Crítica: Guerra Geek – Episódio 1 – A Ameaça das Vizinhas

Há pouco mais de uma década, ser rotulado como nerd era algo pejorativo e discriminatório, motivo de muita humilhação e exclusão social – ao menos, na maioria dos casos. Porém, Hollywood descobriu esse filão e com a avalanche de filmes no cinema e séries de TV, o termo acabou se popularizando de tal forma que a situação se inverteu: hoje, o excluído é quem não é nerd, pois fica totalmente por fora do assunto nas rodas de conversas no bar da esquina.

Nerdice tripla

Essa moda chegou também ao teatro: a peça Guerra Geek – Episódio 1: A Ameaça das Vizinhas estreou neste final de semana no Teatro UMC (Av. Imperatriz Leopoldina, 550 – Vila Leopoldina – SP) e trata o universo da cultura pop de forma simples e divertida, com um elenco enxuto e sem a necessidade de grandes recursos cenográficos. Apenas um sofá, uma mesa e uma estante, para retratar o apartamento de três jovens nerds – Bruce (Matt Torres), Jhonny (Giacomo Biaggio) e Kiko (Dvd Castillo), que vivem uma vida regada a quadrinhos e videogame.

Cenário enxuto com recursos audiovisuais que lembram um balão de HQ.

A situação se complica com a chegada de Ana (Leticia Scopetta) e Linda (Giovana Previero), duas novas vizinhas que se mudam para o apartamento da frente e, apesar dos alertas de Bruce, que vê nas moças uma ameaça à vida pacata e quase celibatária que levavam, acabam causando uma revolução na vida do trio, que passa a disputar a atenção e o interesse das garotas – e são três para dois, o que vai causar uma guerra de interesses. Além do cenário único, o espetáculo conta com o auxílio de um telão que imita um balão de histórias em quadrinhos, onde são mostrados audiovisuais que ilustram o pensamento ou a fala dos personagens.

Texto bebe na fonte da série The Big Bang Theory

O texto, abertamente influenciado pela série de TV The Big Bang Theory, não se poupa de zombar de vários estereótipos: além do nerd (antissocial, sem sorte com mulheres, fã de super-heróis), há também o gordinho, a loira burra, o gay não assumido, mas totalmente afeminado… um clima descontraído que exagera propositalmente nas características, mas sem a intenção de ofender nenhuma “tribo” – mesmo assim, certamente será um prato cheio para a galera do politicamente correto ter assunto por um mês nas redes sociais.

O pomo da discórdia

Quem gosta de ir ao teatro com a intenção de descobrir o sentido da vida, certamente vai se decepcionar com a Guerra Geek, que não tem o objetivo de revelar os segredos do universo. Porém, se você quer apenas uma diversão descompromissada e aprender a rir de si mesmo e das situações do cotidiano, a peça cumpre bem o papel. O próprio elenco parece se divertir enquanto atua e passa essa sensação à plateia. Apesar do detalhe no título do espetáculo, os atores informam que o Episódio 2 não está confirmado e vai depender da aceitação do público. Mas, considerando o interesse das pessoas na temática geek/nerd, podemos aguardar para breve o ataque dos clones de Bruce, Jhonny e Kiko. Ou, quem sabe, de Ana e Linda.

Guerra Geek – Episódio 1: A Ameaça das Vizinhas está em cartaz nas sextas-feiras de junho (16, 23 e 30) às 21h e nos domingos de julho (02, 09, 16, 23 e 30) às 19h. Em agosto, única apresentação, no dia 6, às 19h. Os ingressos custam R$ 25 (meia entrada) e R$ 50 (inteira). O Teatro UMC fica na Av. Imperatriz Leopoldina, 550 – Vila Leopoldina – SP – a 550 m da estação Imperatriz Leopoldina (Linha 8) da CPTM.

Turma da Mônica volta aos palcos com Romeu e Julieta

blog abreDepois de 35 anos de sua montagem original, está de volta aos palcos o primeiro espetáculo teatral da Turma da Mônica: Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta. A produção estreia no dia 4 de maio, no Teatro Geo, em Pinheiros (SP) e terá temporada até o final de agosto. Mais de 150 pessoas estão envolvidas direta e indiretamente na modernização da peça, que é baseada na clássica história de amor escrita por William Shakesperare em 1597. No palco, 20 artistas representam personagens como Julieta Mônicapuleto, Romeu Montéquio Cebolinha, Frei Cascão e Amagali entre outros.

Flávio Teixeira, Raquel Rosa, Fause Haten, Mauricio de Sousa, Mauro Sousa, Marcelo Souza e Paulo Corrêa em coletiva realizada no dia 30 de abril.

Flávio Teixeira, Raquel Rosa, Fause Haten, Mauricio de Sousa, Mauro Sousa, Marcelo Souza e Paulo Corrêa em coletiva realizada no dia 30 de abril.

O espetáculo é um musical voltado não apenas para crianças, mas para toda a família, como faz questão de frisar o “pai” da Mônica, Mauricio de Sousa.  “É preciso derrubar essa barreira que separa as crianças dos adultos, porque hoje em dia, a criançada está atenta a tudo o que acontece ao redor do mundo. Por isso, o espetáculo foi feito para agradar toda família”, afirmou Mauricio, em coletiva realizada hoje, 30 de abril, pela manhã e que também contou com a presença de seu filho, Mauro de Sousa, diretor da Mauricio de Sousa ao Vivo, empresa responsável pela apresentação de espetáculos e eventos da Turma da Mônica por todo Brasil.

Os criadores e todo elenco reunido

Os criadores e todo elenco reunido

Para Mauro, a remontagem teve um valor sentimental muito grande, porque o show já tinha sido apresentada em 1978, no Teatro Tuca (SP) e alcançou um público de mais de 140 mil espectadores. Embora nem tivesse nascido na época (Mauro nasceu em 1986), o rapaz sempre ouviu falar desse espetáculo em casa e conhecia até as músicas, composta pelo seu tio Marcio Araújo (falecido em 2011). Com a criação da Mauricio de Sousa ao Vivo, surgiu a oportunidade de readaptar a peça e o momento é ideal, visto que, em 2013, a Mônica comemora seu cinquentenário.

A história é romântica, mas não vão faltar "coelhadas medievais"

A história é romântica, mas não vão faltar “coelhadas medievais”

Na nova versão, foram mantidas as 13 músicas compostas por Yara Maura e Marcio Araújo que “viajam” por todos os ritmos brasileiros como forró, samba e xote. “Em verona, não tinham isso!”, brinca Mauricio. Embora sejam as mesmas canções, todas foram regravadas e remasterizadas sob a coordenação de Marcelo Souza, filho de Marcio Araújo. O roteiro foi atualizado por Flávio Teixeira, que também é roteirista dos quadrinhos da Mônica, com inclusão de novas piadas, mais condizentes com da nossa realidade.

Marcio de Sousa e Fause Haten (Foto: Valentino Mello)

Marcio de Sousa e Fause Haten (Foto: Valentino Mello)

Os figurinos ficaram por conta de Fause Haten, que procurou adaptar as roupas, considerando o universo dos personagens. “Além de ter todo o clima shakespeariano, não podemos esquecer que a Turma da Mônica são crianças de sete anos, então isso foi levado em consideração. Além disso, a cabeça dos personagens também é grande e precisou de um desenho que ficasse proporcional” afirma o figurinista.

Clássico e contemporâneo se misturam para criar um clima lúdico (Foto: Valentino Mello)

Clássico e contemporâneo se misturam para criar um clima lúdico (Foto: Valentino Mello)

O cenário é outro destaque, comandado por Paulo Corrêa, que também é arquiteto e usou seus conhecimentos para trazer o clima de Verona do século 16 mesclado com o cartunesco do Bairro do Limoeiro. São ao todo sete cenários divididos em três níveis, que exploram o lúdico e o dinamismo. No total, o custo do espetáculo beirou os R$ 3 milhões, sendo que este valor foi gasto sem a colaboração de patrocinadores.

"Lomeu", Amagali e Cascão

“Lomeu”, Amagali e Cascão

Mauricio de Sousa afirma que o espetáculo, assim como na primeira versão, terá vários produtos para que o público possa levar para casa e eternizar suas lembranças. CDs com as músicas, bonecos da turma com os figurinos da peça e o relançamento da história em quadrinhos são algumas das ações previstas. “A peça foi produzida ‘a galope’ e nós atropelamos o departamento comercial. Ainda não temos prontos esses produtos, mas eles já estão em produção e sairão em breve”, diz Mauricio.

M de Mônica e C de Cebolinha. Só que ao contrário.

M de Mônica e C de Cebolinha. Só que ao contrário.

Ao ser questionado sobre suas lembranças da antiga versão e cartunista é só elogios. “A peça ficou um ano e meio em cartaz e só trouxe boas lembranças. Mostrou as possibilidades do teatro para a Turma da Mônica. Infelizmente, fomos obrigados a abandonar esta vertente nos anos seguintes, mas como se diz nesto ramo teatral, ‘o espetáculo deve continuar’. E nós somos o espetáculo!”, comemora.

Abaixo, você confere um trecho do espetáculo que tem 80 minutos de duração (65 minutos de apresentação e 15 minutos de intervalo) e estará em cartaz aos sábados e domingos, às 11h e 15h. Os ingressos custam R$ 80 (plateia) e R$ 60 (balcão). Mais informações no site oficial do show.

 

Caverna do Dragão – O Duelo Final

Um dos mais clássicos desenhos animados dos anos 80, a Caverna do Dragão (Dungeons & Dragons no original) está de volta! O desenho animado conta a história de seis jovens (Hank, Eric, Sheila, Diana, Presto e Bobby), que são transportados por uma montanha-russa num parque de diversões até um mundo mágico dominado por dragões e criaturas fantásticas e têm de enfrentar mil perigos em busca do caminho de volta para casa. A animação nunca teve um episódio final, o que levou a uma série de especulações – há até um texto falso que circula pela Internet com o suposto roteiro do último episódio, mas os autores da série não confirmam a sua veracidade – e, principalmente, a frustração dos fãs, que ficaram sem ver um final feliz para seus heróis.

Cenários suspensos e jogo de luzes dão o clima de magia da peça

Agora, numa livre interpretação da história, a conclusão das aventuras dos garotos está sendo apresentada no teatro. O espetáculo Caverna do Dragão – O Duelo Final estreou no dia 17 de Julho no Teatro Sílvio Romero, no bairro do Tatuapé (SP), depois de passar uma temporada no Teatro Augusta. Recheado de efeitos especiais e uma cenografia sustentável e colorido, apresenta o mais próximo possível da versão original e promete agradar não apenas as crianças, mas também os pais. Luzes, trilha sonora e o cenário criam no público a ilusão de que eles também estão naquela terra encantada onde a força de vontade, a coragem e a amizade são essenciais para superar os desafios.

Bobby, o Bárbaro Pedrinho

Com direção de Gilda Vandembrande, o espetáculo fica em cartaz até o dia 26 de Setembro e os ingressos custam de R$ 30 (inteira) a R$ 15 (meia). É uma excelente oportunidade de ter contato novamente com o Arqueiro, o Cavaleiro, a Ladra, a Acrobata, o Mago e o Bárbaro (interpretado por Rodolfo Valente, o Pedrinho da nova versão do Sítio do Pica-Pau Amarelo), a unicórnio Uni e o Mestre dos Magos, e resgatar um tempo de fantasia e diversão.

Serviço:

Caverna do Dragão – O Desafio Final
Temporada: 17 de Julho até 26 de Setembro
Local: Teatro Silvio Romero / 193 lugares
Endereço: Shopping Silvio Romero – Rua Coelho Lisboa, 334 – Tatuapé – SP – Tel: (11) 2093-2464
Serviços inclusos: estacionamento conveniado, lugares para deficientes
Faixa etária: 4 a 10 anos
Duração: 50 min
Horário: Sábados e Domingos às 16h
Preços: 30,00 (inteira) e 15,00 (meia)

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