Tributo a Len Wein

Uma notícia triste para os fãs de quadrinhos: morreu neste final de semana, aos 69 anos, o roteirista Len Wein, um dos nomes mais importantes para os fãs dos quadrinhos Marvel e DC. Wein é ninguém menos do que o “pai” de personagens icônicos como Wolverine, Tempestade, Noturno, Colossus, Pássaro Trovejante e Monstro do Pântano e alguns menos conhecidos como o Irmão Vodu (Marvel), Estrela Vermelha (DC) e os vilões Fogo Fátuo, Rocket Racer, Gangue da Demolição, o terceiro Duende Verde (Dr. Bart Hamilton) e Mongul, poderoso inimigo do Superman, entre vários outros.

Duas importantes criações de Len Wein: Monstro do Pântano e Wolverine.

O artista iniciou sua carreira na DC, estreando na revista Teen Titans 18 (1969). Mais tarde, em 1971, criou, juntamente com o desenhista Bernie Wrigthson (também falecido este ano) o Monstro do Pântano, na revista House of Secrets 92. Também escreveu para as revistas Adventure Comics, Superman, The Flash e Phantom Stranger, além da cultuada fase da Mulher-Maravilha de George Pérez, com quem dividiu os roteiros. Pela Marvel, estreou em Daredevil 71 (1970) e, em pouco tempo, se tornou um dos mais prolíficos roteiristas da Casa das Ideias, passando por uma longa fase na revista do Homem-Aranha, O Incrível Hulk, Thor, Quarteto Fantástico e Marvel Team-Up entre outras.

Entre os trabalhos de Wein como editor está a icônica minissérie Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons

Wein também atuou como editor e entre seus trabalhos mais marcantes estão as minisséries Camelot 3000, Novos Titãs, Batman e os Renegados, Crise nas Infinitas Terras e a aclamada Watchmen. Nosso blog presta uma homenagem a este grande profissional selecionando 10 histórias escritas por ele que merecem ser lidas. Prova do grande profissional que era, capaz de despertar as melhores emoções nos leitores. Obrigado, Wein! A vida é breve, mas suas histórias são eternas.

Aventura tocante

1 – Os Mais Longos Cem Metros (Amazing Spider-Man 153, 1976) – Uma história tocante na qual o Homem-Aranha ajuda um ex-jogador de futebol a resgatar sua filha, sequestrada por chantagistas. Além do final emocionante, o destaque vai para a sequência que mostra o jogador realizando um touchdown em uma narrativa em flashback, repetida exatamente igual em outra situação. Um toque de genialidade como poucas vezes se viu nos quadrinhos. No Brasil, essa história foi publicada duas vezes: na revista Homem-Aranha 34 (RGE, 1981) e em A Teia do Aranha 32 (Abril, 1992)

Grande estreia

2 – E agora… Wolverine! (The Incredible Hulk 181, 1974) – A clássica estreia de Wolverine (na verdade, o carcaju estreou na edição anterior, mas só aparece no último quadro da história), na qual o mutante canadense enfrenta o Incrível Hulk e o lendário monstro Wendigo dispensa comentários. É interessante notar como o personagem era diferente, muito mais contador de vantagem e com sua indefectível máscara com “orelhas” menores e bigodinhos de gato. O personagem foi criado para fazer esta única aparição, mas agradou tanto que foi incluído na reformulação dos X-Men. O resto é história. No Brasil, esta aventura já foi publicada pela primeira vez na revista O Incrível Hulk 22 (RGE, 1980) e teve várias republicações: Grandes Heróis Marvel 26 (Abril 1989), Wolverine 100 (Abril, 2000), Os Heróis mais Poderosos da Marvel 3 – Wolverine (Salvat, 2014) e Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel XVIII – Marvel Origens: A década de 1960 (Salvat, 2016). Curiosidade: em todas essas republicações, a história sempre foi publicada com nomes diferentes.

Encontro de Titãs

3 – Batman vs. O Incrível Hulk (DC Special Séries 27, 1977) – Depois do sucesso do encontro entre o Superman e o Homem-Aranha, um ano antes, a DC e a Marvel resolveram repetir a dose e juntar mais dois heróis de grande sucesso. E o encontro não poderia ser mais inusitado, com a criatura mais forte do planeta mas de inteligência limitada e o típico homem comum com dons atléticos e uma das mentes mais brilhantes do mundo. O resultado é mais uma história vibrante e cheia de ação que mostra o Coringa se aliando ao Figurador (um alienígena capaz de realizar sonhos) para dominar o mundo. Encontro imperdível. Foi publicado em Batman Vs. O Incrível Hulk – Edição Extra de Batman (Ebal, 1982) e Grandes Encontros Marvel & DC 3 (Abril, 1993)

O reboot que deu certo

4 – A Segunda Gênese (Giant Size X-Men 1, 1975) – Não bastasse criar Wolverine, personagem que se tornaria um dos mais populares e queridos da editora, Len Wein também ajudou a levantar o título dos X-Men, que estava à beira do cancelamento, recriando a equipe com novos membros vindos de vários lugares do mundo (numa época em que ninguém falava em diversidade) e, obviamente, incluindo nela sua criação do ano anterior. Sabe o que aconteceu? A dinâmica entre os membros da equipe foi tão perfeita que o título dos X-Men não apenas deixou de ser cancelado como se tornou o mais popular da editora, igualando – e, tempos depois, superando – até mesmo o imbatível Homem-Aranha. Além dos Novos X-Men, o mundo também ganhou Tempestade, Colossus, Noturno e Pássaro Trovejante (que morreria na missão seguinte, numa dramática aventura). No Brasil, essa aventura foi publicada em Superaventuras Marvel 16 (Abril, 1983), Heróis da TV 109/110, com inclusão de novos detalhes extraídos de Classic X-Men 1 (Abril, 1988), Wolverine 100 (Abril, 2000) e Coleção Histórica Marvel – X-Men 2 (Panini, 2014).

Oito páginas de puro terror… e uma grande criação.

5 – O Monstro do Pântano (House of Secrets 92, 1971) – Em apenas oito páginas, Wein criou uma lenda. Uma história de terror, que mostrava um casal numa mansão isolada, um assassinato em flashback e um monstro pantanoso que surge para salvar a vida de uma moça quando o homem está prestes a matá-la também. O final deixa subentendido que o monstro era a vítima do assassinato anterior, criando um clima para mexer com o imaginário do leitor. O sucesso dessa HQ foi tamanho que gerou um título próprio para o monstro apenas um ano depois. Quando Alan Moore assumiu o Monstro do Pântano na década de 1980 e o levou ao patamar de personagem cult, Len Wein foi o editor das primeiras histórias e fez seu trabalho com o mesmo primor com que criou o herói. No Brasil, essa aventura foi publicada em Vertigo DC – Casa dos Mistérios 16 (Fractal, 1999) e Clássicos DC – Monstro do Pântano: Raízes vol. 1 (Panini, 2013).  

Uma HQ para chorar.

6 – Um nome… para ser lembrado (The Incredible Hulk 182, 1974) – Logo após a estreia de Wolverine, o roteirista produziu outro clássico que, estranhamente, nunca ganhou o devido crédito, talvez por ser uma história “corriqueira”, mas que possui uma enorme carga dramática e uma das mais humanas mensagens numa aventura do Gigante Verde. Fugindo do Canadá após sua luta contra o Wolverine, o Hulk vai se esconder do exército numa floresta, onde encontra um mendigo chamado Jackson Bolachudo. Na amizade que nasce da simplicidade de duas pessoas humildes, o Hulk decide acompanhar seu novo amigo no reencontro com seu filho, que estava na prisão. Ele só não sabia que um alienígena concedeu uma arma poderosíssima para o rapaz e seu parceiro de cela, transformando a dupla numa grande ameaça que o Golias Esmeralda precisaria enfrentar. O final é dos mais emocionantes.  No Brasil, esta HQ foi publicada uma única vez, na revista O Incrível Hulk 23 (RGE, 1980).

O nascimento das lendas

7 – Lendas (Legends 1-6, 1986) – Logo após a saga Crise nas Infinitas Terras, o Universo DC estava se reestruturando e a minissérie Lendas serviu para mostrar a reformulação da Liga da Justiça, que tinha membros bastante impopulares e era pouco querida pelos leitores. Assim, o vilão Darkseid passou a desacreditar os heróis da terra com o objetivo de se tornar ele a única lenda do planeta. Unidos, os heróis derrotaram o tirano e, ao final da batalha, formaram uma nova Liga da Justiça: Batman se encarregou de liderar a equipe formada pelo Capitão Marvel (Shazam), Besouro Azul, Lanterna Verde (Guy Gardner), Canário Negro e Caçador de Marte.  Superman, Flash e Mulher-Maravilha não quiseram se unir ao grupo. Além da nova Liga da Justiça, a minissérie também marcou a estreia de Amanda Waller e do Esquadrão Suicida na Era Moderna. No Brasil, foi publicada na minissérie Lendas 1 a 6 (Abril, 1988), Grandes Clássicos DC 10 – Lendas (Panini, 2007) e Lendas do Universo DC – Darkseid (Panini, 2017). 

Um encontro arrepiante

8 – A nau dos condenados (Giant Size Spider-Man 1, 1974) – Para salvar a vida de sua Tia May, que se adquiriu uma doença mortal, o Homem-Aranha precisa encontrar A. J. Maxfield, a única pessoa capaz de curá-la, que se encontra num navio no meio do Oceano Atlântico. Ao mesmo tempo em que é a fonte de salvação da pobre velhinha, Maxfield também é uma ameaça para o Príncipe dos Vampiros, Drácula, que se dirige ao navio com o intuito de eliminar o problema. O confronto com o aracnídeo é inevitável. Uma HQ com tudo que os leitores mais gostam: o encontro de personagens icônicos que brigam entre si numa história com muito drama, ação e uma surpreendente reviravolta sobre a identidade de Maxfield. Esta história foi publicada pela primeira vez em Homem-Aranha 16 (Abril, 1984) e republicada em Drácula versus Heróis Marvel 2 (Abril, 1995).

Inimigo poderoso

9 – A chave que liberou o caos (DC Comics Presents 27-29, 1980) – Esta HQ marcou a estreia de outro perigoso e poderoso vilão do Universo DC: Mongul. Em busca de um artefato que seria uma chave para conquista, o alienígena sequestra os melhores amigos do Superman e o convence a roubar o item. Sem alternativas, o Homem de Aço vai em busca do item e entra em confronto com o Caçador de Marte, que é seu guardião. Após perder a chave, o Superman conta com a ajuda da Supergirl e do Espectro para recuperá-la. O vilão criado por Len Wein cresceria em importância dentro do Universo DC nos anos seguintes a ponto de se tornar o protagonista de mais duas aventuras memoráveis: Para o Homem que Tem Tudo, escrita por Alan Moore, e A Cidade da Morte, que mostra a destruição de Coast City, fazendo o Lanterna Verde enlouquecer e se tornar o vilão Parallax. Em Super-Homem 2 (Abril, 1984), foram publicadas as três partes da história (com cortes) e em Coleção de Graphic Novels DC Comics 30 – Lanterna Verde: Crepúsculo Esmeralda/Novo Amanhecer (Eaglemoss, 2016) foi publicada só a primeira aventura, na íntegra.

Parceria espetacular

10 – Fóton é o outro nome de…? (Amazing Spider-Man 171, 1977) – Segunda parte de uma aventura que começou na revista Nova 12 (escrita por Marv Wolfman), esta história conclui a trama do assassinato do tio de Richard Rider (o herói Nova) da qual Peter Parker é um dos suspeitos. O Homem-Aranha junta forças com Nova para investigar o caso e capturar o assassino, chamado Fóton. A história tem uma pegada de detetive, com pistas seguidas pelos heróis que conduzem ao gran finale e o leitor descobre que o nome do assassino sempre esteve evidente. Mais um roteiro criativo e dinâmico de Wein, que tem o mérito de juntar os dois personagens adolescentes mais populares daquele final de década de 1970. No Brasil, esta aventura foi publicada em Homem-Aranha 43 (RGE, 1982), A Teia do Aranha 41 (Abril, 1993) e Coleção Histórica Marvel – Homem-Aranha 8 (Panini, 2014).

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Ele tem a força! Mestres do Universo comemora 30 anos

Um dos personagens mais icônicos dos já lendários anos 1980, He-Man ganhou uma versão live-action que estreou em 7 de agosto de 1987 nos Estados Unidos – no Brasil, o filme chegaria quase um ano depois, em 30 de julho de 1988, algo impensável nos tempos atuais, onde a Internet e a pirataria tornam os filmes um produto fácil de ser compartilhado. Estrelado por Dolph Lundgren, Mestres do Universo (Masters of the Universe, 1987) deixou uma legião de fãs saudosistas, embora grande parte reclame da qualidade do roteiro e, principalmente, a falta de fidelidade com que o herói de Etérnia foi retratado nas telas.

O ator Frank Langella fez um duro regime para se parecer com Esqueleto.

Injustiça. Mestres do Universo é um bom filme de ação que bebeu bastante na fonte de Star Wars, com muitas batalhas com naves espaciais e armas lasers, além de contar com a excelente atuação do ator Frank Langella no papel de Esqueleto, cuja maquiagem era bem convincente para a época. O que aconteceu é que o filme teve uma série de problemas de produção, envolvendo falta de dinheiro, interferências externas e foco errado, o que resultou num produto aquém do esperado pelo público, acostumado a ver o super-herói ganhar bronzeado instantâneo quando dava seu grito de guerra na TV.

Os três protótipos que virariam He-Man.

Para quem não sabe, He-Man não nasceu desenho animado. Antes de ir para a TV, ele surgiu em uma linha de brinquedos criados pela empresa Mattel (também responsável pela Barbie) para criar uma série que fizesse concorrência ao sucesso dos produtos baseados na saga Star Wars (que a Mattel havia recusado produzir antes da trilogia estourar nos cinemas. Que azar, hein?). Assim, o designer Roger Sweet criou três modelos genéricos – um bárbaro, um soldado e um astronauta –  e levou aos executivos da empresa, oferecendo-os como uma linha de brinquedos de ação que, exatamente por não terem uma franquia associada, poderiam estimular a imaginação das crianças.

“Nunca mais me chame de Conan!”

Dos três modelos, a versão bárbara foi a escolhida para a produção … e assim surgiu He-Man, que nem Príncipe Adam era, muito menos tinha uma identidade secreta. Os responsáveis por Conan, o Bárbaro, procuraram a Mattel no início da década de 1980 interessados em fazer uma linha de brinquedos do cimério. Quando a Mattel lançou He-Man, foi acusada de plagiar Conan e até circula um boato de que He-Man teria sido o modelo do bárbaro que não foi aprovado, mas nada disso é verdade. O fato é que a Mattel havia criado He-Man antes desse contato e talvez até tivesse semelhanças com o cimério, mas o boneco nunca esteve ligado ao personagem.

Desenho produzido pela Filmation estourou na TV.

Pouco tempo depois, a linha foi adaptada para uma série animada na TV produzida pela Filmation com o personagem já transformado num super-herói com dupla identidade – algo que veio de uma minissérie em quadrinhos criada pela DC Comics em 1982, um ano antes de He-Man chegar na TV. No entanto, a Cannon Group demonstrou interessem em adaptar He-Man antes do sucesso do desenho animado, motivo pelo qual o herói do filme não se transforma no Príncipe Adam e não aparecem personagens icônicos como Gato Guerreiro ou Gorpo (este, substituído pelo anão Gwildor como alívio cômico).

“Eu tenho a forçaaaaaaa!” Grito de guerra teria relação com Star Wars?

Isso explica o fato do filme ter tido uma crítica negativa dos espectadores, que compararam o longa ao personagem dos desenhos animados, quando, na verdade, ele foi baseado no seu conceito original. Por sinal, o fato de ter inspiração em Star Wars poderia explicar a icônica frase de He-Man – “Eu tenho a força!” – embora não haja nenhuma informação oficial a respeito. A produção de Mestres do Universo contou com um orçamento inicial de US$ 17 milhões, aumentado depois para US$ 22 milhões, tornando-se o filme mais caro do estúdio. Na semana de estreia, Mestres do Universo ficou em terceiro lugar nas bilheterias, mas nas semanas seguintes caiu consideravelmente e faturou apenas US$ 17,3 milhões.

Szponder ao lado do elenco: participação forçada… como um menino-porco.

Parte desse fracasso deve-se a várias interferências externas. A Mattel, criadora e detentora dos direitos do personagem, determinou que He-Man não poderia matar ninguém no filme. Por isso, os produtores decidiram que os soldados de Esqueleto seriam todos robôs (embora isso nunca tenha sido mencionado na história). A empresa de brinquedos também fez um concurso no qual o vencedor teria um papel na trama. Porém, com o prazo já terminando e o orçamento estourado, o diretor Gary Goddard teve que limitar o vencedor – um garoto chamado Richard Szponder – a uma mera ponta como Pigboy, um capanga de Esqueleto que entrega sua equipe quando o vilão retorna da Terra.

Falta de dinheiro atrapalhou bastante a produção.

Limitações orçamentárias também atrapalharam bastante. O roteiro original previa uma cena que se passava na Montanha da Serpente e várias imagens conceituais foram desenhadas pelo designer de produção, Willian Stout. As artes mostravam o exterior da montanha e, no lado interno, rios de lava corriam ao redor do lugar onde ficava o trono de Esqueleto. She-Ra, a irmã de He-Man, também tinha uma participação na trama, mas foi cortada durante a produção, sem contar que, por falta de dinheiro, as filmagens foram finalizadas pelo estúdio três dias antes do previsto, deixando a  equipe num dilema para resolver todas as cenas importantes que conduzissem à batalha final entre He-Man e Esqueleto. Depois de dois meses, os executivos da Cannon permitiram ao diretor filmar o encerramento de forma correta (mas ainda assim, com prazo bem apertado).

Filme foi uma briga para ser concluído satisfatoriamente.

O elenco também não foi um mar de rosas para a produção do filme. Sarah Douglas – a intérprete de Ursa, em Superman II – foi convidada para fazer o papel de Maligna, mas não aceitou, deixando para Meg Foster a missão de interpretar a vilã. Dolph Lundgren também teve seus desentendimentos com o diretor e até interferiu no roteiro, adicionando cenas de ação e aumentando a participação de He-Man na trama. O ator declarou que filmar Mestres do Universo foi, para ele, “um pesadelo” e pulou fora da sequência, que já estava programada e deveria se chamar Masters of The Universe 2: Cyborg.

He-Man depois da gripe… ou melhor… da fraca bilheteria.

Pelo roteiro, He-Man (que seria interpretado pelo surfista Laird John Hamilton) voltaria à Terra para lutar contra Esqueleto, que sobreviveu no final do filme anterior e veio à Terra, onde assumiu a identidade do empresário Aaron Dark, explorando nossos recursos e transformando o planeta num mundo desolado pós-apocalíptico. Nesta sequência, She-Ra e Mandíbula fariam suas participações e o estúdio chegou até a contratar o diretor: Albert Pyun. No entanto, com o fracasso comercial de Mestres do Universo, a continuação foi esquecida e o roteiro foi reescrito e se transformou no filme Cyborg: O Dragão do Futuro (1989), estrelado por Jean-Claude Van Damme.

O importante é não entrar em pânico. Vou morar com amigos que é muito melhor.

Mesmo com todos esses problemas externos e a enxurrada de críticas, Mestres do Universo marcou época e hoje é lembrado com nostalgia pelos fãs. Sabendo desses detalhes todos, até dá para apreciar ainda mais o longa-metragem, que tem um clima sci-fi e também foi um dos primeiros trabalhos para o cinema da atriz Courteney Cox, antes dela se tornar uma estrela da franquia Pânico (1993) e abrilhantar a série Friends (1994-2004). O fato é que He-Man ainda tem apelo popular e há planos de um novo longa-metragem do herói de Etérnia, produzido pela Sony e que já entrou no calendário de lançamentos, com data prevista para 18 de dezembro de 2019.

Twitter oficial anunciou a data do filme.

Se o filme vai sair do papel ou não, é outra história. Mas fica a torcida para que o campeão de Grayskull ganhe um filme à altura de sua grandeza, com todos os efeitos que a atual tecnologia possam permitir. Afinal, mesmo depois de 30 anos, o personagem continua carismático e faz valer seu grito de guerra. Ele ainda tem a força!

Na torcida para ver essa espada cortar os céus novamente, pela honra de Grayskull.

Para finalizar, uma curiosidade extra: a Cannon Group tinha interesse em fazer um filme do Homem-Aranha, mas como o orçamento era baixo, decidiu dividir o valor em duas produções e, com o lucro destas, adquirir um montante necessário para bancar os efeitos especiais que o filme do aracnídeo exigiria. Foram elas: Superman IV – Em Busca da Paz e Mestres do Universo. Nem precisa explicar porque o filme do Amigão da Vizinhança não saiu do papel na época,  né?

Executivos da Cannon não eram muito bons de matemática…

“Ele passou sua vida inteira como um artista, fazendo as pessoas felizes, fazendo-as rir e tentando fazer deste mundo um lugar melhor” – Burt Ward, o Robin, da série de TV do Batman, em seu discurso, no qual homenageia o parceiro Adam West, que faleceu na última sexta-feira. Na noite de ontem, em Los Angeles, o prefeito da cidade acendeu um batsinal em memória do ator e de seu legado. Veja o vídeo abaixo:

 

Novo Universo Marvel comemora 30 anos

blog-abreEntre outubro e novembro de 1986, a Marvel lançou um novo projeto em comemoração aos seus 25 anos – contados a partir da publicação da revista Fantastic Four 1 (1961), título que inaugurou oficialmente a Era Marvel. Anos depois, adotou-se como aniversário oficial da editora, o lançamento da revista Marvel Comics 1 (1939). A ideia consistia em uma nova leva de super-heróis, desvinculados do universo em que viviam o Homem-Aranha, Capitão América e companhia, com uma temática mais realista.

Anúncio da época mostrava o Evento Branco como catalizador dos novos heróis.

Anúncio da época mostrava o Evento Branco como catalizador dos novos heróis.

Jim Shooter, o editor-chefe da Marvel na época, ficou encarregado da criação desse “novo universo Marvel”, que resultou em oito novos títulos interligados por um fato em comum, o chamado Evento Branco. Trata-se de um fenômeno cósmico que despertou os superpoderes em uma parcela da população do planeta – ideia que foi adaptada, anos mais tarde, na série de televisão Heroes (2006-2010). Para diferenciar os novos títulos do universo tradicional, as capas traziam uma borda preta com a inscrição Novo Universo, além de um selo mostrando a Terra atingida pelo Evento Branco.

Novo Universo começou marcado por uma estrela.

Novo Universo começou marcado por uma estrela.

O primeiro título a ser lançado foi Star Brand, em outubro de 1986, seguida por Spitfire and the Troubleshooters (que passou a se chamar Codename: Spitfire a partir da edição 10). No mês seguinte, chegaram os outros seis títulos: Psi Force, Justice, Mark Hazzard: Merc, Kickers, Inc., Nightmask e D.P. 7. Como toda novidade, o Novo Universo foi um sucesso… mas só nos primeiros meses. Os leitores logo cansaram daquele universo desvinculado do tradicional e os roteiros pouco criativos, com um realismo que amarrava as tramas. Além disso, problemas internos na editora, como a saída de Jim Shooter e sua substituição por Tom DeFalco, provocou uma mudança na linha editorial que não conseguiu segurar os títulos.

P.N. 7 lembravam os X-Men e tiveram vida mais longa.

P.N. 7 lembravam os X-Men e tiveram vida mais longa.

Como resultado, metade das revistas foram canceladas um ano depois: Kickers, Inc., Mark Hazzard: Merc e Nightmask encerraram na edição 12, enquanto que Spitfire foi até a edição 13. Pouco depois, Star Brand também chegou ao fim com a edição 19. Apenas Psi-Force, Justice e D.P. 7 tiveram uma vida mais longa, com 32 edições mensais, talvez por serem títulos mais “super-herói” do que os outros. Antes do cancelamento definitivo da linha, a Marvel ainda lançou algumas minisséries e edições especiais como Marvel Graphic Novel: The Pitt (1987), The Draft (1988), The War (1989) e Untold Tales of the New Universe (2006), minissérie criada para celebrar os 20 anos do lançamento do Novo Universo.

Crossover entre o Novo Universo e o Universo Marvel tradicional

Crossover entre o Novo Universo e o Universo Marvel tradicional

Como alguns personagens caíram no gosto dos leitores, a Marvel criou um crossover com o personagem cósmico Quasar, que acidentalmente vai parar no Novo Universo e usa a Marca da Estrela para voltar ao nosso universo. Porém, ele causa um evento que se resolve na saga Starblast (inédita no Brasil) com repercussões nas revistas do Quarteto Fantástico, Namor, Defensores além do próprio Quasar. Justice também apareceu na revista Homem-Aranha 2099, sendo apresentado como o Profeta da Rede.

Não é só a DC que faz reboots...

Não é só a DC que faz reboots…

Em 2007, o roteirsta Warren Ellis reimaginou o Novo Universo na minissérie em seis edições New Universal, que trouxe novas origens para os personagens. Oficialmente, a minissérie foi considerada como uma realidade paralela, mas esses conceitos foram retomados em 2013 pelo roteirista Jonathan Hickman, que inseriu os personagens Estigma e Máscara Noturna no universo Marvel tradicional. Na série dos Vingadores da fase Nova Marvel, os dois heróis ingressam na superequipe e ajudam na batalha contra o vilão Ex-Nihilo. Até o momento, os outros personagens do Novo Universo continuam na geladeira e não há informações se também serão incorporados ao universo tradicional.

Estigma e Máscara Noturna são inseridos em definitivo no Universo Marvel tradicional

Estigma e Máscara Noturna são inseridos em definitivo no Universo Marvel tradicional

No Brasil, o Novo Universo foi publicado em apenas duas revistas mensais: Força Psi e Justice. A primeira foi lançada em 24 de julho de 1987 e trazia um mix formado pelos títulos Força Psi, Estigma, a Marca da Estrela, Trovão e Máscara Noturna. No dia 5 de agosto de 1987, chegava às bancas Justice, que dividia suas aventuras com Merc, o Mercenário, Torpedos e P.N. 7. As duas revistas foram canceladas na edição 12, com grande parte do material americano permanecendo inédito. Estigma, o preferido dos leitores brasileiros, migrou para a revista Superaventuras Marvel anos depois e foi publicado até o final (apenas as edições 9 e 10 permanecem inéditas).

No Brasil, os dois títulos do Novo Universo, com 12 edições cada.

No Brasil, os dois títulos do Novo Universo, com 12 edições cada.

A seguir, um resumo de todos os títulos do Novo Universo Marvel:

Uma tatuagem é a arma mais poderosa do Universo. Morra de inveja, Lanterna Verde.

Uma tatuagem é a arma mais poderosa do Universo. Morra de inveja, Lanterna Verde.

Estigma, a marca da Estrela (Star Brand): A revista era protagonizada pelo jovem Kenneth Connell, que recebeu de um extraterrestre chamado apenas de “o Velho” uma tatuagem no formato de uma estrela que lhe conferia poderes extraordinários. Essa tatuagem era a arma mais poderosa do universo e podia ser transferida, segundo a vontade de seu portador. Com isso, Ken (e a Terra) se tornou um alvo para outros aliens, que desejavam roubar dele a marca da estrela.

Homem de Ferro versão feminina. E a Riri Willians achando que era pioneira...

Homem de Ferro versão feminina. E a Riri Willians achando que era pioneira…

Trovão (Spitfire and the Troubleshooters): Era uma espécie de Homem de Ferro com uma ajudantes adolescentes. Na verdade, uma mulher de ferro, já que a usuária da armadura MAX (sigla para Man Amplified eXperimental Armor, ou Módulo Amplificador Experimental, em português) era a professora Jennifer Swensen. A armadura foi desenvolvida pelo pai de Jenny para revolucionar o mercado da construção, mas atraiu a atenção de militares que desejavam utilizar o artefato para fins bélicos. Com isso, Jenny rouba a armadura e, com a ajuda de um grupo de alunos gênios chamados de Milagrosos (Theresa Roberts, Eduardo Giotti, Tim Ferris, Eric Chin e Andrew Meadows) passa a usar o protótipo para vingar a morte do pai e combater o mal.

Pela união de seus poderes, eu sou... o Falcão Psi!

Pela união de seus poderes, eu sou… o Falcão Psi!

Força Psi (Psi-Force): Cinco jovens descobrem com poderes paranormais passam a fugir de pessoas que desejam explorar esses poderes para fins egoístas e são protegidos por um agente indígena chamado Emmet Proudhawk, também um paranormal telecinético. Quando Emmet morre, após um confronto psíquico, os jovens – Wayne Tucker, com poderes telepáticos; Kathy Ling, uma telecinética; Tyrone Jesup, capaz de projetar uma forma astral; Michael Crawley, com o poder de explodir coisas com a mente; e Anastasia Inyushin, com habilidade para cura – se reúnem ao redor do medalhão de seu mentor e libertam o Falcão Psi, uma forma mística dotada da união dos cinco poderes, num conceito bem parecido com o desenho Capitão Planeta, que foi lançado anos depois.

Fazendo justiça com as próprias mãos... literalmente!

Fazendo justiça com as próprias mãos… literalmente!

Justice (Justice): John Tensen é um guerreiro de outra dimensão, com poder de enxergar a aura das pessoas e, com isso, fazer justiça e proteger os inocentes. Para isso, ele usa a “espada”, um poder energético gerado pela sua mão direita e o “escudo”, gerado pela sua mão esquerda. Sem memória, John surge em nosso mundo e, lembrando apenas de seus conceitos de bem e mal, se torna um justiceiro em busca de sua identidade.

Mutantes, não! Paranormais!

Mutantes, não! Paranormais!

P. N. 7 (D. P. 7): Sete pessoas com estranhas habilidades procuram uma clínica especializada em paranormais a fim de encontrar uma cura ou uma forma de controlar esses poderes, mas o que encontram são uma organização interessada em dominar essas habilidades e evitar o surgimento de novos paranormais. Assim, os sete se tornam um grupo de fugitivos e párias da sociedade. A equipe é formada por David Landers (Montanha, um homem de grande estatura e força sobre-humana), Randall O’Brien (Anticorpo, jovem capaz de liberar um espectro eletromagnético de seu corpo), Stephanie Harrington (Brilho, capaz de aliviar a dor e a tensão e curar pequenos ferimentos), Lenore Fenzl (Crepuscular, capaz de emitir radiação de seu corpo que provoca desmaios em quem está ao redor), Denis Cusinski (Scuzz, com a habilidade de desintegrar tudo o que toca), Charlotte Beck (Fricção, capaz de modificar a superfície dos objetos, eliminando o atrito ou tornando-os aderentes) e Jeffrey Walters (Vulto, dotado de supervelocidade).

Só para os fãs de esporte.

Só para os fãs de esporte.

Torpedos (Kickers, Inc.): o astro do futebol americano Jack Magniconte adquire força sobre-humana após os Evento Branco e tem seus dons despertados ao se submeter a uma máquina inventada por seu irmão mais velho Steve,  com o objetivo de aumentar a massa muscular. Com isso, o Senhor Magnífico, como era conhecido no campo, passou a ter uma vantagem sobre os outros jogadores, o que provocou sua saída do futebol. Quando Steve foi assassinado porque Jack se recusou a jogar no Superbowl, o astro se uniu a seus parceiros de time e, juntamente com sua empresária Darlene, formou a equipe dos Torpedos, para investigar casos incomuns e ajudar outras pessoas.

Justiceiro versão Novo Universo

Justiceiro + Nick Fury + Luke Cage = Merc

Merc, o Cão de Guerra (Mark Hazzard: Merc): Veterano da Guerra do Vietnã, Mark Hazzard é um ex-militar solitário e renegado, que usa suas habilidades aprendidas na guerra para ganhar dinheiro, oferecendo seus serviços a quem pagar melhor, desde que ele acredite na causa.

Freddy Krueger que se cuide!

Freddy Krueger que se cuide!

Máscara Noturna (Nighmask): Após o Evento Branco, o jovem Keith Remsen desperta de um coma e descobre ter a habilidade de entrar no sonho das pessoas e interagir com elas por ali. Assim, o psicoterapeuta Keith tornou-se o herói Máscara Noturna e passou a usar seus poderes para resolver os problemas de seus pacientes penetrando em seus sonhos. O problema é que o que acontece a Keith no mundo onírico se reflete em sua vida real. Assim, o herói precisa lidar com os perigos dessa dimensão da psique humana e continuar vivo para voltar à realidade.

 

Roberto Bolaños: saudades e um legado eterno

(FILES) Mexican actor Roberto Gomez BolaNa última sexta-feira, dia 28 de novembro, perdemos um dos grandes ícones do humor mundial, que fez rir gerações com seu humor simples e sem apelação. Roberto Gomes Bolaños partiu deste mundo, mas deixou um legado de humor que poucos artistas podem dizer que tiveram. Só pela comoção que sua morte provocou – algo que, verdade seja dita, já era esperada há algum tempo tanto pela sua idade avançada, como pelo seu estado delicado de saúde – percebemos o quanto ele foi amado.

Chaves: Trinta anos sendo exibido no SBT

Chaves: Trinta anos sendo exibido no SBT

Não deixa de ser surpreendente o fato de alguém conseguir manter-se no topo mesmo após mais de vinte anos sem produzir nada de novo e mais de quarenta da estreia dos seriados Chaves e Chapolim, no ar até hoje pelo SBT – Sistema Brasileiro de Televisão – com o mesmo frescor de como se tivesse acabado de ser feito. Arrisco-me a dizer que talvez o Brasil tenha a maior legião de fãs do seriado e sempre se manifestam contra a rede de Sílvio Santos cada vez que ele tira a série do ar. E foi no Brasil que as manifestações de tristeza mais bombaram pelas redes sociais – a ponto de incomodar alguns pseudointelectuais.

Não contavam com minha astúcia! Chapolim também chegou aos quadrinhos!

Não contavam com minha astúcia! Chapolim também chegou aos quadrinhos!

Nosso blox ia ficar de fora, afinal tudo o que poderia ser falado sobre Bolaños já foi dito. Mas não poderíamos deixar passar alguém tão importante para o mundo artístico, seja na TV, seja no cinema, no teatro ou nas HQs – que são a nossa matéria-prima. Assim sendo, nesta nossa homenagem, queremos abordar algo que foi bem pouco falado nas incontáveis homenagens realizadas por aí: a trajetória dos personagens de Bolaños nos quadrinhos.

Estreia do Chapolim nas HQs, em 1974

Estreia do Chapolim nas HQs, em 1974

Evidentemente, um fenômeno da TV como foi Chaves e Chapolim possui todas as características para se tornarem personagens de quadrinhos: são engraçados, as crianças se identificam com os personagens e permitem aventuras das mais variadas. Não é novidade, portanto, que eles logo tenham ido parar nas comics. A primeira revista em quadrinhos a trazer os personagens foi Chespirito Presenta, datada de Fevereiro de 1974. Inicialmente, os roteiros das histórias eram escritos pelo próprio Roberto Bolaños e, a partir de 1975, a responsabilidade passou para seu irmão Horácio Gomes Bolaños.

Nas HQs o personagem era tão atrapalhado como na TV.

Nas HQs o personagem era tão atrapalhado como na TV.

Com 36 páginas e periodicidade semanal (era lançada toda quarta-feira), o primeiro número trouxe uma história do Chapolim e outra, mais curta, do Dr. Chapatim. O número 2 trouxe duas HQs com o Chaves e o título seguiu, alternando semanalmente os personagens: uma semana o Chaves, na outra o Chapolim. O título durou até a edição 35, quando cada personagem ganhou seu título próprio, com a numeração prosseguindo a partir do número 36.

C:UsersRenietDesktopPicturesEl Chavo Del Ocho No. 2 - CopyÉ curioso notar que a revista do Chaves nunca teve um número 1, já que estreou em Chesperito Presenta 2. El Chavo del Ocho continuou saindo às quartas-feiras, enquanto que El Chapulín Colorado saía às sextas-feiras. As HQs duraram até meados dos anos 1980 (não se sabe exatamente até quando), sempre editadas pela Producciones HM, editora mexicana de propriedade do repórter Jaime Hernández Medina. Chegaram a sair também nos Estados Unidos, Colômbia, Venezuela e diversos países da América Central.

Publicações no Brasil

Publicações no Brasil

O Brasil também teve sua versão em quadrinhos das criações de Bolaños: a revista Chaves & Chapolim estreou em setembro de 1990 e, no ano seguinte, ganhou um segundo título: Chapolim & Chaves, lançada em junho de 1991. Ambas eram produzidas por artistas brasileiros, como Ruy Perotti (Variguinho, Satanésio) e Eduardo Vetillo (Spectreman, Os Trapalhões). O irônico é que as revistas eram publicadas pela Editora Globo, do mesmo grupo que, não raras vezes, teve sua audiência roubada pelo seriado exibido pelo SBT. Aproveitando a onda do gibi, em setembro de 1991, foi lançado o Almanaque do Chaves e Chapolim, com a reedição das melhores histórias.

Gibizinhos: publicação especial em formato de bolso.

Gibizinhos: publicação especial em formato de bolso.

No ano seguinte, a dupla ganhou edições do Gibizinho, uma publicação mensal, de 32 páginas em formato 10 cm X 13 cm, que era sempre lançado em quarteto – quatro revistas com o mesmo número, mas cada uma com um personagem diferente. O Gibizinho do Chaves contemplou as edições 8 (janeiro/92), 12 (março), 16 (maio) e 20 (julho), enquanto que o Gibizinho do Chapolim ocupou os números 8 (janeiro), 10 (fevereiro), 14 (abril) e 18 (junho) e 22 (agosto). Neste último mês, chegou às bancas a última revista Chapolim & Chaves, totalizando 15 edições. Chaves & Chapolim ainda teve uma sobrevida e durou até abril de 1993, atingindo o total de 32 números.

Zás! Teve álbum de figurinhas também!

Zás! Teve álbum de figurinhas também!

Com o surgimento do desenho animado do Chaves na década de 2000, a Televisa lançou um álbum de figurinhas do garoto da vila, que foi republicado no Brasil pela Panini em 2006, seguindo o mesmo traço da animação. Uma HQ nesse estilo, porém, nunca foi publicada, para tristeza dos fãs. Tudo isso serve para mostrar toda a versatilidade deste grande humorista, que não se prendeu a uma única mídia, mas espalhou seu trabalho por vários veículos, conquistando admiradores em todos os âmbitos da cultura.

Imagem do livro Chespirito - Vida y Magia del comediante más popular de América

Imagem do livro Chespirito – Vida y Magia del comediante más popular de América

Podemos até questionar a qualidade técnica de seu trabalho, mas jamais o seu inegável talento e a atemporalidade destas séries que, por mais de 40 anos, continuam fazendo rir como se fosse a primeira vez. A contribuição de Bolaños para a cultura pop mundial é inestimável e sua genialidade pode ser colocada no mesmo nível de ícones do humor como Charles Chaplin, Mazaroppi, Jerry Lewis e seu contemporâneo Cantinflas, respeitadas as diferenças de cada estilo. Gracias por todo, Chespirito!

As HQs internacionais desta matéria foram tiradas do site Chespirito.org.

Fantomas, o anime, chega em DVD

blog abreConforme já havia antecipado na postagem sobre o lançamento do filme live-action do herói japonês Fantomas em DVD (clique aqui para ler), chega às lojas o desenho animado do personagem. Fantomas, o Guerreiro da Justiça – Volume 1 é o lançamento de julho da Cult Classic – distribuidora que resgata filmes e séries clássicas e que também foi responsável pelo lançamento da série do Robô Gigante, que fez muito sucesso nos anos 70.

O herói e o morceguinho dourado que precede suas aparições.

O herói e o morceguinho dourado que precede suas aparições.

O box é o primeiro volume de quatro que serão lançados futuramente, segundo promessa da Cult Classic. O primeiro volume traz três discos contendo 13 episódios do anime, com cerca de 23 minutos cada um e mostra a origem do herói com aparência de esqueleto e seus primeiros confrontos contra o maligno cientista Dr. Zero, um estranho alienígena de quatro olhos, cada um de uma cor diferente e um poder específico.

Dr. Miller e sua filha Marie

Dr. Miller e sua filha Marie

Um pouco modificada em relação à versão live-action, mas mantendo a essência do personagem, a série começa com uma expedição do Dr. Miller, um pesquisador que estava atrás da civilização perdida da Atlântida e viajava pelo Oceano Antártico juntamente com sua filha Marie e acabou se desviando da rota original. O navio é atacado pela Mão Gigante, um monstro criado pelo Dr. Zero para dominar o mundo e é destruído. Antes de naufragar, o Dr. Miller entrega seu diário a Marie, pedindo-lhe que guarde com cuidado aquelas anotações.

Dr. Steel, Marie e Gaby na tumba de Fantomas

Dr. Steel, Marie e Gaby na tumba de Fantomas

A garota sobrevive num bote salva-vidas e é encontrada pelo Dr. Steel, um cientista que passava pelo lugar para testar seu Super Carro, um veículo com formato de disco voador, juntamente com seu filho Terry e o assistente atrapalhado e comilão Gaby. Depois de resgatar Marie e ser atacado pela Mão Gigante, o Super Carro é obrigado a pousar numa misteriosa ilha que emergiu no meio do oceano. Lá, eles encontram a tumba de Fantomas e, com a ajuda das anotações do Dr. Miller, descobrem que o herói esteve hibernando por cinco mil anos e retornará para combater um grande mal que assola o mundo.

Calças curtas e chapeuzinho combinando era moda nos anos 60, certo, Terry?

Calças curtas e chapeuzinho combinando era moda nos anos 60, certo, Terry?

Com um pouco de água fresca, Marie desperta Fantomas e este passa a aparecer sempre que a garota o invoca, sempre precedido por um morceguinho dourado – o título do anime, em japonês, é Ogon Batto, que quer dizer justamente “Morcego Dourado”. Diferente do longa-metragem, Fantomas não fala, apenas dá uma gargalhada macabra. Já o Dr. Zero grita o seu bordão antes e depois de cada fala: Zeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeero!

Embalagem caprichada: maior valor agregado e respeito aos fãs colecionadores

Embalagem caprichada: maior valor agregado e respeito aos fãs colecionadores

A embalagem do box é um exemplo de como o respeito com o público consumidor valoriza o produto: os discos são acondicionados em berços de acrílico transparente e a caixa tem uma uma aba interna com informações sobre o personagem e a série. Além disso, entre os extras, estão oito episódios com a dublagem original feita pela Cinecastro. A distribuidora informou que, infelizmente, não foi possível recuperar a dublagem de todos os episódios e, para manter a qualidade do material, a opção foi manter o áudio original em japonês com legendas em português. Mesmo assim, os episódios extras são um presente para os fãs.

Aba interna traz informações sobre a produção.

Aba interna traz informações sobre a produção.

Outros extras do box são: ficha técnica do desenho, galeria de fotos e lançamentos da produtora – um padrão entre os discos da Cult Classic. A distribuidora apenas deveria considerar um nome diferente para o produto, visto que manter o mesmo título tanto para o filme como para o desenho pode gerar confusão aos consumidores que não conhecem o personagem e nem que havia um filme longa-metragem anterior ao anime. Nada que um subtítulo não resolvesse – algo como Fantomas – O Filme, ao invés de manter O Guerreiro da Justiça.

Fantomas voa para um novo salvamento

Fantomas voa para um novo salvamento

Outro ponto negativo está na ficha técnica que, dependendo do tamanho da TV em que será exibida, é totalmente ilegível, com letras minúsculas para inserir todas as informações sobre a produção – algo que, no fim das contas, nem são tão essenciais e que poderiam estar incluídas no verso da embalagem ou num pequeno encarte interno. Pequenos detalhes que não diminuem a qualidade do produto, imperdível tanto para colecionadores e fãs como para o público que terá o primeiro contato com o herói. Uma iniciativa louvável da Cult Classic, que merece os parabéns pelo lançamento de filmes e séries que marcaram a infância de muita gente e, principalmente, pelo respeito ao consumidor no zelo com a apresentação do produto.

Zeeeeeeeeeeeeeeero é só o meu nome. O DVD merece nota 10!

Zeeeeeeeeeeeeeeero é só o meu nome. O DVD merece nota 10!

A série animada foi produzida pela empresa Daichi Doga em 1967 e transmitida em diversos países, incluindo a Austrália, Itália e Brasil.  No nosso país, o desenho teve uma abertura exclusiva, diferente da original, feita pela Transglobal, que distribuiu a série. Embora a música-tema do herói tenha sido mantida no desenho, a abertura tocava outra música, que seguia o estilo da canção-tema de Jonny Quest, desenho dos estúdios Hanna-Barbera. Veja abaixo a abertura brasileira, diretamente do canal silviocesar04, do You Tube (a qualidade do áudio está bem ruim, mas vale a curiosidade).

A Volta da Caverna do Dragão (2)

Falamos ontem do clássico desenho Caverna do Dragão, que está sendo comercializado em DVD, num box com todos os episódios, um sonho antigo dos fãs da série – muito embora a versão à venda não seja oficial. Apesar de ter esse desejo realizado, para a felicidade ser completa, ainda faltava o episódio final da série, que chegou a ser escrito, mas nunca foi filmado.

Até o Vingador curtiu esse lançamento

Este pesadelo, digno das aventuras mais sombrias de Hank, Presto e Companhia no Reino dos Dragões, finalmente chegou ao fim (com o perdão do trocadilho) com o lançamento do livro Caverna do Dragão – O Reino, editado pela Above Publicações e lançado no ano passado. A repercussão, porém, só veio esse ano, após ser exposto na Bienal do Livro de São Paulo.

D4MON3, fã declarado da série, criou uma aventura com começo, meio e fim.

O autor, que assina pelo pseudônimo de D4MON3, era mais um dos inúmeros admiradores da animação, inconformado com o fato do seu desenho predileto não ter um encerramento condizente com a grandiosidade dos roteiros da série. Cansado de ler boatos e especulações e certo de que esse episódio jamais seria produzido, D4MON3 decidiu, ele mesmo, fazer sua história, com começo, meio e fim. Mais do que isto: o autor não se limitou a transcrever episódios, mas criou sua própria roteiro – apesar do texto apresentar algumas claras referências a cenas da animação. O melhor de tudo: com um final plausível e coerente.

Na Bienal do Livro, 2000 exemplares vendidos antes do término da feira.

Além disso, alguns capítulos do livro se preocupam em criar um passado para os personagens e justificar certos comportamentos: por que Sheila é superprotetora do irmão Bobby e por que este é tão impulsivo? De onde vem a insegurança de Presto e a responsabilidade de Hank? E por que Eric é tão ranzinza e arrogante?

Licença poética: Eric saradão e Diana com chicote

O livro usa a licença poética: ao invés de um bastão, a acrobata Diana usa um chicote, que se mostra muito mais útil no desenrolar da história. Os personagens também não deixam de demonstrar interesse pelo sexo oposto, afinal, são adolescentes, com hormônios em ebulição. Eric ganha um tipo físico muito mais atlético que seu homônimo animado e o roteiro contextualiza a aventura nos tempos atuais, com referências à Internet, celulares e videogames.

Uma charada pode definir o final. Ou não.

O tão aguardado final promete surpreender os leitores e, bom que se diga, nada tem a ver com condenações eternas. É um texto inteligente e bem amarrado que ficaria ainda melhor se não tivesse tantas falhas de revisão. Isto, porém, não atrapalha o prazer da leitura. Caverna do Dragão – O Reino pode ser adquirido diretamente pelo site do autor.