Dica Literária: Monstros Entre Nós

Em sua segunda antologia como organizador, Davi Paiva reúne 14 contos que descrevem a relação entre humanos e criaturas fantásticas. Com 100 páginas, o livro Monstros entre Nós – Contos sobre a Relação entre Humanoides e Monstros foi lançado pela Editora Darda no início deste ano e apresenta desde demônios ameaçadores, passando por alienígenas, criaturas lendárias e algumas até bem conhecidas.

Segunda antologia organizada por Davi Paiva

O próprio conto de Paiva, “A Busca”, leva o leitor de volta ao Reino de Raysh, citado na obra Cavaleiro Negro (leia nossa crítica aqui), muito embora o conto seja independente e não exija a leitura da obra anterior. Outros contos trazem os monstros para paisagens mais familiares, como a Avenida Tiradentes (“Perseguição”, de JP Tarcio Jr. ) e o bairro da Vila Guilherme (“O Carrasco das Bestas Elementais”, de Lucas Palhão), ambas em São Paulo.

Tenha muito medo! Não, espera…

Nem todos os monstros são vilões. Alguns são bem amigáveis, a despeito de suas aparências bestiais. É o caso de “Melhor Amigo”, de Wagner Weite Thomé ou “Herzog, o meio-orc, contra Zagull, de mil olhos”, de Rodrigo F. L. Gomes, que trazem monstros amigáveis ou nada ameaçadores. No mesmo raciocínio, o autor J. B. Alves destaca, em “O pior dos demônios”, que o verdadeiro monstro pode ter uma aparência mais familiar.

Mitologia e cotidiano se misturam em 14 contos fantásticos

A maioria dos autores também fez parte da antologia Poderes (leia nossa crítica aqui), a primeira obra organizada por Paiva. Com textos ágeis e envolventes, os textos fazem uso do realismo fantástico para destacar dois lados de uma mesma moeda: o heroísmo e a capacidade de superação do ser humano, além de sua tendência em temer aquilo que não entende. O título do livro deixa bem claro que os monstros estão entre nós desde os tempos mais remotos. Cabe ao leitor identificá-los.  Monstros entre Nós pode ser encontrado no site da Editora Darda.

Crítica: Guerra Geek – Episódio 1 – A Ameaça das Vizinhas

Há pouco mais de uma década, ser rotulado como nerd era algo pejorativo e discriminatório, motivo de muita humilhação e exclusão social – ao menos, na maioria dos casos. Porém, Hollywood descobriu esse filão e com a avalanche de filmes no cinema e séries de TV, o termo acabou se popularizando de tal forma que a situação se inverteu: hoje, o excluído é quem não é nerd, pois fica totalmente por fora do assunto nas rodas de conversas no bar da esquina.

Nerdice tripla

Essa moda chegou também ao teatro: a peça Guerra Geek – Episódio 1: A Ameaça das Vizinhas estreou neste final de semana no Teatro UMC (Av. Imperatriz Leopoldina, 550 – Vila Leopoldina – SP) e trata o universo da cultura pop de forma simples e divertida, com um elenco enxuto e sem a necessidade de grandes recursos cenográficos. Apenas um sofá, uma mesa e uma estante, para retratar o apartamento de três jovens nerds – Bruce (Matt Torres), Jhonny (Giacomo Biaggio) e Kiko (Dvd Castillo), que vivem uma vida regada a quadrinhos e videogame.

Cenário enxuto com recursos audiovisuais que lembram um balão de HQ.

A situação se complica com a chegada de Ana (Leticia Scopetta) e Linda (Giovana Previero), duas novas vizinhas que se mudam para o apartamento da frente e, apesar dos alertas de Bruce, que vê nas moças uma ameaça à vida pacata e quase celibatária que levavam, acabam causando uma revolução na vida do trio, que passa a disputar a atenção e o interesse das garotas – e são três para dois, o que vai causar uma guerra de interesses. Além do cenário único, o espetáculo conta com o auxílio de um telão que imita um balão de histórias em quadrinhos, onde são mostrados audiovisuais que ilustram o pensamento ou a fala dos personagens.

Texto bebe na fonte da série The Big Bang Theory

O texto, abertamente influenciado pela série de TV The Big Bang Theory, não se poupa de zombar de vários estereótipos: além do nerd (antissocial, sem sorte com mulheres, fã de super-heróis), há também o gordinho, a loira burra, o gay não assumido, mas totalmente afeminado… um clima descontraído que exagera propositalmente nas características, mas sem a intenção de ofender nenhuma “tribo” – mesmo assim, certamente será um prato cheio para a galera do politicamente correto ter assunto por um mês nas redes sociais.

O pomo da discórdia

Quem gosta de ir ao teatro com a intenção de descobrir o sentido da vida, certamente vai se decepcionar com a Guerra Geek, que não tem o objetivo de revelar os segredos do universo. Porém, se você quer apenas uma diversão descompromissada e aprender a rir de si mesmo e das situações do cotidiano, a peça cumpre bem o papel. O próprio elenco parece se divertir enquanto atua e passa essa sensação à plateia. Apesar do detalhe no título do espetáculo, os atores informam que o Episódio 2 não está confirmado e vai depender da aceitação do público. Mas, considerando o interesse das pessoas na temática geek/nerd, podemos aguardar para breve o ataque dos clones de Bruce, Jhonny e Kiko. Ou, quem sabe, de Ana e Linda.

Guerra Geek – Episódio 1: A Ameaça das Vizinhas está em cartaz nas sextas-feiras de junho (16, 23 e 30) às 21h e nos domingos de julho (02, 09, 16, 23 e 30) às 19h. Em agosto, única apresentação, no dia 6, às 19h. Os ingressos custam R$ 25 (meia entrada) e R$ 50 (inteira). O Teatro UMC fica na Av. Imperatriz Leopoldina, 550 – Vila Leopoldina – SP – a 550 m da estação Imperatriz Leopoldina (Linha 8) da CPTM.

Saído do Forno: Planeta DeAgostini lança Arquivos Marvel

blog-abrePrepare o bolso e separe um espaço na sua estante, prezado fã de quadrinhos. A Planeta DeAgostini traz ao Brasil uma nova coleção chamada Arquivos Marvel, cujos primeiros exemplares já estão à venda nos tradicionais “mercados-teste”. A coleção segue o mesmo esquema das que se encontram atualmente em bancas: são volumes quinzenais, capa dura, lombada com desenho que se forma conforme os fascículos vão se alinhando. Uma diferença é que, segundo a imagem que abre este post e acompanhando o desenho da lombada, serão 75 fascículos – e não 60, como as atuais.

Coleção da Planeta DeAgostini traz informações detalhadas dos heróis Marvel.

Coleção da Planeta DeAgostini traz informações detalhadas dos heróis Marvel.

Cada edição trará informações de determinado super-herói, contando detalhes de sua origem, primeira aparição, personagens coadjuvantes, maiores inimigos, apetrechos utilizados, mapas de localidades relacionadas ao herói, infográficos e muito mais. os fascículos são separados por logotipos, que identificam a categoria ao qual o herói pertence. São sete: Homem-Aranha, Vingadores, Quarteto Fantástico, X-Men, Paladinos Marvel, Universo Cósmico e Editora Marvel.

Tamanho maior, em comparação com a coleção da Salvat.

Tamanho maior, em comparação com a coleção da Salvat.

A obra tem um tamanho maior do que o normal nas atuais publicações do gênero (22,5 cm X 29 cm) e é ricamente ilustrado em 80 páginas (incluindo a capa). Um detalhe importante é que todas as informações descritas no texto, possuem uma referência na última página, mostrando em qual edição o fato aconteceu e em que revista foi publicada no Brasil, servindo como uma obra de referência para pesquisas.

Marvel Fact Files - coleção britânica vinha com miniatura.

Marvel Fact Files – coleção britânica vinha com miniatura.

Outro fato que vale destacar é que o material é tradução da coleção britânica Marvel Fact Files (veja detalhes aqui), mas a versão brasileira é bem mais organizada. Lá fora, os fascículos traziam uma miniatura dos personagens, algo que não haverá na versão nacional, mas em compensação, cada edição tinha apenas 28 páginas sendo que elas eram divididas pelos sete temas no mesmo número. Ou seja: todo fascículo trazia informações de todas as categorias, fazendo com que os dados ficassem dispersos e desorganizados.

Informações detalhadas sobre personagens e tudo relacionado a eles.

Informações detalhadas sobre personagens e tudo relacionado a eles.

A coleção brasileira coloca ordem na bagunça e, cada volume traz um mesmo personagem e tudo que diz respeito a ele. O primeiro fascículo é do Homem-Aranha e custa R$ 9,99. O volume 2 trará os Vingadores ao preço de R$ 19,99. O terceiro número provavelmente será focado no Homem de Ferro e terá o preço de R$ 34,99. É uma coleção diferente por ser uma obra informativa para consulta e não de histórias em quadrinhos. Ideal para quem que conhecer bastidores de criação e ter descobrir nerdices sobre como funciona o lançador de teias do Homem-Aranha ou o ver como é o Edifício Baxter, lar do Quarteto Fantástico, por dentro.

Informações separadas por categorias de heróis, identificados pelos logotipos.

Informações separadas por categorias de heróis, identificados pelos logotipos.

Ser fã de quadrinhos de super-herói nunca foi tão bom como  atualmente, com lançamentos para todos os gostos e em todas as áreas. Pena que, com tantas coleções sendo lançadas simultaneamente, fica um rombo no orçamento e impede que se colecione todas elas, principalmente considerando o preço elevado de cada uma. Não é fácil ser nerd… A seguir, a provável ordem de publicação dos primeiros fascículos (esta ordem e os títulos podem sofrer alterações pela editora):

1- Homem-Aranha – Vol. 1
2 – Vingadores – Vol. 1
3 – Homem de Ferro – Vol. 1
4 – Thor – Vol. 1
5 – Capitão América – Vol. 1
6 – Guardiões da Galáxia – Vol. 1
7 – Hulk – Vol. 1
8 – Wolverine – Vol. 1
9 – Demolidor – Vol. 1
10 – Vingadores – Vol. 2
11 – Quarteto Fantástico – Vol. 1
12 – X-Men – Vol. 1
13 – Homem-Aranha – Vol. 2
14 – Doutor Estranho – Vol. 1

Ei, roubaram a sessão "guarda-roupa" do nosso blox!

Ei, roubaram a sessão “guarda-roupa” do nosso blox!

15 – Paladinos Marvel – Vol. 1
16 – Demolidor – Vol. 2
17 – Dimensão Cósmica – Vol. 1
18 – X-Men Originais – Vol. 1
19 – Vingadores – Vol. 3
20 – Quarteto Fantástico – Vol. 2
21 – Vingadores – Vol. 4
22 – Homem-Aranha – Vol. 3
23 – X-Men – Vol. 2
24 – Quarteto Fantástico – Vol. 3
25 – Universo Marvel – Vol. 2
26 – Vingadores – Vol. 5
27 – Demolidor – Vol. 3
28 – Quarteto Fantástico – Vol. 4
29 – Homem-Aranha – Vol. 4

Vilões também são destaque na coleção

Vilões também são destaque na coleção

30 – X-Men – Vol. 3
31 – Thor – Vol. 2
32 – Paladinos Marvel – Vol. 2
33 – S.H.I.E.L.D. – Vol. 1
34 – Homem-Aranha – Vol. 5
35 – Quarteto Fantástico – Vol. 5
36 – X-Men – Vol. 4
37 – Dimensão Cósmica – Vol. 2
38 – X-Men Originais – Vol. 2
39 – Vingadores – Vol. 6
40 – Quarteto Fantástico – Vol. 6
41 – X-Men – Vol. 5
42 – Realidades Alternativas Marvel – Vol. 1
43 – Criadores da Marvel – Vol 1
44 – Quadrinhos Clássicos – Vol. 1

Infográfico traz a ordem cronológica dos fatos.

Infográfico traz a ordem cronológica dos fatos.

(A partir daqui, os títulos se repetem na mesma sequência, o que pode significar que a imagem é apenas ilustrativa e não representa a real sequência dos livros). Ainda não há previsão de quando a coleção será lançada oficialmente.

Eaglemoss passa na frente e lança primeiro. Com miniaturas!

Eaglemoss passa na frente e lança primeiro. Com miniaturas!

Atualização 6/12/2016: Durante a Comic Con XP, a Eaglemoss lançou oficialmente a coleção, incluindo as miniaturas, que medem cerca de 15 cm cada (uma proporção maior que a primeira coleção lançada, cuja medida era de cerca de 8 cm). O primeiro volume é do Thor e o segundo é o Capitão América. Cada revista traz 20 páginas de informações sobre o personagem. Com isso, o destino da coleção da Planeta DeAgostini é um mistério e provavelmente nem vai chegar a ser lançada nacionalmente, uma vez que os fascículos lançados encontravam-se na situação de teste.

Bienal da Recessão

blog bienalTerminou ontem a 24ª. edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, um dos eventos literários mais importantes do País, que aconteceu desde 26 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Para quem não sabe, a Bienal é um evento que começou em 1951, com a primeira “feira popular do livro” realizada na Praça da República, no centro de São Paulo. Dez anos depois, o MASP (Museu de Arte de São Paulo), foi palco para a primeira Bienal Internacional do Livro e das Artes Gráficas, realizada pela CBL – Câmara Brasileira do Livro.

Anhembi é o palco da Bienal do Livro

Anhembi é o palco da Bienal do Livro

Este foi o embrião para a realização, em 1970 da, agora oficialmente, 1ª. Bienal Internacional do Livro. De lá para cá, a cada dois anos, o evento se tornou tradicional e, embora tenha trocado de lugar (era realizado no pavilhão da Bienal no Ibirapuera, passou para o Expo Center Norte em 1996, seguiu para o Centro de Exposição Imigrantes em 2002 e chegou ao Anhembi em 2006), sempre manteve o brilhantismo e a popularidade de um evento cultural para as massas.

Livrarias com preços bem atrativos... vazias.

Livrarias com preços bem atrativos… vazias.

Este ano, no entanto, a crise que abate o País e as mudanças no mercado editorial se fizeram sentir também na Bienal do Livro. Basta uma primeira olhada no pavilhão para sentir que algo estava errado. Com corredores maiores e mais largos, era visível que os stands das grandes editoras diminuíram. Aliás, os maiores stands eram de livrarias, com ofertas que iam de R$ 5 a R$ 30. Havia stands em que qualquer obra podia ser comprada por 10 reais, o que permitia encontrar bons (e caros) livros por esse preço, proporcionando uma boa economia.

"Autores" do You Tube tiveram destaque na Bienal de 2016

“Autores” do You Tube tiveram destaque na Bienal de 2016

As grandes editoras, porém, embora tivessem descontos bem atrativos, mantiveram preços mais altos (acima de R$ 20) para seus lançamentos, que foram bem discretos, com destaque para a geração de  youtubers em obras de interesse para os jovens que os seguem nas redes sociais, mas com pouco a dizer ao restante do público. Isso sem contar a forma “descolada” de escrever, com termos como “vida loka” e afins, que só servem para desaprender a grafia correta das palavras.

Mauricio de Sousa e a Turma da Mônica são presença certa em todas as edições.

Mauricio de Sousa e a Turma da Mônica são presença certa em todas as edições.

Ok, cada um com seu público alvo, mas o tempo dirá se esses “autores” ainda chegarão a causar o mesmo frisson que Mauricio de Sousa e Ziraldo provocam até hoje, em todas as idades. Aliás, a Bienal, que sempre é palco de grandes celebridades e nomes consagrados da literatura nacional e até internacional, nem isso teve nesta edição, com poucos autores de renome presentes no evento.

Corredores mais espaçosos... e vazios.

Corredores mais espaçosos… e vazios.

O preço dos ingressos subiu de R$ 14 para R$ 20, um aumento de 43% em relação a 2014. Por conta disso, o público também diminuiu – bastante. A expectativa de 700 mil visitantes ficou aquém do esperado e o evento registrou “apenas” 684 mil pessoas, segundo dados da CBL. Este número vem caindo desde 2012, quando o público registrado foi de 750 mil pessoas, contra 720 mil de 2014. Este número reflete as mudanças no comportamento dos consumidores que, embora estejam consumindo mais livros, segundo pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), o preço dos mesmos caiu em torno de 36% nos últimos dez anos.

Publico está lendo mais, mas pagando menos.

Publico está lendo mais, mas pagando menos.

Os dados foram divulgados pela revista Isto É e mostram um panorama da crise econômica que vem se instalando no País nos últimos anos. Soma-se a isso o fato da Internet facilitar as compras, fazendo com que as pessoas não precisem mais sair de casa para adquirirem seus livros preferidos (e, muitas vezes, com ofertas que as lojas físicas não oferecem) e temos um cenário para o recesso na Bienal deste ano.

Mercado editorial reaquecido é expectativa para 2018 (Foto: CBL)

Mercado editorial reaquecido é expectativa para 2018 (Foto: CBL)

A expectativa é que, na próxima edição da Bienal do Livro, que vai acontecer em 2018, esses fatores se alterem e o mercado reaqueça. Por enquanto, a experiência deste ano, que trazia como tema  a experiência da História em todos os sentidos, o único sentido que restou foi o paladar, com um gosto amargo de uma feira tão tradicional ser retraída por um Brasil em crise.

Dica Literária: Poderes

blog abreOrganizada pelo escritor Davi Paiva, o livro Poderes: Contos Sobre Pessoas Com Dons Extraordinários é uma coletânea lançada pela Darda Editora que reúne 24 histórias sobre pessoas dotadas de algum poder que a diferencia das outras pessoas. Trata-se da primeira antologia de contos organizada por Paiva, que já participou de várias obras de diversas editoras como contista e agora ganha, ele próprio, o “poder” de editar um livro.

Davi Paiva, organizador da antologia Poderes, exibe suas obras já publicadas (Foto: Arquivo Pessoal)

Davi Paiva, organizador da antologia Poderes, exibe suas obras já publicadas (Foto: Arquivo Pessoal)

As histórias navegam entre o extraordinário (pessoas com poder de voar ou viajar entre dimensões), mitologia (lobisomens e deuses nórdicos), passando pelo corriqueiro, como dons de cura e de persuasão. Entre os autores, de diversas localidades do Brasil, há contistas experientes, com publicações em outras obras, como também há estreantes. Nenhum deles faz feio: as histórias, em média com cinco páginas cada uma, são bem agradáveis, de leitura rápida e que exploram as várias facetas humanas, mostrando como cada um utiliza seus dons, nem todos de forma ética ou benevolente.

A temática de poderes incomuns vem num momento privilegiado, onde as produções cinematográficas de super-heróis estão em alta, o que torna o livro bem mais atraente, permitindo ampliar a discussão sobre preconceito e a própria visão de mundo dos leitores, pois os contos também exploram a reação dos personagens diante das pessoas dotadas de dons extraordinários. Ao final de cada conto, um minicurrículo de seu autor com email de contato aproxima o leitor de seu contista preferido, pois permite um contato para manifestar a opinião ou até mesmo adquirir outras obras do mesmo.

Os livros têm o maior poder de todos: o de levar os leitores a ser quem eles quiserem. Até mesmo um super-herói.

Os livros têm o maior poder de todos: o de levar os leitores a ser quem eles quiserem. Até mesmo um super-herói.

Poderes: Contos Sobre Pessoas com Dons Extraordinários possui 152 páginas e pode ser adquirido no site da Darda Editora. O livro pode apresentar pessoas com superpoderes, mas após sua leitura, a certeza que fica é que o maior poder é a criatividade, que permite ao autor envolver seus leitores e levá-los a universos fantásticos onde tudo é possível.

Dica Literária: Era uma vez: Urgente!

blog abreRecontar contos de fada já não é mais novidade. Cinema, TV e, principalmente, literatura, que é sua fonte primária, estão cheios de exemplos de versões e “re-versões” das histórias que encantam crianças e adultos há vários séculos. Difícil fazer uma nova versão que seja, de fato, interessante. Mas os autores Anvimar Gasparello, Deyse Campos, Isabel Lombardi e Marcos Meier conseguiram criar uma obra divertida e extremamente criativa em Era uma vez: Urgente!, lançado pelo sele Minisaberes da editora Ibpex.

Os autores, da esquerda para a direita: Anvimar, Deyse, Marcos e Isabel   no lançamento do livro.

Os autores, da esquerda para a direita: Anvimar, Deyse, Marcos e Isabel no lançamento do livro.

O livro imita o estilo dos grandes jornais e transforma os contos de fada em notícias, devidamente separadas em cadernos (Policial, Comportamento, Atualidades, Saúde, Social, Ciências e Tecnologia, Economia, Cultura e Esportes). Assim, os autores mesclam os contos numa notícia (às vezes, entram também canções folclóricas), destacando suas principais características e frases marcantes para criar uma estrutura que ensina ao leitor os diversos estilos narrativos presentes nos jornais – notícia, reportagem, manchete, entrevista e crônica).

Em estilo de texto jornalístico, contos de fada e canções folclóricas criam um novo jeito de contar histórias.

Em estilo de texto jornalístico, contos de fada e canções folclóricas criam um novo jeito de contar histórias.

O caderno de Saúde, por exemplo, traz uma “reportagem” sobre os perigos de contaminação em moças solteiras que beijam sapos. Com bom humor, o texto brinca com a história O Príncipe Sapo e a canção O Sapo Não Lava o Pé, dizendo que os sapos beijados podem transmitir doenças por causa dos pés sujos. A coluna Social traz a notícia de um “Baile Beneficente” para arrecadar fundos para a ONG Encontre um Marido com Apenas uma Valsa, referência à clássica história da Cinderela, enquanto que o caderno de Esportes relata a vitória de Dona Tartaruga na corrida contra a Lebre.

Este "jornal" também tem espaço para os anunciantes - saídos do faz-de-conta, claro!

Este “jornal” também tem espaço para os anunciantes – saídos do faz-de-conta, claro!

O “livro-jornal” também tem espaço para anúncios, que seguem o mesmo esquema bem humorado e apresentam produtos e empresas fictícias, inspirados nas histórias. Encerra o livro uma coluna de “Classificados” divertidos e o caderno Diversão, com passatempos – já respondidos – e até um horóscopo. O livro tem 72 páginas, formato magazine (25cm X 17cm) e conta com ilustrações de André Figueiredo Müller.

"É verdade que a senhora anda comendo vovós pela floresta? Senhora? Senhora!

“É verdade que a senhora anda comendo vovós pela floresta? Senhora? Senhora!!”

A obra foi lançada em 2013, mas só agora tivemos a oportunidade de lê-la. Não importa: assim como os contos de fada nunca envelhecem, Era Uma Vez: Urgente! também é atemporal e, como os noticiários, traz o sabor de novidade. Não existe “notícia velha” quando uma boa ideia inventa uma nova maneira de contar histórias. Adquira o livro diretamente pelo site da editora.

Playarte promove Festival Tokusatsu

blog abreSe você é fã de seriados japoneses (os chamados tokusatsus) não pode perder este festival organizado pela produtora PlayArte, em parceria com a Focus Filmes. De 12 de setembro a 8 de novembro (isso mesmo, serão dois meses!) a produtora realizará o Festival Tokusatsu, que consiste na exibição de séries clássicas e longas-metragens mais recentes em sete cinemas da rede PlayArte (São Paulo, Grande São Paulo e Manaus). É a primeira vez que esse tipo de filme será exibido nos cinemas no Brasil.

Partiu Festival Tokusatsu da PlayArte

Partiu Festival Tokusatsu da PlayArte

Para quem não sabe, tokusatsu é um termo japonês, abreviação de Tokushu Kouka Satsuei, cujo significado é “efeitos especiais” e, com o tempo e a quantidade de produções do gênero, também passou a ser sinônimo de séries de super-heróis japoneses. Os ingressos para o festival também terão preços diferenciados, com inteira a R$ 15 e meia a R$ 7,50. Serão sete fases, cujas cinco primeiras consistem em episódios de séries de TV e as duas últimas de filmes em longa-metragem. Veja abaixo a lista de personagens e as respectivas datas:

Jaspion abre o festival

Jaspion abre o festival

Fase 1 – O Fantástico Jaspion: 12, 13, 19 e 20 de setembro

Fase 2 – Esquadrão Relâmpago Changeman: 26 e 27 de setembro e 3 e 4 de outubro)

Fase 3 – o Incrível Ninja Jiraya: 10 e 11 de outubro

Esse raio gourmetizador vai fazer as séries muito mais legais em tela grande.

Esse raio gourmetizador vai fazer as séries muito mais legais em tela grande.

Fase 4 – Comando Estelar Flashman: 17 e 18  de outubro

Fase 5 – Policial de Aço Jiban: 24 e 25 de outubro

Fase 6 – Ultraman (longa-metragens): 30 e 31 de outubro e 1 de novembro

Fase 7 – Samurai X (longa-metragens legendados): 6, 7 e 8 de novembro

Trilogia Samurai X encerra o festival. Só pelo título, já dá pra ver que é bacana!

Trilogia Samurai X encerra o festival. Só pelo título, já dá pra ver que é bacana!

Os filmes serão exibidos sempre às 17h, exceto a série Samurai X, que terá dois horários: 13h (dublado) e 17h (legendado). A programação completa pode ser vista no site do Festival Tokusatsu e os convites estarão em pré-venda a partir de 1/9. Nunca é demais lembrar que a venda de ingressos estará sujeita à lotação da sala. Se marcar bobeira, sayonara.