Saído do Forno: Agentes da Shield

Na cola do sucesso da série televisiva Agentes da Shield – cuja quinta temporada estreia em 2018 pelo canal ABC – a Marvel lançou, em 2015, uma HQ de mesmo nome, com as aventuras dos agentes Phil Coulson, Melinda May, Jemma Simmons e Leo Fitz nos bastidores (ou nem tanto) das atividades dos super-heróis da Marvel. Esse material só chegou agora ao Brasil, pela Panini, em duas versões: capa cartonada (R$ 21,90) e capa dura (R$ 29,90) e papel couché.

Todo Universo Marvel interage com os agentes

Apesar do atraso de dois anos (e isso se faz sentir nas versões dos personagens, pré-Guerras Secretas), o encadernado é uma deliciosa surpresa. O texto ágil de Mark Waid coloca os agentes em contato com a nata do Universo MarvelVingadores, Homem-Aranha, Dr. Estranho – e faz da HQ tudo aquilo que a série deveria ter sido, mas não foi por questões de direitos autorais. A maior crítica dos fãs ao seriado foi exatamente a ausência de personagens conhecidos, fazendo com que Coulson e sua equipe se envolvessem com ameaças mornas e pouco atraentes, o que afastou grande parte da audiência.

Série marca a estreia de May, Fitz e Simmons nas HQs.

Livre dessas limitações, a HQ tem todo o Universo Marvel à disposição e o utiliza de forma primorosa. A primeira história já traz a equipe de Coulson aliada aos Vingadores para derrotar um grupo terrorista que aprisionou Heimdall e tomou posse de sua espada mística para fins de dominação. O conhecimento de Coulson dos poderes e características de cada herói o coloca como o grande estrategista, usando cada habilidade de maneira certeira contra os vilões.

Don’t touch Lola!

Na segunda aventura, Jemma Simmons se disfarça como professora na escola onde a Miss Marvel estuda a fim de desbaratar o contrabando de equipamentos de supervilões. Na história seguinte, o aliado de Coulson é o Homem-Aranha e tem até uma piada envolvendo Lola, o carro tunado do agente. A Mulher Invisível, a Feiticeira Escarlate e o Homem-Absorvente participam das histórias seguintes, que seguem o mesmo clima descontraído.

May é sub-aproveitada, mas ganha edição especial onde é destaque.

Um grande atrativo da edição é que as histórias são praticamente independentes e funcionam isoladamente, evitando o intrincado quebra-cabeças que é formado com as constantes continuações. Ao menos nesse início, há um pequeno item que relaciona as tramas e, mesmo assim, algumas delas funcionam sozinhas, com começo, meio e fim. Ideal para quem está começando a conhecer esse universo e veio atraído pela série de TV. A única crítica vai para o sub-aproveitamento da personagem Melinda May. Uma das mais carismáticas (ou quase isso) da série, ela mal aparece nas HQs. A boa notícia é que a personagem teve um edição especial solo que, espera-se, também seja publicado por aqui.

Fitz ganha um macaco de estimação. Mas só no final do encadernado.

O encadernado reúne as seis primeiras edições do título americano (restam mais seis na primeira fase). Na segunda série, os roteiros ficaram a cargo de Marc Guggenheim e durou 10 edições e incluiu também a participação do agente Grant Ward, que na TV se revelou um agente da Hidra infiltrado. Esta fase, porém, deve demorar um pouco para chegar ao Brasil. Enquanto isso, vale curtir as aventuras dos Agentes da Shield nos quadrinhos, num dos melhores encadernados da Marvel publicados pela Panini nos últimos meses. Considerando a baixa qualidade das HQs atuais, é para se comemorar um material deste nível. Nível oito, como os agentes.

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Leituras da Semana – Junho (2)

Nas leituras desta semana, só tivemos revistas da Marvel, com destaque para a continuação da saga do Capitão Marvel, com sua comovente conclusão, que é uma das melhores histórias já escritas por Jim Starlin.

De volta à adolescência, Peter?

O Espetacular Homem-Aranha 7 (mai/2017) – Curti bastante a interação do Homem-Aranha com o Homem de Ferro, ambos trocando farpas sobre quem é o melhor industrial. Engraçado e ágil, mas um tanto quanto adolescente. Combinaria mais com o Aranha teen de anos atrás, mas não com o tio-responsável-multi-milionário atual. O novo herói/vilão/whatever Regente ainda não mostrou a que veio, mas parece uma boa ameaça para o Amigão da Vizinhança. O bom humor do personagem também se faz presente na HQ seguinte, onde ele vai a Cuba investigar o caso de ressurreição de mortos. Trama interessante.

Awesome mix

Guardiões da Galáxia 6 (mai/2017) – Apesar da inutilidade, a história de Rocket & Groot é diversão pura. Não foi feita para ser levada a série mesmo. A primeira história, com Kitty e o Senhor das Estrelas também tem ótimos diálogos (como, aliás, é de praxe nos textos de Brian Bendis). Só Drax tem um tom mais sério, mas também é uma ótima HQ. Atualmente, GdG é um dos títulos mais legais que estão saindo pela Marvel. Estão longe de se tornarem clássicos, mas vale o investimento.

Obra-Prima. Simples assim.

Coleção Oficial de Graphic Novels Salvat Vol. XXV – A Vida e a Morte do Capitão Marvel – Parte 2 (mai/2017) – Este segundo volume conclui o arco onde o Capitão Marvel enfrenta Thanos – agora feito um deus pelo poder do Cubo Cósmico. O texto tem, sim, seus absurdos – como o próprio fato do vilão adquirir poderes divinos, capazes de alterar a própria realidade mas, mesmo assim, não fulminar seus inimigos com um único pensamento – mesmo assim, a dramaticidade da narrativa e os combates cheios de ação compensam essa inocência retórica. E, para coroar o encadernado, uma das melhores – senão a melhor – graphic novel já publicada pela Marvel, narrando a morte do herói. O álbum consegue, com uma história sem ameaças cósmicas e sem um super-vilão querendo dominar o universo, além do texto ligeiramente depressivo, prender a atenção do leitor e fazer todos sentirem o drama de alguém que sabe ter pouco tempo de vida e se resigna com isso, apesar do medo e da incerteza. Uma HQ tocante em 1982 que continua tocante hoje, passados mais de 30 anos. Não envelheceu, nem nunca envelhecerá.

Aventuras aracnídeas

Aranhaverso 12 (mai/2017) – Todas as histórias desta edição são bacanas. Até a Teia de Seda, que costuma ser mais meia-boca está bem dinâmica, com a conclusão do arco dos Duendes. Homem-Aranha 2099 marca o retorno de um antiquíssimo inimigo de Peter Parker que só os fãs mais antigos (mas bem antigos mesmo!) vão lembrar. Aranha traz uma batalha contra o Lagarto, sempre com Peter aprendendo uma lição ao final de cada história (vai ser sempre assim, roteirista?), Gwen-Aranha resolve sua situação com o pai enquanto que a Mulher-Aranha descobre, numa engraçadíssima história, que a vida de mãe é mais difícil do que a de combatente do crime. E os Guerreiros da Teia também encerram o arco contra o Electroverso.

Saído do Forno: Motoqueiro Fantasma

Com três anos de atraso (o material original estreou nos Estados Unidos em maio de 2014), a Panini decidiu publicar as aventuras do herói renovado na fase Nova Marvel – evidentemente aproveitando a popularidade que o personagem conquistou após sua participação na série de TV Agentes da Shield. Infelizmente, a editora pecou pela adoção de um erro conceitual dos mais burros: chamar de motoqueiro um personagem que não tem mais uma moto, mas um automóvel.

O primeiro Ghost Rider andava a cavalo.

Para entender o imbróglio, é preciso remeter às origens do personagem. No original, ele se chama Ghost Rider, onde “rider” é uma palavra com significado bem genérico em inglês, podendo ser usada para quem monta cavalo, bicicleta, moto, carro ou até mesmo trem. Em outras palavras, rider é alguém que é carregado por alguma coisa. Tanto que existiu um personagem de mesmo nome que atuava nos quadrinhos de faroeste, muitos anos antes do motoqueiro dar as caras  pela Marvel. No Brasil, esse personagem foi chamado de Cavaleiro Fantasma.

Esta é a moto mais envenenada que você vai ver na vida.

Sendo assim, a Panini optou por “manter o nome pelo qual o personagem é conhecido no Brasil”, ignorando toda lógica e coerência. Afinal, trata-se de um personagem totalmente modernizado que nada tem em comum com seus antecessores, exceto o fato de ser um esqueleto com o crânio flamejante. Nada, nem mesmo o demônio que lhe dá os poderes é o mesmo. Uma mudança de nomes, portanto, não seria apenas “estética”, mas deixaria claro que se trata de um novo conceito. E nem era preciso pensar muito: no caso de querer fugir do óbvio “Motorista Fantasma”, a própria HQ apresenta uma série de variações diferentes para batizar o misterioso herói que surge nas ruas de Los Angeles.

Super-Homem, Punhos de Aço, Eléktron e Capitão Marvel também tiveram seus nomes alterados… e o público aceitou.

Sabemos que esse tipo de decisão editorial nem sempre é fácil, pois envolve também a questão comercial. Contudo, são vários os casos de personagens consagrados que mudaram de nome ao longo do tempo, principalmente na troca de editoras e, nem por isso, os leitores deixaram de se acostumar com essas alterações, embora cause estranhamento num primeiro instante. Basta um pouquinho de bom senso e uma boa estratégia de marketing.

Renascido do inferno

Mas falando da HQ do Motorista Fantasma, o encadernado reúne as seis primeiras edições do título americano e mostra a origem do personagem. Robbie Reyes é um jovem adolescente que vive sozinho com seu irmão mais novo, que é paraplégico – a HQ não explica se ele já nasceu assim ou se a deficiência foi causada por alguma acidente – num bairro bem barra pesada de Los Angeles. Para sustentar a casa, o rapaz trabalha como mecânico numa oficina do bairro e divide seu tempo também com os estudos. Como o dinheiro é curto, Reyes participa de rachas noturnos e ganha um extra com o valor das apostas.

Mr. Hyde ficou verdadeiramente assustador (na verdade, essa arte transforma até os Ursinhos Carinhosos em assustadores.)

Isso muda radicalmente quando ele usa um dos carros que chegou à sua oficina, que pertencia a um traficante e, em cujo porta-malas, havia escondido uma bolsa de drogas, sem que ele soubesse. Perseguido pelos traficantes, Robbie é metralhado e morre, mas o demônio Eli lhe dá uma oportunidade de se vingar, restaurando sua vida e concedendo-lhe o poder do Espírito da Vingança. Agora, Robbie precisa enfrentar os traficantes, liderados pelo Dr. Calvin Zabo – o alter ego do vilão Mr. Hyde – cuja droga transforma todos em monstros superpoderosos.

Artista peca pelo exagero visual.

O texto dinâmico e envolvente logo faz o leitor se envolver na história de Reyes e querer saber o que virá a seguir. O clima de violência é um tanto pesado, tanto com a apologia a drogas como com os diálogos, cheios de simulações de palavrões, indicando a vizinhança barra pesada onde mora o protagonista. Faltou, talvez, uma advertência na capa com restrição de idade para os leitores, porque, definitivamente, esta não é uma HQ para crianças. A arte caricata e de qualidade duvidosa do artista Tradd Moore por vezes deixa confuso o que está acontecendo, mas não tira o mérito da HQ, repleta de ação.

Gabriel Luna interpreta o herói na TV. Incrível!

Segundo a editora, serão dois encadernados pré-Guerras Secretas, então podemos esperar o próximo para breve. Recentemente, a Marvel vem sofrendo com as baixas vendas de suas revistas, motivadas pelas constantes mudanças que a editora tem feito em seus personagens principais. O Motorista Fantasma, contudo, é um dos que, aparentemente, escapou da chuva de críticas, tanto que até ganhou uma versão live-action, interpretado por Gabriel Luna. Uma prova de que, quando os personagens são bem trabalhados, o público leitor aceita as mudanças. Incluindo traduções.

Saído do Forno: Dr. Estranho

blog-abreAproveitando o sucesso cinematográfico do filme Dr. Estranho, a Panini acaba de lançar um título estrelado pelo Mago Supremo. Não é a primeira revista que tem o místico como protagonista: em 1972, ele foi o personagem-título da revista Dr. Mistério (sim, ele era chamado assim), mas a publicação durou apenas duas edições. Esta pode ser considerada, portanto, a primeira vez que o Dr. Estranho tem um título com seu nome verdadeiro.

é um mistério o porquê de alguém batizar o doutor com esse nome estranho.

é um mistério o porquê de alguém batizar o doutor com esse nome estranho.

Nos Estados Unidos, o herói não tem um título mensal desde 1996, quando o título Doctor Strange: Sorceress Supreme foi encerrado. A partir daí, o herói só estrelou minisséries e participações especiais em títulos com outros personagens. Em 2015, já antecipando a produção estrelada por Benedict Cumberbatch, a Marvel decidiu contemplar o Mago Supremo com uma nova revista chamada Dr. Strange, dando a ele um perfil mais descontraído, alinhado à sua versão cinematográfica.

HQ resgata origens místicas do personagem

HQ resgata origens místicas do personagem

Essa publicação chega só agora ao Brasil, numa edição com 60 páginas, ao preço de R$ 7,60 e duas histórias por número. O título, escrito por Jason Aaron, traz uma volta às origens do Mago Supremo, quando ele era chamado para resolver casos sobrenaturais – em sua estreia, ele foi chamado de Mestre da Magia Negra, alcunha que foi alterada depois para Mestre das Artes Místicas. O primeiro número começa com Estranho ajudando a livrar a alma de um garoto de espíritos devoradores de almas vindos de outra dimensão. Este é outro resgate do autor: as viagens interdimensionais do mago.

Zelda faz uma visitinha à sala de estar do mago.

Zelda faz uma visitinha à sala de estar do mago.

Há também a inclusão de uma nova personagem, a jovem bibliotecária Zelma Stanton que procura Strange e, por uma falha nos poderes do mago, acaba libertando parasitas espirituais dentro do Sanctum Sanctorum. Com a ajuda da jovem e de seu fiel servo Wong, o Dr. Estranho precisa recapturá-los antes que causem algum estrago. A história é bem humorada e cheia de tiradas sobre as bizarrices que fazem parte da vida de um mestre do sobrenatural. Apesar de não combinar com o clima sério e sombrio que o personagem sempre teve ao longo dos anos, a mudança não incomoda e pode se tornar um recurso bastante atrativo para novos leitores que conheceram o herói nas telonas. E convenhamos: um pouco de humor não faz mal, quando bem utilizado.

Quando a capa variante é melhor que a oficial

Quando a capa variante é melhor que a oficial

A edição brasileira chega com duas capas variantes: a imagem que abre essa postagem, com arte de Chris Bachallo e Tim Townsend (que também são os artistas da HQ) e outra com arte de Kevin Nowlan (acima). Nos Estados Unidos, a revista vem fazendo tanto sucesso que já ganhou uma nova publicação derivada: Doctor Strange and The Sorcerers Supremes, onde o herói treina místicos de várias épocas. A bibliotecária Zelma Stanton também passou a ser uma personagem fixa na série, catalogando e cuidando dos livros místicos do Dr. Estranho. Afinal, Wong precisava de um descanso. 🙂

blog-homem-de-ferro

Antenados com os lançamentos cinematográficos

Universo Compartilhado

A Panini tem sabido explorar o momento cinematográfico atual, lançando títulos conforme as produções estreiam nas telonas. Tudo começou em maio de 2010, quando chegou aos cinemas o filme Homem de Ferro 2, cujo vilão principal era o Chicote Negro. No mesmo mês, a editora lançou a revista O Invencível Homem de Ferro, trazendo o herói e seu inimigo na capa. A partir da edição 9 (janeiro de 2011) a revista passou a se chamar Homem de Ferro & Thor, uma vez que, quatro meses depois, o Deus do Trovão também chegava aos cinemas.

Capitão ganhou título próprio depois de muitos anos.

Capitão ganhou título próprio depois de muitos anos.

Em julho de 2011, quando estreou Capitão América – O Primeiro Vingador, a Panini também deu um título para o Sentinela da Liberdade, chamado Capitão América & Vingadores Secretos, depois de 14 anos como coadjuvante nas revistas mix. O título mais inesperado foi Guardiões da Galáxia, lançado em março de 2015, sete meses depois da estreia no cinema. Talvez porque ninguém imaginava que o filme fosse agradar tanto, um título solo da equipe espacial era uma proposta arriscada demais para ser lançada logo na estreia. Já com Dr. Estranho, a aposta foi mais certeira: o filme estreou em novembro e a HQ tem data de dezembro/2016.

Se não fosse o filme, os Guardiões jamais teriam seu nome estampado numa publicação.

Se não fosse o filme, os Guardiões jamais teriam seu nome estampado numa publicação.

Doutor Estranho no Brasil

O Mago Supremo estreou no Brasil na revista Quarteto Fantástico 16 (Ebal, 1971), como coadjuvante na aventura da família primordial da Marvel. Meses depois, ele apareceu em Super X 49 (Ebal, nov/dez 1971), numa aventura do Hulk que serviu de prelúdio para a estreia da série dos Defensores, equipe da qual o Doutor é um dos fundadores. No ano seguinte, ele protagonizou o título Dr. Mistério, O Mestre das Artes Místicas (Minami & Cunha, 1972). Em maio de 1976, a Bloch lançou a revista Os Defensores, com a superequipe formada por Doutor Estranho, Hulk, Namor, Valquíria e Surfista Prateado. O título, no entanto, teve vida curta (apenas cinco edições), pois era uma prática da Bloch lançar vários títulos aleatórios para ver qual emplacava.

Edições que destacaram as histórias do Mago Supremo.

Edições que destacaram as histórias do Mago Supremo.

Em junho de 1979, o Dr. Estranho teve sua origem revelada no Almanaque Marvel 2 (RGE). Durante todos esses anos, o Doutor Estranho continuou aparecendo como coadjuvante nas aventuras de outros heróis, mas a situação mudou a partir de 1982 quando o místico estreou na revista Superaventuras Marvel 2 (Ed. Abril), que republicou a mesma HQ publicada em Doutor Mistério 1, extraída do título americano Marvel Premiere 3. A partir daí, a Abril passou a dar um bom destaque às suas aventuras solo e os leitores puderam acompanhar boas fases desenhadas por Barry Smith, Frank Brunner e Marshall Rogers, tanto em Superaventuras Marvel como em Heróis da TV.

Metal Pesado lançou HQ que quase ninguém leu.

Metal Pesado lançou HQ que quase ninguém leu.

Ele também foi o astro de duas graphic novels – Shamballa (Abril, 1989) e Triunfo e Tormento (Abril, 1991), ambas relançadas pela Panini em capa dura – e teve uma edição especial lançada pela Metal Pesado em 1998, que pouca gente sabe que existiu. A minissérie Strange (2004) que atualizou a origem do mago, foi publicada em 2006, na revista Marvel Max, já pela Panini. A minissérie O Juramento, outro grande sucesso do mago, foi publicada originalmente na revista Marvel Action (Panini, 2007).

Panini publicou séries solo do mestre místico em Marvel Max e Marvel Action.

Panini publicou séries solo do mestre místico em Marvel Max e Marvel Action.

Presença constante no Universo Marvel, o herói sempre participou dos eventos importantes da Casa das Idéias, como as séries Illuminati, Hulk Contra o Mundo, Vingadores: A Queda e Guerra Civil, entre outras. O anúncio da produção cinematográfica aumentou o destaque do mago nas HQs até culminar com o lançamento que acaba de chegar nas bancas.

 

Saído do Forno: revista Tina

blog abreApós três anos de recesso, chega às bancas a nova versão da revista Tina, publicação mensal da personagem criada por Mauricio de Sousa. A novidade é que a revista chega repaginada, voltada para o público feminino, adolescente e adulto, com matérias de comportamento e quadrinhos com desenho digital e efeitos 3D, dando um visual moderno e inédito à publicação. Lançada pela Panini, o título tem 68 páginas, custa R$ 6,50 e traz conteúdo adicional no site da revista.

Revista Tina lançada em 2007: um sonho antigo dos leitores

Revista Tina lançada em 2007: um sonho antigo dos leitores

Tina já teve uma revista publicada pela Panini, que durou de maio de 2009 a outubro de 2011, totalizando 30 edições. Antes disso, entre 2007 e 2008, a personagem ganhou três minisséries – Tina e os Caçadores de Enigmas – e uma edição especial. Na ocasião, os personagens estrearam um novo visual, com traço mais jovial e histórias que mostravam Tina e seus amigos em situações voltadas ao universo do adolescente, tais como entrada na faculdade, namoro, passeios no shopping e outros. A revista, inclusive, causou polêmica ao lançar o personagem Caio, que supostamente seria gay.

Revista traz visual digital e conteúdo interativo com o site

Revista traz visual digital e conteúdo interativo com o site

Nesta nova versão, Tina, Pipa, Rolo, Zecão e todos os personagens deste universo passaram por uma nova mudança e se tornaram os primeiros personagens de Mauricio de Sousa a ganharam uma revista com arte digital. “Nossa equipe trabalha há dois anos para essa nova concepção, que reuniu vários softwares para um resultado gráfico já preparado para a animação e games que estão no projeto futuro,” declara o desenhista. Na trama, Tina compra um apartamento e passa a morar sozinha, vivendo as situações típicas do início da vida adulta.

Edição Zero apresenta personagens e conteúdo. Iconografia remete à interatividade.

Edição Zero apresenta personagens e conteúdo. Iconografia remete à interatividade.

A revista também cresceu no tamanho, passando do antigo formato americano (17 cm X 26 cm) para o formato magazine (19,5 cm X 27, 5cm) e das 52 páginas para 68 páginas, das quais 45 é dedicada aos quadrinhos. As 19 páginas restantes trarão editoriais de moda, testes de personalidade, notícias e informações para as adolescentes, dando à publicação uma cara de revista Capricho, tradicional título da Editora Abril. O que é um grande erro.

Dicas para conquistar os gatinhos no colégio. Sério, Mauricio?

Dicas para conquistar os gatinhos no colégio. Sério, Mauricio?

É verdade que Tina é uma personagem que tem mais apelo para o público feminino, mas isso não justifica que a revista ignore totalmente os leitores homens – principalmente porque o Rolo e o Zecão estão lá, para representá-los. Mauricio de Sousa descaracteriza sua obra ao investir em matérias do tipo Além da Amizade, que ensina as meninas como se aproximar de garotos que elas gostam, de acordo com as características de cada um ou a matéria Amiga (Quase) perfeita, que traz “depoimentos reais” de meninas que tiveram problemas com suas BFF (abreviação de Best Friend Forever, ou Eterna Melhor Amiga, um termo usado entre as jovens para definir suas amigas mais íntimas). É um tipo de futilidade que não combina com a sempre inteligente abordagem do desenhista em vários assuntos.

Conteúdo da edição e editorial de Marina Sousa, filha de Mauricio.

Conteúdo da edição e editorial de Marina Sousa, filha de Mauricio.

É compreensível que Mauricio de Sousa busque novos públicos – prova disso é o “envelhecimento” da Turma da Mônica e do Chico Bento, que ganharam suas versões jovens – mas é uma pena que a moderníssima Tina seja a vítima de uma revista com conteúdo tão “bobinho”. Justamente ela, que é símbolo de modernidade e independência e ganhou um traço tão inovador e visualmente atraente.

Pois é, Tina... essa revista nova não tá dando, não...

Pois é, Tina… essa revista nova não tá dando, não…

Quando lançou a Turma da Mônica Jovem, Mauricio foi duramente criticado, por modificar tão radicalmente os personagens que fizeram parte da infância de tanta gente. Os críticos foram obrigados a engolir os xingamentos, pois hoje, a TMJ é líder de vendas e só aumentou a qualidade das publicações. Tomara que o mesmo aconteça com a revista Tina e o choque inicial da mudança seja substituído pela satisfação de saber que a revista Capricho ganhou uma concorrente muito mais educativa. No entanto, pela primeira edição, percebo que a revista da Tina não é para mim. Ao invés de ler sobre qual cor de esmalte vai fazer minha cabeça no outono-inverno, prefiro mesmo ver a Mônica dando coelhadas no Cebolinha.

Panini ressuscita os anos 90

blog abreA Panini, editora que detém os direitos de publicação dos personagens Marvel e DC no Brasil, discretamente e sem qualquer alarde, investe no nicho de leitores saudosistas e lança uma série de encadernados resgatando arcos de histórias publicados nos anos 1990. São histórias fechadas, mas que tiveram relevância na época e hoje são lembradas com saudade pelos leitores mais antigos.

Encadernado do Motoqueiro Fantasma, lançado para aproveitar a onda do filme do herói

Encadernado do Motoqueiro Fantasma, lançado para aproveitar a onda do filme do herói

A editora sempre lançou obras antigas encadernadas – como, por exemplo, a Biblioteca Histórica Marvel, a coleção Os Maiores Clássicos (com vários heróis diferentes), a série Grandes Clássicos DC e outros – mas eram edições pontuais, lançadas como estratégia de marketing para promover alguma comemoração especial (os 75 anos da DC, por exemplo) ou aproveitar a onda em cima do lançamento de algum filme (como a edição especial do Motoqueiro Fantasma que foi lançada no mesmo mês em que o filme estreou nas telonas).

Agora, é diferente: os lançamentos vêm se sucedendo um atrás do outro, sempre com preços atraentes e papel de qualidade, proporcionando uma oportunidade para os leitores antigos relerem o material – talvez até resgatar alguma saga perdida – e mostrar aos novos leitores um pouco do que de melhor as editoras publicaram em anos passados.

HQ inesquecível, que marca uma ótima fase do aracnídeo

HQ inesquecível, que marca uma ótima fase do aracnídeo

A HQ que abriu a leva foi Homem-Aranha – A Morte de Jean DeWolff (172 páginas, R$ 21,90), que compila as edições americanas The Amazing Spider-Man 107 a 110 e 134 a 136. No Brasil, foi publicada nas revistas Homem-Aranha 87, 88 e 102 (Ed. Abril, 1990/1991). A trama, escrita por Peter David e ilustrada por Rick Buckler (107 a 110) e Sal Buscema (134 a 136), mostra a capitã de polícia Jean DeWolff, uma grande aliada do Homem-Aranha na polícia, sendo assassinada pelo Devorador de Pecados. Tomando o caso como pessoal, o aracnídeo passa a caçar o vilão para tentar impedir que ele continue sua lista de assassinatos.

Aranha X Lagarto: HQ que influenciou o filme O Espetacular Homem-Aranha

Aranha X Lagarto: HQ que influenciou o filme O Espetacular Homem-Aranha

No mesmo mês, também chegou às bancas Homem-Aranha: Tormento (132 páginas, R$ 18,90), encadernado que reúne as edições 1 a 5 da revista Spider-Man, novo título do aracnídeo lançada em 1990, que catapultou as vendas do personagem para a marca de mais de dois milhões e meio de exemplares e consolidou a carreira de Todd McFarlane (roteiro e arte). O traço do artista se tornou emblemático, principalmente pela visão que ele imprimiu nas teias do herói, que deixaram de ser apenas uma linha reta para ganhar fluidez e tridimensionalidade. Tormento saiu em uma minissérie em duas partes pela Editora Abril (1992) e foi relançada na coleção Grandes Desafios, publicada em 2007, já pela Panini.

Homem-Aranha do futuro: excelente série que inaugurou um novo universo.

Homem-Aranha do futuro: excelente série que inaugurou um novo universo.

A terceira publicação do Homem-Aranha que chegou às bancas foi buscar a versão futurista do herói. Homem-Aranha 2099 – O Início (244 páginas, R$ 22,90) traz as 10 primeiras edições da revista Spider-Man 2099, que faz parte do universo lançado pela Marvel em 1992. A aventura, escrita por (ele de novo!) Peter David e arte de Rick Leonardi, conta a origem do herói, cuja identidade é Miguel O’Hara, um funcionário da empresa Alchemax, uma empresa de pesquisas biogenéticas. Vítima de uma traição de seus superiores, O’Hara é submetido acidentalmente a um experimento e tem o seu DNA fundido ao de uma aranha, adquirindo superpoderes. Assim, o herói passa a lutar contra a corrupção que se estabeleceu dentro da própria empresa. Foi publicada uma única vez nas revistas Homem-Aranha 2099 de 1 a 7 (Ed. Abril, 1993).

uma visão mais adulta da primeira família da Marvel

uma visão mais adulta da primeira família da Marvel

Além dos encadernados do herói aracnídeo (que, se percebermos, seguem um padrão nas capas: todas com fundo preto e letras vermelhas), a Panini também reedita material que ela própria publicou, tão logo adquiriu os direitos da Marvel no Brasil. Embora sejam posteriores à década de 1990, foram publicadas logo no início dos anos 2000. Dois deles pertencem à linha Marvel Knights, selo que identifica aventuras urbanas e com teor mais adulto: Quarteto Fantástico 1234 (124 páginas, R$ 18,90), de Grant Morrison (roteiros) e Jae Lee (arte) e Hulk: Banner (108 páginas, R$ 17,50) de Brian Azarello (texto) e Richard Corben (desenhos).

Banner é reconhecida como uma das melhores histórias do Hulk

Banner é reconhecida como uma das melhores histórias do Hulk

Quarteto Fantástico 1234 reúne as quatro edições de Fantastic Four: 1234 (2001) e publicada por aqui na extinta revista Paladinos Marvel 1 a 4 (2002). A história mostra os membros do Quarteto Fantástico separados, enfretnando um plano do Dr. Destino para derrotá-los. Completa a edição uma HQ extra de Nick Fury que saiu em Paladinos Marvel 9 e não tem nada a ver com a edição, mas está lá apenas porque a história também foi escrita por Grant Morrison). Já Banner (Startling Stories: Banner 1 a 4, 2001) é uma reedição de Marvel Apresenta 3 (Panini, 2002) e mostra o Dr. Banner querendo dar um fim definitivo à maldição do Hulk, mas o Gigante Verde em seu interior não concorda em ser morto.

Dois doutores e um único destino, bem estranho

Dois doutores e um único destino, bem estranho

O mais recente título a chegar às bancas é Dr. Estranho e Dr. Destino: Triunfo e Tormento (92 páginas, R$ 21,90), publicado anteriormente na quinta edição da série Graphic Marvel (Ed. Abril, 1991) e resgata a inusitada união entre o mestre das artes místicas e o tirano da Latvéria para resgatar a mãe de Victor Von Doom das garras de Mefisto. A HQ tem roteiros de Roger Stern e arte de Mike Mignola (creditado como Michael Mignola), conhecido por seu trabalho com o anti-herói Hellboy.

A última HQ do Superman, antes de Crise nas Infinitas Terras

A última HQ do Superman, antes de Crise nas Infinitas Terras

Pela DC, também chega às bancas Superman: O Que aconteceu ao Homem de Aço (132 páginas, preço não divulgado), de Alan Moore e Curt Swan, compilação das HQs Superman 423 e Action Comics 583 (1986). Ultima HQ do Superman antes da reformulação promovida pela Crise nas Infinitas Terras, mostra Lois Lane narrando os eventos que levaram o Homem de Aço a abandonar sua carreira dez anos antes. O encadernado também traz mais duas HQs escritas por Moore para o Superman: Para o homem que tem tudo (Superman Annual 11, 1985), mostrando Batman, Robin e Mulher-Maravilha tentando salvar o Superman do domínio das plantas parasitas do vilão Mongul e A Linha da Selva, com participação do Monstro do Pântano (DC Comics Presents 85, 1985)

Monstro do Pântano inaugurou o selo Vertigo da DC

Monstro do Pântano inaugurou o selo Vertigo da DC

Falando em Monstro do Pântano, ele é a estrela de Clássicos DC – Monstro do Pântano: Raízes (164 páginas, R$ 19,90), de Len Wein e Bernie Wrightson, que reúne a primeira aparição do personagem em House of Secrets 92 (1971) e as seis primeiras edições de Swamp Thing (1972), que foram publicadas por aqui na revista Estreia Apresenta (Ebal, 1979). Dada a boa aceitação desse material e com a recente crise criativa nos quadrinhos de super-heróis, a publicação de aventuras clássicas em encadernados é uma tendência que parece ter vindo para ficar. E que venham novas séries! Alguém vai reclamar?

Motoqueiro Fantasma volta às bancas

No dia 17 de Fevereiro, estreia o filme Motoqueiro Fantasma 2 – O Espírito da Vingança, com Nicolas Cage de volta ao papel do herói do crânio flamejante. Aproveitando o embalo do filme, a Panini republica uma das melhores histórias do Motoqueiro Fantasma da década, escrita pelo consagrado autor irlandês Garth Ennis (Preacher, Justiceiro, The Boys). A saga Estrada para a Danação, originalmente publicada no Brasil na revista Marvel Max 42 a 46 (fevereiro a junho /2007), foi a segunda tentativa de resgatar o herói nos anos 2000, após o cancelamento da sua revista mensal no começo da década de 1990. A primeira foi uma minissérie publicada um ano antes (inédita no Brasil) que teve um roteiro fraquíssimo, um Motoqueiro Fantasma descaracterizado e uma série de perguntas não respondidas.

Saga saiu na revista Marvel Max

A história resgata a identidade original do Motoqueiro Fantasma (veja a trajetória do herói abaixo). Nela, o astro de motocross Johnny Blaze está no Inferno, sofrendo infinitos tormentos por ter vendido sua alma anos antes. No entanto, um demônio é liberado na Terra e pode destruir não apenas o nosso planeta, mas também abalar o próprio Céu. Para colocar um fim à ameaça, os anjos resolvem buscar reforço nas próprias fossas infernais e libertam o Espírito da Vingança.

Resgate divino

Garth Ennis, que não tem pudores em usar palavreado chulo e violência explícita em seus roteiros, desenvolveu uma história inteligente e cheia de ação e a arte digital de Clayton Crain enriqueceu ainda mais a HQ, fazendo com que o herói conquistasse novamente um título mensal. É esta edição, encadernada e ao amigável preço de R$ 18,90 (segundo prévia divulgada no site da Liga HQ!), que chega às bancas no mês que vem, antecipando o filme do herói. Uma edição imperdível para que os leitores entrem no clima sobrenatural do personagem.

A longa estrada do herói flamejante 

Edição de estreia

O Motoqueiro Fantasma surgiu na revista Marvel Spotlight 5 (1972) e fez tanto sucesso que, meses depois, ganhou um título próprio, Ghost Rider, que revolucionou os quadrinhos da Marvel por ter um protagonista que mesclava entre o heroico e o macabro. Era um herói, mas não era bondoso nem altruísta: pelo contrário, seu alter ego – o astro do motocross Johnny Blaze – era movido pela vingança e seus poderes eram originários de ninguém menos que o próprio capeta. Mesmo assim, o título foi um sucesso e durou até 1983, totalizando 81 edições.

Renovado para novos tempos

Nos anos 90, os anti-heróis cresciam cada vez mais na preferência do público. Personagens como o Justiceiro, Wolverine e Spawn – que utilizavam métodos violentos contra os criminosos e, às vezes, chegavam até a matá-los – eram os mais populares e a Marvel decidiu ressuscitar o Motoqueiro Fantasma. Deu-lhe um visual mais agressivo, roupa de couro com correntes e ponteiras metálicas, uma moto com rodas flamejantes e uma nova identidade: o jovem Danny Ketch. Ao invés de surgir sempre que a noite chegava, como seu antecessor, o Motoqueiro Fantasma aparecia para vingar o sangue inocente derramado. O tom urbano das histórias devolveram a popularidade ao herói, que ganhou mais 93 edições mensais, até o ano de 1993, quando as baixas vendas levaram o título ao cancelamento sem que a saga de Danny Ketch tivesse um fim.

Tentativa frustrada de retorno

Quase 10 anos depois, em 2001, a Marvel tentou ressuscitar o herói com a minissérie The Hammer Lane, lançada em seis capítulos sob o selo Marvel Knights, que trazia os heróis urbanos da editora e roteiros mais adultos. No entanto, o fraco roteiro de Devin Grayson descaracterizou o herói, tornando-o um personagem mudo que só matava bandidos e desaparecia. Além disso, na história, o Motoqueiro Fantasma era novamente Johnny Blaze e não havia qualquer explicação de como ele recuperou seus poderes, nem do que aconteceu com Danny Ketch. O herói voltou para a gaveta até que, em 2006, Garth Ennis assumiu o personagem e escreveu Estrada para Danação. A série não apenas explicava o destino de Blaze como também tinha um roteiro bem mais elaborado, que foi suficiente para o retorno do herói ao seu próprio título regular.