Crítica: Homem-Aranha – De Volta ao Lar

Estreou, em 6 de julho, o primeiro longa-metragem do Homem-Aranha produzido pela Marvel Studios, depois de vários anos nas mãos da Sony. Os direitos do personagem continuam com a distribuidora, fruto de um contrato feito nos anos 1990, para evitar a falência da Marvel, mas um acordo entre os dois estúdios fez com que o aracnídeo pudesse ser feito por quem realmente entende dele, ou seja, sua casa-mãe. E é claro que a Marvel não ia perder a piada: o título Homem-Aranha – De Volta ao Lar (2017) é uma referência clara a esse fato.

“Oi, galera!” Herói estreou ano passado, em plena Guerra Civil.

A estreia do herói se deu brevemente em Capitão América: Guerra Civil (2016) e deixou os fãs empolgados com a divertida participação do Aranha, bastante fiel à sua versão em quadrinhos – ao contrário do que aconteceu nas franquias anteriores, quando foi interpretado por Tobey Maguire (2002-2004-2007) e Andrew Garfield (2012-2014). Em De Volta ao Lar, a história começa com essa participação do jovem Peter Parker (Tom Holland) em Guerra Civil, narrada pelo ponto de vista do rapaz. Ao final da batalha, Tony Stark (Robert Downey Jr.) leva Peter de volta pra casa e deixa com ele o traje tecnológico do Homem-Aranha como um presente (na verdade, uma espécie de pagamento por seus “serviços”. Sim, Tony Stark é um canalha!).

Shocker também causa problemas pro nosso herói

A partir daí, Peter passa a agir na cidade com mais intensidade (ele já agia antes, com um traje caseiro, mas depois de Guerra Civil, se tornou uma celebridade) e esbarra nas atividades do Abutre (Michael Keaton), que agia como traficante de armas baseadas na tecnologia Chitauri, espalhada por Nova York após a batalha contra os Vingadores, mostrada no filme de 2012. Junto a ele estão o Consertador (Michael Chernus), responsável pela construção dos equipamentos, e o Shocker (Logan Marshall-Green e Bokeen Woodbine – vendo o filme, vão entender o motivo de ter dois atores para o mesmo personagem), seu capanga.

Betty, Flash, Liz, Ned, Michelle e Peter: amigos do peito.

Enquanto tenta provar que é um super-herói capaz de solucionar o crime na sua cidade e fazer uma média com Stark, Peter gasta o restante de seu tempo com problemas típicos de qualquer adolescente: os estudos no colégio Midtown, a paixão contida por Liz Allen (Laura Harrier), a amizade nerd com Ned Leeds (Jacob Batalon) e a rivalidade com Flash Thompson (Tony Revolori). Isso até o Abutre decidir que o Homem-Aranha é um incômodo que precisa ser eliminado.

“Não tente brilhar mais que eu nesse filme, pirralho!”

Ao contrário do que transpareceu nos trailers, o filme não é uma espécie de Homem de Ferro 4 e a participação do Vingador Dourado está ali apenas como apoio mesmo. O astro é o Homem-Aranha, como pede o título, e o filme resgata a jovialidade das primeiras aventuras do personagem, com muito bom humor e trata o aracnídeo como o adolescente que era em início de carreira – mas adaptado aos dias atuais, com muita tecnologia de celulares e Internet. Longe de (re) contar a origem do Homem-Aranha, que todos já estão carecas de saber, a trama vai direto à ação e brinca com toda inexperiência do rapaz. Imagine um garoto de 15 anos que, de repente ganhasse habilidades fantásticas… Não tem nada de “grandes poderes e grandes responsabilidades”: o que Peter quer é fazer o que é certo e ajudar as pessoas usando seus superpoderes – o que nem sempre dá muito certo. E é aí que está a graça da coisa.

“Eu só queria ajudar…”

Para os fãs puristas, o novo Homem-Aranha, embora seja o mais próximo dos quadrinhos já apresentado nos últimos 15 anos (40 anos, se considerarmos também a versão da série de TV), ainda não é o herói ideal. No filme, Peter é um perfeito pateta e, na maioria das vezes, causa mais dano do que ajuda (sabe a cena do navio partido ao meio mostrado no trailer? Pois é…). Essa versão poderia atuar junto com o Superman de Henry Cavill e concorrer a quem destrói mais a cidade tentando salvá-la. O humor do filme não está nas tiradas geniais que o herói sempre teve durante suas lutas, mas sim nas trapalhadas que ele provoca ou nas situações em se envolve, quase como um Jim Levenstein, o protagonista da franquia American Pie.

Escalando a pilha de referências.

O fato é que o tom do filme puxou bastante para uma comédia juvenil, muito mais do que para uma aventura de super-heróis, fruto das inspirações do próprio diretor Jon Watts, que assumiu ser fã dos filmes do roteirista e diretor John Hughes, como Curtindo a Vida Adoidado (1986). Não chega a ser um incômodo – ao contrário, é um filme leve e divertido de se ver, com um roteiro inteligente e muito bem conduzido, capaz de encaixar o herói dentro do Universo Cinematográfico da Marvel com referências desde a Homem de Ferro (2008), passando por Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), além dos dois longas dos Vingadores (2012-2015) e o óbvio Guerra Civil. Referências aos quadrinhos são inúmeras e deliciosas de se encontrar e vão desde personagens a fatos históricos da carreira do herói aracnídeo.

Michael Keaton dá um show

Sobre Michael Keaton, interpretando o Abutre, há pouco a se dizer além de que o ator é perfeito e merece o título de Lord of the Wings (Senhor das Asas, piada que tem circulado na Internet e cuja tradução perde a referência a Lord of The Rings, o Senhor dos Anéis). Um único porém é o modo como seu personagem é caracterizado, parecendo mais um Norman Osborn genérico, pelas características mostradas no filme e que não vamos dizer quais são para não revelar spoilers. No entanto, esses defeitos passam batido no contexto geral e o Abutre é, talvez, um dos melhores vilões dos filmes da Marvel, ao lado do Dr. Octopus de Alfred Molina. Uma verdadeira ameaça, com motivações sólidas e não apenas um desejo inexplicável de dominar o mundo.

“Bem-vindo de volta, parceiro. Você fez falta.”

Mesmo com esses poucos defeitos, Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um mais que bem-vindo retorno do Cabeça-de-Teia à Casa das Idéias, numa aventura totalmente integrada ao Universo Marvel e boas chances de gerar novas continuações de sucesso. Por enquanto, vamos nos contentar com a participação do Aranha nas duas partes de Vingadores: Guerra Infinita (2018/2019), que, esperamos, seja bem explorada. Finalmente, o Homem-Aranha voltou pra casa (mesmo que emprestado) e pode mostrar a todos o porquê dele ser o mais popular de todos os super-heróis.

Cotação: 

Trailer: Homem-Aranha – De Volta ao Lar

Ontem estreou o trailer de Homem-Aranha – De Volta ao Lar, filme que chega aos cinemas brasileiros em 6 de julho (um dia antes dos Estados Unidos). No trailer, o destaque vai para o resgate do humor do personagem, que foi deixado de escanteio nas franquias anteriores, além da presença do Homem de Ferro, que parece agir como um mentor para o jovem herói. Ao que tudo indica, o Homem-Aranha terá que provar para si mesmo e para o Vingador Dourado que é digno de pertencer ao rol dos super-heróis. Veja abaixo o vídeo:

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é estrelado por Tom Holland (Peter Parker/Homem-Aranha), Marisa Tomei (Tia May), Robert Downey Jr. (Tony Stark/Homem de Ferro) e Michael Keaton (Abutre). O filme é distribuído pela Sony Pictures em parceria com a Marvel Studios.