Crítica: O Doutrinador

Quando se fala em quadrinhos de super-heróis, logo nos vêm à mente os personagens icônicos da Marvel e da DC, que há tantos anos povoam nosso imaginário com suas histórias fantásticas que, nos últimos tempos, tem levado multidões aos cinemas. Pouca gente tem conhecimento que o Brasil também é uma fonte desse gênero e vários deles com muitos anos de estrada. Esse panorama pode mudar com a estreia de O Doutrinador (idem, 2018), filme nacional que chegou aos cinemas este final de semana, e apresenta um anti-herói criado pelo quadrinhista Luciano Cunha, que combate a corrupção na política.

Poster alternativo traz a primeira data de estreia… e uma realidade na frase.

O filme chega num período bastante propício, em que vivemos a realidade de uma eleição presidencial extremamente complexa, pela falta de opções de um representante que nos seja confiável. Marcado para estrear em 20 de setembro, o longa teve seu lançamento alterado para 18 de outubro e, por fim, mudou novamente para 1º. de Novembro – certamente para ficar fora do período eleitoral, com os novos governantes já escolhidos e evitar comparações ou até mesmo qualquer tipo de apologia à violência – considerando o atentado a um dos candidatos favoritos na eleição antes do primeiro turno, foi uma decisão bastante acertada.

Miguel (dir) prende o governador corrupto… que é logo solto.

A trama mostra Miguel (Kiko Pissolato), um agente da DAE – Divisão Armada Especial – uma unidade de elite da Polícia Federal, sendo vítima de uma tragédia provocada pela corrupção política. Quando o governador Sandro Corrêa (Eduardo Moscovis) é preso mas logo liberado, Miguel vai em busca de vingança e assume a identidade do Doutrinador. Com uma máscara contra gases e um capuz protegendo sua identidade, ele assume uma cruzada particular para eliminar todos os políticos envolvidos em sujeira. Para isso, conta com a ajuda de Nina (Tainá Medina), uma hacker que o auxilia roubando dados dos crimes cometidos pelos parlamentares e nas invasões aos escritórios dos mesmos.

Miguel conta com a ajuda de Nina

Completam o elenco o ator Samuel de Assis como Edu, parceiro de Miguel na DAE, Tuca Andrada como o Delegado Siqueira, que vai investigar as ações do Doutrinador e Carlos Betão, candidato à presidência Antero Gomes, que usa sua retórica para conquistar o eleitorado (qualquer semelhança…). Há também uma breve participação de Marília Gabriela como a ministra Marta Regina, que também não é lá muito honesta.

O anti-herói nasce no meio de uma manifestação

O roteiro é muito bem amarrado e reflete bem a realidade do Brasil, onde todo mundo tem o rabo preso por algum motivo e enriquece às custas dos menos favorecidos, em reuniões regadas de muita zombaria e impunidade. O Doutrinador, embora use métodos pouco aconselháveis, gera identificação com o sentimento do povo brasileiro diante de tanta injustiça a que somos submetidos todos os dias. O clima é dinâmico e a edição, perfeita, com vários cortes na história, que eliminam excessos, deixando apenas o que interessa para contar a história.

Ser ou não ser honesto no Brasil? Eis a questão…

Os diretores Gustavo Bonafé e Fábio Mendonça tiveram o extremo cuidado com a qualidade do longa-metragem, fugindo dos lugares-comum nas produções nacionais, geralmente repletas de favelas, palavrões e cenas de sexo. Em O Doutrinador, tudo é muito bem dosado, resultando num filme que nada deixa a dever às produções hollywoodianas (Justiceiro, morra de inveja!). A boa notícia é que o anti-herói não vai se limitar ao cinema e já existe uma série de TV sendo produzida pela Turner International em parceria com o canal Space, com data de estreia para 2019. A história será a mesma, mas de forma mais detalhada e aprofundamento nas tramas paralelas dos personagens secundários. 

Herói foi criado em 2013, por Luciano Cunha

Nas HQs, o Doutrinador surgiu em 2013, inspirado pela onda de protestos que surgiu no País após o aumento da tarifa de ônibus e os gastos excessivos com a Copa do Mundo de 2014. Inicialmente publicadas pela Internet, o personagem acabou ganhando grande repercussão pela indignação do povo, que via no anti-herói, um representante contra tanta sujeira política. Não tardou para o personagem migrar para uma HQ impressa de forma independente no mesmo ano, que teve mais duas edições em 2015 e 2016. As três revistas foram depois reunidas em um encadernado de capa dura. Para 2019 estão previstos dois novos títulos, pela Guará Entretenimento.

A corrupção tem um remédio.

Espera-se que o filme abra as portas para novas produções nacionais inspiradas em super-heróis do quadrinhos. O Brasil tem vários deles e muito material interessante pode ser adaptado, gerando boas produções. Se todas tiverem o nível de qualidade que vemos em O Doutrinador, o cinema nacional pode estar iniciando uma nova fase em sua trajetória. Tomara que também desperte o interesse das editoras para que haja mais espaço a esses heróis nacionais, que amargam uma luta inglória por espaço nas bancas de revistas e livrarias.

Edição especial da revista Mundo dos Super-Heróis. Nas bancas!

Para mais informações a respeito do personagem, a revista Mundo dos Super-Heróis fez uma edição especial totalmente dedicada à produção, com entrevistas, curiosidades de bastidores e tudo sobre o longa-metragem. Nas bancas ou pelo site da Editora Europa.

Cotação: 

Anúncios

Crítica: Venom

A grande estreia da semana é o filme Venom (idem, 2018), baseado  no velho inimigo do Homem-Aranha, mas desligado do universo do aracnídeo – o que, por si só, já gera um certo desconforto nos fãs. O filme é a aposta da Sony em alimentar uma nova franquia e, com isso, manter os direitos desses personagens, que vêm sendo cobiçados pela Marvel Studios já há um bom tempo. Por conta disso, a empresa investiu pesado no marketing, a fim de impulsionar as bilheterias.

Pô, comparar com Quarteto Fantástico é pior que xingar a mãe!

A primeiras exibições nos Estados Unidos não tiveram um resultado muito positivo e a crítica foi bem cruel, chegando a comparar o longa-metragem com dois dos maiores fiascos cinematográficos do gênero super-heróis: Mulher-Gato (2004) e Quarteto Fant4stico (2015) – sobre este último, fizemos uma crítica aqui. É um grande exagero. Venom passa longe, bem longe, dessas duas aberrações, embora tenha lá seus erros.

Dra. Skirth (dir.) e seu chefe, Carlton (de preto), fazendo o mundo melhor (só que não).

A história mostra a chegada do simbionte alienígena numa nave espacial da Fundação Vida, um órgão científico responsável por pesquisar recursos para melhorar a qualidade de vida em nosso planeta. Uma equipe de exploradores (com um astronauta de nome bem familiar aos fãs do Homem-Aranha) captura quatro organismos simbiontes, mas um deles consegue escapar e se esconde no planeta. Os outros são estudados pela Dra. Dora Skirth (Jenny Slate), sob as ordens do implacável líder da fundação, Carlton Drake (Riz Ahmed).

“Sr. Brock, por favor, não me irrite. O senhor não iria gostar de me ver zangado.”

Enquanto isso, o repórter Eddie Brock (Tom Hardy) trabalha num programa televisivo e se prepara para casar com sua noiva Anne Weying (Michelle Willians), mas tudo muda de figura quando ele descobre que a Fundação Vida é mais do que aparenta e tenta colocar Drake contra a parede. Por falta de provas, Eddie perde o emprego, a noiva e passa a lamentar sua vida fracassada, até que a Dra. Skirth o encontra e oferece ajuda. A partir daí, ele tem contato com o simbionte e se torna Venom, passando a ser perseguido pelos capangas da Fundação e atacado pelo simbionte fugitivo Riot, que deseja buscar novos simbiontes para invadir o planeta.

Nada de “E.T. Telefona Casa”. Aqui, os aliens querem é sangue!

Para quem pensava que seria impossível contar a história do monstruoso vilão sem associá-lo ao aracnídeo – nos quadrinhos, o Homem-Aranha encontrou Venom num planeta distante e o trouxe para a Terra achando que fosse um novo traje capaz de obedecer a seus comandos mentais – o roteiro bem escrito prova o contrário. A trama é muito bem desenvolvida e funciona no cinema, com a história da fundação e suas pesquisas e a motivação de Drake para ter o controle dos simbiontes.

Tom Hardy dá um show na interpretação da dualidade de Venom

Tom Hardy também dá muita verossimilhança ao jornalista fracassado e desejoso de vingança contra os que destruíram sua vida. A interpretação de Hardy proporciona vários momentos cômicos na interpretação dúbia do personagem e também carrega nas situações dramáticas com o peso que elas exigem, criando um anti-herói que chega a ser bem mais simpático que nos quadrinhos. O filme também dá várias referências às HQs, cujo desconhecimento por parte do público comum não atrapalha o entendimento da história, mas fará a alegria dos fãs mais antigos.

Personagens gosmentos

O filme é meio lento nos seus momentos iniciais e demora bastante para Brock virar o Venom, mas isso não significa que seja uma trama parada. Pelo contrário, a história flui e a espera faz parte do desenvolvimento do enredo, que é repleto de ação, com cenas de perseguição, lutas e tiroteio. Há alguns furos, como fatos que não se explicam ou se explicam mal e a luta final é bem aquém do esperado, com uma solução fácil demais, mas nada que interfira a diversão. Com certeza, a estratégia de diminuir a classificação etária para atingir o público adolescente se mostrou acertada, pois o personagem tem grande popularidade entre essa faixa etária – que é quem realmente vai impulsionar as bilheterias. 

Aquele sorriso de quem passou no teste difícil.

Por isso, esqueça aquela tragédia anunciada pela crítica internacional, mas também não vá esperando ver uma obra de arte. Convenhamos: do Venom, um personagem de quarto escalão da editora, não dá pra exigir muita coisa. Porém, o que veio é muito bom e presta exatamente àquilo que se espera quando se vai ao cinema: diversão.

Cotação Raio X

Crítica: O Predador (2018)

A estreia da semana é o novo longa-metragem O Predador (The Predator, 2018), que traz de volta um dos monstros mais queridos e conhecidos do cinema. Já faz 31 anos desde sua estreia e sete desde a última aparição nas telas, de modo que a expectativa pelo novo filme é bem grande. Soma-se a isso o fato das últimas sequências não terem sido tão bem aceitas pelo público e o trabalho massivo do marketing da Fox em divulgar a produção e temos aí um novo blockbuster.

Quem disse que só os galãs de cinema atraem público?

Mais ou menos. Blockbuster o filme será por conta do título que, por si só, já é um chamariz de público. No entanto, a história contada já acende a luz de alerta. Três delas, formando um triângulo, se me permitem o trocadilho. O novo capítulo da franquia é uma sequência de erros que até tem uma premissa bem interessante e começa bem, mas se perde no desenrolar da trama. Já começa pelo título do filme, que dá a entender que seria um reboot – e, aliás, ele foi anunciado como sendo, mas o diretor Shane Black resolveu mudar de última hora. Assim, a franquia agora tem dois filmes com o mesmo título. Não, pera… o primeiro é só “Predator” e este é “The Predator”. Então tá.

Nave do Predador chega na Terra levantando poeira.

A trama mostra um predador rebelde fugindo de um caçador de sua raça e vindo buscar refúgio na Terra. A nave cai no meio de uma missão militar e o monstro é capturado e levado para ser estudado. Antes, porém, o capacete e a manopla do alien caem nas mãos de Quinn McKeena (Boyd Holbrook), um atirador de elite que cumpria missão no local, e ele decide ficar com o armamento em segredo, atraindo, com isso, a atenção de outro predador que perseguia o anterior. A partir daí começa a correria e perseguição.

Predador do bem Vs. Predador do mal.

A trama se perde totalmente ao apresentar um “predador do bem” (o fugitivo), que veio ajudar a humanidade, mas que sai matando quem vê pela frente, enquanto que McKeena faz uma parceria forçada com um grupo de renegados militares para capturar o bicho, que foge do centro de pesquisas onde estava sendo estudado e é perseguido pela Dra. Bracket (Olivia Munn), uma especialista em seres alienígenas.

Grupo protagoniza os momentos de humor (ou da tentativa de) na trama.

Estes renegados são considerados insanos pelo alto comando militar e, para justificar isso, são autores de diálogos sem noção que se tornam mais vergonhosos do que engraçados. Sem mencionar o baixo calão dos termos (tanto que o filme recebeu classificação etária 16 anos no Brasil), ditos de forma gratuita e descontextualizada, unicamente para pagar de “filme descoladão”. Infelizmente, isso só comprova a falta de direção: não sabe se quer ser ficção científica ou comédia. É claro que os gêneros podem se misturar numa mesma produção, mas tem que haver um equilíbrio, o que não acontece neste caso. São tantas piadas sem graça e tantos palavrões ditos sucessivamente, que a trama em si acaba ficando em segundo plano. 

“Não precisa atirar que eu não faço nada com os protagonistas!”

Por fim, há a questão da lógica, ou, no caso, da falta dela. É evidente que filmes de ação são repletos desses momentos e exigir lógica num filme que ficção é o mesmo que pedir que não haja armas de fogo em filmes de faroeste, mas quando a coisa sai do limite, não dá pra engolir. É uma ofensa à inteligência do espectador: o predador sai matando todo mundo indistintamente, mas nunca faz nada com os heróis da trama; um “cachorro” alien superferoz que fica dócil feito um poodle, um equipamento metálico que, numa cena é visivelmente maior que o braço do usuário e, na outra, está perfeitamente encaixado nele; um personagem que “sabe” códigos alienígenas para abrir a nave espacial do Predador; um campo de energia que protege a nave, mas não protege as turbinas da mesma (exatamente sua parte mais vulnerável) e por aí vai. Parecia até filme de segunda categoria feito pela produtora Asyllum, famosa por “homenagear” (leia-se “plagiar”) os principais blockbusters do cinema.

Ator mirim dá um show de interpretação.

A sequência de absurdos é tanta que acabam incomodando e dando a sensação de que o filme é mais longo do que realmente é (ele tem 107 minutos). No entanto, para não dizer que tudo é ruim, a atuação do garoto Jacob Tremblay é digna de aplausos. O ator, que já fez o menino deficiente de Extraordinário (2017), novamente interpreta um garoto com algum tipo de deficiência mental – o filme não deixa claro qual é – o que potencializa sua inteligência. Por último, uma curiosidade: o diretor Shane Black atuou no primeiro Predador, de 1987. Só por isso, seria um motivo para tratar a franquia com mais dedicação e não transformá-la num pastiche. Uma pena.

Preparem as armas, porque vai ter continuação, sim!

Com o gancho deixado no final do longa-metragem – e, principalmente, com a bilheteria milionária que o filme deverá arrecadar – é óbvio que ainda veremos outras sequências do monstro caçador. Esperemos que, na próxima, ele consiga apagar a mancha que as últimas sequências deixaram no histórico da franquia. Desta vez, ainda não conseguiu.

Cotação: 

Crítica: Os Jovens Titãs em Ação! nos cinemas

Após cinco temporadas de sucesso no canal Cartoon Network, a versão animada dos Jovens Titãs chega aos cinemas a partir de 30 de agosto, num longa-metragem pra lá de bem humorado, que não tem vergonha de rir de si mesmo e das produções da DC Comics para o cinema. Em Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (Teen Titans Go! to the Movies, 2018), Robin, Cyborg, Ravena, EstelarMutano buscam provar seu valor e conquistar o direito de ter seu próprio filme, a exemplo dos outros super-heróis.

“Sssslaaaaade!” O nome do vilão rende uma ótima gag na trama.

O problema é que os estúdios não se interessam pelos jovens, por não considerá-los importantes, mas, em contrapartida, produzem filmes dos mais obscuros personagens, o que causa revolta em Robin, que sonha em sair da sombra de seu mentor. Enquanto isso, Slade (nos quadrinhos, o vilão é chamado de Exterminador, mas na série optaram por usar seu nome civil) prepara um plano para dominar a mente da população mundial e cabe aos desprezados Titãs impedi-lo.  O longa segue o mesmo ritmo frenético da série animada, com ação constante e diálogos estapafúrdios que não poupam nem mesmo a concorrente Marvel, em momentos hilários e participações especiais.

Os personagens mais desconhecidos (MESMO!) da DC aparecem no longa.

O fãs de quadrinhos das antigas vão se divertir identificando as inúmeras referências que aparecem a todo instante e vão desde prédios conhecidos a personagens coadjuvantes do Universo DC e pôsteres na parede remetendo a filmes famosos, tudo com um humor escrachado e subversivo – em algumas situações, até mesmo politicamente incorreto. Não é para menos que uma piada envolvendo Batman V Superman – A Origem da Justiça (2016) por pouco não foi cortada da edição final, porque teria desagradado os executivos da Warner. Felizmente, o produtor Sam Register conseguiu convencer o alto escalão da empresa e fomos brindados com um dos momentos mais engraçados do longa.

Piadas de bastidores também estão presentes.

Mas quem pensa que as piadas estão limitadas aos diálogos e cenas, engana-se! Nem mesmo os bastidores das produções cinematográficas foram deixados de lado: desde sempre, o ator Nicolas Cage manifestou seu desejo em interpretar o Homem de Aço nos cinemas e quase conseguiu seu objetivo na década de 1990, numa produção intitulada Superman Lives! que nunca saiu do papel por conta do roteiro ruim. O fato acabou rendendo uma participação do ator: ele faz a voz do Superman na animação.

Filme que não se leva a sério é mais divertido.

Esses pequenos detalhes tornam o desenho ainda mais genial, mas se você não está por dentro das notícias, não se preocupe: independentemente delas, o Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas vai agradar pelo roteiro ágil e pelo humor escrachado, feito para todas as idades. Assim como Lego Batman – O Filme (2017), o longa prova que não é preciso ser sombrio e realista para fazer um bom filme e que a DC continua imbatível no campo das animações. 

Quarto temático em hotel é estratégia de marketing.

Em tempo: a Warner acredita tanto no apelo desta animação junto ao público que vem investindo bastante na divulgação, tanto que chegou até mesmo a lançar um quarto temático do filme no Gran Mercure Hotel Riocentro que dá direito a ingressos do filme para quem se hospedar em suas dependências. Os dubladores brasileiros do longa também vieram de terras cariocas (o estúdio de dublagem é o Wan Macher) para uma entrevista coletiva em São Paulo, a fim de promoverem o filme e falar de seu trabalho.

Cotação: 

Sequência Favorita 03: Homem-Aranha

Dando sequência (ops!) à nossa série Sequência Favorita, hoje destacamos uma cena de Homem-Aranha (2002), filme de estreia do aracnídeo no cinema (excetuando-se o episódio duplo da série de TV, que teve uma exibição nos cinemas em 1979). O longa trouxe Tobey Maguire no papel do herói e Kirsten Dunst como Mary Jane, com direção de Sam Raimi, teve uma cena que se tornou tão icônica que, certamente, entrou para a história do cinema. 

A cena marcante foi reproduzida pelo artista Alex Ross.

Convenhamos: um casal, beijo apaixonado e chuva são grandes clichês do cinema. Mas a cena do Homem-Aranha inovou por se tratar de um beijo sensual envolvendo máscaras e uma posição diferente, como só o herói aracnídeo poderia proporcionar. A sequência começa com Mary Jane saindo do trabalho à noite e sendo perseguida por bandidos. Peter Parker percebeu o perigo e correu para vestir seu traje heroico, mas não teve tempo suficiente e precisou salvar a amada sem a máscara mesmo, usando a escuridão de um beco para ocultar sua identidade.

Dois exemplos de como a cena marcou época.

Quando Mary Jane se aproximou, o rapaz fugiu, vestiu a máscara e, pendurado de ponta-cabeça, recebeu o agradecimento da jovem. Ela tirou a máscara do herói até a expor sua boca e lhe deu um beijo carinhoso – algo que o apaixonado Peter Parker não tinha conseguido ainda, pois não teve coragem de declarar seu amor. Às vezes, ter uma dupla identidade tem seus benefícios… A prova da importância desta cena é que ela foi repetida em outras oportunidades. Só para citar dois exemplos: na própria sequência, Homem-Aranha 3 (2007), quando Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard) homenageia o herói em um evento público e na série The O. C., numa cena em que Seth (Adam Brody) cai do telhado e fica pendurado, sendo beijado por Summer (Rachel Bilson).

Crítica: Os Incríveis 2

No dia 28 de junho, estreia o filme Os Incríveis 2 (Incredibles 2, 2018), o 20º. longa-metragem da Pixar, que dá continuidade à franquia iniciada em 2004, quando estreou o primeiro longa-metragem da super-família. Novamente dirigido por Brad Bird, o novo filme teve sua estreia antecipada em um ano pela Pixar, pois o filme Toy Story 4 – que deveria estrear este ano – estava com sua produção atrasada e, como Os Incríveis 2 já estava mais adiantado, trocou de data com a turma de brinquedos. Sorte nossa!

Vale destacar que Os Incríveis 2 conta com as vozes do jornalista Evaristo Costa, dos apresentadores Raul GilOtaviano Costa e da atriz Flávia Alessandra na dublagem. Veja abaixo nossa crítica sem spoilers. 

Sequência Favorita 02: Demolidor – O Homem sem Medo

A versão cinematográfica do Demolidor não é o que se pode chamar de unanimidade. O longa de 2003 dividiu os fãs e fez valer a máxima do “ame-o ou deixe-o”. Eu, particularmente, considero o filme bem simpático e fiel aos quadrinhos. Claro que não é nenhuma obra-prima do cinema e, sim, tem alguns momentos bem constrangedores – a luta no parque de diversões é o exemplo clássico – mas, de um modo geral, o filme cumpriu seu papel de apresentar o personagem ao público que não acompanha HQs e mostrar que a Marvel tem heróis bem bacanas em seu segundo escalão.

O filme tem seus defeitos, mas também foi bastante fiel às HQs.

Com Ben Affleck no papel do herói cego e Jennifer Garner como Elektra, a namorada do herói (pouco tempo depois, Garner se tornaria a esposa de Affleck, no melhor estilo da vida que imita a arte), o longa reservou para o casal uma cena cheia de romantismo e magia, que ganha mais sentimento com a versão instrumental música My Immortal, do grupo Evanescense, tocada ao fundo. A cena em questão é a chamada “cena da chuva”, na qual Matt Murdock leva sua amada para o terraço de um prédio onde ele costumava ficar quando criança. 

Uma linda cena de amor com efeitos especiais que emocionam

Quando Elektra diz que precisa ir, Matt pede que ela fique mais um momento, até que comece a chover, pois queria “vê-la” por meio das vibrações provocadas pelos pingos da chuva em seu rosto e captadas por sistema de radar do advogado. A forma como isso é mostrado no filme é repleto de poesia, num efeito especial simples, mas de beleza ímpar. O efeito se repete na cena do funeral do pai de Elektra (deve ser alguma norma de Hollywood que todo funeral tenha chuva), desta vez com My Immortal cantada e um extra: Elektra abre um guarda-chuva e seu rosto desaparece no radar de Matt. Genial!