Sequência Favorita 02: Demolidor – O Homem sem Medo

A versão cinematográfica do Demolidor não é o que se pode chamar de unanimidade. O longa de 2003 dividiu os fãs e fez valer a máxima do “ame-o ou deixe-o”. Eu, particularmente, considero o filme bem simpático e fiel aos quadrinhos. Claro que não é nenhuma obra-prima do cinema e, sim, tem alguns momentos bem constrangedores – a luta no parque de diversões é o exemplo clássico – mas, de um modo geral, o filme cumpriu seu papel de apresentar o personagem ao público que não acompanha HQs e mostrar que a Marvel tem heróis bem bacanas em seu segundo escalão.

O filme tem seus defeitos, mas também foi bastante fiel às HQs.

Com Ben Affleck no papel do herói cego e Jennifer Garner como Elektra, a namorada do herói (pouco tempo depois, Garner se tornaria a esposa de Affleck, no melhor estilo da vida que imita a arte), o longa reservou para o casal uma cena cheia de romantismo e magia, que ganha mais sentimento com a versão instrumental música My Immortal, do grupo Evanescense, tocada ao fundo. A cena em questão é a chamada “cena da chuva”, na qual Matt Murdock leva sua amada para o terraço de um prédio onde ele costumava ficar quando criança. 

Uma linda cena de amor com efeitos especiais que emocionam

Quando Elektra diz que precisa ir, Matt pede que ela fique mais um momento, até que comece a chover, pois queria “vê-la” por meio das vibrações provocadas pelos pingos da chuva em seu rosto e captadas por sistema de radar do advogado. A forma como isso é mostrado no filme é repleto de poesia, num efeito especial simples, mas de beleza ímpar. O efeito se repete na cena do funeral do pai de Elektra (deve ser alguma norma de Hollywood que todo funeral tenha chuva), desta vez com My Immortal cantada e um extra: Elektra abre um guarda-chuva e seu rosto desaparece no radar de Matt. Genial!

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Xeretando: A série não lançada do Demolidor

Estamos lançando uma nova seção no nosso blox, que trará uma série de curiosidades sobre quadrinhos, cinema, TV e tudo que envolve o universo da cultura pop em informações pouco (ou nada) divulgadas. Para estrear a seção Xeretando, você sabia que o Demolidor quase teve uma série de TV estrelada pela esposa do cantor David Bowie como Viúva Negra? Pois é… Se hoje todos estamos muito satisfeitos com o rumo que a Netflix deu ao herói cego da Cozinha do Inferno, nem sempre a Marvel esteve no auge de produções de qualidade.

Uma foto para registrar… e mais nada.

O ano era 1975 e, nos quadrinhos, o Demolidor vivia, já há alguns meses, uma fase em que dividia suas histórias com a Viúva Negra, numa parceria que ia além do combate ao crime (os dois heróis também tiveram um romance). Interessada na personagem, Angela Bowie, esposa do roqueiro David Bowie, entrou em contato com Stan Lee e pediu autorização para produzir uma série de TV do Homem sem Medo, estrelada por ela própria como a espiã russa. Lee deu sinal verde para o projeto e a “atriz” teve os direitos por um ano. Ela chegou a fazer imagens promocionais, fantasiada de Viúva Negra, ao lado do ator Ben Carruthers como Demolidor.

Primeira versão live-action do Demolidor (bem… mais ou menos…)

Considerada muito cara para ser produzida, a série não passou disso. O Demolidor só seria adaptado para live-action em 1989, quando o ator Bill Bixby incluiu o herói no telefilme O Julgamento do Incrível Hulk. Interpretado pelo ator Rex Smith (da série Moto Laser), o Demolidor tinha um visual que pouco lembrava o dos quadrinhos, com um uniforme todo preto e máscara sem abertura para os olhos. Curiosamente, este visual seria usado por Frank Miller na minissérie O Homem sem Medo (1993).

Continuaremos xeretando pelo universo pop e, em breve, traremos mais curiosidades. Agradecimentos ao amigo Júnior Batson pela batalha na escolha do nome desta seção.

Crítica: Os Defensores

Estreou ontem na Netflix a aguardada série Os Defensores, que conclui a primeira fase das séries do canal streaming em parceria com a Marvel Studios. Após duas temporadas de Demolidor (2015-2016) e uma de Jessica Jones (2015), Luke Cage (2016) e Punho de Ferro (2017), a série reúne os heróis numa conspiração criada pelo Tentáculo, organização criminosa que esteve presente nas séries anteriores. O elenco secundário de todas as séries tem participação em algum momento, mostrando uma coesão minuciosamente organizada, para dar aos fãs a sensação perfeita de que os heróis fazem parte do mesmo universo.

Estreia dos heróis unidos pela casualidade

Nos quadrinhos, a equipe dos Defensores estreou na revista Marvel Feature 1 (1971) e é formada pelo Dr. Estranho, Hulk e Namor, que se uniram casualmente para combater uma ameaça comum. Mais tarde, juntaram-se ao grupo o Surfista Prateado, Valquíria e Gavião Noturno. Diferente das outras superequipes, como Vingadores ou X-Men, os Defensores não reúnem numa sede com computadores e dali decidem suas ações heroicas. Cada herói vive sua vida particularmente e eles só se juntam quando a ocasião assim o exige.

Daniel é parceiro de Luke, que ama Jessica, que é defendida por Matt, que luta contra o Tentáculo, assim como Daniel. Nada em comum?

Essa premissa permitiu que a equipe tivesse várias formações diferentes ao longo dos anos e, dessa forma, deu abertura para que ganhasse uma conotação totalmente renovada na TV, unindo os heróis das séries independentes que, teoricamente, nada têm em comum, mas cujas habilidades se completam, como nas HQs. Mais enxuta que as séries anteriores, Os Defensores possui apenas oito episódios (contra treze de cada uma de suas antecessoras) e, para fazermos esta crítica, assistimos os cinco primeiros.

Não, um elevador não é uma boa sede para superequipes

O que vimos foi um roteiro primorosamente escrito, que começa lidando individualmente com cada personagem, criando as ramificações para a união deles. A série começa com o Punho de Ferro (Finn Jones) numa luta com uma assassina misteriosa a serviço do Tentáculo. As pistas o levam a Nova York. Matt Murdock (Charlie Cox), aposentado de sua carreira heroica de Demolidor, atua apenas como advogado. Jessica Jones (Krysten Ritter) é procurada por uma esposa preocupada com seu marido e vai investigar o paradeiro dele após receber uma ligação misteriosa. Luke Cage (Mike Colter) sai da prisão após a ação de Foggy Nelson, advogado e ex-parceiro de Matt, e logo se mete numa investigação do envolvimento de um jovem no que ele pensa ser o tráfico de drogas no Harlem.

Alexandra: vilão com profundidade e boa motivação.

Nesse cenário, surge Alexandra (Sigourney Weaver), uma poderosa líder da organização, que provoca um terremoto na cidade para forçar o Punho de Ferro a se revelar. A confusão provocada pelo abalo sísmico e as investigações particulares de cada herói culminam na reunião casual deles contra os assassinos do Tentáculo e, apesar da apatia inicial, eles logo entendem que precisam se unir se quiserem ser fortes suficientes para desmantelar a seita, principalmente após a chegada de Stick (Scott Glenn), que serve de guru para o grupo. É brilhante a forma como a união acontece, pois tudo se encaixa, como um grande quebra-cabeças, unindo elementos das quatro séries e dando sentido ao contexto.

Stick é o mentor da equipe

A série segue num nível que melhora a cada episódio, com um primeiro capítulo morno, onde os fatos e os personagens são apresentados, um segundo melhor (com o primeiro encontro de Luke Cage e Punho de Ferro, para delírio dos fãs de quadrinhos, já que a dupla formou uma parceria bastante famosa no final da década de 1970), um terceiro melhor ainda e assim por diante. Cada episódio é repleto de bons momentos e ótimas atuações, principalmente pela veterana Sigourney Weaver, que consegue transformar uma personagem insossa e criada exclusivamente para a série numa vilã com motivação e profundidade.

Luta no corredor: uma característica das séries Netflix.

O texto dá espaço para que cada herói tenha o seu momento e o elenco auxiliar também tem sua relevância na história e não estão ali apenas para cumprir um contrato. Um problema que poderia ser melhorado está na descrição das legendas, que muitas vezes utiliza nomes em inglês – caso do vilão Cascavel (da série Luke Cage) que é mencionado com seu nome original, Diamondback – ou mal traduzidos, demonstrando uma falta de pesquisa e conhecimento dos personagens.

Sim, a Marvel vai ressuscitar a equipe nas HQs em sua formação da TV.

As séries individuais dos heróis dividiram as opiniões – exceção feita ao Demolidor, que manteve o alto nível em ambas as temporadas – com alguns problemas na condução das tramas, algumas estendidas demais e outras na caracterização dos personagens. De modo geral, porém, a Marvel e a Netflix apresentaram um bom produto que Os Defensores fecha com chave de ouro. Além da futura série do Justiceiro (marcada ainda para 2017, mas sem data confirmada) e das novas temporadas dos outros personagens, não se sabe o que virá por aí na “Fase 2” da Netflix. Não devemos esperar grandes novidades, mas, em vista do que já foi apresentado, sabemos que virá coisa boa. Material para isso, a Marvel tem.

Cotação: 

 

Crítica: Demolidor – 2ª. Temporada

blog abreEstreia hoje, no Netflix, a segunda temporada da série Demolidor, dando continuidade às aventuras do “demônio de Hell’s Kitchen”. Assim como aconteceu na temporada anterior, esta chega com seus 13 episódios já disponíveis e é estrelada por Charlie Cox no papel do herói, Elden Henson como o advogado Foggy Nelson e Deborah Ann Woll como a secretária Karen Page. A segunda temporada tem como novidade as presenças de John Bernthal (da série The Walking Dead) como Justiceiro e Elodie Yung (G.I. Joe – Retaliação) como a assassina ninja Elektra, o amor de juventude do Demolidor. Vimos os três primeiros episódios e trazemos nossas impressões.

Série já começa com uma perseguição frenética.

Série já começa com uma perseguição frenética.

A série mantém o clima sombrio da primeira temporada, com muita violência crua, sangue jorrando e linguajar adulto, mas o ritmo se apresentou um pouco mais lento, muito embora os minutos iniciais já comecem com uma frenética perseguição do Demolidor a um grupo de quatro criminosos pelas ruas de Hell’s Kitchen. O ritmo “mais lento” não significa, no entanto, que a série está maçante. Pelo contrário, é uma necessidade do roteiro para narrar o que acontece na cidade após a prisão do Rei do Crime.

Criminosos estão sendo assassinados e o Raio X revela por quem.

Criminosos estão sendo assassinados e o Raio X revela por quem.

Sem seu principal líder, as diversas facções criminosas começam a lutar entre si para ocupar a vaga deixada pelo vilão, mas os bandidos começam a ser executados implacavelmente pelo que acreditam ser um exército rival. Um deles, Grotto (McCaleb Burnett) – nos quadrinhos é chamado de Mongol, parceiro do atrapalhado Tucão) – , consegue fugir de um massacre e vai procurar proteção com os advogados Nelson e Murdock. No entanto, o “exército rival” se mostra como sendo um único homem – o Justiceiro, chamado na série pelo seu nome original, Punisher – que não está disposto a deixar nenhum criminoso impune e invade o hospital para matar Grotto.

Demolidor acorrentado. Qualquer semelhança com a HQ não é coincidência.

Demolidor acorrentado. Qualquer semelhança com a HQ não é coincidência.

Não demora e os caminhos do Demolidor e do Justiceiro se cruzam, principalmente com a chegada da inescrupulosa promotora Reyes (Michelle Hurd), que usa Grotto como armadilha para capturar o Justiceiro. O terceiro episódio reproduz a cena da HQ Pegando o Diabo pelo Chifre, publicada recentemente pela Salvat no encadernado Bem-Vindo de Volta, Frank – Parte I. Na cena, o Demolidor, capturado pelo Justiceiro, é acorrentado a uma chaminé com uma arma na mão, enquanto que o Justiceiro se prepara para matar um criminoso. O Demolidor pode salvá-lo usando a arma que tem em mãos e atirando na cabeça do Justiceiro ou deixá-lo matar o bandido, carregando essa morte na consciência.

"Me soltem! Quero ver os próximos episódios!!"

“Me soltem! Quero ver os próximos episódios!!”

Os diálogos entre o herói e o anti-herói são espetaculares, mostrando as motivações de ambos e provando que a verdade sempre possui dois lados bem distintos. O desfecho desta situação é diferente dos quadrinhos e dá margem para outra cena de luta com um único plano-sequência, como a que ganhou grande destaque na primeira temporada. As referências aos quadrinhos foram minimizadas nesta segunda temporada, mas continuam existindo aos olhos mais atentos – como a repetição constante da expressão Zona de Guerra, que é o subtítulo de uma das revistas do Justiceiro nos Estados Unidos. Outra: a gangue de motoqueiros Cães do Inferno também aparece no episódio 15 da primeira temporada de Agentes da Shield.

Hell's Kitchen vai virar uma Zona de Guerra.

Hell’s Kitchen vai virar uma Zona de Guerra.

Há que se elogiar a atuação de Bernthal no papel do Justiceiro, um personagem difícil de acertar e que já teve inúmeras interpretações nos anos anteriores – Dolph Lundgreen, Thomas Jane e Ray Stevenson já deram vida ao anti-herói em produções solo em 1989, 2004 e 2008, respectivamente. O ator tem a aparência ideal para transmitir toda a brutalidade do personagem e sua busca implacável por justiça. No entanto, ao menos no início, a tradicional caveira no peito foi omitida.

Elektra chega depois para botar mais lenha na fogueira.

Elektra chega depois para botar mais lenha na fogueira.

O conflito com o Demolidor tende a se intensificar e está longe de se tornar amistoso, tornando-se o fio condutor perfeito para conduzir a série a um grande clímax, principalmente com a chegada de Elektra (que só aparece no quinto episódio, segundo as sinopses) e o surgimento do Tentáculo, a ordem ninja que vai entrar na batalha pelo poder do crime em Hell’s Kitchen. Pelos três primeiros episódios, já dá pra ver que é mais um acerto da Marvel/Netflix.

Cotação: blog cotaçãodemolidor

Trailer: Demolidor (Segunda Temporada)

blog abrePara quem estava morto de ansiedade pela volta do Demolidor, a Netflix liberou, durante a NYCC, o trailer da segunda temporada da série, que retorna ano que vem. Uma pena que seja só no finzinho do vídeo, cuja duração ultrapassa os dois minutos, mas é recheado de cenas da primeira temporada. Só dá mesmo pra ter um gostinho da Elektra (Elodie Yung) e do Justiceiro (John Bernthal). Veja:

Netflix anuncia nova temporada de Demolidor

blog demolidorOs fãs podem comemorar. A Netflix acaba de confirmar a segunda temporada da série Demolidor para 2016. O produtor Steven DeKnight deixou o cargo e será substituído por Doug Petrie e Marco Ramirez, com quem trabalhou também na primeira temporada. Ou seja: a mudança não significa uma perda, mas uma continuidade no ritmo e clima da série. A notícia foi dada pela página oficial da série no Facebook.

Fisk foi apenas o início. O primeiro defensor estará de volta para a segunda temporada de Demolidor.

Fisk foi apenas o início. O primeiro defensor estará de volta para a segunda temporada de Demolidor.

Enquanto esperamos a chegada da segunda temporada do Homem sem Medo – que chegará no mesmo ano em que estreia Luke Cage, outra série da Marvel/Netflix – o canal aquece os motores para a estreia de Jessica Jones, segunda série de super-heróis da Marvel. A estreia está prevista para dezembro deste ano.

Crítica: Demolidor

Blog abreEstreou ontem pela Netflix, a série Demolidor, baseada no famoso herói cego da Marvel, que retoma o personagem em live-action após um hiato de mais de 10 anos desde o longa-metragem feito para o cinema. Depois de um longo e tenebroso inverno, a Fox não deu andamento a um novo filme do personagem e a Marvel retomou os direitos em 2013, podendo assim, iniciar a produção da série. Foram investidos US$ 200 milhões na parceria com a Netflix, que compreende a produção de quatro séries – Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro – para os próximos três anos.

O elenco principal reunido.

O elenco principal reunido.

A grande vantagem é que os espectadores não precisam esperar meses para ver o final da série, uma vez que todos os episódios são disponibilizados de uma só vez – o Demolidor tem 13 episódios de 60 minutos cada – para que o assinante veja conforme sua conveniência. Assistimos os três primeiros episódios para poder fazer essa crítica e já podemos perceber a diferença que faz o personagem estar nas mãos certas – no caso, a Marvel.

O longa-metragem foi legal... mas faltava um "tempero materno".

O longa-metragem foi legal… mas faltava um “tempero materno”.

Não que a produção da Fox tenha sido mal feita, pelo contrário. Não faço parte daqueles que engrossam o coro dizendo que o longa-metragem estrelado por Ben Affleck tenha sido um fiasco. Obviamente, ele teve alguns erros, mas de modo geral, o personagem foi bem fiel aos quadrinhos com as devidas adaptações – o uniforme de couro é bacana e a forma que acharam para mostrar como funciona o radar do herói também foi um recurso interessante. Mas, como dizem por aí, não há lugar como a casa da gente: só mesmo nas mãos da “mãe” é que o personagem ganharia o perfil ideal para agradar aos fãs e ao público em geral com maioria de votos.

Acidente cegou o jovem Matt Murdock e ampliou seus outros sentidos

Acidente cegou o jovem Matt Murdock e ampliou seus outros sentidos

A série opta por contar a origem do Demolidor em flashback (talvez uma influência de Arrow, a série que retrata a origem do Arqueiro Verde, no canal pago CW), já começando com o acidente que cegou o garoto Matt Murdock (Skylar Gaertner) e ampliou seus outros sentidos. Em seguida, a história dá um salto no tempo, com ele já na vida adulta (interpretado por Charlie Cox), iniciando a abertura de seu escritório com o parceiro Foggy Nelson (Elden Henson).

Karen olha seção de classificados: "Advogados iniciantes precisam secretária. Para trabalhar e para ser a primeira cliente"

Karen olha seção de classificados: “Advogados iniciantes precisam secretária. Para trabalhar e para ser a primeira cliente”

Ao longo da trama, detalhes do que aconteceu antes e depois do acidente vão sendo narrados, conforme Murdock vai se envolvendo em seu primeiro caso: a defesa da jovem Karen Page (Deborah Ann Woll), acusada de assassinato. A estratégia se mostra acertada, pois diferentemente de Arrow, não é usada à exaustão, mas sim em momentos específicos, permitindo que sejam trabalhadas duas tramas paralelas (a origem do personagem e a história do crime), numa narrativa fluente que envolve o espectador.

Quando Luke Cage estrear, não terei mais que costurar feridas.

Quando Luke Cage estrear, não terei mais que costurar feridas.

Os personagens secundários são inseridos aos poucos: o Rei do Crime (Vincent D’Onofrio) só dá as caras no final do terceiro episódio, mas marca presença no primeiro, só com sua voz, agindo nos bastidores, como o personagem dos quadrinhos. Outro que aparece no terceiro episódio é o repórter Ben Urich (Vondie Curtiss-Hall), que terá importância fundamental nos capítulos seguintes. Uma surpresa para os fãs dos quadrinhos é a presença de Claire Temple (Rosario Dawson), a enfermeira que cuida de Murdock: nas HQs, ela é interesse amoroso do herói Luke Cage, já antecipando uma interligação futura com a série do homem da pele de aço.

Jornal na parede lembra dos Vingadores.

Jornal na parede lembra dos Vingadores.

E por falar em interligações, não faltam referências aos filmes da Marvel Studios: a dupla Nelson e Murdock compra um escritório no bairro de Hell’s Kitchen (assim mesmo, em inglês), cujo preço caiu muito após “as coisas caírem do céu no meio da cidade”, uma referência à batalha contra os alienígenas Chitauri, no longa dos Vingadores (2012). A sala de Ben Urich também tem um jornal na parede, com a manchete “Batalha em Nova York”, outra menção ao filme. Por fim, conforme já havia sido divulgado anteriormente em material promocional da série, Jack Murdock (John Patrick Hayden), o pai do pequeno Matt, enfrenta um lutador chamado Crusher Creel, que nos quadrinhos é o vilão Homem-Absorvente – e que já apareceu na série Agentes da Shield (episódio 1 da segunda temporada).

O pretinho básico nunca sai de moda.

O pretinho básico nunca sai de moda.

A série tem classificação indicativa 18 anos pela sua violência explicita – braços quebrados, corpos perfurados e cenas de luta com bastante sangue – mas faz justiça, com o perdão do trocadilho, ao herói. Os personagens estão perfeitamente bem caracterizados e os roteiros mesclam o tom sombrio de uma cidade dominada pelo crime com momentos de humor na relação entre Foggy e Matt. Mais uma vez, a Marvel prova que sabe como cuidar de seus “filhos” e oferece um produto de qualidade. Cada um pode escolher como deseja ver a série, mas para este crítico, o melhor é degustar aos poucos, para aproveitar bem o que cada episódio tem a oferecer. O que é muita coisa.

Cotação: blog cotaçãodemolidor