Em Primeira Mão: Batwoman

Estreou domingo, dia 6, o episódio piloto da nova série Batwoman, exibida pelo canal CW. A personagem apareceu pela primeira vez no ano passado, no crossover Elseworlds e agradou tanto que os produtores logo viram o potencial da personagem em uma série própria que explora o universo do Homem-Morcego (já que os direitos do Batman são para uso exclusivo no cinema). A heroína é interpretada pela atriz Ruby Rose, uma fã assumida de histórias em quadrinhos, em seu primeiro papel neste gênero. Exibida na sequência da já consagrada série da Supergirl (que estreou a quinta temporada no mesmo dia), a CW consagra o horário nobre do domingo para o universo feminino da DC Comics.

Ruby Rose é o novo nome incluído nos anais do heroísmo.

A trama se passa no chamado Arrowverso (universo das séries Arrow, The Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow), mas numa linha do tempo alternativa, em que o Batman desaparece sob circunstâncias misteriosas e deixa Gotham City à mercê do crime. Após três anos de espera pelo retorno de seu defensor, os oficiais de polícia de Gotham decidem apagar o Batsinal e anunciar a chegada dos Corvos, uma força de elite policial especialmente treinada para lidar com os insanos criminosos da cidade – ao menos, é o que eles acham.

Alice vai competir com o Coringa no quesito insanidade.

Obviamente, surge uma nova vilã chamada Alice (Rachel Skarsten), com seus capangas usando máscaras inspiradas nos personagens da obra de Lewis CarrollAlice no País das Maravilhas. Ao saber do sequestro de seu antigo amor, a oficial Sophie (Meagan Tandy), a jovem Kate Kane retorna a Gotham após anos isolada, treinando corpo e mente para ser uma oficial na tropa dos Corvos. Porém, o Coronel Jacob Kane (Dougray Scott) não confia na filha recém-chegada, obrigando-a a adotar a identidade secreta da Batwoman para realizar o resgate e devolver a Gotham a esperança perdida.

O romance está no ar.

O programa tem o clima de qualquer série policial, mas com a dinâmica dos quadrinhos de super-heróis, com a diferença que é protagonizado por uma heroína assumidamente lésbica. Obviamente, no piloto, esse conflito entre a sexualidade da personagem e as exigências da vida militar já são colocadas em choque, mas sem o clima forçado das atuais publicações, que querem empurrar ideologias goela abaixo dos leitores. Ao menos na estreia, os produtores pegaram leve e tudo flui naturalmente.

Série Birds of Prey é referência (a parte boa, claro!).

Há uma pequena participação do Batman, em flashback e visto apenas de costas, mas o suficiente para levar ao delírio qualquer fã do personagem. A estratégia é semelhante à usada na antiga série Birds of Prey (2002-2003), que também tinha o Batman, o Coringa e a Batgirl vistos em cenas desfocadas na abertura da série. Aliás, falando na série, os produtores acertaram ao escalar a atriz Rachel Skarsten para viver a vilã Alice, numa homenagem a seu trabalho anterior como Dinah Lance, a filha da Canário Negro, em Birds of Prey. Ela tem tudo para se tornar uma revelação.

Edição de estreia de Alice. Esse arco foi republicado recentemente em capa dura pela Panini.

Para quem acompanhou os quadrinhos da Batwoman na fase pré-Novos 52, onde Alice fez sua estreia, sua relação com a heroína fica clara imediatamente, mas os que estão imergindo agora no novo universo da série, o final do episódio traz uma surpreendente revelação e um gancho do porquê Alice será uma grande dor de cabeça para Kane. Outro personagem bacana é Luke Fox (Camrus Johnson), o filho de Lucius Fox, engenheiro que administra as Indústrias Wayne e é responsável pelos apetrechos usados pelo Batman.

“Moça, não mexa aí!”

Com um toque de humor, Luke cuida da abandonada Mansão Wayne e terá o mesmo papel que seu pai na construção da versão feminina do herói de Gotham. Nos quadrinhos, Luke se torna o herói Batwing, mas ainda é cedo para dizer se ele vai adotar alguma identidade heroica na série. Em resumo, Batwoman começou muito bem, com uma trama muito bem construída, que amarra todos os personagens numa relação que deve ser bem explorada nos próximos episódios. Isso é muito importante para uma série de TV em início de trajetória, a fim de prender a atenção do público para os capítulos seguintes.

A Amazona das Trevas

Respeitando a mitologia da personagem e trazendo várias referências às HQs, o piloto agrada os fãs antigos e introduz os não familiarizados com os quadrinhos num universo totalmente novo, com o apelo das histórias do Batman, mas protagonizado por uma personagem que se construiu sozinha, calcada no seu próprio carisma. Tem tudo para dar certo!

Batwoman em sua versão clássica e renovada para os novos tempos.

Um pouco de história: Batwoman apareceu pela primeira vez na revista Detective Comics 233 (1956), criada para ser um interesse romântico para o Batman, a fim de amenizar as críticas sobre a homossexualidade do Homem-Morcego, lançadas pelo psicólogo Fredric Wertham no livro Sedução do Inocente. Ela era a socialite Kathy Kane, que combatia o crime com a ajuda dos apetrechos de sua bolsa de utilidades: batons, presilhas de cabelo, pó compacto e outros produtos tipicamente femininos.  A personagem foi esquecida durante muito tempo e retornou somente em 2006, na minissérie 52, que mostrava o ano em que os principais heróis da DC – Superman, Batman e Mulher-Maravilha – se afastaram de suas atividades. Ironicamente, em sua reestreia, ela é que voltou como homossexual e o nome um pouco diferente: Kate Kane.

Produtoras, precisamos ver isso em DVD!!

No cinema, já foram feitas duas produções não oficiais da personagem: Em 1968, o mexicano La Mujer Murcielago, com a atriz Maura Monti no papel principal, trazia a heroína em trajes sumários e reveladores investigando um cientista que está capturando campeões de luta livre para extrair deles o líquido espinhal e criar uma raça de homens-anfíbios (não perguntem o que tem uma coisa a ver com a outra). O filme se caracteriza pela vexatória cena em que a heroína pula nos braços dos vilões com medo de um rato. Alguma produtora PRECISA trazer essa pérola para o mercado de DVD!

Em Primeira Mão: O Culto de Chucky

Com lançamento marcado para 3 de outubro nos Estados Unidos e 25 de Outubro no Brasil, o filme O Culto de Chucky (Cult of Chucky, 2017) teve cópias vazadas na Internet, deixando o diretor Don Mancini bem irritado, a ponto dele se manifestar em sua conta no Twitter dizendo que sabe quem vazou e vai tomar as medidas cabíveis. Bom para os fãs, que puderam conferir antes o sétimo filme da franquia Brinquedo Assassino, que traz o boneco Chucky (Brad Dourif) em mais uma história cheia de tensão, violência explícita e muito, muito sangue.

Do You Wanna Play? Andy retorna à franquia e não está nem um pouco feliz.

O novo longa-metragem é uma volta às origens e traz de volta o ator Alex Vincent no papel de Andy Barclay, o primeiro a ter contato com Chucky, no filme de 1988. Barclay, por sinal, já tinha aparecido na cena pós-crédito de A Maldição de Chucky (2013) e é exatamente nesse ponto que a história retoma. Após os eventos do filme anterior, a jovem paraplégica Nica (Fiona Dourif, filha de Brad) é considerada louca e internada num hospício de segurança máxima. Após alguns meses de tratamento, nos quais seu médico, Dr. Foley (Michael Terriault) a convence que ela é que assassinou os membros de sua família e transferiu a culpa para o boneco, ele considera que Nica já pode ser transferida para uma clínica com mais liberdade.

Trazer o boneco para a terapia de grupo pode não ser uma boa ideia.

Durante a terapia de grupo, a jovem conhece outros internos: Michael (Adam Hurtig), com crise de identidade; Claire (Grace Lynn Kung), com problemas de temperamento; Angela (Marina Stephenson Kerr), que acredita já estar morta e Madeline (Elisabeth Rosen), depressiva após a morte de seu filho. O médico decide usar um boneco Bonzinho para ajudar no tratamento de Nica e desperta o instinto materno de Madeline, que associa o brinquedo a seu filho. Ao mesmo tempo, Tiffany (Jennifer Tilly) leva outro boneco para Nica, como “presente” de sua sobrinha Alice.

Tiffany também está de volta.

Não demora e os pacientes começam a morrer assassinados e Nica é a principal suspeita, mesmo ela jurando que os crimes são causados pelo boneco Chucky. Como há dois bonecos na clínica, fica a dúvida qual é o assassino e qual é, de fato, um brinquedo. Porém, é revelado que o verdadeiro Chucky, com sua cabeça destruída pelo tiro de Andy, encontra-se trancado num cofre, na casa do próprio rapaz, que a usa para descarregar sua frustração acumulada de anos contra Chucky.

Que Chucky fez isso a gente sabe. O que não dá pra saber é como o sangue não preenche os espaços das letras.

O filme trabalha o clima de paranoia existente numa clínica de doentes mentais e faz o público entrar na mesma neurose. Afinal, é o brinquedo que está matando ou tudo não passa de um delírio de Nica e ela é a verdadeira assassina? Existe mais de um Chucky? Há outro maníaco se fazendo passar pelo boneco? O filme responde essas perguntas no desenrolar da história, mas não tem uma narrativa clara e muita gente pode ficar confusa com o “culto” de Chuckys que se forma na hora e meia de projeção. A situação piora ainda mais, visto que o filme não tem um final, mas deixa um gancho para uma próxima história e muitas perguntas no ar.

Esse filme é pequeno demais para nós dois!

Felizmente, o diretor Don Mancini (que também é o criador de Chucky) percebeu que o caminho da comédia adotado nos longas A Noiva de Chucky (1998) e O Filho de Chucky (2004) estava ridicularizando o personagem e praticamente enterrando a franquia. Ao retomar o clima de suspense que originou o personagem, Mancini trouxe um ar de renovação que revitalizou a franquia. Até mesmo o rosto costurado do boneco foi restaurado – e a solução para isso foi simples e muito bem aceitável.

Hihihihihihihihi… (Ô risadinha maquiavélica!)

Embora seja inferior ao longa que o antecedeu, O Culto de Chucky é um bom filme de suspense que vai agradar aos fãs e devolve o personagem ao seu lugar como um dos principais assassinos do cinema de terror. Apenas fica o alerta para quem tem estômago fraco que o filme tem cenas bem fortes e sanguinolentas. O velho Chucky está de volta, definitivamente.

Cotação:

 

Em primeira mão: Inumanos

Numa parceria entre a Marvel Studios e os cinemas com tecnologia IMAX, foram exibidos ontem no Brasil (e hoje nos Estados Unidos) os dois primeiros episódios da série de TV Inumanos (Inhumans, 2017), que estreia no final deste mês pelo canal ABC (exibido pela Sony no Brasil). Editados em formato de longa-metragem, o filme tem 78 minutos e, ao contrário do esperado, não se tratou de uma exibição única, mas ainda pode ser visto nos próximos dias em cinemas equipados com a tecnologia IMAX (tela gigante e sistema de som stereo com 7 canais e projetor de alta definição).

Figurino do elenco foi motivo de piada nas redes sociais.

As primeiras exibições para a imprensa americana não foram muito favoráveis, resultando numa enxurrada de críticas que minaram o interesse do público pelo seriado dos desconhecidos heróis. Para piorar, o preço elevado da sessão em IMAX (R$ 53 reais) também não ajuda a atrair o espectador para estas sessões especiais. Somado ao fato de que a página da IMAX no Facebook e os próprios cinemas não tinham informações detalhadas sobre locais e horários de exibição, a estratégia da Marvel para impulsionar o seriado não foi lá muito acertada.

Adivinhe por que os Inumanos não usam chinelos…

Independentemente disto, a série é interessante e representa com fidelidade os personagens na tela. Escondidos da perseguição dos humanos na Lua, os Inumanos são uma raça de seres evoluídos onde cada membro tem um poder diferenciado, que ele recebe após se submeter a um processo chamado Terrigênese, no qual cristais especiais formam um gás que, absorvido, despertam os genes evoluídos em seus corpos. A série foca a família real inumana, formada pelo líder e rei, Raio Negro (Anson Mout), sua esposa Medusa (Serida Swan), a irmã dela, Cristalys (Isabelle Cornish), o chefe da guarda Gorgon (Eme Ikwuakor), o conselheiro Karnak (Ken Leung), seu irmão Triton (Mike Moh) e Maximus (Iwan Rehon), o irmão de Raio Negro. Completa o grupo o fofíssimo Dentinho, animal de estimação de Cristalys, que se assemelha a um buldogue gigante. 

A série já começa com cena de perseguição.

A história começa com o desaparecimento de Triton, aparentemente morto ao tentar ajudar uma inumana na Terra a fugir de um grupo de caçadores que a perseguia. Durante uma cerimônia de terrigênese, dois irmãos se tornam inumanos e um deles adquire o poder de ver o futuro, alertando Maximus de que ele seria atacado por serpentes, que ele entende ser os cabelos vivos de Medusa. Cansado de se esconder dos terrestres, o ambicioso inumano – o único que não possui poderes especiais – decide dar um golpe de estado e tomar o poder a fim de dominar nosso planeta e estabelecer aqui seu novo lar.

Maximus quer saber a marca do shampoo de Medusa.

Com a ajuda de Dentinho, que tem o poder de teletransporte, a Família Real é transportada ao nosso planeta, mais especificamente na ilha do Havaí, mas cada um num ponto diferente, exceto Cristalys, que é capturada antes de conseguir fugir. O problema é que, ao chegar à Terra, os Inumanos desconhecem nosso cotidiano e, obviamente, causam problemas. Separados, mas próximos, eles precisam se reencontrar e se unir para retornar à Lua, recuperar o poder e derrotar Maximus.

“Fora, Raio”. Maximus dá um golpe e toma o poder.

As críticas negativas aos dois primeiros episódios (a série terá oito, no total) foram um tanto quanto exageradas. É verdade que os efeitos especiais para representar os poderes de cada inumano são bem fracos e limitados em comparação ao que estamos acostumados a ver nos outros filmes da Marvel, mas para o nível de uma série de TV, com orçamento limitado, não fazem feio. Os cabelos da Medusa, tão aguardados pelos fãs, tiveram um recurso econômico que, provavelmente vão desagradar muita gente e gerar muitas críticas. Os cenários também são limitados – a maior parte do filme se passa no palácio real – com algumas panorâmicas que mostram toda cidade de Attilan e externas com as belas paisagens do Havaí. No entanto, isso pode mudar ao longo dos próximos episódios.

Terrigênese em Agentes da Shield é diferente da dos Inumanos

Sobre a história em si, vale lembrar que os Inumanos nunca foram personagens com grande apelo e tiveram raras histórias realmente relevantes no Universo Marvel. Portanto, o que é mostrado nas telas não é nem mais nem menos do que o esperado. O que faltou, talvez, foi uma ligação com a série Agentes da Shield, já que foi lá que o conceito dos Inumanos foi apresentado inicialmente – a terceira temporada, inclusive, trabalhou esse tema fortemente. A própria Terrigênese é diferente da mostrado na série, assemelhando-se mais aos quadrinhos e distanciando-se do conceito de universo unificado tão comum nos filmes da Marvel. Mesmo assim, os episódios têm ação, drama e conflitos na medida certa e não fazem feio.

Alerta: passear com seu cãozinho no meio do trânsito pode provocar acidentes.

Diferente do que aconteceu com Agentes da Shield, onde os personagens eram inéditos e os super-heróis não eram uma constante (começaram a aparecer depois, com a queda na audiência), Inumanos já começa com o universo heroico e, só por isso, já é um ponto positivo. Maximus está o perfeito vilão de quadrinhos: cruel, dissimulado, ambicioso e capaz de tudo para atingir seus objetivos, inclusive trair a própria família. E Dentinho, claro, será o favorito de todos. Não tem como não amar aquele cachorrão gigante com fofura pra dar e vender. Todo mundo vai querer uma pelúcia dele pra ontem!

Quem resiste a tanta fofura?

Inumanos é uma série curta, criada nos moldes de Agente Carter – para preencher o espaço de estreias e não precisar interromper a temporada na metade para as férias de final de ano. A diferença é que a série estrelada por Hayley Atwell estava intimamente ligada aos agentes secretos enquanto que Inumanos se distanciou desse contexto. Se os futuros episódios vão estabelecer uma ligação ou se a série vai manter a exclusividade, só o futuro dirá. O que se sabe, no entanto, é que Inumanos trouxe mais uma superequipe dos quadrinhos à vida de forma satisfatória. Os fãs não têm do que reclamar.

Cotação: 

Em Primeira Mão: Liga da Justiça Dark

blog-abreÀ venda a partir de fevereiro nos Estados Unidos, Liga da Justiça Sombria (Justice League Dark, 2017) é a nova animação da Warner/DC, trazendo a equipe de heróis místicos da editora, para lutar contra ameaças sobrenaturais com as quais a Liga da Justiça oficial não conseguiria lidar. Formada por Constantine, Zatanna, Jason Blood (o humano que divide o corpo com o demônio Etrigan), o fantasmagórico Desafiador e o Monstro do Pântano, a animação conta também com a participação do Batman liderando o grupo, num óbvio chamariz de vendas, já que dificilmente a equipe teria atenção sem um rosto conhecido. Marketing certíssimo da Warner e da DC Animated.

Mesmo com a presença do Batman, a estrela do filme é John Constantine

Mesmo com a presença do Batman, a estrela do filme é John Constantine

Mas a presença do Homem-Morcego na trama é o que menos incomoda, já que a estrela é mesmo John Constantine. É ele quem lidera os místicos numa jornada para descobrir uma anomalia sobrenatural que estava fazendo as pessoas ao redor do planeta enxergarem demônios em todo canto e matarem pessoas inocentes e até seus próprios familiares. A Liga da Justiça, incapaz de lidar com uma ameaça que não enxergam, decidiram recorrer aos especialistas, que se uniram em busca do responsável pelas perturbações místicas.

Zatanna teve que fazer mágica pra se destacar nesse desenho.

Zatanna teve que fazer mágica pra se destacar nesse desenho.

A história explora muito bem a personalidade de cada personagem – o sarcasmo e a “cafajestice” de Constantine, o bom humor do Desafiador, a amargura de Jason Blood e o poder quase ilimitado de seu alter ego. Só Zatanna estava meio perdida na trama e parecia não ter muito o que fazer, muito embora tenha seus momentos. O desenho tem uma trama muito boa, repleta de ação e muitas reviravoltas, mas definitivamente não é um desenho para crianças, tanto que sua classificação é Rated-R, que significa restrito a um público abaixo de 18 anos, exceto se acompanhado dos pais. É uma história adulta, meio pesada em sua temática, pois o sobrenatural é tratado como algo sério e não como uma fantasia visual, como no filme do Doutor Estranho.

Animação adapta grupo que surgiu na fase Novos 52.

Animação adapta grupo que surgiu na fase Novos 52.

Já fazia algum tempo que as animações da DC não atingiam um patamar tão bom. Desde que a divisão animada se alinhou à fase dos Novos 52 e passou a adaptar as sagas deste período, esquecendo a fase clássica – exceção feita à Batman – O Cavaleiro das Trevas e A Piada Mortal, este último, numa adaptação vexaminosa (veja crítica aqui) – as tramas decaíram bastante, embora a qualidade técnica dos desenhos tenha permanecido imbatível.

Etrigan fala tudo rimado e também brilha nesse desenho irado.

Etrigan fala tudo rimado e também brilha nesse desenho irado.

Com a Liga da Justiça Sombria (que também é um fruto da fase Novos 52), a editora reencontrou um caminho mesclando uma boa história, personagens bem desenvolvidos e muita ação. Esses ingredientes fazem do desenho uma excelente opção para aqueles que gostam de uma aventura animada de super-heróis. A expectativa é que as próximas animações mantenham essa qualidade. Liga da Justiça Sombria ainda não tem data de lançamento no Brasil, mas deve chegar às lojas ainda no primeiro semestre de 2017.

Cotação: blog-liga-dark

Em Primeira Mão: Batman – A Piada Mortal

blog abreO consagrado roteirista Alan Moore tem o costume de reclamar de todas as adaptações de suas obras, seja para quadrinhos, seja para cinema, por considerar que elas foram concebidas daquela forma, naquela época e para aquela mídia – no caso, quadrinhos – e não aceita que sejam feitas as alterações decorrentes de uma transposição para outras mídias. Se ele visse o que fizeram com a graphic novel Batman – A Piada Mortal (1988) na recente animação homônima que acaba de ser lançada pela DC/Warner para o mercado doméstico, certamente teria mais um de seus chiliques.

Cena de "Batgirl - O Filme"... não, pera...

Cena de “Batgirl – O Filme”… não, pera…

Não que a animação seja ruim, o que não é. O grande problema está na inserção desnecessária de um prelúdio focado na Batgirl que dá ao espectador a impressão de que ele comprou o desenho errado. Pior que isso: a animação, alardeada com uma classificação etária Rated-R (indicada para maiores de idade), deixa explícito que a heroína teve um envolvimento sexual com Batman antes dos acontecimentos da trama principal. Uma besteira feita para explicar – ou pelo menos, acalmar os ânimos, aliviar, disfarçar, tirar a atenção… chamem do que quiserem – outra baboseira decorrente do mundo politicamente correto que transforma uma capa variante numa polêmica desprovida de qualquer bom senso.

Cena da HQ é reproduzida na animação e roteiro também serviu de inspiração para o filme O Cavaleiro das Trevas (2008)

Cena da HQ é reproduzida na animação e roteiro também serviu de inspiração para o filme O Cavaleiro das Trevas (2008)

Explicando: quando foi lançada, em 1988, a graphic novel A Piada Mortal teve a premissa de revisitar as origens do arqui-inimigo do Batman, o Coringa, e mostrar que tanto o herói como o vilão são faces de uma mesma moeda. O que os diferencia é a forma como cada um encara sua “loucura” e qual o direcionamento que dá para seus valores. A premissa de que “qualquer um pode enlouquecer se tiver um dia ruim” foi usada no filme Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008), mostrando uma das mais marcantes interpretações do Palhaço do Crime, interpretado pelo finado Heath Ledger. Algumas cenas da HQ também foram transpostas para o filme – como a cena em que o Batman visita o Coringa no Asilo Arkham.

Capa polêmica: homenagem ou apologia à violência contra a mulher?

Capa polêmica: homenagem ou apologia à violência contra a mulher?

É nessa HQ que o Coringa atira na coluna da Batgirl, deixando-a paraplégica e obriga seu pai, o Comissário Gordon, a ver fotos da filha nua e ensanguentada (deixando em aberto a dúvida se o vilão também a estuprou). O fato, até hoje, gera discussão entre os fãs e se intensificou após o desenhista Rafael Albuquerque criar uma capa variante para a revista da Batgirl onde homenageia a graphic novel e mostra o Coringa ameaçando a heroína. Grupos feministas consideraram a capa ofensiva porque expõe a heroína a uma situação de ameaça e, segundo esses mesmos grupos, é uma apologia ao estupro e à violência contra a mulher. O bafafá foi tão grande que Albuquerque pediu desculpas aos leitores e a DC relegou a capa-homenagem ao limbo.

Batgirl peitando Batman pra mostrar quem é que manda.

Batgirl peitando Batman pra mostrar quem é que manda.

Sem entrar no mérito da capa, porque nosso objetivo é a crítica à animação, fica evidente que o roteirista Brian Azzarello (responsável pelo roteiro do desenho animado) quis dar um “empoderamento” à heroína e, antes de entrar na história que dá título à animação, mostra meia hora de ação com a Batgirl. É um prelúdio desnecessário porque não acrescenta absolutamente nada à trama. Pelo contrário, desconstrói a personagem em sua essência como super-heroína, para mostrar que ela agia mais por interesse sexual no seu parceiro do que para combater o crime. A frase “foi só uma transa” também faz parte do cardápio – frase-clichê da liberação feminina, que também descarta o “macho” mediante a sua satisfação carnal.

Cena idêntica à HQ

Cena idêntica à HQ

Tirada essa introdução dispensável, a animação segue fiel à HQ, inclusive com reproduções de cenas icônicas do álbum e várias referências a outras histórias importantes do vilão – incluindo a morte do Robin no arco Morte em Família (1988), a primeira aparição do Coringa em Batman 1 (1940) e a estréia do Homem-Morcego em Detective Comics 27 (1939). A origem do vilão é mostrada em flashback conforme a trama vai se desenrolando, até o clímax de sua batalha contra o Batman e a piada que conclui a história de forma incomum para os padrões do Homem-Morcego. Há uma cena pós-crédito com a Batgirl que também não faz parte da graphic novel, mas essa sim acrescenta algo à história e dá um fechamento brilhante aos acontecimentos, mostrando que a vida continua e os verdadeiros heróis sempre se superam. Com uma pequena cena de meio minuto, Azzarello deu à Batgirl todo “empoderamento” que a heroína precisa, dispensando meia hora de encheção de linguiça.

Classificação adulta para uma premissa infantil

Classificação adulta para uma premissa infantil

Na tentativa de ser politicamente correto e agradar grupos minoritários, A Piada Mortal “estupra” uma grande obra que nasceu perfeita em sua concepção. A impressão é que a mensagem de que “qualquer um pode se tornar insano se tiver um dia ruim” ficou em segundo plano em detrimento à mensagem subliminar de que heroínas são aquelas que transam libertariamente, contestam seus parceiros masculinos e conquistam sua liberdade. Uma imagem distorcida e desrespeitosa da imagem da mulher, que a “versão para maiores” não torna menos pior. Uma pena. Por causa de meia hora, o desenho que tinha tudo para ser uma excelente animação, foi reduzido a uma piada de mau gosto.

Cotação: blog cotaçãopiada

 

Em Primeira Mão: Batman Vs. Superman Ultimate Edition

blog abreTornou-se uma prática comum as edições estendidas de filmes de sucesso quando do seu lançamento para o mercado doméstico. Estas edições, geralmente, incluem cenas extras que foram deletadas na versão do cinema – na maior parte das vezes, por mera questão comercial – e que complementam a trama, tornando-a mais rica e grandiosa. Foi assim com X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido (com sua Edição Vampira – fizemos a crítica aqui), Demolidor (aquele do Ben Affleck) e os filmes da saga O Senhor dos Anéis (2001-2003), com suas muitas horas de exibição.

Você tem bafo de morcego!

Você tem bafo de morcego!

O polêmico filme Batman Vs Superman – A Origem da Justiça também ganhou uma edição estendida com três horas e dois minutos de duração. O lançamento veio na tentativa de acalmar a fúria dos fãs e críticos, que detonaram as crateras (buraco é elogio) no roteiro  do longa e tentar consertar essas falhas, mostrando que, se o filme saísse com as cenas deletadas, ele seria muito mais coerente e as coisas fariam mais sentido.

Momento Merchan (porque alguém tem que pagar por essa bomba.)

Momento Merchan (porque alguém tem que pagar por essa bomba.)

Após assistir a essa versão com cenas adicionais, a sensação que fica é que a Ultimate Edition deveria se chamar Caça-Níqueis Edition, pois é isso que ela é: só uma forma de ganhar mais dinheiro em cima dos fãs, que vão gastar uma grana a mais para descobrir que o material extra nada mais é do que encheção de saco. As cenas extras tornam o filme mais completo? Óbvio que tornam, mas nada que a versão oficial não deixe subentendido – e que, aliás, teve meia hora a menos de tortura.

"Você me acorda a essa hora pra dizer que o filme não tem nada de relevante?"

“Você me acorda a essa hora pra dizer que o filme não tem nada de relevante?”

Enumeramos a seguir algumas dessas cenas para você perceber o quanto elas acrescentaram à trama (só que não). Ou seja: a partir daqui, teremos spoilers adoidado. Se você não viu o filme ainda e quiser ver, compre a edição normal. Se quiser ver a edição estendida, tudo bem, mas saiba que o filme não melhorou absolutamente nada. E se você já viu o filme e está ansioso para ver as melhorias da edição estendida… bem… melhor esperar o reboot, porque nesse, não deu. Eis alguns extras:

1 – A cena inicial, da morte dos pais de Bruce Wayne, ganharam uns segundos a mais. A queda de Bruce na caverna é mais demorada e podemos apreciar – em câmera lenta – o bandido apontando a arma pra cara da Martha, provando que ele atirou de propósito e não um disparo provocado pelo calor do momento. É extremamente importante saber disso, pois foi o que definiu o restante da história. Ah, sim! As bolinhas do colar também demoram mais para cair e caem em maior quantidade.

2 – Não tenho bem certeza disso, mas pareceu-me que a cena em que Bruce Wayne dirige por Metrópolis durante a batalha do Superman contra Zod e os prédios vão caindo também tem alguns segundos a mais. Aparentemente, para mostrar como Batman é bom ao volante ao fugir dos destroços. Cena fundamental para a cena posterior, em que ele coloca um rastreador no caminhão e pega o Batmóvel para destruir o caminhão.

"Oi, eu tenho nome."

“Oi, eu tenho nome.”

3 – O fotógrafo se apresenta a Lois Lane e diz que se chama Jimmy Olsen. A importância desta cena está no fato de que sabemos que aquele fotógrafo era mesmo o Jimmy.

4 – Na África, também podemos acompanhar os soldados americanos acompanhando os terroristas por meio de drones e autorizando um ataque que vai causar várias mortes e responsabilizar o Superman. Antes, Superman impede um foguete de atingir o alvo.

5 – Na cena da banheira, podemos ver Clark tirando a camisa. Afinal, um corpo nu e sarado sempre ganha uns pontinhos de audiência.

6 – Na primeira aparição do Batman, na casa abandonada, é mostrado o momento em que os policiais foram chamados para cobrir o caso. Eles estavam vendo futebol. Fundamental para a trama.

A africana tem várias cenas extras. Mais até do que o Superman.

A africana tem várias cenas extras. Mais até do que o Superman.

7 – Ainda descamisado, Superman vê pela TV a africana falando mal de suas atitudes. Uma crueldade com a já baixa autoestima do herói.

8 – Antes de pichar a estátua do Superman, o ex-funcionário de Wayne é visto preparando o equipamento. Num painel de recortes, podemos ver a imagem da capa de Action Comics 1 (a edição de estreia do Superman) desenhada por Alex Ross. Olha o Fan Service!!!

9 – Lembram que o Clark é mandado por Perry White para Gotham pra cobrir um jogo de futebol e ele quer cobrir a história do vigilante vestido de morcego? Há uma cena que mostra Clark indo a Gotham para cobrir o jogo de futebol, mas ao invés disso, ele vai investigar a história do vigilante vestido de morcego!

10 – A bunda do Batman é mostrada durante um banho. Afinal, um corpo nu e sarado mostrando a bunda sempre ganha uns pontinhos de audiência.

Essa foto vai atrair muitas buscas. Mas a gente censurou as partes porque nosso blox é de família.

Essa foto vai atrair muitas buscas. Mas a gente censurou as partes porque nosso blox é de família.

11 – O discurso de Lex Luthor na festa pareceu-me um pouco maior. Porque as coisas que ele falou naquele discurso merecem uma análise mais profunda pela sua relevância.

12 – Clark liga pra mãe de madrugada pra pedir conselhos pelo fato de estarem falando mal dele. “Manhê! Aqueles jornalistas estão falando mal de mim, ó!” (mal sabia ele o que iam dizer depois de ver o filme).

13 – O capanga russo de Luthor combina com um presidiário a morte do bandido que foi marcado com a Marca da Caveira… digo… do Morcego. Ainda quero descobrir por qual motivo os “marcados” são assassinados em seguida.

14 – Lois Lane tem uma amiga que a ajuda a investigar o paradeiro da bala. O que significa que essa investigação ainda dá muito o que falar na versão estendida.

Personagem nova auxilia Lois na investigação sobre a bala (aquela, que ela passa o filme todo fazendo)

Personagem nova auxilia Lois na investigação sobre a bala (aquela, que ela passa o filme todo fazendo)

15 – Na segunda festa que encontramos Diana Prince, há uma cena que mostra o garçom assistindo TV antes de servir as champagnes aos convidados.

16 – Clark Kent entrevista a esposa do bandido que foi assassinado na prisão por ter sido marcado pelo Batman. Isso ajuda a definir os motivos que vão levar o Superman a enfrentar o Homem-Morcego (não que faça qualquer diferença, obviamente!).

17 – A africana confessa que foi induzida a depor contra o Superman. E depois sofre as consequências dessa confissão. Consideremos que ela era uma personagem fundamental na história.

18 – Depois da explosão do capitólio, Superman ajuda a resgatar os sobreviventes. Veja bem: o local teve uma bruta explosão que demoliu o local e deixou tudo em chamas. Mas haviam sobreviventes.

Tem um desenho na mesa da delegacia onde Clark faz uma investigação. Olha que importante!

Tem um desenho na mesa da delegacia onde Clark faz uma investigação. Olha que importante!

19 – Antes de Clark dar um passeio no gelo e encontrar seu pai, algumas pessoas veem ele chegando.  Enquanto isso, Lois descobre que o Superman não podia impedir a explosão do Capitólio.

20 – A cena do sonho do Batman no deserto é mais extensa e sua luta com os soldados e parademônios é bem mais acirrada.

21 – A luta entre o Superman e o Batman é maior, o que garante mais porrada, que é o que a gente quer ver nesse filme. E na cena da revelação do nome da mãe do Superman, Batman tem uns flashbacks com todas as vezes em que o nome Martha foi pronunciado ou apareceu na tela. Porque, claro, o espectador é burro e não sabe ligar as coisas.

22 – Apocalypse está mais explosivo. A cada novo ataque, ele absorve energia ao redor em explosões elétricas para evoluir e se adaptar. E, na cena em que a Mulher-Maravilha o amarra com o laço mágico, não é mostrado ela jogando o laço, mas é visto o momento em que o laço prende o monstro. (E, PINDAROLAS!, essa cena foi CORTADA!! Pô, Zack Snyder!!!)

Um monte de fan service e aquele que a gente gostaria de ver foi CORTADO! Hunf...

Um monte de fan service e aquele que a gente gostaria de ver foi CORTADO! Hunf…

23 – A Mulher-Maravilha apanha muito mais – e bate também. Ela é a única coisa que vale a pena ver nesse filme.

24 – Antes de ser preso, Luthor é visto na nave de Zod com um monstro de Apokolips e várias caixas maternas. Mas isso você já tinha visto pela Internet.

25 – Perry White vai ao velório de Clark Kent em Smallville, com direito à presença de Lana Lang e Pete Ross e cenas de Metrópolis e do Planeta Diário totalmente abandonados. Mas você só sabe que Lana e Pete estavam lá se for daqueles que gostam de ler os créditos finais.

esta imagem só está aqui pra incrementar as buscas do blox. :-)

esta imagem só está aqui pra incrementar as buscas do blox. 🙂

Basicamente são essas cenas, mas posso ter deixado passar algo, afinal são detalhes tão importantes e que fazem tanta diferença que a gente acaba esquecendo. De qualquer forma, esta versão estendida cabe bem na frase que a senadora disse a Lex Luthor: “Você pode me chamar do que quiser. Pode pegar um copo de urina e chamar de chá de pêssego da vovó. Tanto faz, eu não vou beber.” Zack Snyder pode chamar este filme de “épico” e esta versão de “definitiva”. Não faz diferença: ele continua sendo ruim. O diretor devia pedir desculpas ao público por ter cometido essa bomba.

Em Primeira Mão: Mulher-Elétrica e Garota Dínamo

blog abreLançado no início deste mês nos Estados Unidos, o filme Mulher-Elétrica e Garota Dínamo (2016), resgata do limbo do esquecimento as heroínas que só quem tem mais de 40 anos deve se recordar – e, ainda assim, com relativo esforço. A dupla estrelou uma série de TV em 1976, estrelada por Deidre Hall (Mulher-Elétrica) e Judy Strangis (Garota Dínamo) e produzida pela Sid & Marty Krofft’s (a mesma empresa responsável pelo clássico – e também esquecido – seriado infantil A Flauta Mágica).

Heroínas estrearam em 1976, como uma paródia de Batman e Robin

Heroínas estrearam em 1976, como uma paródia de Batman e Robin

Uma óbvia paródia de Batman e Robin, Mulher-Elétrica e Garota Dínamo eram duas repórteres (Lori e Judy, respectivamente) que se transformavam em super-heroínas para combater o crime. Assim como sua fonte de inspiração, a dupla tinha seu Electramóvel, uma ElectraBase e sua principal engenhoca, o ElectraCom, um bracelete com várias funções, entre as quais lançar raios de energia, permitir as heroínas levitarem, troca de roupa instantânea e comunicar-se por videoconferência com seu parceiro Frank Heflin (Norman Alden), que ficava na ElectaBase dando-lhes apoio estratégico.

A Flauta Mágica é uma série feita pelos mesmos produtores. Se você se lembra, provavelmente deve ter poucos cabelos na fronte.

A Flauta Mágica é uma série feita pelos mesmos produtores. Se você se lembra, provavelmente deve ter poucos cabelos na fronte.

A série teve 16 episódios de 15 minutos cada um e apelava para o humor e o escracho, mostrando situações absurdas e inimigos bizarros, que colocavam as heroínas em situações de perigo que terminavam sempre com o gancho “Conseguirão nossas heroínas escapar da armadilha da terrível vilã?”. Claro que, no segundo capítulo, elas sempre escapavam. O baixo orçamento também ajudava na pobreza de recursos, mas tudo era proposital, pois a série era voltada para crianças e não tinha qualquer pretensão em ser uma diversão intelectualizada. Eram tempos inocentes.

Heroínas tomam banho de loja para se adequar ao século 21

Heroínas tomam banho de loja para se adequar ao século 21

A nova versão segue a mesma premissa e ironiza o universo dos super-heróis além de ser uma paródia de si mesmo. A trama se passa em nossos dias, onde as redes sociais dominam a comunicação e os super-heróis se mantêm na mídia cedendo sua imagem para patrocinar produtos. Nesse cenário, a Mulher-Elétrica (Grace Helbig) e a Garota Dínamo (Hannah Hart) são heroínas fracassadas porque não se renderam a esse esquema. Isso muda no dia em que a dupla impede um assalto e o vídeo vai parar na Internet. Com milhões de visualizações, elas são contatadas por um empresário e ganham uma atualizada no visual para se tornarem popstars.

Hora da Electraselfie.

Hora da Electraselfie.

A situação se agrava quando surge a Imperatriz do Mal, uma vilã superpoderosa, que é a única após a histórica Guerra das Sombras, um evento que uniu todos os heróis numa batalha épica contra todos os supervilões, culminando no derrota e no desaparecimento destes últimos. Para combatê-la, as heroínas contam com a ajuda de Frank Heflin (agora interpretado por Christopher Coutts), um gênio nerd sempre entediado.

A misteriosa (e superpoderosa) Imperatriz do Mal

A misteriosa (e superpoderosa) Imperatriz do Mal

O filme tem boas tiradas e momentos divertidos, com uma série de clichês – propositais, claro! – de filmes de super-heróis. Um bom exemplo é o arrogante Major Vanglória e seu parceiro, Asa Alado, um sidekick insignificante e idiota. Há, inclusive, uma convenção de quadrinhos com sessões de autógrafos dos superseres. É verdade que algumas piadas forçam a barra para serem engraçadas, mas  lembrando que tudo é uma enorme brincadeira descompromissada, dá pra se divertir bastante com esse reboot.

Num mundo cheio de super-heróis, a batalha é pela popularidade.

Num mundo cheio de super-heróis, a batalha é pela popularidade.

O longa também brinca com a metalinguagem, pois inicialmente foi disponibilizado via streaming, em oito websódios de 11 minutos cada, para plataformas como Fullscreen, Google Play e iTunes. Uma boa piada, considerando que as heroínas só voltaram à fama após passarem por um upgrade e aderirem à modernidade da tecnologia. Tomara que não fique apenas na brincadeira e a Mulher-Elétrica e a Garota Dínamo possam, de fato, voltar à mídia como uma série regular, como um contrapeso à sobriedade de personagens como Jessica Jones e do Arqueiro Verde em Arrow. Um pouco de leveza e humor são sempre bem-vindos.

Cotação: blog cotaçãoEWDG