Crítica (em vídeo): Chocante

Em meio às estreias deste final de semana, um filme nacional entra na briga com as grandes franquias do cinema americano. O longa Chocante (2017) terá um páreo duro pela frente, com Pica-Pau, Blade Runner 2049 e My Little Pony – O Filme, mas promete muitas risadas com a volta do grupo musical que estourou nas paradas nos anos 1990 e decide se reunir novamente, 20 anos depois.

Boy Band dos anos 90 retorna em (não tão) grande estilo.

A convite da Imagem Filmes, nosso blog participou da cabine de imprensa do filme e da coletiva com parte do elenco e dos produtores e trazemos no vídeo abaixo, nossas considerações sobre o longa-metragem. Acompanhe conosco a volta de Téo (Bruno Mazzeo), Tim (Lúcio Mauro Filho), Tony (Bruno Garcia), Clay (Marcus Majella) e Rod (Pedro Neschling) neste lançamento que é um verdadeiro choque!

Cotação: 

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Crítica: Diário de um Banana – Caindo na Estrada

Com um certo atraso, mas ainda em tempo, o filme Diário de um Banana – Caindo na Estrada pode ser uma boa dica de diversão, se você resolveu – com o perdão do trocadilho – não cair na estrada neste feriado prolongado e procura uma opção despretensiosa para curtir com a família. O longa-metragem é baseado na série de livros do autor americano Jeff Kinney, que já está no 12º. volume (a ser lançado em novembro) e já teve três filmes antes deste: Diário de um Banana (2010), Diário de um Banana 2 – Rodrick é o cara (2011) e Diário de um Banana 3 – Dias de Cão (2012).

É o quarto filme da série, mas adapta o nono livro.

Apesar disso, os filmes não seguem a cronologia dos livros, sendo, respectivamente o primeiro, segundo e quarto volumes. O atual filme adapta o 9º. livro da série, que é também o mais engraçado por colocar o protagonista, o impopular Greg Heffley, em situações para lá de inusitadas quando seus pais resolvem tirar um final de semana em família e visitar uma velha tia que fazia seu 90º. aniversário e morava em outra cidade. O filme também segue essa premissa e reserva bons momentos com as confusões de Greg e seus familiares pela estrada, lembrando bastante a série de filmes Férias Frustradas, protagonizados por Chevy Chase.

Estreia embananada

A novidade deste longa é a troca do elenco, uma vez que o ator Zachary Gordon, intérprete de Greg Heffley nos três filmes anteriores, cresceu e não tinha mais condições de representar um adolescente na faixa dos 14 anos. O novo “banana” é interpretado Jason Drucker, que não faz feio no papel, além de ser muito mais parecido com a caricata figura dos livros do que Gordon. No entanto, o garoto não tem o mesmo carisma que seu antecessor, o que pode ter prejudicado o desempenho do filme.

Um passeio em família se torna uma verdadeira saga para os Heffley.

O restante do elenco é formado por Alicia Silverstone e Tom Everett Scott, como os pais de Greg, Charlie Wright, como o irmão Rodrick (esse sim, ruim de dar dó) e Owen Asztalos como o melhor amigo Howley, cuja participação foi relegada a uma breve aparição no início e outra no final do filme. Uma pena. Os gêmeos Dylan e Wyatt Walters se revezaram no papel de Manny, o irmão mais novo de Greg. A história mostra a mãe de Greg querendo criar situações que aproxime os membros da família, contrariando os filhos, que preferem ter sua própria diversão. Ela organiza uma viagem para visitar uma tia nonagenária e Greg só aceita porque o caminho fica próximo de uma convenção de videogames, onde ele poderá conhecer seu ídolo do You Tube e, dessa forma, ganhar popularidade entre seus amigos.

Referências…

Obviamente, nem tudo – leia-se “nada” – dá certo nessa viagem, que é recheada de trapalhadas e situações inusitadas, principalmente com a presença constante do “Sr. Barbudão” (Chris Coppola), um pai de família totalmente mal educado, também passeando com seus familiares e que, para azar de Greg, segue o mesmo caminho. O tremendo azar do garoto reserva até uma engraçadíssima referência à cena do chuveiro de Psicose (1960), entre outras gags.

“Peraí, essa nota tá mais baixa que a da banda Fräwda Xeia”

Nos Estados Unidos, Diário de Um Banana – Caindo na Estrada teve a pior cotação dos filmes da série (apenas 39 no Metascore, site que faz uma média das notas de vários sites especializados, contra 56, 51 e 54 dos longas anteriores), o que não deixa de ser estranho, uma vez que o diretor David Bowers manteve o espírito da franquia (apenas o primeiro filme teve direção de Thor Freudenthal). Mais do que isso, ele é também o roteirista, juntamente com o autor Jeff Kinney (que também faz uma aparição no filme, a exemplo de Stan Lee nos longas da Marvel). A justificativa, provavelmente, se deve à troca de elenco, cuja falta de entrosamento transpareceu no resultado final e, para um filme familiar, é uma falha irreparável.

Caindo na estrada… literalmente.

Uma pena, pois Caindo na Estrada é um filme divertido e fiel ao livro no qual é inspirado. Não se trata de uma produção para arrancar elogios nem para concorrer ao Oscar, mas também não justifica uma cotação tão negativa, principalmente porque cumpre aquilo a que se propõe, que é ser uma comédia feita apenas para descontração. Nesse quesito, o longa vale mais a pena do que o stress causado por horas perdidas numa estrada congestionada.

Cotação: 

 

Em primeira mão: Inumanos

Numa parceria entre a Marvel Studios e os cinemas com tecnologia IMAX, foram exibidos ontem no Brasil (e hoje nos Estados Unidos) os dois primeiros episódios da série de TV Inumanos (Inhumans, 2017), que estreia no final deste mês pelo canal ABC (exibido pela Sony no Brasil). Editados em formato de longa-metragem, o filme tem 78 minutos e, ao contrário do esperado, não se tratou de uma exibição única, mas ainda pode ser visto nos próximos dias em cinemas equipados com a tecnologia IMAX (tela gigante e sistema de som stereo com 7 canais e projetor de alta definição).

Figurino do elenco foi motivo de piada nas redes sociais.

As primeiras exibições para a imprensa americana não foram muito favoráveis, resultando numa enxurrada de críticas que minaram o interesse do público pelo seriado dos desconhecidos heróis. Para piorar, o preço elevado da sessão em IMAX (R$ 53 reais) também não ajuda a atrair o espectador para estas sessões especiais. Somado ao fato de que a página da IMAX no Facebook e os próprios cinemas não tinham informações detalhadas sobre locais e horários de exibição, a estratégia da Marvel para impulsionar o seriado não foi lá muito acertada.

Adivinhe por que os Inumanos não usam chinelos…

Independentemente disto, a série é interessante e representa com fidelidade os personagens na tela. Escondidos da perseguição dos humanos na Lua, os Inumanos são uma raça de seres evoluídos onde cada membro tem um poder diferenciado, que ele recebe após se submeter a um processo chamado Terrigênese, no qual cristais especiais formam um gás que, absorvido, despertam os genes evoluídos em seus corpos. A série foca a família real inumana, formada pelo líder e rei, Raio Negro (Anson Mout), sua esposa Medusa (Serida Swan), a irmã dela, Cristalys (Isabelle Cornish), o chefe da guarda Gorgon (Eme Ikwuakor), o conselheiro Karnak (Ken Leung), seu irmão Triton (Mike Moh) e Maximus (Iwan Rehon), o irmão de Raio Negro. Completa o grupo o fofíssimo Dentinho, animal de estimação de Cristalys, que se assemelha a um buldogue gigante. 

A série já começa com cena de perseguição.

A história começa com o desaparecimento de Triton, aparentemente morto ao tentar ajudar uma inumana na Terra a fugir de um grupo de caçadores que a perseguia. Durante uma cerimônia de terrigênese, dois irmãos se tornam inumanos e um deles adquire o poder de ver o futuro, alertando Maximus de que ele seria atacado por serpentes, que ele entende ser os cabelos vivos de Medusa. Cansado de se esconder dos terrestres, o ambicioso inumano – o único que não possui poderes especiais – decide dar um golpe de estado e tomar o poder a fim de dominar nosso planeta e estabelecer aqui seu novo lar.

Maximus quer saber a marca do shampoo de Medusa.

Com a ajuda de Dentinho, que tem o poder de teletransporte, a Família Real é transportada ao nosso planeta, mais especificamente na ilha do Havaí, mas cada um num ponto diferente, exceto Cristalys, que é capturada antes de conseguir fugir. O problema é que, ao chegar à Terra, os Inumanos desconhecem nosso cotidiano e, obviamente, causam problemas. Separados, mas próximos, eles precisam se reencontrar e se unir para retornar à Lua, recuperar o poder e derrotar Maximus.

“Fora, Raio”. Maximus dá um golpe e toma o poder.

As críticas negativas aos dois primeiros episódios (a série terá oito, no total) foram um tanto quanto exageradas. É verdade que os efeitos especiais para representar os poderes de cada inumano são bem fracos e limitados em comparação ao que estamos acostumados a ver nos outros filmes da Marvel, mas para o nível de uma série de TV, com orçamento limitado, não fazem feio. Os cabelos da Medusa, tão aguardados pelos fãs, tiveram um recurso econômico que, provavelmente vão desagradar muita gente e gerar muitas críticas. Os cenários também são limitados – a maior parte do filme se passa no palácio real – com algumas panorâmicas que mostram toda cidade de Attilan e externas com as belas paisagens do Havaí. No entanto, isso pode mudar ao longo dos próximos episódios.

Terrigênese em Agentes da Shield é diferente da dos Inumanos

Sobre a história em si, vale lembrar que os Inumanos nunca foram personagens com grande apelo e tiveram raras histórias realmente relevantes no Universo Marvel. Portanto, o que é mostrado nas telas não é nem mais nem menos do que o esperado. O que faltou, talvez, foi uma ligação com a série Agentes da Shield, já que foi lá que o conceito dos Inumanos foi apresentado inicialmente – a terceira temporada, inclusive, trabalhou esse tema fortemente. A própria Terrigênese é diferente da mostrado na série, assemelhando-se mais aos quadrinhos e distanciando-se do conceito de universo unificado tão comum nos filmes da Marvel. Mesmo assim, os episódios têm ação, drama e conflitos na medida certa e não fazem feio.

Alerta: passear com seu cãozinho no meio do trânsito pode provocar acidentes.

Diferente do que aconteceu com Agentes da Shield, onde os personagens eram inéditos e os super-heróis não eram uma constante (começaram a aparecer depois, com a queda na audiência), Inumanos já começa com o universo heroico e, só por isso, já é um ponto positivo. Maximus está o perfeito vilão de quadrinhos: cruel, dissimulado, ambicioso e capaz de tudo para atingir seus objetivos, inclusive trair a própria família. E Dentinho, claro, será o favorito de todos. Não tem como não amar aquele cachorrão gigante com fofura pra dar e vender. Todo mundo vai querer uma pelúcia dele pra ontem!

Quem resiste a tanta fofura?

Inumanos é uma série curta, criada nos moldes de Agente Carter – para preencher o espaço de estreias e não precisar interromper a temporada na metade para as férias de final de ano. A diferença é que a série estrelada por Hayley Atwell estava intimamente ligada aos agentes secretos enquanto que Inumanos se distanciou desse contexto. Se os futuros episódios vão estabelecer uma ligação ou se a série vai manter a exclusividade, só o futuro dirá. O que se sabe, no entanto, é que Inumanos trouxe mais uma superequipe dos quadrinhos à vida de forma satisfatória. Os fãs não têm do que reclamar.

Cotação: 

“Eu sou porque ele era”. (Jim Carrey, dando um depoimento sobre a morte de Jerry Lewis, ontem, dia 20 de agosto)

Ele tem a força! Mestres do Universo comemora 30 anos

Um dos personagens mais icônicos dos já lendários anos 1980, He-Man ganhou uma versão live-action que estreou em 7 de agosto de 1987 nos Estados Unidos – no Brasil, o filme chegaria quase um ano depois, em 30 de julho de 1988, algo impensável nos tempos atuais, onde a Internet e a pirataria tornam os filmes um produto fácil de ser compartilhado. Estrelado por Dolph Lundgren, Mestres do Universo (Masters of the Universe, 1987) deixou uma legião de fãs saudosistas, embora grande parte reclame da qualidade do roteiro e, principalmente, a falta de fidelidade com que o herói de Etérnia foi retratado nas telas.

O ator Frank Langella fez um duro regime para se parecer com Esqueleto.

Injustiça. Mestres do Universo é um bom filme de ação que bebeu bastante na fonte de Star Wars, com muitas batalhas com naves espaciais e armas lasers, além de contar com a excelente atuação do ator Frank Langella no papel de Esqueleto, cuja maquiagem era bem convincente para a época. O que aconteceu é que o filme teve uma série de problemas de produção, envolvendo falta de dinheiro, interferências externas e foco errado, o que resultou num produto aquém do esperado pelo público, acostumado a ver o super-herói ganhar bronzeado instantâneo quando dava seu grito de guerra na TV.

Os três protótipos que virariam He-Man.

Para quem não sabe, He-Man não nasceu desenho animado. Antes de ir para a TV, ele surgiu em uma linha de brinquedos criados pela empresa Mattel (também responsável pela Barbie) para criar uma série que fizesse concorrência ao sucesso dos produtos baseados na saga Star Wars (que a Mattel havia recusado produzir antes da trilogia estourar nos cinemas. Que azar, hein?). Assim, o designer Roger Sweet criou três modelos genéricos – um bárbaro, um soldado e um astronauta –  e levou aos executivos da empresa, oferecendo-os como uma linha de brinquedos de ação que, exatamente por não terem uma franquia associada, poderiam estimular a imaginação das crianças.

“Nunca mais me chame de Conan!”

Dos três modelos, a versão bárbara foi a escolhida para a produção … e assim surgiu He-Man, que nem Príncipe Adam era, muito menos tinha uma identidade secreta. Os responsáveis por Conan, o Bárbaro, procuraram a Mattel no início da década de 1980 interessados em fazer uma linha de brinquedos do cimério. Quando a Mattel lançou He-Man, foi acusada de plagiar Conan e até circula um boato de que He-Man teria sido o modelo do bárbaro que não foi aprovado, mas nada disso é verdade. O fato é que a Mattel havia criado He-Man antes desse contato e talvez até tivesse semelhanças com o cimério, mas o boneco nunca esteve ligado ao personagem.

Desenho produzido pela Filmation estourou na TV.

Pouco tempo depois, a linha foi adaptada para uma série animada na TV produzida pela Filmation com o personagem já transformado num super-herói com dupla identidade – algo que veio de uma minissérie em quadrinhos criada pela DC Comics em 1982, um ano antes de He-Man chegar na TV. No entanto, a Cannon Group demonstrou interessem em adaptar He-Man antes do sucesso do desenho animado, motivo pelo qual o herói do filme não se transforma no Príncipe Adam e não aparecem personagens icônicos como Gato Guerreiro ou Gorpo (este, substituído pelo anão Gwildor como alívio cômico).

“Eu tenho a forçaaaaaaa!” Grito de guerra teria relação com Star Wars?

Isso explica o fato do filme ter tido uma crítica negativa dos espectadores, que compararam o longa ao personagem dos desenhos animados, quando, na verdade, ele foi baseado no seu conceito original. Por sinal, o fato de ter inspiração em Star Wars poderia explicar a icônica frase de He-Man – “Eu tenho a força!” – embora não haja nenhuma informação oficial a respeito. A produção de Mestres do Universo contou com um orçamento inicial de US$ 17 milhões, aumentado depois para US$ 22 milhões, tornando-se o filme mais caro do estúdio. Na semana de estreia, Mestres do Universo ficou em terceiro lugar nas bilheterias, mas nas semanas seguintes caiu consideravelmente e faturou apenas US$ 17,3 milhões.

Szponder ao lado do elenco: participação forçada… como um menino-porco.

Parte desse fracasso deve-se a várias interferências externas. A Mattel, criadora e detentora dos direitos do personagem, determinou que He-Man não poderia matar ninguém no filme. Por isso, os produtores decidiram que os soldados de Esqueleto seriam todos robôs (embora isso nunca tenha sido mencionado na história). A empresa de brinquedos também fez um concurso no qual o vencedor teria um papel na trama. Porém, com o prazo já terminando e o orçamento estourado, o diretor Gary Goddard teve que limitar o vencedor – um garoto chamado Richard Szponder – a uma mera ponta como Pigboy, um capanga de Esqueleto que entrega sua equipe quando o vilão retorna da Terra.

Falta de dinheiro atrapalhou bastante a produção.

Limitações orçamentárias também atrapalharam bastante. O roteiro original previa uma cena que se passava na Montanha da Serpente e várias imagens conceituais foram desenhadas pelo designer de produção, Willian Stout. As artes mostravam o exterior da montanha e, no lado interno, rios de lava corriam ao redor do lugar onde ficava o trono de Esqueleto. She-Ra, a irmã de He-Man, também tinha uma participação na trama, mas foi cortada durante a produção, sem contar que, por falta de dinheiro, as filmagens foram finalizadas pelo estúdio três dias antes do previsto, deixando a  equipe num dilema para resolver todas as cenas importantes que conduzissem à batalha final entre He-Man e Esqueleto. Depois de dois meses, os executivos da Cannon permitiram ao diretor filmar o encerramento de forma correta (mas ainda assim, com prazo bem apertado).

Filme foi uma briga para ser concluído satisfatoriamente.

O elenco também não foi um mar de rosas para a produção do filme. Sarah Douglas – a intérprete de Ursa, em Superman II – foi convidada para fazer o papel de Maligna, mas não aceitou, deixando para Meg Foster a missão de interpretar a vilã. Dolph Lundgren também teve seus desentendimentos com o diretor e até interferiu no roteiro, adicionando cenas de ação e aumentando a participação de He-Man na trama. O ator declarou que filmar Mestres do Universo foi, para ele, “um pesadelo” e pulou fora da sequência, que já estava programada e deveria se chamar Masters of The Universe 2: Cyborg.

He-Man depois da gripe… ou melhor… da fraca bilheteria.

Pelo roteiro, He-Man (que seria interpretado pelo surfista Laird John Hamilton) voltaria à Terra para lutar contra Esqueleto, que sobreviveu no final do filme anterior e veio à Terra, onde assumiu a identidade do empresário Aaron Dark, explorando nossos recursos e transformando o planeta num mundo desolado pós-apocalíptico. Nesta sequência, She-Ra e Mandíbula fariam suas participações e o estúdio chegou até a contratar o diretor: Albert Pyun. No entanto, com o fracasso comercial de Mestres do Universo, a continuação foi esquecida e o roteiro foi reescrito e se transformou no filme Cyborg: O Dragão do Futuro (1989), estrelado por Jean-Claude Van Damme.

O importante é não entrar em pânico. Vou morar com amigos que é muito melhor.

Mesmo com todos esses problemas externos e a enxurrada de críticas, Mestres do Universo marcou época e hoje é lembrado com nostalgia pelos fãs. Sabendo desses detalhes todos, até dá para apreciar ainda mais o longa-metragem, que tem um clima sci-fi e também foi um dos primeiros trabalhos para o cinema da atriz Courteney Cox, antes dela se tornar uma estrela da franquia Pânico (1993) e abrilhantar a série Friends (1994-2004). O fato é que He-Man ainda tem apelo popular e há planos de um novo longa-metragem do herói de Etérnia, produzido pela Sony e que já entrou no calendário de lançamentos, com data prevista para 18 de dezembro de 2019.

Twitter oficial anunciou a data do filme.

Se o filme vai sair do papel ou não, é outra história. Mas fica a torcida para que o campeão de Grayskull ganhe um filme à altura de sua grandeza, com todos os efeitos que a atual tecnologia possam permitir. Afinal, mesmo depois de 30 anos, o personagem continua carismático e faz valer seu grito de guerra. Ele ainda tem a força!

Na torcida para ver essa espada cortar os céus novamente, pela honra de Grayskull.

Para finalizar, uma curiosidade extra: a Cannon Group tinha interesse em fazer um filme do Homem-Aranha, mas como o orçamento era baixo, decidiu dividir o valor em duas produções e, com o lucro destas, adquirir um montante necessário para bancar os efeitos especiais que o filme do aracnídeo exigiria. Foram elas: Superman IV – Em Busca da Paz e Mestres do Universo. Nem precisa explicar porque o filme do Amigão da Vizinhança não saiu do papel na época,  né?

Executivos da Cannon não eram muito bons de matemática…

Crítica: Homem-Aranha – De Volta ao Lar

Estreou, em 6 de julho, o primeiro longa-metragem do Homem-Aranha produzido pela Marvel Studios, depois de vários anos nas mãos da Sony. Os direitos do personagem continuam com a distribuidora, fruto de um contrato feito nos anos 1990, para evitar a falência da Marvel, mas um acordo entre os dois estúdios fez com que o aracnídeo pudesse ser feito por quem realmente entende dele, ou seja, sua casa-mãe. E é claro que a Marvel não ia perder a piada: o título Homem-Aranha – De Volta ao Lar (2017) é uma referência clara a esse fato.

“Oi, galera!” Herói estreou ano passado, em plena Guerra Civil.

A estreia do herói se deu brevemente em Capitão América: Guerra Civil (2016) e deixou os fãs empolgados com a divertida participação do Aranha, bastante fiel à sua versão em quadrinhos – ao contrário do que aconteceu nas franquias anteriores, quando foi interpretado por Tobey Maguire (2002-2004-2007) e Andrew Garfield (2012-2014). Em De Volta ao Lar, a história começa com essa participação do jovem Peter Parker (Tom Holland) em Guerra Civil, narrada pelo ponto de vista do rapaz. Ao final da batalha, Tony Stark (Robert Downey Jr.) leva Peter de volta pra casa e deixa com ele o traje tecnológico do Homem-Aranha como um presente (na verdade, uma espécie de pagamento por seus “serviços”. Sim, Tony Stark é um canalha!).

Shocker também causa problemas pro nosso herói

A partir daí, Peter passa a agir na cidade com mais intensidade (ele já agia antes, com um traje caseiro, mas depois de Guerra Civil, se tornou uma celebridade) e esbarra nas atividades do Abutre (Michael Keaton), que agia como traficante de armas baseadas na tecnologia Chitauri, espalhada por Nova York após a batalha contra os Vingadores, mostrada no filme de 2012. Junto a ele estão o Consertador (Michael Chernus), responsável pela construção dos equipamentos, e o Shocker (Logan Marshall-Green e Bokeen Woodbine – vendo o filme, vão entender o motivo de ter dois atores para o mesmo personagem), seu capanga.

Betty, Flash, Liz, Ned, Michelle e Peter: amigos do peito.

Enquanto tenta provar que é um super-herói capaz de solucionar o crime na sua cidade e fazer uma média com Stark, Peter gasta o restante de seu tempo com problemas típicos de qualquer adolescente: os estudos no colégio Midtown, a paixão contida por Liz Allen (Laura Harrier), a amizade nerd com Ned Leeds (Jacob Batalon) e a rivalidade com Flash Thompson (Tony Revolori). Isso até o Abutre decidir que o Homem-Aranha é um incômodo que precisa ser eliminado.

“Não tente brilhar mais que eu nesse filme, pirralho!”

Ao contrário do que transpareceu nos trailers, o filme não é uma espécie de Homem de Ferro 4 e a participação do Vingador Dourado está ali apenas como apoio mesmo. O astro é o Homem-Aranha, como pede o título, e o filme resgata a jovialidade das primeiras aventuras do personagem, com muito bom humor e trata o aracnídeo como o adolescente que era em início de carreira – mas adaptado aos dias atuais, com muita tecnologia de celulares e Internet. Longe de (re) contar a origem do Homem-Aranha, que todos já estão carecas de saber, a trama vai direto à ação e brinca com toda inexperiência do rapaz. Imagine um garoto de 15 anos que, de repente ganhasse habilidades fantásticas… Não tem nada de “grandes poderes e grandes responsabilidades”: o que Peter quer é fazer o que é certo e ajudar as pessoas usando seus superpoderes – o que nem sempre dá muito certo. E é aí que está a graça da coisa.

“Eu só queria ajudar…”

Para os fãs puristas, o novo Homem-Aranha, embora seja o mais próximo dos quadrinhos já apresentado nos últimos 15 anos (40 anos, se considerarmos também a versão da série de TV), ainda não é o herói ideal. No filme, Peter é um perfeito pateta e, na maioria das vezes, causa mais dano do que ajuda (sabe a cena do navio partido ao meio mostrado no trailer? Pois é…). Essa versão poderia atuar junto com o Superman de Henry Cavill e concorrer a quem destrói mais a cidade tentando salvá-la. O humor do filme não está nas tiradas geniais que o herói sempre teve durante suas lutas, mas sim nas trapalhadas que ele provoca ou nas situações em se envolve, quase como um Jim Levenstein, o protagonista da franquia American Pie.

Escalando a pilha de referências.

O fato é que o tom do filme puxou bastante para uma comédia juvenil, muito mais do que para uma aventura de super-heróis, fruto das inspirações do próprio diretor Jon Watts, que assumiu ser fã dos filmes do roteirista e diretor John Hughes, como Curtindo a Vida Adoidado (1986). Não chega a ser um incômodo – ao contrário, é um filme leve e divertido de se ver, com um roteiro inteligente e muito bem conduzido, capaz de encaixar o herói dentro do Universo Cinematográfico da Marvel com referências desde a Homem de Ferro (2008), passando por Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), além dos dois longas dos Vingadores (2012-2015) e o óbvio Guerra Civil. Referências aos quadrinhos são inúmeras e deliciosas de se encontrar e vão desde personagens a fatos históricos da carreira do herói aracnídeo.

Michael Keaton dá um show

Sobre Michael Keaton, interpretando o Abutre, há pouco a se dizer além de que o ator é perfeito e merece o título de Lord of the Wings (Senhor das Asas, piada que tem circulado na Internet e cuja tradução perde a referência a Lord of The Rings, o Senhor dos Anéis). Um único porém é o modo como seu personagem é caracterizado, parecendo mais um Norman Osborn genérico, pelas características mostradas no filme e que não vamos dizer quais são para não revelar spoilers. No entanto, esses defeitos passam batido no contexto geral e o Abutre é, talvez, um dos melhores vilões dos filmes da Marvel, ao lado do Dr. Octopus de Alfred Molina. Uma verdadeira ameaça, com motivações sólidas e não apenas um desejo inexplicável de dominar o mundo.

“Bem-vindo de volta, parceiro. Você fez falta.”

Mesmo com esses poucos defeitos, Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um mais que bem-vindo retorno do Cabeça-de-Teia à Casa das Idéias, numa aventura totalmente integrada ao Universo Marvel e boas chances de gerar novas continuações de sucesso. Por enquanto, vamos nos contentar com a participação do Aranha nas duas partes de Vingadores: Guerra Infinita (2018/2019), que, esperamos, seja bem explorada. Finalmente, o Homem-Aranha voltou pra casa (mesmo que emprestado) e pode mostrar a todos o porquê dele ser o mais popular de todos os super-heróis.

Cotação: 

Trailer: Cult of Chucky

A Universal Pictures liberou o primeiro trailer do filme Cult of Chucky (ainda sem título em português), um novo thriller do boneco Chucky, que hospeda a alma de um serial killer e provoca uma série de assassinatos com toques de sadismo. Chucky estreou em 1988, na trilogia de filmes Brinquedo Assassino (Child’s Play, 1988-1990-1991) e depois ganhou mais duas continuações com seu nome no título: A Noiva de Chucky (1998) e O Filho de Chucky (2004). A franquia, que começou como terror/suspense e descambou para a comédia voltou às origens em 2013, com o longa A Maldição de Chucky, lançada diretamente para o mercado de DVD (Leia nossa crítica aqui). O novo longa-metragem repete a estratégia e será lançado em outubro, em blu-ray e DVD, prometendo muito sangue e bons sustos.