Leituras da Semana – Julho (4)

Com a frente fria que atacou São Paulo nesta semana, nada melhor que ler embaixo dos cobertores depois de um bom banho quente. Eu, que detesto frio, poderia ficar o dia todo nessa, se não tivesse que trabalhar. Como não sou político e tenho que ir à luta pra pagar as contas, não deu pra ler muita coisa, mas ainda deu para salvar alguma coisa, que resenho abaixo:

A Liga da Justiça enfrenta seus próprios medos

Liga da Justiça 4 (jul/2017) – Inicia-se um novo arco, onde uma estranha criatura é capaz de impor medo em todos os heróis da Liga, incluindo o Batman e os Lanternas Verdes – que, diga-se de passagem, são personagens totalmente inúteis. De qualquer forma, a HQ tem bons momentos, como o encontro romântico do Flash com a Lanterna Jessica Cruz e a luta entre o Batman e o Superman.

História continua em outro título: receita para perder leitores.

Batman 4 (jul/2017) – Na conclusão do arco de Gotham e Gotham Girl, o Batman tenta ajudar a garota, que foi afetada pelo Pirata Psíquico e está agindo insanamente pela cidade. Depois, tem início um novo arco, A Noite dos Homens-Monstro, que vai se estender também pela revista Detective Comics. E aqui termina minha leitura pela revista do Homem-Morcego, pois além da história ser ruim, ainda vai ter continuação em outra revista que não compro. É o tipo de estratégia editorial que, mais do que atrair, afasta os leitores.

Edição acima da média.

Superman 4 (jul/2017) – No final do arco O Filho do Superman, o Homem de Aço faz de tudo para defender sua família contra o poder do Erradicador. A história termina perfeitamente e marca a estreia oficial de um novo herói no Universo DC. A segunda história traz um momento família do herói de Krypton, com humor, ternura e aventura também, embora num ritmo mais leve. Mostra porque o Superman é o maior herói de todos, mesmo que não precise usar uniforme.

Boas histórias, mas narrativa dispersa

Homem de Ferro 8 (jul/2017) – Tony Stark continua a busca pelos seus verdadeiros pais em mais uma dose dupla da edição americana International Iron Man. As histórias são boas, mas o estilo narrativo atual ainda me incomoda, com uma “linha do tempo” que parece um jogo de montar, alternando entre datas aleatoriamente e fora de ordem para mostrar eventos que influenciaram o hoje. Deve haver algum problema na mente dos roteiristas para primeiro mostrar todo o passado para depois narrar a história atual sem precisar desse vai-e-vem constante. Tudo bem que seja um recurso literário válido, mas usado constantemente, perde seu impacto. Infelizmente, não é estilo de um único roteirista, mas se repete em todas as HQs modernas. Acabou a história com começo, meio e fim: hoje, temos a história com meio, começo, meio, fim, meio, começo e antes do começo. Por fim, a edição também anuncia oficialmente o início da saga Guerra Civil II para setembro, o que significa que a edição de agosto ainda terá HQs genéricas do Vingador Dourado.

Crítica: Homem-Aranha – De Volta ao Lar

Estreou, em 6 de julho, o primeiro longa-metragem do Homem-Aranha produzido pela Marvel Studios, depois de vários anos nas mãos da Sony. Os direitos do personagem continuam com a distribuidora, fruto de um contrato feito nos anos 1990, para evitar a falência da Marvel, mas um acordo entre os dois estúdios fez com que o aracnídeo pudesse ser feito por quem realmente entende dele, ou seja, sua casa-mãe. E é claro que a Marvel não ia perder a piada: o título Homem-Aranha – De Volta ao Lar (2017) é uma referência clara a esse fato.

“Oi, galera!” Herói estreou ano passado, em plena Guerra Civil.

A estreia do herói se deu brevemente em Capitão América: Guerra Civil (2016) e deixou os fãs empolgados com a divertida participação do Aranha, bastante fiel à sua versão em quadrinhos – ao contrário do que aconteceu nas franquias anteriores, quando foi interpretado por Tobey Maguire (2002-2004-2007) e Andrew Garfield (2012-2014). Em De Volta ao Lar, a história começa com essa participação do jovem Peter Parker (Tom Holland) em Guerra Civil, narrada pelo ponto de vista do rapaz. Ao final da batalha, Tony Stark (Robert Downey Jr.) leva Peter de volta pra casa e deixa com ele o traje tecnológico do Homem-Aranha como um presente (na verdade, uma espécie de pagamento por seus “serviços”. Sim, Tony Stark é um canalha!).

Shocker também causa problemas pro nosso herói

A partir daí, Peter passa a agir na cidade com mais intensidade (ele já agia antes, com um traje caseiro, mas depois de Guerra Civil, se tornou uma celebridade) e esbarra nas atividades do Abutre (Michael Keaton), que agia como traficante de armas baseadas na tecnologia Chitauri, espalhada por Nova York após a batalha contra os Vingadores, mostrada no filme de 2012. Junto a ele estão o Consertador (Michael Chernus), responsável pela construção dos equipamentos, e o Shocker (Logan Marshall-Green e Bokeen Woodbine – vendo o filme, vão entender o motivo de ter dois atores para o mesmo personagem), seu capanga.

Betty, Flash, Liz, Ned, Michelle e Peter: amigos do peito.

Enquanto tenta provar que é um super-herói capaz de solucionar o crime na sua cidade e fazer uma média com Stark, Peter gasta o restante de seu tempo com problemas típicos de qualquer adolescente: os estudos no colégio Midtown, a paixão contida por Liz Allen (Laura Harrier), a amizade nerd com Ned Leeds (Jacob Batalon) e a rivalidade com Flash Thompson (Tony Revolori). Isso até o Abutre decidir que o Homem-Aranha é um incômodo que precisa ser eliminado.

“Não tente brilhar mais que eu nesse filme, pirralho!”

Ao contrário do que transpareceu nos trailers, o filme não é uma espécie de Homem de Ferro 4 e a participação do Vingador Dourado está ali apenas como apoio mesmo. O astro é o Homem-Aranha, como pede o título, e o filme resgata a jovialidade das primeiras aventuras do personagem, com muito bom humor e trata o aracnídeo como o adolescente que era em início de carreira – mas adaptado aos dias atuais, com muita tecnologia de celulares e Internet. Longe de (re) contar a origem do Homem-Aranha, que todos já estão carecas de saber, a trama vai direto à ação e brinca com toda inexperiência do rapaz. Imagine um garoto de 15 anos que, de repente ganhasse habilidades fantásticas… Não tem nada de “grandes poderes e grandes responsabilidades”: o que Peter quer é fazer o que é certo e ajudar as pessoas usando seus superpoderes – o que nem sempre dá muito certo. E é aí que está a graça da coisa.

“Eu só queria ajudar…”

Para os fãs puristas, o novo Homem-Aranha, embora seja o mais próximo dos quadrinhos já apresentado nos últimos 15 anos (40 anos, se considerarmos também a versão da série de TV), ainda não é o herói ideal. No filme, Peter é um perfeito pateta e, na maioria das vezes, causa mais dano do que ajuda (sabe a cena do navio partido ao meio mostrado no trailer? Pois é…). Essa versão poderia atuar junto com o Superman de Henry Cavill e concorrer a quem destrói mais a cidade tentando salvá-la. O humor do filme não está nas tiradas geniais que o herói sempre teve durante suas lutas, mas sim nas trapalhadas que ele provoca ou nas situações em se envolve, quase como um Jim Levenstein, o protagonista da franquia American Pie.

Escalando a pilha de referências.

O fato é que o tom do filme puxou bastante para uma comédia juvenil, muito mais do que para uma aventura de super-heróis, fruto das inspirações do próprio diretor Jon Watts, que assumiu ser fã dos filmes do roteirista e diretor John Hughes, como Curtindo a Vida Adoidado (1986). Não chega a ser um incômodo – ao contrário, é um filme leve e divertido de se ver, com um roteiro inteligente e muito bem conduzido, capaz de encaixar o herói dentro do Universo Cinematográfico da Marvel com referências desde a Homem de Ferro (2008), passando por Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), além dos dois longas dos Vingadores (2012-2015) e o óbvio Guerra Civil. Referências aos quadrinhos são inúmeras e deliciosas de se encontrar e vão desde personagens a fatos históricos da carreira do herói aracnídeo.

Michael Keaton dá um show

Sobre Michael Keaton, interpretando o Abutre, há pouco a se dizer além de que o ator é perfeito e merece o título de Lord of the Wings (Senhor das Asas, piada que tem circulado na Internet e cuja tradução perde a referência a Lord of The Rings, o Senhor dos Anéis). Um único porém é o modo como seu personagem é caracterizado, parecendo mais um Norman Osborn genérico, pelas características mostradas no filme e que não vamos dizer quais são para não revelar spoilers. No entanto, esses defeitos passam batido no contexto geral e o Abutre é, talvez, um dos melhores vilões dos filmes da Marvel, ao lado do Dr. Octopus de Alfred Molina. Uma verdadeira ameaça, com motivações sólidas e não apenas um desejo inexplicável de dominar o mundo.

“Bem-vindo de volta, parceiro. Você fez falta.”

Mesmo com esses poucos defeitos, Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um mais que bem-vindo retorno do Cabeça-de-Teia à Casa das Idéias, numa aventura totalmente integrada ao Universo Marvel e boas chances de gerar novas continuações de sucesso. Por enquanto, vamos nos contentar com a participação do Aranha nas duas partes de Vingadores: Guerra Infinita (2018/2019), que, esperamos, seja bem explorada. Finalmente, o Homem-Aranha voltou pra casa (mesmo que emprestado) e pode mostrar a todos o porquê dele ser o mais popular de todos os super-heróis.

Cotação: 

Crítica: Mulher-Maravilha

Após a repercussão negativa dos últimos filmes de seu universo cinematográfico – a saber: O Homem de Aço (2013), Batman v Superman – A Origem da Justiça (2016) e Esquadrão Suicida (2016) – a última esperança da DC Comics (e dos fãs) reside na Mulher-Maravilha, longa-metragem que estreia nesta semana e que traz Gal Gadot no papel da Princesa Amazona. Além dessa responsabilidade (que já não é pouca), a heroína também traz o peso de ter sua estreia nos cinemas (desconsiderando-se a aparição em Batman v Superman, onde teve uma participação pequena), depois de mais de 30 anos da bem sucedida série de TV estrelada por Lynda Carter. Portanto, a expectativa em torno da personagem é enorme!

“Mamãe, estamos sendo seguidas por um pavão branco”

Pois a espera valeu a pena: Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017) é tudo que se espera de um bom filme de super-heróis. O longa-metragem (com 2h21 de duração) mostra a origem da heroína, desde sua infância na paradisíaca ilha de Themyscira, seu treinamento como guerreira e sua vinda para o “mundo dos homens” após salvar um deles, o espião Steve Trevor (Chris Pine), cujo avião caiu acidentalmente nos arredores da ilha. A ilha, por sinal, tem uma belíssima concepção visual, com arquitetura baseada em conceitos gregos, perfeitamente alinhada com as histórias em quadrinhos, demonstrando um cuidado extremo da equipe de filmagens e efeitos especiais com a fidelidade.

Escalada rumo ao sucesso!

A heroína propriamente dita demora um bocado pra aparecer, mas a espera vale a pena. A cena de sua primeira batalha no front de guerra e de tirar o fôlego e mostra bem o porquê ela é chamada de “maravilha”. E, apesar da demora, a história flui naturalmente e não chega a cansar o espectador, de forma que, quando a Mulher-Maravilha finalmente surge, está perfeitamente encaixada dentro do contexto narrativo e no momento certo.

Patty jenkins: “A Mulher-Maravilha aqui sou eu!”

Com um texto bem humorado, poucas cenas escuras e ação constante, o filme nem parece que faz parte do Universo DC pilotado por Zack Snyder – muito embora haja um excesso de cenas em câmera lenta, que é marca registrada do diretor. No entanto, a diretora Patty Jenkins fugiu bastante do estilo sombrio de Snyder e desenvolveu uma personagem que respeita a mitologia dos quadrinhos e mostra a heroína como ela é: uma embaixadora da paz e da verdade.

Encontre o erro de roteiro nesta cena.

Por conta disso, nem dá pra reclamar da mensagem absurdamente piegas passada no clímax do filme. Ela é a personagem em sua essência. Um acerto da direção e do roteirista Allan Heinberg (co-criador dos Jovens Vingadores, para a Marvel). Mesmo assim, o filme tem vários problemas de roteiro: por exemplo, o que mantém Themyscira oculta do mundo “normal” é absurdamente ridículo, a trama “esquece” um importante personagem no meio da história e não explica o fato de Diana ter importante participação na Primeira Guerra Mundial e não aparecer nos livros de História.

Um registro para entrar pros livros de História (só que não)

Além disso, o final é previsível e carregado de clichês de filmes do gênero (para quem reclama dos filmes da concorrente, que são “iguaizinhos”, vão perceber que Mulher-Maravilha não é “diferentão”). Porém, são erros que são facilmente digeríveis diante da quantidade de acertos (exatamente o inverso de Batman v Superman, que tem poucos acertos em meio a um maremoto de equívocos). Um longa com boa narrativa,  bela fotografia e uma bem dosada carga de humor e ação, Mulher-Maravilha é um filme que mostra a heroína na concepção perfeita da palavra.

Finalmente, alguém em quem se inspirar no sombrio universo DC.

Num mundo sombrio e realista onde os “heróis” usam armas de fogo, quebram pescoços e deixam inocentes morrerem para protegerem suas identidades secretas, fazia falta um personagem nobre e valoroso, que faz o bem simplesmente porque é o correto. Mulher-Maravilha é a heroína que faltava para inspirar crianças e jovens a acreditar na verdade e na justiça. Finalmente, a DC acertou no cinema. Já era hora.

Cotação:

Leituras da Semana – Maio (2)

Com um pequeno atraso, seguem as leituras da última semana, as quais incluem três encadernados recentes, com um deles republicando HQs clássicas do final da década de 1980.

Uma aula de como ridicularizar personagens

Luke Cage e Punho de Ferro 1 (abr/2017) – Há dois tópicos a se considerar nessa HQ que traz de volta uma união dos heróis que fez grande sucesso nos anos 1970. Primeiro, a química entre os personagens, diferentes por concepção – um é loiro, rico, disciplinado e lutador de kung fu, com poder de centralizar seu chi – a força vital do ser humano – no seu punho e torná-lo tão forte quanto o ferro; o outro é seu oposto: negro, morador de um bairro pobre, ex-ladrão de rua, bruto e com a pele invulnerável – , funciona perfeitamente bem. Por isso, é sempre bom vê-los unidos nesta clássica parceria. As seis histórias são bem humoradas e apelam para o lado irônico da relação entre eles, com diálogos escrachados o tempo inteiro. Nesse ponto, positivo, o encadernado é bacana. O segundo tópico, porém, o buraco é mais embaixo: tem se tornado uma tendência nos quadrinhos da Marvel a ridicularização dos personagens. Antigamente (pronto, senta que lá vem papo de velho!), o único “engraçadinho” era o Homem-Aranha. Mas era a característica do herói e a gente não reclamava porque não faltava ação, drama e emoção nas histórias. Hoje, todo personagem quer ser candidato a uma vaga nA Praça é Nossa e perde sua característica. A velha função de contar uma história que mostre o bem sempre vencendo o mal e ensine que o crime não compensa não existe mais. Hoje, os roteiros primam por ridicularizar os heróis e mostrar que superpoderes são bobagens que não existem na vida real, em histórias vazias e esquecíveis assim que você vira a quarta capa da edição. Em suma, os personagens viraram versões humanas do Pato Donald e companhia. Nesse sentido, me incomodou bastante a descaracterização do Punho de Ferro (um crianção tagarela e retardado, coisa que ele nunca foi) e Luke Cage (o “pé-no-chão” da dupla e, por isso mesmo, ranzinza e resmungão). Ou seja: a revista é divertida, mas é retardada. E ainda tem outro volume vindo aí.

Um álbum feito com o coração sertanejo

Graphic MSP 15 – Chico Bento: Arvorada (abr/2017) – Segundo volume da coleção dedicada ao caipirinha, desta vez a história foge do humor e do realismo fantástico da edição escrita por Gustavo Duarte (veja a nossa crítica aqui) e, nas mãos do quadrinhista Orlandeli, ganha um ar mais lúdico e sensível, sem esquecer do clima bem humorado que é característica do personagem. Com grande simplicidade e uma genialidade incomum, a história viaja por vários tons de narrativa: ora assume um clima descontraído como uma brincadeira de criança para, logo em seguida cair no teor sério de um acontecimento da vida e segue pelo reino da fantasia com a inclusão dos conhecidos personagens das lendas interioranas, tudo conduzido com maestria e sem destoar o roteiro. A arte também contam a história e são de uma beleza e sensibilidade ímpar. Ao final, temos um álbum lindíssimo que entra no ranking das melhores GMSP já lançadas e forte candidata a prêmios literários. Imperdível!

Segredos do passado dos vilões são revelados

Origens Secretas: Os Maiores Vilões de Gotham (abr/2017) – Um produtor de TV resolve “ouvir o outro lado” e, apesar de um aviso noturno do Batman (como só ele é capaz de dar) sobre os perigos da empreitada, realiza um programa entrevistando pessoas ligadas aos principais vilões de Gotham, que contam suas origens. Assim, o leitor fica sabendo de detalhes do passado do Pinguim, Charada e Duas-Caras. Em outra HQ com temática semelhante, um agente do Governo faz uma entrevista com a Hera Venenosa na prisão para saber se ela tem potencial de ingressar no Esquadrão Suicida. A última HQ não tem a ver com origem de nada, mas mostra o Coringa e o Batman participando de uma filmagem do que parece ser uma série de TV. Roteiro nonsense e nada a ver, só pra colocar o Coringa na roda, afinal, ele é o principal nêmese do Batman e não podia faltar na seleção de histórias. De um modo geral, o encadernado é bacana, com leitura rápida (são apenas 92 páginas), mas nada que mereça muitos aplausos – muito embora seja um material bem superior ao que se tem nas bancas atualmente.

Crítica: Alien: Covenant

Estreia no dia 11 de maio o novo filme da franquia Alien (o oitavo, contando com os quatro principais, mais dois versus Predador e o prelúdio Prometheus, de 2012). O longa Alien: Covenant é a continuação direta de Prometheus (leia nossa crítica aqui) e se passa vários anos após a história, mas ainda antes do primeiro Alien, o Oitavo Passageiro (1979). O diretor, novamente, é Ridley Scott.

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Crítica: Os Guardiões

Há alguns meses, falamos aqui sobre Os Guardiões (Zashchitniki, 2017), filme de super-heróis feito na Rússia, que estreou em fevereiro pelos lados da Europa e Ásia. Distribuído no Brasil pela Paris Filmes, o longa tem previsão de estreia para agosto (segundo o site IMdB), mas provavelmente só sairá mesmo (se sair) no mercado doméstico. Nem no seu país de origem os heróis deram muito ibope: no final de semana da estreia, o filme ficou em primeiro lugar nas bilheterias, mas teve uma queda de 90% no faturamento logo na semana seguinte. No total, o custo estimado de US$ 5 milhões de dólares deu prejuízo aos cofres russos, pois a bilheteria foi de apenas US$ 4.800 (dados do Box Office Mojo).

Homem-urso tem efeitos bem artificiais

Nós tivemos acesso ao longa-metragem e podemos afirmar que, quanto à parte técnica, é muito bem produzido e deixa pouco a desejar às produções hollywoodianas. Tem bons efeitos especiais – apenas o personagem Arsus, que tem a habilidade de se transformar em um homem-urso, tem movimentos artificiais e passa a impressão de ter saído de uma tela de videogame. Porém, os outros personagens convencem na caracterização.

A galáxia será salva novamente… mas não por esses guardiões.

O grande problema de Os Guardiões está mesmo no roteiro. A trama não se aprofunda nos personagens e limita-se a mostrar um grupo de agentes modificados geneticamente durante o período da Guerra Fria voltando à ativa para combater uma ameaça que também sobreviveu às mesmas experiências, mas resolveu se voltar para o mal e se vingar do governo que lhe fez sofrer. Mais clichê, impossível.

Vilão genérico e bombadão sem qualquer carisma

Encontrados e recrutados por uma agente da Shield… isto é… da inteligência russa, os heróis – Ler,  o líder do grupo, com a habilidade de controlar a terra; Xenia, capaz de ficar invisível quando próxima da água; Khan, um hábil lutador com foices e supervelocidade; e Arsus, com o poder de se transformar em um urso (o animal símbolo da Rússia) – são enviados contra Kuratov, que tem a habilidade de controlar equipamentos eletrônicos e também de gerar antipatia para o público que assiste o filme.

Morra de inveja Rocky Racoon!

Com a premissa de ser um Quarteto Fantástico russo, o filme não chega a ser totalmente ruim, mas está longe de passar alguma emoção aos espectadores ou gerar identificação dos personagens com o público. É um filme frio, que apenas cumpre o papel de entreter, sem qualquer comprometimento. Enquanto os filmes hollywoodianos buscam gerar uma empatia capaz de gerar uma franquia, Os Guardiões não fazem nenhum esforço para seguir essa regra: o filme nasceu para ser único. Pelo menos, até a Marvel resolver lançar um longa-metragem dos Supersoldados Soviéticos e mostrar como é que se faz um filme de super-heróis.

Vanguard, Ursa Maior, Dínamo Escarlate e Estrela Negra: os heróis russos da Marvel.

Cotação: 

 

Crítica (em vídeo): Guardiões da Galáxia Vol. 2

Com estreia em 27 de abril (uma semana antes que nos Estados Unidos), o filme Guardiões da Galáxia Vol. 2 chega aos cinemas dando continuidade à Fase 3 da Marvel e com a missão de manter o alto nível do longa anterior, que conquistou público e crítica. Será que ele conseguiu? Veja a crítica no vídeo:

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