Crítica: Patrulha do Destino

O canal streaming DC Universe, que estreou em 12 de outubro de 2018, acaba de lançar sua segunda série, apenas quatro meses após Titãs – dois meses, se considerarmos a exibição do último episódio, que foi ao ar em 21 de dezembro (Veja a nossa crítica de Titãs aqui). A aposta é na obscura equipe Patrulha do Destino, pouco conhecida até mesmo entre os leitores mais fiéis. A estratégia foi dar uma prévia na própria série dos Titãs, cujo episódio 4 tinha justamente o título de Patrulha do Destino, apresentando os personagens ao público.

Estreia da equipe nos quadrinhos

A equipe estreou na revista My Greatest Adventure 80 (junho de 1963), uma revista focada em histórias de ficção científica que, próxima ao cancelamento, decidiu fazer uma experiência no gênero super-heróis, mas mantendo a fórmula sci-fi. Assim, os membros do grupo eram pessoas que sofreram acidentes que os transformaram em párias da sociedade, com as mais bizarras habilidades. O Homem-Robô é um piloto de corrida que sofre um acidente e tem seu cérebro transplantado a um corpo metálico; a Mulher-Elástica é uma atriz que aspira uma substância e adquire a habilidade de aumentar ou encolher seu corpo; o Homem-Negativo é um piloto de testes cujo avião é exposto a um campo energético em forma de espírito que passa a habitar seu corpo e o transforma num organismo radioativo.

Meu nome é Fe. Che-Fe.

O trio é reunido pelo cientista Niles Caulder, chamado apenas de Chefe, que passa a cuidar deles para protegê-los do mundo exterior, ao mesmo tempo em que os manipula para que usem as habilidades para lutar contra o mal. A série da DC tem essa mesma premissa, com algumas alterações pontuais na origem dos heróis, mantendo o mesmo clima adulto da série dos Titãs, com uma pitada de humor negro. O episódio-piloto é focado no Homem-Robô (intepretado por Riley Shanaham e dublado por Brendan Fraser, que interpreta o herói antes do acidente), mostrando os fatos que o transformaram na criatura metálica após ser salvo pelo Chefe (o ex-James Bond Timothy Dalton). 

Parece, mas não é uma cena de A Bolha Assassina.

Enquanto tenta se adaptar ao novo corpo, ele conhece os outros moradores da mansão do Chefe, ao mesmo tempo em que cenas de flashback mostram suas origens: Rita Farr, a Mulher-Elástica (April Bowlby), aspira uma substância enquanto fazia uma cena e perde a coesão de seu corpo, passando a se transformar numa criatura disforme que lembra o clássico filme Blob, a Bolha Assassina (1958/1988). Já o Homem-Negativo (Matthew Zuk) faz um voo experimental e é exposto a uma energia no espaço que entra em seu corpo (num efeito especial bem tosco), obrigando-o a enfaixar o corpo como uma múmia para conter a radiação. O ator Matt Bomer interpreta o herói antes do acidente e dubla sua voz.

O orçamento acabou na hora de fazer o efeito especial do Homem-Negativo.

Ao grupo, junta-se Crazy Jane (Diane Guerrero), uma jovem com 64 personalidades diferentes (algumas nem tão sociáveis ou educadas), cada uma com uma habilidade diferente. A personagem veio de uma nova versão da Patrulha do Destino criada em 1987 pelo roteirista Grant Morrison após a minissérie Invasão. O quarteto aproveita a ausência do Chefe e resolve quebrar o isolamento e socializar na cidade, mas – obviamente – as coisas não saem como esperado e os estranhos seres chamam mais atenção do que o devido. A novidade é a presença do Cyborg (Joivan Wade), que nunca fez parte da equipe – e que também não apareceu no piloto.

A equipe tem o seu “day-off” e causa confusão na cidade.

Diferente da série dos Titãs, cujo piloto tinha uma trama forçada e pouco carisma dos personagens, Patrulha do Destino já encanta logo de cara pela sua fluidez. A história desperta o interesse do espectador e os personagens, talvez pela própria bizarrice da coisa, logo conquistam a audiência. Em comparação, talvez o erro de Titãs tenha sido supor que o público já conhecesse os personagens e, por isso, não dar tanta ênfase à questão da origem, focando mais nos problemas  psíquicos de Ravena. O ar retrô (que se refletiu, inclusive, nos pôsteres promocionais) também é um atrativo do seriado.

Vilão dos quadrinhos é tão bizarro quanto os heróis.

Já em Patrulha, logo ficamos conhecendo as origens de todos os heróis para, em seguida, vê-los interagindo com o mundo e uma ameaça à equipe – representada pelo vilão Sr. Ninguém, um velho inimigo da equipe nos quadrinhos, interpretado pelo veterano Alan Tudyk (Powerless) – terminando com o bom e velho cliffhanger (gancho) para o episódio seguinte. Uma fórmula simples e batida, mas que funciona perfeitamente, ainda mais em se tratando de um primeiro episódio, que precisa atrair de imediato a atenção do público para que este acompanhe o restante da série. Ponto para a DC que, com sua Patrulha, garantiu o destino das séries streaming da editora. Tomara que o nível do primeiro episódio se mantenha nos seguintes.

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Eaglemoss lança bustos da série de TV do Batman

Com o término das coleções de miniaturas (a da DC terminou já faz um bom tempo e a da Marvel está nos últimos personagens), a Eaglemoss tem investido em novas coleções para manter o interesse dos colecionadores. A mais recente é a coleção de bustos Batman Universe, que já conta com exemplares bem interessantes (e o preço, nem tanto), inspirados nas versões cinematográficas do Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Flash e vários vilões.

Santa coleção, Batman!

No Reino Unido, a coleção iniciou uma série que homenageia a aclamada série de TV do Homem-Morcego de 1966 em escala 1:16 (cerca de 13cm). Começando a partir do número 25, os bustos representam o Batman de Adam West, Robin (Burt Ward), Coringa (Cesar Romero, com direito a bigode pintado de branco que o ator se recusava a raspar), Mulher-Gato (Julie Newmar), Charada (Frank Gorshin) e Pinguim (Burgess Meredith) – veja abaixo na galeria e clique para ver maior.

Coleção no Brasil começou pelo número 13

Lembrando que cada busto vem acompanhado de uma revista (ou cada revista vem acompanhada de um busto) com detalhes da carreira de cada ator e dos bastidores da série de TV. O preço é de £ 16,99 (aproximadamente R$ 83,00) e não há previsão da chegada desse material no Brasil. No entanto, vale mencionar que a Eaglemoss tem lançado os títulos fora de ordem numérica (começaram com o volume 13 e os lançamentos não seguem uma sequência), portanto, pode não demorar tanto para termos esses exemplares por aqui. Uma pena que o preço seja tão proibitivo – cada busto está sendo vendido pelo site da empresa ao preço de R$ 99,99.

Crítica: Titãs

Ontem foi o aguardado dia da estreia de Titãs, a primeira série de TV produzida pelo novo canal DC Universe, exclusivo para produções de super-heróis da editora do Superman. O canal entrou no ar no final de setembro, exibindo produções antigas, animações  e também disponibilizando quadrinhos para leitura on line. Titãs é a primeira produção própria e um projeto antigo da editora, que vinha sendo planejado desde 2014, mas a falta de entendimento dos produtores com os canais comerciais (no caso, o canal TNT) levou ao adiamento da mesma e, com o advento da Netflix, a ideia de produzir a série por conta própria e exibir no próprio canal.

Chora mais, Ravena!

Finalmente, a série saiu do papel e bem distante do clima descontraído e juvenil que os leitores estão acostumados a ver nos quadrinhos. O produtor Greg Berlanti – o mesmo criador das séries do chamado Arrowverso, exibidas pelo canal CW – optou por uma temática mais adulta, com heróis realistas e sombrios. O problema talvez seja que o roteiro de Akiva Goldsman pesou demais a mão nesse estilo, resultando num programa sem carisma e uma tentativa (mal sucedida) de criar um clima de terror.

Bem que me falaram que era melhor ter ficado na ilha…

A trama começa com a jovem Rachel Roth (Teagan Croft) sendo assombrada por pesadelos e uma apavorante imagem demoníaca de si mesma. Confinada no próprio quarto, cuja porta é forrada de crucifixos (Invocação do Mal, alguém?), Rachel (Ravena, para os íntimos) vive com a mãe e só sai para ir à escola, até que passa a ser perseguida por um homem misterioso. Em sua fuga, conhece o detetive Dick Grayson (Brenton Thwaites, do péssimo A Lagoa Azul – O Despertar) e lhe pede ajuda para controlar seu eu interior. 

O “passarinho” agora voa só.

Grayson, que saiu de Gotham por um desentendimento com Batman, tenta esquecer sua vida de vigilante, mas volta a vestir seu uniforme e agir sozinho (a famosa frase Fuck Batman! está lá, com todas as letras) chamando a atenção da mídia – e da própria delegacia onde trabalha. Ao mesmo tempo, Kory Anders (Anna Diop) acorda no meio da estrada, num acidente de carro sem lembrar quem é ou como foi parar ali e passa a buscar suas origens. O filme termina com um tigre verde roubando um game numa loja e se transformando no jovem Mutano (Ryan Potter), que corre pelado pelo mato (cada vez que ele se transforma, perde as roupas? Sério?). Obviamente, o destino dos quatro irá se cruzar para formarem a equipe teen.

Creia: o visual da Estelar não é o pior da série.

A caracterização dos personagens foi criticada desde que as primeiras fotos de bastidores foram divulgadas, mas não é isso que incomoda. Claro que, à exceção de Robin, perfeito em seu uniforme, os heróis são bem diferentes do visual visto nos quadrinhos, mas adaptações são necessárias e sabemos que nem sempre o que funciona no papel tem o mesmo efeito ao vivo. Não é esse o problema. Nem mesmo os efeitos especiais, muito bem feitos (nem poderia ser diferente, dado o atual avanço tecnológico). A questão está mesmo no roteiro do episódio, que força o clima de terror e mistério, mas não consegue despertar qualquer emoção.

Terror forçado.

São cinquenta minutos de chororô da Ravena, que vê reflexos distorcidos de si mesma com voz de “menina do Exorcista” para onde quer que olhe, um Robin de mal com a vida que acaba aborrecendo também  os espectadores e uma Estelar empoderada que não sabe qual o seu lugar no mundo. Aliás, é uma característica dos heróis Warner/DC, que parece ter medo de criar super-heróis que sorriem e praticam o heroísmo porque é o correto. No universo Warner, todo mundo tem cara de mau e só são heróis porque não tem nada melhor passando na TV, então vamos ali salvar o mundo.

Olha, Warner: os heróis podem sorrir. Até a Ravena!

Falta aos executivos um pouco de conhecimento do produto que vendem (será que, numa empresa tão grande, não tem nenhum profissional de marketing para dizer isso a eles?), pois até no mundo real, cada pessoa tem um perfil diferente, não são todos clones do Batman com voz de catacumba de Christopher Nolan. Falta carisma, identidade, um pouco de “história para contar”, uma simpatia pelos personagens, que prenda a atenção do espectador e o faça se interessar pelo que está sendo contado.

Um sonho realizado ou um pesadelo? Vamos aguardar os próximos episódios.

De qualquer forma, ainda é o primeiro episódio e muito há para ser desenvolvido. Principalmente porque a série mal estreou e a Warner já confirmou a segunda temporada. Os personagens ainda podem crescer e mostrar ao que vieram, se conseguirem segurar a paciência do espectador, claro! A expectativa é que os próximos episódios engatem, pois os Titãs merecem um programa à altura de sua importância no Universo DC. Por enquanto, o que vimos foi apenas uma série aborrecente.

Cotação Raio X: 

Agendão Raio X – Novas Temporadas 2018/2019

Está chegando a hora de estrear as novas temporadas das séries de TV nos Estados Unidos. E o nosso blog, pra não deixar ninguém desamparado, criou aquele “agendão” com as datas de todas as séries de super-heróis que serão exibidas na TV americana. Vale reforçar que, no Brasil, essas datas são diferentes e nem todas as emissoras já programaram as estreias. Por isso, focamos exclusivamente no mercado americano, onde as datas já foram confirmadas – salvo alterações de última hora.

Sua vida social chegou ao fim. De novo.

Com a rapidez da Internet, fica fácil acompanhar essas produções antes de estrearem no Brasil e, assim, ficar livre de spoilers que, certamente pipocarão antes que os episódios sejam exibidos pelos canais brasileiros. Portanto, copie a imagem abaixo, divulgue pros amigos e fique antenado nesse universo de super-heróis que está, cada vez mais, se multiplicando e despertando o interesse dos grandes estúdios. Aventura e ação é o que não falta!

Cabelos sempre sedosos, pela honra de Grayskull.

O grande destaque é a estreia da série dos Titãs, pelo novo canal streaming DC Universe e também a chegada da nova série animada da She-Ra, pela Netflix. Mas claro que as redes abertas também têm seus destaques com as segundas temporadas de The Gifted (Fox), Raio Negro (CW) e Fugitivos (Hulu), a quarta temporada de Supergirl e Legends of Tomorrow, a quinta de The Flash e a sétima de Arrow, todas pela CW. E, claro, sem esquecer da terceira do Demolidor, que foi anunciado de supetão pela Netflix. Tudo isso só em 2018! Ufa!

Invasão de super-heróis na TV

 

Crítica: Os Jovens Titãs em Ação! nos cinemas

Após cinco temporadas de sucesso no canal Cartoon Network, a versão animada dos Jovens Titãs chega aos cinemas a partir de 30 de agosto, num longa-metragem pra lá de bem humorado, que não tem vergonha de rir de si mesmo e das produções da DC Comics para o cinema. Em Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (Teen Titans Go! to the Movies, 2018), Robin, Cyborg, Ravena, EstelarMutano buscam provar seu valor e conquistar o direito de ter seu próprio filme, a exemplo dos outros super-heróis.

“Sssslaaaaade!” O nome do vilão rende uma ótima gag na trama.

O problema é que os estúdios não se interessam pelos jovens, por não considerá-los importantes, mas, em contrapartida, produzem filmes dos mais obscuros personagens, o que causa revolta em Robin, que sonha em sair da sombra de seu mentor. Enquanto isso, Slade (nos quadrinhos, o vilão é chamado de Exterminador, mas na série optaram por usar seu nome civil) prepara um plano para dominar a mente da população mundial e cabe aos desprezados Titãs impedi-lo.  O longa segue o mesmo ritmo frenético da série animada, com ação constante e diálogos estapafúrdios que não poupam nem mesmo a concorrente Marvel, em momentos hilários e participações especiais.

Os personagens mais desconhecidos (MESMO!) da DC aparecem no longa.

O fãs de quadrinhos das antigas vão se divertir identificando as inúmeras referências que aparecem a todo instante e vão desde prédios conhecidos a personagens coadjuvantes do Universo DC e pôsteres na parede remetendo a filmes famosos, tudo com um humor escrachado e subversivo – em algumas situações, até mesmo politicamente incorreto. Não é para menos que uma piada envolvendo Batman V Superman – A Origem da Justiça (2016) por pouco não foi cortada da edição final, porque teria desagradado os executivos da Warner. Felizmente, o produtor Sam Register conseguiu convencer o alto escalão da empresa e fomos brindados com um dos momentos mais engraçados do longa.

Piadas de bastidores também estão presentes.

Mas quem pensa que as piadas estão limitadas aos diálogos e cenas, engana-se! Nem mesmo os bastidores das produções cinematográficas foram deixados de lado: desde sempre, o ator Nicolas Cage manifestou seu desejo em interpretar o Homem de Aço nos cinemas e quase conseguiu seu objetivo na década de 1990, numa produção intitulada Superman Lives! que nunca saiu do papel por conta do roteiro ruim. O fato acabou rendendo uma participação do ator: ele faz a voz do Superman na animação.

Filme que não se leva a sério é mais divertido.

Esses pequenos detalhes tornam o desenho ainda mais genial, mas se você não está por dentro das notícias, não se preocupe: independentemente delas, o Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas vai agradar pelo roteiro ágil e pelo humor escrachado, feito para todas as idades. Assim como Lego Batman – O Filme (2017), o longa prova que não é preciso ser sombrio e realista para fazer um bom filme e que a DC continua imbatível no campo das animações. 

Quarto temático em hotel é estratégia de marketing.

Em tempo: a Warner acredita tanto no apelo desta animação junto ao público que vem investindo bastante na divulgação, tanto que chegou até mesmo a lançar um quarto temático do filme no Gran Mercure Hotel Riocentro que dá direito a ingressos do filme para quem se hospedar em suas dependências. Os dubladores brasileiros do longa também vieram de terras cariocas (o estúdio de dublagem é o Wan Macher) para uma entrevista coletiva em São Paulo, a fim de promoverem o filme e falar de seu trabalho.

Cotação: 

Entrevista: Ultraje nas estrelas

A série Jornada nas Estrelas é, indiscutivelmente, um grande sucesso de público e crítica, que influenciou – e ainda influencia – várias áreas da cultura pop desde seu surgimento, na década de 1960. Como não poderia deixar de ser, a saga tem uma legião de fãs, inclusive, alguns bem famosos. Um deles é Marcos Kleine, guitarrista da renomada banda Ultraje a Rigor, e também líder da banda PAD, voltada para ótimos projetos autorais.

É dia de rock e nerdice, bebê! Nosso repórter entrevista o roqueiro fã de Jornada nas Estrelas.

O que surpreende sobre a paixão de Kleine sobre o universo de Jornada nas Estrelas é o fato dele fazer parte da diretoria da Nova Frota BR, o maior fã-clube sobre o assunto no Brasil. Dono de itens invejáveis em sua coleção particular, que vão desde uma fita VHS autografada pelo próprio Leonard Nimoy (o Sr. Spock da série original e dos filmes para o cinema) a um cortador de pizza autografado por Simon Pegg (o atual Sr. Scott do recente franquia cinematográfica), o guitarrista nos recebeu para uma entrevista para falar sobre seu lado nerd e apresentar os projetos futuros voltados para os fãs.

(Nota do Editor: por uma questão de fidelidade, mantivemos o nome Jornada nas Estrelas e Guerra nas Estrelas ao invés das versões adotadas atualmente – Star Trek e Star Wars.)

Por Júnior Batson

Item sagrado: fita VHS autografada por Leonard Nimoy.

Que tipo de nerd é você?
Sou nerd de trilhas sonoras e seriados. Tudo começou em 1977, quando chegou às minhas mãos uma fita K-7 com a trilha sonora de Guerra nas Estrelas. Eu ouvi aquilo e fiquei alucinado! A música me pegou desde muito pequeno: sempre fui muito musical e eu me lembro de ver na TV um pouco de Jornada nas Estrelas. Não lembro em que canal, mas eu gostava muito! Assistia tudo de Jornada que passava na TV, quando passava! Hoje tem a Netflix e facilita pra caramba, mas antigamente a gente tinha de correr atrás, às vezes comprar fitas VHS (o DVD não existia na época)! Quando estreou Jornada nas Estrelas – O Filme, em 1979, eu fui ao Cine Marabá (São Paulo) na estreia! Desde então, mantenho uma tradição: vi todos os filmes já lançados em sua estreia, seja sozinho ou com amigos.

Sobre o reboot da franquia (a linha do tempo Kelvin, iniciada em 2009), qual é a sua opinião sobre a trilha sonora de Michael Giacchino?
A trilha dele é horrorosa, muito fraca. Pouca gente sabe que ele fez a trilha de Star Wars – Rogue One na correria, e se ele não tivesse feito dessa forma, teria sido fraca do mesmo jeito. Vi John Williams e Jerry Goldsmith em ação e, musicalmente falando, considero Giacchino meio brega…

Coleção de selos com o tema Star Trek. Sua mensagem chega aonde nenhum homem jamais esteve…

Mesmo o tema principal, “Enterprising Young Men”?
Horrível! Aquilo não me emociona. A trilha de A Ira de Khan (segundo filme da franquia, lançado em 1982), composta por James Horner, é absurda, o cara é um gênio! Até o Jeff Russo, compositor da trilha de Star Trek – Discovery (o seriado mais recente, disponível na Netflix), é muito melhor que ele!

Já que tocou no assunto: o que achou da nova série, Star Trek – Discovery?
Se puserem atores jogando bocha e vestidos com os uniformes da Frota Estelar, eu estou assistindo! Achei legal pra c@#@$%*! Assisti em tempo real, acordava cedo toda segunda. Tem muito trekker (como são chamados os fãs da saga) xiita que não curte que mexam no cânone e tals, mas, mano, vá se divertir! Certa vez, eu disse isso num debate no MIS (Museu da Imagem e do Som) entre caras que curtiam esse seriado (que é o meu caso!) e os caras que não gostavam – ou que fingem, sei lá! Eu disse a eles: “Vocês sabem que a série não é de verdade, não? É feita pra você se divertir!”. Não é preciso ficar alucinado com isso! E fiquei muito feliz recentemente sobre esse assunto, pois terão mais séries…

Memorabilia de Kleine: itens raros e autografados

Era exatamente isso que eu ia te perguntar! Qual sua expectativa sobre essas séries novas?
Se eu me contentaria com caras jogando bocha e usando os uniformes, quem dirá sobre séries novas! Verei tudo! Existe também uma conversa sobre um filme decente da Nova Geração, que merece um bom filme. Jornada nas Estrelas – Generations (1994) é legal, vi várias vezes no cinema, mas mais parece um episódio longo da série; Jornada nas Estrelas – Primeiro Contato (1996) é bem produzido, mas ele capenga do meio pro final, acaba sendo um filme meio arrastado; aí veio Jornada nas Estrelas – Insurreição (1998), que é uma bomba, você tem de ser muito fã pra gostar; já o Jornada nas Estrelas – Nêmesis (2002) pra ser ruim tem de melhorar muito. Eu assisti a todas as séries pelo menos duas vezes cada episódio, então sei do que estou falando! O último episódio da Nova Geração, “All good things…”, eu devo ter assistido umas dez vezes, seguramente…

Agora, a clássica pergunta (apesar de já saber a resposta): Jornada nas Estrelas ou Guerra nas Estrelas?
A minha opinião é que não dá pra comparar! Jornada é ficção científica e Guerra é fantasia.

Que a Força tenha vida longa e próspera. Não, pera…

Há uma frase que diz que “Jornada nas Estrelas é ópera, Guerra nas Estrelas é rock n’ roll”. Você concorda com essa afirmação?
Não concordo, porque é uma questão ideológica, filosófica até! Jornada projeta o futuro, Guerra é um mundo de fantasia, então daqui a dez ou duzentos anos, digamos assim, não vai ter ninguém lutando com espadas laser, enquanto que Jornada projetou um monte de coisas, como o disquete e o celular StarTAC, que era pra se chamar “Star Trek”, mas por um problema de royalties, acabou não rolando. Então, são coisas completamente distintas, você pode gostar de Guerra sem achar que está “traindo o movimento” de Jornada. Isso é besteira! Eu gosto de Guerra nas Estrelas e meus filmes favoritos da saga são O Império Contra-Ataca e Rogue One. Gosto, vejo, mas não enxergo como ficção científica! Ficção científica, pra mim, é Jornada, no qual vejo as tecnologias e penso “Nossa, imagina isso daqui a um tempo!”. Jornada nas Estrelas é muito visionária! Em plena Guerra Fria ter um russo na nave, apresentar o primeiro beijo inter-racial da história da televisão, só isso já faz de Jornada algo bem diferente de Guerra nas Estrelas.

E qual você considera o melhor episódio de toda a saga?
Digo a todos os nerds: assistam “The visitor” (terceiro episódio da quarta temporada), de Jornada nas Estrelas – Deep Space Nine. Não precisa saber tanto sobre a mitologia da série para entender o episódio, não faz parte de um arco, ele é um episódio jogado na cronologia e que emociona a qualquer pessoa, e isso é o que eu acho incrível nele.

Astro de Jornada também canta… e Kleine tem o CD autografado!

E sobre as demais sagas espaciais em seriados de tevê, como “Babylon 5” e “Galactica – Astronave de Combate”, acompanhou alguma delas?
Não vi nada, porque eu fico muito vinculado a Jornada. Séries de ficção que eu vi foram poucas, como Terminator – As crônicas de Sarah Connor (2008-2009). Não sei te dizer nada que eu tenha visto que eu te diga que é bom… Mas gosto de Black Mirror, acho bem legal! A última série que eu vi foi Vikings, uma série que eu nunca quis muito ver, mas fui pra Noruega em janeiro e naveguei nos fiordes, vi a aurora boreal e assisti meio que para ter uma recordação do local. Esta foi a última série que eu assisti.

Quando jovem, sofreu muito bullying por ser nerd?
Sofri e mandava se f#$@%! É o que falta no mundo hoje em dia! É bullying, as pessoas precisam saber se posicionar e se proteger por elas mesmas. Eu era um nerd roqueiro; desde muito cedo, já era cabeludo, tocava rock n’ roll e, obviamente, era excluído da sociedade, pois quem tocava rock era visto como drogado, essas coisas. Eu tinha 15, 16 anos e gostava de Jornada nas Estrelas, não fazia o tipo clássico do nerd que existe hoje em dia, de óculos, todo certinho, um tipo que não existia à época. Nem o nome “nerd” existia! As tribos que existiam na década de oitenta e que eu vivi eram skinhead, punk e metaleiro! Me chamar de nerd era algo que não aconteceu, pois não existia isso.

Enterprises para todos os tamanhos e gostos.

Você tem em sua prateleira vários itens de colecionador, entre eles o VHS de “Jornada nas Estrelas – A ira de Khan” autografado por Leonard Nimoy, o Sr. Spock da série clássica. Além desse contato, qual foi sua experiência com ele?
Fui técnico de som da convenção que o trouxe ao Brasil, e também toquei nessa convenção. Foi uma experiência tremenda! Ele é o Jimmy Hendrix da ficção científica! Foi como ver o Hendrix ao vivo!

E quais são seus ídolos entre os compositores de trilhas sonoras?
John Williams e Jerry Goldsmith, total! Williams criou os temas de E.T., Indiana Jones, Guerra nas Estrelas, é o grande hitmaker em trilha sonora; Goldsmith dispensa comentários. Acho fantástico também Hans Zimmer. O recente filme Dunkirk tem uma trilha sonora fantástica e elementos psicológicos na música. Ao ouvir essa trilha sonora você sente a tensão sem ver o filme e, quando vi, fiquei colado na cadeira. Danny Elfman também é muito bom!

Você usaria esse cortador de pizza… para cortar pizza?!?

Você também é ligado a quadrinhos?
Uma tia minha, já falecida, e meus primos tinham uma coleção de quadrinhos do Superman, coisa antiga mesmo, e eu lia quando moleque. Adorava, mas não tive muito acesso a quadrinhos depois disso, nunca tive vontade de comprar.

E os filmes baseados em quadrinhos, você assiste?
– Assisto. Já estou meio de saco cheio, mas assisto. São legais, têm filmes muito bons! Na Marvel, curti Capitão América – Guerra Civil (2016) e o Capitão América – O Soldado Invernal (2014); na DC eu gostei de Mulher Maravilha (2017) e a versão estendida de Batman vs Superman (2016), porque explica muita coisa, é muito bacana. Ainda não assisti a esse último filme dos Vingadores porque não me interessei, mas curti o primeiro Deadpool. Tem coisa legal sendo feita por aí.

Kleine e a banda Ultraje a Rigor com Danilo Gentili no The Noite.

Pra finalizar, quais são seus próximos projetos?
Bem, o Ultraje a Rigor tá aí, firme e forte; Estamos lá no The Noite (programa de entrevistas apresentado por Danilo Gentili de segunda a sexta-feira, à 0h30, no SBT) ganhando da Globo direto! Tenho uma outra banda, chamada PAD, e lançamos um álbum recentemente (clique aqui para ouvir no Spotify)e vamos lançar um projeto paralelo com músicas que eu componho, produzo e masterizo. Tem também a convenção StarCon, organizado pela Nova Frota (antiga Frota Estelar Brasil – clube repaginado que está sob nova direção, da qual eu faço parte!), que acontecerá no dia 18 de agosto, no Auditório Elis Regina- Anhembi (Avenida Olavo Fontoura, 1209 – Santana/SP). É um evento para os geeks, nerds, fãs de Star Wars e Star Trek e o povo que curte séries. Vamos trazer René Auberjonois, o Odo da série Jornada nas Estrelas – Deep Space Nine, que está comemorando 25 anos de seu lançamento. A banda PAD vai ser a banda do evento, vamos tocar temas de filmes e seriados num  grande show. Será uma convenção para entrar pra história e as informações estão no site (clique aqui). Então, vamos aproveitar e consumir, porque é indo a esse tipo de evento que você movimenta o mercado de convenções para poder trazer mais atores e gente importante de seu interesse.

Cartaz de divulgação do evento StarCon, voltado a fãs.

Contatos:
Twitter: @marcoskleine
Instagram: @kleineguitar
Facebook: marcos.kleine

Dica Literária: O Incrível Hulk

Lançado em dezembro do ano passado – mas só descobri recentemente – o livro O Incrível Hulk, quinto volume da Coleção TV Estronho, de autoria de Saulo Adami, traça um panorama da clássica série de televisão do Gigante Verde no final da década de 1970 e início dos anos 1980. Embora focado na série, o livro é bem completo e traz também outras aparições do personagem da Marvel em animações e longas-metragens para o cinema, além de mostrar sua origem nos quadrinhos.

Livro contém detalhadas informações de bastidores.

Além disso, o autor revela curiosidades de bastidores e apresenta um guia com direito a sinopse e elenco de cada um dos 82 episódios nas cinco temporadas que durou a série, sem esquecer os três longas-metragens que tentaram ressuscitar o seriado e, de quebra, incluir outros personagens da Marvel como Thor e Demolidor, na expectativa de gerar séries solo desses heróis. Tem também o guia de episódios das três séries animadas do Hulk – ou seriam duas séries animadas e uma “desanimada”?

Obra traz entrevista com o desenhista Carlos Magno, que fez Captain Universe/ Incredible Hulk 1 (2006)

Ricamente ilustrado, com fotos da produção e frames capturados da TV, o livro traz ainda uma introdução escrita por uma psicóloga – esposa do autor – analisando o perfil do monstro e sua relação com o próprio comportamento humano e uma entrevista com o desenhista Carlos Magno, que trabalhou em uma importante HQ do Verdão nos Estados Unidos. Em resumo, é um livro muito bom, que serve como guia para colecionadores e saudosistas relembrarem desta série que marcou época, bem como apresentar o programa para um público novo que nunca teve contato com esta versão antiga do Golias Esmeralda.

Hulk, Thor e o “papai” Lee.

Porém, como nem tudo são flores, a obra tem um grave problema. Embora seja de autoria de Saulo Adami, o autor contou com a colaboração de dois especialistas no personagem – Marcelo Amado, que destaca algumas participações especiais nos episódios e José Aguiar, que faz o resumo dos três filmes posteriores à série. É aí que reside o perigo, pois autores com estilos diferentes no mesmo livro provocam uma quebra na narrativa que traz opiniões distintas e destoa no conjunto.

“Sr. Aguiar, não me irrite falando mal da minha série. O senhor não ia gostar de me ver nervoso!”

Exemplo: Adami tem um texto sério e passa o livro inteiro exaltando a série e mostrando sua importância para a cultura pop, sem esquecer, obviamente, que o programa tinha suas bizarrices: tinta verde que desbotava, sapatilhas verdes, peruca mal feita… Era o que o orçamento e a tecnologia da época permitiam e há que se olhar para esses “defeitos especiais” com um ar condescendente. Aguiar, por sua vez, usa do discurso “engraçadinho” (com certo exagero, até) para denegrir todos os filmes posteriores, se opondo totalmente à imagem cult que Adami tentou trazer. Há até um alerta de “informações nocivas à saúde”! Desnecessário e depreciativo.

Hulk de sapatilhas? A série tem suas falhas, mas o livro também dá seus tropeços…

Há também alguns problemas de revisão que destaca o desenhista Alex Ross como brasileiro, a Tempestade dos X-Men como “Auroru” (o nome verdadeiro da moça é Ororo) e erros de pontuação. Não chega a tirar o mérito da obra como um todo, mas poderiam ter sido evitados com um pouco mais de atenção. Esperamos que uma segunda edição do livro corrija essas falhas, pois a obra tem uma boa pesquisa que merece ser valorizada.

“Cabô” o café!! Assim não dá pra controlar a raiva…

O Incrível Hulk pode ser adquirido no site da editora, ao preço médio de R$ 39,90. Vale dizer que a Editora Estronho tem livros de outras séries clássicas de televisão, como Ultraman (falamos sobre este livro aqui), Planeta dos Macacos, Perdidos no Espaço, Kung Fu e a coleção prevê mais lançamentos, entre os quais: A Feiticeira, Terra de Gigantes, Vigilante Rodoviário, Jornada nas Estrelas e outros. Para quem gosta de séries clássicas, é um item obrigatório que não deve faltar na estante.