Leituras da Semana – Julho (5)

Na última semana de julho, muitas novidades, que incluem, além das tradicionais revistas mensais, um lançamento independente e uma HQ infantil, resgatada de um passado já distante.

Soterrado em péssimos roteiros.

O Espetacular Homem-Aranha 9 (jul/2017) – O aracnídeo salva um de seus empregados de um acidente nas Indústrias Parker e se vê às voltas com o seu velho inimigo Chacal (num ridículo traje com cara de Anúbis. Sério isso, Dan Slott?) e novos clones criados pelo vilão. Fica a pergunta: se uma Saga do Clone já foi ruim, para quê repetir a dose? Bobagem também é a história seguinte, onde o Homem-Aranha continua tentando solucionar o caso do homem que ressuscitou, mas cuja trama, que começou interessante e detetivesca, descambou para uma temática inconsequente, apelando para um ateísmo que nunca existiu no Aranha e denegrindo as religiões. O duro de ser fã é que você acompanha um personagem numa fase ruim, esperando que ela melhore… mas ultimamente está difícil…

Terror é tema da segunda HQ de Folgosi

Comunhão (jul/2017) – Segunda HQ independente de Felipe Folgosi financiada pelo site Catarse. Veja a crítica desta HQ aqui. Veja também a crítica da primeira HQ de Folgosi, Aurora, clicando neste link.

A volta de velhos inimigos

Doutor Estranho 8 (jul/2017) – Iniciando um novo arco de histórias, os velhos inimigos do Doutor Estranho, sabendo que seu acesso à magia agora é limitado, resolvem atacá-lo em sequência. A trama é interessante porque resgata todos os inimigos clássicos do herói, mas ao mesmo tempo é bem incoerente, pois se a magia está limitada, como se explica todos os inimigos continuarem megapoderosos? E ainda há quem diga que Jason Aaron é um bom roteirista… Fora isso, as histórias são divertidas e mantém o clima das últimas aventuras do Mago Supremo.

Histórias empolgantes dos Gladiadores Esmeralda

Lanternas Verdes 3 (jun/2017) – Quatro boas histórias nessa HQ. As duas primeiras são dos Lanternas Verdes Simon Baz e Jessica Cruz, que, fora o fato de serem Lanternas inúteis – uma sofre de crise de ansiedade e está sempre com medo (Hein?) e o outro é um chorão criado pra levantar a bandeira do preconceito (é negro e muçulmano, por isso todos o rejeitam. Ó, vida, ó dor…) – ainda conseguiram protagonizar momentos empolgantes na luta contra Atrócitus e os Lanternas Vermelhos. As outras duas, com Hal Jordan e a Tropa dos Lanternas Verdes, traz os Lanternas que valem – Hal, Guy Garner e John Stewart (faltou o Kyle Rayner) – contra a Tropa Sinestro. Tem momentos bem fortes e aquele clima de torcida pelo herói. Muito bom ler histórias assim.

Lanternas Verdes em excelente fase

Lanternas Verdes 4 (jul/2017) – Mais quatro histórias dos heróis esmeralda, no mesmo esquema da edição anterior. As duas primeiras, dos novos lanternas, Simon Baz e Jessica Cruz, nas quais os heróis passam momentos familiares (assando biscoitos!) ao mesmo tempo em que defendem o Guardião do Universo, Rami, do ataque da raça Dominion (aqueles, da saga Invasão, dos anos 90, que também apareceram no crossover das séries de TV da DC). As duas seguintes trazem Hal Jordan e a Tropa contra as forças da Tropa Sinestro – e Hal mostra que porque continua sendo o maior Lanterna Verde de todos. Aventuras empolgantes, numa fase muito boa dos personagens.

Aventuras caninas

TV ColOsso 8 (jun/1995) – Não se assuste de ter uma revista tão antiga nessa lista. É que ganhei de presente de um amigo e achei digno colocar uma resenha. A TV ColOsso foi um programa infantil da Rede Globo (na época em que a emissora tinha programas infantis) que substituiu o Xou da Xuxa. Depois de quase sete anos no ar, com um sucesso estrondoso, difícil acreditar que a Rainha dos Baixinhos pudesse ser substituída por um grupo de muppets caninos. E não é que deu certo? A sheepdog Priscila e seus amigos não apenas substituíram Xuxa muito bem como tiveram um sucesso considerável, que também virou revista em quadrinhos. Nesta HQ, quatro histórias divertidíssimas que mostram Priscila ajudando um amigo a gravar um CD, o aniversário do Gilmar e o patrão J. F. na criação de um talk show para a TV. A quarta é a tirinha da última página. Nostalgia pura!

 

Saído do Forno: Comunhão

Produzir quadrinhos no Brasil não é uma tarefa muito simples se você não se chama Mauricio de Sousa. Porém, o mercado tem espaço para bons trabalhos que, a exemplo do célebre cartunista, decidem não ficar choramingando a falta de oportunidades, mas correm em busca delas. É o caso do ator e roteirista Felipe Folgosi, que acaba de lançar seu novo álbum, Comunhão, publicado sob a batuta do Instituto dos Quadrinhos e financiada pelo site Catarse em 2016.

Comunhão também foi financiada pelo site Catarse

Em 2015, Folgosi já havia lançado a HQ Aurora (leia nossa crítica aqui), também confiando na colaboração dos leitores interessados, que, literalmente, “pagaram para ver” a obra pronta. E tanto valeu a pena que o autor repetiu a dose, com vários atrativos que superam o álbum anterior. Para começar, a obra fugiu ao tamanho tradicional: enquanto Aurora seguia o tamanho americano (17cm X 26cm), Comunhão chega com 22,3 cm X 31 cm, formato maior do que a revista Veja, para comparar. Além disso, o álbum tem 144 páginas, 36 a mais do que o anterior. Com este formatão, é possível apreciar melhor a arte de J. B. Bastos, parceiro de Folgosi neste projeto.

O artista J. B. Bastos já trabalhou com o tema “terror” em HQs gringas.

A arte, aliás, é outro diferencial: em Comunhão, o autor optou por desenhos em preto e branco, uma vez que a trama segue pelo gênero do terror e as antigas revistas do gênero seguiam o estilo sem cor. Bastos, que já trabalha nos títulos Night Trap e Knight Rider (quadrinhos da antiga série de TV A Super Máquina), da Lion Comics, tem o ritmo de quadrinhos de terror e soube criar quadros com momentos bem tensos e assustadores. O roteiro, segundo o autor, foi fruto de uma conversa com um amigo há 10 anos, no qual este lhe sugeriu que escrevesse um roteiro de terror. A princípio resistente, Folgosi resolveu seguir o conselho e idealizou uma história que se passasse no Brasil e fosse realista, mas mexendo com o psicológico.

Felipe deu o sangue para publicar esta edição.

Na trama da HQ, Amy é uma atleta que decide encerrar sua carreira após um trauma com um acidente, encontrando um sustento na fé. Anos depois, ao realizar uma trilha na floresta amazônica com um grupo de amigos, acaba se metendo numa série de eventos que separam uns dos outros e os colocam em contato com vários perigos da região. Em busca da sobrevivência, Amy e seus amigos são confrontados com seus próprios instintos e a ex-atleta encontra o outro lado da religião, repleto de violência e morte.

A HQ tem momentos bem pesados e assustadores.

Embora apele para o lado religioso, a HQ não é doutrinária – embora deixe a lição de que a fé pode fortalecer em momentos difíceis e até formar o caráter, tanto para o bem quanto para o mal. O título tem a ver com a Última Ceia, mas pode chocar leitores mais conservadores e sensíveis (lembrando que é uma HQ de terror, não religiosa…). Não por acaso, o título é recomendado para maiores de 16 anos, pois está repleto de cenas de violência explícita. No entanto, a história é bastante envolvente e nos faz ficar ansiosos pelo desenrolar dos eventos.

Felipe Folgosi autografa sua obra, no lançamento (Foto: arquivo pessoal do autor)

Também merece menção o ajuste nos nomes dos colaboradores. Em Aurora, as pessoas que ajudaram a financiar o projeto no Catarse, tiveram seus nomes impressos na terceira capa, em sequência e sem qualquer ordem, dificultando para a pessoa encontrar-se no meio da multidão de nomes. Em Comunhão, os apoiadores foram organizados em ordem alfabética, separados em três colunas, muito mais agradável de se ler.

Arte de Luke Ross para promover a obra.

A única crítica vai para a capa da HQ, desenhada por Will Conrad e Ivan Nunes. Sem desmerecer os artistas, que fizeram um belíssimo trabalho, mas o desenho pouco lembra o conteúdo da trama. Tem, sim, uma referência aos fatos que deflagraram toda história, mas não condiz com a trama em si. Em questão de adequação ao tema, é muito mais apropriada a arte feita por Luke Ross, usada para divulgação do álbum. Mas, como diz o ditado, não se deve julgar um livro pela capa e, no caso de Comunhão, o dito é verdadeiro. Folgosi superou a si mesmo neste ótimo trabalho e quem ganha somos nós, leitores.

UM MILHÃO de views!!

É com muito orgulho e alegria que ultrapassamos, neste dia, a marca de UM MILHÃO de visualizações em nosso Blog Raio X. Pode parecer bobagem, visto que muitos sites tem essa quantidade de views diariamente, enquanto que nosso blog demorou sete anos para chegar à marca. No entanto, encaramos esta conquista como o fruto de um trabalho sério, que sempre buscou não apenas trazer informações jogadas aleatoriamente só para se manter no topo, mas também trazer algo mais e fugir da superficialidade.

Ma oe!! Chegamos a UM MILHÃO, que vale mais do que dinheiro!

Nestes sete anos mudamos de nome, ajustamos o foco, criamos uma identidade, uma marca (nosso X com o “play”, sempre em movimento), sempre visando melhorar e trazer artigos que tenham informação, senso crítico, uma pitada de bom humor e, principalmente, sem desrespeitar a inteligência do leitor. Se chegamos a um milhão de views e mais de uma centena de seguidores em quase 750 postagens, é porque temos cumprido esse objetivo e queremos agradecer a todos que nos prestigiam, seja curtindo as postagens, dando “estrelinhas”, compartilhando nas redes sociais, comentando, criticando, elogiando…

Nosso Top 5 responsável por boa parte desse milhão.

Obrigado um milhão de vezes a todos os seguidores e visitantes. Obrigado a você que fez uma busca no Google e veio parar aqui por acaso. Espero que tenha gostado das informações e continue nos visitando. Obrigado a você, que é fã do Chucky, da Lagoa Azul, do Motoqueiro Fantasma com chama azul e curte as mudanças de uniforme do Capitão América. Obrigado a você que coleciona os brinquedos que vêm nos ovos de Páscoa ou os fascículos das coleções da Salvat. Sobretudo, obrigado a você que é fã de cultura e gosta de se manter informado.

“Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar”

Continue conosco passando essa energia boa que, de nossa parte, continuaremos trazendo artigos de seu interesse, sempre com uma informação a mais, que você não encontra nos outros sites. Curta também nossa página no Facebook e fique por dentro de nossas postagens. Porque o nosso objetivo está expresso no nosso nome: dar um raio x sobre o tema, mostrando além daquilo que está na superfície. Vamos cortar o bolo e já começar a contagem regressiva para o segundo milhão!

É desse blog que pediram um milhão?

Leituras da Semana – Julho (4)

Com a frente fria que atacou São Paulo nesta semana, nada melhor que ler embaixo dos cobertores depois de um bom banho quente. Eu, que detesto frio, poderia ficar o dia todo nessa, se não tivesse que trabalhar. Como não sou político e tenho que ir à luta pra pagar as contas, não deu pra ler muita coisa, mas ainda deu para salvar alguma coisa, que resenho abaixo:

A Liga da Justiça enfrenta seus próprios medos

Liga da Justiça 4 (jul/2017) – Inicia-se um novo arco, onde uma estranha criatura é capaz de impor medo em todos os heróis da Liga, incluindo o Batman e os Lanternas Verdes – que, diga-se de passagem, são personagens totalmente inúteis. De qualquer forma, a HQ tem bons momentos, como o encontro romântico do Flash com a Lanterna Jessica Cruz e a luta entre o Batman e o Superman.

História continua em outro título: receita para perder leitores.

Batman 4 (jul/2017) – Na conclusão do arco de Gotham e Gotham Girl, o Batman tenta ajudar a garota, que foi afetada pelo Pirata Psíquico e está agindo insanamente pela cidade. Depois, tem início um novo arco, A Noite dos Homens-Monstro, que vai se estender também pela revista Detective Comics. E aqui termina minha leitura pela revista do Homem-Morcego, pois além da história ser ruim, ainda vai ter continuação em outra revista que não compro. É o tipo de estratégia editorial que, mais do que atrair, afasta os leitores.

Edição acima da média.

Superman 4 (jul/2017) – No final do arco O Filho do Superman, o Homem de Aço faz de tudo para defender sua família contra o poder do Erradicador. A história termina perfeitamente e marca a estreia oficial de um novo herói no Universo DC. A segunda história traz um momento família do herói de Krypton, com humor, ternura e aventura também, embora num ritmo mais leve. Mostra porque o Superman é o maior herói de todos, mesmo que não precise usar uniforme.

Boas histórias, mas narrativa dispersa

Homem de Ferro 8 (jul/2017) – Tony Stark continua a busca pelos seus verdadeiros pais em mais uma dose dupla da edição americana International Iron Man. As histórias são boas, mas o estilo narrativo atual ainda me incomoda, com uma “linha do tempo” que parece um jogo de montar, alternando entre datas aleatoriamente e fora de ordem para mostrar eventos que influenciaram o hoje. Deve haver algum problema na mente dos roteiristas para primeiro mostrar todo o passado para depois narrar a história atual sem precisar desse vai-e-vem constante. Tudo bem que seja um recurso literário válido, mas usado constantemente, perde seu impacto. Infelizmente, não é estilo de um único roteirista, mas se repete em todas as HQs modernas. Acabou a história com começo, meio e fim: hoje, temos a história com meio, começo, meio, fim, meio, começo e antes do começo. Por fim, a edição também anuncia oficialmente o início da saga Guerra Civil II para setembro, o que significa que a edição de agosto ainda terá HQs genéricas do Vingador Dourado.

Dica Literária: Os Filhos de Odin

Lançado em 2015, o livro Os Filhos de Odin (Única Editora, 224 páginas) embarca no sucesso dos filmes da Marvel e da série de TV Vikings (History Channel) para apresentar as lendas da mitologia nórdica que narram as aventuras dos deuses cultuados pelos antigos vikings. O autor, Padraic Colum, narra, em diversos contos, a saga dos deuses mitológicos desde a sua origem até o final dos tempos, chamado de Ragnarök.

O autor Padraic Colum

O livro é dividido em quatro grandes capítulos – Os habitantes de Asgard, O coração da bruxa, Odin, o andarilho e A espada flamejante e o crepúsculo dos deuses – trazendo, em cada um deles, diversos contos que podem ser lidos isoladamente, mas que, lidos em sequência, fazem uma grande narrativa da história dos deuses nórdicos.

Livro vem no embalo das produções da Marvel e série de TV dos Vikings

A obra tem uma linguagem que lembra as histórias contadas pelos vikings ao pé da fogueira e que passaram de geração em geração, com suas narrativas fantásticas e exageradas – conta-se que tentaram enganar Thor dando-lhe um chifre para beber contendo as águas do mar. E tanto ele bebeu que chegou a baixar as marés) – e textos cheios de apostos (“Odin, o mais velho dos deuses”; “Loki, o trapaceiro”; “Baldur, o bem- amado” e por aí vai), repetidos à exaustão, para fazer o interlocutor gravar  na memória as características dos personagens.

A mitologia nórdica tem muito mais do que apenas Thor e Loki.

Ideal para quem quer conhecer um pouco mais dos mitos narrados nos quadrinhos do Poderoso Thor (muitas histórias foram adaptadas na série Contos de Asgard, lançada recentemente pela Salvat), o livro é uma leitura deliciosa que amplia o conhecimento sobre nossos antepassados e mostra que os mitos são uma maneira dos nórdicos encontrarem, no espírito guerreiro dos seus deuses, o mesmo vigor e força para vencer suas batalhas. Interessante conhecer um mundo que vai muito além das aventuras de Thor e das maldades de Loki.

Os Filhos de Odin é da Única Editora, um selo da Editora Gente e pode ser encontrado nas livrarias ou no site da editora.

Leituras da Semana – Julho (2) e (3)

Julho, mês de férias… período ideal para ler muitas HQs bacanas… só que não. Muito trabalho nos últimos dias, o ritmo diminuiu e acabei lendo pouca coisa (tanto que juntamos duas semanas, pra fazer mais volume). Mas as leituras foram boas. Aqui trazemos algumas dicas:

Completando a coleção

Coleção Histórica Marvel – Wolverine Vol. 4 (abr/2017) – Fechando a coleção histórica, a última edição traz um arco onde Wolverine (cada vez mais X-Man e cada vez menos Caolho) impede um carregamento de cocaína de chegar ao seu destino apenas para se ver envolvido num esquema que vai além do tráfico e visa transformar cobaias em super-humanos. É um arco bem intrigante, que traz de volta conceitos criados por Jack Kirby (Celestiais, Eternos, Deviantes) numa história que mistura ação, o clima de espionagem das HQs solo de Wolverine e a participação de um vilão que não faz parte do universo dos X-Men, como parte da saga Atos de Vingança. Bem legal.

Herói internacional

Homem de Ferro 7 (jun/2017) –  Edição que traz duas HQs do título International Iron Man pois a mensal do ferroso já entra na saga Guerra Civil II e a Panini decidiu enrolar até chegar o momento cronológico certo de publicar a saga (não que alguém esteja com pressa ou interessado, claro!). A história, da dupla Bendis/Maleev, é bacana e tem o clima de conspiração que sempre foi padrão nas aventuras do Homem de Ferro. Até mesmo a dinâmica de flashbacks é bem conduzida pelo roteirista e mostra como os fatos do passado se repetem no presente do herói. Coisa de quem sabe escrever e não enrolar. Vale a leitura.

O Mistério de Clark Kent

Action Comics 4 (jul/2017) – Superman e toda Metrópolis querendo descobrir o mistério por trás de Clark Kent, que surgiu durante a batalha contra o Apocalypse. Ele jura de pés juntos que não é o Superman – e não é mesmo, já que o Superman também está surpreso com esse mistério – E eu estou surpreso com o fato de todo mundo saber que o Superman é Clark Kent neste novo universo dos Novos 52, mas agora não sabem mais, pois o novo Superman, que é do Universo antigo – e que também é Clark Kent – e apareceu após a morte do outro Superman e… bem, não queira entender essa salada dos infernos que a DC criou com esses Novos 52 malditos. O importante é que o Renascimento está ajustando as coisas aos poucos e a história é boa.

Edição maravilhosa

Mulher-Maravilha 4 (jul/2017) – Maravilhoso (desculpem, não deu pra evitar o trocadilho) esse arco Ano Um, apresentando o início da carreira da Princesa Amazona. Carregado de inocência e frescor, é uma retomada às origens, mas com um pé na modernidade. E a segunda história, já em nossos dias, mostra Diana tendo que salvar Steve Trevor de ser sacrificado ao deus Urzkartaga.

Minissérie em seus últimos momentos – ainda bem!

Cavaleiro das Trevas III – A Raça Superior 8 (jul/2017) – Uma série que até começou bem, em seus capítulos finais, perde o fôlego e se torna decepcionante. A edição anterior já foi pobre de roteiro, com diálogos simplórios, leitura rapidíssima e meia revista só com esboços. Esta edição segue o mesmo esquema. A impressão que dá é que a trama, que poderia acabar em quatro edições (como a Cavaleiro das Trevas original, de 1986), está se arrastando para, obviamente, faturar mais um pouco. A minirrevista da vez é Detective Comics e traz uma história de qualidade bem duvidosa. É o que se falava quando ela foi anunciada: desnecessária e caça-níqueis. Frank Miller podia ter se poupado desta vergonha.

O melhor desta revista é a HQ.

Homem-Aranha: De volta ao Lar – Revista Oficial do Filme (jul/2017) – O divertido dessas “revistas oficiais” de filmes é saber curiosidades de bastidores e detalhes da produção. Esta revista não é diferente, mas não traz nada que já não tenha sido mostrado pela Internet. No entanto, a HQ que acompanha o conteúdo é muito, muito divertida, mostrando um Peter Parker afoito para ir a um show de uma banda famosa e tendo que lidar com criminosos no caminho. O Homem-Aranha em seu espírito descontraído, que é a característica básica do herói. Vale a pena. De brinde, ainda ganhamos um álbum de figurinhas do filme.

 

Crítica: Homem-Aranha – De Volta ao Lar

Estreou, em 6 de julho, o primeiro longa-metragem do Homem-Aranha produzido pela Marvel Studios, depois de vários anos nas mãos da Sony. Os direitos do personagem continuam com a distribuidora, fruto de um contrato feito nos anos 1990, para evitar a falência da Marvel, mas um acordo entre os dois estúdios fez com que o aracnídeo pudesse ser feito por quem realmente entende dele, ou seja, sua casa-mãe. E é claro que a Marvel não ia perder a piada: o título Homem-Aranha – De Volta ao Lar (2017) é uma referência clara a esse fato.

“Oi, galera!” Herói estreou ano passado, em plena Guerra Civil.

A estreia do herói se deu brevemente em Capitão América: Guerra Civil (2016) e deixou os fãs empolgados com a divertida participação do Aranha, bastante fiel à sua versão em quadrinhos – ao contrário do que aconteceu nas franquias anteriores, quando foi interpretado por Tobey Maguire (2002-2004-2007) e Andrew Garfield (2012-2014). Em De Volta ao Lar, a história começa com essa participação do jovem Peter Parker (Tom Holland) em Guerra Civil, narrada pelo ponto de vista do rapaz. Ao final da batalha, Tony Stark (Robert Downey Jr.) leva Peter de volta pra casa e deixa com ele o traje tecnológico do Homem-Aranha como um presente (na verdade, uma espécie de pagamento por seus “serviços”. Sim, Tony Stark é um canalha!).

Shocker também causa problemas pro nosso herói

A partir daí, Peter passa a agir na cidade com mais intensidade (ele já agia antes, com um traje caseiro, mas depois de Guerra Civil, se tornou uma celebridade) e esbarra nas atividades do Abutre (Michael Keaton), que agia como traficante de armas baseadas na tecnologia Chitauri, espalhada por Nova York após a batalha contra os Vingadores, mostrada no filme de 2012. Junto a ele estão o Consertador (Michael Chernus), responsável pela construção dos equipamentos, e o Shocker (Logan Marshall-Green e Bokeen Woodbine – vendo o filme, vão entender o motivo de ter dois atores para o mesmo personagem), seu capanga.

Betty, Flash, Liz, Ned, Michelle e Peter: amigos do peito.

Enquanto tenta provar que é um super-herói capaz de solucionar o crime na sua cidade e fazer uma média com Stark, Peter gasta o restante de seu tempo com problemas típicos de qualquer adolescente: os estudos no colégio Midtown, a paixão contida por Liz Allen (Laura Harrier), a amizade nerd com Ned Leeds (Jacob Batalon) e a rivalidade com Flash Thompson (Tony Revolori). Isso até o Abutre decidir que o Homem-Aranha é um incômodo que precisa ser eliminado.

“Não tente brilhar mais que eu nesse filme, pirralho!”

Ao contrário do que transpareceu nos trailers, o filme não é uma espécie de Homem de Ferro 4 e a participação do Vingador Dourado está ali apenas como apoio mesmo. O astro é o Homem-Aranha, como pede o título, e o filme resgata a jovialidade das primeiras aventuras do personagem, com muito bom humor e trata o aracnídeo como o adolescente que era em início de carreira – mas adaptado aos dias atuais, com muita tecnologia de celulares e Internet. Longe de (re) contar a origem do Homem-Aranha, que todos já estão carecas de saber, a trama vai direto à ação e brinca com toda inexperiência do rapaz. Imagine um garoto de 15 anos que, de repente ganhasse habilidades fantásticas… Não tem nada de “grandes poderes e grandes responsabilidades”: o que Peter quer é fazer o que é certo e ajudar as pessoas usando seus superpoderes – o que nem sempre dá muito certo. E é aí que está a graça da coisa.

“Eu só queria ajudar…”

Para os fãs puristas, o novo Homem-Aranha, embora seja o mais próximo dos quadrinhos já apresentado nos últimos 15 anos (40 anos, se considerarmos também a versão da série de TV), ainda não é o herói ideal. No filme, Peter é um perfeito pateta e, na maioria das vezes, causa mais dano do que ajuda (sabe a cena do navio partido ao meio mostrado no trailer? Pois é…). Essa versão poderia atuar junto com o Superman de Henry Cavill e concorrer a quem destrói mais a cidade tentando salvá-la. O humor do filme não está nas tiradas geniais que o herói sempre teve durante suas lutas, mas sim nas trapalhadas que ele provoca ou nas situações em se envolve, quase como um Jim Levenstein, o protagonista da franquia American Pie.

Escalando a pilha de referências.

O fato é que o tom do filme puxou bastante para uma comédia juvenil, muito mais do que para uma aventura de super-heróis, fruto das inspirações do próprio diretor Jon Watts, que assumiu ser fã dos filmes do roteirista e diretor John Hughes, como Curtindo a Vida Adoidado (1986). Não chega a ser um incômodo – ao contrário, é um filme leve e divertido de se ver, com um roteiro inteligente e muito bem conduzido, capaz de encaixar o herói dentro do Universo Cinematográfico da Marvel com referências desde a Homem de Ferro (2008), passando por Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), além dos dois longas dos Vingadores (2012-2015) e o óbvio Guerra Civil. Referências aos quadrinhos são inúmeras e deliciosas de se encontrar e vão desde personagens a fatos históricos da carreira do herói aracnídeo.

Michael Keaton dá um show

Sobre Michael Keaton, interpretando o Abutre, há pouco a se dizer além de que o ator é perfeito e merece o título de Lord of the Wings (Senhor das Asas, piada que tem circulado na Internet e cuja tradução perde a referência a Lord of The Rings, o Senhor dos Anéis). Um único porém é o modo como seu personagem é caracterizado, parecendo mais um Norman Osborn genérico, pelas características mostradas no filme e que não vamos dizer quais são para não revelar spoilers. No entanto, esses defeitos passam batido no contexto geral e o Abutre é, talvez, um dos melhores vilões dos filmes da Marvel, ao lado do Dr. Octopus de Alfred Molina. Uma verdadeira ameaça, com motivações sólidas e não apenas um desejo inexplicável de dominar o mundo.

“Bem-vindo de volta, parceiro. Você fez falta.”

Mesmo com esses poucos defeitos, Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um mais que bem-vindo retorno do Cabeça-de-Teia à Casa das Idéias, numa aventura totalmente integrada ao Universo Marvel e boas chances de gerar novas continuações de sucesso. Por enquanto, vamos nos contentar com a participação do Aranha nas duas partes de Vingadores: Guerra Infinita (2018/2019), que, esperamos, seja bem explorada. Finalmente, o Homem-Aranha voltou pra casa (mesmo que emprestado) e pode mostrar a todos o porquê dele ser o mais popular de todos os super-heróis.

Cotação: