Leituras da Semana – Junho (1)

Começando um novo mês, ainda com um finalzinho de maio, as leituras da semana incluem as edições restantes da fase Renascimento da DC, a atual fase da Marvel e o resgate histórico de uma das melhores fases de Wolverine na estreia de seu título solo.

Nesta edição, a Mulher-Aranha finalmente dá à luz seu bebê.

Aranhaverso 11 (abr/2017) – Na última edição, teve a estreia de Aranha (Spidey), uma série que é uma espécie de “ano um” do Homem-Aranha e eu comentei que eram retcons até engraçadinhos, mas que não acrescentavam nada à mitologia do herói e, portanto, desnecessários. Esta edição traz o segundo número da revista, com o aracnídeo enfrentando o Homem-Areia e a história é bem divertida, bem melhor que a antecessora. Continua inútil, mas pelo menos, a leitura é agradável. As duas HQs do Homem-Aranha 2099 são as melhores desta edição, que também tem Teia de Seda, Gwen-Aranha, Guerreiros da Teia e o final da gravidez da Mulher-Aranha, com uma conclusão bacana.

Duas boas HQs da Liga

Liga da Justiça 2 (mai/2017) – A superequipe continua lidando com a invasão dos misteriosos Similares, que se tornam seres gigantescos ao absorver as mentes da população mundial. o segredo para derrotá-los está no núcleo da Terra e o único capaz de entrar lá e suportar o calor é o Superman. Ou talvez, nem ele. As histórias têm um ritmo bom e valoriza bem as habilidades de cada herói no trabalho de equipe. Queria ver isso no cinema (sonho meu!).

O início de uma nova fase na vida do Wolverine.

Coleção Histórica Marvel – Wolverine 1 (mar/2017) – Aproveitando o lançamento do filme Logan, a Panini lançou esta coleção com histórias clássicas do mutante invocado. Esta primeira edição mostra os primórdios das histórias solo do canadense, que começou com uma série em 10 capítulos publicada em Marvel Comics Presents – em HQs de oito páginas – antes dele partir, de fato, para seu título próprio, onde passou a viver aventuras na ilha de Madripoor sob o codinome de Caolho. São histórias escritas por Chris Claremont e com desenhos de John Buscema, que trazem um clima de espionagem às aventuras do mutante. Muito bom.

Trama tem conclusão que é o fundo do poço!

Doutor Estranho 6 (mai/2017) – O combate final com o Empirikul para salvar a magia do planeta reserva momentos emocionantes… só que não. Conclusão tosca e completamente fria, com um monstro esquisito, que não mostra a que veio. Participações especiais sem função nenhuma e uma conclusão totalmente sem sentido. A história padece do mesmo mal que a grande maioria das sagas atuais da Marvel: começam bem, tem um desenvolvimento legal, mas não sabem como terminar. Não gostei.

A identidade da Thor em perigo

Thor 4 (mai/2017) – A primeira história dá continuidade à narrativa de Loki contando uma aventura viking, com rabiscos pavorosos que parecem feitos por uma criança em idade pré-escolar. A ideia é até boa: transformar a narrativa em um visual que lembre os antigos livros de histórias, mas o resultado deixou a desejar. Como se não bastasse, a história também é ruim. Para compensar, a segunda HQ desta edição é bem bacana e traz Jane Foster sendo questionada por agentes da Shield sobre sua ligação com Thor, enquanto que o líder da Roxxon (secretamente, o vilão Minotauro) participa de uma reunião com diversos líderes criminosos descontentes com suas atividades em Asgard.

Começam as aventuras do Jovem Tony Stark.

Homem de Ferro 6 (mai/2017) – Histórica com participação dos Vingadores que encerra o arco do Homem de Ferro no Japão investigando os terroristas biohackeados que atacaram sua empresa. A segunda história marca a estreia de International Iron Man, novo título americano onde o Vingador Dourado investiga a verdade sobre seus pais. Roteiro de Bendis e arte de Alex Maleev, a mesma dupla que revitalizou o Demolidor anos atrás. Neste primeiro capítulo, todo “flashbackeado”, ainda não mostrou a que veio. Vamos aguardar os próximos.

Lanterna Verde: Renascimento (Não, pera… essa é outra história!)

Lanternas Verdes 1 (abr/2017) Hal Jordan recupera o anel (bem… não é bem “recuperar”, mas…) e parte em busca do paradeiro da Tropa dos Lanternas Verdes, que está desaparecida. Antes disso, dá uma passadinha aqui na Terra e dá seu aval para que Simon Baz e Jessica Cruz sejam os protetores do planeta. A dupla, por sinal, ainda pouco entrosada, precisa aprender a trabalhar em equipe, pois os Lanternas Vermelhos estão chegando. Edição muito boa da fase Renascimento, com histórias empolgantes e cheias de ação.

O medo encontrou seu rival

Lanternas Verdes 2 (mai/2017) – Continuando sua busca pela Tropa desaparecida, Hal Jordan se encontra com membros da Tropa Sinestro e tenta, sozinho, forçar os vilões a revelar o paradeiro de seus amigos. Enquanto isso, Simon e Jessica tentam superar suas diferenças e controlar a onda de ira que se espalhou pelo planeta. Das novas revistas do Renascimento, Lanternas era uma que não tinha interesse em dar continuidade, mas as tramas estão tão boas que acho que me ganharam.  O único ponto negativo é Jéssica, uma Lanterna chata e pedante, que só sabe chorar suas inseguranças. Personagem vazia e sem carisma, mas nada que atrapalhe a leitura, até porque sua interação com Baz é bem dinâmica.

 

Leituras da Semana – Maio (4)

Para encerrar o mês de maio, muitas leituras, incluindo os segundos números de Renascimento, da DC. Mas tem muita coisa da Marvel também, como a inesquecível saga do Capitão Marvel contra Thanos, pelas mãos do cósmico Jim Starlin. E, pra rir um pouco, a Turma da Mônica também entra no clima de super-heróis e faz uma paródia de Vingadores – Era de Ultron.

“Meu horóscopo me diz que hoje é um bom dia para enfrentar supervilões.”

O Espetacular Homem-Aranha 6 (abr/2017) – Na conclusão da saga do Escorpião (do Zodíaco, não o velho inimigo rabudo do Cabeça-de-Teia), nosso Amigão da Vizinhança vai usar toda sua tecnologia e influência mundial para se antecipar ao vilão. A terceira HQ da revista deixou de lado o Aranha Ultimate e trouxe uma história extra do Aranha tradicional resolvendo um misterioso caso sobrenatural. São boas histórias, mas a sensação é de que o Homem-Aranha não é mais o mesmo herói carismático de antes.

Sátira aos heróis da Marvel

Clássicos do Cinema Turma da Mônica 56 – Os Vingadoidos: A Era de Sanson (mai/2017) – Mais uma paródia super-heróica cheia de referências a diversos filmes da Marvel – e, creiam, o roteirista Flávio Teixeira de Jesus vai além do filme em questão e inclui personagens nada a ver para não perder a piada. E não perde, pois a trama é hilária. As principais cenas do segundo longa dos Vingadores estão lá – como a briga do Hulk contra o Homem de Ferro usando a armadura Hulkbuster, por exemplo – mas a história segue por outro rumo, como só a Turma da Mônica poderia fazer.

Histórias épicas de Jim Starlin

A Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel – A vida e a Morte do Capitão Marvel – Parte 1 (abr/2017) – Para os leitores mais antigos, as histórias deste encadernado fazem parte do primeiro volume de A Saga de Thanos, coleção em cinco edições em formatinho publicada pela Editora Abril em 1992. Metade dele também foi republicado na Coleção Histórica Marvel Os Vingadores 1. No entanto, nada como (re) ler essas histórias em formato original e papel de qualidade, sem os tradicionais cortes que a editora fazia – muito embora há que se elogiar a louvável iniciativa de publicar toda a história de Thanos até aquele momento em uma coleção inédita. Um grande serviço da Editora Abril, prestado aos leitores, que a Panini poderia copiar. A capa dura também é uma vantagem em comparação à Coleção Histórica. E convenhamos: sempre é bom ver Jim Starlin em início de carreira, dando ao Capitão Marvel uma relevância como ele nunca teve até então, que culminaria na melhor história do personagem já escrita. Mas isso é assunto para o outro volume.

Um recomeço para a Liga da Justiça.

Liga da Justiça 1 (abr/2017) – No renascimento da Liga da Justiça, histórias rotineiras na vida da equipe, como defesa do planeta de ameaças interplanetárias. A primeira HQ desta edição mostra os heróis contra um alien capaz de dominar mentes – referência a Starro, talvez? – e tem um final inspirador. Na segunda história, de temática semelhante, a Liga ainda se adapta à morte do “Superman Novos 52” e ainda desconfia do outro Superman que surgiu na cidade. Não há, de fato, uma grande mudança editorial nas HQs da equipe, que justifiquem o título “renascimento”, mas as histórias são de qualidade, o que já significa muito.

Ajuda maravilhosa

Action Comics 2 (mai/2017) – Para lutar contra o Apocalypse, Superman conta com uma ajuda de peso: Mulher-Maravilha. A dinâmica com o novo Clark Kent (de onde ele veio?), Luthor (novo herói?) e o pequeno Jonathan, filho do Superman, é bem interessante e torna a leitura bastante envolvente.

Ameaça ou aliado?

Superman 2 (mai/2017) – Enquanto o Superman salva um submarino encalhado com a ajuda de Jon, o garoto deixa uma gota de sangue no solo. É o suficiente para que o Erradicador se desenvolva a partir do DNA kryptoniano e se torne uma nova ameaça a ser enfrentada pelo Homem de Aço. Duas HQs de ótima qualidade, com muita ação e mistério.

A origem da Mulher-Maravilha recontada

Mulher-Maravilha 2 (mai/2017) – Esta edição revisita a origem da Princesa Amazona, no arco Mulher-Maravilha Ano Um, cuja história alterna com a busca de Diana pelo seu passado na história que se passa nos dias atuais. Nesta HQ, ela pede ajuda à sua maior inimiga, a Mulher-Leopardo.

Os campeões de Gotham

Batman 2 (mai/2017) – Batman investiga a vida dos novos heróis de Gotham City: Gotham e Gotham Girl – que têm parte de suas origens reveladas e estão intimamente ligadas à própria origem do Homem Morcego. Tramas bem escritas, recheadas de mistério, suspense e aquele clima detetivesco que só o Batman tem.

Leituras da Semana – Maio (3)

Nesta terceira semana de maio, o destaque são vários encadernados, com excelentes fases dos personagens. São edições perfeitas para se conhecer o passado dos heróis e descobrir momentos inesquecíveis que definiram suas trajetórias e os transformaram em verdadeiros ícones da cultura pop.

Clássico é clássico.

Homem-Aranha – A Coleção Definitiva 2 – A Saga Original do Clone (mai/2017) – Quando se fala em Saga do Clone, a maioria dos fãs do Homem-Aranha torce o nariz, porque lembra de uma trama longa, confusa e que desconcertou todo o universo do herói aracnídeo. Mas a história que deu origem à esta saga absurda é fantasticamente boa e inteligente. Idealizada por Gerry Conway, um dos mais importantes roteiristas do Aranha – criador do Justiceiro e autor da morte de Gwen Stacy entre outras histórias espetaculares -, a Saga Original do Clone é uma história ágil, criativa, bem conduzida, cujos fatos levariam a uma conclusão lógica. Isso, claro, se algum roteirista maluco não resolvesse resgatar o roteiro e… bem, vocês sabem. E, se não sabem, melhor continuar sem saber. Leia este encadernado, curta a genialidade dos roteiros, os vilões excepcionais (Justiceiro, Chacal, Ciclone, Escorpião, Tarântula…) e termine com a sensação de ter um verdadeiro clássico em mãos, muito superior às duas edições anteriores desta coleção.

O essencial da Princesa Amazona

Lendas do Universo DC – Mulher Maravilha de George Pérez – Vol. 2 (mar/2017) – Que esta fase da Mulher-Maravilha é excepcional, já disse na crítica do volume 1 (leia aqui). Este volume, porém, tem alguns leves defeitos que, na minha opinião, o tornam inferior ao anterior. A primeira história, por exemplo, escrita em forma de textos ilustrados, é uma quebra na narrativa tradicional das histórias em quadrinhos e não há como negar sua originalidade. Porém, os textos longos e o uso de fontes diferentes (e pequenas) para cada interlocutor dificulta um pouco a leitura. A segunda HQ, que mostra o primeiro confronto da heroína com a Mulher-Leopardo, fecha o arco começado no volume anterior, mas também não empolga. Porém, o arco seguinte, que mostra Diana realizando várias tarefas para os deuses gregos – provavelmente inspirada na lenda dos Doze Trabalhos de Hércules – recupera o ritmo e fecha o encadernado com chave de ouro. Um material que dá gosto de ler e guardar para sempre.

Estreia da nova série “Aranha”, que tenta ser engraçada.

Aranhaverso 10 (mar/2017) – O destaque desta edição é a estreia de Aranha, uma série babaquinha que é uma espécie de Homem-Aranha Ano 1. É babaquinha porque está no clima da Marvel atual que é de “vamos fazer uma piadinha a cada diálogo” e não traz nada de novo á mitologia do herói (ainda bem, diga-se de passagem! Chega de retcons inúteis!), tornando-a desnecessária. Boas são as HQs do Homem-Aranha 2099 e da Mulher-Aranha, em seus últimos momentos de gravidez (que também tem o estilo engraçadinho, mas coloca a heroína em situações tão ridículas que são, sim, divertidas). Os Guerreiros da Teia, Teia de Seda e Gwen-Aranha também são boas histórias, mas são do tipo que ninguém mais vai lembrar depois que fechar a edição.

 

 

 

Leituras da Semana – Maio (2)

Com um pequeno atraso, seguem as leituras da última semana, as quais incluem três encadernados recentes, com um deles republicando HQs clássicas do final da década de 1980.

Uma aula de como ridicularizar personagens

Luke Cage e Punho de Ferro 1 (abr/2017) – Há dois tópicos a se considerar nessa HQ que traz de volta uma união dos heróis que fez grande sucesso nos anos 1970. Primeiro, a química entre os personagens, diferentes por concepção – um é loiro, rico, disciplinado e lutador de kung fu, com poder de centralizar seu chi – a força vital do ser humano – no seu punho e torná-lo tão forte quanto o ferro; o outro é seu oposto: negro, morador de um bairro pobre, ex-ladrão de rua, bruto e com a pele invulnerável – , funciona perfeitamente bem. Por isso, é sempre bom vê-los unidos nesta clássica parceria. As seis histórias são bem humoradas e apelam para o lado irônico da relação entre eles, com diálogos escrachados o tempo inteiro. Nesse ponto, positivo, o encadernado é bacana. O segundo tópico, porém, o buraco é mais embaixo: tem se tornado uma tendência nos quadrinhos da Marvel a ridicularização dos personagens. Antigamente (pronto, senta que lá vem papo de velho!), o único “engraçadinho” era o Homem-Aranha. Mas era a característica do herói e a gente não reclamava porque não faltava ação, drama e emoção nas histórias. Hoje, todo personagem quer ser candidato a uma vaga nA Praça é Nossa e perde sua característica. A velha função de contar uma história que mostre o bem sempre vencendo o mal e ensine que o crime não compensa não existe mais. Hoje, os roteiros primam por ridicularizar os heróis e mostrar que superpoderes são bobagens que não existem na vida real, em histórias vazias e esquecíveis assim que você vira a quarta capa da edição. Em suma, os personagens viraram versões humanas do Pato Donald e companhia. Nesse sentido, me incomodou bastante a descaracterização do Punho de Ferro (um crianção tagarela e retardado, coisa que ele nunca foi) e Luke Cage (o “pé-no-chão” da dupla e, por isso mesmo, ranzinza e resmungão). Ou seja: a revista é divertida, mas é retardada. E ainda tem outro volume vindo aí.

Um álbum feito com o coração sertanejo

Graphic MSP 15 – Chico Bento: Arvorada (abr/2017) – Segundo volume da coleção dedicada ao caipirinha, desta vez a história foge do humor e do realismo fantástico da edição escrita por Gustavo Duarte (veja a nossa crítica aqui) e, nas mãos do quadrinhista Orlandeli, ganha um ar mais lúdico e sensível, sem esquecer do clima bem humorado que é característica do personagem. Com grande simplicidade e uma genialidade incomum, a história viaja por vários tons de narrativa: ora assume um clima descontraído como uma brincadeira de criança para, logo em seguida cair no teor sério de um acontecimento da vida e segue pelo reino da fantasia com a inclusão dos conhecidos personagens das lendas interioranas, tudo conduzido com maestria e sem destoar o roteiro. A arte também contam a história e são de uma beleza e sensibilidade ímpar. Ao final, temos um álbum lindíssimo que entra no ranking das melhores GMSP já lançadas e forte candidata a prêmios literários. Imperdível!

Segredos do passado dos vilões são revelados

Origens Secretas: Os Maiores Vilões de Gotham (abr/2017) – Um produtor de TV resolve “ouvir o outro lado” e, apesar de um aviso noturno do Batman (como só ele é capaz de dar) sobre os perigos da empreitada, realiza um programa entrevistando pessoas ligadas aos principais vilões de Gotham, que contam suas origens. Assim, o leitor fica sabendo de detalhes do passado do Pinguim, Charada e Duas-Caras. Em outra HQ com temática semelhante, um agente do Governo faz uma entrevista com a Hera Venenosa na prisão para saber se ela tem potencial de ingressar no Esquadrão Suicida. A última HQ não tem a ver com origem de nada, mas mostra o Coringa e o Batman participando de uma filmagem do que parece ser uma série de TV. Roteiro nonsense e nada a ver, só pra colocar o Coringa na roda, afinal, ele é o principal nêmese do Batman e não podia faltar na seleção de histórias. De um modo geral, o encadernado é bacana, com leitura rápida (são apenas 92 páginas), mas nada que mereça muitos aplausos – muito embora seja um material bem superior ao que se tem nas bancas atualmente.

Leituras da Semana – Maio (1)

Primeiro final de semana de maio e temos algumas (poucas) leituras bacanas. Encadernados demandam mais tempo para serem lidos, porque têm mais histórias, mas a semana reservou dois arcos – um clássico e o outro, um pouco mais moderno – cheios da ação e momentos marcantes.

O fim de uma era

Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel – Clássicos Vol. XVI – X-Men: À Sombra de Sauron (nov/2016) – Continuando o fascículo anterior, as histórias dos X-Men escritas por Neal Adams, na fase crítica da revista, quando o título estava prestes a ser cancelado no final dos anos 1960 e início dos anos 1970. A qualidade dos roteiros melhorou bastante e criou histórias memoráveis, com os X-Men na Terra Selvagem, encontrando Solaris (que, anos depois, seria integrado à equipe original dos Novos X-Men) e até com uma participação especial de um certo Gigante Verde. Mesmo assim, o título foi cancelado e entrou numa fase de republicações até a metade da década quando foi reformulada e se tornou o fenômeno que conhecemos hoje. De brinde, ainda tem uma HQ que mostra como o Fera ganhou sua aparência bestial. Excelente edição.

Nova coleção

Homem-Aranha – A Coleção Definitiva 1 – Caído entre os Mortos (abr/2017) – A nova coleção da Salvat focada apenas no Amigão da Vizinhança estreia com um arco bem bacana, escrito por Mark Millar, com uma trama mais realista e urbana do herói aracnídeo para o selo Marvel Knights. Um misterioso vilão descobre a identidade secreta do Homem-Aranha e sequestra a Tia May, forçando o jovem a um mergulho no submundo do crime em busca do responsável. Os vilões clássicos como Duende Verde, Electro, Abutre e Dr. Octopus estrelam os seis números compilados neste encadernado que reúne humor, mistério, ação e drama na medida certa para uma boa aventura. Embora a história seja compreensível, ela não tem um final conclusivo e continua no volume 6 da coleção.

 

Leituras da semana – Abril (5)

Encerrando o mês de abril, as leituras desta semana, que inclui o aguardado Renascimento da DC, nova fase da editora do Superman e cia., que tenta resgatar leitores antigos trazendo conceitos que ficaram perdidos desde a estreia de Os Novos 52 em 2011. À exceção de Detective Comics, Liga da Justiça e Lanternas Verdes (que ainda não foram lançadas), fizemos uma análise de todas as edições, para você saber exatamente o que vai encontrar nesse recomeço da editora. Então, vamos lá!

Ei, pare de atirar no meu logotipo!!

Viúva Negra (mar/2017) – Nova fase da espiã russa capitaneada pelo experiente Mark Waid, que foi responsável por um excelente e elogiado período com o Demolidor. Na história, Natasha se vê envolvida com um criminoso que ameaça revelar um grande segredo de seu passado a não ser que ela roube informações da Shield. De uma hora pra outra, a Viúva se vê perseguida pela organização e vista como criminosa – algo corriqueiro na sua atribulada vida. Waid consegue criar uma trama ágil e envolvente usando pouquíssimos diálogos. Na expectativa para o volume 2.

Recomeçando o recomeço. De novo.

Universo DC: Renascimento (mar/2017) – O ponto de partida para mais uma reformulação no Universo DC, resgatando conceitos que foram deixados para trás quando a fase Novos 52 teve início. A história é dividida em quatro capítulos e tem uma narrativa envolvente, mas deixa mais perguntas do que traz respostas. Espera-se que estas sejam respondidas nas séries mensais dos heróis. Como sempre, o pivô de tudo é o Flash – na verdade, o Kid Flash original, Wally West, que volta da Força de Aceleração para tentar restaurar a memória dos heróis sobre o que aconteceu antes do Ponto de Ignição. Destaque para o editorial de Diane Nelson, presidente da DC, dizendo que “os Novos 52 foram um sucesso”. Tanto é verdade que estão voltando os heróis ao que eram antes dessa fase.

Adivinhe quem está na capa?

Homem de Ferro 5 (abr/2017) – Mais duas histórias do Homem de Ferro, com grande destaque para a participação da jovem Riri Willians e a apreensão do povo, que acredita que Tony Stark está morto. A história é dinâmica e tem ótimos diálogos, uma coisa na qual o roteirista Brian Michael Bendis é excelente.

Leitura relâmpago (e o Flash nem está na história)

Cavaleiro das Trevas III – A Raça Superior 7 (abr/2017) – Depois de vários meses de espera, mais um volume desta saga que começou muito bem, mas já dá mostras de falta de assunto. A história é lida em apenas cinco minutos (ou menos) e não tem nenhum roteiro. Texto vazio de tudo, feito apenas para cumprir o protocolo de completar a quantidade de fascículos (o próximo é o último, previsto para maio nos EUA). A minirrevista é Estranhas Aventuras, protagonizada pelo Gavião Negro, Mulher-Gavião e Lanterna Verde.

O verdadeiro Superman está de volta (mas ainda sem cueca)

Superman – Renascimento 1 (abr/2017) – O Superman está morto. E o Superman assume seu lugar. Não entendeu? Nem eu. Mas vamos com calma que dá pra pegar pelo contexto e acompanhar a volta do herói clássico ao Universo DC – ainda que sem a cueca vermelha por cima da calça (mas referenciada numa imagem flashback). O Homem de Aço continua inspirando pessoas e sendo um símbolo de esperança para o planeta, mas agora tem um motivo a mais para ser tudo isso: seu filho Jonathan, a quem precisa ser modelo de integridade.

De volta aos holofotes

Mulher-Maravilha – Renascimento 1 (abr/2017) – Depois de quase 35 anos sem ter um título próprio (excetuando-se as edições especiais), a Princesa Amazona ganha um título só dela. Na trama, a heroína descobre que está vivendo uma mentira e parte em busca de respostas. Apesar de abandonar seu visual Novos 52 e adotar um traje igual ao usado nos cinemas, algumas mudanças da fase anterior permanecem, como Etta Candy negra e Steve Trevor mais jovem. No entanto, fica claro a mistura de versões, como a heroína se questionando se veio do barro (versão anos 80) ou se foi fruto de uma relação entre Hipólita e Zeus (N52). Vamos ver onde isso vai dar.

Gotham tem um novo herói. E não é o Batman.

Batman – Renascimento 1 (abr/2017) – Numa história bem mal explicada (ok, me perdoem, estou voltando pra DC agora, então acho que perdi muita coisa, que espero recuperar no caminho) Batman treina um novo pupilo e enfrenta o Homem-Calendário, que faz, sabe-se lá como, cada dia ser uma estação do ano diferente. E a história termina como começou: sem sentido. Ok, vamos em frente: a segunda HQ é bem dinâmica e mostra o Batman como o grande herói que ele é, salvando um avião de cair no meio de Gotham (sim, já vimos isso antes em todos os filmes do Superman e da Supergirl). O final surpreendente deixa um gosto de quero mais para a próxima edição.

Ação sem limites

Action Comics 1 (Abr/2017) – Ainda tentando entender o motivo de lançar por aqui uma revista com título em inglês (que não seja o nome do personagem, bem entendido), por mais icônico que ele seja, a revista é, como diz o nome, pura ação. Superman primeiro quebra o pau com Luthor, que roubou para si o nome de “superman”. Depois, surge do nada a ameaça do Apocalypse. Como se não bastasse, no meio do público, aparece o repórter Clark Kent. Reviravoltas e mais reviravoltas em duas histórias bombásticas.

Aquaman, mais vivo do que nunca.

Aquaman – A Morte de um Rei (abr/2017) – Terceiro encadernado do Rei dos Mares publicado pela Panini, mas na verdade é o quarto, pois parte das edições entre o volume 2 e este foram publicadas em Liga da Justiça – O Trono da Atlântida. Aliás, a primeira HQ deste volume é a conclusão da saga – mas mesmo quem não leu, vai entender a história normalmente. Como os anteriores, as histórias solo do Aquaman da fase Novos 52 são muito bem escritas e se aprofundam na personalidade do herói, de tal modo que, quem o considera um herói inútil, muda de ideia rapidinho. Nesta trama, o recém-empossado Rei da Atlântida descobre o peso desta responsabilidade, principalmente quando um antigo rei tido como morto há muitos anos, retorna para requisitar o seu posto de volta. E, para derrotá-lo, Aquaman precisa descobrir segredos de seus antepassados. Excelente volume, cheio de ação e boas reviravoltas.

Leituras da Semana – Abril (4)

As leituras desta semana trazem algumas edições de abril, organizando o calendário da Panini, que costumava lançar as edições com um mês de atraso. Além disso, também inclui algumas aquisições do Festival Guia dos Quadrinhos.

Estudar História pode ser divertido.

Saiba Mais – História do Brasil (set/2011) – Uma das aquisições do Festival Guia dos Quadrinhos, esse encadernado reúne sete edições mensais da revista Saiba Mais que, juntas, narram momentos importantes da nossa História, como o Descobrimento do Brasil, Índios, Folclore, Independência do Brasil, Proclamação da República, Imigrantes e Imigração Japonesa. Todas com o humor característico da turminha mais amada do Brasil. Além de divertida, a edição também é didática e educativa. Uma importante colaboração de Mauricio de Sousa para a Educação no País.

Dr. Estranho enfrenta o fim da magia

Doutor Estranho 5 (abr/2017) – As duas aventuras do Mago Supremo mostram o doutor reunindo suas últimas forças contra o destruidor da magia Empirikul. A capa é feia pra dedéu, mas as histórias são bem interessantes.

Briga de família

Thor 3 (abr/2017) – O pau quebra feio quando a poderosa Thor resolve enfrentar Odin. A briga abala todo o Reino Dourado, que entra numa guerra civil cujo resultado só pode terminar em tragédia. A segunda história, no estilo Contos de Asgard narra uma aventura das antigas do poderoso Thor, narrada por Loki. É uma boa história que seria ainda melhor se a arte fosse menos “rupestre”.

Indo aonde ninguém jamais escreveu.

Coleção Mundo Nerd – Como a Cultura Nerd Mudou o Mundo – Vol 1: Star Trek (jun/2016) – Um compêndio de informações sobre a série Star Trek e sua importância para a cultura pop, com bastidores da série de TV e das produções cinematográficas, as outras mídias – livros, animação, HQ – em que a franquia investiu. Um excelente trabalho de pesquisa da equipe da revista Mundo Nerd (que, modéstia à parte, contou com um capítulo escrito por mim) numa coleção de alto nível, que só não é melhor porque o livro não tem capa dura como a Coleção Mundo dos Super-Heróis, lançada poucos tempo antes. Mas a capa cartonada de forma alguma desqualifica a coleção, que até ganha uma identidade própria. É um excelente material para antigos fãs e também para os novos, que desejam ingressar nesse rico universo.

Aventuras espaciais bem humoradas

Guardiões da Galáxia 4 (mar/2017) – Os Guardiões precisam salvar Gamora das mãos de Hala e o Senhor das Estrelas tem um plano. Ou não, para desespero de Rocky. Drax e seu novo amigo Terrax são capturados e forçados a lutar numa arena para diversão de Fin Fang Foom. O destaque fica para o resgato do personagem Torgo, que só os fãs beeeeeeeeeeeem antigos do Quarteto Fantástico vão lembrar. Rocky e Groot jogam futebol com o Homem de Ferro numa HQ que é puro besteirol e não tem nada de útil, mas é diversão pura.

Rocky e Groot são a cara dos personagens Disney

Guardiões da Galáxia 5 (abr/2017) – Mais três HQs com o clima descontraído dos Guardiões. Na primeira, o arco de Hala é encerrado e o Senhor das Estrelas precisa lidar com uma conspiração do Conselho Galáctico para tirá-lo da liderança de Spartax. Na história do Drax, o enfezado personagem enfrenta o poderoso Fin Fang Foom e percebe que ele não é tão casca grossa quanto parece (metaforicamente falando). Já a HQ do Rocky e Groot, passa a impressão de que estamos lendo um gibi do Pato Donald: é engraçada, mas totalmente inútil, feita apenas para divertir. O próprio estilo da arte imita o estilo das HQs da Disney. Teria muito apelo entre o público infantil se fosse lançada em formatinho e como título independente.

O épico da fantasia.

Coleção Mundo Nerd – Como a Cultura Nerd Mudou o Mundo – Vol 2: O Senhor dos Anéis (nov/2016) – Edição primorosa, com tudo o que é necessário para mergulhar no universo criado por J. R. R. Tolkien e se aprofundar em suas criações. Mesmo que não tenha visto os filmes ou lido os livros, a edição esmiúça a característica de cada personagem, dá detalhes de bastidores – tanto do livro como do filme – e explica por quê a obra, escrita de forma tão despretensiosa, modificou a cultura pop e se tornou um épico.