicação impressa, uma série de brindes enviados conforme o valor da ajuda financeira. Veja o valor de cada pacote acessando aqui e mande sua contribuição. Poucos projetos brasileiros são tão divertidos e diferenciados como Selva – A Gazeta Gráfica. Por isso, ele merece ter todo o apoio possível para que saia, não apenas o número um, mas muitos outros exemplares.