Leituras da Semana – Abril (2) e (3)

Com o Festival Guia dos Quadrinhos acontecendo na semana passada e a Semana Santa tomando todo tempo disponível, a postagem de domingo passado precisou ser adiada. Hoje, fazemos uma postagem englobando as leituras das duas semanas, com muitas novidades das bancas.

Ele não tem moto… mas se chama motoqueiro. #vergonhaalheia

Motoqueiro Fantasma 1 (mar/2017) – Datada de 2014, esta HQ chega com três anos de atraso, e uma tradução mal feita da Panini. Leia nossa crítica completa clicando aqui.

Edição (quase) perfeita

Turma da Mônica Jovem (nova série) 4 (mar/2017) – Depois de um encontro histórico em duas partes (leia tudo sobre essa HQ aqui e aqui) publicado nas edições 43 e 44 (2012), a Turma Jovem volta a se encontrar com Safiri, desta vez numa aventura que se passa na Terra de Prata, lar da princesa criada por Osamu Tezuka.  A história leva Mônica e seus amigos ao reino de Safiri para comemorar os 15 anos da heroína, em cuja festa ela deve renovar os votos de proteger o país e manter o legado de seus pais. No entanto, uma ameaça promete estragar a festa e impedir o “príncipe” de cumprir seu destino. Para quem conhece o anime A Princesa e o Cavaleiro, vai sentir o mesmo clima de ação da série, com personagens conhecidos e a mesma personalidade vista no desenho. Uma história brilhante e repleta de saudosismo, que só se estraga no final, com uma mensagem faminista jogada na cara dos leitores. Não teria nada demais se a mesma roteirista não fosse responsável por outra polêmica nas HQs da TMJ pelo mesmo motivo, o que leva à conclusão de que não foi acidental ou um ato inocente, mas um texto proposital. E daí? Daí que a Turma da Mônica e Safiri são maiores do que essas ideologias e não precisam desse tipo de premissa, visto que ambas as personagens, por si só, já levam à reflexão sobre o poder e a igualdade da mulher. Totalmente desnecessário manchar uma HQ que tinha tudo para ser perfeita. Mauricio de Sousa não merece isso em suas revistas.

promocional bacana

Preview Especial – Os Novos 52 (ago/2013) – Uma das aquisições no Festival Guia dos Quadrinhos, essa edição especial foi uma introdução à saga Guerra da Trindade, publicada em Liga da Justiça 22-24 e Constantine 3-4, entre março e maio de 2014. A HQ, de apenas 16 páginas, mostra a entidade Pandora em busca da mitológica Caixa de Pandora para redimir seu maior crime: ter liberado o mal na Terra. É um material até interessante, considerando se tratar da fase Novos 52.

De protagonista a coadjuvante sem perder o encanto.

Doutor Estranho 4 (mar/2017) – Ao invés de duas histórias do Mago Supremo, esta edição traz apenas uma história, que apresenta vários magos do Universo Marvel enfrentando a ameaça do Empirikul, o destruidor de magia. A história é tão boa, que consegue transformar o protagonista da revista num coadjuvante com aparição em pouquíssimas páginas e, mesmo assim, manter um nível excelente. Além, claro, de trazer um humor refinado que cabe como uma luva na temática. Excelente!

Thora em HQs de alto nível

Thor 2 (mar/2017) – Thor e Loki se encontram num bate-papo amistoso, enquanto Malekith invade o reino dos Elfos e Odin julga sua esposa Freyja por traição. Todos os peões se juntam num clímax que deixa o leitor ansioso para a próxima edição. Embora o conceito da Thor mulher seja um tanto incômodo (não pelo fato de ser mulher, mas pela forma como foi apresentado – Thor se torna indigno de forma inexplicada, vira um babaca, assim como seu pai, que passou de um deus sábio e bondoso num velho tirano, ignorando anos e anos de nobreza com que foram criados), há que se considerar que as HQs estão com um ritmo muito bom.

Aventura no Japão

Homem de Ferro 4 (mar/2017) – O Homem de Ferro e o Máquina de Combate se unem a um certo herói aracnídeo no Japão para enfrentar uma vilã capaz de controlar a tecnologia dos heróis. E Mary Jane Watson começa a trabalhar nas Indústrias Stark – ou será que não? HQ dinâmica, texto gostoso e a química entre os heróis proporciona ótimos momentos.

Fase que marca início da carreira de Neal Adams

Coleção Oficial de Graphic Novels Salvat XV: X-Men – O Crepúsculo dos Mutantes (out/2016) – Pouco antes do título dos X-Men ser cancelado nos anos 60, o desenhista Neal Adams participou da revista e deixou sua marca numa fase marcada por novos mutantes – Destrutor, Polaris, Monolito Vivo – e o retorno dos Sentinelas. Este encadernado resgata essa fase que, embora tenha suas incoerências de roteiro, também é repleta de ação frenética e drama que era bem comum nas HQs dos mutantes. Não é uma leitura excepcional, por vezes, pode soar até mesmo datada… mas é uma importante fase dos heróis que merece, ao menos, ser conhecida.

Jogando a personalidade do herói no lixo.

O Espetacular Homem-Aranha 5 (mar/2017) – Em duas HQs, o Aranha conclui a trama em que enfrenta o Senhor Negativo e inicia outra, em que vai ao espaço sideral para hackear um satélite e descobrir o paradeiro do Escorpião (não o antigo inimigo do aracnídeo, mas aquele que é membro do Zodíaco). O problema está na palhaçada que o roteirista Dan Slott faz com o herói, mostrando-o caindo do espaço rumo à Terra, sem uma espaçonave, com pouca teia e caindo no meio dos Estados Unidos sem sofrer um único arranhão. Sério: estamos falando do Homem-Aranha, não do Hulk ou do Homem de Ferro, que tem sua armadura para protegê-lo! Ridículo! E nem adianta dizer que o uniforme tecnológico atual o protegeu, porque ele rasgou na reentrada da atmosfera. A questão é uma descaracterização do personagem nas mãos do “genial” Slott. Uma ofensa à inteligência.

 

 

Trailer: Thor – Ragnarok

Mais um blockbuster da Marvel vem aí! O estúdio acaba de liberar o trailer de Thor – Ragnarok, longa-metragem que estreia em novembro e traz o Deus do Trovão (Chris Hemsworth) enfrentando uma ameaça que pode ser o fim dos deuses de Asgard. O destaque fica para a participação de Hela, a Deusa da Morte (Cate Blanchett, divinamente bem caracterizada) e um certo “amigo de trabalho” com pele verde. Curtam o vídeo abaixo e não fiquem arrepiados com a trilha sonora de Led Zeppelin, se puderem.

Leituras da Semana – Abril (1)

Inaugurando o mês de Abril (e ainda pegando um restinho de março), as leituras desta semana têm edições recentes, mas também tem um livro que resgata momentos clássicos de dois grandes personagens.

Uma teia de personagens legais.

Homem-Aranha: Aranhaverso 3 (fev/2017) – Duas histórias do Homem-Aranha 2099, duas da Gwen-Aranha e uma da Mulher-Aranha, Teia de Seda e Guerreiros da Teia. O universo aracnídeo reunido nesta edição, bem bacana. Todas as histórias são boas, mas os destaques são para o Homem-Aranha 2099 e Guerreiros da Teia. Teia de Seda e Gwen-Aranha não são ruins, mas estão longe de se tornarem clássicas. E a nova fase da Mulher-Aranha tem seus atrativos, com a inclusão da heroína no rol dos personagens “engraçadinhos”, que enfatizam o lado ridículo das situações em que se envolvem. É a Marvel rindo de si mesma. Vale a leitura.

O destaque desta edição é o Homem-Formiga. Só.

Avante, Vingadores! 3 (fev/2017) – Os quadrinhos da Marvel andam numa fase tão ruim que decidi cortar alguns títulos do meu orçamento em 2017. Um deles era Avante, cujos números anteriores comprei interessado no rumo das histórias do Esquadrão Supremo, que realizaram um ato surpreendente na edição 1. Neste número, a equipe entra numa batalha com os Vingadores liderados pelo Capitão América-Rogers, mas o rumo da batalha foi pra lá de frustrante. Além disso, o mix também tem uma HQ chatérrima da Capitã Marvel (que a editora quer, a todo custo, empurrar goela abaixo dos leitores como a melhor-heroína-símbolo-ever), outra do intragável Hulk-Cho e os igualmente irrelevantes novos Supremos. A Força-V é até divertida, mas a química entre as integrantes deixa a desejar. A única que vale a pena acompanhar é a do Homem-Formiga, bacanérrima. Uma pena que colocaram o personagem no mix ao invés de lançar esse material em encadernados-solo. Fica a torcida para que a editora lance futuramente uma reedição.

Documento histórico

Coleção Super-Heróis Vol. 3 – Capitão América e Lanterna Verde (fev/2017) – A trajetória desses dois grandes personagens, um da Marvel, outro da DC, que tem em comum o fato de serem “soldados” – um deles da Terra, outro, do espaço sideral. Ambos, criados quase simultaneamente – Lanterna Verde foi criado em 1940, um ano antes do Capitão América (Ahá! Dessa você não sabia, né?). O bom desta coleção é exatamente o resgate histórico, passando pelas origens e bastidores de criação até os grandes momentos nos quadrinhos e como o personagem está na atualidade. É um documento, feito de fã para fã (e, modéstia à parte, esta edição tem grande parte do material feito por mim, o que me enche ainda mais de satisfação). Vale a pena ter na estante.

propaganda ideológica disfarçada de HQ.

Capitão América 1 (mar/2017) – Depois de mais de 20 anos, o Sentinela da Liberdade volta a ter um título só dele – mesmo que, aparentemente, seja por pouco tempo, já que vem sendo divulgado por aí que a revista se chamará Capitão América e Agentes da Shield (a não ser, claro, que se trate de outro título paralelo.). Mesmo também que o Capitão América não seja o Capitão América, mas sua versão Falcão. E mesmo também que o roteirista Nick Spencer (que o editorial se esforça para que o leitor aceite que ele é a última bolacha do pacote num deserto onde não existem supermercados para comprar outro) transforme a HQ num festival de propaganda ideológica minoritária a cada balão. A capa, que traz a chamada “O Fardo de Sam Wilson”, na verdade chama a atenção para o fardo do leitor, que tem que engolir um personagem pobre (e olhe que sou fã do Falcão!), numa história com piadas medíocres e roteiro ioiô, que vai e vem no tempo e chega ao cúmulo de ter um flashback dentro de um flashback (Roteiristas, o que aconteceu com o texto com começo, meio e fim?). A única preocupação não é contar uma boa história, mas passar uma ideia política: o Capitão América é o defensor das minorias, seja participando de uma parada gay,  seja viajando numa classe econômica de avião e conversando com uma dupla inconveniente, seja passando ideia que mexicanos têm, sim, o direito de cruzar a fronteira americana, fazendo um discurso anti-Trump (e olhe que a HQ foi escrita antes do atual presidente ser eleito). Ok, o Capitão América sempre foi um herói politizado. No entanto, as críticas eram bem mais sutis e, acima de tudo, o herói defendia um ideal, não uma postura política. O Falcão América, ao assumir um lado – abertamente na edição, inclusive colocando o próprio Steve Rogers contra ele -, jogou no lixo tudo aquilo que Simon, Kirby, Byrne, Englehart, Brubaker e tantos outros construíram ao longo de 75 anos. Como diria o Chaves, melhor ver o filme do Pelé.

 

Leituras da Semana – Março (4)

Encerrando o mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, as leituras foram exclusivamente femininas com uma heroína clássica e uma moderna.

A fase de ouro da Princesa Amazona

Lendas do Universo DC – Mulher Maravilha de George Pérez – Vol. 1 (Fev/2017) – Uma das fases mais aclamadas da Princesa Amazona reunida neste encadernado de qualidade ímpar. Após a saga Crise nas Infinitas Terras, a DC precisou reformular a origem de seus personagens e o artista George Pérez – que teve uma brilhante fase nos Novos Titãs – ficou encarregado de devolver a relevância à Mulher-Maravilha. O desenhista/roteirista acertou em cheio ao associar a heroína à mitologia grega, dando-lhe um caráter quase divino e recolocando-a entre os principais personagens da editora. A beleza do traço de Pérez é outro atrativo, pois destaca toda a delicadeza e altivez da heroína. Um material à altura para aguardar o filme da Amazona que está por vir.

Bom humor juvenil

Ms. Marvel Vol 3 – Apaixonada (Mar/2017) – Um material pra lá de divertido que lida com muito humor das confusões hormonais que acontecem na adolescência da jovem super-heroína. Na primeira história, ela precisa evitar que Loki estrague o baile do Dia dos Namorados em sua escola. Nas outras três, a jovem Kamala encontra um novo garoto na cidade que faz o coração dela balançar. Pra encerrar, mas uma HQ bem engraçada com a participação de agentes da Shield saídos diretamente da série de TV. O melhor dos três encadernados da Ms. Marvel até agora.

Crítica: Power Rangers

Estreia em 23 de março o novo filme da série Power Rangers, grande sucesso nipo-americano da década de 1990. O longa-metragem volta às origens e conta como surgiu a equipe, mostrando cinco jovens adolescentes descobrindo moedas místicas que lhe conferem poderes especiais. Veja nossa crítica em vídeo:

Cotação: 

Leituras da Semana – Março (3)

As dicas desta semana estão bem atuais, com lançamentos recentes, referentes ao mês de fevereiro e que podem ser encontrados nas bancas com facilidade. Todas elas agradáveis e divertidas.

clima descontraído nas HQs do grupo

Guardiões da Galáxia 3 (fev/2017) – Os textos desta revista são descontraídos e com um humor leve e característico da equipe, que se consagrou no cinema. A edição tem três histórias – Guardiões, Drax e Rocket & Groot – nesse clima light, sendo que a última conclui a saga que resolve o mistério da busca de Rocky Racum de uma forma bem inusitada e como só o guaxinim falante poderia solucionar.

O vilão de Star Wars não tem a Força no título-solo.

Star Wars: Darth Vader – Vader (fev/2017) – O encadernado reúne as seis primeiras edições do título-solo do lorde sith e, aparentemente, teria muita história para contar, mas deixou a desejar no desenvolvimento da trama. Não que a história seja ruim – ei, estamos falando da franquia Star Wars. Mesmo quando é ruim, é bom! – mas quando falamos do maior vilão da saga espacial, a esperança é que seja uma história para arrebentar a boca do balão. Particularmente, achei que o texto não engatou, ficou perdido na apresentação de uma personagem nova e sem carisma e apresentou uma missão arrastada e mal explicada do vilão. O que tem de bom é a ligação com o outro encadernado já lançado (leia sobre ele aqui), com uma espécie de crossover entre as histórias.

A volta da identidade secreta – mas sem explicações.

Demolidor 12 (Fev/2017) – Após a saída de Mark Waid, que escreveu uma das melhores fases do super-herói cego, assumiu o roteirista Charles Soule. Ele manteve o mesmo perfil criado por Waid (um herói mais bem humorado e urbano) e trouxe uma novidade: um parceiro para o personagem: o herói Ponto Cego, capaz de ficar invisível graças a um equipamento movido a pilha (!!!) e criado por ele mesmo. O encadernado é bom, com histórias que trazem o Demolidor de volta à Nova Iorque, enfrentando um líder religioso nos moldes do Rei do Crime (É criminoso, mas influente e ninguém consegue provar sua culpa), mas o duro de engolir é a explicação dada para o fato de ninguém mais saber a identidade secreta do herói: nenhuma. Algumas pistas são dadas, mas nada é revelado. Sabe-se apenas que todo mundo “esqueceu” a identidade do Demolidor. E os jornais, que publicaram a notícia com ampla cobertura? E o documento que expulsa Matt Murdock da Ordem dos Advogados, não consta nada? Ou seja: a Marvel tratando o leitor como idiota.

Nostalgia mutante

X-Men’92 (Fev/2017) – Sabe Deus porque a Panini decidiu excluir este título de seus lançamentos na época das Guerras Secretas (que foi de setembro a dezembro do ano passado). Sabe Deus ainda o motivo pelo qual a editora resolveu lançar a edição encadernada somente agora, três meses depois que a Guerra acabou – e com o selo Guerras Secretas na capa, afinal a história se passa naquele período. Apesar desse contrassenso, o fato é que a edição saiu. E é divertida. Mas, excetuando-se a formação da equipe, não tem nada a ver com o desenho animado, sendo muito mais uma homenagem à cronologia dos mutantes, com várias referências de histórias anteriores da equipe espalhadas pelas páginas. A própria vilã – Cassandra Nova – nem tinha sido criada ainda na época do desenho. Ou seja: é uma leitura gostosa, descomprometida, mas não espere relação com o desenho animado.

Crítica: Punho de Ferro

Estreou ontem (17), a nova série da Netflix baseada num super-herói da Marvel: Punho de Ferro. Com seus treze episódios já disponíveis, a série é estrelada por Finn Jones no papel do herói marcial e conta a história de como o jovem Daniel Rand treinou seu corpo até se tornar um mestre nas artes marciais e adquiriu a habilidade de concentrar sua energia para tornar seu punho tão forte como o ferro.

“Desculpe, mas não tenho trocado pra esmola hoje. Só saio com notas de 100 mil”

Como fizemos nas séries anteriores da Netflix (Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage), assistimos aos primeiros episódios (desta vez foram quatro, porque o terceiro tem um gancho imperdível) para podermos fazer esta crítica. Ao contrário do que muita gente vem pregando por aí, a série é bem bacana e fiel ao personagem dos quadrinhos, com algumas mudanças necessárias para adaptação/atualização do enredo. No entanto, há que se concordar que falta um pouco de ritmo ao roteiro, que se prende demais em detalhes desnecessários. Falaremos sobre isso mais à frente.

O herói já estreou distribuindo porradas

Para quem não conhece o personagem, vamos a um breve resumo de sua trajetória nas HQs: Punho de Ferro estreou na revista Marvel Premiere 15 (1972). Daniel Rand é um garoto cujo pai, o empresário Wendell Rand, sonhava em encontrar o reino místico de Kun Lun, uma cidade oculta nas montanhas do Himalaia que só era vista a cada 10 anos. Por isso, embarcou com a família e seu sócio, Harold Meachum, numa busca pelo local. Traído pelo sócio, que desejava se tornar o dono das empresas Rand, Wendell foi assassinado. A esposa, Heather, recusando-se a acompanhar o assassino de seu marido, prosseguiu na busca por Kun Lun, mas foi devorada por uma matilha de lobos, para permitir ao pequeno Danny que atravessasse uma ponte e, assim, chegasse ao reino místico.

A tatuagem é presente do dragão Shu Lao.

Sozinho e desamparado, Daniel foi criado pelos monges e treinado nas artes marciais até atingir o perfeito domínio de corpo e alma. Como último teste, e para dar continuidade à genealogia dos guerreiros escolhidos, Daniel teve que derrotar o dragão Shu Lao, entidade imortal que era a fonte do poder de Kun Lun. Ao encostar seu peito no coração do monstro num abraço durante a luta, Daniel ganhou uma tatuagem no formato de dragão. Depois, ao enterrar seu punho no mesmo coração, o jovem adquiriu o poder do Punho de Ferro – habilidade de concentrar seu chi (energia do corpo) e tornar seu punho tão forte quanto o ferro. De volta à civilização, Daniel reassumiu a posse de suas indústrias das mãos da família Meachum e se tornou o herói marcial.

Rand tem que recuperar sua empresa das mãos de Ward (E) e Joy (D).

É exatamente nesse ponto que começa a série, mostrando um Daniel Rand (Finn Jones) chegando à cidade grande após passar 15 anos em Kun Lun. Dado como morto depois de tanto tempo, Danny é tratado com hostilidade por Ward Meachum (Tom Pelphrey) o atual dono das empresas Rand, uma vez que Harold (David Wenham) também morreu de câncer anos antes. Apenas Joy (Jessica Stroup) parece acreditar no rapaz, devido aos antigos laços de infância que os uniu, mas mesmo assim, age com desconfiança.

Colleen se torna uma aliada

Sem ter como provar sua identidade, Daniel passa a ser perseguido por Ward, que deseja eliminar qualquer evidência de que o verdadeiro proprietário da empresa possa ter retornado e, assim, perder seu posto. Daniel encontra em Colleen Wing (Jessica Henwick) uma amiga que lhe dá abrigo e o auxilia em sua busca por recuperar seu lugar no mundo. Evidentemente, isso não vai ser tão fácil, um vez que o jogo de poder é intenso e ainda existe a ameaça do Tentáculo, criminosos ninjas liderados por Madame Gao (Wai Ching Ho), aquela mesma, que enfrentou o Demolidor na primeira temporada da série.

Esse poder é ótimo para quando falta eletricidade.

Além de Madame Gao, há outros personagens comuns às series anteriores, como Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), a advogada amiga de Jessica Jones e, claro, Claire Temple (Rosario Dawson), a enfermeira que bate ponto nas quatro séries. Diferente dos quadrinhos, porém, a trama não foca tanto nas habilidades marciais do herói, mas sim em sua história pessoal e sua busca para recuperar o que perdeu. Talvez aí esteja a frustração de grande parte da crítica, que esperava ver uma série de super-herói mascarado e encontrou um história policial.

referência verde e amarela

Embora tenha um superpoder incomum, o herói não o usa até o final do segundo episódio – numa cena muito bacana, aliás. O ritmo da história, como já dissemos, é lento e arrastado a ponto de incomodar. O segundo episódio não acontece absolutamente nada de relevante e bem poderia sofrer uma edição que reduzisse os 61 minutos em apenas 20, e ainda seria muito. O terceiro episódio, no entanto, recupera o fôlego e tem um excelente gancho para o quarto, que tem uma queda novamente (não tanto quanto o segundo). Ou seja, a série é inconstante.

Quarteto Fantástico. Não, pera…

De qualquer forma, para um começo, a história está muito boa e intrigante. Jones não tem o mesmo carisma que Mike Colter no papel de Luke Cage, mas também não faz feio. Nos quatro primeiros capítulos, há muitas cenas em flashback que relembram a origem de Daniel Rand – e há uma mudança bem radical com relação aos quadrinhos – e várias referências às HQs que os fãs vão adorar procurar. Talvez fosse uma boa ideia a Netflix repensar a quantidade de episódios das séries a fim de dar mais agilidade aos enredos. Oito episódios ao invés de treze eliminaria uma “barriga” desnecessária na história e tornaria as séries muito mais dinâmicas. Agora é esperar setembro, com a série Os Defensores, para ver os heróis da Netflix reunidos. Por enquanto, Punho de Ferro cumpriu seu papel com saldo positivo.

Cotação: