Piratas do Caribe 5: Jack Sparrow perde sua voz

No dia 25 de maio, estreia nos cinemas de todo Brasil o filme Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales, 2017), quinto filme da franquia, novamente trazendo o astro Johnny Depp na pele do pirata Jack Sparrow. Desta vez, porém,  os fãs da franquia terão uma voz diferente para o personagem, visto que o dublador Marco Antônio Costa – voz oficial de Johnny Depp no Brasil desde os tempos de A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984) – foi afastado do papel que exercia há tanto tempo.

A polêmica se espalhou pelas redes sociais, com centenas de fãs revoltados pela decisão da Disney em trocar a dublagem justamente no último filme da franquia (e, como se não bastasse, Costa dubla os trailers, que estão em exibição nos cinemas). Por isso, convocamos nosso parceiro Júnior Batson, um entusiasta e verdadeiro fã de dublagem, para escrever esta matéria sobre os bastidores dessa briga. Em sua estreia em nosso blox, Batson usou a sabedoria de Salomão e a velocidade de Mercúrio para ir atrás de Costa e trazer mais informações sobre os fatos, a fim de esclarecer a boataria que circula pelas redes. Assim sendo, passamos a palavra a nosso colaborador e seu entrevistado.

Dando uma passadinha na escola mutante para deixar meu artigo.

Cale a boca, pirata!

(por Júnior Batson)

Que o Capitão Jack Sparrow incomoda muita gente no universo da franquia Piratas do Caribe, todo mundo sabe. O que ninguém esperava é que conseguissem calá-lo, ou, ao menos, tirar sua clássica voz de circulação. Seria um embuste de algum ressentido vilão? Algum emissário da Companhia das Índias Orientais que teve êxito nessa tarefa? Não! A responsável por tal façanha foi a própria Disney! Conflitos de entendimento de cachê impossibilitaram a escalação do dublador Marco Antônio Costa, já consagrado como a voz de Johnny Depp, tanto nos filmes da franquia Piratas do Caribe como nos outros filmes protagonizados pelo ator (o artista dubla a voz de Depp desde seu debut no cinema  também na tevê, na série Anjos da Lei (21th Jump Street, 1987-1990).

Marco Antônio Costa é (ou era) a voz oficial de Jack Sparrow no Brasil

Segundo Costa, ele foi substituído na escalação do elenco de dublagem de Piratas do Caribe – A vingança de Salazar, o quinto filme da franquia, por ter solicitado um cachê diferenciado para exercer o papel. O dublador reclama de uma certa arbitrariedade por parte dos Estúdios Disney com relação à classe: pagam R$ 80 mil a um youtuber famoso que fica apenas 40 minutos dentro de um estúdio, enquanto se recusam a pagar um cachê diferenciado (mas infinitamente menor) a um dublador já consagrado, que, além de estar contribuindo ainda mais para a popularidade do personagem e com a divulgação do filme, gasta, em média, oito horas de trabalho.

O último filme da franquia terá um pirata com voz diferente das anteriores

A mesma situação quase aconteceu em 2007, por ocasião da dublagem do terceiro episódio da franquia, mas Costa conseguiu chegar a um acordo com a Disney. No entanto, ficou sabendo que o dublador alemão Marcus Off (que também faz a voz de Depp naquele país) foi vítima de um boicote semelhante e processou a empresa por isso. Segundo Off, a Disney não considera os dubladores como parte do elenco de artistas criativos e apenas paga o que é tabelado. Porém, conseguiu que a Suprema Corte alemã decidisse a seu favor, chancelando que o dublador realmente faz parte do processo criativo de um filme.

Minha cara, quando trocam a dublagem do meu personagem preferido.

Causa ganha, mas houve uma consequência: Off foi colocado numa espécie de lista negra entre os grandes distribuidores cinematográficos norte-americanos e em um dos estúdios de dublagem alemães. Costa reconhece como louvável a atitude do dublador alemão e diverte-se ao dizer que, caso também seja boicotado de alguma forma, entrará em contato com o colega de trabalho alemão a fim de tirar algumas dúvidas sobre como tomar atitudes legais.

É uma prática comum usar nomes que estão na mídia para ganhar popularidade. Michel Teló dublou uma frase de “Universidade Monstros”

Quanto ao filme, é reconhecido o aumento da procura por produções dubladas nos cinemas nacionais, assim como o aumento da qualidade da dublagem em si, seja com traduções bem feitas ou com elencos bem escalados. O que, no ramo da dublagem, é chamado de “boneco” (atores ou personagens majoritariamente dublados pela mesma pessoa) também tem sido honrado e é de se estranhar uma empresa do porte da Disney não concordar com o pagamento de um cachê que valorize esses profissionais com tantos anos de experiência.

Outros atores e personagens dublados por Marco Antônio Costa

Para Costa, o valor pedido não é abusivo nem fora do praticado no mercado, mas apenas o que considera justo por seu trabalho. “Poxa, se um youtuber tem 10 milhões de seguidores, Jack Sparrow tem muito mais. Creio que mais de 30 milhões de pessoas já assistiram ao Jack Sparrow com a minha voz! Então, em comparação, tenho mais “seguidores”, apenas não fico no You Tube perdendo tempo porque sou muito ocupado, pois além de dublador, sou locutor e ainda atuo como médico”, determina ele. A Disney foi procurada, por meio de sua assessoria de Imprensa, para dar sua versão para o caso, mas não respondeu aos nossos emails.

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Crítica (em vídeo): A Bela e a Fera

Nesta semana, chega aos cinemas de todo o Brasil, o mais novo longa-metragem da Disney Studios: A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, 2017), adaptação do conto de fadas escrito em 1740 pela Madame de Villeneuve e adaptado pela própria Disney em 1991 num desenho animado que revolucionou a história do estúdio. O filme com atores traz Emma Watson no papel de Bela, Dan Stevens representando a Fera, Luke Evans como Gaston e grande elenco. Estreia em 16 de março. Veja nossa crítica no vídeo abaixo:

Cotação:   

Crítica (em vídeo): Moana – Um Mar de Aventuras

blog-abreEstreia nesta quinta, dia 5 de janeiro, a mais recente animação dos Estúdios Disney : Moana – Um Mar de Aventuras, com a nova heroína do estúdio, uma adolescente habitante das ilhas polinésias dublada pela atriz Auli’i Cravalho. Moana é a 56ª. animação dos Estúdios Disney e promete esquentar ainda mais o verão brasileiro e animar as férias da garotada. Veja nossa crítica em vídeo (sem spoilers!):

Cotação: blog-cotacaomoana

Veja também o trailer completo de Moana:

Crítica: Zootopia

blog abreA mais recente produção da Disney chega aos cinemas esta semana. O filme Zootopia – Essa Cidade é o Bicho apresenta um universo repleto de animais falantes, protagonizado pela coelha Judy (voz de Mônica Iozzi na versão nacional e Ginnifer Goodwin no original) e pelo “raposo” Nick Wilde (dublado por Rodrigo Lombardi no Brasil e Jason Bateman nos Estados Unidos). Trata-se do 55º. longa animado dos estúdios Disney, dirigido por Brian Howard (Bolt, o Supercão, 2008) e Rich Moore (Detona Ralph, 2012).

Judy foi para Zootopia para realizar o sonho de ser policial

Judy foi para Zootopia para realizar o sonho de ser policial

Apesar da diversidade de raças, os animais convivem pacificamente e o conceito de predador e presa é apenas uma memória distante narrada nas aulas de história. É exatamente este o fio condutor da história. A coelha Judy possui um forte senso de justiça e, desde criança, sempre acalentou o sonho de ser policial, mas por conta de sua baixa estatura era motivo de chacota entre seus colegas. No entanto, a determinação a faz migrar para a capital assim que se tornou adulta e ingressar na corporação, passando com louvor no teste de admissão.

Judy é obrigada a fazer uma parceria com o malandro Nick

Judy é obrigada a fazer uma parceria com o malandro Nick

No entanto, a recruta é designada para cuidar do trânsito, um trabalho dado apenas a oficiais menos capacitados. Decidida a dar o seu melhor, Judy conhece o raposo Nick, um malandro trapaceiro que se aproveita da ingenuidade alheia para progredir na vida. Judy tenta enquadrar Nick, mas a esperta raposa consegue se desvencilhar e ainda humilha a policial. No entanto, uma onda de misteriosos ataques de selvageria começa a assolar os cidadãos de Zootopia e os predadores passam a ser hostilizados. Judy decide investigar por conta própria, mas para isso, vai precisar da esperteza de Nick para ajudá-la e os dois formam uma parceria forçada.

Preguiça em repartição pública. Qualquer semelhança...

Preguiça em repartição pública. Qualquer semelhança…

Dessa parceria é que surgem as engraçadas situações do filme, como a consulta na repartição pública cujos funcionários são bichos-preguiça. Enquanto corre contra o tempo para descobrir o motivo do surto de selvageria, Judy também enfrenta o preconceito do Chefe Bogo, um búfalo mau humorado que é seu superior na delegacia. Mas, como conquistou a simpatia da vice-prefeita, a ovelha Bellwether, algumas portas se abrem com mais facilidade.

Vice-prefeita Bellwheter: dócil como uma ovelha.

Vice-prefeita Bellwheter: dócil como uma ovelha.

Além das situações hilárias que Judy e Nick se envolvem, o roteiro ainda trata com autenticidade as questões legislativas, com citações das infrações cometidas por Nick e suas implicações legais, bem como as brechas que permitem burlar as leis. Fora isso, a caracterização dos personagens é tão rigorosamente fiel que até o tamanho proporcional de cada bicho é respeitado. E as referências a produções como O Poderoso Chefão, Robin Hood, Breaking Bad e outros também são uma diversão à parte.

Shakira dá vida á cantora pop Gazelle.

Shakira dá vida á cantora pop Gazelle.

O filme conta também com a participação da cantora Shakira cantando a música tema do filme Try Everything e interpretando a cantora pop Gazelle, que é… bem… uma gazela. A variedade de animais e personalidades destes certamente vão fazer a alegria da criançada, mas os pais vão curtir mesmo é a seriedade da mensagem contra o preconceito existente no filme. Afinal, Judy sofria bullying na infância, foi desacreditada entre os seus amigos e familiares por conta de seu tamanho e, mesmo assim, superou esses problemas.

Policial Garramansa vai arrancar boas risadas.

Policial Garramansa vai arrancar boas risadas.

Ao mesmo tempo, a questão da diversidade também está presente, pois cada animal tem seu tamanho e sua personalidade e todos convivem em harmonia, sem a necessidade de um precisar “comer” o outro, como rege a lei natural. É possível superar as diferenças e respeitar as características dos outros, que, na maioria das vezes, complementam aquelas que nos faltam. Zootopia é leve, divertido, inteligente. Um daqueles filmes que dá prazer assistir e nos faz sair do cinema com um sorriso no rosto. A Disney conseguiu criar mais uma obra-prima. E sem ter uma princesa no papel principal.

Cotação: blog cotaçãozootopia

 

Crítica: Cinderela

blog abreHá pouco a ser dito sobre Cinderela (Cinderella, 2015), o novo longa-metragem da Disney, que estreia no dia 26 de março e adapta o conto de fadas de Charles Perrault, exceto que ele reinventa o clássico desenho animado da própria Disney, lançado em 1950, mas desta vez com atores reais. Contudo, nesta adaptação, a Disney optou por se manter fiel à trama original, diferente do que fez com Malévola (2014), onde recontou a história da Bela Adormecida sobre o ponto de vista da vilã e a transformou em anti-heroína (leia a crítica aqui), e em Caminhos da Floresta (2015), onde Cinderela calça sapatos dourados ao invés de cristal, além do príncipe ter pouco de encantado (leia a crítica aqui).

Cinco patinhos foram passear. Música da Xuxa vai parar nas telonas. Não, pera...

Cinco patinhos foram passear. Música da Xuxa vai parar nas telonas. Não, pera…

Não que isso seja um defeito, pelo contrário. Particularmente, creio que as releituras são sempre positivas, no sentido de explorar um ângulo da história não visto antes, mas a magia do conto original ainda é importante, pois não podemos nos esquecer do objetivo dessas histórias: transmitir um ensinamento aplicável na vida real. Não é à toa que os contos de fada são imortais e vêm sendo contados e recontados de geração em geração.

A Hidra jamais me descobrirá nesse disfarce de camponesa.

A Hidra jamais me descobrirá nesse disfarce de camponesa.

Mas voltando ao filme: a história explora muito mais o relacionamento de Ella (Lily James) – sim, a jovem tem um nome! – e seus pais, interpretados por Ben Chaplin e Hayley Atwell, a Agente Carter da série de TV. É ela quem ensina a filha a sonhar, acreditar em fadas-madrinhas e, principalmente, a ter coragem e ser gentil – frase que se torna um mantra, mais ou menos como “grandes poderes trazem grandes responsabilidades” ensinado ao jovem Peter Parker, antes dele se tornar o Homem-Aranha.

Madrasta chegando para causar.

Madrasta chegando para causar.

Um belo dia, sua mãe morre e o pai casa-se novamente, dando à jovem uma madrasta (Cate Blanchet) e duas irmãs: Drisella (Shophie McShera) e Anastasia (Holliday Grainger). Ambiciosa e cheia de si, o trio de mulheres, logo de cara, começa a abusar da bondade de Ella e a situação fica pior assim que o pai da jovem também morre. A partir daí, passam a tratá-la como uma criada e até colocaram-lhe o apelido de Cinderela – não vou contar o motivo. Vai que você é a Bela Adormecida e esteve hibernando nos últimos 65 anos…

Drisella e Anastasia: futilidade em dose dupla e cores invertidas.

Drisella e Anastasia: futilidade em dose dupla e cores invertidas.

Cinderela nunca reclamava e distraía-se cantando e conversando com seus amigos animais: um ganso e quatro ratinhos, a quem precisava proteger dos ataques de Lúcifer, o gato da madrasta – aí entra o trabalho da empresa Rodeo FX, responsável pelos efeitos visuais na criação dos ratos por computação gráfica. Tudo muda quando ela conhece o príncipe Kit (Richard Madden, de Game of Thrones), se apaixona e é correspondida. Com a perspectiva do amor verdadeiro, Cinderela ganha um incentivo para lutar por sua felicidade e sair das garras da madrasta cruel – se ela deixar, evidentemente.

"Volte antes da meia-noite ou a magia acabará!" E você achando que sua mãe é chata e exigente...

“Volte antes da meia-noite ou a magia acabará!” E você achando que sua mãe é chata e exigente…

As interpretações por vezes soam caricatas e extremistas – Cinderela é excessivamente boa, a Madrasta é excessivamente má e suas filhas são excessivamente fúteis. Tudo no superlativo, para destacar as características de cada personagem. Talvez tenha faltado um pouco mais de realismo – um pouco só, para não estragar a história, como aconteceu em Malévola – mas nada que atrapalhe a diversão. A cena com a participação da Fada-madrinha (a ótima Helena Bonham Carter) e a transformação da abóbora em carruagem, dos ratos em cavalos e o vestido de Cinderela são momentos mágicos e cheios de poesia, como só a Disney sabe fazer. Além disso, remetem ao desenho animado – até a palavra mágica Bibidi-Babidi-Bu foi mantida.

Senhorita, conceda-me o prazer desta dança?

Senhorita, conceda-me o prazer desta dança?

Para finalizar, Cinderela é um filme que traz uma história conhecida com poucas novidades, mas que encanta como se fosse a primeira vez. O figurino belíssimo enche os olhos e a trama resgata o sonho e a fantasia que ficaram perdidos em algum lugar do passado. Algo que está fazendo muita falta em nossos dias tão conturbados. Além, é claro, de nos ensinar que coragem e gentileza podem não ser ingredientes da felicidade, mas certamente colaboram para fazer a vida um pouco melhor.

Elsa pega uma gripe e percebe que o frio pode, sim, incomodar.

Elsa pega uma gripe e percebe que o frio pode, sim, incomodar.

Ah, sim! Já ia esquecendo: o curta-metragem Frozen: Febre Congelante, exibido antes do filme, é uma graça. Elsa pega uma gripe enquanto prepara uma festa de aniversário para sua irmã Anna e, a cada espirro – e sem que ela perceba – cria vários bonecos de neve, os Snowgies, que Olaf considera seus irmãos menores. O curta apresenta também uma nova canção, Making Today a Perfect Day (Fazendo de Hoje um Dia Perfeito), que não tem o mesmo encanto de Let it Go, mas promete se tornar o novo hit da garotada.

Cotação: blog cotação cinderela

É dia de Rock, bebê!

Capa divulgada pelo Planeta Gibi

Capa divulgada pelo Planeta Gibi

A primeira edição do Disney Temático de 2015 abordará histórias sobre Rock e outros ritmos musicais. A capa da edição foi divulgada pelo site Planeta Gibi e mostra o Mickey numa pose que imita uma das cenas mais clássicas de Fred Mercury. Já o índice da edição lembra uma capa de LP. Yeah!

Crítica: Operação Big Hero

blog abreNormalmente, as marcas da Marvel e da Disney, por si só, já atraem multidões ao cinema. Se elas são colocadas juntas, então, a possibilidade de sucesso imediato é praticamente certa. É o caso do filme Operação Big Hero (Big Hero 6, 2014), que chega aos cinemas brasileiros em 25 de Dezembro. A convite da Disney, tivemos acesso a uma versão original, em inglês e sem legendas na data de ontem e trazemos as primeiras impressões. Curiosamente, a produtora optou por não dar destaque à Marvel na animação. Eles não escondem a origem dos personagens, mas também não promovem, provavelmente para manter o perfil de produção “disneyana” – e, há que se reconhecer, filme que tem a assinatura da Disney não precisa de outra marca para se autopromover.

Equipe surgiu nas HQs da Marvel.

Equipe surgiu nas HQs da Marvel.

De qualquer forma, Big Hero 6 surgiu como quadrinhos da Marvel em uma minissérie escrita por Scott Lobdel e ilustrada por Gus Vasquez. Era um grupo bem diferente do visto no cinema, que incluía o ex-x-man Solaris e o ex-terrorista Samurai de Prata. Ao longo dos anos, o grupo mudou e incluiu novos personagens até adquirir a formação que veremos nas telas. No cinema, os personagens ganharam características com a cara da Disney, mais infantilizadas, mas respeitando seu perfil original.

Hiro é um garoto gênio que cria microbôs para uma feira de ciências

Hiro é um garoto gênio que cria microbôs para uma feira de ciências

O filme tem início com uma apresentação do garoto Hiro Hamada, que logo de cara, já mostra o quanto é esperto e genial (dizer mais que isso é estragar a surpresa). Aos poucos, somos apresentados aos outros personagens da história: Tadashi, irmão mais velho de Hiro, desenvolve um robô-enfermeiro para cuidar da saúde das pessoas.  Como sabe da genialidade do jovem Hiro, Tadashi o leva até o Instituto de Tecnologia de Fransókyo – a cidade fictícia onde se passa a trama – e o apresenta a seus amigos Go Go Tomago, criadora dos discos Maglev, Honey Lemon, química que desenvolveu esferas coloridas que mudam de propriedade em contato com o ar; Wasabi, criador de lâminas de plasma capazes de cortar qualquer coisa; o aloprado Fred, fã de quadrinhos de monstros e o Professor Callaghan, chefe e mentor de Tadashi no Instituto.

Yokai rouba os microbôs e usa para o mal.

Yokai rouba os microbôs e usa para o mal.

Por influência do irmão, Hiro se inscreve numa feira científica e apresenta uma criação sua: os microbôs, pequenos mecanismos controlados por ondas mentais que podem se juntar e assumir qualquer forma. No entanto, um acidente na feira causa a morte de Tadashi e, pouco tempo depois, Hiro descobre que seus microbôs estão sendo produzidos em larga escala por um misterioso mascarado chamado Yokai com objetivos criminosos. Assim, junta-se a seus novos amigos e cria uma equipe de super-heróis para derrotar o vilão.

Baymax é o coração do filme e vai levar muito marmanjo às lágrimas.

Baymax é o coração do filme e vai levar muito marmanjo às lágrimas.

Operação Big Hero tem um ritmo acelerado e ação constante, com ótimas piadas no momento certo. A maioria delas, protagonizada pelo robô Baymax, que é a alma do filme, da mesma forma como Groot o foi em Guardiões da Galáxia (2014). Aliás, é uma marca registrada da Disney destacam o lado humano em personagens que não são humanos, sejam animais, criaturas míticas ou robôs. Baymax é puro, inocente e seu jeito autômato proporciona boas risadas além de momentos de extrema ternura que, facilmente, podem levar às lágrimas.

Os Big Hero 6: antes e depois

Os Big Hero 6: antes e depois

O filme peca pela falta de profundidade do vilão. É obvio que, como não é o protagonista, a trama não perde muito tempo com ele, mas deixá-lo apenas como um trampolim para os heróis agirem fará com que, a curto prazo, ele mal seja lembrado, diferentemente do caráter permanente dos outros vilões Disney, como Malévola, Jafar, Cruela, Capitão Gancho e tantos outros. Mas isso certamente não é motivo para prejudicar ou atrapalhar a diversão.

"Olá. Eu sou Baymax. Pelo bem da sua saúde, fique na sala após o fim do filme."

“Olá. Eu sou Baymax. Pelo bem da sua saúde, fique na sala após o fim do filme.”

A animação traz várias homenagens e “participações especiais” que são uma agradável surpresa. Inclusive, uma cena pós-crédito deixa claro o DNA da Marvel na produção. Aliás, até os créditos são importantes pois trazem imagens que complementam a trama. Creia-me: sair na sala antes das luzes se acenderem é perder boa parte da diversão. Apenas o 3-D é dispensável. Opte pela versão tradicional e economize para as pipocas.

Curta-metragem faz o fofômetro disparar freneticamente.

Curta-metragem faz o fofômetro disparar freneticamente.

Por fim, já que falamos do “depois”, vamos falar também do “antes”: O Banquete (Feast, no original), o curta-metragem que antecede o filme, é, por si só, um espetáculo. Sob o ponto de vista de um cachorro, a pequena história mostra o quão geniais são os roteiristas da Disney. Não é por acaso que a empresa é a número 1 em animações desde que um certo rato de calças curtas surgiu no primeiro desenho sonoro da História. Operação Big Hero está longe de superar Frozen nas bilheterias, mas tem tudo para ser a melhor animação do verão. Um ótimo presente de Natal para as crianças.

Cotação: blog cotaçãobig hero