Crítica: Os Incríveis 2

No dia 28 de junho, estreia o filme Os Incríveis 2 (Incredibles 2, 2018), o 20º. longa-metragem da Pixar, que dá continuidade à franquia iniciada em 2004, quando estreou o primeiro longa-metragem da super-família. Novamente dirigido por Brad Bird, o novo filme teve sua estreia antecipada em um ano pela Pixar, pois o filme Toy Story 4 – que deveria estrear este ano – estava com sua produção atrasada e, como Os Incríveis 2 já estava mais adiantado, trocou de data com a turma de brinquedos. Sorte nossa!

Vale destacar que Os Incríveis 2 conta com as vozes do jornalista Evaristo Costa, dos apresentadores Raul GilOtaviano Costa e da atriz Flávia Alessandra na dublagem. Veja abaixo nossa crítica sem spoilers. 

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Coisas que você (provavelmente) não sabia a respeito de Viva – A Vida é uma Festa

O filme Viva – A Vida é uma Festa estreou no último final de semana como terceira maior bilheteria do país. É uma história terna, que explora a cultura mexicana e os valores familiares, com muita sensibilidade e emoção. A animação foi feita com muito cuidado (como todo filme da Pixar, diga-se de passagem) e tem uma série de curiosidades a respeito de sua produção. Nós descobrimos algumas delas e revelamos para você.

“É a glória, garoto!”

1 – O filme estreou no México em 27 de outubro de 2017, três semanas e meia antes da estreia mundial, a fim de sincronizar com o feriado do Dia dos Mortos, que acontece de 31 de outubro a 2 de novembro. Em pouco tempo, tornou-se a maior bilheteria daquele país, superando o até então imbatível Os Vingadores (2012). No Brasil, o filme estreou só em janeiro para aproveitar o período das férias, em que os pais estão em casa para levar as crianças ao cinema.

“Receba as flores que eu lhe dooooooou…”

2 – Um elemento-chave da trama é uma pétala de flor alaranjada. Esta flor é chamada de Cempasúchil,  também conhecida como calêndula asteca ou calêndula mexicana. Ela é realmente usada na tradição do Dia dos Mortos servindo como guia para os mortos chegarem até seus familiares.

Muito carinho com a vovó.

3 – O título original “Coco” refere-se à personagem Mamá Coco, a bisavó de Miguel, que sofre problemas de memória. O nome é um apelido para “Socorro”, nome bastante comum no México. No Brasil, o título do filme foi mudado para “Viva – A Vida é uma Festa” para evitar a cacofonia com a palavra “cocô”.  O nome da bisavó também foi mudado no Brasil para Mamá Lupita.

O computador é velho, mas acessa o blog Raio X.

4 – O filme é tão minucioso nos detalhes que, para quem prestar atenção, a “tecnologia” usada na Terra dos Mortos é composta por antiquados walkie-talkies e computadores MacIntosh da década de 80, simbolizando que até os equipamentos estão “mortos”.

Depois da novela “Vovô e eu”, o filme “Bisavó e eu”.

5 – O ator Gael Garcia Bernal faz a voz do esqueleto Héctor, que acompanha o garoto Miguel em sua jornada pelo reino dos mortos. Bernal é o único ator do elenco que dublou o personagem tanto na versão em inglês quanto em espanhol. Outra curiosidade acerca de Bernal é sua grande amizade com o ator Diego Luna, que dublou o personagem principal de Festa no Céu (2014), animação produzida por Guillermo del Toro que também se passa no Dia dos Mortos e o protagonista (que é músico) vai parar na Terra dos Mortos, tornando-se um esqueleto.

Curta cortado.

6 – Como tradicionalmente acontece nos longas da Pixar, o filme principal é sempre precedido de um curta-metragem. Com Viva não foi diferente: o curta era Olaf em uma Nova Aventura Congelante de Frozen, uma história de Natal protagonizada pelo carismático boneco de neve. No entanto, como o filme estreou no Brasil com dois meses de atraso – e, consequentemente, depois do Natal – ele não está sendo exibido nos cinemas. Mesmo no exterior, a aventura de Olaf também foi suprimida após algumas exibições, porque causou desconforto na plateia devido à sua duração (22 minutos).

Giacchino antes e depois da dieta.

7 – A deliciosa trilha sonora do longa, calcada no alegre ritmo mariachi, é composta pelo músico Michael Giacchino, que também foi responsável pela trilha de filmes como Speed Racer (2008), Divertida Mente (2015), Doutor Estranho (2016) e Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), entre outros. O maestro que conduz a orquestra do show de Ernesto de La Cruz no final do filme é uma caricatura “esquelética” de Giacchino. (Ouça a trilha sonora de Viva pelo Spotify, clicando aqui).

Ernesto de La Cruz e sua inspiração.

8 – O personagem de Ernesto de La Cruz foi baseado no ídolo mexicano Pedro Infante (cujo nome verdadeiro era José Pedro Infante Cruz). O ator e cantor atuou em mais de 60 filmes e ganhou o prêmio Urso de Plata no Festival de Cinema de Berlim em 1957. Foi uma das personalidades mais amadas do país, juntamente com Jorge Negrete e Javier Solís, que eram chamados de Los Tres Gallos Mexicanos. Infante também foi representado no filme e interage com Ernesto de La Cruz.

Coincidências animadas

9 – O longa começou a ser produzido em 2011, sendo o filme de maior tempo de produção do estúdio (2011-2017). Por conta disso, as especulações de que seria “cópia” de Festa no Céu (2014) não procedem, uma vez que, quando este estreou, Viva já estava sendo produzido.

Eu entendi a referência!

10 – Como todo filme da Pixar, Viva é repleto de easter-eggs, entre eles: o tradicional A113 (número da sala onde os animadores da Pixar estudaram);  o carro da Pizza Planet; Luxo, a bola amarela; personagens de animações anteriores (Toy Story é de lei) entre outros. No meio de todos estes, há também o momento-merchan: quando Miguel e Héctor chegam à praça onde várias pessoas comemoram os fogos de artifício, na parede, há um pôster de Incríveis 2, que é a próxima animação da Pixar a estrear em 15 de junho de 2018.

Crítica (em vídeo): Viva – A Vida é uma Festa

As primeiras estreias de janeiro incluem a nova animação da Pixar Studios, Viva – A Vida é uma Festa (Coco, 2017), que chega ao Brasil com dois meses de atraso em relação ao exterior, certamente para aproveitar o período das férias escolares, quando as famílias podem ir juntas ao cinema. Veja nossa crítica em vídeo sobre o filme:

Trailer: Viva – A Vida é uma Festa

Já está nas redes o trailer da nova animação da PixarViva – A Vida é uma Festa (Coco, 2017), que estreia em novembro nos Estados Unidos e chega por aqui em 4 de janeiro de 2018. O trailer destaca a frase “Somos uma parte daquilo que veio antes de nós” e mostra o garoto Miguel em busca de seu passado por meio da música e um ingresso na Terra dos Mortos. Confira o trailer em espanhol:

Coco, da Pixar, ganha título nacional

Pixar liberou o primeiro pôster nacional do filme Viva – A Vida é uma Festa (Coco, no original), com data de estreia para 4 de janeiro de 2018 – Nos Estados Unidos, a previsão é para 22 de novembro e, assim como aconteceu com Moana, teremos um mês e meio de diferença. 😦

A trama gira em torno de Miguel (voz de Anthony Gonzalez), um garoto que sonha em se tornar um grande músico, como seu ídolo, Ernesto de la Cruz (Benjamin Bratt). Contra todas as expectativas – a música foi banida em sua família há várias gerações – Miguel busca provar seu talento e vai até a Terra dos Mortos. Ao longo do caminho, conhece Hector (Gael Garcia Bernal), um trapaceiro que se torna seu amigo. Juntos, os dois vão descobrir detalhes sobre a história da família de Miguel.

Viva – A vida é uma Festa tem direção de Lee Unkrich e produção de Darla K. Anderson, dupla que já trabalhou junto em Toy Story 3 (2010), além de ser codirigido por Adrian Molina (story artist de Universidade Monstros).

Crítica: Procurando Dory

blog abreTreze anos depois de sua primeira aparição no cinema, a peixinha esquecida Dory está de volta em uma nova aventura. Procurando Dory (Finding Dory, 2016) estreia amanhã nos cinemas, trazendo novamente a temática da família e da amizade. Dory, que sofre de perda de memória recente, de repente se lembra de sua infância e de seus pais e percebe que não sabe o que aconteceu a eles. Assim, decide partir numa busca para reencontrá-los.

Dory lembra que esqueceu de seus pais e parte em busca deles.

Dory lembra que esqueceu de seus pais e parte em busca deles.

Na jornada, conta com a ajuda de alguns velhos conhecidos do público (como Marlin, Nemo e as tartarugas), antigos amigos de Dory (como a baleia Destiny) e também novos amigos de caminhada, como o polvo Hank e os leões marinhos Fluke e Rudder. Enquanto Dory procura seus pais, o público fica conhecendo, por meio de flashbacks, a história de sua infância e como foi aprendendo a driblar sua síndrome, de forma lúdica e divertida.

O polvo Hank vai dar uma mãozinha - ou sete - para ajudar Dory.

O polvo Hank vai dar uma mãozinha – ou sete – para ajudar Dory.

As pistas levam Dory até o Instituto de Vida Marinha, onde ela conhece Hank, um polvo de sete tentáculos – ele perdeu um deles e, por conta disso, se tornou amargo e mal humorado – que é mestre em camuflagem e se torna uma ajuda fundamental para Dory conseguir atravessar o Instituto. Ela também encontra auxílio em sua amiga de infância Destiny, uma tubarão-baleia que também tem seus problemas: ela não tem senso de direção para nadar. Juntamente com Bailley, uma baleia branca que perdeu seu sonar biológico, o quarteto vai descobrir que as deficiências podem ser superadas com otimismo e bom humor.

Dá pra resistir a esses olhinhos da Dory Bebê?

Dá pra resistir a esses olhinhos da Dory Bebê?

Ao mesmo tempo, Marlin e Nemo também estão na busca por Dory, principalmente porque Marlin sente remorso por uma coisa que disse a Dory. O peixe-palhaço e seu pequeno filho aventureiro também vão aprender que a amizade é mais importante que os defeitos pessoais. Embora não seja melhor que seu antecessor, Procurando Dory mantém o mesmo clima de trapalhada e diversão, mas também reserva momentos sentimentais e emocionantes. A jornalista Marília Gabriela faz uma participação interpretando ela mesma como a locutora do Instituto de Vida Marinha na versão brasileira – no original, a voz é da atriz Sigourney Weaver.

Fofura extrema no curta animado Piper

Fofura extrema no curta animado Piper

Procurando Dory é mais um acerto da Pixar e mais uma animação para entrar no ranking dos melhores filmes do ano, que prometia ser o ano dos super-heróis, mas está perdendo feio para os desenhos animados. De bônus, ainda há o curta animado Piper, que mostra os primeiros passos de um bebê-gaivota na busca por alimento numa praia. Um show de fofice que faz o coração bater palmas de felicidade. Nem a Dory vai esquecer essa experiência.

Cotação: blog cotaçãoDory

Crítica: O Bom Dinossauro

blog abreEstreou neste final de semana, nos cinemas de todo Brasil, o novo filme da Pixar, O Bom Dinossauro (The Good Dinosaur, 2015), que mostra um mundo alternativo, onde o meteoro não provocou a extinção dos dinossauros e eles continuam a viver na Terra juntamente com os seres humanos, uma raça ainda em ascensão.

Espero nunca sofrer de torcicolo.

Espero nunca sofrer de torcicolo.

A história mostra um casal de apatossauros – chamados apenas de Papai e Mamãe – e seus três filhos: Libby, brincalhona e habilidosa, Buck, o pentelho e espevitado, mas muito forte, e Arlo, que é dócil e gentil, mas um tanto covarde. Os dinos vivem felizes em sua fazenda, cada um com sua obrigação específica, cultivando seu próprio alimento e estocando num silo construído pelo pai de Arlo.

A obrigação de Arlo é alimentar as galinhas... se ele não tivesse medo delas.

A obrigação de Arlo é alimentar as galinhas… se ele não tivesse medo delas.

O sonho de Arlo é deixar sua “marca” na parede do silo, provando que já realizou uma grande e importante obra, assim como seus irmãos, mas sua insegurança e medo o impedem de dar um passo além. Apesar disso, Arlo conta com o amor e o apoio de seu pai, que sempre o motiva para que saia de sua zona de conforto e faça algo importante. Num dia de tempestade, Arlo se perde de seus familiares e se vê longe de seu lar, sendo obrigado a fazer uma longa caminhada de volta.

Arlo encontra Spot... e nasce uma grande amizade.

Arlo encontra Spot… e nasce uma grande amizade.

Nesse caminho, ele encontra Spot, uma criança humana que, apesar de uma hostilidade inicial, acaba se tornando seu amigo e companheiro de viagem. Em contato com a natureza selvagem, a dupla passa a viver muitos perigos e encontrar novas amizades e desafios que vão, não apenas torná-los mais fortes, mas também mais maduros. Como na vida real, há aqueles que querem ajudar e há aqueles que só querem se aproveitar da desgraça alheia para proveito próprio, algo que Arlo e Spot vão descobrir a duras penas.

Uma jornada de perigos e histórias à luz do fogo.

Uma jornada de perigos e histórias à luz do fogo.

O filme é o primeiro longa-metragem dirigido por Peter Sohn – ele dirigiu também o curta Parcialmente Nublado, que acompanhou o filme Up – Altas Aventuras (2009) – mas o diretor já tem experiência em outros longas da Pixar, como Os Incríveis (2004), Ratatouille (2007) e Universidade Monstros (2013), onde atuou como dublador. Por isso, o diretor soube transmitir a magia dos filmes da Disney/Pixar (ele também é um dos roteiristas) numa história terna e comovente, mas também cheia de aventura e humor.

Há momentos que dispensam palavras...

Há momentos que dispensam palavras…

O Bom Dinossauro faz uma inversão de personalidades ao humanizar os dinossauros e “animalizar” os humanos. Spot é selvagem, não fala, só ruge e rosna, além de ter um grande senso de fidelidade. A falta de diálogos, no entanto, não interfere na relação entre Arlo e Spot, que se comunicam com olhares e símbolos. E são exatamente as cenas sem palavras que reservam os melhores momentos do filme, como quando Arlo explica para Spot o significado de família. A cena mostra que a melhor comunicação é aquela que é sentida, fazendo com que a plateia se envolva com o momento e se emocione junto com os personagens.

Lições preciosas com um toque de poesia

Lições preciosas com um toque de poesia

Além disso, o filme também transmite preciosas lições, como a necessidade de dar um passo além do medo para descobrir a beleza das coisas (mostrado de forma bastante poética) e que ninguém pode lutar contra a Natureza, apenas conviver com ela. E é nessa convivência que Arlo deixa de ser um garoto e se torna um homem… ou melhor, um dinossauro adulto. Exatamente como acontece com os humanos.

O garoto Sanjay vai descobrir seus heróis hindus

O garoto Sanjay vai descobrir seus heróis hindus

O final do filme não traz nenhuma surpresa, mas é bonito acompanhar a trajetória dos personagens até que ele aconteça. Prepare o lenço, pois, embora não seja surpreendente, o final emociona. E, para tornar mais completa a experiência, o curta Os Heróis de Sanjay (Sanjay’s Super Team) mostra a história (quase) real de Sanjay Patel, um dos animadores da Pixar, que transformou suas experiências com o pai e a religião hindu numa belíssima história que ensina a importância da religião e das tradições na formação das crianças, por mais que, para elas, isso pareça entediante. No fim, ela vai acabar descobrindo quem são seus heróis.

Um bom amigo pode mudar tudo.

Um bom amigo pode mudar tudo.

O Bom Dinossauro é mais um acerto da Pixar, capaz de cativar e apaixonar públicos de todas as idades e fazer com que tenham, no cinema, uma experiência tão vibrante quanto a de uma criança num parque de diversões. Palavra de quem viu e sentiu isso ao vivo e a cores.

Cotação: blog cotaçãodino