Trailer: Cult of Chucky

A Universal Pictures liberou o primeiro trailer do filme Cult of Chucky (ainda sem título em português), um novo thriller do boneco Chucky, que hospeda a alma de um serial killer e provoca uma série de assassinatos com toques de sadismo. Chucky estreou em 1988, na trilogia de filmes Brinquedo Assassino (Child’s Play, 1988-1990-1991) e depois ganhou mais duas continuações com seu nome no título: A Noiva de Chucky (1998) e O Filho de Chucky (2004). A franquia, que começou como terror/suspense e descambou para a comédia voltou às origens em 2013, com o longa A Maldição de Chucky, lançada diretamente para o mercado de DVD (Leia nossa crítica aqui). O novo longa-metragem repete a estratégia e será lançado em outubro, em blu-ray e DVD, prometendo muito sangue e bons sustos.

Crítica: A Maldição de Chucky

blog abreQuase dez anos depois do vergonhoso O Filho de Chucky (Seed of Chucky, 2004), a franquia Brinquedo Assassino é retomada com o lançamento de A Maldição de Chucky (Curse of Chucky, 2013) , que chegou às lojas nos EUA na semana passada. Porém, diferente do que aconteceu com outros clássicos de terror dos anos 80 como Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, O Massacre da Serra Elétrica, A Hora do Espanto e Uma Noite Alucinante, o boneco que ganha vida ao ser possuído pelo espírito de um serial killer não teve um reboot, mas continua aonde o anterior parou.

Imagine receber um pacotão desses pelo correio...

Imagine receber um pacotão desses pelo correio…

Apesar disso, pode-se dizer que o filme tem uma volta às origens, ao abandonar o tom pastelão que tomou conta dos dois últimos capítulos e retomar o clima de suspense que caracterizou os três primeiros. O filme começa com a jovem paraplégica Nica (Fiona Dourif) que mora com sua mãe (Chantal Quesnelle), recebendo um pacote sem remetente pelo correio. Ao abrir, um boneco da linha Bonzinho (Good Guys, no original), novo em folha. O rostinho angelical do brinquedo em nada lembra o rosto deformado e cheio de costuras com o qual Chucky encerrou o último longa. A explicação para isso é dada (ao menos, parcialmente), mas demora.

Crianças e brinquedos: empatia imediata

Crianças e brinquedos: empatia imediata

Enquanto isso, o espectador é envolvido no clima de suspense. O boneco não tem expressões, não aparece andando, ou se movimentando – exceto os movimentos mecânicos característicos do brinquedo, como virar a cabeça e repetir a frase “Oi, meu nome é Chucky. Vamos brincar?”. A morte misteriosa da mãe de Nica – que se parece com um suicídio – atrai toda a família para a mansão: a irmã Barb (Danielle Bisutti), o cunhado Ian (Brannan Elliott), a filha do casal, Alice (Summer H. Howell) e sua babá JIll (Maitland McConnell). A pedido de Barb, o padre Frank (A Martinez) também marca presença para tentar “salvar” a pobre alma “suicida”, apesar dos protestos de Nica, afastada da igreja.

Muito sangue vai jorrar

Muito sangue vai jorrar

Ao ver o boneco, a pequena Alice se encanta imediatamente e começa a fazer dele seu melhor amigo, carregando-o para todo canto e trocando confidências com ele. A família ignora a ludicidade da situação até ser tarde demais. Um a um, os membros da família vão sendo assassinados com toques de sadismo que caracterizou o personagem. Os motivos desse massacre, no entanto, é revelado somente no final da história, bem como o porquê da paralisia de Nica. A surpresa final fica por conta de como Chucky foi enviado pelo correio, com uma participação especial e uma outra – não-creditada – na cena pós-créditos, amarrando a hexalogia.

O boneco tem um rostinho angelical. Epa, espera aí...

O boneco tem um rostinho angelical. Epa, espera aí…

O filme não poupa os clichês de filmes de terror: luzes que não se acendem, ventos que fecham as portas e a inevitável tempestade, com raios e trovões. Ah, sim: tem um porão também e a pessoa que entra sozinho nele. Essa mesmice anula a possibilidade de levar alguns sustos, mas essa nunca foi mesmo uma marca registrada da franquia. A tensão e o suspense, sim.

Adivinhe onde essas escadas vão parar...

Adivinhe onde essas escadas vão parar…

Longe de ser um filme genial, ao menos A Maldição de Chucky não faz feio e tem o mérito de resgatar a franquia da lama em que ela foi jogada. Agora, é aguardar o próximo longa que, com certeza virá, pois assim como os clássicos lobisomens, vampiros e zumbis, os personagens de terror dos anos 80 também entraram para o rol dos monstros que, vez ou outra, voltam da morte para assombrar os pobres mortais.

Cotação: blog cotação chucky

Tenha medo!

Filmes de terror sempre tiveram um público bastante cativo. Por algum tipo de prazer mórbido inexplicável, as pessoas gostam de histórias que mexem com o sobrenatural, talvez pelo fato de muitas coisas no mundo não ter uma explicação lógica e tais filmes sejam uma forma do subconsciente liberar esses conceitos. Como esse site tem o objetivo de falar sobre cinema e não sobre psicologia, deixemos as explicações para os seguidores de Freud.

Quem tem medo dessa máscara?

Ao longo dos anos, o cinema de horror deixou de causar medo nas pessoas graças a algumas franquias de sucesso que converteram os monstros antes aterrorizantes em comédias mascaradas. Filmes como A Hora do Pesadelo, Sexta-Feira 13, Brinquedo Assassino, Pânico e criaram um novo gênero cinematográfico, o “terrir”, que abusa dos clichês em situações que beiram o ridículo e provocam mais gargalhada do que medo.

Cuidado com a Samara!

Isso mudou nos últimos anos com o advento das produções orientais. Filmes como O Grito, O Chamado, Espíritos: A Morte está ao seu lado e outros com japonesas de cabelos desgrenhados sobre o rosto resgataram o clima tenso de suspense e sustos quando menos se espera que vem sendo copiado por outros países, especialmente os Estados Unidos.

Outro filme que também causou uma revolução no gênero foi uma produção americana de baixíssimo orçamento lançado em 1999. Filmado em linguagem de documentário, A Bruxa de Blair conta a história de alguns estudantes que se embrenham numa floresta para provar a existência da lenda de uma bruxa e que desaparecem misteriosamente. A única pista está nas fitas de vídeo com a gravação de tudo que aconteceu com eles enquanto se aventuravam pelo meio do mato.

Espanhol *REC já ganhou continuação

A narração em primeira pessoa, com o cinegrafista sendo um personagem e a câmera balançando, também fez escola e gerou outras produções. O espanhol [*REC] é uma desses “filhos” e uma grata surpresa. O filme realmente provoca medo e já gerou uma continuação tão aterrorizante quanto o primeiro (ainda não vimos o segundo filme, mas pelo trailer dá pra ver que o clima tenso foi mantido).

Acordem-me quando terminar

Atividade Paranormal tenta fazer a cópia da cópia e o resultado é catastrófico: uma história até interessante, mas um filme sem ritmo, entediante e sonolento, cujo único susto acontece na última cena. Ou seja, comece a assistir de trás pra frente.

A nova produção do gênero, que chega aos cinemas brasileiros no dia 29 de outubro, veio diretamente do Uruguai e tem causado burburinho por onde já foi exibido. A Casa Muda renova o estilo de câmera primeira pessoa ao utilizar uma única tomada, sem cortes – o chamado one single shot. Ou seja, a história acontece em tempo real e os 79 minutos de filme serão vistos em um fôlego só. Algo que a TV já tentou fazer com a série 24 horas, mas o “tempo real” apresenta várias histórias paralelas e simultâneas.

Poster de "A Casa Muda"

A história é (supostamente) baseada em fatos reais, acontecidos no ano de 1944, numa fazenda onde foram encontrados os corpos de dois homens torturados barbaramente e as únicas pistas para resolver o caso são as fotografias deixadas no local. O filme foi todo produzido em apenas quatro dias, custou míseros 6 mil dólares e chamou a atenção dos jurados de Cannes, que o escolheu para participar da Quinzena dos Produtores na cidade francesa.

O diretor Gustavo Hernández afirma que fez o filme de forma experimental e a técnica utilizada foi exclusivamente para adaptar a produção à limitação orçamentária. O produto final, no entanto, apesar da precariedade, convenceu os críticos e a obra chega às telonas. Se será bom ou não, só vamos saber em outubro. O trailer, no entanto, já dá uma prévia de que alguns sustos estão reservados. Achou a história parecida com A Bruxa de Blair? Pois é… até no cinema, a premissa de que nada se cria, tudo se copia também é válida.

Terror real em tempo real. Será?