Crítica: Mulher-Maravilha

Após a repercussão negativa dos últimos filmes de seu universo cinematográfico – a saber: O Homem de Aço (2013), Batman v Superman – A Origem da Justiça (2016) e Esquadrão Suicida (2016) – a última esperança da DC Comics (e dos fãs) reside na Mulher-Maravilha, longa-metragem que estreia nesta semana e que traz Gal Gadot no papel da Princesa Amazona. Além dessa responsabilidade (que já não é pouca), a heroína também traz o peso de ter sua estreia nos cinemas (desconsiderando-se a aparição em Batman v Superman, onde teve uma participação pequena), depois de mais de 30 anos da bem sucedida série de TV estrelada por Lynda Carter. Portanto, a expectativa em torno da personagem é enorme!

“Mamãe, estamos sendo seguidas por um pavão branco”

Pois a espera valeu a pena: Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017) é tudo que se espera de um bom filme de super-heróis. O longa-metragem (com 2h21 de duração) mostra a origem da heroína, desde sua infância na paradisíaca ilha de Themyscira, seu treinamento como guerreira e sua vinda para o “mundo dos homens” após salvar um deles, o espião Steve Trevor (Chris Pine), cujo avião caiu acidentalmente nos arredores da ilha. A ilha, por sinal, tem uma belíssima concepção visual, com arquitetura baseada em conceitos gregos, perfeitamente alinhada com as histórias em quadrinhos, demonstrando um cuidado extremo da equipe de filmagens e efeitos especiais com a fidelidade.

Escalada rumo ao sucesso!

A heroína propriamente dita demora um bocado pra aparecer, mas a espera vale a pena. A cena de sua primeira batalha no front de guerra e de tirar o fôlego e mostra bem o porquê ela é chamada de “maravilha”. E, apesar da demora, a história flui naturalmente e não chega a cansar o espectador, de forma que, quando a Mulher-Maravilha finalmente surge, está perfeitamente encaixada dentro do contexto narrativo e no momento certo.

Patty jenkins: “A Mulher-Maravilha aqui sou eu!”

Com um texto bem humorado, poucas cenas escuras e ação constante, o filme nem parece que faz parte do Universo DC pilotado por Zack Snyder – muito embora haja um excesso de cenas em câmera lenta, que é marca registrada do diretor. No entanto, a diretora Patty Jenkins fugiu bastante do estilo sombrio de Snyder e desenvolveu uma personagem que respeita a mitologia dos quadrinhos e mostra a heroína como ela é: uma embaixadora da paz e da verdade.

Encontre o erro de roteiro nesta cena.

Por conta disso, nem dá pra reclamar da mensagem absurdamente piegas passada no clímax do filme. Ela é a personagem em sua essência. Um acerto da direção e do roteirista Allan Heinberg (co-criador dos Jovens Vingadores, para a Marvel). Mesmo assim, o filme tem vários problemas de roteiro: por exemplo, o que mantém Themyscira oculta do mundo “normal” é absurdamente ridículo, a trama “esquece” um importante personagem no meio da história e não explica o fato de Diana ter importante participação na Primeira Guerra Mundial e não aparecer nos livros de História.

Um registro para entrar pros livros de História (só que não)

Além disso, o final é previsível e carregado de clichês de filmes do gênero (para quem reclama dos filmes da concorrente, que são “iguaizinhos”, vão perceber que Mulher-Maravilha não é “diferentão”). Porém, são erros que são facilmente digeríveis diante da quantidade de acertos (exatamente o inverso de Batman v Superman, que tem poucos acertos em meio a um maremoto de equívocos). Um longa com boa narrativa,  bela fotografia e uma bem dosada carga de humor e ação, Mulher-Maravilha é um filme que mostra a heroína na concepção perfeita da palavra.

Finalmente, alguém em quem se inspirar no sombrio universo DC.

Num mundo sombrio e realista onde os “heróis” usam armas de fogo, quebram pescoços e deixam inocentes morrerem para protegerem suas identidades secretas, fazia falta um personagem nobre e valoroso, que faz o bem simplesmente porque é o correto. Mulher-Maravilha é a heroína que faltava para inspirar crianças e jovens a acreditar na verdade e na justiça. Finalmente, a DC acertou no cinema. Já era hora.

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Leituras da Semana – Maio (2)

Com um pequeno atraso, seguem as leituras da última semana, as quais incluem três encadernados recentes, com um deles republicando HQs clássicas do final da década de 1980.

Uma aula de como ridicularizar personagens

Luke Cage e Punho de Ferro 1 (abr/2017) – Há dois tópicos a se considerar nessa HQ que traz de volta uma união dos heróis que fez grande sucesso nos anos 1970. Primeiro, a química entre os personagens, diferentes por concepção – um é loiro, rico, disciplinado e lutador de kung fu, com poder de centralizar seu chi – a força vital do ser humano – no seu punho e torná-lo tão forte quanto o ferro; o outro é seu oposto: negro, morador de um bairro pobre, ex-ladrão de rua, bruto e com a pele invulnerável – , funciona perfeitamente bem. Por isso, é sempre bom vê-los unidos nesta clássica parceria. As seis histórias são bem humoradas e apelam para o lado irônico da relação entre eles, com diálogos escrachados o tempo inteiro. Nesse ponto, positivo, o encadernado é bacana. O segundo tópico, porém, o buraco é mais embaixo: tem se tornado uma tendência nos quadrinhos da Marvel a ridicularização dos personagens. Antigamente (pronto, senta que lá vem papo de velho!), o único “engraçadinho” era o Homem-Aranha. Mas era a característica do herói e a gente não reclamava porque não faltava ação, drama e emoção nas histórias. Hoje, todo personagem quer ser candidato a uma vaga nA Praça é Nossa e perde sua característica. A velha função de contar uma história que mostre o bem sempre vencendo o mal e ensine que o crime não compensa não existe mais. Hoje, os roteiros primam por ridicularizar os heróis e mostrar que superpoderes são bobagens que não existem na vida real, em histórias vazias e esquecíveis assim que você vira a quarta capa da edição. Em suma, os personagens viraram versões humanas do Pato Donald e companhia. Nesse sentido, me incomodou bastante a descaracterização do Punho de Ferro (um crianção tagarela e retardado, coisa que ele nunca foi) e Luke Cage (o “pé-no-chão” da dupla e, por isso mesmo, ranzinza e resmungão). Ou seja: a revista é divertida, mas é retardada. E ainda tem outro volume vindo aí.

Um álbum feito com o coração sertanejo

Graphic MSP 15 – Chico Bento: Arvorada (abr/2017) – Segundo volume da coleção dedicada ao caipirinha, desta vez a história foge do humor e do realismo fantástico da edição escrita por Gustavo Duarte (veja a nossa crítica aqui) e, nas mãos do quadrinhista Orlandeli, ganha um ar mais lúdico e sensível, sem esquecer do clima bem humorado que é característica do personagem. Com grande simplicidade e uma genialidade incomum, a história viaja por vários tons de narrativa: ora assume um clima descontraído como uma brincadeira de criança para, logo em seguida cair no teor sério de um acontecimento da vida e segue pelo reino da fantasia com a inclusão dos conhecidos personagens das lendas interioranas, tudo conduzido com maestria e sem destoar o roteiro. A arte também contam a história e são de uma beleza e sensibilidade ímpar. Ao final, temos um álbum lindíssimo que entra no ranking das melhores GMSP já lançadas e forte candidata a prêmios literários. Imperdível!

Segredos do passado dos vilões são revelados

Origens Secretas: Os Maiores Vilões de Gotham (abr/2017) – Um produtor de TV resolve “ouvir o outro lado” e, apesar de um aviso noturno do Batman (como só ele é capaz de dar) sobre os perigos da empreitada, realiza um programa entrevistando pessoas ligadas aos principais vilões de Gotham, que contam suas origens. Assim, o leitor fica sabendo de detalhes do passado do Pinguim, Charada e Duas-Caras. Em outra HQ com temática semelhante, um agente do Governo faz uma entrevista com a Hera Venenosa na prisão para saber se ela tem potencial de ingressar no Esquadrão Suicida. A última HQ não tem a ver com origem de nada, mas mostra o Coringa e o Batman participando de uma filmagem do que parece ser uma série de TV. Roteiro nonsense e nada a ver, só pra colocar o Coringa na roda, afinal, ele é o principal nêmese do Batman e não podia faltar na seleção de histórias. De um modo geral, o encadernado é bacana, com leitura rápida (são apenas 92 páginas), mas nada que mereça muitos aplausos – muito embora seja um material bem superior ao que se tem nas bancas atualmente.

Crítica: Alien: Covenant

Estreia no dia 11 de maio o novo filme da franquia Alien (o oitavo, contando com os quatro principais, mais dois versus Predador e o prelúdio Prometheus, de 2012). O longa Alien: Covenant é a continuação direta de Prometheus (leia nossa crítica aqui) e se passa vários anos após a história, mas ainda antes do primeiro Alien, o Oitavo Passageiro (1979). O diretor, novamente, é Ridley Scott.

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Crítica: Os Guardiões

Há alguns meses, falamos aqui sobre Os Guardiões (Zashchitniki, 2017), filme de super-heróis feito na Rússia, que estreou em fevereiro pelos lados da Europa e Ásia. Distribuído no Brasil pela Paris Filmes, o longa tem previsão de estreia para agosto (segundo o site IMdB), mas provavelmente só sairá mesmo (se sair) no mercado doméstico. Nem no seu país de origem os heróis deram muito ibope: no final de semana da estreia, o filme ficou em primeiro lugar nas bilheterias, mas teve uma queda de 90% no faturamento logo na semana seguinte. No total, o custo estimado de US$ 5 milhões de dólares deu prejuízo aos cofres russos, pois a bilheteria foi de apenas US$ 4.800 (dados do Box Office Mojo).

Homem-urso tem efeitos bem artificiais

Nós tivemos acesso ao longa-metragem e podemos afirmar que, quanto à parte técnica, é muito bem produzido e deixa pouco a desejar às produções hollywoodianas. Tem bons efeitos especiais – apenas o personagem Arsus, que tem a habilidade de se transformar em um homem-urso, tem movimentos artificiais e passa a impressão de ter saído de uma tela de videogame. Porém, os outros personagens convencem na caracterização.

A galáxia será salva novamente… mas não por esses guardiões.

O grande problema de Os Guardiões está mesmo no roteiro. A trama não se aprofunda nos personagens e limita-se a mostrar um grupo de agentes modificados geneticamente durante o período da Guerra Fria voltando à ativa para combater uma ameaça que também sobreviveu às mesmas experiências, mas resolveu se voltar para o mal e se vingar do governo que lhe fez sofrer. Mais clichê, impossível.

Vilão genérico e bombadão sem qualquer carisma

Encontrados e recrutados por uma agente da Shield… isto é… da inteligência russa, os heróis – Ler,  o líder do grupo, com a habilidade de controlar a terra; Xenia, capaz de ficar invisível quando próxima da água; Khan, um hábil lutador com foices e supervelocidade; e Arsus, com o poder de se transformar em um urso (o animal símbolo da Rússia) – são enviados contra Kuratov, que tem a habilidade de controlar equipamentos eletrônicos e também de gerar antipatia para o público que assiste o filme.

Morra de inveja Rocky Racoon!

Com a premissa de ser um Quarteto Fantástico russo, o filme não chega a ser totalmente ruim, mas está longe de passar alguma emoção aos espectadores ou gerar identificação dos personagens com o público. É um filme frio, que apenas cumpre o papel de entreter, sem qualquer comprometimento. Enquanto os filmes hollywoodianos buscam gerar uma empatia capaz de gerar uma franquia, Os Guardiões não fazem nenhum esforço para seguir essa regra: o filme nasceu para ser único. Pelo menos, até a Marvel resolver lançar um longa-metragem dos Supersoldados Soviéticos e mostrar como é que se faz um filme de super-heróis.

Vanguard, Ursa Maior, Dínamo Escarlate e Estrela Negra: os heróis russos da Marvel.

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Crítica (em vídeo): Guardiões da Galáxia Vol. 2

Com estreia em 27 de abril (uma semana antes que nos Estados Unidos), o filme Guardiões da Galáxia Vol. 2 chega aos cinemas dando continuidade à Fase 3 da Marvel e com a missão de manter o alto nível do longa anterior, que conquistou público e crítica. Será que ele conseguiu? Veja a crítica no vídeo:

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Leituras da Semana – Abril (4)

As leituras desta semana trazem algumas edições de abril, organizando o calendário da Panini, que costumava lançar as edições com um mês de atraso. Além disso, também inclui algumas aquisições do Festival Guia dos Quadrinhos.

Estudar História pode ser divertido.

Saiba Mais – História do Brasil (set/2011) – Uma das aquisições do Festival Guia dos Quadrinhos, esse encadernado reúne sete edições mensais da revista Saiba Mais que, juntas, narram momentos importantes da nossa História, como o Descobrimento do Brasil, Índios, Folclore, Independência do Brasil, Proclamação da República, Imigrantes e Imigração Japonesa. Todas com o humor característico da turminha mais amada do Brasil. Além de divertida, a edição também é didática e educativa. Uma importante colaboração de Mauricio de Sousa para a Educação no País.

Dr. Estranho enfrenta o fim da magia

Doutor Estranho 5 (abr/2017) – As duas aventuras do Mago Supremo mostram o doutor reunindo suas últimas forças contra o destruidor da magia Empirikul. A capa é feia pra dedéu, mas as histórias são bem interessantes.

Briga de família

Thor 3 (abr/2017) – O pau quebra feio quando a poderosa Thor resolve enfrentar Odin. A briga abala todo o Reino Dourado, que entra numa guerra civil cujo resultado só pode terminar em tragédia. A segunda história, no estilo Contos de Asgard narra uma aventura das antigas do poderoso Thor, narrada por Loki. É uma boa história que seria ainda melhor se a arte fosse menos “rupestre”.

Indo aonde ninguém jamais escreveu.

Coleção Mundo Nerd – Como a Cultura Nerd Mudou o Mundo – Vol 1: Star Trek (jun/2016) – Um compêndio de informações sobre a série Star Trek e sua importância para a cultura pop, com bastidores da série de TV e das produções cinematográficas, as outras mídias – livros, animação, HQ – em que a franquia investiu. Um excelente trabalho de pesquisa da equipe da revista Mundo Nerd (que, modéstia à parte, contou com um capítulo escrito por mim) numa coleção de alto nível, que só não é melhor porque o livro não tem capa dura como a Coleção Mundo dos Super-Heróis, lançada poucos tempo antes. Mas a capa cartonada de forma alguma desqualifica a coleção, que até ganha uma identidade própria. É um excelente material para antigos fãs e também para os novos, que desejam ingressar nesse rico universo.

Aventuras espaciais bem humoradas

Guardiões da Galáxia 4 (mar/2017) – Os Guardiões precisam salvar Gamora das mãos de Hala e o Senhor das Estrelas tem um plano. Ou não, para desespero de Rocky. Drax e seu novo amigo Terrax são capturados e forçados a lutar numa arena para diversão de Fin Fang Foom. O destaque fica para o resgato do personagem Torgo, que só os fãs beeeeeeeeeeeem antigos do Quarteto Fantástico vão lembrar. Rocky e Groot jogam futebol com o Homem de Ferro numa HQ que é puro besteirol e não tem nada de útil, mas é diversão pura.

Rocky e Groot são a cara dos personagens Disney

Guardiões da Galáxia 5 (abr/2017) – Mais três HQs com o clima descontraído dos Guardiões. Na primeira, o arco de Hala é encerrado e o Senhor das Estrelas precisa lidar com uma conspiração do Conselho Galáctico para tirá-lo da liderança de Spartax. Na história do Drax, o enfezado personagem enfrenta o poderoso Fin Fang Foom e percebe que ele não é tão casca grossa quanto parece (metaforicamente falando). Já a HQ do Rocky e Groot, passa a impressão de que estamos lendo um gibi do Pato Donald: é engraçada, mas totalmente inútil, feita apenas para divertir. O próprio estilo da arte imita o estilo das HQs da Disney. Teria muito apelo entre o público infantil se fosse lançada em formatinho e como título independente.

O épico da fantasia.

Coleção Mundo Nerd – Como a Cultura Nerd Mudou o Mundo – Vol 2: O Senhor dos Anéis (nov/2016) – Edição primorosa, com tudo o que é necessário para mergulhar no universo criado por J. R. R. Tolkien e se aprofundar em suas criações. Mesmo que não tenha visto os filmes ou lido os livros, a edição esmiúça a característica de cada personagem, dá detalhes de bastidores – tanto do livro como do filme – e explica por quê a obra, escrita de forma tão despretensiosa, modificou a cultura pop e se tornou um épico.

Crítica: Power Rangers

Estreia em 23 de março o novo filme da série Power Rangers, grande sucesso nipo-americano da década de 1990. O longa-metragem volta às origens e conta como surgiu a equipe, mostrando cinco jovens adolescentes descobrindo moedas místicas que lhe conferem poderes especiais. Veja nossa crítica em vídeo:

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