Crítica: O Justiceiro

O Justiceiro nunca foi um dos meus personagens preferidos. Aliás, tenho minhas reservas quanto a um herói (ao menos, é esse o conceito das HQs, não? “Quadrinhos de super-heróis”?) que mata impiedosamente e sem reservas. No entanto, é fato que o personagem tem certo charme que conquista o leitor de suas aventuras. Talvez pela sua história trágica, que justifica seus atos, ou pelo fato de fazer justiça a qualquer preço e só atacar bandidos, nunca inocentes (algo que, verdade seja dita, todos nós, pobres mortais, temos vontade às vezes).

Encarnações anteriores não fizeram justiça ao personagem

O fato é que o público gosta do Justiceiro. Motivo pelo qual ele já foi levado três vezes ao cinema – em 1989, na pele de Dolph “He-Man” Lundgreen, num filme que descaracteriza totalmente o personagem (exceto pelo fato dele matar mafiosos); em 2004, interpretado por Thomas Jane (na minha opinião, a melhor caracterização do anti-herói), mas com um roteiro fraco que não emplacou; e, finalmente, em 2008, num longa violento e fiel aos quadrinhos, mas que também não teve grande repercussão – talvez pelo fato do ator Ray Stevenson (o Volstagg, da trilogia de filmes do Thor) pouco lembrar o personagem, embora ele não estivesse ruim no papel.

Justiceiro roubou a cena na segunda temporada de Demolidor.

Quando parecia que a Marvel finalmente tinha desistido de nos empurrar goela abaixo um personagem que pode até ser legal nos quadrinhos, mas pouco tem de apelo no cinema (já temos vários filmes de fuzileiros linha dura que se revoltam e decidem detonar os inimigos. Bruce Willis, Sylvester Stallone, Kurt Russell, Arnold Schwarzenegger e afins que o digam!), a Netflix decide incluí-lo numa participação na segunda temporada da série do Demolidor. Frisson entre os fãs. Veremos o Justiceiro numa série de TV! Agora vai! E foi. A breve, mas marcante participação do anti-herói na pele do ator Jon Bernthal era a deixa que a Marvel precisava para dar um sinal verde para a produção de uma série de TV. No cinema não emplaca, mas uma série, talvez funcione.

Jon Bernthal e sua cara de mau. “I’m Batm… não, pera…”

Não funciona. Feita às pressas, fora da programação original do canal streaming (que não previa nem a segunda temporada do Demolidor, aliás), a série O Justiceiro (The Punisher, 2017) explora o passado de Frank Castle (Bernthal) desde o tempo em que ele atuava como fuzileiro naval ao lado de Billy Russo (Ben Barnes) e Curtis Hoyle (Jason R. Moore). Vale lembrar que a série do Demolidor já mostrou o assassinato de sua família, que o motivou a declarar guerra contra o crime, então era preciso ir além.

Madani e seu parceiro Sam: investigação proibida.

É revelado que Frank cometeu uma atitude pouco louvável no Afeganistão, muito embora ele a tivesse feito seguindo ordens superiores (soldados não discutem, apenas fazem o que lhes mandam, sabe como é.) Isso o coloca na mira da investigadora Dinah Madani (Amber Rose Revah) que vem para Nova York atrás dos responsáveis por tal ato, mas ela é impedida de prosseguir seu objetivo pelo delegado Carson Wolf (C. Thomas Howell), que, ao que tudo indica, tem muito a esconder sobre o caso.

Microchip – ou simplesmente Micro: bons soldados nunca lutam sozinhos.

Nesse meio tempo, Castle elimina todos os responsáveis pela morte de sua família, destrói o equipamento do Justiceiro e tenta levar uma vida normal, sob a identidade de Pete Castiglione, trabalhando numa obra. No entanto, ele é descoberto por um misterioso hacker chamado Micro (Ebon Moss-Bachrach), que o convoca para lutar contra o Sistema, já que ambos perderam suas vidas graças à corrupção no Governo.

O ritmo é semelhante a fazer uma escultura: muitos detalhes e pouco avanço

Esses três parágrafos resumem os três primeiros capítulos da série – que, como de praxe, assistimos para fazer esta crítica – dos treze disponíveis. Ou seja, em três capítulos, não tem muita coisa para dizer, diferente das outras séries da Netflix, onde a trama já estava bem construída e se desenrolando. Em O Justiceiro, o ritmo é lento, muito lento. Imagens em flashback de sua esposa, na cama, acordando-o pela manhã são mostradas a cada 10 minutos. Cenas com os filhos, a cada 15. Se, por um lado, isso é válido, pois mostra a personalidade psicótica do Justiceiro, por outro, se torna maçante, uma vez que não dá espaço para a trama principal.

Curtis (Esq.) e Russo, amigos de Castle. Nos quadrinhos, Russo é o criminoso conhecido como Retalho.

Já sabemos que Castle perdeu sua família e se culpa por isso. Já sabemos que ele se tornou obcecado em acabar com a criminalidade. Vamos andar? Não, vamos dar mais flashbacks para a investigação de Madani (que também caminha a passos lentos. Parece até a Justiça Brasileira resolvendo os casos de corrupção do Governo). Frank visita seu amigo Curtis, cujo único trabalho é pendurar cadeiras após a reunião dos Fuzileiros Neuróticos Anônimos, ou algo do tipo, para falar sobre nada. Também se encontra com Karen Page (Deborah Ann Woll), que veio direto da série do Demolidor, fazendo uma participação quase romântica. Depois disso, Frank descobre a identidade de Micro e passa um episódio inteiro fazendo três ou quatro perguntas (respondidas com mais flashbacks) para virarem amigos ao final e Castle decidir voltar à ativa.

Conferindo se a caveira está bem desenhada.

A série não tem ritmo – ou tem, mas é vagaroso e sonolento. A investigação (que, invariavelmente revela aquilo que já sabemos: o Governo é corrupto e alguém precisa fazer uma limpeza) não tem nenhum elemento intrigante, que nos faça querer saber mais. Bernthal, que estava tão bom no Demolidor, parece ligado no piloto automático: só fazendo cara feia e tendo pesadelos com a esposa. Isso sem mencionar algumas cenas de dar vergonha alheia, como o Justiceiro acertar um tiro a quilômetros de distância e o bandido em pé conseguir ler um nome num documento caído no chão a mais de 10 metros dele. Ok, é ficção, mas sem forçar demais a barra, né?

Estreia do anti-herói: “nasci coadjuvante; deveria continuar coadjuvante”.

Apesar disso, como só vimos três episódios (equivalente a 23% da série), a esperança é que a trama engate (principalmente porque o terceiro capítulo termina com um gancho que indica isso). Caso melhore, faço questão de voltar aqui e retificar a crítica. Mas vale lembrar que uma série que não conquista logo no início, a tendência é que o público não siga até o final. Como disse no início, o Justiceiro nunca foi um dos meus personagens favoritos. Mesmo assim, ainda tenho um pouco de boa vontade para com ele. A Marvel também deveria ter e perceber, de uma vez por todas, que o personagem simplesmente não funciona em live-action. Melhor deixá-lo nos quadrinhos. Seria muito mais justo. 

Cotação: 

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Agendão Raio X de séries de super-heróis

Setembro está terminando e começa, nos Estados Unidos, as novas temporadas das séries de TV, além das novidades que fazem sua estreia. Como de praxe, nosso blog faz um agendão com os lançamentos (um pouco atrasado, aliás) para você se programar e não perder nenhuma novidade. Algumas datas ainda estão pendentes de confirmação, mas não deve demorar muito para as emissoras anunciarem. Vale destacar que focamos apenas nas séries de super-herói, portanto, se sua série favorita ficou de fora, não foi esquecimento nosso.

Também vale mencionar que Raio Negro e Manto e Adaga também não foram mencionadas porque estreiam somente em 2018. Dito isto, segue abaixo nosso agendão, pra você copiar, guardar as datas e compartilhar com os amigos.

 

Dica Literária: Sílvio Santos: A Trajetória do Mito

Dizem por aí que tudo que Sílvio Santos toca vira dinheiro. O livro Sílvio Santos: A Trajetória do Mito, do professor e pesquisador Fernando Morgado, é uma prova de que o animador não precisa nem tocar para fazer sucesso: basta trazer seu nome e já é garantia de boas vendas. Lançado no início deste ano, o livro já está em sua quarta edição, o que significa que, em cerca de cinco meses, foram vendidos exemplares suficientes para garantir quatro reimpressões.

Livro traz texto dissertativo e declarações do próprio animador.

Publicado pela editora Matrix, o livro não se limita a contar a história do empresário e animador, mas inclui uma série de depoimentos saídos de sua própria boca que mostra como pensa e age um dos artistas mais amados do Brasil. O livro é dividido em seis capítulos: o primeiro traça, em linhas gerais, um perfil do homem Senor Abravanel, o filho de imigrantes que começou sua vida como camelô e, com uma visão empreendedora como poucos, evoluiu, enriqueceu e se transformou em dono de uma das maiores redes de televisão do País.

O autor, em noite de autógrafos na livraria Saraiva.

Os seguintes, temáticos, apresentam um perfil de Sílvio sobre Negócios, o Artista Sílvio Santos, o Dono de Televisão, o ingresso na Política e a Vida Pessoal. O livro termina com uma breve linha do tempo cronológica de sua vida. A obra tem uma leitura tão cativante e ágil que é praticamente impossível parar de ler. O pensamento de Sílvio Santos, por vezes contraditório (ora extremamente conservador, ora liberal), e sua linha de trabalho disciplinada consistem de um verdadeiro modelo de dedicação e perseverança, admirável até mesmo para quem não acompanha seu programa dominical. Simplesmente porque a história de Sílvio Santos vai além do artista e apresentador, mas entra em outros campos, como empreendedorismo, disciplina, honestidade, ética, visão de mundo e muito mais.

Morgado entregou seu livro pessoalmente a Sílvio Santos.

Trata-se de uma leitura apaixonante, não apenas pela suntuosa figura que Sílvio Santos representa, mas porque sua história de vida é, de fato, um exemplo de como o trabalho é importante na vida de uma pessoa. É fato que nem tudo que Sílvio Santos faz é digno de elogios ou de aprovação. No entanto, pelo texto, é possível ver que os motivos por trás de suas atitudes mais polêmicas são corretos, dentro de seu ponto de vista.

Ma oeeee… Sílvio Santos exibe sua biografia.

A apuração do autor é tão boa que apresenta muitos fatos inéditos (ou, ao menos, bem pouco divulgados) na vida do apresentador, que tornam ainda mais rica sua trajetória. Sílvio Santos é um mito, mas Senor Abravanel é um homem como qualquer um de nós, que precisou de ajuda de muita gente para galgar os degraus do sucesso – entre elas, Manoel de Nóbrega, a quem considera como um pai – mas que soube aproveitar suas oportunidades para fazer delas não apenas um degrau, mas um elevador. E que hoje ensina: “vamos sorrir e cantar porque do mundo não se leva nada”.

Crítica: Os Defensores

Estreou ontem na Netflix a aguardada série Os Defensores, que conclui a primeira fase das séries do canal streaming em parceria com a Marvel Studios. Após duas temporadas de Demolidor (2015-2016) e uma de Jessica Jones (2015), Luke Cage (2016) e Punho de Ferro (2017), a série reúne os heróis numa conspiração criada pelo Tentáculo, organização criminosa que esteve presente nas séries anteriores. O elenco secundário de todas as séries tem participação em algum momento, mostrando uma coesão minuciosamente organizada, para dar aos fãs a sensação perfeita de que os heróis fazem parte do mesmo universo.

Estreia dos heróis unidos pela casualidade

Nos quadrinhos, a equipe dos Defensores estreou na revista Marvel Feature 1 (1971) e é formada pelo Dr. Estranho, Hulk e Namor, que se uniram casualmente para combater uma ameaça comum. Mais tarde, juntaram-se ao grupo o Surfista Prateado, Valquíria e Gavião Noturno. Diferente das outras superequipes, como Vingadores ou X-Men, os Defensores não reúnem numa sede com computadores e dali decidem suas ações heroicas. Cada herói vive sua vida particularmente e eles só se juntam quando a ocasião assim o exige.

Daniel é parceiro de Luke, que ama Jessica, que é defendida por Matt, que luta contra o Tentáculo, assim como Daniel. Nada em comum?

Essa premissa permitiu que a equipe tivesse várias formações diferentes ao longo dos anos e, dessa forma, deu abertura para que ganhasse uma conotação totalmente renovada na TV, unindo os heróis das séries independentes que, teoricamente, nada têm em comum, mas cujas habilidades se completam, como nas HQs. Mais enxuta que as séries anteriores, Os Defensores possui apenas oito episódios (contra treze de cada uma de suas antecessoras) e, para fazermos esta crítica, assistimos os cinco primeiros.

Não, um elevador não é uma boa sede para superequipes

O que vimos foi um roteiro primorosamente escrito, que começa lidando individualmente com cada personagem, criando as ramificações para a união deles. A série começa com o Punho de Ferro (Finn Jones) numa luta com uma assassina misteriosa a serviço do Tentáculo. As pistas o levam a Nova York. Matt Murdock (Charlie Cox), aposentado de sua carreira heroica de Demolidor, atua apenas como advogado. Jessica Jones (Krysten Ritter) é procurada por uma esposa preocupada com seu marido e vai investigar o paradeiro dele após receber uma ligação misteriosa. Luke Cage (Mike Colter) sai da prisão após a ação de Foggy Nelson, advogado e ex-parceiro de Matt, e logo se mete numa investigação do envolvimento de um jovem no que ele pensa ser o tráfico de drogas no Harlem.

Alexandra: vilão com profundidade e boa motivação.

Nesse cenário, surge Alexandra (Sigourney Weaver), uma poderosa líder da organização, que provoca um terremoto na cidade para forçar o Punho de Ferro a se revelar. A confusão provocada pelo abalo sísmico e as investigações particulares de cada herói culminam na reunião casual deles contra os assassinos do Tentáculo e, apesar da apatia inicial, eles logo entendem que precisam se unir se quiserem ser fortes suficientes para desmantelar a seita, principalmente após a chegada de Stick (Scott Glenn), que serve de guru para o grupo. É brilhante a forma como a união acontece, pois tudo se encaixa, como um grande quebra-cabeças, unindo elementos das quatro séries e dando sentido ao contexto.

Stick é o mentor da equipe

A série segue num nível que melhora a cada episódio, com um primeiro capítulo morno, onde os fatos e os personagens são apresentados, um segundo melhor (com o primeiro encontro de Luke Cage e Punho de Ferro, para delírio dos fãs de quadrinhos, já que a dupla formou uma parceria bastante famosa no final da década de 1970), um terceiro melhor ainda e assim por diante. Cada episódio é repleto de bons momentos e ótimas atuações, principalmente pela veterana Sigourney Weaver, que consegue transformar uma personagem insossa e criada exclusivamente para a série numa vilã com motivação e profundidade.

Luta no corredor: uma característica das séries Netflix.

O texto dá espaço para que cada herói tenha o seu momento e o elenco auxiliar também tem sua relevância na história e não estão ali apenas para cumprir um contrato. Um problema que poderia ser melhorado está na descrição das legendas, que muitas vezes utiliza nomes em inglês – caso do vilão Cascavel (da série Luke Cage) que é mencionado com seu nome original, Diamondback – ou mal traduzidos, demonstrando uma falta de pesquisa e conhecimento dos personagens.

Sim, a Marvel vai ressuscitar a equipe nas HQs em sua formação da TV.

As séries individuais dos heróis dividiram as opiniões – exceção feita ao Demolidor, que manteve o alto nível em ambas as temporadas – com alguns problemas na condução das tramas, algumas estendidas demais e outras na caracterização dos personagens. De modo geral, porém, a Marvel e a Netflix apresentaram um bom produto que Os Defensores fecha com chave de ouro. Além da futura série do Justiceiro (marcada ainda para 2017, mas sem data confirmada) e das novas temporadas dos outros personagens, não se sabe o que virá por aí na “Fase 2” da Netflix. Não devemos esperar grandes novidades, mas, em vista do que já foi apresentado, sabemos que virá coisa boa. Material para isso, a Marvel tem.

Cotação: 

 

Sílvio Santos em quadrinhos

Talvez muita gente não saiba, mas Sílvio Santos já foi personagem de quadrinhos mais de uma vez. Como um dos homens mais influentes do Brasil, dono de um império televisivo, o empresário, cujo nome verdadeiro é Senor Abravanel, já foi retratado diversas vezes em publicações de humor, como nas revistas da Turma da Mônica, Aventuras do Didi, Mad e a similar brasileira Pancada. Segundo o site Guia dos Quadrinhos, foram sete publicações (sem contar as reedições), fora as aparições surpresa que o site pode ter deixado escapar.

Sílvio Santos já foi parodiado diversas vezes nas HQs.

Além dessas participações especiais em quadrinhos alheios, o Homem do Baú também teve sua própria revista em quadrinhos publicada em 1969 pela editora Prelúdio que contou com tiragem de 200 mil exemplares e se esgotou rapidamente, tornando-se objeto de colecionador. Até agora, porque a Avec Editora conseguiu autorização para reeditar o material e lançará a revista em edição especial no mês de outubro. Sílvio Santos: Vida, Luta e Glória é de autoria de Rubens Francisco Lucchetti com desenhos de Sérgio M. Lima e conta a trajetória do empresário desde os tempos de camelô até se tornar um sucesso na TV aos domingos.

HQ passou por processo de restauração e colorização.

O responsável pelo relançamento é o escritor Rafael Spaca, que entrou em contato com o autor e recebeu a bênção para lançar a HQ. Originalmente publicada em preto e branco, a edição foi colorizada pelos alunos da Faculdade Rio Branco em São Paulo e terá uma tiragem bem menor – apenas 1000 exemplares (o mercado de quadrinhos mudou bastante…). Porém, segundo Arthur Vecchi, dono da Avec Editora, declarou ao site BOL, haverá possibilidade de novas edições, caso a procura seja grande. O álbum será em formato A4, capa cartonada e papel couché e já está em pré-venda pelo site Amazon.

Sílvio Santos é modelo de como o trabalho pode engrandecer o homem.

Apesar das mudanças, adaptadas para os quadrinhos atuais, a história original será preservada e contará com uma introdução do autor, contextualizando a história (uma vez que a inauguração do SBT, fato importante na trajetória do apresentador, obviamente, ficou de fora já que a revista foi publicada 12 anos antes deste acontecimento). Com seu exemplo de profissionalismo, Sílvio Santos conquistou uma carreira vitoriosa que serve de inspiração para muita gente e esta HQ pretende resgatar essa história e apresentá-la numa linguagem acessível a todas as idades. Um lançamento mais do que bem-vindo. Sílvio Santos merece essa homenagem e seu público também merece esse presente para ler e guardar para sempre.

Ultraman ganha livro teórico

Criado em 1966 por Eiji Tsuburaya, o herói Ultraman se tornou um ícone no Japão (tão importante quanto o Superman é para os americanos) e conquistou também outros países, entre eles o Brasil. Por isso mesmo, é surpreendente que só 50 anos depois o personagem  venha a ganhar um livro teórico, com informações a respeito do seriado. Lançado pela Editora Estronho, o livro Ultraman é a obra de estreia de Danilo Sancinetti Modolo e se junta a outros livros da editora que abordam séries de TV famosas nas décadas passadas.

O autor em seu canal do YouTube

Segundo o autor, Ultraman é uma referência do gênero tokusatsu (filmes de efeitos especiais) e abriu caminho para outras produções envolvendo super-heróis que enfrentam monstros gigantes. Piracicabano morando atualmente na Europa, Modolo criou o TokuDoc, um canal no YouTube para trocar informações com fãs do mundo inteiro a respeito de sua paixão por séries japonesas. Hoje, o canal conta com mais de 60 mil inscritos e motivou o autor a escrever o livro.

Ultraman é tão famoso que gerou uma “família” e continua sendo exibido até hoje.

Com 188 páginas, a obra faz parte da coleção TV Estronho e celebra o cinquentenário da série de TV – embora com um ano de atraso, mas antes tarde do que nunca! – trazendo um histórico completo do seriado, suas séries derivadas, entrevistas com dubladores e outras pessoas envolvidas com a exibição de Ultraman em nosso País, num trabalho de pesquisa bastante minucioso que traz, com exclusividade, a data exata e o canal que lançou Ultraman no Brasil. “Foi a parte mais demorada garimpar o suficiente para achar tal informação, mas é uma honra gigante, com o perdão do trocadilho, poder encontrar e dividir essa informação perdida há décadas, num país que mal conserva suas memórias televisivas”, comemora.

Não há monstro de borracha com zíper aparecendo que derrote o herói japonês.

O autor virá ao Brasil nos próximos dias para o lançamento do livro e estará em diversos locais para sessões de autógrafos e bate-papo com os fãs. “São poucos dias em meu país e será a oportunidade perfeita para encontrar os amantes dos super-heróis japoneses pessoalmente, numa ocasião tão especial que é o lançamento do meu primeiro livro sobre o tema e esse universo”. Veja abaixo onde acontecerão esses eventos (com link do evento no Facebook, para mais informações)

12/8 – Curitiba (PR) – Local: Literatiba (Memorial de Curitiba – R. Dr. Claudino dos Santos, 79 – São Francisco)
15/8 – Campinas (SP) – Local: YoouGeek (Rua Olavo Bilac, 142 – Cambuí)
17/8 – Sorocaba (SP) – Local: Retroid (Rua Rio Grande do Sul, 420)
19/8 – São Paulo (SP) – Local: MIS – Museu da Imagem e do Som (Avenida Europa, 158 – Jardim Europa)
20/8 – Salvador (BA) – Local: Biblioteca Central (Sala Walter da Silveira – Rua General Labatut, nº 27, subsolo, Barris)
22/8 – Piracicaba (SP) – Local: SESC (Rua Ipiranga, 155)

Coleção inclui vários livros sobre séries famosas

A Editora Estronho tem se especializado em lançar, entre outras obras, livros teóricos sobre séries de TV. A editora já publicou Perdidos no Espaço (produzida por Irwin Allen), Kung Fu (famosa série com David Carradiine) e até mesmo a brasileira Shazan, Xerife & Cia, que revelou o ator Flávio Migliaccio. No site da editora, mais informações sobre as obras e como adquiri-las e abaixo você relembra a abertura da série:

 

“Ele passou sua vida inteira como um artista, fazendo as pessoas felizes, fazendo-as rir e tentando fazer deste mundo um lugar melhor” – Burt Ward, o Robin, da série de TV do Batman, em seu discurso, no qual homenageia o parceiro Adam West, que faleceu na última sexta-feira. Na noite de ontem, em Los Angeles, o prefeito da cidade acendeu um batsinal em memória do ator e de seu legado. Veja o vídeo abaixo: