Saído do Forno: Novos Titãs – Terra Um

Com um atraso de seis anos em relação aos Estados Unidos, acaba de chegar às bancas e livrarias o encadernado Jovens Titãs: Terra Um – Volume 1 (Panini, 144 páginas, R$ 48,00), que apresenta uma versão alternativa da super equipe teen da DC Comics. Este é o oitavo volume da série Terra Um, que já teve três volumes dedicados ao Superman (lançados, respectivamente, em 2012, 2015 e 2018), dois para o Batman (2013, 2016) e dois para a Mulher-Maravilha (2016, 2020), os três medalhões da editora.

Uma nova visão da origem dos heróis.

Escrito por Jeff Lemire, com arte de Terry Dodson, a história segue a proposta de renovar os personagens, recontando suas origens numa história fechada e sem as cadeias da cronologia, visto que se trata de um universo desvinculado do tradicional. Com liberdade e criatividade, os autores podem explorar os conceitos básicos de cada herói, renovando-os para os novos públicos e dando uma visão diferente daquela que estamos acostumados. Isso pode ser bom ou ruim, dependendo do rumo tomado pelos autores.

Série já teve sete títulos publicados com a Trindade da DC.

Os roteiristas J. M. Straczynski (Superman) e Geoff Johns (Batman) preferiram não sair muito do arroz com feijão e apresentaram versões bem parecidas ao tradicional, focando apenas em fatos não contados da juventude do Homem de Aço e do Homem-Morcego – principalmente porque suas origens já foram narradas incontáveis vezes e pouco há o que dizer sem mudar demais os fatos. Já Grant Morrison manteve o básico da Mulher-Maravilha, mas criou uma versão bem mais “moderninha”, explorando o relacionamento lésbico das Amazonas e carregando as tintas no tom feminista da heroína.

Victor leva um sabão por zombar do calouro.

Com os Jovens Titãs, o roteirista Jeff Lemire deixou Robin fora da trama e deu protagonismo à heroína Terra (que, no universo tradicional, se infiltrou no grupo para descobrir seus segredos na saga O Contrato de Judas) e grande destaque ao Cyborg – algo que já vem acontecendo desde 2011, com sua inclusão na Liga da Justiça, tanto nos quadrinhos como no cinema. Na história, eles são apenas jovens normais, que estudam na mesma classe e têm uma convivência não muito harmônica. O ingresso do jovem Garfield Logan na classe só piora os conflitos, já que a turma não vê o calouro com bons olhos pelo fato dele ter menos idade.

Um pedido de ajuda… e poderes se manifestam.

De repente, alguns alunos – Tara Markov, Victor Stone, Garfield Logan e Joseph Wilson – recebem um chamado psíquico de ajuda e começam a manifestar poderes que antes eles não tinham. Uma jovem índia navajo chamada Ravena também recebe o chamado, mas não sabe do que se trata e conta com a orientação de seu avô. Enquanto investigam o mistério, os cinco jovens vão ter seus caminhos cruzados e descobrir uma conspiração que vem desde seus nascimentos, forçando-os a juntar forças contra aqueles que vêm manipulando suas vidas.

A reformulação do grupo colocou-os em pé de igualdade com os X-Men, da Marvel.

Os Novos Titãs (Teen Titans) foram criados em 1964, mas a equipe só veio a fazer grande sucesso na década de 1980, quando foi reformulada pela dupla Marv Wolfman (Roteiro) e George Pérez (arte), que explorou os conflitos da adolescência como a dificuldade de autoaceitação, relacionamento conflituoso com familiares e descoberta de seu papel no mundo entre outros. É exatamente essa a premissa desta HQ, mas num nível bem inferior ao que Wolfman desenvolveu quarenta anos atrás.

Ravena em seu momento máximo.

Nesta história, os jovens são adolescentes mimados que passam o tempo todo reclamando e discutindo entre si. A mais centrada – mas com um papel bem pequeno na trama – é Ravena, que tem suas crises de identidade sem que isso faça dela uma rebelde sem causa. Os personagens são superficiais, a trama demora para engatar e, quando engata, não empolga. Para piorar, diferente dos volumes anteriores, cujo final era aberto, mas conclusivo, neste, a história não tem final, deixando a continuação para o volume seguinte (que foi lançado em 2016 nos Estados Unidos. Se a Panini seguir o mesmo prazo, a conclusão da história só deverá chegar por aqui em 2022).

O Exterminador na versão Terra Um.

Jeff Lemire é um dos grandes nomes da DC Comics na atualidade, responsável pela minissérie Fim dos Tempos e também pela recente fase do Arqueiro Verde. Pela Marvel, escreveu o Cavaleiro da Lua, as histórias solo de Thanos, o Velho Logan e os X-Men. Embora seja aclamado pela crítica, o autor não chega a ser uma unanimidade, alternando entre bons trabalhos e outros de gosto duvidoso – o último caso se enquadra neste encadernado dos Jovens Titãs. A arte de Terry Dodson não ajuda a valorizar o material – basta ver a “Ravena assustada” na capa e os outros heróis com expressão de bad boys/girls.

namoro titânico

A série Terra Um nunca teve grande repercussão entre os leitores. Talvez pelo fato dos autores não terem realizado grandes inovações entre os personagens. A exceção, como já foi dito, é a Mulher-Maravilha, que gerou um certo buchicho pela visão feminista, mas não se tornou relevante o suficiente para se tornar algo canônico como ocorreu com o Universo Ultimate, da Marvel. Talvez esteja aí a diferença entre a série da DC e sua concorrência: apenas um exercício de criatividade para ser esquecido após a virada da última página. O que, consideremos, pagar quase 50 reais por isso é um tanto exagerado. 

Saído do Forno: Alfa – A Primeira Ordem – Parte 2

Após três anos de espera, finalmente a saga que reúne mais de 70 super-heróis brasileiros na mesma aventura chega à sua conclusão. Alfa – A Primeira Ordem – Parte 2 traz a batalha final da equipe liderada pelo Capitão R.E.D contra o General Zeta para evitar que o vilão cósmico Aéris retorne e domine o planeta. A HQ, de 60 páginas (incluindo capa), é um lançamento da Editora Kimera e tem roteiro de Gian Danton, arte de Márcio Abreu e cores de Vinícius Townsend. A criação é de Elyan Lopes, que realizou duas campanhas no Catarse para financiar a obra.

Se o General Zeta já dá trabalho pros heróis, imagine quando Aéris chegar…

A história tem início onde a anterior parou, com os heróis enfrentando o poderoso General Zeta, tendo como cenário os famosos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro (mas que pouco são destacados, devido à destruição provocada pela batalha). Uma trama paralela se desenrola em Brasília, com a candidatura do político Saulo Dahmer à presidência do País, que demonstra ser mais do que uma simples candidatura, mas uma conspiração para a ressurreição de Aéris.

A arte de Márcio Abreu: nível internacional

A HQ tem vários pontos positivos, sendo que o principal é a arte dinâmica de Márcio Abreu, cujo traço é tão bom ou até melhor que vários desenhistas da Marvel e DC. O mérito de reunir os super-heróis nacionais numa mesma história também merece destaque, tendo em vista que a maioria deles é desconhecida do público. Trata-se de uma iniciativa brilhante de divulgação desses personagens e de seus respectivos criadores. Há que se elogiar também a qualidade gráfica, com papel de qualidade e capa couché com brilho, o que valoriza o material e faz valer o investimento.

Muitos heróis para poucas páginas.

No entanto, talvez aí resida o maior erro da publicação: na ânsia de reunir o maior número possível de personagens brasileiros, a trama não encontrou espaço para todos eles, o que fez com que os heróis fossem “jogados” no meio da história, sem função prática, além de dar um soco no vilão e desaparecer no quadrinho seguinte. O hiato de três anos entre as duas partes da saga – foi feita uma campanha no Catarse em 2018 que não teve a meta atingida e outra em 2019 para inteirar o valor arrecadado anteriormente – chamou a atenção de outros autores, que se interessaram pelo projeto e também puderam incluir seus personagens na trama, aumentando de 40 para mais de 70 os coadjuvantes.

Texto lista os heróis fora de ordem na imagem.

Com isso, na tentativa heroica (perdão pelo trocadilho!) de colocar essa quantidade absurda de personagens, o storytelling ficou comprometido, deixando vagos muitos detalhes importantes da trama, como a participação do herói Corrupião – deixada em aberto no número anterior e mal concluída nesta edição. Um mero detalhe da primeira parte – a apresentação dos super-heróis com seu logotipo – foi deixado de lado nesta edição, prejudicando a identificação dos personagens e o entendimento do todo. Há até um quadro em que vários deles aparecem juntos e são listados no texto, mas fora da ordem em que são mostrados na imagem – um detalhe simples, que muito contribuiria para o melhor entendimento.

Soluções aceleradas como a moto do Lagarto Negro.

Os cortes de cenas são repentinos o que deixa a narrativa picotada e confusa, prejudicando o desenvolvimento da trama. As pontas soltas são resolvidas rapidamente, em um quadrinho ou dois, sem qualquer aprofundamento e até mesmo o aguardado retorno dos heróis clássicos – Capitão 7, Flama, Homem-Lua, Capitão Gralha e Raio Negro – é apresentado sem qualquer emoção. Para piorar, o clímax da batalha com Aéris, que era o momento mais aguardado de toda a saga foi reduzido a uma única página, com uma solução fácil e pouco inspirada.

Um novo universo de super-heróis está sendo criado

Uma pena, porque a primeira edição tem uma narrativa muito boa e dinâmica, deixando bons ganchos para serem trabalhados, algo que ficou a desejar nesta edição, que perdeu seu ritmo. Mesmo assim, há algumas referências bem divertidas na história, que o leitor mais atento identificará prontamente, além de preparar o caminho para o próximo projeto do autor Elyan Lopes, que é a criação do seu próprio Universo de super-heróis, o Alfa Universo, que já tem até um site oficial.

Card game é um produto especial inspirado na HQ.

A história termina deixando um fato sobre o Capitão R.E.D em aberto, que deve ser trabalhado futuramente e tem o potencial de desenvolver boas histórias. Alfa – A Primeira Ordem – Parte 2 começou a ser enviada aos colaboradores do Catarse e também pode ser adquirida no site da Editora Kimera. Além da revista, Alfa também gerou um card game com os personagens da história, em 32 cards contendo informações dos super-heróis como Força, Agilidade, Inteligência, Poder Especial e Capacidade de Luta, além do nome do seu criador – mais uma iniciativa muito boa idealizada por Lopes.

União histórica

Entre mortos e feridos, Alfa – A Primeira Ordem merece o reconhecimento por ter sido uma iniciativa exclusiva que valoriza a criação nacional e que enfrentou inúmeras dificuldades para se tornar realidade. Este que vos escreve acompanhou esse processo e sabe o quanto o autor batalhou por ele. Infelizmente, a segunda parte deixou a desejar, mas nem por isso deixa de ter seus méritos. Fica o desejo de que o vindouro Alfa Universo repita o sucesso e traga quadrinhos de qualidade para o cenário brasileiro.

Saído do Forno: O Império dos Gibis

(Foto: Manoel de Souza)

Com um atraso de um ano, o livro O Império dos Gibis – A Incrível História dos Quadrinhos da Editora Abril finalmente começa a chegar aos colaboradores que financiaram o projeto pelo Catarse. Primeiro lançamento da Editora Heroica, o livro é de autoria de Manoel de Souza e do jornalista Mauricio Muniz, respectivamente o ex-editor e ex-colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis e editores da finada revista Mundo Nerd. A obra foi colocada para financiamento coletivo entre 19 de dezembro de 2018 e 17 de fevereiro de 2019, com lançamento previsto para abril do mesmo ano, durante o Festival Guia dos Quadrinhos.

Os pais da “criança”. (Foto: Arquivo Maurício Muniz)

No entanto, durante o processo de pesquisa, os autores foram descobrindo tantas informações relevantes e tantas curiosidades que o livro, que devia ter 240 páginas passou para 544, aumentando o tempo para escrita e edição dos textos. Ao todo, foram dezenas de horas de entrevistas com profissionais do mercado que, em algum momento, prestaram serviço para a cultuada editora, além de leitura de milhares de quadrinhos e pesquisa em várias publicações impressas e sites. Com isso, o lançamento foi adiado por vários meses.

Tijolão: 3cm de grossura

Mas o que poderia ter causado reclamações e problemas para a editora recém-criada foi resolvido com transparência e honestidade: o editor usou as redes sociais para ir postando o progresso da obra, explicando aos apoiadores o andamento do processo. garantindo assim a credibilidade do projeto. Da meta de R$ 25 mil para confecção do livro e brindes, o valor captado foi de R$ 58,4 mil (montante 233% superior) o que proporcionou o aumento das páginas, acréscimo de novos brindes (os cards informativos com capas de revistas subiram de 20 para 30) e a inclusão de dois cadernos coloridos de 32 páginas cada, com várias curiosidades das edições. Tudo isso sem custo para o colaborador que, com o mesmo valor investido, passou a receber um material muito maior e de mais qualidade.

64 páginas coloridas.

E que qualidade! Ao pegar a obra nas mãos, dá pra sentir uma grande satisfação em ter adquirido um excelente produto. Tanto pela qualidade gráfica como pela quantidade das informações, algo inédito no mercado brasileiro em se tratando da Editora Abril. Nunca antes uma pesquisa tão profunda foi feita sobre a editora, com tantas fontes que estiveram lá dentro e, portanto, têm muita história para contar – algumas até polêmicas e controversas. Com certeza, o livro entrará para a lista das leituras obrigatórias nas faculdades de Comunicação, como literatura essencial para formação de novos profissionais da área.

Dossiês com histórico das grandes revistas: de brinde para publicação regular.

Quem não foi colaborador do Catarse também pode adquirir o livro pelo recém-lançado site da Editora Heroica, com uma promoção bastante amigável, que inclui também outra publicação da empresa: os dois primeiros números do Dossiê Grandes Revistas, contando a trajetória das primeiras HQs de super-heróis Marvel lançadas pela Abril – Capitão América e Heróis da TV, com direito a infopôster de ambas as edições. Os dossiês (em formato 16cm X 25cm), criados como brindes para os apoiadores do Catarse, ficaram tão bons que se tornaram a segunda publicação regular da Heroica, que pretende lançar novas edições futuramente – o da revista Superaventuras Marvel já está escrito, em processo de edição.

O kit inclui 30 cards com capas das publicações da Abril com informações no verso.

Infelizmente, por conta da crise com o Covid-19, a noite de autógrafos que estava prevista para o lançamento do livro foi cancelada e, dessa forma, as vendas avulsas estão sendo feitas apenas pela Internet. Quem tiver interesse no kit, deve entrar até sexta-feira no site da Editora Heroica e efetuar a compra pelo preço promocional, pagando via cartão de crédito/débito ou boleto bancário. Após essa data, o preço aplicado será o normal. A entrega será feita pelos Correios. Sem dúvida, é uma ótima oportunidade para conhecer a história da editora que, como diz o título do livro, se tornou um verdadeiro império e revolucionou o mercado, influenciando a vida de muitas pessoas. Inclusive este que vos escreve, que cresceu lendo os quadrinhos da Editora Abril.

Saído do Forno: Superman – Ano Um

Lendário no mundo dos quadrinhos, o nome de Frank Miller sempre foi sinônimo de grandes obras-primas. Com um estilo único de desenho, que traz influências dos mangás e da linguagem cinematográfica, Miller criou verdadeiras obras-primas, como Batman – O Cavaleiro das Trevas, A Queda de Murdock, Sin City e 300 de Esparta entre outros.  No entanto, nos últimos tempos, seu traço perdeu o vigor e se reduziu a uma arte grosseira que nem de longe lembra sua fase áurea. Nem por isso o autor deixa de lançar novos títulos na expectativa de criar novos clássicos.

Capa alternativa desenhada por Miller. E o motivo pelo qual a arte interna ficou com Romita Jr.

É o caso de Superman – Ano Um, que a Panini acaba de lançar no Brasil. O álbum chega sob o selo DC Black Label, voltado à publicação de minisséries originais ambientadas fora da continuidade, permitindo que os autores possam explorar sua criatividade. Em borda quadrada, capa cartonada e tamanho acima dos padrões (21,5cm X 27,5cm), a obra reconta, pela enésima vez, a origem do Homem de Aço, desde sua vinda do planeta Krypton, passando pela sua juventude em Smallville, até se tornar o herói que conhecemos.

Sim, você já viu essa cena.

Por se tratar de uma história pra lá de conhecida, o chamariz para a publicação é mesmo o nome de Frank Miller e a visão que ele daria para o personagem – lembrando que ele também é o autor de Batman – Ano Um (1987), outro de seus maiores sucessos, que redefiniu o Cavaleiro das Trevas para aquilo que ele é hoje. Com o Superman, porém, isso não vai acontecer. Longe de estar nos seus melhores dias, a releitura de Miller está longe de ser tão épica quanto à que deu ao Homem-Morcego, mas nem por isso, o álbum merece ser desprezado.

Origem diferente: Salve Martha!

Com algumas diferenças da clássica história que já conhecemos – o bebê Kal-El é encontrado apenas por Jonathan Kent, enquanto sua esposa estava em casa; na juventude, o jovem Clark se alistou na marinha, algo que nunca ocorreu na cronologia oficial – Ano Um explora o conflito pessoal do rapaz em ter poderes que não sabe de onde vieram e não poder utilizá-los publicamente, o que se torna bem grave quando um grupo de bullies toca o terror no colégio e nenhuma autoridade toma providências quanto a isso. Como você agiria sabendo que pode fazer a diferença?

Clark enfrenta um pesado fardo na visão de Miller.

A visão mais realista nos apresenta um Clark Kent bastante humano no desenvolvimento de sua consciência, com a ajuda de seus pais adotivos. Martha é apresentada como a mãe superprotetora, enquanto Jonathan é o pai descoladão, que faz piadas incentivando o filho a revidar às provocações para logo em seguida ensinar a importância da responsabilidade no uso de tais habilidades, sem que, para isso, ele necessite ser explorado pelos outros. A carga moral no equilíbrio entre as atitudes é que dão o peso do roteiro de Miller. A arte de John Romita Jr., odiada por uns e idolatrada por outros, também combina com a narrativa e não decepciona.

Momento de revelação: “Não há justiça sem verdade.”

Dividida em três capítulos, a minissérie bem poderia ser publicada numa edição única, o que valorizaria ainda mais o material e não teria um preço exorbitante – ao menos teoricamente – , uma vez que cada volume possui apenas 72 páginas. Os próximos volumes estão previsto para os meses de abril e maio, mas não deve tardar para a editora lançar um encadernado com a história completa, numa edição em capa dura. Enquanto isso não acontece, vale curtir o material isoladamente, numa apresentação simpática e uma trama que, mesmo não tendo ingredientes de clássico atemporal, apresenta uma história vibrante e com importantes conceitos morais, tão relevantes na personalidade do Homem de Aço.

Saído do Forno: Quarteto Fantástico

A Panini acaba de lançar o novo título Quarteto Fantástico, com o retorno da Família Primordial da Marvel após três anos ausente dos quadrinhos. Em 2015, a Marvel decidiu descontinuar o seu título mais antigo e tradicional – o Quarteto inaugurou a Era Marvel, em 1961 – e separou a superequipe na edição 645 da revista. Embora a diretoria da Marvel não assuma oficialmente, é óbvio que o cancelamento da revista foi para boicotar as produções cinematográficas do grupo, que estava nas mãos da Fox, principalmente após o sofrível longa Quarteto Fant4stico (veja crítica aqui). No Brasil, a última aventura do Quarteto Fantástico foi publicada na revista Universo Marvel 34 (junho 2016). 

Marvel 2 em Um: prelúdio da aguardada volta da equipe.

Os membros da equipe ainda participaram da megassaga Guerras Secretas (2015) para se separarem, com cada membro indo para um canto: Reed, Sue, os filhos Franklin e Valéria, juntamente com os integrantes da Fundação Futuro, foram explorar outros universos e dados como mortos; o Coisa se aliou aos Guardiões da Galáxia, enquanto que o Tocha Humana passou um tempo com os Inumanos e chegou a ser membro dos Vingadores. A volta do Quarteto teve um prelúdio na minissérie Marvel 2 em Um – Coisa e Tocha Humana, onde os dois membros remanescentes do Quarteto iniciaram sua busca pelo Casal Fantástico.

Um abraço coletivo para matar a saudade.

Em Etern4mente, o roteirista Dan Slott revela o paradeiro de Reed e Sue, mostra o pedido de casamento do Coisa à sua namorada cega, Alícia Masters, cria uma nova e invencível ameaça cósmica para o Quarteto e, o mais fantástico – com o perdão do trocadilho – usa seu conhecimento em cronologia para reunir os membros do Quarteto – todos os 21 (sem contar os integrantes da Fundação Futuro, que é outra equipe)! Com o humor e a leveza característica dos personagens, o novo título mostra que o Quarteto Fantástico continua sendo fundamental e insubstituível no Universo Marvel.

Lamentadora é a nova ameaça cósmica do Quarteto

A edição brasileira traz a galeria de capas variantes dos quatro (será de propósito?) primeiros números. O casamento do Coisa, publicado na edição 5 americana, vai ficar para o próximo encadernado. Espera-se também que haja uma conclusão plausível para a equipe Fantastix, que foi meio que “jogada” na mitologia, resgatada lááááááá de uma equipe xumbrega da Iniciativa Vingadores publicada em 2007, sem que fosse explicado como resolveram criar um novo grupo de heróis. Tomara que, a exemplo do que aconteceu com o Homem-Aranha, Dan Slott não estrague a mitologia do Quarteto Fantástico, inserindo vários retcons para tirar novos personagens da cartola. Enquanto isso não acontece, podemos curtir a volta mais do que bem-vinda da amada família em seu novo título.

Casamento, após 58 anos de namoro, só no volume 2…