Crítica: Alien: Covenant

Estreia no dia 11 de maio o novo filme da franquia Alien (o oitavo, contando com os quatro principais, mais dois versus Predador e o prelúdio Prometheus, de 2012). O longa Alien: Covenant é a continuação direta de Prometheus (leia nossa crítica aqui) e se passa vários anos após a história, mas ainda antes do primeiro Alien, o Oitavo Passageiro (1979). O diretor, novamente, é Ridley Scott.

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Crítica: Prometheus

Dentre as estreias do mês, provavelmente a que está sendo aguardada com mais expectativa é Prometheus, ficção científica futurista do diretor e produtor Ridley Scott. E não é pra menos, afinal, o consagrado diretor de Alien, o Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner, O Caçador de Androides (1982) estava longe do gênero há três décadas e só agora retoma o estilo que o consagrou.

O diretor, num planeta muito, muito distante.

Segundo o diretor, esse afastamento não foi por ter perdido o interesse no gênero sci-fi, mas por falta de uma boa história para contar. Para ele, nos últimos anos, tudo tem sido produzido com computador, desde a ação aos personagens, tornando tudo muito superficial e faltando originalidade. Por isso, Scott foi buscar em Alien a sua história: uma cena que ficou esquecida, quando um ser humanoide e de proporções gigantescas teve seu peito aberto à força. A cena foi rápida, mas jamais saiu da mente do criador e deu origem a Prometheus.

O mito de Prometeu: segredos revelados que levam à destruição

O filme, portanto, é um prequel a Alien, contando o que houve antes daqueles acontecimentos. Mas calma, que não veremos os bichinhos cabeçudos invadindo a barriga alheia. Pelo menos, não como os conhecemos. Prometheus trata de evolução: a evolução da humanidade e, porque não dizer, da própria criação. O próprio título já traz isso implícito ao resgatar a história do titã grego Prometeu, que deu aos homens o conhecimento de como fazer o fogo e foi punido por isso. Quem conhece um pouco de História da humanidade sabe que a descoberta do fogo é um ponto fundamental para a evolução e o desenvolvimento do homem. Mito e ciência se misturam e se completam na busca pelas nossas origens.

Ciência e fé são uma coisa só na busca pelas origens

Por sinal, a personagem principal, a cientista Elizabeth Shawn (Noome Rapace), embora seja uma mulher da ciência, tem uma relação muito íntima com a religião e é constantemente cobrada por seus colegas por isso – uma dúvida, aliás, que sempre surge quando a ciência não consegue responder certas perguntas: “onde está Deus agora?”. Isso é representado por um crucifixo que ela carrega no pescoço, presente de seu pai e que ela traz com muito carinho e veneração. É na fé que ela busca as respostas nos momentos mais difíceis, mas nem sempre as encontra, o que lhe causa um enorme conflito interno.

Espelho, espelho meu, existe alguém no espaço sideral mais bela e rica do que eu?

Juntamente com seu marido Holloway (Logan Marshall-Green), Elizabeth descobre numa caverna alguns pictogramas que têm um ponto em comum com vários outros, descobertos em localidades diferentes e feitos por civilizações diferentes em épocas diferentes. Para um cientista, isso é um indício mais do que comprovado de que seres extraterrestres estiveram entre nós. Assim, o casal reúne uma equipe e, financiados pelas indústrias Weyland, representada por sua executiva Meredith Vickers (Charlize Theron – sim, ela de novo!), vão aos confins do espaço atender o que eles dizem ser “um convite”.

O androide que é quase um mutante

A história começa no momento em que David (Michael Fassbender, o Magneto de X-Men: Primeira Classe), um androide programado para garantir a sustentação de vida dos tripulantes, desperta todos de uma animação suspensa, na qual permaneceram durante vários anos, enquanto a nave espacial se aproximava de seu objetivo: um planeta distante da Terra milhares de quilômetros, mas com condições de vida semelhante ao nosso (oxigênio, água, umidade etc.). Fassbender, por sinal, representa bem o papel, com um olhar frio e movimentos ritmados, sem parecer robotizado demais, mas também explicitamente não-humano.

Eu acho que vi algo que não é um gatinho!

O que era uma inocente expedição científica se torna um grande problema quando, ao inspecionar uma caverna, os cientistas se deparam com um corpo semelhante a um humano, mas de proporções bem maiores. Ao redor dele, vários recipientes que expelem uma gosma preta que, como era de se esperar num filme de ficção, é bem mais que um simples líquido. Por sua condição inumana e incapacidade de ser contaminado, David leva um desses recipientes para a nave dos cientistas e é aí que a situação começa a se complicar. O problema piora quando, com medo do que podem encontrar na caverna, dois dos cientistas resolvem desligar-se do grupo e se perdem no meio daquele labirinto.

O homem pensa que tem o mundo nas mãos. Só pensa.

David é uma peça chave na trama e mostra perfeitamente a dicotomia entre criação e criatura: ele próprio é um robô criado pelos homens e é tratado por estes como um ser inferior, criado para servir. Ao mesmo tempo, o ser humano também procura um contato com o seu criador, mas espera que a relação seja diferente – ah, a vaidade humana…

Não era bem isso que eu esperava descobrir…

Como foi dito no início, Prometheus trata de evolução. O diretor mostra que a ciência é importante para o processo evolutivo. Porém, certas perguntas deveriam ficar sem resposta, pois a curiosidade, muitas vezes, provoca mais destruição do que descobertas. Talvez inadvertidamente, talvez de propósito, a mensagem que fica é que a fé, embora não traga respostas concretas a todas as dúvidas existenciais da humanidade, é o porto mais seguro quando o homem perde seus limites e quer brincar de ser Deus.

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