Leituras da Semana – Agosto (3)

Nesta semana, aproveitei para colocar em dia alguns encadernados que estavam atrasados na minha lista. Foram só dois, mas com excelentes histórias entre republicações e um arco inédito e empolgante.

Queda e ascensão do Lanterna Verde

Coleção de Graphic Novels DC Vol. 30 – Lanterna Verde: Crepúsculo Esmeralda/Novo Amanhecer (nov/2016) – Uma das HQs mais memoráveis dos anos 1990, faz parte de uma fase sombria dos personagens. Superman morreu, Batman ficou paralítico e o Lanterna Verde se tornou um vilão. Esta história mostra o processo pelo qual o  herói passou até ser possuído por Parallax (que, até então, ninguém sabia ainda que seria uma entidade com vida própria) e a convocação do novo Lanterna, Kyle Rayner. O curioso é que, sempre que os heróis trocam de identidade, é inevitável a comparação com o predecessor, mas no caso de Rayner, ele conquistou seu espaço e se tornou um grande Lanterna Verde também. E vale citar a famosa cena da geladeira, que causou polêmica na época e, se fosse hoje, decretaria o fim do mundo nas redes sociais.

Arco inédito corrige hiato na carreira do herói no Brasil.

Os Heróis Mais Poderosos da Marvel 51 – Surfista Prateado (fev/2017) – Além da HQ que mostra a origem do arauto de Galactus já publicada no volume XIV da coleção  clássica preta da Salvat, este encadernado traz também um excelente arco do início dos anos 1990 que permanecia inédito no Brasil. Nele, acontece uma reunião de todos os arautos de Galactus – a saber: Surfista Prateado, Gabriel, o Andarilho dos Céus, Senhor do Fogo, Terrax e Nova – para convencer o Devorador de Mundos a voltar atrás em sua decisão de ter escolhido o impiedoso Morg como seu novo auxiliar, uma vez que a criatura é destituída de compaixão e não seleciona planetas sem vida para seu mestre. Com uma história vibrante e muito bem conduzida pelo roteirista Ron Marz, a edição corrige um erro de mais de 20 anos, pois além de trazer a história não contada do herói cósmico, também revela como Nebulosa adquiriu seu visual ciborgue. Num período pouco inspirado e repleto de aventuras de gosto duvidoso dos heróis Marvel, esta fase do Surfista se mostra um oásis no deserto.

Leituras da Semana – Agosto (2)

Segunda semana da agosto, comemoramos o Dia dos Pais e também listamos as revistas lidas esta semana, que foram poucas, mas interessantes. A única exceção é a revista do Mickey, que deixou um sentimento de frustração que ainda não consegui superar.

Edição (nada) comemorativa.

Mickey 900 (jul/2017) – Chegar à edição 900 de uma revista em quadrinhos publicada ininterruptamente é uma façanha que poucas vezes se conseguiu no Brasil. Por isso, não mereceria menos do que uma baita edição comemorativa, mas infelizmente, tirando-se a referência na capa e um editorial na última página (sim, na última) que, inclusive já foi até compartilhado na internet antes de sair a revista, a edição 900 da revista Mickey é de uma pobreza de dar dó. Tudo bem que o tamanho da revista (52 páginas) não permite muita coisa, mas a Editora Abril já foi mais “festeira” com edições importantes. Tomara que, quando a revista chegar às 1000 edições, receba algo além de duas míseras histórias e um editorial.

Mistério resolvido

Thor 6 (jul/2017) – O mistério da aparição de Jane Foster e Thor ao mesmo tempo é resolvido nesta edição… e a conclusão é surpreendente e, ao mesmo tempo, frustrante. A história é bacana, mas a invenção de um conceito totalmente novo num personagem tão clássico me desagradou. Principalmente porque, mitologicamente falando, não creio que exista qualquer ligação com o fato narrado e também porque muda completamente a origem de Thor como a  conhecemos (Claro que o Thor clássico também tinha suas liberdades poéticas, mas procurava seguir a mitologia nórdica tão fiel quanto pudesse. Já esse acontecimento, parece-me mais uma invencionice criada para agradar minorias.) Em todo caso, as duas histórias desta edição são interessantes.

Conclusão do arco Mulheres-Aranhas

Aranhaverso 14 (jul/2017) – A conclusão do arco Mulheres-Aranhas reserva bons momentos, com as aracnídeas voltando à nossa dimensão para descobrir que a Teia de Seda da Terra 65 manchou a imagem da nossa Seda, conseguiu uma forma de anular os poderes de Gwen-Aranha e deixou seu agente no apartamento da Mulher-Aranha para ameaçar seu bebê. A série manteve a qualidade e a descontração, garantindo bons momentos (como Jéssica lutando com seu algoz e parando no meio da briga para cuidar do bebê). E ainda tem Homem-Aranha 2099 e a divertida Guerreiros da Teia. Vale a leitura.

Elektra não está contente.

Demolidor 13 (jun/2017) – Sem Mark Waid pilotando o título, o Demolidor teve uma queda na qualidade dos roteiros, mas nada que comprometa o conteúdo. As histórias de Charles Soule são dinâmicas, leves e têm diálogos ágeis, preocupando-se mais em apresentar a ação do que em ficar complicando a cabeça dos leitores com tramas complexas que não levam a nada. As coisas começam e terminam ali mesmo, sem enrolações, o que é um mérito. Esta edição conta com várias participações especiais: Elektra, Homem-Aranha, Eco… Diversão garantida!

 

Sílvio Santos em quadrinhos

Talvez muita gente não saiba, mas Sílvio Santos já foi personagem de quadrinhos mais de uma vez. Como um dos homens mais influentes do Brasil, dono de um império televisivo, o empresário, cujo nome verdadeiro é Senor Abravanel, já foi retratado diversas vezes em publicações de humor, como nas revistas da Turma da Mônica, Aventuras do Didi, Mad e a similar brasileira Pancada. Segundo o site Guia dos Quadrinhos, foram sete publicações (sem contar as reedições), fora as aparições surpresa que o site pode ter deixado escapar.

Sílvio Santos já foi parodiado diversas vezes nas HQs.

Além dessas participações especiais em quadrinhos alheios, o Homem do Baú também teve sua própria revista em quadrinhos publicada em 1969 pela editora Prelúdio que contou com tiragem de 200 mil exemplares e se esgotou rapidamente, tornando-se objeto de colecionador. Até agora, porque a Avec Editora conseguiu autorização para reeditar o material e lançará a revista em edição especial no mês de outubro. Sílvio Santos: Vida, Luta e Glória é de autoria de Rubens Francisco Lucchetti com desenhos de Sérgio M. Lima e conta a trajetória do empresário desde os tempos de camelô até se tornar um sucesso na TV aos domingos.

HQ passou por processo de restauração e colorização.

O responsável pelo relançamento é o escritor Rafael Spaca, que entrou em contato com o autor e recebeu a bênção para lançar a HQ. Originalmente publicada em preto e branco, a edição foi colorizada pelos alunos da Faculdade Rio Branco em São Paulo e terá uma tiragem bem menor – apenas 1000 exemplares (o mercado de quadrinhos mudou bastante…). Porém, segundo Arthur Vecchi, dono da Avec Editora, declarou ao site BOL, haverá possibilidade de novas edições, caso a procura seja grande. O álbum será em formato A4, capa cartonada e papel couché e já está em pré-venda pelo site Amazon.

Sílvio Santos é modelo de como o trabalho pode engrandecer o homem.

Apesar das mudanças, adaptadas para os quadrinhos atuais, a história original será preservada e contará com uma introdução do autor, contextualizando a história (uma vez que a inauguração do SBT, fato importante na trajetória do apresentador, obviamente, ficou de fora já que a revista foi publicada 12 anos antes deste acontecimento). Com seu exemplo de profissionalismo, Sílvio Santos conquistou uma carreira vitoriosa que serve de inspiração para muita gente e esta HQ pretende resgatar essa história e apresentá-la numa linguagem acessível a todas as idades. Um lançamento mais do que bem-vindo. Sílvio Santos merece essa homenagem e seu público também merece esse presente para ler e guardar para sempre.

Leituras da Semana – Agosto (1)

E chegamos ao mês de agosto! Num piscar de olhos, estamos na segunda metade do ano (o primeiro mês já foi) e, daqui pra frente, é ladeira abaixo, sem freios! Tanto o tempo voa que nem deu pra lermos muita coisa, mas tivemos boas leituras nesta semana, entre clássicos e modernos. Veja a seguir aquilo que recomendamos (ou não) para a sua estante:

Clássico incontestável

Coleção Os Heróis Mais Poderosos da Marvel Vol. 63 – Elektra (jul/2017) – Frank Miller, no seu auge criativo, criou as melhores histórias que já foram escritas, verdadeiras obras-primas dos quadrinhos, como Cavaleiro das Trevas, Batman – Ano Um, Sin City, A Queda de Murdock e outros. Contudo, este encadernado traz o começo de tudo. Com a Saga da Elektra (ou Elektra Saga, como é chamado na capa), Miller assumiu a revista do Demolidor, prestes a ser cancelada e a tornou um verdadeiro fenômeno de vendas. Em sua primeira edição como roteirista (ele já estava desenhando há alguns meses), incluiu a mercenária Elektra e, a partir daí, a revista só melhorou até atingir um ápice na edição 181, com a batalha contra o Mercenário. Ter essa história inteirinha num encadernado de capa dura é um verdadeiro presente. Trata-se de um material ímpar, atemporal e delicioso de ler, um manual de como escrever uma boa HQ. Algo que os roteiristas atuais estão precisando.

Edição morna

Guardiões da Galáxia 8 (jul/2017) – Esta edição marca a estreia do título Star Lord, que relata detalhes da origem do Senhor das Estrelas em mais um daqueles retcons que só servem para confundir a cronologia. Desta vez, voltamos à juventude de Peter Quill para relatar como ele era rebelde e brilhante ao mesmo tempo, acalentando seu sonho de ser astronauta até se encontrar com Yondu no espaço. Nhé. Em Guardiões da Galáxia, os heróis se dividem para invadir o mundo-prisão da Irmandade Baddoon, mas separar o grupo pode não ter sido uma boa ideia. História que se passa no presente, volta ao passado para explicar os detalhes que levaram até ali e termina exatamente onde começou (não é exagero), com gancho para a próxima edição. Nhé. Drax continua sua missão de proteger as crianças sequestradas e levá-las aos seus lares. Divertidinha, mas… nhé.

O arco Mulheres-Aranhas é o destaque da edição. Um prazer de leitura!

Aranhaverso 13 (jun/2017) – Além de duas HQs do Homem-Aranha 2099, sempre interessantes e bem-vindas (Peter David, o pai da criança, sabe como cuidar do próprio filho!), esta edição dá início ao arco Mulheres-Aranhas, envolvendo… bem… as mulheres-aranha do Aranhaverso – Mulher-Aranha, Gwen-Aranha e Teia de Seda. Nos Estados Unidos, o arco se espalhou pelas revistas-solo das heroínas, mas no Brasil, graças à excelente estratégia da Panini, podemos ler todas essas revistas num mesmo título, sem a necessidade de comprar 8576 revistas para ter a história completa. E que história! Leve, bem humorada, gostosa de ler e, sobretudo, envolvente, algo que está bem difícil de encontrar nas publicações atuais, todas envoltas em tramas mirabolantes e esquecíveis assim que fechamos o gibi. Vale a pena a companhar o encontro das aracnídeas femininas, que se reuniram apenas para tomar um café… e se viram às voltas com um perigo interdimensional. Uma delícia!! Tomara que continue assim.

Leituras da Semana – Julho (5)

Na última semana de julho, muitas novidades, que incluem, além das tradicionais revistas mensais, um lançamento independente e uma HQ infantil, resgatada de um passado já distante.

Soterrado em péssimos roteiros.

O Espetacular Homem-Aranha 9 (jul/2017) – O aracnídeo salva um de seus empregados de um acidente nas Indústrias Parker e se vê às voltas com o seu velho inimigo Chacal (num ridículo traje com cara de Anúbis. Sério isso, Dan Slott?) e novos clones criados pelo vilão. Fica a pergunta: se uma Saga do Clone já foi ruim, para quê repetir a dose? Bobagem também é a história seguinte, onde o Homem-Aranha continua tentando solucionar o caso do homem que ressuscitou, mas cuja trama, que começou interessante e detetivesca, descambou para uma temática inconsequente, apelando para um ateísmo que nunca existiu no Aranha e denegrindo as religiões. O duro de ser fã é que você acompanha um personagem numa fase ruim, esperando que ela melhore… mas ultimamente está difícil…

Terror é tema da segunda HQ de Folgosi

Comunhão (jul/2017) – Segunda HQ independente de Felipe Folgosi financiada pelo site Catarse. Veja a crítica desta HQ aqui. Veja também a crítica da primeira HQ de Folgosi, Aurora, clicando neste link.

A volta de velhos inimigos

Doutor Estranho 8 (jul/2017) – Iniciando um novo arco de histórias, os velhos inimigos do Doutor Estranho, sabendo que seu acesso à magia agora é limitado, resolvem atacá-lo em sequência. A trama é interessante porque resgata todos os inimigos clássicos do herói, mas ao mesmo tempo é bem incoerente, pois se a magia está limitada, como se explica todos os inimigos continuarem megapoderosos? E ainda há quem diga que Jason Aaron é um bom roteirista… Fora isso, as histórias são divertidas e mantém o clima das últimas aventuras do Mago Supremo.

Histórias empolgantes dos Gladiadores Esmeralda

Lanternas Verdes 3 (jun/2017) – Quatro boas histórias nessa HQ. As duas primeiras são dos Lanternas Verdes Simon Baz e Jessica Cruz, que, fora o fato de serem Lanternas inúteis – uma sofre de crise de ansiedade e está sempre com medo (Hein?) e o outro é um chorão criado pra levantar a bandeira do preconceito (é negro e muçulmano, por isso todos o rejeitam. Ó, vida, ó dor…) – ainda conseguiram protagonizar momentos empolgantes na luta contra Atrócitus e os Lanternas Vermelhos. As outras duas, com Hal Jordan e a Tropa dos Lanternas Verdes, traz os Lanternas que valem – Hal, Guy Garner e John Stewart (faltou o Kyle Rayner) – contra a Tropa Sinestro. Tem momentos bem fortes e aquele clima de torcida pelo herói. Muito bom ler histórias assim.

Lanternas Verdes em excelente fase

Lanternas Verdes 4 (jul/2017) – Mais quatro histórias dos heróis esmeralda, no mesmo esquema da edição anterior. As duas primeiras, dos novos lanternas, Simon Baz e Jessica Cruz, nas quais os heróis passam momentos familiares (assando biscoitos!) ao mesmo tempo em que defendem o Guardião do Universo, Rami, do ataque da raça Dominion (aqueles, da saga Invasão, dos anos 90, que também apareceram no crossover das séries de TV da DC). As duas seguintes trazem Hal Jordan e a Tropa contra as forças da Tropa Sinestro – e Hal mostra que porque continua sendo o maior Lanterna Verde de todos. Aventuras empolgantes, numa fase muito boa dos personagens.

Aventuras caninas

TV ColOsso 8 (jun/1995) – Não se assuste de ter uma revista tão antiga nessa lista. É que ganhei de presente de um amigo e achei digno colocar uma resenha. A TV ColOsso foi um programa infantil da Rede Globo (na época em que a emissora tinha programas infantis) que substituiu o Xou da Xuxa. Depois de quase sete anos no ar, com um sucesso estrondoso, difícil acreditar que a Rainha dos Baixinhos pudesse ser substituída por um grupo de muppets caninos. E não é que deu certo? A sheepdog Priscila e seus amigos não apenas substituíram Xuxa muito bem como tiveram um sucesso considerável, que também virou revista em quadrinhos. Nesta HQ, quatro histórias divertidíssimas que mostram Priscila ajudando um amigo a gravar um CD, o aniversário do Gilmar e o patrão J. F. na criação de um talk show para a TV. A quarta é a tirinha da última página. Nostalgia pura!

 

Saído do Forno: Comunhão

Produzir quadrinhos no Brasil não é uma tarefa muito simples se você não se chama Mauricio de Sousa. Porém, o mercado tem espaço para bons trabalhos que, a exemplo do célebre cartunista, decidem não ficar choramingando a falta de oportunidades, mas correm em busca delas. É o caso do ator e roteirista Felipe Folgosi, que acaba de lançar seu novo álbum, Comunhão, publicado sob a batuta do Instituto dos Quadrinhos e financiada pelo site Catarse em 2016.

Comunhão também foi financiada pelo site Catarse

Em 2015, Folgosi já havia lançado a HQ Aurora (leia nossa crítica aqui), também confiando na colaboração dos leitores interessados, que, literalmente, “pagaram para ver” a obra pronta. E tanto valeu a pena que o autor repetiu a dose, com vários atrativos que superam o álbum anterior. Para começar, a obra fugiu ao tamanho tradicional: enquanto Aurora seguia o tamanho americano (17cm X 26cm), Comunhão chega com 22,3 cm X 31 cm, formato maior do que a revista Veja, para comparar. Além disso, o álbum tem 144 páginas, 36 a mais do que o anterior. Com este formatão, é possível apreciar melhor a arte de J. B. Bastos, parceiro de Folgosi neste projeto.

O artista J. B. Bastos já trabalhou com o tema “terror” em HQs gringas.

A arte, aliás, é outro diferencial: em Comunhão, o autor optou por desenhos em preto e branco, uma vez que a trama segue pelo gênero do terror e as antigas revistas do gênero seguiam o estilo sem cor. Bastos, que já trabalha nos títulos Night Trap e Knight Rider (quadrinhos da antiga série de TV A Super Máquina), da Lion Comics, tem o ritmo de quadrinhos de terror e soube criar quadros com momentos bem tensos e assustadores. O roteiro, segundo o autor, foi fruto de uma conversa com um amigo há 10 anos, no qual este lhe sugeriu que escrevesse um roteiro de terror. A princípio resistente, Folgosi resolveu seguir o conselho e idealizou uma história que se passasse no Brasil e fosse realista, mas mexendo com o psicológico.

Felipe deu o sangue para publicar esta edição.

Na trama da HQ, Amy é uma atleta que decide encerrar sua carreira após um trauma com um acidente, encontrando um sustento na fé. Anos depois, ao realizar uma trilha na floresta amazônica com um grupo de amigos, acaba se metendo numa série de eventos que separam uns dos outros e os colocam em contato com vários perigos da região. Em busca da sobrevivência, Amy e seus amigos são confrontados com seus próprios instintos e a ex-atleta encontra o outro lado da religião, repleto de violência e morte.

A HQ tem momentos bem pesados e assustadores.

Embora apele para o lado religioso, a HQ não é doutrinária – embora deixe a lição de que a fé pode fortalecer em momentos difíceis e até formar o caráter, tanto para o bem quanto para o mal. O título tem a ver com a Última Ceia, mas pode chocar leitores mais conservadores e sensíveis (lembrando que é uma HQ de terror, não religiosa…). Não por acaso, o título é recomendado para maiores de 16 anos, pois está repleto de cenas de violência explícita. No entanto, a história é bastante envolvente e nos faz ficar ansiosos pelo desenrolar dos eventos.

Felipe Folgosi autografa sua obra, no lançamento (Foto: arquivo pessoal do autor)

Também merece menção o ajuste nos nomes dos colaboradores. Em Aurora, as pessoas que ajudaram a financiar o projeto no Catarse, tiveram seus nomes impressos na terceira capa, em sequência e sem qualquer ordem, dificultando para a pessoa encontrar-se no meio da multidão de nomes. Em Comunhão, os apoiadores foram organizados em ordem alfabética, separados em três colunas, muito mais agradável de se ler.

Arte de Luke Ross para promover a obra.

A única crítica vai para a capa da HQ, desenhada por Will Conrad e Ivan Nunes. Sem desmerecer os artistas, que fizeram um belíssimo trabalho, mas o desenho pouco lembra o conteúdo da trama. Tem, sim, uma referência aos fatos que deflagraram toda história, mas não condiz com a trama em si. Em questão de adequação ao tema, é muito mais apropriada a arte feita por Luke Ross, usada para divulgação do álbum. Mas, como diz o ditado, não se deve julgar um livro pela capa e, no caso de Comunhão, o dito é verdadeiro. Folgosi superou a si mesmo neste ótimo trabalho e quem ganha somos nós, leitores.

Leituras da Semana – Julho (4)

Com a frente fria que atacou São Paulo nesta semana, nada melhor que ler embaixo dos cobertores depois de um bom banho quente. Eu, que detesto frio, poderia ficar o dia todo nessa, se não tivesse que trabalhar. Como não sou político e tenho que ir à luta pra pagar as contas, não deu pra ler muita coisa, mas ainda deu para salvar alguma coisa, que resenho abaixo:

A Liga da Justiça enfrenta seus próprios medos

Liga da Justiça 4 (jul/2017) – Inicia-se um novo arco, onde uma estranha criatura é capaz de impor medo em todos os heróis da Liga, incluindo o Batman e os Lanternas Verdes – que, diga-se de passagem, são personagens totalmente inúteis. De qualquer forma, a HQ tem bons momentos, como o encontro romântico do Flash com a Lanterna Jessica Cruz e a luta entre o Batman e o Superman.

História continua em outro título: receita para perder leitores.

Batman 4 (jul/2017) – Na conclusão do arco de Gotham e Gotham Girl, o Batman tenta ajudar a garota, que foi afetada pelo Pirata Psíquico e está agindo insanamente pela cidade. Depois, tem início um novo arco, A Noite dos Homens-Monstro, que vai se estender também pela revista Detective Comics. E aqui termina minha leitura pela revista do Homem-Morcego, pois além da história ser ruim, ainda vai ter continuação em outra revista que não compro. É o tipo de estratégia editorial que, mais do que atrair, afasta os leitores.

Edição acima da média.

Superman 4 (jul/2017) – No final do arco O Filho do Superman, o Homem de Aço faz de tudo para defender sua família contra o poder do Erradicador. A história termina perfeitamente e marca a estreia oficial de um novo herói no Universo DC. A segunda história traz um momento família do herói de Krypton, com humor, ternura e aventura também, embora num ritmo mais leve. Mostra porque o Superman é o maior herói de todos, mesmo que não precise usar uniforme.

Boas histórias, mas narrativa dispersa

Homem de Ferro 8 (jul/2017) – Tony Stark continua a busca pelos seus verdadeiros pais em mais uma dose dupla da edição americana International Iron Man. As histórias são boas, mas o estilo narrativo atual ainda me incomoda, com uma “linha do tempo” que parece um jogo de montar, alternando entre datas aleatoriamente e fora de ordem para mostrar eventos que influenciaram o hoje. Deve haver algum problema na mente dos roteiristas para primeiro mostrar todo o passado para depois narrar a história atual sem precisar desse vai-e-vem constante. Tudo bem que seja um recurso literário válido, mas usado constantemente, perde seu impacto. Infelizmente, não é estilo de um único roteirista, mas se repete em todas as HQs modernas. Acabou a história com começo, meio e fim: hoje, temos a história com meio, começo, meio, fim, meio, começo e antes do começo. Por fim, a edição também anuncia oficialmente o início da saga Guerra Civil II para setembro, o que significa que a edição de agosto ainda terá HQs genéricas do Vingador Dourado.