Leituras da Semana – Abril (4)

As leituras desta semana trazem algumas edições de abril, organizando o calendário da Panini, que costumava lançar as edições com um mês de atraso. Além disso, também inclui algumas aquisições do Festival Guia dos Quadrinhos.

Estudar História pode ser divertido.

Saiba Mais – História do Brasil (set/2011) – Uma das aquisições do Festival Guia dos Quadrinhos, esse encadernado reúne sete edições mensais da revista Saiba Mais que, juntas, narram momentos importantes da nossa História, como o Descobrimento do Brasil, Índios, Folclore, Independência do Brasil, Proclamação da República, Imigrantes e Imigração Japonesa. Todas com o humor característico da turminha mais amada do Brasil. Além de divertida, a edição também é didática e educativa. Uma importante colaboração de Mauricio de Sousa para a Educação no País.

Dr. Estranho enfrenta o fim da magia

Doutor Estranho 5 (abr/2017) – As duas aventuras do Mago Supremo mostram o doutor reunindo suas últimas forças contra o destruidor da magia Empirikul. A capa é feia pra dedéu, mas as histórias são bem interessantes.

Briga de família

Thor 3 (abr/2017) – O pau quebra feio quando a poderosa Thor resolve enfrentar Odin. A briga abala todo o Reino Dourado, que entra numa guerra civil cujo resultado só pode terminar em tragédia. A segunda história, no estilo Contos de Asgard narra uma aventura das antigas do poderoso Thor, narrada por Loki. É uma boa história que seria ainda melhor se a arte fosse menos “rupestre”.

Indo aonde ninguém jamais escreveu.

Coleção Mundo Nerd – Como a Cultura Nerd Mudou o Mundo – Vol 1: Star Trek (jun/2016) – Um compêndio de informações sobre a série Star Trek e sua importância para a cultura pop, com bastidores da série de TV e das produções cinematográficas, as outras mídias – livros, animação, HQ – em que a franquia investiu. Um excelente trabalho de pesquisa da equipe da revista Mundo Nerd (que, modéstia à parte, contou com um capítulo escrito por mim) numa coleção de alto nível, que só não é melhor porque o livro não tem capa dura como a Coleção Mundo dos Super-Heróis, lançada poucos tempo antes. Mas a capa cartonada de forma alguma desqualifica a coleção, que até ganha uma identidade própria. É um excelente material para antigos fãs e também para os novos, que desejam ingressar nesse rico universo.

Aventuras espaciais bem humoradas

Guardiões da Galáxia 4 (mar/2017) – Os Guardiões precisam salvar Gamora das mãos de Hala e o Senhor das Estrelas tem um plano. Ou não, para desespero de Rocky. Drax e seu novo amigo Terrax são capturados e forçados a lutar numa arena para diversão de Fin Fang Foom. O destaque fica para o resgato do personagem Torgo, que só os fãs beeeeeeeeeeeem antigos do Quarteto Fantástico vão lembrar. Rocky e Groot jogam futebol com o Homem de Ferro numa HQ que é puro besteirol e não tem nada de útil, mas é diversão pura.

Rocky e Groot são a cara dos personagens Disney

Guardiões da Galáxia 5 (abr/2017) – Mais três HQs com o clima descontraído dos Guardiões. Na primeira, o arco de Hala é encerrado e o Senhor das Estrelas precisa lidar com uma conspiração do Conselho Galáctico para tirá-lo da liderança de Spartax. Na história do Drax, o enfezado personagem enfrenta o poderoso Fin Fang Foom e percebe que ele não é tão casca grossa quanto parece (metaforicamente falando). Já a HQ do Rocky e Groot, passa a impressão de que estamos lendo um gibi do Pato Donald: é engraçada, mas totalmente inútil, feita apenas para divertir. O próprio estilo da arte imita o estilo das HQs da Disney. Teria muito apelo entre o público infantil se fosse lançada em formatinho e como título independente.

O épico da fantasia.

Coleção Mundo Nerd – Como a Cultura Nerd Mudou o Mundo – Vol 2: O Senhor dos Anéis (nov/2016) – Edição primorosa, com tudo o que é necessário para mergulhar no universo criado por J. R. R. Tolkien e se aprofundar em suas criações. Mesmo que não tenha visto os filmes ou lido os livros, a edição esmiúça a característica de cada personagem, dá detalhes de bastidores – tanto do livro como do filme – e explica por quê a obra, escrita de forma tão despretensiosa, modificou a cultura pop e se tornou um épico.

Leituras da Semana – Abril (2) e (3)

Com o Festival Guia dos Quadrinhos acontecendo na semana passada e a Semana Santa tomando todo tempo disponível, a postagem de domingo passado precisou ser adiada. Hoje, fazemos uma postagem englobando as leituras das duas semanas, com muitas novidades das bancas.

Ele não tem moto… mas se chama motoqueiro. #vergonhaalheia

Motoqueiro Fantasma 1 (mar/2017) – Datada de 2014, esta HQ chega com três anos de atraso, e uma tradução mal feita da Panini. Leia nossa crítica completa clicando aqui.

Edição (quase) perfeita

Turma da Mônica Jovem (nova série) 4 (mar/2017) – Depois de um encontro histórico em duas partes (leia tudo sobre essa HQ aqui e aqui) publicado nas edições 43 e 44 (2012), a Turma Jovem volta a se encontrar com Safiri, desta vez numa aventura que se passa na Terra de Prata, lar da princesa criada por Osamu Tezuka.  A história leva Mônica e seus amigos ao reino de Safiri para comemorar os 15 anos da heroína, em cuja festa ela deve renovar os votos de proteger o país e manter o legado de seus pais. No entanto, uma ameaça promete estragar a festa e impedir o “príncipe” de cumprir seu destino. Para quem conhece o anime A Princesa e o Cavaleiro, vai sentir o mesmo clima de ação da série, com personagens conhecidos e a mesma personalidade vista no desenho. Uma história brilhante e repleta de saudosismo, que só se estraga no final, com uma mensagem faminista jogada na cara dos leitores. Não teria nada demais se a mesma roteirista não fosse responsável por outra polêmica nas HQs da TMJ pelo mesmo motivo, o que leva à conclusão de que não foi acidental ou um ato inocente, mas um texto proposital. E daí? Daí que a Turma da Mônica e Safiri são maiores do que essas ideologias e não precisam desse tipo de premissa, visto que ambas as personagens, por si só, já levam à reflexão sobre o poder e a igualdade da mulher. Totalmente desnecessário manchar uma HQ que tinha tudo para ser perfeita. Mauricio de Sousa não merece isso em suas revistas.

promocional bacana

Preview Especial – Os Novos 52 (ago/2013) – Uma das aquisições no Festival Guia dos Quadrinhos, essa edição especial foi uma introdução à saga Guerra da Trindade, publicada em Liga da Justiça 22-24 e Constantine 3-4, entre março e maio de 2014. A HQ, de apenas 16 páginas, mostra a entidade Pandora em busca da mitológica Caixa de Pandora para redimir seu maior crime: ter liberado o mal na Terra. É um material até interessante, considerando se tratar da fase Novos 52.

De protagonista a coadjuvante sem perder o encanto.

Doutor Estranho 4 (mar/2017) – Ao invés de duas histórias do Mago Supremo, esta edição traz apenas uma história, que apresenta vários magos do Universo Marvel enfrentando a ameaça do Empirikul, o destruidor de magia. A história é tão boa, que consegue transformar o protagonista da revista num coadjuvante com aparição em pouquíssimas páginas e, mesmo assim, manter um nível excelente. Além, claro, de trazer um humor refinado que cabe como uma luva na temática. Excelente!

Thora em HQs de alto nível

Thor 2 (mar/2017) – Thor e Loki se encontram num bate-papo amistoso, enquanto Malekith invade o reino dos Elfos e Odin julga sua esposa Freyja por traição. Todos os peões se juntam num clímax que deixa o leitor ansioso para a próxima edição. Embora o conceito da Thor mulher seja um tanto incômodo (não pelo fato de ser mulher, mas pela forma como foi apresentado – Thor se torna indigno de forma inexplicada, vira um babaca, assim como seu pai, que passou de um deus sábio e bondoso num velho tirano, ignorando anos e anos de nobreza com que foram criados), há que se considerar que as HQs estão com um ritmo muito bom.

Aventura no Japão

Homem de Ferro 4 (mar/2017) – O Homem de Ferro e o Máquina de Combate se unem a um certo herói aracnídeo no Japão para enfrentar uma vilã capaz de controlar a tecnologia dos heróis. E Mary Jane Watson começa a trabalhar nas Indústrias Stark – ou será que não? HQ dinâmica, texto gostoso e a química entre os heróis proporciona ótimos momentos.

Fase que marca início da carreira de Neal Adams

Coleção Oficial de Graphic Novels Salvat XV: X-Men – O Crepúsculo dos Mutantes (out/2016) – Pouco antes do título dos X-Men ser cancelado nos anos 60, o desenhista Neal Adams participou da revista e deixou sua marca numa fase marcada por novos mutantes – Destrutor, Polaris, Monolito Vivo – e o retorno dos Sentinelas. Este encadernado resgata essa fase que, embora tenha suas incoerências de roteiro, também é repleta de ação frenética e drama que era bem comum nas HQs dos mutantes. Não é uma leitura excepcional, por vezes, pode soar até mesmo datada… mas é uma importante fase dos heróis que merece, ao menos, ser conhecida.

Jogando a personalidade do herói no lixo.

O Espetacular Homem-Aranha 5 (mar/2017) – Em duas HQs, o Aranha conclui a trama em que enfrenta o Senhor Negativo e inicia outra, em que vai ao espaço sideral para hackear um satélite e descobrir o paradeiro do Escorpião (não o antigo inimigo do aracnídeo, mas aquele que é membro do Zodíaco). O problema está na palhaçada que o roteirista Dan Slott faz com o herói, mostrando-o caindo do espaço rumo à Terra, sem uma espaçonave, com pouca teia e caindo no meio dos Estados Unidos sem sofrer um único arranhão. Sério: estamos falando do Homem-Aranha, não do Hulk ou do Homem de Ferro, que tem sua armadura para protegê-lo! Ridículo! E nem adianta dizer que o uniforme tecnológico atual o protegeu, porque ele rasgou na reentrada da atmosfera. A questão é uma descaracterização do personagem nas mãos do “genial” Slott. Uma ofensa à inteligência.

 

 

Saído do Forno: Motoqueiro Fantasma

Com três anos de atraso (o material original estreou nos Estados Unidos em maio de 2014), a Panini decidiu publicar as aventuras do herói renovado na fase Nova Marvel – evidentemente aproveitando a popularidade que o personagem conquistou após sua participação na série de TV Agentes da Shield. Infelizmente, a editora pecou pela adoção de um erro conceitual dos mais burros: chamar de motoqueiro um personagem que não tem mais uma moto, mas um automóvel.

O primeiro Ghost Rider andava a cavalo.

Para entender o imbróglio, é preciso remeter às origens do personagem. No original, ele se chama Ghost Rider, onde “rider” é uma palavra com significado bem genérico em inglês, podendo ser usada para quem monta cavalo, bicicleta, moto, carro ou até mesmo trem. Em outras palavras, rider é alguém que é carregado por alguma coisa. Tanto que existiu um personagem de mesmo nome que atuava nos quadrinhos de faroeste, muitos anos antes do motoqueiro dar as caras  pela Marvel. No Brasil, esse personagem foi chamado de Cavaleiro Fantasma.

Esta é a moto mais envenenada que você vai ver na vida.

Sendo assim, a Panini optou por “manter o nome pelo qual o personagem é conhecido no Brasil”, ignorando toda lógica e coerência. Afinal, trata-se de um personagem totalmente modernizado que nada tem em comum com seus antecessores, exceto o fato de ser um esqueleto com o crânio flamejante. Nada, nem mesmo o demônio que lhe dá os poderes é o mesmo. Uma mudança de nomes, portanto, não seria apenas “estética”, mas deixaria claro que se trata de um novo conceito. E nem era preciso pensar muito: no caso de querer fugir do óbvio “Motorista Fantasma”, a própria HQ apresenta uma série de variações diferentes para batizar o misterioso herói que surge nas ruas de Los Angeles.

Super-Homem, Punhos de Aço, Eléktron e Capitão Marvel também tiveram seus nomes alterados… e o público aceitou.

Sabemos que esse tipo de decisão editorial nem sempre é fácil, pois envolve também a questão comercial. Contudo, são vários os casos de personagens consagrados que mudaram de nome ao longo do tempo, principalmente na troca de editoras e, nem por isso, os leitores deixaram de se acostumar com essas alterações, embora cause estranhamento num primeiro instante. Basta um pouquinho de bom senso e uma boa estratégia de marketing.

Renascido do inferno

Mas falando da HQ do Motorista Fantasma, o encadernado reúne as seis primeiras edições do título americano e mostra a origem do personagem. Robbie Reyes é um jovem adolescente que vive sozinho com seu irmão mais novo, que é paraplégico – a HQ não explica se ele já nasceu assim ou se a deficiência foi causada por alguma acidente – num bairro bem barra pesada de Los Angeles. Para sustentar a casa, o rapaz trabalha como mecânico numa oficina do bairro e divide seu tempo também com os estudos. Como o dinheiro é curto, Reyes participa de rachas noturnos e ganha um extra com o valor das apostas.

Mr. Hyde ficou verdadeiramente assustador (na verdade, essa arte transforma até os Ursinhos Carinhosos em assustadores.)

Isso muda radicalmente quando ele usa um dos carros que chegou à sua oficina, que pertencia a um traficante e, em cujo porta-malas, havia escondido uma bolsa de drogas, sem que ele soubesse. Perseguido pelos traficantes, Robbie é metralhado e morre, mas o demônio Eli lhe dá uma oportunidade de se vingar, restaurando sua vida e concedendo-lhe o poder do Espírito da Vingança. Agora, Robbie precisa enfrentar os traficantes, liderados pelo Dr. Calvin Zabo – o alter ego do vilão Mr. Hyde – cuja droga transforma todos em monstros superpoderosos.

Artista peca pelo exagero visual.

O texto dinâmico e envolvente logo faz o leitor se envolver na história de Reyes e querer saber o que virá a seguir. O clima de violência é um tanto pesado, tanto com a apologia a drogas como com os diálogos, cheios de simulações de palavrões, indicando a vizinhança barra pesada onde mora o protagonista. Faltou, talvez, uma advertência na capa com restrição de idade para os leitores, porque, definitivamente, esta não é uma HQ para crianças. A arte caricata e de qualidade duvidosa do artista Tradd Moore por vezes deixa confuso o que está acontecendo, mas não tira o mérito da HQ, repleta de ação.

Gabriel Luna interpreta o herói na TV. Incrível!

Segundo a editora, serão dois encadernados pré-Guerras Secretas, então podemos esperar o próximo para breve. Recentemente, a Marvel vem sofrendo com as baixas vendas de suas revistas, motivadas pelas constantes mudanças que a editora tem feito em seus personagens principais. O Motorista Fantasma, contudo, é um dos que, aparentemente, escapou da chuva de críticas, tanto que até ganhou uma versão live-action, interpretado por Gabriel Luna. Uma prova de que, quando os personagens são bem trabalhados, o público leitor aceita as mudanças. Incluindo traduções.

Leituras da Semana – Abril (1)

Inaugurando o mês de Abril (e ainda pegando um restinho de março), as leituras desta semana têm edições recentes, mas também tem um livro que resgata momentos clássicos de dois grandes personagens.

Uma teia de personagens legais.

Homem-Aranha: Aranhaverso 3 (fev/2017) – Duas histórias do Homem-Aranha 2099, duas da Gwen-Aranha e uma da Mulher-Aranha, Teia de Seda e Guerreiros da Teia. O universo aracnídeo reunido nesta edição, bem bacana. Todas as histórias são boas, mas os destaques são para o Homem-Aranha 2099 e Guerreiros da Teia. Teia de Seda e Gwen-Aranha não são ruins, mas estão longe de se tornarem clássicas. E a nova fase da Mulher-Aranha tem seus atrativos, com a inclusão da heroína no rol dos personagens “engraçadinhos”, que enfatizam o lado ridículo das situações em que se envolvem. É a Marvel rindo de si mesma. Vale a leitura.

O destaque desta edição é o Homem-Formiga. Só.

Avante, Vingadores! 3 (fev/2017) – Os quadrinhos da Marvel andam numa fase tão ruim que decidi cortar alguns títulos do meu orçamento em 2017. Um deles era Avante, cujos números anteriores comprei interessado no rumo das histórias do Esquadrão Supremo, que realizaram um ato surpreendente na edição 1. Neste número, a equipe entra numa batalha com os Vingadores liderados pelo Capitão América-Rogers, mas o rumo da batalha foi pra lá de frustrante. Além disso, o mix também tem uma HQ chatérrima da Capitã Marvel (que a editora quer, a todo custo, empurrar goela abaixo dos leitores como a melhor-heroína-símbolo-ever), outra do intragável Hulk-Cho e os igualmente irrelevantes novos Supremos. A Força-V é até divertida, mas a química entre as integrantes deixa a desejar. A única que vale a pena acompanhar é a do Homem-Formiga, bacanérrima. Uma pena que colocaram o personagem no mix ao invés de lançar esse material em encadernados-solo. Fica a torcida para que a editora lance futuramente uma reedição.

Documento histórico

Coleção Super-Heróis Vol. 3 – Capitão América e Lanterna Verde (fev/2017) – A trajetória desses dois grandes personagens, um da Marvel, outro da DC, que tem em comum o fato de serem “soldados” – um deles da Terra, outro, do espaço sideral. Ambos, criados quase simultaneamente – Lanterna Verde foi criado em 1940, um ano antes do Capitão América (Ahá! Dessa você não sabia, né?). O bom desta coleção é exatamente o resgate histórico, passando pelas origens e bastidores de criação até os grandes momentos nos quadrinhos e como o personagem está na atualidade. É um documento, feito de fã para fã (e, modéstia à parte, esta edição tem grande parte do material feito por mim, o que me enche ainda mais de satisfação). Vale a pena ter na estante.

propaganda ideológica disfarçada de HQ.

Capitão América 1 (mar/2017) – Depois de mais de 20 anos, o Sentinela da Liberdade volta a ter um título só dele – mesmo que, aparentemente, seja por pouco tempo, já que vem sendo divulgado por aí que a revista se chamará Capitão América e Agentes da Shield (a não ser, claro, que se trate de outro título paralelo.). Mesmo também que o Capitão América não seja o Capitão América, mas sua versão Falcão. E mesmo também que o roteirista Nick Spencer (que o editorial se esforça para que o leitor aceite que ele é a última bolacha do pacote num deserto onde não existem supermercados para comprar outro) transforme a HQ num festival de propaganda ideológica minoritária a cada balão. A capa, que traz a chamada “O Fardo de Sam Wilson”, na verdade chama a atenção para o fardo do leitor, que tem que engolir um personagem pobre (e olhe que sou fã do Falcão!), numa história com piadas medíocres e roteiro ioiô, que vai e vem no tempo e chega ao cúmulo de ter um flashback dentro de um flashback (Roteiristas, o que aconteceu com o texto com começo, meio e fim?). A única preocupação não é contar uma boa história, mas passar uma ideia política: o Capitão América é o defensor das minorias, seja participando de uma parada gay,  seja viajando numa classe econômica de avião e conversando com uma dupla inconveniente, seja passando ideia que mexicanos têm, sim, o direito de cruzar a fronteira americana, fazendo um discurso anti-Trump (e olhe que a HQ foi escrita antes do atual presidente ser eleito). Ok, o Capitão América sempre foi um herói politizado. No entanto, as críticas eram bem mais sutis e, acima de tudo, o herói defendia um ideal, não uma postura política. O Falcão América, ao assumir um lado – abertamente na edição, inclusive colocando o próprio Steve Rogers contra ele -, jogou no lixo tudo aquilo que Simon, Kirby, Byrne, Englehart, Brubaker e tantos outros construíram ao longo de 75 anos. Como diria o Chaves, melhor ver o filme do Pelé.

 

Leituras da Semana – Março (4)

Encerrando o mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, as leituras foram exclusivamente femininas com uma heroína clássica e uma moderna.

A fase de ouro da Princesa Amazona

Lendas do Universo DC – Mulher Maravilha de George Pérez – Vol. 1 (Fev/2017) – Uma das fases mais aclamadas da Princesa Amazona reunida neste encadernado de qualidade ímpar. Após a saga Crise nas Infinitas Terras, a DC precisou reformular a origem de seus personagens e o artista George Pérez – que teve uma brilhante fase nos Novos Titãs – ficou encarregado de devolver a relevância à Mulher-Maravilha. O desenhista/roteirista acertou em cheio ao associar a heroína à mitologia grega, dando-lhe um caráter quase divino e recolocando-a entre os principais personagens da editora. A beleza do traço de Pérez é outro atrativo, pois destaca toda a delicadeza e altivez da heroína. Um material à altura para aguardar o filme da Amazona que está por vir.

Bom humor juvenil

Ms. Marvel Vol 3 – Apaixonada (Mar/2017) – Um material pra lá de divertido que lida com muito humor das confusões hormonais que acontecem na adolescência da jovem super-heroína. Na primeira história, ela precisa evitar que Loki estrague o baile do Dia dos Namorados em sua escola. Nas outras três, a jovem Kamala encontra um novo garoto na cidade que faz o coração dela balançar. Pra encerrar, mas uma HQ bem engraçada com a participação de agentes da Shield saídos diretamente da série de TV. O melhor dos três encadernados da Ms. Marvel até agora.

Leituras da Semana – Março (2)

Uma semana meio pobre em leituras, porque estive enrolado com trabalho, mas também porque escolhi publicações que demandam um tempo maior para terminar. Ei-las:

Só grandes clássicos do Quarteto Fantástico

Coleção Oficial de Graphic Novels Salvat Vol. V – Quarteto Fantástico: O Dia do Juízo Final (Março/2016) – Demorei um ano pra ler essa edição, porque a capa remetia ao mesmo arco publicado na primeira edição da Coleção Histórica Marvel do Quarteto Fantástico, que eu tinha lido pouco tempo antes. Porém, este arco não é o mais importante da edição: o encadernado tem outras histórias muito mais relevantes, como a estreia do Pantera Negra, numa HQ dupla que abre a edição, seguida de uma história que marca o retorno do Surfista Prateado logo após a sua estreia na inesquecível Saga de Galactus (Fantastic Four 48-50) e, por fim, a estreia do vilão Garra Sônica. Só então é que entra o arco do Doutor Destino, que também é bastante interessante e, diga-se de passagem, certamente serviu de inspiração para o filme Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007).

Uma iniciativa muito boa da Divisão Disney da Editora Abril

Disney Capa Dura – Iniciativa Super-Heróis (Abr/2016) – Quase um ano após o lançamento, encontrei uma boa oferta e pude adquirir este “tijolão” que traz o melhor dos super-heróis da Disney, algumas inéditas no Brasil, outras publicadas apenas uma vez. Uma ótima coletânea que mostra o que a Disney tem de melhor no gênero, como a história que abre o volume, trazendo o Superpato tendo que provar sua inocência numa série de crimes que, aparentemente, foram provocados por ele. Ou as HQs do Morcego Verde, incluíndo O Cavaleiro das Dívidas, uma paródia escrachada de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Além disso, tem também a divertida Os Doze Trabalhos do Morcego Vermelho e a origem do Clube dos Heróis. As piores (o que não significa ruins) são as do Superpateta. Uma edição fantástica e caprichada, que merece um lugar de destaque na estante.

Crítica (em vídeo): Logan

Estreou no último final de semana o filme derradeiro do ator Hugh Jackman interpretando o papel do mutante Wolverine. Em Logan, o ator conclui sua trajetória com o personagem e finaliza a trilogia que se iniciou com X-Men Origens: Wolverine (2009) e Wolverine Imortal (2013). E, se os trailers e o material promocional do filme davam a entender que a produção seria maçante e tediosa, a realidade se mostrou bem diferente. Veja nossa crítica em vídeo (sem spoilers).

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