Xeretando: Para ler no banheiro

Quem nunca levou uma revista ou jornal para o banheiro naquela hora em que se vai fazer as necessidades – o chamado “número dois” – que atire a primeira pedra. É o melhor momento para relaxar e curtir uma leitura, porque estamos sós e em silêncio (pelo menos, até a mãe começar a bater na porta por conta da demora). Acredite se quiser, mas no ano de 1979, a Marvel teve uma ideia bem inusitada: colocar uma HQ curta do Homem-Aranha e do Hulk em rolos de papel higiênico.

A cólica foi forte e não deu tempo de pegar algo pra ler? A Marvel resolveu seu problema.

Não, não estamos falando da embalagem. A HQ estava no papel mesmo. O próprio, que você usa para funções nada simpáticas, principalmente considerando o destino do trabalho artístico de algum roteirista e desenhista (no caso, Jim Salicrup e Michael Higgins, que não devem ter se sentido nada à vontade com a utilidade de seu trabalho). De qualquer forma, eram outros tempos e a Marvel talvez quisesse tornar uma atividade tão solitária, e por vezes desagradável, num momento descontraído.

Cada rolo vinha embalado numa caixinha bem legal!

Uma jogada de marketing bem interessante, mas que nunca mais se repetiu, por motivos óbvios. Aliás, nem temos informações de como essa iniciativa repercutiu mercadologicamente e se o papel higiênico cultural foi líder em vendas. Mas vale dizer que a história, que mostrava o Aranha aliado ao Hulk para combater o Líder, que decide roubar um equipamento numa exposição de ciências. Esta HQ está disponibilizada abaixo, em nossa galeria, para você ler e se divertir. Pode ler no banheiro utilizando seu tablet, notebook ou celular, mas desta vez, não vai dar pra usar.

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Xeretando: A série não lançada do Demolidor

Estamos lançando uma nova seção no nosso blox, que trará uma série de curiosidades sobre quadrinhos, cinema, TV e tudo que envolve o universo da cultura pop em informações pouco (ou nada) divulgadas. Para estrear a seção Xeretando, você sabia que o Demolidor quase teve uma série de TV estrelada pela esposa do cantor David Bowie como Viúva Negra? Pois é… Se hoje todos estamos muito satisfeitos com o rumo que a Netflix deu ao herói cego da Cozinha do Inferno, nem sempre a Marvel esteve no auge de produções de qualidade.

Uma foto para registrar… e mais nada.

O ano era 1975 e, nos quadrinhos, o Demolidor vivia, já há alguns meses, uma fase em que dividia suas histórias com a Viúva Negra, numa parceria que ia além do combate ao crime (os dois heróis também tiveram um romance). Interessada na personagem, Angela Bowie, esposa do roqueiro David Bowie, entrou em contato com Stan Lee e pediu autorização para produzir uma série de TV do Homem sem Medo, estrelada por ela própria como a espiã russa. Lee deu sinal verde para o projeto e a “atriz” teve os direitos por um ano. Ela chegou a fazer imagens promocionais, fantasiada de Viúva Negra, ao lado do ator Ben Carruthers como Demolidor.

Primeira versão live-action do Demolidor (bem… mais ou menos…)

Considerada muito cara para ser produzida, a série não passou disso. O Demolidor só seria adaptado para live-action em 1989, quando o ator Bill Bixby incluiu o herói no telefilme O Julgamento do Incrível Hulk. Interpretado pelo ator Rex Smith (da série Moto Laser), o Demolidor tinha um visual que pouco lembrava o dos quadrinhos, com um uniforme todo preto e máscara sem abertura para os olhos. Curiosamente, este visual seria usado por Frank Miller na minissérie O Homem sem Medo (1993).

Continuaremos xeretando pelo universo pop e, em breve, traremos mais curiosidades. Agradecimentos ao amigo Júnior Batson pela batalha na escolha do nome desta seção.

Rapidinhas do Mutante 05/2018

Depois de um período afastados, estamos de volta com notícias quentinhas sobre o mundo nerd e muitas novidades, que vão desde DVDs, passando por filmes no cinema e quadrinhos. Uma visão pelo universo da cultura pop, em doses  rápidas e objetivas. Vamos lá!!

Box em blu-ray

Para comemorar os dez anos das produções da Marvel Studios, a Disney preparou dois boxes especiais em blu-ray recapitulando (quase) toda a trajetória dos heróis no cinema. O box Universo Cinematográfico Fase 1 traz sete discos com os seis primeiros filmes – Homem de Ferro, O Incrível Hulk, Homem de Ferro 2, Thor, Capitão América: O Primeiro Vingador e Vingadores (duplo). Já o segundo box Universo Cinematográfico Fase 2 vem com seis discos e os filmes – Homem de Ferro 3, Thor: O Mundo Sombrio, Capitão América 2: O Soldado Invernal, Guardiões da Galáxia, Vingadores: Era de Ultron e Homem-Formiga. A previsão de lançamento é 30/05 e o preço médio é de R$ 139,90. Resta saber se a distribuidora fará também um box com a fase 3, quando esta estiver completa.

Irmãos Nee vão dirigir longa-metragem do He-Man.

Mestres do Universo, o aguardado filme do He-Man, começa a tomar forma. A Sony Pictures anunciou ontem a contratação do diretor (ou diretores, no caso) para o longa-metragem que, segundo consta, está agendado para dezembro de 2019: serão os irmãos Aaron e Adam Nee (Adam… faz sentido… :-P). Brincadeiras à parte, a dupla é conhecida por dirigir o aclamado Band of Robbers (2015), filme que coloca Tom Sawyer (interpretado por Adam Nee) e Huckleberry Finn como parceiros na busca de um tesouro de infância. David S. Goyer (Blade, Batman Begins, Batman V Superman), tinha sido cotado para ser o diretor, mas desistiu do projeto, preferindo dedicar-se apenas ao roteiro e à produção executiva.

Oitenta, mas com corpinho de 30.

Chegou às comic shops americanas esta semana a história Action Comics 1000, que celebra os 80 anos do Superman. A edição chega às bancas no mesmo dia em que foi lançada, em 1938. A revista presta um tributo ao Homem de Aço, com oito capas variantes e uma série de artistas que homenageiam o primeiro de todos os super-heróis: Brian Michael Bendis, José Luis García-López, Geoff Johns, Dan Jurgens, Paul Dini, Olivier Coipel, Jerry Ordway, Curt Swan, Marv Wolfman e outros. Além disso, a edição traz uma HQ inédita escrita na década de 1940.

Visão de Raio X 03 – Agentes da Shield e Ms. Marvel

Na seção Visão de Raio X de hoje, ao invés de analisarmos um encadernado, vamos falar sobre dois deles, lançados pela Panini: o segundo volume de Agentes da Shield, cujo título é Um Homem Chamado L.E.T.A.L. e o quarto volume da Ms. Marvel, intitulado Últimos Dias. Ambos estão disponíveis em capa dura e capa cartonada e fecham os respectivos arcos de suas edições americanas. Vejam o vídeo:

Rapidinhas do Mutante 1/2018

Ainda em clima de ano novo, estamos resgatando esta seção, para publicar notícias curtinhas do mundo pop que aconteceram durante a semana. Com isso, devolvemos um pouco do caráter jornalístico do nosso blog, que acabou se perdendo ao longo do tempo.

Novas temporadas

– Duas séries da Marvel foram renovadas para a segunda temporada nesta semana: a primeira delas é The Gifted (Fox), que se passa no universo mutante e terá seu último episódio da primeira temporada exibido esta semana, num especial de duas horas. A outra é Fugitivos (Hulu), uma surpresa em se tratando de um canal streaming. Parece que a série teve ótima aceitação do público pela grande fidelidade aos quadrinhos. Ótima notícia!

Novos encadernados da fase Renascimento

– A DC anuncia “uma invasão” de encadernados nas bancas em fevereiro. Os encadernados com a fase Renascimento têm dado muito certo e o mês que vem trará cinco deles: Flash e Exterminador chegam em seus terceiros volumes, enquanto que os Titãs, Hellblazer e o Novo Super-Man lançam o volume dois de cada um. Prepare o bolso!

Lançamentos Disney

– A Disney também está com novidades nas bancas: a primeira delas é a estreia de Lendas Disney, um encadernado trimestral que trará as primeiras histórias dos personagens. O número de estreia trará o Superpato (192 páginas, capa cartão, R$ 29,90) e chega ainda em janeiro. No mês seguinte, será a vez de Disney Saga (192 páginas, capa cartão, R$ 29,90), publicação trimestral  que trará sempre uma saga completa ou uma série que se estenda por mais de uma edição. A estreia será com A Nova História e Glória da Dinastia Pato, HQ inédita publicada na Itália. Em março chega Os Melhores Anos Disney, no mesmo formato, abordando sempre um ano marcante para as publicações Disney no Brasil. Na estreia, o ano de 1950, ano da estreia de O Pato Donald 1, título que inaugurou a Editora Abril.

Coleção selvagem

– Finalmente, depois de um bom tempo em que foi lançada no “mercado-teste”, chega às bancas em março a coleção de A Espada Selvagem do Conan, pela Salvat. Como as anteriores, será quinzenal, capa dura, com arte na lombada e terá 65 volumes.

Quadrinhos divinos.

– A Editora 100% Cristão lançou uma coleção de quadrinhos baseada em personagens bíblicos. Falaremos detalhadamente sobre elas em um post específico sobre o tema.

A Força está com eles.

Star Wars – O Último Jedi fechou o ano passado como a maior bilheteria de 2017 nos Estados Unidos, segundo o site Box Office Mojo. O filme ultrapassou o líder (desde março) A Bela e a Fera e faturou US$ 539,4 milhões com apenas 15 dias de exibição. Mundialmente, o oitavo capítulo da saga espacial ficou em terceiro lugar, com US$ 1, 129 bilhão. Perdeu para Velozes e Furiosos 8 (US$ 1, 235 bi) e A Bela e a Fera (US$ 1, 263 bi).

Novo Século lança livro baseado em Thor Ragnarok

A Editora Novo Século tem se destacado entre os fãs de super-heróis graças ao lançamento de vários livros baseados nos personagens da Marvel, alguns deles romanceando histórias já consagradas como Guerra Civil, Guerras Secretas, Homem-Aranha – A Última Caçada de Kraven e X-Men – Dias de um Futuro Esquecido, entre outros. A poucos dias da estreia do terceiro filme de Thor nos cinemas, a editora lança o romance Thor Ragnarok – O Livro do Filme, escrito por Jim McCann.

Livro adapta a aventura cinematográfica do Deus do Trovão

A obra narra o perigo que ameaça o mundo do Deus do Trovão. Seu meio-irmão Loki tomou o reino de Asgard das mãos de Odin, que está desaparecido e, com isso, Hela, a Deusa da Morte, surge com a intenção de usurpar o trono para si. Thor, por sua vez, encontra-se aprisionado num mundo distante, do outro lado do universo e, para escapar do cativeiro e salvar seu mundo da destruição, ele deve se submeter a uma batalha mortal com ninguém menos que o Incrível Hulk, seu antigo aliado, numa arena alienígena.

O livro é ilustrado com fotos da produção

Além da história do filme, o livro também inclui o conto A História da Ponte, escrita por Steve Behling, e 10 páginas com imagens inéditas e exclusivas da produção. Thor Ragnarok: A História do Filme tem 208 páginas e já está à venda nas livrarias ao preço aproximado de R$ 29,90. O livro também pode ser comprado pelo site da Novo Século. A editora também disponibiliza gratuitamente o primeiro capítulo para leitura pela plataforma Issu. Para ler 14 páginas, basta clicar aqui.

Imagens inéditas e exclusivas

Crítica: Os Defensores

Estreou ontem na Netflix a aguardada série Os Defensores, que conclui a primeira fase das séries do canal streaming em parceria com a Marvel Studios. Após duas temporadas de Demolidor (2015-2016) e uma de Jessica Jones (2015), Luke Cage (2016) e Punho de Ferro (2017), a série reúne os heróis numa conspiração criada pelo Tentáculo, organização criminosa que esteve presente nas séries anteriores. O elenco secundário de todas as séries tem participação em algum momento, mostrando uma coesão minuciosamente organizada, para dar aos fãs a sensação perfeita de que os heróis fazem parte do mesmo universo.

Estreia dos heróis unidos pela casualidade

Nos quadrinhos, a equipe dos Defensores estreou na revista Marvel Feature 1 (1971) e é formada pelo Dr. Estranho, Hulk e Namor, que se uniram casualmente para combater uma ameaça comum. Mais tarde, juntaram-se ao grupo o Surfista Prateado, Valquíria e Gavião Noturno. Diferente das outras superequipes, como Vingadores ou X-Men, os Defensores não reúnem numa sede com computadores e dali decidem suas ações heroicas. Cada herói vive sua vida particularmente e eles só se juntam quando a ocasião assim o exige.

Daniel é parceiro de Luke, que ama Jessica, que é defendida por Matt, que luta contra o Tentáculo, assim como Daniel. Nada em comum?

Essa premissa permitiu que a equipe tivesse várias formações diferentes ao longo dos anos e, dessa forma, deu abertura para que ganhasse uma conotação totalmente renovada na TV, unindo os heróis das séries independentes que, teoricamente, nada têm em comum, mas cujas habilidades se completam, como nas HQs. Mais enxuta que as séries anteriores, Os Defensores possui apenas oito episódios (contra treze de cada uma de suas antecessoras) e, para fazermos esta crítica, assistimos os cinco primeiros.

Não, um elevador não é uma boa sede para superequipes

O que vimos foi um roteiro primorosamente escrito, que começa lidando individualmente com cada personagem, criando as ramificações para a união deles. A série começa com o Punho de Ferro (Finn Jones) numa luta com uma assassina misteriosa a serviço do Tentáculo. As pistas o levam a Nova York. Matt Murdock (Charlie Cox), aposentado de sua carreira heroica de Demolidor, atua apenas como advogado. Jessica Jones (Krysten Ritter) é procurada por uma esposa preocupada com seu marido e vai investigar o paradeiro dele após receber uma ligação misteriosa. Luke Cage (Mike Colter) sai da prisão após a ação de Foggy Nelson, advogado e ex-parceiro de Matt, e logo se mete numa investigação do envolvimento de um jovem no que ele pensa ser o tráfico de drogas no Harlem.

Alexandra: vilão com profundidade e boa motivação.

Nesse cenário, surge Alexandra (Sigourney Weaver), uma poderosa líder da organização, que provoca um terremoto na cidade para forçar o Punho de Ferro a se revelar. A confusão provocada pelo abalo sísmico e as investigações particulares de cada herói culminam na reunião casual deles contra os assassinos do Tentáculo e, apesar da apatia inicial, eles logo entendem que precisam se unir se quiserem ser fortes suficientes para desmantelar a seita, principalmente após a chegada de Stick (Scott Glenn), que serve de guru para o grupo. É brilhante a forma como a união acontece, pois tudo se encaixa, como um grande quebra-cabeças, unindo elementos das quatro séries e dando sentido ao contexto.

Stick é o mentor da equipe

A série segue num nível que melhora a cada episódio, com um primeiro capítulo morno, onde os fatos e os personagens são apresentados, um segundo melhor (com o primeiro encontro de Luke Cage e Punho de Ferro, para delírio dos fãs de quadrinhos, já que a dupla formou uma parceria bastante famosa no final da década de 1970), um terceiro melhor ainda e assim por diante. Cada episódio é repleto de bons momentos e ótimas atuações, principalmente pela veterana Sigourney Weaver, que consegue transformar uma personagem insossa e criada exclusivamente para a série numa vilã com motivação e profundidade.

Luta no corredor: uma característica das séries Netflix.

O texto dá espaço para que cada herói tenha o seu momento e o elenco auxiliar também tem sua relevância na história e não estão ali apenas para cumprir um contrato. Um problema que poderia ser melhorado está na descrição das legendas, que muitas vezes utiliza nomes em inglês – caso do vilão Cascavel (da série Luke Cage) que é mencionado com seu nome original, Diamondback – ou mal traduzidos, demonstrando uma falta de pesquisa e conhecimento dos personagens.

Sim, a Marvel vai ressuscitar a equipe nas HQs em sua formação da TV.

As séries individuais dos heróis dividiram as opiniões – exceção feita ao Demolidor, que manteve o alto nível em ambas as temporadas – com alguns problemas na condução das tramas, algumas estendidas demais e outras na caracterização dos personagens. De modo geral, porém, a Marvel e a Netflix apresentaram um bom produto que Os Defensores fecha com chave de ouro. Além da futura série do Justiceiro (marcada ainda para 2017, mas sem data confirmada) e das novas temporadas dos outros personagens, não se sabe o que virá por aí na “Fase 2” da Netflix. Não devemos esperar grandes novidades, mas, em vista do que já foi apresentado, sabemos que virá coisa boa. Material para isso, a Marvel tem.

Cotação: