Ele tem a força! Mestres do Universo comemora 30 anos

Um dos personagens mais icônicos dos já lendários anos 1980, He-Man ganhou uma versão live-action que estreou em 7 de agosto de 1987 nos Estados Unidos – no Brasil, o filme chegaria quase um ano depois, em 30 de julho de 1988, algo impensável nos tempos atuais, onde a Internet e a pirataria tornam os filmes um produto fácil de ser compartilhado. Estrelado por Dolph Lundgren, Mestres do Universo (Masters of the Universe, 1987) deixou uma legião de fãs saudosistas, embora grande parte reclame da qualidade do roteiro e, principalmente, a falta de fidelidade com que o herói de Etérnia foi retratado nas telas.

O ator Frank Langella fez um duro regime para se parecer com Esqueleto.

Injustiça. Mestres do Universo é um bom filme de ação que bebeu bastante na fonte de Star Wars, com muitas batalhas com naves espaciais e armas lasers, além de contar com a excelente atuação do ator Frank Langella no papel de Esqueleto, cuja maquiagem era bem convincente para a época. O que aconteceu é que o filme teve uma série de problemas de produção, envolvendo falta de dinheiro, interferências externas e foco errado, o que resultou num produto aquém do esperado pelo público, acostumado a ver o super-herói ganhar bronzeado instantâneo quando dava seu grito de guerra na TV.

Os três protótipos que virariam He-Man.

Para quem não sabe, He-Man não nasceu desenho animado. Antes de ir para a TV, ele surgiu em uma linha de brinquedos criados pela empresa Mattel (também responsável pela Barbie) para criar uma série que fizesse concorrência ao sucesso dos produtos baseados na saga Star Wars (que a Mattel havia recusado produzir antes da trilogia estourar nos cinemas. Que azar, hein?). Assim, o designer Roger Sweet criou três modelos genéricos – um bárbaro, um soldado e um astronauta –  e levou aos executivos da empresa, oferecendo-os como uma linha de brinquedos de ação que, exatamente por não terem uma franquia associada, poderiam estimular a imaginação das crianças.

“Nunca mais me chame de Conan!”

Dos três modelos, a versão bárbara foi a escolhida para a produção … e assim surgiu He-Man, que nem Príncipe Adam era, muito menos tinha uma identidade secreta. Os responsáveis por Conan, o Bárbaro, procuraram a Mattel no início da década de 1980 interessados em fazer uma linha de brinquedos do cimério. Quando a Mattel lançou He-Man, foi acusada de plagiar Conan e até circula um boato de que He-Man teria sido o modelo do bárbaro que não foi aprovado, mas nada disso é verdade. O fato é que a Mattel havia criado He-Man antes desse contato e talvez até tivesse semelhanças com o cimério, mas o boneco nunca esteve ligado ao personagem.

Desenho produzido pela Filmation estourou na TV.

Pouco tempo depois, a linha foi adaptada para uma série animada na TV produzida pela Filmation com o personagem já transformado num super-herói com dupla identidade – algo que veio de uma minissérie em quadrinhos criada pela DC Comics em 1982, um ano antes de He-Man chegar na TV. No entanto, a Cannon Group demonstrou interessem em adaptar He-Man antes do sucesso do desenho animado, motivo pelo qual o herói do filme não se transforma no Príncipe Adam e não aparecem personagens icônicos como Gato Guerreiro ou Gorpo (este, substituído pelo anão Gwildor como alívio cômico).

“Eu tenho a forçaaaaaaa!” Grito de guerra teria relação com Star Wars?

Isso explica o fato do filme ter tido uma crítica negativa dos espectadores, que compararam o longa ao personagem dos desenhos animados, quando, na verdade, ele foi baseado no seu conceito original. Por sinal, o fato de ter inspiração em Star Wars poderia explicar a icônica frase de He-Man – “Eu tenho a força!” – embora não haja nenhuma informação oficial a respeito. A produção de Mestres do Universo contou com um orçamento inicial de US$ 17 milhões, aumentado depois para US$ 22 milhões, tornando-se o filme mais caro do estúdio. Na semana de estreia, Mestres do Universo ficou em terceiro lugar nas bilheterias, mas nas semanas seguintes caiu consideravelmente e faturou apenas US$ 17,3 milhões.

Szponder ao lado do elenco: participação forçada… como um menino-porco.

Parte desse fracasso deve-se a várias interferências externas. A Mattel, criadora e detentora dos direitos do personagem, determinou que He-Man não poderia matar ninguém no filme. Por isso, os produtores decidiram que os soldados de Esqueleto seriam todos robôs (embora isso nunca tenha sido mencionado na história). A empresa de brinquedos também fez um concurso no qual o vencedor teria um papel na trama. Porém, com o prazo já terminando e o orçamento estourado, o diretor Gary Goddard teve que limitar o vencedor – um garoto chamado Richard Szponder – a uma mera ponta como Pigboy, um capanga de Esqueleto que entrega sua equipe quando o vilão retorna da Terra.

Falta de dinheiro atrapalhou bastante a produção.

Limitações orçamentárias também atrapalharam bastante. O roteiro original previa uma cena que se passava na Montanha da Serpente e várias imagens conceituais foram desenhadas pelo designer de produção, Willian Stout. As artes mostravam o exterior da montanha e, no lado interno, rios de lava corriam ao redor do lugar onde ficava o trono de Esqueleto. She-Ra, a irmã de He-Man, também tinha uma participação na trama, mas foi cortada durante a produção, sem contar que, por falta de dinheiro, as filmagens foram finalizadas pelo estúdio três dias antes do previsto, deixando a  equipe num dilema para resolver todas as cenas importantes que conduzissem à batalha final entre He-Man e Esqueleto. Depois de dois meses, os executivos da Cannon permitiram ao diretor filmar o encerramento de forma correta (mas ainda assim, com prazo bem apertado).

Filme foi uma briga para ser concluído satisfatoriamente.

O elenco também não foi um mar de rosas para a produção do filme. Sarah Douglas – a intérprete de Ursa, em Superman II – foi convidada para fazer o papel de Maligna, mas não aceitou, deixando para Meg Foster a missão de interpretar a vilã. Dolph Lundgren também teve seus desentendimentos com o diretor e até interferiu no roteiro, adicionando cenas de ação e aumentando a participação de He-Man na trama. O ator declarou que filmar Mestres do Universo foi, para ele, “um pesadelo” e pulou fora da sequência, que já estava programada e deveria se chamar Masters of The Universe 2: Cyborg.

He-Man depois da gripe… ou melhor… da fraca bilheteria.

Pelo roteiro, He-Man (que seria interpretado pelo surfista Laird John Hamilton) voltaria à Terra para lutar contra Esqueleto, que sobreviveu no final do filme anterior e veio à Terra, onde assumiu a identidade do empresário Aaron Dark, explorando nossos recursos e transformando o planeta num mundo desolado pós-apocalíptico. Nesta sequência, She-Ra e Mandíbula fariam suas participações e o estúdio chegou até a contratar o diretor: Albert Pyun. No entanto, com o fracasso comercial de Mestres do Universo, a continuação foi esquecida e o roteiro foi reescrito e se transformou no filme Cyborg: O Dragão do Futuro (1989), estrelado por Jean-Claude Van Damme.

O importante é não entrar em pânico. Vou morar com amigos que é muito melhor.

Mesmo com todos esses problemas externos e a enxurrada de críticas, Mestres do Universo marcou época e hoje é lembrado com nostalgia pelos fãs. Sabendo desses detalhes todos, até dá para apreciar ainda mais o longa-metragem, que tem um clima sci-fi e também foi um dos primeiros trabalhos para o cinema da atriz Courteney Cox, antes dela se tornar uma estrela da franquia Pânico (1993) e abrilhantar a série Friends (1994-2004). O fato é que He-Man ainda tem apelo popular e há planos de um novo longa-metragem do herói de Etérnia, produzido pela Sony e que já entrou no calendário de lançamentos, com data prevista para 18 de dezembro de 2019.

Twitter oficial anunciou a data do filme.

Se o filme vai sair do papel ou não, é outra história. Mas fica a torcida para que o campeão de Grayskull ganhe um filme à altura de sua grandeza, com todos os efeitos que a atual tecnologia possam permitir. Afinal, mesmo depois de 30 anos, o personagem continua carismático e faz valer seu grito de guerra. Ele ainda tem a força!

Na torcida para ver essa espada cortar os céus novamente, pela honra de Grayskull.

Para finalizar, uma curiosidade extra: a Cannon Group tinha interesse em fazer um filme do Homem-Aranha, mas como o orçamento era baixo, decidiu dividir o valor em duas produções e, com o lucro destas, adquirir um montante necessário para bancar os efeitos especiais que o filme do aracnídeo exigiria. Foram elas: Superman IV – Em Busca da Paz e Mestres do Universo. Nem precisa explicar porque o filme do Amigão da Vizinhança não saiu do papel na época,  né?

Executivos da Cannon não eram muito bons de matemática…

Crítica: Homem-Aranha – De Volta ao Lar

Estreou, em 6 de julho, o primeiro longa-metragem do Homem-Aranha produzido pela Marvel Studios, depois de vários anos nas mãos da Sony. Os direitos do personagem continuam com a distribuidora, fruto de um contrato feito nos anos 1990, para evitar a falência da Marvel, mas um acordo entre os dois estúdios fez com que o aracnídeo pudesse ser feito por quem realmente entende dele, ou seja, sua casa-mãe. E é claro que a Marvel não ia perder a piada: o título Homem-Aranha – De Volta ao Lar (2017) é uma referência clara a esse fato.

“Oi, galera!” Herói estreou ano passado, em plena Guerra Civil.

A estreia do herói se deu brevemente em Capitão América: Guerra Civil (2016) e deixou os fãs empolgados com a divertida participação do Aranha, bastante fiel à sua versão em quadrinhos – ao contrário do que aconteceu nas franquias anteriores, quando foi interpretado por Tobey Maguire (2002-2004-2007) e Andrew Garfield (2012-2014). Em De Volta ao Lar, a história começa com essa participação do jovem Peter Parker (Tom Holland) em Guerra Civil, narrada pelo ponto de vista do rapaz. Ao final da batalha, Tony Stark (Robert Downey Jr.) leva Peter de volta pra casa e deixa com ele o traje tecnológico do Homem-Aranha como um presente (na verdade, uma espécie de pagamento por seus “serviços”. Sim, Tony Stark é um canalha!).

Shocker também causa problemas pro nosso herói

A partir daí, Peter passa a agir na cidade com mais intensidade (ele já agia antes, com um traje caseiro, mas depois de Guerra Civil, se tornou uma celebridade) e esbarra nas atividades do Abutre (Michael Keaton), que agia como traficante de armas baseadas na tecnologia Chitauri, espalhada por Nova York após a batalha contra os Vingadores, mostrada no filme de 2012. Junto a ele estão o Consertador (Michael Chernus), responsável pela construção dos equipamentos, e o Shocker (Logan Marshall-Green e Bokeen Woodbine – vendo o filme, vão entender o motivo de ter dois atores para o mesmo personagem), seu capanga.

Betty, Flash, Liz, Ned, Michelle e Peter: amigos do peito.

Enquanto tenta provar que é um super-herói capaz de solucionar o crime na sua cidade e fazer uma média com Stark, Peter gasta o restante de seu tempo com problemas típicos de qualquer adolescente: os estudos no colégio Midtown, a paixão contida por Liz Allen (Laura Harrier), a amizade nerd com Ned Leeds (Jacob Batalon) e a rivalidade com Flash Thompson (Tony Revolori). Isso até o Abutre decidir que o Homem-Aranha é um incômodo que precisa ser eliminado.

“Não tente brilhar mais que eu nesse filme, pirralho!”

Ao contrário do que transpareceu nos trailers, o filme não é uma espécie de Homem de Ferro 4 e a participação do Vingador Dourado está ali apenas como apoio mesmo. O astro é o Homem-Aranha, como pede o título, e o filme resgata a jovialidade das primeiras aventuras do personagem, com muito bom humor e trata o aracnídeo como o adolescente que era em início de carreira – mas adaptado aos dias atuais, com muita tecnologia de celulares e Internet. Longe de (re) contar a origem do Homem-Aranha, que todos já estão carecas de saber, a trama vai direto à ação e brinca com toda inexperiência do rapaz. Imagine um garoto de 15 anos que, de repente ganhasse habilidades fantásticas… Não tem nada de “grandes poderes e grandes responsabilidades”: o que Peter quer é fazer o que é certo e ajudar as pessoas usando seus superpoderes – o que nem sempre dá muito certo. E é aí que está a graça da coisa.

“Eu só queria ajudar…”

Para os fãs puristas, o novo Homem-Aranha, embora seja o mais próximo dos quadrinhos já apresentado nos últimos 15 anos (40 anos, se considerarmos também a versão da série de TV), ainda não é o herói ideal. No filme, Peter é um perfeito pateta e, na maioria das vezes, causa mais dano do que ajuda (sabe a cena do navio partido ao meio mostrado no trailer? Pois é…). Essa versão poderia atuar junto com o Superman de Henry Cavill e concorrer a quem destrói mais a cidade tentando salvá-la. O humor do filme não está nas tiradas geniais que o herói sempre teve durante suas lutas, mas sim nas trapalhadas que ele provoca ou nas situações em se envolve, quase como um Jim Levenstein, o protagonista da franquia American Pie.

Escalando a pilha de referências.

O fato é que o tom do filme puxou bastante para uma comédia juvenil, muito mais do que para uma aventura de super-heróis, fruto das inspirações do próprio diretor Jon Watts, que assumiu ser fã dos filmes do roteirista e diretor John Hughes, como Curtindo a Vida Adoidado (1986). Não chega a ser um incômodo – ao contrário, é um filme leve e divertido de se ver, com um roteiro inteligente e muito bem conduzido, capaz de encaixar o herói dentro do Universo Cinematográfico da Marvel com referências desde a Homem de Ferro (2008), passando por Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), além dos dois longas dos Vingadores (2012-2015) e o óbvio Guerra Civil. Referências aos quadrinhos são inúmeras e deliciosas de se encontrar e vão desde personagens a fatos históricos da carreira do herói aracnídeo.

Michael Keaton dá um show

Sobre Michael Keaton, interpretando o Abutre, há pouco a se dizer além de que o ator é perfeito e merece o título de Lord of the Wings (Senhor das Asas, piada que tem circulado na Internet e cuja tradução perde a referência a Lord of The Rings, o Senhor dos Anéis). Um único porém é o modo como seu personagem é caracterizado, parecendo mais um Norman Osborn genérico, pelas características mostradas no filme e que não vamos dizer quais são para não revelar spoilers. No entanto, esses defeitos passam batido no contexto geral e o Abutre é, talvez, um dos melhores vilões dos filmes da Marvel, ao lado do Dr. Octopus de Alfred Molina. Uma verdadeira ameaça, com motivações sólidas e não apenas um desejo inexplicável de dominar o mundo.

“Bem-vindo de volta, parceiro. Você fez falta.”

Mesmo com esses poucos defeitos, Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um mais que bem-vindo retorno do Cabeça-de-Teia à Casa das Idéias, numa aventura totalmente integrada ao Universo Marvel e boas chances de gerar novas continuações de sucesso. Por enquanto, vamos nos contentar com a participação do Aranha nas duas partes de Vingadores: Guerra Infinita (2018/2019), que, esperamos, seja bem explorada. Finalmente, o Homem-Aranha voltou pra casa (mesmo que emprestado) e pode mostrar a todos o porquê dele ser o mais popular de todos os super-heróis.

Cotação: 

Trailer: Cult of Chucky

A Universal Pictures liberou o primeiro trailer do filme Cult of Chucky (ainda sem título em português), um novo thriller do boneco Chucky, que hospeda a alma de um serial killer e provoca uma série de assassinatos com toques de sadismo. Chucky estreou em 1988, na trilogia de filmes Brinquedo Assassino (Child’s Play, 1988-1990-1991) e depois ganhou mais duas continuações com seu nome no título: A Noiva de Chucky (1998) e O Filho de Chucky (2004). A franquia, que começou como terror/suspense e descambou para a comédia voltou às origens em 2013, com o longa A Maldição de Chucky, lançada diretamente para o mercado de DVD (Leia nossa crítica aqui). O novo longa-metragem repete a estratégia e será lançado em outubro, em blu-ray e DVD, prometendo muito sangue e bons sustos.

Trailer de Pantera Negra

Conforme prometido, a Marvel Studios liberou ontem à noite o primeiro trailer do filme Pantera Negra, que chega aos cinemas no início do ano que vem. O destaque vai para as belas imagens da região de Wakanda, lar do rei T’Challa (Chadwick Boseman) e a tecnologia do local. Veja o vídeo:

Primeiro pôster de Pantera Negra

A Marvel Studios liberou o primeiro pôster para o filme do Pantera Negra e promete para esta noite o primeiro teaser trailer. O filme, que tem Chadwick Boseman no papel título, estreia em fevereiro de 2018. Também fazem parte do elenco Michael B. Jordan (o Tocha Humana de Quarteto Fant4stico, 2015) como Erik, o Terror Negro e Andy Serkis como Ulisses Klaw, o vilão Garra Sônica. Veja abaixo o majestoso pôster do herói.

Rei das bilheterias em 2018?

 

Crítica: Mulher-Maravilha

Após a repercussão negativa dos últimos filmes de seu universo cinematográfico – a saber: O Homem de Aço (2013), Batman v Superman – A Origem da Justiça (2016) e Esquadrão Suicida (2016) – a última esperança da DC Comics (e dos fãs) reside na Mulher-Maravilha, longa-metragem que estreia nesta semana e que traz Gal Gadot no papel da Princesa Amazona. Além dessa responsabilidade (que já não é pouca), a heroína também traz o peso de ter sua estreia nos cinemas (desconsiderando-se a aparição em Batman v Superman, onde teve uma participação pequena), depois de mais de 30 anos da bem sucedida série de TV estrelada por Lynda Carter. Portanto, a expectativa em torno da personagem é enorme!

“Mamãe, estamos sendo seguidas por um pavão branco”

Pois a espera valeu a pena: Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017) é tudo que se espera de um bom filme de super-heróis. O longa-metragem (com 2h21 de duração) mostra a origem da heroína, desde sua infância na paradisíaca ilha de Themyscira, seu treinamento como guerreira e sua vinda para o “mundo dos homens” após salvar um deles, o espião Steve Trevor (Chris Pine), cujo avião caiu acidentalmente nos arredores da ilha. A ilha, por sinal, tem uma belíssima concepção visual, com arquitetura baseada em conceitos gregos, perfeitamente alinhada com as histórias em quadrinhos, demonstrando um cuidado extremo da equipe de filmagens e efeitos especiais com a fidelidade.

Escalada rumo ao sucesso!

A heroína propriamente dita demora um bocado pra aparecer, mas a espera vale a pena. A cena de sua primeira batalha no front de guerra e de tirar o fôlego e mostra bem o porquê ela é chamada de “maravilha”. E, apesar da demora, a história flui naturalmente e não chega a cansar o espectador, de forma que, quando a Mulher-Maravilha finalmente surge, está perfeitamente encaixada dentro do contexto narrativo e no momento certo.

Patty jenkins: “A Mulher-Maravilha aqui sou eu!”

Com um texto bem humorado, poucas cenas escuras e ação constante, o filme nem parece que faz parte do Universo DC pilotado por Zack Snyder – muito embora haja um excesso de cenas em câmera lenta, que é marca registrada do diretor. No entanto, a diretora Patty Jenkins fugiu bastante do estilo sombrio de Snyder e desenvolveu uma personagem que respeita a mitologia dos quadrinhos e mostra a heroína como ela é: uma embaixadora da paz e da verdade.

Encontre o erro de roteiro nesta cena.

Por conta disso, nem dá pra reclamar da mensagem absurdamente piegas passada no clímax do filme. Ela é a personagem em sua essência. Um acerto da direção e do roteirista Allan Heinberg (co-criador dos Jovens Vingadores, para a Marvel). Mesmo assim, o filme tem vários problemas de roteiro: por exemplo, o que mantém Themyscira oculta do mundo “normal” é absurdamente ridículo, a trama “esquece” um importante personagem no meio da história e não explica o fato de Diana ter importante participação na Primeira Guerra Mundial e não aparecer nos livros de História.

Um registro para entrar pros livros de História (só que não)

Além disso, o final é previsível e carregado de clichês de filmes do gênero (para quem reclama dos filmes da concorrente, que são “iguaizinhos”, vão perceber que Mulher-Maravilha não é “diferentão”). Porém, são erros que são facilmente digeríveis diante da quantidade de acertos (exatamente o inverso de Batman v Superman, que tem poucos acertos em meio a um maremoto de equívocos). Um longa com boa narrativa,  bela fotografia e uma bem dosada carga de humor e ação, Mulher-Maravilha é um filme que mostra a heroína na concepção perfeita da palavra.

Finalmente, alguém em quem se inspirar no sombrio universo DC.

Num mundo sombrio e realista onde os “heróis” usam armas de fogo, quebram pescoços e deixam inocentes morrerem para protegerem suas identidades secretas, fazia falta um personagem nobre e valoroso, que faz o bem simplesmente porque é o correto. Mulher-Maravilha é a heroína que faltava para inspirar crianças e jovens a acreditar na verdade e na justiça. Finalmente, a DC acertou no cinema. Já era hora.

Cotação:

Piratas do Caribe 5: Jack Sparrow perde sua voz

No dia 25 de maio, estreia nos cinemas de todo Brasil o filme Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales, 2017), quinto filme da franquia, novamente trazendo o astro Johnny Depp na pele do pirata Jack Sparrow. Desta vez, porém,  os fãs da franquia terão uma voz diferente para o personagem, visto que o dublador Marco Antônio Costa – voz oficial de Johnny Depp no Brasil desde os tempos de A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984) – foi afastado do papel que exercia há tanto tempo.

A polêmica se espalhou pelas redes sociais, com centenas de fãs revoltados pela decisão da Disney em trocar a dublagem justamente no último filme da franquia (e, como se não bastasse, Costa dubla os trailers, que estão em exibição nos cinemas). Por isso, convocamos nosso parceiro Júnior Batson, um entusiasta e verdadeiro fã de dublagem, para escrever esta matéria sobre os bastidores dessa briga. Em sua estreia em nosso blox, Batson usou a sabedoria de Salomão e a velocidade de Mercúrio para ir atrás de Costa e trazer mais informações sobre os fatos, a fim de esclarecer a boataria que circula pelas redes. Assim sendo, passamos a palavra a nosso colaborador e seu entrevistado.

Dando uma passadinha na escola mutante para deixar meu artigo.

Cale a boca, pirata!

(por Júnior Batson)

Que o Capitão Jack Sparrow incomoda muita gente no universo da franquia Piratas do Caribe, todo mundo sabe. O que ninguém esperava é que conseguissem calá-lo, ou, ao menos, tirar sua clássica voz de circulação. Seria um embuste de algum ressentido vilão? Algum emissário da Companhia das Índias Orientais que teve êxito nessa tarefa? Não! A responsável por tal façanha foi a própria Disney! Conflitos de entendimento de cachê impossibilitaram a escalação do dublador Marco Antônio Costa, já consagrado como a voz de Johnny Depp, tanto nos filmes da franquia Piratas do Caribe como nos outros filmes protagonizados pelo ator (o artista dubla a voz de Depp desde seu debut no cinema  também na tevê, na série Anjos da Lei (21th Jump Street, 1987-1990).

Marco Antônio Costa é (ou era) a voz oficial de Jack Sparrow no Brasil

Segundo Costa, ele foi substituído na escalação do elenco de dublagem de Piratas do Caribe – A vingança de Salazar, o quinto filme da franquia, por ter solicitado um cachê diferenciado para exercer o papel. O dublador reclama de uma certa arbitrariedade por parte dos Estúdios Disney com relação à classe: pagam R$ 80 mil a um youtuber famoso que fica apenas 40 minutos dentro de um estúdio, enquanto se recusam a pagar um cachê diferenciado (mas infinitamente menor) a um dublador já consagrado, que, além de estar contribuindo ainda mais para a popularidade do personagem e com a divulgação do filme, gasta, em média, oito horas de trabalho.

O último filme da franquia terá um pirata com voz diferente das anteriores

A mesma situação quase aconteceu em 2007, por ocasião da dublagem do terceiro episódio da franquia, mas Costa conseguiu chegar a um acordo com a Disney. No entanto, ficou sabendo que o dublador alemão Marcus Off (que também faz a voz de Depp naquele país) foi vítima de um boicote semelhante e processou a empresa por isso. Segundo Off, a Disney não considera os dubladores como parte do elenco de artistas criativos e apenas paga o que é tabelado. Porém, conseguiu que a Suprema Corte alemã decidisse a seu favor, chancelando que o dublador realmente faz parte do processo criativo de um filme.

Minha cara, quando trocam a dublagem do meu personagem preferido.

Causa ganha, mas houve uma consequência: Off foi colocado numa espécie de lista negra entre os grandes distribuidores cinematográficos norte-americanos e em um dos estúdios de dublagem alemães. Costa reconhece como louvável a atitude do dublador alemão e diverte-se ao dizer que, caso também seja boicotado de alguma forma, entrará em contato com o colega de trabalho alemão a fim de tirar algumas dúvidas sobre como tomar atitudes legais.

É uma prática comum usar nomes que estão na mídia para ganhar popularidade. Michel Teló dublou uma frase de “Universidade Monstros”

Quanto ao filme, é reconhecido o aumento da procura por produções dubladas nos cinemas nacionais, assim como o aumento da qualidade da dublagem em si, seja com traduções bem feitas ou com elencos bem escalados. O que, no ramo da dublagem, é chamado de “boneco” (atores ou personagens majoritariamente dublados pela mesma pessoa) também tem sido honrado e é de se estranhar uma empresa do porte da Disney não concordar com o pagamento de um cachê que valorize esses profissionais com tantos anos de experiência.

Outros atores e personagens dublados por Marco Antônio Costa

Para Costa, o valor pedido não é abusivo nem fora do praticado no mercado, mas apenas o que considera justo por seu trabalho. “Poxa, se um youtuber tem 10 milhões de seguidores, Jack Sparrow tem muito mais. Creio que mais de 30 milhões de pessoas já assistiram ao Jack Sparrow com a minha voz! Então, em comparação, tenho mais “seguidores”, apenas não fico no You Tube perdendo tempo porque sou muito ocupado, pois além de dublador, sou locutor e ainda atuo como médico”, determina ele. A Disney foi procurada, por meio de sua assessoria de Imprensa, para dar sua versão para o caso, mas não respondeu aos nossos emails.