Rapidinhas do Mutante 2/2018

O gosto do panetone ainda não saiu do paladar e já estamos na metade do mês de janeiro. O ano voa e as notícias do mundo pop estão a todo vapor. Com vocês, mais uma sessão de Rapidinhas do Mutante.

Não adianta fazer cara feia, Illyana. Vocês vão ficar pro ano que vem.

– Os fãs dos Novos Mutantes vão ter que esperar até o ano que vem para ver a aventura de terror dos heróis na telona. A Fox anunciou esta semana que a produção, marcada para estrear no dia 11 de abril de 2018, mudou a data de lançamento para 22 de Fevereiro de 2019. O motivo: este ano existem muitos filmes com potencial de mercado que poderiam abafar a franquia. Em contrapartida, o segundo longa do Deadpool teve sua data antecipada: passou de 31 para 18 de maio de 2018.

O bom filho à casa torna.

Conan, o Bárbaro, voltará a ser publicado pela Marvel. Depois de 15 anos sendo publicado pela Dark Horse, o cimério retorna à editora que o lançou no mercado de quadrinhos em 1970. Mas os fãs vão ter que esperar um pouco até ver o bárbaro saindo com o selo da Casa das Ideias: o novo título Conan, The Barbarian está agendado para janeiro de 2019, ainda sem uma equipe criativa anunciada. Será que o personagem terá o mesmo prestígio de quando estava nas mãos de Roy Thomas? Vamos aguardar.

Capa da última edição de Secret Warriors. Os dados simbolizam que o título não teve sorte no jogo, nem no amor dos leitores.

– “Os Guerreiros Secretos retornarão. Algum dia. Talvez. Eu não sei.” Foi com essa frase que o título Secret Warriors encerrou sua trajetória na 12º. edição, datada de março/2018 (nos Estados Unidos, as revistas saem dois meses antes da data na capa. Igual no Brasil, aliás… #IronicModeOn ). O título nasceu na sequência da minissérie Império Secreto (um megasucesso da editora #SQN) , em julho/2017 e se mostrou mais uma aposta furada da Marvel, que vem amargando o cancelamento de vários títulos nos últimos meses, entre os quais a revista da Gwenpool (pffft…), América (já vai tarde!), Jean Grey, Geração X, Luke Cage (Culpa da Netflix! Culpa da Netflix!) e Gaviã Arqueira, só pra citar os mais recentes. O texto de “despedida” do roteirista Matthew Rosemberg soou como um desabafo pela falta de visão da editora em lançar títulos sem apelo e depois não saber o que fazer com eles. Bem mais cortes por aí.

Será que teremos uma audiência chocante ou vai só rolar uma faísca?

– Estreia! Esta semana, mais exatamente na quarta, dia 17, estreia Raio Negro, a nova série da super-heróis da DC Comics no canal CW. Estrelada por Cress Willians no papel-título, a série é independente do chamado Arrowverse (séries do canal criadas após Arrow (2011 – ) que pertencem ao mesmo universo interligado) e mostra o aposentado Jefferson Pierce tendo que voltar à vida heroica para salvar sua cidade e proteger sua família.

Bendis saiu da Marvel no final de 2017

– Falando em estreias, já está marcada a estreia do roteirista Brian Michael Bendis na DC. Depois de uma longa carreira na Marvel e ajudando a estabelecer vários momentos icônicos da editora, como o surgimento dos Novos Vingadores após a saga Guerra Civil (2006), uma das fases mais brilhantes do Demolidor (ao lado do desenhista Alex Maleev) e a série Alias (Jessica Jones) além de contribuir na construção do Universo Ultimate, Bendis assinou um contrato de exclusividade com a editora do Superman e terá estreia em alto estilo: será na edição 1000 de Action Comics (a mais icônica revista da DC, que marcou a estreia do Homem de Aço, na edição 1, de 1938). A edição está programada para maio de 2018. 

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Rapidinhas do Mutante 1/2018

Ainda em clima de ano novo, estamos resgatando esta seção, para publicar notícias curtinhas do mundo pop que aconteceram durante a semana. Com isso, devolvemos um pouco do caráter jornalístico do nosso blog, que acabou se perdendo ao longo do tempo.

Novas temporadas

– Duas séries da Marvel foram renovadas para a segunda temporada nesta semana: a primeira delas é The Gifted (Fox), que se passa no universo mutante e terá seu último episódio da primeira temporada exibido esta semana, num especial de duas horas. A outra é Fugitivos (Hulu), uma surpresa em se tratando de um canal streaming. Parece que a série teve ótima aceitação do público pela grande fidelidade aos quadrinhos. Ótima notícia!

Novos encadernados da fase Renascimento

– A DC anuncia “uma invasão” de encadernados nas bancas em fevereiro. Os encadernados com a fase Renascimento têm dado muito certo e o mês que vem trará cinco deles: Flash e Exterminador chegam em seus terceiros volumes, enquanto que os Titãs, Hellblazer e o Novo Super-Man lançam o volume dois de cada um. Prepare o bolso!

Lançamentos Disney

– A Disney também está com novidades nas bancas: a primeira delas é a estreia de Lendas Disney, um encadernado trimestral que trará as primeiras histórias dos personagens. O número de estreia trará o Superpato (192 páginas, capa cartão, R$ 29,90) e chega ainda em janeiro. No mês seguinte, será a vez de Disney Saga (192 páginas, capa cartão, R$ 29,90), publicação trimestral  que trará sempre uma saga completa ou uma série que se estenda por mais de uma edição. A estreia será com A Nova História e Glória da Dinastia Pato, HQ inédita publicada na Itália. Em março chega Os Melhores Anos Disney, no mesmo formato, abordando sempre um ano marcante para as publicações Disney no Brasil. Na estreia, o ano de 1950, ano da estreia de O Pato Donald 1, título que inaugurou a Editora Abril.

Coleção selvagem

– Finalmente, depois de um bom tempo em que foi lançada no “mercado-teste”, chega às bancas em março a coleção de A Espada Selvagem do Conan, pela Salvat. Como as anteriores, será quinzenal, capa dura, com arte na lombada e terá 65 volumes.

Quadrinhos divinos.

– A Editora 100% Cristão lançou uma coleção de quadrinhos baseada em personagens bíblicos. Falaremos detalhadamente sobre elas em um post específico sobre o tema.

A Força está com eles.

Star Wars – O Último Jedi fechou o ano passado como a maior bilheteria de 2017 nos Estados Unidos, segundo o site Box Office Mojo. O filme ultrapassou o líder (desde março) A Bela e a Fera e faturou US$ 539,4 milhões com apenas 15 dias de exibição. Mundialmente, o oitavo capítulo da saga espacial ficou em terceiro lugar, com US$ 1, 129 bilhão. Perdeu para Velozes e Furiosos 8 (US$ 1, 235 bi) e A Bela e a Fera (US$ 1, 263 bi).

Leituras da Semana – Dezembro (5)

Adeus, ano velho! Feliz ano novo! Estamos encerrando o ano de 2017 exatamente no domingo para já começarmos um novo ano, um novo mês e uma nova semana com muitas expectativas de coisas boas para acontecer. Estas são as últimas leituras do ano e, para 2018, estamos estudando um novo esquema para nossas resenhas. Talvez fazer um texto só, destacando a melhor da semana e as outras apenas dando uma geral ou fazer um ranking, com notas ou ainda abolir de vez essa seção e postar com mais frequência a seção Saído do Forno, resenhando uma única HQ por vez. O que acham? Deixem suas sugestões nos comentários.

Conclusão espetacular

Future Quest Vol. 2 (dez/2017) – O conclusão do arco que reúne os super-heróis do Universo Hanna-Barbera atinge seu clímax, com todos unindo forças para derrotar o alienígena Omnikron. A ação não para e explora bem as características de cada personagem. A única exceção é o Galaxy Trio, que ficou totalmente esquecido. A história termina deixando aquele gosto de quero mais, um desejo que a DC Comics transforme esse título em uma publicação mensal. Infelizmente, a série terminou, mas a boa notícia é que, este ano, a editora lançou o título Future Quest Presents, com histórias-solo dos heróis. A editora também lançou o especial Adam Strange/Future Quest, que mostra um crossover da família de Jonny Quest e o Homem-Pássaro com o herói da DC. De bônus, um encontro entre Batman, Mulher-Gato e Manda-Chuva. Tomara que a Panini também traga esse material para o Brasil.

Superbobagem

Superman 9 (dez/2017) – A conclusão do arco Multiplicidade é a coisa mais inútil já lida nos últimos tempos. As lutas são bacanas, mas as soluções ficam mal explicadas, o vilão é derrotado de forma ridícula e a história termina no ar. A ideia de juntar vários Supermen de realidades diferentes é até bacana, mas muito mal desenvolvida pelo roteirista Peter J. Tomasi. Felizmente, foi bem curta (só três capítulos).

Intrigante

Action Comics 9 (dez/2017) – O que a revista do Superman teve de ruim, esta Action Comics tem de boa. O mistério sobre o Clark Kent humano cresce cada vez mais e Lois Lane se dispõe a descobrir o que se esconde por trás dele. Ao mesmo tempo, o Superman e Aço lutam para salvar a vida da Superwoman, enquanto a localização da Fortaleza da Solidão é descoberta, com consequências catastróficas.

Em busca da verdade (ainda!)

Mulher-Maravilha 9 (dez/2017) – Passado e presente continuam se misturando na revista da Princesa Amazona. A primeira história se passa no passado e mostra os irmãos Fobos e Deimos tramando contra a vida de Diana. No presente, a Mulher-Maravilha continua confinada num sanatório, em busca da verdade sobre si mesma. Histórias mornas, sem nada fora do comum.

A nata dos mutantes está aqui.

Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel – Clássicos XXXIV – X-Men – Segunda Gênese (nov/2017) – A reformulação dos X-Men em 1975 foi um divisor de águas para a carreira dos mutantes, que vinham sofrendo baixas vendas e o título estava à beira do cancelamento, só com republicações de histórias antigas. A nova equipe veio de encontro à premissa da equipe, que era a diversidade, e acrescentou heróis de vários países e etnias. Deu tão certo que o título se tornou, em pouco tempo, um dos mais vendidos da editora. Toda essa fase inicial está reunida nesse sensacional encadernado, com histórias já republicadas várias vezes (como a origem da equipe, a morte do Pássaro Trovejante e o nascimento da Fênix) e outras praticamente inéditas (como a batalha dos X-Men contra Black Tom Cassidy no castelo da Irlanda e a luta de Ciclope contra seu irmão Destrutor). São histórias que definiram os heróis e seus poderes – pela primeira vez Wolverine foi mostrado sem máscara e revelado que suas garras eram parte de seu corpo, a origem de Ororo, Noturno invisível nas sombras e muito mais. Uma edição imperdível para quem curte os heróis mutantes.

Agendão Raio X: Séries 2018

As séries de TV de super-heróis já entraram naquele hiato de final de ano – o chamado mid season – e retornam já nos primeiros dias de janeiro para o encerramento de suas temporadas. Além disso, o ano também reserva novidades, como o novo live action da DC ComicsRaio Negro (Black Lightning), exibido pela CW. Também pela DC, mas um pouco mais tarde (em 21 de março), chega Krypton, série que se passa no planeta natal do Superman, décadas antes da fatídica explosão que trouxe o herói à Terra.

Herói de neon

Já pela Marvel, as novidades são a segunda temporada de Jessica Jones pela Netflix (estreia em 8 de março) e Manto e Adaga, ainda sem data definida de estreia, pelo canal Freeform. Confira abaixo nosso calendário do mês de janeiro com todas as datas de reestreia, lembrando que as informações se referem apenas aos Estados Unidos. No Brasil, ainda não temos dados disponíveis.

O ano já começa bombando!

Top 10 – Melhores HQs de 2017

Continuando nossa Retrospectiva 2017, hoje listamos os dez melhores quadrinhos do ano. E foi uma tarefa bem árdua, nem tanto pela quantidade de coisas lidas durante o ano, mas sim pela qualidade, que está bem baixa, principalmente os quadrinhos da Marvel, cujas séries até começam bem, mas depois entram numa zona de conforto e não evoluem. Boa parte dos melhores do ano nem são deste ano, mas republicações de clássicos, o que prova que a fase atual está precisando de uma renovação.

Títulos renovados

Claro que nem tudo é ruim e tem muita coisa boa também, como prova a fase Renascimento, da DC, cujos títulos estão muito bons. Escolhemos o mais inovador para destacar essa fase, exatamente por ser diferente e inesperado. Como as resenhas já foram feitas ao longo do ano, não vamos dar muitos detalhes do conteúdo e destacar apenas o motivo pelo qual estas edições entraram na lista. É importante lembrar que as escolhas ficaram restritas àquilo que adquiri ao longo do ano dentro da minha coleção particular. Assim, muita coisa alternativa ficou de fora porque não fazem parte do meu acervo e, infelizmente, o preço ainda é um tanto proibitivo (entre manter a coleção e arriscar comprar algo que não conheço, é óbvio que vou escolher a primeira opção!). Vamos ao nosso Top 10 HQs!

Complemento da série de TV

10 – Agentes da Shield – Derivada da série de TV, a HQ insere no Universo Marvel os personagens criados para o seriado ao mesmo tempo em que tem a liberdade de usar uma série de caras conhecidas como Homem-Aranha, Dr. Estranho, Vingadores, coisa que a série nunca pode, por questões contratuais – o que afastou muitos fãs de acompanharem o seriado, diga-se de passagem. De qualquer forma, a HQ é divertida, leve, inteligente.

É Jack Kirby. Ponto.

9 – Lendas do Universo DC – Super Powers 1 e 2 – No ano em que Jack Kirby completaria seu centenário, a Panini resgatou os dois últimos trabalhos do Rei para a DC, numa publicação inédita, para homenageá-lo. As minisséries originais foram criadas para impulsionar a venda da linha de brinquedos de mesmo nome, lançada no final dos anos 1980 e têm um tom infantilizado que remete ao desenho dos Superamigos. Mas quem disse que todos os quadrinhos de super-heróis precisam ser complexos e realistas? Um pouco de leveza, com soluções absurdas e diálogos bobinhos também cumprem o papel dos quadrinhos, que é o de entreter. E, mais que tudo isso, é material de Jack Kirby, o que dispensa qualquer justificativa.

Terror psicológico

8 – Comunhão – Fora do âmbito Marvel-DC, este álbum de Felipe Folgosi, financiado pelo Catarse, traz uma história de terror psicológico e uma trama bem desenvolvida, passada em terras brasileiras. O fato do material ser em preto e branco e formato maior que o normal valorizou-o ainda mais. Também pesa o fato de ser o segundo título do artista que evoluiu sua narrativa desde Aurora (2015).

Menção ao conjunto da obra

7 – Graphic MSP – O selo de álbuns adultos de Mauricio de Sousa continua figurando na nossa lista de dez melhores porque se supera a cada novo volume, muito embora já tenha perdido o teor da novidade. Dos quatro volumes lançados em 2017 (Astronauta – Assimetria; Chico Bento  – Arvorada; Capitão Feio – Identidade e Turma da Mônica – Lembranças), todos são de qualidade ímpar. Até mesmo o Astronauta, que já teve três volumes em comparação a outros personagens que não tiveram nenhum, conseguiu surpreender positivamente. Chico Bento é de uma sensibilidade incomum. O Capitão Feio é renovado de maneira espetacular. E a Turma da Mônica nos “faz sorrir de amorzinho” (nas palavras de um conhecido meu).

A saga do clone que vale.

6 – A Coleção Definitiva do Homem-Aranha Vol. 3 – A Saga do Clone Original – A coleção lançada pela Salvat tem pouco material atrativo, pois se limita a republicar arcos já lançados em outras coleções e, as poucas edições que fogem disso, são HQs que pertencem a uma fase recente, onde o Aracnídeo já não tinha mais o frescor de seus primeiros anos. A exceção é esta edição, que reúne uma fase brilhante do roteirista Gerry Conway, cuja ideia inicial foi resgatada anos depois e gerou uma das fases mais negras do Homem-Aranha (algo que, aliás, o roteirista Dan Slott também bem fazendo: resgatar ideias antigas e recauchutá-las de forma piorada ao cubo). De qualquer forma, é um prazer reler estas histórias, que trouxe novos vilões e personagens à mitologia do Amigão da Vizinhança.

Fase maravilhosa

5 – Lendas do Universo DC – Mulher-Maravilha – Em quatro volumes, reúne toda a fase de George Pérez à frente do título da Princesa Amazona como roteirista (ele continuou mais um tempo, mas apenas na arte.) Só isso seria banal, se Pérez não tivesse renovado a heroína após a Crise nas Infinitas Terras e a devolvido seu status de um dos pilares da DC Comics. A fase é brilhante e traz a Mulher-Maravilha mais linda e heroica como nunca em toda sua carreira.

A nata de Frank Miller

4 – Os Heróis mais Poderosos da Marvel 63 – Elektra – A Saga da Elektra, a fase mais icônica do Demolidor, reunida num único volume em capa dura. Só por isso, o encadernado já merece estar nesta lista. Mas ainda tem um agravante: esta fase, que marcou a estreia de Frank Miller como roteirista do Homem sem Medo, é tão incrível que salvou o título do cancelamento e transformou o Demolidor num dos heróis mais populares da Marvel. Se você nunca leu a Saga da Elektra, você não sabe quem é o Demolidor.

As manhãs de sábado voltaram.

3 – Future Quest – Não é apenas um resgate nostálgico de personagens icônicos de Hanna-Barbera que animaram nossa infância. Future Quest é uma releitura desses personagens, reimaginando-os como se eles existissem de fato, numa história de espionagem e ficção científica que coloca juntos os grandes heróis do estúdio de animação. Uma trama de qualidade que junta Jonny Quest, Homem-Pássaro, Frankenstein Jr., Os Herculoides, Dino Boy, Mightor, Galaxy Trio e Space Ghost. Só faltou mesmo o Falcão Azul, Sansão e Golias e o mago Shazzan.

Novidade surpreendente

2 – Novo Super-man – Nas primeiras páginas deste encadernado, o novo Super-Man (assim mesmo, com hífen) nem de longe lembra o personagem que é modelo de virtude para todos nós. Um moleque irresponsável, bully, exibido e arrogante é escolhido por acidente e ganha poderes semelhantes ao do Homem de Aço para se tornar um representante da China. Contudo, conforme a história segue, ela flui de uma forma tão divertida e as situações são tão surreais que a gente não consegue parar a leitura. Uma das surpresas mais agradáveis da fase Renascimento. Ansioso pelo segundo volume.

Iaba-Daba-Du!

1 – Os Flintstones – No mesmo esquema de releitura dos personagens de Hanna-Barbera em versões mais adultas, este encadernado traz a família pré-histórica em seis histórias fechadas, cada uma abordando um aspecto da sociedade, com o humor que é característico aos personagens e uma pitada de acidez na crítica social. Claro que o desenho sempre foi assim, mas nesses novos tempos, a crítica ganha uma abordagem mais madura, mas nem por isso, menos divertida – principalmente com a ridicularização dos costumes. É sensacional! Pena que o título teve duração tão curta (apenas 12 edições, cuja conclusão deve ser publicada em breve pela Panini).

Se o filme for desse nível… vergonha alheia!

HQ Mico – Não tem nada mais desagradável do que você gastar uma grana numa edição elogiadíssima pela crítica, escrita por um autor “bestsellerizado” e passar raiva da primeira à última página. Este encadernado do Pantera Negra – Uma Nação sob Seus Pés fez isso comigo. Uma história sem atrativos, focada na política e lacração, que mostra Pantera Negra às voltas com uma crise em seu reino e mulheres exploradas. O autor Ta-Nehisi Coates é conceituadíssimo em textos políticos, mas seu estilo não casa com quadrinhos de super-heróis, que é uma “arte sequencial”, ou seja, exige uma sequência na narrativa, coisa que não existe. Conseguiu ser pior que Mulher-Maravilha Terra Um, outra forte concorrente ao HQ Mico deste ano (mas que merece uma menção honrosa nesta lista).

Top 10 – Melhores Filmes de 2017

Estamos começando nossa série de matérias com a Retrospectiva 2017 (sim, nós sabemos que é lugar-comum, mas se todo mundo faz, por que a gente ficaria de fora?) onde vamos analisar o que de mais legal nosso blog viu e leu neste ano que termina. Pra começar, vamos falar de cinema. E cabe um esclarecimento: ano passado fizemos o Top 10 em vídeo mas como a audiência foi baixa e ainda pode ocorrer do mesmo ser bloqueado pelo uso das imagens (apesar de ser um trabalho jornalístico, algumas empresas têm dificuldade de entender isso), este ano vai por escrito mesmo. Obrigado pela sua compreensão.

“Não sou capaz de opinar”

O ano foi bem rico na área cinematográfica, com seis produções voltadas para o universo dos super-heróis e muitas outras franquias de sucesso, que causaram muito burburinho entre os fãs. Parodiando Glória Pires, não somos capazes de opinar sobre todas elas, porque não conseguimos ver todas, mas vamos falar sobre as produções que pudemos conferir e que até causaram boas surpresas. Vamos lá!!

Música-chiclete

10 – Chocante – É realmente um choque saber que um filme nacional pode ser bem produzido e fazer rir sem precisar apelar para pobreza, criminalidade e baixaria. Chocante foge do comum e apresenta uma comédia deliciosa sobre uma boy band dos anos 90 que foi esquecida e decide voltar às paradas, com seus membros já quarentões. Uma metáfora sobre a superficialidade da fama e sobre valores familiares que tem, sim, seus clichês e um toque de breguice, mas a gente entra no clima da nostalgia e dá boas gargalhadas. E verdade seja dita: qualquer filme capaz de fazer a trilha sonora (de uma música só) ficar na sua cabeça merece uma posição entre os dez melhores do ano.

Conto tão antigo quanto o tempo

9 – A Bela e a Fera – Uma produção primorosa, com figurino espetacular e toda magia dos clássicos Disney, além da eterna Hermione (Emma Watson) no papel da protagonista. É verdade que o filme não foi ousado o suficiente para fugir da animação da mesma Disney, nos oferecendo uma fotocópia em live-action. Porém, como a animação foi acima da média, o resultado do longa com atores não poderia ser diferente.

Surpresa do ano

8 – Liga da Justiça – Indiscutivelmente, foi a surpresa do ano. Uma produção cheia de problemas desde o início, troca de diretores, refilmagens de última hora, uma aura de “mistério” totalmente desnecessária sobre a participação do Superman (quando todos sabiam que ele ia estar no filme) e estratégia de marketing totalmente errada só podia resultar num tombaço dos mais feios. Mas não foi assim. A chegada do diretor Joss Whedon, aos 45 minutos do segundo tempo, conseguiu aliviar a tonelada de problemas e gerar um produto que tem, sim, suas falhas, mas é agradável e divertido no fim das contas. Infelizmente, já era tarde: o filme atraiu para si uma aura de má vontade da crítica que nem a “cobertura de chantilly” colocada pelo novo diretor tirou o gosto ruim e a Liga está com resultado aquém do esperado. Melhor sorte para o Aquaman, no próximo ano.

O bom filho à casa torna.

7 – Homem-Aranha: De Volta ao Lar – Depois de sua estreia em Capitão América: Guerra Civil (2016), o Homem-Aranha de Tom Holland ganhou a aprovação dos fãs do Aracnídeo e, pela primeira vez desde que foi lançado no cinemas, em 2002, foi apresentado com fidelidade aos quadrinhos: um herói adolescente, nerd, piadista, sem sorte com as garotas, meio irresponsável, mas com um grande desejo de fazer o que é correto. O filme está à altura do personagem e trouxe o melhor Homem-Aranha do cinema, bem como uma atuação impecável de Michael Keaton no papel do Abutre. É uma produção que está longe de ser “espetacular” (com o perdão do trocadilho), mas é simpática o suficiente e entrega aquilo que prometeu, apenas.

Com a força do amor tudo fica possível…

6 – Mulher-Maravilha – O material apresentado nos trailers já mostrava que o tom do filme da Mulher-Maravilha seria bem diferente do clima obscuro adotado por Zack Snyder para o Universo Compartilhado da DC. Gal Gadot – a quem ninguém dava um tostão no papel da heroína – mostrou-se excepcional numa aventura empolgante e agradável de se ver, com o clima heroico que faltou a Homem de Aço (2013), o verdadeiro “ícone da luz” do Universo DC. A batalha final mal feita e carregada de breguice não foi capaz de estragar o brilho da personagem, que estreou nos cinemas de forma digna, como ela merecia.

Legado transferido em grande estilo

5 – Star Wars – Episódio VIII – Os Últimos Jedi – O mais recente episódio da saga Star Wars continua a missão de reconstruir o universo criado há quarenta anos. E fez isso com louvor: os novos personagens Rey, Finn, Poe, BB-8 e o vilão Kylo Ren, lançados em O Despertar da Força (2015), cumprem bem o seu papel (exceção feita a Kylo Ren, que nem de longe lembra a imponência e o carisma de Darth Vader, mas faz o arroz-com-feijão) e a trama os relaciona perfeitamente bem com os heróis da trilogia clássica. passando o bastão de forma condizente. Enquanto que o Episódio VII foi praticamente uma refilmagem de Uma Nova Esperança (1977), o novo longa traz uma aventura nova – embora tenha, sim, alguns momentos “chupados” de O Império Contra-Ataca (1980) – e empolgante. Os Últimos Jedi é um divisor de águas e encerra uma fase brilhante para começar outra, tão brilhante quanto. Aceitar isso dói menos. 

Todos os ingredientes de um bom filme na medida exata.

4 – Guardiões da Galáxia Vol. 2 – Como é bom ir ao cinema ver uma aventura de super-heróis com a dose certa de humor, drama e ação, inserindo novos personagens sem cair na superficialidade e agradar fãs antigos de quadrinhos, que identificam as referências, e os novos, que não percebem as citações, mas mesmo assim, não deixam de compreender a trama do filme. O diretor James Gunn conseguiu essa façanha e, de quebra, ainda deixou uma das cenas mais emocionantes do cinema, embalada, obviamente, por um clássico dos anos 70: a música Father and Son, de Cat Stevens. Quem não deixou escorrer uma lágrima, provavelmente é porque não viu o filme.

“Eu sou a noite. Mas não totalmente escura.”

3 – Lego Batman: O Filme – Não deixa de ser interessante constatar que o melhor filme do Batman dos últimos cinco anos seja uma animação, mesmo a Warner tendo todos os recursos para produzir o mais épico live action do personagem e o mesmo tendo, por si só, um apelo inegável de bilheteria. Depois do vexaminoso Batman V Superman (2016), os fãs do Homem-Morcego mereciam uma redenção para o personagem e esta veio nesta animação leve, divertida, que brinca com a mitologia do personagem tanto no cinema como nas animações e quadrinhos, resgatando personagens dos mais obscuros e fazendo piada de tudo. Sim, o Batman é soturno, mas não precisa necessariamente ser chato.

Humano, apenas.

2 – Logan – A despedida do ator Hugh Jackman ao papel de Wolverine, que o consagrou por 17 anos, não poderia ser mais perfeita. Um longa-metragem violento (às vezes com cenas até desnecessárias), mas com uma história bem narrada que conduz a um final honesto e coerente ao personagem. Foi uma boa surpresa, visto que os trailers apresentavam um filme pouco atraente e maçante, mas o que se viu na tela foi uma verdadeira obra-prima, que, mais do que uma aventura de super-heróis, trouxe um personagem humano.

Não é o Groot, mas é tão tocante quanto.

1- Sete Minutos Depois da Meia-Noite – Este foi o primeiro filme do ano e já abriu 2017 de uma forma tão marcante que nenhum outro conseguiu superá-lo. Uma história tocante e cheia de metáforas sobre a vida e a morte, que envolve o espectador na história até culminar com a cena final, capaz de desmontar o mais duro dos corações. Particularmente, não sou fã de dramas mas este longa tem uma pitada de fantasia que ajudou a contar a história de uma forma primorosa. É o filme do ano, sem qualquer sombra de dúvida.

Quem vê, pensa que é um super-herói. Só pensa.

Troféu Cinemico: O Troféu Cinemico de 2017, prêmio simbólico das produções que pagaram micão no cinema, não poderia ser para outro filme senão aquele que chegou aos cinemas sem saber se era uma produção voltada ao público infantil, se investia nas adolescentes ou se tentava conquistar os adultos, com cenas de ação constrangedoras. Max Steel tem roteiro fraco, efeitos sofríveis, péssimas atuações e um robozinho mais chato que o Jar Jar Binks de Episódio I. Estreou nos Estados Unidos em 2016, mas só chegou aos cinemas brasileiros no início deste ano e poderia ter saído direto em vídeo, poupando o vexame de fracassar nas bilheterias (Não há dados específicos do faturamento no Brasil, mas o Box Office Mojo registra vergonhosos US$ 2,4 milhões mundialmente e o Rotten Tomatoes marca 0% de aprovação – sim, até Mulher-Gato (2004)e Lanterna Verde (2011) são mais bem cotados!). 

Cara, ainda não consigo conceber que fizeram isso com a gente!

Menção honrosa: Não poderia deixar de figurar nessa seção outro longa-metragem capaz de causar vergonha alheia em Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. É claro que estamos falando de Thor: Ragnarok, filme que tinha tudo para fechar com chave de ouro a trilogia do Deus do Trovão e nos oferecer uma batalha épica sobre o fim do mundo, mas apresentou um show de stand up que não apenas descaracterizou o personagem como desconstruiu tudo o que foi mostrado nos filmes anteriores. Uma bola fora da Marvel Studios que, estranhamente, agradou o público.

Leituras da Semana – Dezembro (4)

Nesta quarta semana de Dezembro, às vésperas do Natal, tivemos muitas novidades e leituras bem bacanas, com destaque para os encadernados do universo de Hanna-Barbera, que voltam numa releitura mais adulta, mas não menos divertida.

Tão boa quanto na TV. E vice-versa.

Supergirl 1 (nov/2017) – A fase Renascimento da Supergirl chega alinhada com a série de TV, com a inclusão nos quadrinhos dos pais adotivos da heroína, Jeremiah e Eliza; sua irmã adotiva Alex e o DOE – Departamento de Operações Extranormais, além da CatCo Media, local de trabalho da jovem Kara Danvers. Aos 16 anos de idade, Kara chegou à Terra há poucos meses e ainda está se adaptando ao nosso modo de vida, mas a saudade de Argo City, sua cidade natal em Krypton, atrai o Superciborgue, que nesta nova versão é o corpo restaurado de seu pai, Zor-El, e vai tentar recriar a cidade para agradar a filha e salvar seu planeta morto. Apesar desta discrepância, a trama é muito bem conduzida e não decepciona os fãs mais antigos – principalmente com a referência a Hank Henshaw, o Superciborgue original. A edição tem tudo para agradar os leitores já habituados às aventuras da Garota de Aço, bem como os que estão chegando agora, atraídos pelo sucesso da série televisiva. Material de primeira linha!

As manhãs animadas de sábado voltaram.

Future Quest 1 (set/2017) – Releituras de clássicos antigos são sempre uma via de mão dupla. Da mesma forma que despertam um sentimento bom de (re)ver personagens conhecidos com uma nova cara para novos tempos, também fica aquela sensação de “será que vai ser tão legal como eu me lembro?” No caso de Future Quest, essa sensação se dilui logo nas primeiras páginas. Uma trama calcada no universo dos super-heróis de Hanna-Barbera que mistura a ficção científica das aventuras espaciais de Space Ghost, com a ação desenfreada de Jonny Quest, o clima familiar dos Herculoides e o bom humor d’Os Impossíveis entre outros, não tem como dar errado. O universo recriado pela DC Comics criou uma  história de ação e espionagem, bem parecida com os tradicionais super-heróis da editora, mas protagonizada pelos heróis da Hanna-Barbera. A ousadia é tanta que até se arriscam a criar uma origem para alguns heróis e mudar a etnia de Mightor, mas de uma forma natural, sem forçar a barra, como tem se visto em outras publicações. Uma leitura deliciosa, cheia de referências aos desenhos animados que desperta um clima nostálgico com gostinho de infância numa leitura mais madura. Perfeição define.

Humor nada ultrapassado

Os Flintstones 1 (dez/2017) – O que Future Quest tem de aventuresco, Os Flintstones tem de divertido. E não adianta vir com a conversa de que é uma crítica à sociedade moderna, que o humor é ácido e nos faz refletir sobre normas e costumes da atualidade e bla bla bla. Isso, o desenho animado já fazia. Sim, os quadrinhos fazem tudo isso, mas o grande mérito deste encadernado é que ele também nos faz rir. Cada história (são seis na edição) é fechada em si mesma, como nos desenhos – diferente de Future Quest, que tem um arco só nas seis edições – e cada uma delas aborda um aspecto pra lá de cômico: sejam o consumismo exagerado, a “contravenção” de pessoas que passaram a viver um relacionamento monogâmico, a religião mal organizada ou os absurdos da guerra, tudo passa pelo cotidiano da família Flintstone da forma mais divertida possível. Nos dias atuais, ler um quadrinho que critique o modo de vida sem cair na panfletagem é algo raro. Os Flintstones consegue essa façanha.

Gosto de infância

Graphic MSP 17: Turma da Mônica – Lembranças (dez/2017) – Fechando a trilogia da Turma da Mônica pela dupla Vitor e Lu Cafaggi, Lembranças é um tributo à infância dos próprios autores, que rechearam a HQ com referências a brinquedos, animações e… bem… lembranças de quando eram crianças. Enquanto que Laços (2013) e Lições (2015) tentou trazer uma mensagem de amizade e união, em Lembranças, é possível sentir que a Turma da Mônica é apenas um pano de fundo para resgatar momentos ternos, divertidos e cheios de inocência de uma fase da vida que define nosso futuro. Na história, Mônica e Magali fazem de tudo para participarem da festa de aniversário da Carminha Fru Fru – à qual a Mônica foi a única a não ser convidada – enquanto que Cebolinha e Cascão se unem para reconstruir o clubinho dos meninos, destruído por uma chuva, ao mesmo tempo em que tentam fugir das investidas do Tonhão da Rua de Baixo. Mas a história é o de menos. O divertido é descobrir as citações de quadrinhos antigos da Turminha, personagens, filmes e momentos que a maioria das crianças já viveu, tudo com a arte delicada dos irmãos Cafaggi, que apaixonam ao primeiro olhar. É uma viagem no tempo que, com certeza, vai trazer a nostalgia dos leitores antigos à tona e também fazer parte das lembranças mais doces dos novos fãs.