Saído do Forno: O Grande Almanaque Disney

Em março, as revistas Disney trocaram de casa. Depois de 68 anos sendo publicadas ininterruptamente pela Editora Abril, a gaúcha Culturama, que já licenciava livros infantis da Disney, adquiriu os direitos de publicação também dos quadrinhos. Longe das bancas desde julho/2018, as edições zero de cinco revistas (Pato Donald, Tio Patinhas, Mickey, Pateta e Aventuras Disney) chegaram às bancas e lojas de departamentos com excelente qualidade gráfica e histórias inéditas dos queridos personagens criados por Walt Disney. As revistas podiam ser adquiridas individualmente ou numa caixa exclusiva com todas juntas e uma cartela de adesivos de brinde.

Mensais podem ser compradas individualmente ou em caixa exclusiva.

Era óbvio que a Culturama não ia se limitar apenas a estes cinco títulos, mas ninguém esperava que fossem lançar uma novidade tão rápido. Durante o Festival Guia dos Quadrinhos 2019, a editora lançou O Grande Almanaque Disney, uma publicação bimestral, com 196 páginas, lombada quadrada e formato 15 cm X 21 cm, um pouco maior do que as revistas formatinho. Além da novidade, também foram lançadas as edições número 1 das cinco mensais além de livros infantis de vários personagens, com destaque para Dumbo, que ganhou um longa-metragem live action recentemente.

Grande almanaque tem formato maior em comparação com as mensais.

O evento foi a grande apresentação da Culturama para o público colecionador de São Paulo. Para coroar esse momento, a editora trouxe da Itália o roteirista e desenhista Francesco Guerrini, que passou praticamente todo evento autografando e desenhando personagens para os fãs, no stand montado logo na entrada do salão de eventos do Hakka Hotel, no bairro da Liberdade (SP). Além disso, o artista também participou de um bate-papo no domingo, falando sobre a nova casa dos quadrinhos Disney no Brasil.

O autor passou dois dias desenhando e autografando o Almanaque.

O Grande Almanaque Disney foi a coqueluche do evento, pois os fãs quiseram aproveitar a presença de Guerrini para pegar seu autógrafo na capa da revista, principalmente porque a história que abre a edição, foi escrita e desenhada por ele. Além disso, o almanaque também tinha uma entrevista com o autor onde ele fala de sua carreira e inspirações. A edição tem “apenas” quatro histórias (seis, se contarmos que duas delas são narradas em dois capítulos), mas são grandes aventuras, escolhidas a dedo.

Almanaque traz quatro grandes aventuras

Além da história de Guerrini, O Inversor Gravitacional, o almanaque também trouxe uma divertidíssima HQ dinamarquesa estrelada pelo Pato Donald (ou um ancestral dele, em A Volta do Pato Zampata), uma história curta da Maga Patalójika e uma mega-aventura do Mickey que ocupou nada menos do que metade do exemplar (Tudo isso Aconteceu Amanhã) e tem uma característica importante: é uma continuação de outra aventura publicada na revista Mickey 883 e 884 (2016), da Editora Abril. Nela, o Mickey do passado (de calças curtas) se une à sua versão de nossos dias para impedir o João Bafo-de-Onça de dominar o mundo.

Nós também pegamos nosso exemplar, com direito a ilustração da Margarida.

Impresso em papel offset e capa cartão com detalhes em verniz, O Grande Almanaque Disney estreou em grande estilo, com uma qualidade ímpar. As revistas número 1 também melhoraram em comparação com a anterior. Sinal que a Culturama tem grande investiu pesado no mercado de quadrinhos e tem interesse em conquistar um público fiel. Tanto que a editora gaúcha já tem até serviço de assinaturas  pelo telefone 0800 006 8520, com direito a cartão de sócio e brindes diferenciados. Esperamos que a editora continue mantendo a qualidade e traga muitas surpresas para os fãs. Os personagens Disney mereciam essa renovação.

Anúncios

Crítica: Shazam!

A DC Comics parece estar se acertando na sua jornada pelo mundo cinematográfico e, desta vez, chega às telas com Shazam! (idem, 2019), que estreia amanhã. Este certamente é o filme mais diferente de todos que já foram apresentados desde O Homem de Aço (2013), que inaugurou o universo compartilhado da editora, exatamente porque se exclui desse universo e tem um clima totalmente novo. e descontraído.

Família é onde o coração está.

Shazam! conta a história do jovem Billy Batson (Asher Angel), um adolescente que foi abandonado pela mãe quando criança e, desde então, vive jogado entre casas de acolhimento e lares adotivos, dos quais sempre foge com rebeldia para procurar sua mãe sanguínea. A situação muda (um pouco) quando Batson é adotado por um casal que abriga mais cinco adolescentes – Freddy (Jack Dylan Grazer), Mary (Grace Fulton), Pedro (Jovan Armand), Eugene (Ian Chen) e a fofíssima Darla (Faithe Herman) – com os quais desenvolve uma empatia, principalmente com o primeiro.

Billy é conduzido magicamente à Pedra da Eternidade.

Após arrumar encrenca com um grupo de valentões na escola, Billy entra no metrô e é conduzido magicamente à Pedra da Eternidade, onde encontra com um mago moribundo que lhe concede superpoderes sempre que pronunciar a palavra Shazam, a fim de combater os Sete Pecados da Humanidade, que foram libertados e incorporados pelo Dr. Silvana (Mark Strong) – rejeitado quando criança para possuir os poderes de Shazam.

Com a ajuda de Freddy, Billy aprende a usar seus eletrizantes poderes.

Assim, o garoto se transforma num homem adulto (Zachary Levi) que ainda precisa descobrir como utilizar as habilidades recém-adquiridas e, para isso, pede a ajuda de Freddy. O problema é que os garotos acham tudo uma grande diversão e acabam se expondo irresponsavelmente. Isso chama a atenção de Silvana, que passa a perseguir Batson para reivindicar os poderes que ele acredita serem seus por direito. Shazam precisa aprender primeiro a total extensão de seus poderes e a usá-los responsavelmente, para depois combater o vilão.

Crianção

Desde Mulher-Maravilha (2017), a Warner/DC vem se afastando do clima sombrio que o diretor Zack Snyder impôs ao universo de super-heróis, mas Shazam é o primeiro que quebra totalmente as amarras e assume o lado HQ com uma comédia leve e agradável de se ver. O filme bebe na fonte de clássicos como Quero Ser Grande (1988) – e tem até uma referência hilária ao filme – e traz uma história que dosa muito bem o humor, sem piadas exageradas ou fora de hora, com o drama familiar do jovem Batson em busca de sua mãe e o envolvimento com os irmãos adotivos.

Silvana: malvadão vingativo

É nesse drama, muito mais que na aventura, que se centra a narrativa, conduzida pelo diretor David Sandberg. A relação de Billy, um garoto cheio de traumas pelo abandono, entra em outra família também desajustada, mas encontra ali o amor e a amizade, descobrindo que os laços de sangue são menos importantes do que a afetividade. Exatamente o oposto de Silvana, que também veio de uma família abusiva, mas nunca se abriu para a compreensão e o perdão e passou a se deixar dominar pelo desejo de vingança. Esta antítese vai mostrar a Billy onde reside o seu maior superpoder.

Numa única foto, várias referências ao Universo DC.

Apesar de se afastar do universo compartilhado – que, segundo declarações recentes dos executivos da Warner, não existe mais e as produções de super-heróis serão independentes – o filme traz várias referências aos longas anteriores, bem como aos quadrinhos do personagem, da fase Novos 52, escrito pelo roteirista Geoff Johns. Até mesmo a série de TV Smallville encontra eco no no roteiro, num diálogo bem divertido (que só deve ter graça na versão legendada, pois na dublagem, a piada se perde).

“Nunca mais teremos problemas com a conta de luz!”

Embora os filmes mais recentes já tenham tido uma visível melhora na qualidade, Shazam! se difere por ter um roteiro caprichado, que não desanda em momento algum – diferente de Aquaman (2018), que é um bom filme no geral, mas tem uma caída no ritmo na segunda metade. Não que o roteiro seja perfeito, porque não é. Há, sim, algumas incoerências, mas estas se perdem em meio aos acertos e o longa-metragem cumpre totalmente a sua proposta de apresentar um novo super-herói ao público que ainda não o conhece e ainda respeitar os fãs mais antigos.

Diga a palavra! Sinta o poder!

O filme tem uma trama divertida, coerente, com ritmo e boas atuações (alguém já pode dar um Oscar para a pequena Faithe Herman, por favor?). Assim como Batson descobrindo seus poderes, o espectador também sairá do cinema com um sorriso nos lábios e a certeza de ter visto um filme que não esconde aquilo que ele é: uma deliciosa brincadeira.

Cotação Raio X:

 

Crítica: Capitã Marvel

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a Marvel Studios lança o primeiro filme com uma protagonista feminina. No Brasil, o longa Capitã Marvel (Captain Marvel, 2018) chega no dia 7 de março, um dia antes da data comemorativa (nos EUA, estreia na sexta mesmo), e tem a missão dupla de apresentar a heroína ao público que não acompanha quadrinhos e fazer escada para o próximo longa-metragem da Marvel Studios: Vingadores: Ultimato, que estreia em 26 de abril, colocando um ponto final na fase 3 do Universo Marvel.

A heroína da Marvel tem a responsabilidade de se tornar tão relevante quanto a Mulher-Maravilha.

É uma tremenda responsabilidade, principalmente para uma personagem que sempre foi secundária nos quadrinhos e só recentemente foi elevada ao status de personagem representante da editora (saiba um pouco mais sobre a heroína e suas várias versões na nossa seção Guarda-Roupa, clicando aqui). Em termos leigos, podemos dizer que ela é a Mulher-Maravilha da Marvel e, também nos cinemas, tem a função de fazer mais sucesso que sua concorrente, que já teve seu próprio filme em 2017, além de duas aparições em Batman Vs. Superman (2016) e Liga da Justiça (2017).

sim, aquela cena que você não entendeu fazia referência à Capitã Marvel.

Antes de ver o filme, porém, cabe um alerta: trata-se de um filme de origem. Quem pensa que vai ao cinema e já ver a heroína peitando Thanos, como uma espécie de filme intermediário entre os dois Vingadores, corre o risco de se decepcionar. Capitã Marvel é o que se pode chamar de filme genérico da Marvel, cujo objetivo é pura e simplesmente mostrar a gênese da heroína, como ela conheceu Nick Fury e como se tornou a última esperança dele para salvar o Universo (você ainda lembra do pager na cena pós-crédito de Vingadores – Guerra Infinita, né?).

O filme revela como Fury ganhou seu característico tapa-olho.

A trama se passa na década de 1990, quando Fury (Samuel L. Jackson) ainda tinha cabelo, era um mero agente da Shield e não usava tapa-olho, ao passo que o Agente Coulson (Clark Gregg) era um aprendiz. Nessa época, a oficial Vers (Brie Larson), da raça alienígena kree, é atormentada por visões de uma vida passada ao qual ela não se recorda. Ao mesmo tempo, é a única kree com habilidades especiais – ela pode carregar seu corpo com energia fotônica e disparar rajadas pelas mãos – que ela também não sabe como adquiriu, nem como usar direito.

A capitã kree é capaz de lançar rajadas fotônicas pelas mãos – mas não sabe como adquiriu essa habilidade.

Enquanto tenta conhecer a si mesmo, ela é enviada com seus parceiros Larson (Jude Law), Minn-Erva (Gemma Chan) e Korath (Djimon Hounson), numa missão de resgate num planeta dominado pelos skrulls, uma raça alienígena capaz de mudar de forma. Durante uma fuga, a nave de Vers perde o rumo e vem parar na Terra. Em seu encalço, um grupo de skrulls se infiltra entre os humanos e logo iniciam uma batalha que chama a atenção da agência de espionagem Shield, forçando uma aliança entre o agente Fury e a heroína kree. Ao mesmo tempo, Vers descobre que teve uma vida anterior na Terra e passa a procurar sua amiga Maria Rambeau (Lashana Lynch) a fim de encontrar respostas sobre seu passado.

Goose, o gato, isto é, o flerken, reserva cenas hilárias.

Envolvida na batalha entre krees e skrulls, com os humanos no meio, Vers acaba entrando numa jornada de autoconhecimento e encontrando aquilo que a define, tornando-se a heroína que estava destinada a ser. Assim como todos os filmes da Marvel Studios, o filme mistura ação frenética com momentos de humor – principalmente protagonizados por Nick Fury e Goose, o gato da heroína, que não é um gato de verdade, mas uma criatura da raça Flerken (isso fica melhor explicado no decorrer do filme em cenas hilárias). As referências às HQs, claro, não faltam: a primeira delas é o fato da heroína ter “visões” sobre sua vida passada, uma clara alusão ao sexto sentido, um dos poderes que ela tinha quando foi criada, ainda com o nome de Ms. Marvel.

Empoderada naturalmente, sem levantar bandeiras

Assim como fez com Guardiões da Galáxia (2014) e Homem-Formiga (2015), o estúdio consegue criar uma aventura empolgante que, ao contrário do que muita gente espera, não vai levantar nenhuma bandeira feminista, assim como Pantera Negra (2018) não levantou a do racismo, mas consegue trabalhar o tema mesmo assim, transmitindo a força e o protagonismo da mulher no contexto da história. Para bons e inteligentes entendedores, é o que basta. E, por falar em inteligente, o filme traz uma homenagem emocionante a Stan Lee (morto em novembro) feita da forma mais inteligente que poderia ser feita. Por isso, vale chegar cedo ao cinema para não perder nem um segundinho do filme, já que essa homenagem acontece logo no início.

Skrulls resolveram pegar uma praia antes de invadir o planeta.

Por outro lado, é importante ressaltar que o longa está longe de ser perfeito. Há algumas cenas bastante incoerentes, furos de roteiro e fatos fora de contexto do próprio Universo construído ao longo dos últimos onze anos. Um dos perigos de se fazer um retcon (inserir novos fatos em histórias já contadas) é exatamente a possibilidade de criar incongruências – e foi o que aconteceu em Capitã Marvel, quando recuperam um fato que já tinha sua história e, de repente, reaparece e não termina do jeito que foi narrado nos filmes anteriores.

Maria Rambeau dá um banho de interpretação na protagonista. E ainda tem referência na foto!

A interpretação de Brie Larson também deixa a desejar. Com uma síndrome de Superman-do-Zack-Snyder, a personagem dificilmente sorri, em modo de eterno mau humor. Faz sentido se contextualizarmos o fato dela ser uma alienígena sem conhecimento das rotinas humanas e, principalmente, desmemoriada. Porém, nas cenas em que interage com Maria Rambeau, fica evidente a superioridade de talento da segunda. Claro, isso são apenas detalhes técnicos que não interferem na diversão, mas que podem incomodar espectadores com um olhar mais clínico.

A heroína uniformizada com elmo e poder.

Como já foi dito, o filme não tem nenhuma menção a Thanos, focando mesmo nas origens da heroína. Mas há uma participação de Ronan (Lee Pace) que não chega a ser significativa e só tem relevância nos momentos finais da história. Também cabe mencionar que a Inteligência Suprema Kree – a criatura virtual de cara verde com tentáculos formada pela mente unida de todos os cientistas daquela raça – e Mar-Vell, o herói que tem uma íntima ligação com os poderes da Capitã Marvel estão, sim, na história e de uma forma tão surpreendente que talvez incomode alguns puristas, mas que não deixa de ser uma inserção genial e respeitosa à mitologia da personagem.

Vai encarar?

Capitã Marvel não é o melhor filme da Marvel Studios e nem se propõe a ser. Ele é apenas uma peça do quebra-cabeças, uma ponte que liga o que foi construído ao longo de dez anos ao grande clímax que virá em abril, com o capítulo final dos Vingadores. Nesse sentido, ele cumpre seu papel com primor e coloca a heroína no rol dos grandes super-heróis da Marvel. Nos quadrinhos, demorou 40 anos para a Capitã Marvel atingir esse patamar; no cinema, ela já chega voando mais alto, mais longe e mais rápido que sua versão das HQs!

Cotação Raio X

PQP – O estranho caso do povo “estadunidense”

Nossa coluna PQP (Padrão de Qualidade do Português) de hoje traz um estranho caso de erro que não é exatamente um erro (ao menos, não gramatical, nem ortográfico). O uso do termo estadunidense ao invés de americanos para se referir aos habitantes dos Estados Unidos se tornou uma prática cada vez mais comum. Por isso, cabe uma reflexão bem profunda sobre os motivos que levam os editores a adotarem essa palavra tão bizarra no seu vocabulário – muito embora ela exista no dicionário. Num primeiro momento, o uso do termo nem chegou a incomodar, mas o seu uso se tornou tão indiscriminado e abusivo que acendeu a luz de alerta para a existência de algo além de uma simples palavra retrógrada.

A Morte do Superman – Tradutores e editores diferentes nas edições da Eaglemoss (acima) e Panini (abaixo) mostram sua visão política no texto.

É interessante notar que não são todas as publicações que a tal palavra aparece – o que torna ainda mais plausível a teoria abaixo. Em algumas publicações, os habitantes dos Estados Unidos continuam sendo chamados de americanos, numa tradução correta e literal do texto em inglês. No entanto, na visão de alguns – não se sabe se tradutores, letristas, revisores ou editores – americanos são aqueles que moram na América (continente) e não no país (Estados Unidos). Assim, mudam a tradução ao seu bel prazer única e simplesmente para transmitir a visão DELES sobre algo que não concordam. Ou seja: tudo é uma birrinha política.

No original de New Teen Titans 18, o termo usado é “american”.

É uma forma de “protestar” contra a supremacia do país sobre seus vizinhos – o que, convenhamos, é uma idiotice, já que a própria HQ vem de lá. Se é pra protestar de verdade, então que se pare de publicar quadrinhos daquele país e se valorize o produto nacional. Mas… como são apenas contratados por uma editora multinacional e não podem impedi-la de oferecer ao nosso mercado os quadrinhos americanos, resolvem poluir os textos com uma tradução porca de um termo que já caiu em desuso há muito tempo e só é mesmo usado para expor uma visão política (ou a falta dela).

Até onde chega o absurdo: No Brasil, defecaram o termo SEIS vezes na mesma página (sem contar os erros gramaticais do restante da edição).

Esse tipo de atitude é tão ridícula – e seus autores parecem não perceber isso e acham que estão “lacrando”, quando na verdade, estão mostrando o quanto são infantis – que se esquecem que o povo americano não “roubou” um termo que pertence ao continente. Eles estão apenas usando algo que lhes é próprio, uma vez que o nome do país é “Estados Unidos DA AMÉRICA“. Sem contar, obviamente, o fato de se preocuparem mais com doutrinação ideológica do que em escrever corretamente o bom português, lançando edições cheias de erros gramaticais (como já mostramos aqui e aqui). Isso é inadmissível para um profissional da área!

Liga da Justiça – O Prego, da Eaglemoss: o editor não decidiu que termo utilizar. Vamos aguardar até que ele amadureça mais um pouco, daí, quem sabe…

Além disso, cabe a pergunta: se é para protestar, por que não mudam o nome do personagem mais bandeiroso da Marvel para Capitão Estadunidense? Muito embora já esteja bem claro que o herói não representa apenas os Estados Unidos, mas todo o continente americano, ele ainda usa as cores e os símbolos da bandeira dos Estados Unidos. E aí? Além do mais, o protesto é tão incoerente que chega-se ao cúmulo de usar termos diferentes na mesma página: estadunidense e norte-americano, outra versão menos esquerdista, mas igualmente errada, visto que canadenses e mexicanos também podem ser chamados dessa forma.

Novos clássicos do cinema, na visão distorcida do povo esquerdista que tomou conta das redações.

Se a moda pega, as futuras versões de vários filmes, quando forem relançados em blu-ray ou DVD trarão estampadas em suas capas: Beleza Estadunidense (Vencedor de cinco Oscars, entre os quais o de melhor filme), Um Lobisomem Estadunidense em Londres (um clássico!), Fievel, um Conto Estadunidense (fizemos uma Sequência Favorita dele aqui), Psicopata Estadunidense (o filme que impulsionou a carreira de Christian Bale), e por aí vai.

Clássica HQ de Curt Swan foi estragada pela politicagem.

Como são os editores os principais responsáveis pelo texto final e quem garante que tudo saia direitinho nas revistas, a culpa recai sobre eles. São eles que deveriam cuidar para que essas sutilezas – já não tão sutis assim – parassem de poluir as páginas das revistas, porque os leitores compram HQs para se divertir, não para receber panfletagem política. Quem quer produzir esse tipo de material, que vá se filiar a um partido ou a um sindicato e doutrinar quem está disposto a receber tais ensinamentos ao invés de estragar uma revista em quadrinhos de quem não compartilha com tal posição.

Mais uma d’O Prego: até a placa foi alterada. É o último prego no caixão de quem fez esse trabalho…

E antes que alguém diga que quadrinhos também são uma plataforma para discussão político-social (taí o Capitão América e os X-Men, que não me deixam mentir), vale lembrar que, sim, eles podem discutir. Só não podem apresentar uma visão distorcida e autocrática de uma única vertente que muda até o texto original para transmitir sua ideologia.

Guerra Civil: nos quadrinhos e na doutrinação política editorial.

Por fim, cabe lembrar que esta seção tem como objetivo apontar os defeitos encontrados nas HQs, prezando pela qualidade linguística. Afinal, a leitura é a melhor forma de enriquecer nossa cultura, pois, de forma inconsciente, vamos assimilando a grafia das palavras, pontuações e afins, complementando a teoria aprendida nos bancos escolares. Quando uma editora despreza esses fatores e coloca a ideologia política acima da sua função principal, só está colaborando para que nossa sociedade fique mais e mais ignorante. Se você encontrar algum erro de ortografia ou gramática e quiser mandar pra PQP, fotografe ou escaneie e envie para nós pelo email que está na nossa página “Sobre mim”. Clique neste link para acessar. Vamos prezar pela qualidade da nossa língua, que é nosso maior patrimônio cultural.

PQP – Padrão de Qualidade do Português (Novos Titãs Vol. 2)

Um sonho dos leitores mais antigos era ver compilada toda a fase dos Novos Titãs escrita por Marv Wolfman e divinamente desenhada por George Pérez. Foi um clássico dos anos 80 que, por aqui, saiu nas revistas Heróis em Ação e, posteriormente, na própria revista Novos Titãs, da Editora Abril. Fazem parte de um período revolucionário, porque renovaram a antiga Turma Titã, colocando novos membros com conflitos e problemas típicos da adolescência daquela época, criando uma empatia com os leitores e uma química bem interessante entre os integrantes da equipe.

Fase consagrada dos Titãs é um desejo antigo dos leitores.

A Panini atendeu os desejos dos leitores com a publicação de Lendas do Universo DC – Novos Titãs por George Pérez, dando também a oportunidade aos novos leitores de conhecerem uma fase tão marcante na trajetória da equipe. Infelizmente, o que seria motivo de comemoração acabou se tornando uma enorme decepção durante a leitura. A falta de zelo no texto demonstrou um grande descaso na edição do material, tal a quantidade de erros de digitação, acentuação, balões trocados… enfim, uma falta de capricho que desmotiva os leitores a manterem a coleção. Afinal, quem quer ter uma coleção cheia de defeitos?

Volume 2 da coleção tem festival de falhas. Um verdadeiro desrespeito ao consumidor!

Veja abaixo os problemas que encontramos APENAS no segundo volume da coleção. Segundo informações, os próximos estão piores. Vale lembrar que esta seção não tem como objetivo desmerecer nenhum profissional envolvido, nem a própria empresa, mas apenas apontar os defeitos encontrados nas edições, prezando sempre pela qualidade linguística. Afinal, a leitura é a melhor forma de enriquecer nossa cultura, pois, de forma inconsciente, vamos assimilando a grafia das palavras, pontuações e afins, complementando a teoria aprendida nos bancos escolares. Quando uma editora despreza esses fatores só está colaborando para que nossa sociedade fique mais e mais ignorante.

1 – Comecemos com uma “básica” troca de balões. A fala da garota foi atribuída à Ravena, enquanto que a resposta da heroína foi atribuída à garota. Para evitar esse tipo de problema nos quadrinhos existe um aplicativo bem simples que pode ser usado pelos editores nos momentos de revisão: chama-se atenção.

Troca de balões não ofende a gramática nem a ortografia. Mas ofende o leitor.

2 – Faltou a crase na fala do Exterminador: o verbo equivaler, por sua própria função, pede a preposição: tudo que equivale, equivale a algo. Logo, se a palavra seguinte for feminina, pede a crase. Nesse caso, a palavra é oculta: “minha força equivale à (força) de dez homens”. Como saber que tem essa palavra marota escondida? Pelo simples uso da preposição “de”. Se ele tivesse dito: “minha força equivale a dez homens”, não teria crase. Como usou a preposição, a crase é obrigatória. Difícil? Um pouco, mas faz parte da riqueza da nossa língua.

Crase é um grave problema para muita gente. Mas não devia ser.

3 – Cronos é o nome correto do titã. Esse é um erro clássico de digitação, principalmente porque as outras vezes que ele é citado, está grafado corretamente. Um problema recorrente quando se digita rapidamente… mas que uma revisão atenta pegaria.

Erraram o nome do titã. Será que faltou tempo para a revisão?

4 – Decerto é a grafia correta, pois o personagem usou um advérbio que significa “certamente”, “com certeza”. Escrito separadamente, só para falar sobre algo não especificado (“Falar de certo assunto me incomoda”) ou verdadeiro (“O que a editora fez de certo foi publicar esta edição”). Para saber a diferença, pode-se substituir a palavra pelo seu antônimo: “de errado, alguma de suas agências tem a informação”. Não combina. Porém: “Com certeza, alguma de suas agências tem a informação”.

De certo essa frase não tem nada.

5 – “Se” duplicado: a palavra “se”, nesta frase, tem duas funções: o primeiro indica uma condição. Já o segundo é um pronome reflexivo, ou seja, indica que a ação acontece com a própria pessoa que a faz. Quando uma pessoa “se corta”, ela corta a si mesma. O fato é que o segundo “se” está sobrando, claro! Nesta frase, ele é totalmente descartável e o correto seria “Ainda não sei se ela gosta de mim… ou se é coisa da minha cabeça.”

Afinal, Ravena gosta do Kid Flash ou dela mesma?

6 – Falta de preposição “com”: alguns erros deixam dúvida se eles, de fato, são erros. Embora, no caso abaixo, Hipérion tenha dito, no balão anterior, que a Moça-Maravilha “caminha COM Hipérion”, dando a entender a ausência da preposição no diálogo seguinte (“caminha COM os deuses”), a falta dele também dá sentido se imaginarmos que, “a partir de agora, os humanos perderam a chance. Agora caminham os deuses”. Mesmo assim, haveria o erro na conjugação do verbo, que deveria ser flexionado no plural. Apesar disso, fomos ver como estava no original para sanar a dúvida… e lá estava a preposição With/com.

Algum esfomeado comeu a preposição “com” (que existia no texto original, em inglês).

7 – Plural inexistente: Nem tem o que explicar. O adverbio “longe” não tem plural. Com certeza, está bem longe de uma boa gramática.

“Também estamos longe de oferecer um texto de qualidade”

8 – Cadê o H? Concordamos com o Mutano: não é justo que isso esteja acontecendo DE NOVO! Falta muita atenção na edição é revisão dos textos para um erro ortográfico desse calibre passar em branco. Principalmente considerando que a palavra “patrula” não existe (para não deixar dúvidas, o correto é “patrulha”). O próprio Word identificaria o erro…

“O H não é letra muda? Então tira ele daí que ninguém vai notar…”

9 – Plural inexistente. De novo. Na oração, o personagem associa duas pessoas diferentes que possuem qualidades opostas. Logo, as fraquezas de um são as qualidades do outro. Até poderia ser “dos outros”, se estivesse comparando uma pessoa com várias outras, mas mesmo assim, o erro persistiria, faltando o plural da preposição.

“Não zombe dos erros do Zôto.”

10 – Palavra duplicada: Obviamente, mais um erro de digitação que nem precisa explicação. Estelar se sente parecida com seus amigos e (por isso, se sente) em casa. O segundo “em” está sobrando. O curioso é que um está em negrito e o outro não, o que indica que alguém teve que mexer na palavra (mas deixou o erro).

Estelar tem um caso raro de gagueira.

Ufa! É muito erro para uma edição só! Infelizmente, isso desvaloriza o próprio material, além de empobrecer a leitura. Continuaremos com esta seção para patrular, digo, patrulhar as editoras a fim de colaborar para que esse tipo de coisa não aconteça ou, no mínimo, aconteça cada vez menos. Se você encontrar algum erro de ortografia ou gramática e quiser mandar pra PQP, fotografe ou escaneie e envie para nós pelo email que está na nossa página “Sobre mim”. Clique neste link para acessar. Vamos prezar pela qualidade da nossa língua, que é nosso maior patrimônio cultural.

 

Saído do forno: Shazam!

Quem conhece a história de Shazam sabe as constantes brigas judiciais envolvendo a Fawcett Comics, editora que lançou o personagem, e a DC Comics, que acusou o herói de ser um plágio do Superman. Por conta disso, a DC (que adquiriu os direitos dos personagens da Fawcett na década de 1970) sempre tratou o Capitão Marvel (esse era o nome com que o personagem foi criado, antes da Marvel lançar o seu herói kree, em 1967) com certo desprezo. Ao longo dos anos, ele teve alguns bons momentos, mas a DC sempre o considerou um filho bastardo e nunca deu a ele o espaço e a importância que merecia.

Relegado a um papel secundário na revista da Liga da Justiça

Só mesmo isso para explicar a demora de seis anos para dar continuidade à fase iniciada em 2012 e que teve apenas um arco de histórias, essas mesmas, publicadas como “anexo” na revista da Liga da Justiça. Dá para imaginar a reunião na cúpula da editora: “Vamos publicar Shazam? Tá, dá lá umas dez páginas pra ele, no final da revista da Liga, só pra tapar o buraco e delimitar o território, dizendo que temos a propriedade do personagem.”

Acredite: essa é uma das melhores HQs que você vai ler recentemente.

Essa introdução, claro, é mera especulação deste que vos escreve, mas é fato que o arco iniciado em 2012 agradou em cheio e nunca teve uma continuação… até agora. Impulsionada pela chegada do filme do Queijão Vermelho (apelido carinhoso do ex-Capitão Marvel) nos cinemas, a editora decidiu retomar a saga do “mortal mais poderoso da Terra” em uma nova série mensal que chegou às comic shops com data de fevereiro. A trama começa exatamente onde o arco anterior terminou: “Com uma palavra mágica…” foi publicado em Justice League 7-21, com alguns hiatos entre as edições. No Brasil, foi lançado num encadernado capa dura pela Panini e é altamente recomendado como uma preparação para o filme que estreia em 4 de abril.

O encontro de Billy com o Mago é reprisado na nova revista.

Só para situar: o jovem Billy Batson foi adotado por um gentil casal que já tinha mais cinco filhos adotivos: Mary, Freddy, Eugene, Pedro e Darla. Inicialmente hostil com seus novos irmãos, Billy logo fez amizade com Freddy e o defendeu de um grupo de valentões na escola. Tornado a si mesmo um alvo, Billy fugiu do grupo de bullies no metrô e foi levado a um local místico chamado Pedra da Eternidade, onde ganhou os poderes de Shazam ao pronunciar a palavra mágica ensinada pelo Mago, guardião do local.

Família Faísca

Enquanto descobria (e se divertia, afinal ele é apenas um garoto crescido) seus novos poderes, Shazam defendeu a cidade do Adão Negro, um vilão superpoderoso que desejava tomar os poderes do herói para si. Mas ele não fez isso sozinho: o jovem herói compartilhou seus poderes mágicos com seus irmãos, criando uma Família Shazam. A nova revista Shazam! começa exatamente mostrando a rotina de Billy e seus irmãos enquanto descobrem mais sobre seus poderes mágicos e conciliam a luta contra o crime com os estudos e a vida em família.

Billy e Mary discutem sobre quem é o líder da equipe.

O tom das HQs é voltado para o humor, mostrando a simples decisão de escolher um codinome para cada herói ou quem é o líder do grupo se tornando uma discussão em família. Nessa brincadeira, o roteirista Geoff Johns vai enchendo o texto com referências à mitologia de Shazam e sobra até para a concorrente, com suas clássicas frases de efeito. A arte da nova revista Shazam! está a cargo de Dale Eaglesham, uma vez que o desenhista anterior, Gary Frank, estava envolvido com a minissérie Doomsday Clock e não pode assumir o trabalho. Mas ele não faz feio e mantém o mesmo nível artístico de seu predecessor.

HQ curta “mangalizada” conta a origem de Mary Marv… Shazam.

A revista tem mais uma HQ curta, em estilo mangá, desenhada por Mayo “Sen” Naito, que mostra como Mary foi adotada pelo casal Vasquez e seu primeiro contato com Freddy Freeman. A história também faz referência a outro personagem bastante importante na mitologia da Família Shazam, num resgate histórico bem divertido de Geoff Johns. Ainda não há previsão para a chegada desse material no Brasil, mas não deve demorar muito tempo, uma vez que o filme já está batendo à porta e a cronologia não está tão atrasada em relação à americana.

Tomando um refri enquanto espero Shazam chegar aos cinemas… e às bancas brasileiras.

Provavelmente, ainda no primeiro semestre deste ano poderemos ver as novas aventuras de Shazam em alguma revista de linha, quiçá em título próprio encadernado. Apesar do descaso da editora com o clássico super-herói, valeu a pena esperar seis anos para ver Shazam trovejar novamente nas páginas dos gibis. Com quase 80 anos de história, ele merece um tratamento digno.

Um pouco de história

Na edição de estreia, o herói joga um carro na parede. Não é plágio, é coincidência…

Criado por Bill Parker e C. C. Beck em 1940, o Capitão Marvel estreou na revista Whiz Comics 2 (Esta revista seria lançada com o título de Flash Comics e há um esboço do número 1 que nunca chegou às bancas. Como a DC já tinha um título com este nome, a revista chegou com o número 2 que é, na verdade, a primeira edição). O herói alcançou alta popularidade e chegou a superar a revista do Superman em vendas, o que incomodou a DC, que processou a Fawcett por plágio.

A Marvel lançou o seu Capitão Marvel em 1967 e a DC não pode usar o nome do herói na capa em 1973, quando lançou a revista Shazam!

A briga judicial se arrastou por toda década de 1940 e parte dos anos 1950 até que, cansada dos custos processuais e como o gênero dos super-heróis já estava em decadência, a Fawcett cancelou os títulos do Capitão Marvel e o personagem ficou na geladeira por 20 anos. Nesse meio tempo, em 1967, Stan Lee lançou o herói kree Capitão Marvel e registrou a propriedade do nome. Assim, quando a DC adquiriu os personagens da Fawcett em 1973, não pode lançar uma revista com o nome do herói na capa. A solução foi lançar a revista Shazam!, mas o herói continuou sendo chamado de Capitão Marvel nas histórias.

Capitão Marvel, o @%$#@%#! Meu nome é
Zé Pequ… digo… Shazam!

Embora tenha nascido primeiro, o herói virou “o Capitão Marvel da DC” entre os fãs. Alguns deles,  até já o chamavam de Shazam (embora esse fosse o nome do mago). Em 2012, aproveitando o reboot do seu universo no ano anterior, a DC decidiu relançar o personagem e chamá-lo em definitivo de Shazam, mas criou um curioso paradoxo: se o herói se transforma cada vez que diz a palavra mágica “Shazam”, como ele faz quando precisa dizer seu nome para alguém?

Brincando com as referências

A história de Johns deixa meio que uma solução: ele precisa dizer a palavra mágica com convicção, caso contrário, a transformação não acontece. Porém, o próprio autor já revogou essa “norma” na nova HQ e brinca com o fato, quando Billy diz que queria “um codinome que ele possa pronunciar”. E complementa: “Algo como Capitão Marv…” antes de ser interrompido pelo grito de jantar.

PQP – Padrão de Qualidade do Português

Sabe quando você está lendo aquela revista em quadrinhos com o maior gosto, a história está empolgante, o personagem é bacana e, de repente, você dá de cara com um erro de gramática ou de ortografia causado por uma revisão mal feita? Não dá pra controlar o desejo de mandar tudo para PQP, não é verdade? Pois agora você pode! Estamos inaugurando a seção PQP – Padrão de Qualidade do Português, para você mandar aquelas gafes medonhas que aparecem nas HQs e colaborar para o nível linguístico daquilo que você lê.

Erro de acentuação NA CAPA da revista Superman 47 (Panini). Raiz não não tem acento, porque não se acentuam as palavras oxítonas terminadas em Z.

Esta seção foi motivada pelos sucessivos “descuidos” das editoras de quadrinhos, que pecam pela falta de uma revisão e, com isso, colaboram para o empobrecimento da língua portuguesa. Um País que já não tem boa fama nos investimentos em educação, se não tiver um cuidado extremo das grandes editoras, que tem nas palavras, a base do seu trabalho, só vai provocar mais e mais “desaprendizagem”. A leitura – seja ela de quadrinhos, livros, jornais ou revistas – é a melhor forma de enriquecer nossa cultura, pois, de forma inconsciente, vamos assimilando a grafia das palavras, pontuações e afins, que complementam a teoria aprendida nos bancos escolares.

As CIRCUNSTÂNCIAS exigem uma revisão mais bem feita para que esses erros de digitação não ocorram com tanta frequência. (Os Heróis Mais Poderosos da Marvel Vol. 43 – Salvat)

Quando uma editora despreza esses fatores – com a desculpa que “a responsabilidade de educar é do Estado”, por exemplo – só está colaborando para que nossa sociedade fique mais e mais ignorante. Não é porque o Governo não faz a sua parte que as empresas devem deixar de cumprir o seu papel e dar sua colaboração. É exatamente neste sentido que criamos esta seção: não queremos achincalhar o trabalho de nenhuma editora, redatores ou tradutores de forma pessoal, mesmo porque, sabemos que todo trabalho é passível de erros. O grande problema está mesmo na frequência com que esses erros ocorrem e nosso objetivo é colaborar para uma forma correta de escrever e se expressar.

Outro erro ortográfico na capa. Falta de zelo editorial na tradução de “CAPTAIN” para “CAPITÃO”. (Os Heróis Mais Poderosos da Marvel Vol. 7 – Salvat)

Nós não concordamos que “o importante é se comunicar”; nosso lema é “o importante é se comunicar de forma correta e culta”, sem assassinar o pobre do Português. Assim sendo, vamos apontar o erro, sim, mas também mostrar como é o correto, colaborando, dessa forma para o aumento da cultura geral dos leitores e, principalmente, com o aprimoramento dos profissionais que erraram, para que corrijam estas aberrações linguísticas e melhorem a qualidade dos produtos que comercializam. Dessa forma, atrairão novos leitores e ganharão muito mais lucro. Todos saem ganhando!

Alguém “esqueceu” de apagar a camada do texto em inglês. E ninguém na editora reparou… (Os Heróis mais Poderosos da Marvel Vol. 1 – Salvat)

Se você encontrar algum erro de ortografia ou gramática e quiser mandar pra PQP, fotografe ou escaneie e envie para nós pelo email que está na nossa página “Sobre mim”. Clique neste link para acessar.