Saído do Forno: Agentes da Shield

Na cola do sucesso da série televisiva Agentes da Shield – cuja quinta temporada estreia em 2018 pelo canal ABC – a Marvel lançou, em 2015, uma HQ de mesmo nome, com as aventuras dos agentes Phil Coulson, Melinda May, Jemma Simmons e Leo Fitz nos bastidores (ou nem tanto) das atividades dos super-heróis da Marvel. Esse material só chegou agora ao Brasil, pela Panini, em duas versões: capa cartonada (R$ 21,90) e capa dura (R$ 29,90) e papel couché.

Todo Universo Marvel interage com os agentes

Apesar do atraso de dois anos (e isso se faz sentir nas versões dos personagens, pré-Guerras Secretas), o encadernado é uma deliciosa surpresa. O texto ágil de Mark Waid coloca os agentes em contato com a nata do Universo MarvelVingadores, Homem-Aranha, Dr. Estranho – e faz da HQ tudo aquilo que a série deveria ter sido, mas não foi por questões de direitos autorais. A maior crítica dos fãs ao seriado foi exatamente a ausência de personagens conhecidos, fazendo com que Coulson e sua equipe se envolvessem com ameaças mornas e pouco atraentes, o que afastou grande parte da audiência.

Série marca a estreia de May, Fitz e Simmons nas HQs.

Livre dessas limitações, a HQ tem todo o Universo Marvel à disposição e o utiliza de forma primorosa. A primeira história já traz a equipe de Coulson aliada aos Vingadores para derrotar um grupo terrorista que aprisionou Heimdall e tomou posse de sua espada mística para fins de dominação. O conhecimento de Coulson dos poderes e características de cada herói o coloca como o grande estrategista, usando cada habilidade de maneira certeira contra os vilões.

Don’t touch Lola!

Na segunda aventura, Jemma Simmons se disfarça como professora na escola onde a Miss Marvel estuda a fim de desbaratar o contrabando de equipamentos de supervilões. Na história seguinte, o aliado de Coulson é o Homem-Aranha e tem até uma piada envolvendo Lola, o carro tunado do agente. A Mulher Invisível, a Feiticeira Escarlate e o Homem-Absorvente participam das histórias seguintes, que seguem o mesmo clima descontraído.

May é sub-aproveitada, mas ganha edição especial onde é destaque.

Um grande atrativo da edição é que as histórias são praticamente independentes e funcionam isoladamente, evitando o intrincado quebra-cabeças que é formado com as constantes continuações. Ao menos nesse início, há um pequeno item que relaciona as tramas e, mesmo assim, algumas delas funcionam sozinhas, com começo, meio e fim. Ideal para quem está começando a conhecer esse universo e veio atraído pela série de TV. A única crítica vai para o sub-aproveitamento da personagem Melinda May. Uma das mais carismáticas (ou quase isso) da série, ela mal aparece nas HQs. A boa notícia é que a personagem teve um edição especial solo que, espera-se, também seja publicado por aqui.

Fitz ganha um macaco de estimação. Mas só no final do encadernado.

O encadernado reúne as seis primeiras edições do título americano (restam mais seis na primeira fase). Na segunda série, os roteiros ficaram a cargo de Marc Guggenheim e durou 10 edições e incluiu também a participação do agente Grant Ward, que na TV se revelou um agente da Hidra infiltrado. Esta fase, porém, deve demorar um pouco para chegar ao Brasil. Enquanto isso, vale curtir as aventuras dos Agentes da Shield nos quadrinhos, num dos melhores encadernados da Marvel publicados pela Panini nos últimos meses. Considerando a baixa qualidade das HQs atuais, é para se comemorar um material deste nível. Nível oito, como os agentes.

Anúncios

Top 10: Os melhores momentos de Agentes da SHIELD

blog abreQuando a Marvel anunciou que lançaria a série Agentes da SHIELD e que o diretor Joss Whedon seria o responsável, o público imaginou que veria na TV algo como Os Vingadores 1.5, com vários heróis dos quadrinhos voando pela tela combatendo supervilões. A realidade foi bem diferente e muita gente já torceu o nariz logo no primeiro episódio. Alguns esperaram um pouco mais, mas ao perceberem que nenhum herói conhecido das HQs daria as caras e ela seria apenas uma série de espionagem, largaram lá pelo quinto episódio.

Ligação com o cinema: universo único, como nos quadrinhos.

Ligação com o cinema: universo único, como nos quadrinhos.

É verdade que Agente da SHIELD teve vários percalços em sua trajetória de 22 episódios. Mas dizer que a série é ruim baseado em apenas cinco episódios é pura birra de fã. Agentes da SHIELD soube aproveitar a evasão da audiência e dar a volta por cima, ligando o enredo da série com os filmes que estreavam no cinema, construindo um universo coeso e bem estruturado, como nos quadrinhos. Com o auxílio dos longa-metragens Thor: O Mundo Sombrio (2013) e Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014), a série amarrou os acontecimentos de forma inteligente e deu um upgrade nos roteiros mornos, encerrando a temporada de forma magistral.

"Assista ou lhe dou um tiro" - May, sempre persuasiva...

“Assista ou lhe dou um tiro” – May, sempre persuasiva…

É interessante notar que a estratégia da editora foi exatamente o inverso do que o esperado: ao invés de apresentar um desfile de personagens já conhecidos do público veterano, a Marvel investiu em caras novas, criando personagens inéditos (que certamente darão as caras nas HQs em breve) e, com isso, abocanhou uma parcela de público que não acompanha quadrinhos, levando-os também ao cinema e, quiçá, às HQs. Se os fãs mais radicais consideraram o elenco insosso e sem carisma, a série provou o contrário e definiu as características pessoais de cada agente ao longo dos episódios, criando um entrosamento que pode vir a gerar muitos frutos na segunda temporada.

"Peraí, quer dizer que eu perdi esse monte de coisas legais?"

“Peraí, quer dizer que eu perdi esse monte de coisas legais?”

Se você é um daqueles que largou o seriado na metade porque não gostou do que viu, separamos dez momentos marcantes dos episódios, para mostrar o que você perdeu e que nem tudo foi tão sonolento quanto os comentários das redes sociais deixam transparecer. Agentes da SHIELD pode não ter sido um seriado nota 10, mas ainda tem muito a crescer na segunda temporada, já renovada com a emissora ABC e deve reestrear em setembro deste ano.

Parece, mas não é.

Parece, mas não é.

10 – A primeira aparição de um super-herói (Ep. 1 – Pilot) – Quando Mike Peterson (J. August Richards) salvou uma pessoa num prédio em chamas, pulando de uma janela e arrebentando o chão, todo mundo pensou que estava vendo Luke Cage. Não era. O anti-herói viria a se tornar Deathlok, que é outro personagem conhecido das HQs, atormentado com as experiências feitas consigo. Não foi o que esperávamos, mas foi legal.

"Don't touch in Lola!" - a frase célebre demonstra que o conversível é muito mais que um carro

“Don’t touch in Lola!” – a frase célebre demonstra que o conversível é muito mais que um carro

9 – O voo da Lola (Ep. 1 – Pilot) – No final do primeiro episódio, o agente Phil Coulson (Clark Gregg) “adota” a jovem hacker Skye (Chloe Bennet) e surpreende os espectadores com seu carro conversível, chamado carinhosamente de Lola, que alça voo – a exemplo do carro de Nick Fury, na série em quadrinhos. É o momento “Fuck yeah!” do episódio.

Nasce um vilão?

Nasce um vilão?

8 – Surge Graviton (Ep. 3 – The Asset) – Dr. Franklin Hall (Ian Hart) desenvolve um composto chamado Gravitonium, capaz de manipular a gravidade. Obrigado a transformar o metal em uma arma para a organização criminosa Centopeia, o pobre cientista termina o episódio absorvido pelo Gravitonium. O episódio termina com uma mão saindo do composto, guardado em segurança no cofre da SHIELD, dando indícios de que o vilão Graviton, velho inimigo dos Vingadores, acabava de nascer.

Lembra desse capacete? Os Vingadores sabem bem o que ele é.

Lembra desse capacete? Os Vingadores sabem bem o que ele é.

7 – Vírus alienígena (Ep. 6 – F.Z.Z.T.) – Estranhas mortes ocorrem no País, resultando em cadáveres que levitam. Ao investigar o caso, os agentes descobrem se tratar de um vírus alienígena, que se espalhou a partir do capacete chitauri que a SHIELD tem guardado em seu cofre. E uma das pessoas infectadas é Jemma Simmons (Elizabeth Henstridge). Ligação com Os Vingadores (2012).

ameaça divina

ameaça divina

6 – Poder dos deuses (Ep. 8 – The Well) – Um grupo de jovens encontra um aparato com inscrições asgardianas numa floresta e seu portador ganha superpoderes capazes de rivalizar com o próprio Thor. Resgatar o artefato é a missão dos agentes, num episódio com ligação com Thor: O Mundo Sombrio.

Dois personagens importantes para a trama

Dois personagens importantes para a trama

5 – A volta dos que não foram (Ep. 10 – The Bridge) – Num título bem sugestivo (A Ponte, em tradução literal), o episódio traz de volta Mike Peterson e Raina, a “garota do vestido florido” (Ruth Negga), fazendo uma ponte com os episódios anteriores e amarrando a trama numa única linha de raciocínio. A partir daí, os episódios deixaram de apresentar eventos isolados para mostrar uma teia que interliga todos os acontecimentos.

Eles já estavam entre nós (antes dos Chitauri)!

Eles já estavam entre nós (antes dos Chitauri)!

4 – Revelações bombásticas (Ep. 14 – T.A.H.I.T.I.) – Coulson descobre a verdade sobre sua ressurreição: ele recebeu um soro desenvolvido a partir de um cadáver alienígena (possivelmente, um kree) e teve memórias implantadas. Quando Skye é baleada e se encontra às portas da morte, o mesmo soro é injetado na jovem, antes que o agente consiga impedir. As consequências desse fato poderão render ótimas tramas futuras, se forem bem trabalhados.

"Sif é uma velha amiga"

“Sif é uma velha amiga”

3 – Deuses entre nós (Ep. 15 – Yes, Man e 16 – End of the Beginning) – A deusa Lorelei (Elena Satine), com poder de seduzir os homens com suas palavras, vem à Terra, fugindo de Asgard e decide dominar o planeta. Em seu encalço, chega Lady Sif (Jaimie Alexander) e, novamente, se une a Coulson para defender o planeta.

 

"Não acredite em ninguém"

“Não acredite em ninguém”

2- Infiltração (Ep. 17 – Turn, Turn, Turn) – A SHIELD é desmantelada e é revelado que a agência foi controlada por uma organização terrorista chamada Hidra. Ninguém é confiável, nem mesmo entre o grupo de Coulson, que possui um traidor que mata Victoria Hand (Saffron Burrows) a sangue frio. A cena em que ele se revela e assassina a agente Hand é o momento em que você respira fundo e diz : “Agora danou-se!” Ligação com Capitão América 2: O Soldado Invernal.

Uma mãozinha de Nick Fury para terminar em grande estilo

Uma mãozinha de Nick Fury para terminar em grande estilo

1 – Clímax (Ep. 22 – Beginning of the End) – Episódio de tirar o fôlego, que conclui toda trama da infiltração da Hidra de forma empolgante, após cinco episódios, com a chegada de Nick Fury (Samuel L. Jackson) para ajudar os agentes a recomeçar a SHIELD. O episódio deixa aberto o futuro da agência para a segunda temporada, mas o que se sabe é que nada mais será como antes – a cena (surpreendente) em que Coulson mata um inimigo, explodindo-o com uma arma alienígena é de pular na cadeira e prova que o tempo de amenidades passou.

Rosto onipresente nas produções da Marvel

Rosto onipresente nas produções da Marvel

Menções honrosas: Na tentativa de alavancar a audiência, Agentes da SHIELD contou com muitas participações especiais. Além das já citadas – Jaimie Alexander (Lady Sif) e Samuel L. Jackson (Nick Fury) – o mestre Stan Lee também faz uma tradicional aparição-relâmpago no episódio 13 (T.R.A.C.K.S.), no papel de um passageiro de trem onde Coulson viajava. Colbie Smulders (Agente Maria Hill) também faz sua participação em dois episódios: Pilot (1) e Nothing Personal (20). O agente Jasper Sitwell (Maximiliano Hernández), velho conhecido dos leitores de quadrinhos e também dos que acompanham os curta-metragens da Marvel (chamados de Marvel One-Shot), aparece nos episódios 7, 15 e 16. Outro que deu as caras na série foi o vilão Blecaute (Patrick Brennan), nos episódios 18 e 19 – Providence e The Only Light in the Darkness, respectivamente.

Eu curti! Até a segunda temporada, pessoal!

Eu curti! Até a segunda temporada, pessoal!

* Colaboraram nessa seleção os leitores Júnior Batson e Milena Cherubim, que aguardam ansiosamente a chegada de setembro. Valeu, pessoal!

Em primeira mão: Agentes da S.H.I.E.L.D.

blog abreEstreou terça-feira à noite, pelo canal ABC nos Estados Unidos, a aguardada série Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D., a primeira série de TV ligada ao universo cinemático da editora. No Brasil, a série chega com um atraso de apenas dois dias: estreia hoje à noite, às 21h pelo canal Sony. Tomamos a liberdade de nos referir à série com um título traduzido e sem o nome da editora, evitando apóstrofos e acrônimos.

Logo da série

Logo da série

A premissa de Agentes da SHIELD é mostrar a ação da agência de espionagem num mundo de pessoas normais que, de uma hora pra outra, se viu envolvida numa batalha espacial entre extraterrestres, deuses, monstros verdes e outros seres superpoderosos. Tanto que as primeiras imagens do episódio piloto começa com uma narração lembrando brevemente os eventos do longa Os Vingadores (2012), ao mesmo tempo em que situa o espectador no universo da série.

Ele não é o Luke Cage. Mas poderia ser.

Ele não é o Luke Cage. Mas poderia ser.

Depois da guerra intergalática que uniu os super-heróis e praticamente destruiu Nova York, a população ingressou num “mundo novo”: um mundo em que pessoas com superpoderes caminham junto com seres humanos comuns e que, de uma hora para outra, tais poderes se fazem necessários. Isso fica evidente quando o último andar de um prédio explode de repente. Um encapuzado (J. August Richards) salva uma mulher do andar em chamas e desaparece. No entanto, o salvamento é filmado pelo celular de uma jovem e vai parar na Internet, criando um herói instantâneo. É sobre esse misterioso personagem que o episódio vai girar e os motivos pelo qual o prédio explodiu.

"Crachás" da equipe de agentes

“Crachás” da equipe de agentes

Aos poucos, os outros protagonistas vão sendo apresentados: não como “esse é o fulano e ele é faz isso”, mas durante o desenrolar da ação, deixando que o espectador perceba qual o papel do fulano na trama. São eles: o agente Grant Ward (Brett Dalton), encarregado de investigar a ação da misteriosa Maré Crescente (aparentemente, uma entidade que intercepta as comunicações da SHIELD e atrapalha as investigações); Melinda May (Ming-Na Wen), uma agente linha dura e boa de briga; Leo Fitz (Iain De Caestecker), um engenheiro tagarela e hiperativo e Jemma Simmons (Elisabeth Henstridge), uma bioquímica, forma dupla com Fitz no melhor estilo gato-e-rato; e Phil Coulson (Clark Gregg), o responsável por coordenar as ações desses agentes.

Agente Coulson: retorno da morte mal explicado... mas quem se importa?

Agente Coulson: retorno da morte mal explicado… mas quem se importa?

A série explica o retorno de Coulson – ele morreu em Os Vingadores – de forma bem pouco plausível, mas essa superficialidade não chega a incomodar. Simplesmente precisavam dar uma explicação para a volta do agente e o fizeram no melhor estilo Marvel, onde heróis nunca ficam mortos muito tempo. O que importa mesmo é saber que Clark Gregg trouxe de volta todo carisma que emprestou ao personagem, capaz de transmitir a mesma segurança quando dá uma bronca em seus comandados (“Não me digam que não tem jeito. Isso é com vocês! Façam acontecer!”) como quando encara uma ameaça com um sorriso sereno no rosto.

Maria Hill ajuda a ligar os eventos

Maria Hill ajuda a ligar os eventos

Assim como nos longa-metragens, Coulson é o ponto comum entre o universo cinemático e a série de TV e a forma como eles são ligados é excepcional. A participação especial de Maria Hill (Cobie Smulders) remete à Fase 1 da Marvel, que se encerrou com Vingadores e o superpoderoso Mike Peterson (o encapuzado do início) amarra o enredo com Homem de Ferro 3 (2013), que marca o início da Fase 2, explicando, de forma genial o motivo pelo qual a SHIELD sequer é mencionada no filme do Vingador Dourado. Eles estavam enfrentando seu próprio problema que… bem, é ver o episódio pra saber.

Skye é uma peça fundamental na equipe. E ela nem é agente!

Skye é uma peça fundamental na equipe. E ela nem é agente!

Nem todos são agentes da SHIELD na série. A jovem Skye (Chloe Bennet), que filmou a ação de Peterson, se junta ao grupo mais tarde, após a descoberta de um segredo que não vamos revelar para evitar spoilers. Mas é algo divertido e que mostra que até mesmo uma agência secreta de espionagem tem suas fraquezas, mas que elas não são tão frágeis quanto aparentam. A química entre o agente Ward e Skye também promete momentos divertidos para os próximos episódios.

Eu curti!

Eu curti!

De um modo geral, Agentes da SHIELD começou muito bem: roteiro inteligente e divertido, com o mesmo ritmo do filme dos Vingadores, casando momentos de ação com piadas certeiras e ótimas referências ao Universo Marvel. Também começou muito bem na questão da audiência: segundo o KSiteTV o piloto registrou uma audiência de 11,9 milhões de espectadores concorrendo, no mesmo horário, com o reality The Voice. Esta foi a maior audiência registrada em uma estreia desde o piloto da série V em 2009 e a maior de 2013. Espera-se que a série mantenha o fôlego pelos 22 episódios já confirmados da primeira temporada. Revistas em quadrinhos dos novos personagens surgidos na série sendo produzidas em 10… 9… 8…

Em tempo: S.H.I.E.L.D. significa Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão. Agora você já pode conversar naquela rodinha de assuntos nerds sem fazer feio. 🙂