Dica Literária: O Incrível Hulk

Lançado em dezembro do ano passado – mas só descobri recentemente – o livro O Incrível Hulk, quinto volume da Coleção TV Estronho, de autoria de Saulo Adami, traça um panorama da clássica série de televisão do Gigante Verde no final da década de 1970 e início dos anos 1980. Embora focado na série, o livro é bem completo e traz também outras aparições do personagem da Marvel em animações e longas-metragens para o cinema, além de mostrar sua origem nos quadrinhos.

Livro contém detalhadas informações de bastidores.

Além disso, o autor revela curiosidades de bastidores e apresenta um guia com direito a sinopse e elenco de cada um dos 82 episódios nas cinco temporadas que durou a série, sem esquecer os três longas-metragens que tentaram ressuscitar o seriado e, de quebra, incluir outros personagens da Marvel como Thor e Demolidor, na expectativa de gerar séries solo desses heróis. Tem também o guia de episódios das três séries animadas do Hulk – ou seriam duas séries animadas e uma “desanimada”?

Obra traz entrevista com o desenhista Carlos Magno, que fez Captain Universe/ Incredible Hulk 1 (2006)

Ricamente ilustrado, com fotos da produção e frames capturados da TV, o livro traz ainda uma introdução escrita por uma psicóloga – esposa do autor – analisando o perfil do monstro e sua relação com o próprio comportamento humano e uma entrevista com o desenhista Carlos Magno, que trabalhou em uma importante HQ do Verdão nos Estados Unidos. Em resumo, é um livro muito bom, que serve como guia para colecionadores e saudosistas relembrarem desta série que marcou época, bem como apresentar o programa para um público novo que nunca teve contato com esta versão antiga do Golias Esmeralda.

Hulk, Thor e o “papai” Lee.

Porém, como nem tudo são flores, a obra tem um grave problema. Embora seja de autoria de Saulo Adami, o autor contou com a colaboração de dois especialistas no personagem – Marcelo Amado, que destaca algumas participações especiais nos episódios e José Aguiar, que faz o resumo dos três filmes posteriores à série. É aí que reside o perigo, pois autores com estilos diferentes no mesmo livro provocam uma quebra na narrativa que traz opiniões distintas e destoa no conjunto.

“Sr. Aguiar, não me irrite falando mal da minha série. O senhor não ia gostar de me ver nervoso!”

Exemplo: Adami tem um texto sério e passa o livro inteiro exaltando a série e mostrando sua importância para a cultura pop, sem esquecer, obviamente, que o programa tinha suas bizarrices: tinta verde que desbotava, sapatilhas verdes, peruca mal feita… Era o que o orçamento e a tecnologia da época permitiam e há que se olhar para esses “defeitos especiais” com um ar condescendente. Aguiar, por sua vez, usa do discurso “engraçadinho” (com certo exagero, até) para denegrir todos os filmes posteriores, se opondo totalmente à imagem cult que Adami tentou trazer. Há até um alerta de “informações nocivas à saúde”! Desnecessário e depreciativo.

Hulk de sapatilhas? A série tem suas falhas, mas o livro também dá seus tropeços…

Há também alguns problemas de revisão que destaca o desenhista Alex Ross como brasileiro, a Tempestade dos X-Men como “Auroru” (o nome verdadeiro da moça é Ororo) e erros de pontuação. Não chega a tirar o mérito da obra como um todo, mas poderiam ter sido evitados com um pouco mais de atenção. Esperamos que uma segunda edição do livro corrija essas falhas, pois a obra tem uma boa pesquisa que merece ser valorizada.

“Cabô” o café!! Assim não dá pra controlar a raiva…

O Incrível Hulk pode ser adquirido no site da editora, ao preço médio de R$ 39,90. Vale dizer que a Editora Estronho tem livros de outras séries clássicas de televisão, como Ultraman (falamos sobre este livro aqui), Planeta dos Macacos, Perdidos no Espaço, Kung Fu e a coleção prevê mais lançamentos, entre os quais: A Feiticeira, Terra de Gigantes, Vigilante Rodoviário, Jornada nas Estrelas e outros. Para quem gosta de séries clássicas, é um item obrigatório que não deve faltar na estante.

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Dica Literária: Almanaque da Música Pop no Cinema

Desde que O Cantor de Jazz (1927) inaugurou o cinema sonoro, música e filme praticamente se tornaram uma coisa só. Antes disso, até, porque os filmes mudos contavam com pianistas ou orquestras tocando ao vivo enquanto as pessoas acompanhavam as projeções. Mas o fato é que a música é tão importante para o cinema que algumas canções nasceram por causa dos filmes. Outras, deram origem a eles. E outras levaram intérpretes ao estrelato. Há filmes que é impossível lembrar sem associá-los às suas canções-tema.

O autor (ao centro, vestido de Marty McFly) e a banda The Soundtrackers

É disso que trata o livro Almanaque da Música Pop no Cinema (Editora Leya/Lua de Papel), escrito pelo apresentador e músico Rodrigo Rodrigues. Como idealizador e guitarrista do grupo The Soundtrackers, Rodrigues interpretava famosas canções de cinema em shows da banda e a experiência o motivou a escrever o livro, compilando o que de melhor a música pop já produziu em associação com a indústria cinematográfica. Começando com Elvis Presley e Beatles até os dias atuais (o livro foi lançado em 2011), a obra traz uma biografia de quase 120 filmes e a lista de suas trilhas sonoras, tudo repleto de curiosidades de bastidores e perfeitamente organizadinho, como um verdadeiro documento sobre o gênero musical e cinematográfico.

Livro traz informações, imagens e curiosidades sobre trilhas marcantes.

O livro não trata das trilhas chamadas Score (apenas instrumentais, tocadas de fundo nas cenas), mas sim das Soundtracks, as músicas cantadas por astros da música pop que misturam filme e trilha de uma tal forma que ninguém consegue mais imaginar um sem o outro. Por exemplo, alguém conseguiria pensar em Titanic (1997) sem vir à cabeça a melosa canção de Celine Dion? Ou Grease (1978), sem se lembrar de John Travolta e Olívia Newton-John rebolando ao som de You’re the One that I Want e Summer Nights? E o que dizer das sempre excelentes trilhas dos filmes de 007, quase tão icônicas quanto o personagem?

Lista completa das músicas de cada filme faz parte da obra.

O Almanaque da Música Pop no Cinema é ricamente ilustrado, com cenas dos filmes, seus respectivos pôsteres e a capa do CD no box que lista todas as músicas constantes do mesmo. Um livro tão gostoso de ler que se torna ainda melhor se, a cada capítulo/filme, o leitor colocar a trilha sonora respectiva ao fundo enquanto descobre as curiosidades e informações a respeito dela. Assim como o filme e sua trilha não se separam, este livro também não é para ser lido em silêncio.

Dica Literária: Vertigo – Além do Limiar

Fruto de mais um esforço coletivo de artistas e fãs de quadrinhos, o livro Vertigo – Além do Limiar foi lançado no último Festival Guia dos Quadrinhos, que aconteceu nos dias 14 e 15 de abril, no Club Homs, em São Paulo. A obra é o segundo projeto lançado pelo criador do site Guia dos Quadrinhos e responsável pelo evento, o designer Edson Diogo. O primeiro foi o livro Os Mundos de Jack Kirby, lançado em 2017, comemorando os 100 anos do artista, cocriador do Universo Marvel, e contendo 100 artes de desenhistas nacionais homenageando as criações do “Rei”.

Primeiro livro lançado pelo site homenageou Jack Kirby.

Em Vertigo – Além do Limiar, a premissa foi basicamente a mesma: comemorar os 25 anos do selo adulto da DC Comics com 25 artistas nacionais dando sua visão particular sobre os personagens do selo. Desta vez, porém, o livro ganhou um atrativo: além dos desenhos, há também 25 contos (está mais para depoimentos) de jornalistas, roteiristas e editores contando suas impressões sobre os personagens, gerando uma obra muito mais rica no quesito literário. A obra foi editada por Diogo e organizado e diagramado pelo quadrinhista Will.

Edson Diogo, orgulhoso, exibe sua obra.

Os textos incluem profissionais do cacife de Leandro Luigi Del Manto (editor que trabalhou na Editora Abril na década de 1990 e foi responsável pelo lançamento dos primeiros títulos da linha Vertigo no Brasil), Manoel de Souza (editor da revista Mundo dos Super-Heróis), Sidney Gusman (atual editor da Mauricio de Sousa Produções), Levi Trindade (editor da linha DC da Panini), Alex Mir, Cassius Medauar, Daniel Esteves, Maurício Muniz, Felipe Folgosi, Carol Pimentel, Marcelo Alencar, Franco de Rosa… todos nomes importantes do mercado de quadrinhos no Brasil.

Textos apaixonados contam a história da Vertigo

Os artistas que ilustraram a obra também incluem nomes consagrados no mercado brasileiro: Laudo Ferreira, Omar Viñole, Joel Lobo, Octavio Cariello, Thiago Spyked, Will, entre outros. Muito mais do que simples depoimentos de fãs, relatando o quanto os títulos da Vertigo tocaram suas vidas, o livro traça um panorama do que foi o selo, destacando sua importância e seu pioneirismo na história das Histórias em Quadrinhos, revolucionando um mercado que andava estático e apagado. Tudo escrito com muita paixão, por quem entende do assunto.

Arte de Joel Lobo para o conto sobre a série Orquídea Negra, escrito por Felipe Folgosi

A obra tem uma linguagem acessível e um visual bastante agradável, com a imagem complementando os textos, ao invés de se tornar um elemento à parte. Além disso, como se trata de textos curtos (quatro páginas para cada título do selo), o livro tem uma leitura viciante, de modo que é impossível terminar de ler um sem se sentir motivado a ler o seguinte. Finalizando cada texto, um perfil de cada autor (texto e imagem) e uma breve resenha do título homenageado (escrito por Ben Santana), enriquecendo a obra com informações editoriais.

Visão de Octavio Cariello para a série Preacher.

Completa a obra entrevistas exclusivas de Wilson Simonetto com Karen Berger (editora responsável pela criação da Vertigo), Jamie Delano e Peter Milligan (roteiristas) e depoimentos de Jenette Kahn e Paul Levitz, editores da DC Comics na década de 80/90, bem como uma lista de todos os títulos da Vertigo publicados no Brasil e suas respectivas edições.  Vertigo – Além do Limiar não é apenas um catálogo ilustrado ou um material feito de fã para fã. Trata-se de um rico trabalho de pesquisa e um documento histórico que serve como fonte de informações sobre o selo Vertigo desde sua criação até os dias atuais. Para adquirir o livro, entre em contato com o autor pelo email guia@guiadosquadrinhos.com.

Dica literária: Playlist – Vidas em Singles

Duas das melhores coisas da vida, que expandem a mente e nos levam a outro mundo, despertando emoções e lembranças: leitura e música. O autor Leandro Schulai conseguiu reunir as duas no livro Playlist – Vidas em Singles, que acaba de lançar pelo selo Simbiose, da Editora Andross. Segundo o autor, a ideia nasceu de seu trabalho anterior, como organizador de contos para a mesma editora, os quais resolveu criar o seu próprio, inspirado na música November Rain, do grupo Guns N’ Roses.

O autor, Leandro Schulai, reuniu música e literatura no mesmo projeto. (Foto: Andross)

Todas as pessoas que liam o conto, logo diziam lembrar-se da música November Rain, o que o motivou a criar novos contos inspirados em canções. A “brincadeira” acabou virando uma coletânea que seria lançada num único livro, mas o contato com o editor Edson Rossatto, da Andross, acabou gerando outra ideia: por que não transformar em uma série de livros, cada um deles abordando uma época diferente? Assim, surgiu Playlist, que será composto por quatro livros, lançados um a cada ano até 2021.

Quatro livros juntos formam uma única imagem.

O primeiro volume traz dez contos, todos passados nas décadas de 2010. Os próximos serão 1980, 2000 e 1990 (as décadas fora de ordem são propositais). O formato do livro é inovador: ele é no tamanho 14,5 cm X 14,5 cm, pouco maior que um CD. As capas também foram pensadas para formarem um todo, pois formam uma imagem única quando colocadas lado a lado. A obra possui 96 páginas e a leitura é bastante rápida, tornando o livro bem atrativo para as pessoas que não gostam de textos muito longos, que exigem muito tempo para leitura.

Da esquerda para a direita: Michel Moe e Debora Sanna, do Duo SecretBox (que interpretou as músicas do livro, no lançamento da obra); o editor Edson Rossatto; Leandro Schulai, autor e Alex Nunes, designer que desenvolveu a capa. (Foto: Andross)

Vale a pena conhecer o projeto, que esbanja criatividade, tanto do autor, com seus textos fluentes e sempre reservando uma surpresa no final, como da editora, que inovou no design, transformando a literatura também num trabalho mais artístico do que o usual. É sempre bom poder encontrar pessoas empenhadas em sair do lugar-comum e extrair de coisas simples como um livro algo maior do que elas aparentemente são. O único ponto negativo é ter que esperar mais três anos até ter o projeto completo em mãos. Mas, assim como acontece com nosso cantor ou banda favorita, enquanto não sai o novo CD, vamos curtindo as músicas do disco recém-lançado.

Brindes que acompanham o livro, para compras no site.

Playlist – Vidas em Singles (2010’s) pode ser adquirido pelo site da Editora Andross a um preço camarada, que ainda garante alguns brindes: aviso de porta e marcador de página magnético.

Dica Literária: Superman – Uma Biografia Não Autorizada

Lançado em 2013 nos Estados Unidos, o livro Superman – Uma Biografia Não Autorizada, de Glen Weldon, chegou por terras brasileiras em 2016, pela Editora Leya. A obra traz, em suas 384 páginas um verdadeiro tratado sobre o primeiro e mais importante super-herói dos quadrinhos. Uma pesquisa afinadíssima do autor, o livro traz desde os bastidores da criação do personagem, que estreou na clássica Action Comics 1 (1938) – atualmente, a revista mais cara da história, vendida em leilão por US$ 3,2 milhões (cerca de R$ 10 milhões) – até a recente produção O Homem de Aço (2013), que estava prestes a estrear quando o livro foi concluído.

Estreia do Homem de Aço em 1938

A obra traz centenas de informações sobre o fenômeno Superman, que gerou programas de rádio, matinês do cinema, séries de televisão, brinquedos, desenhos animados, produções cinematográficas além, é claro de toda a trajetória do herói nos quadrinhos. Sua origem, quando foi criado pelos dois garotos judeus, Jerry Siegel e Joe Shuster, primeiramente como um vilão, para depois se tornar um ícone de esperança; as mudanças de personalidade, os coadjuvantes e membros da “família” (Superboy, Supergirl, Krypto, Cidade engarrafada de Kandor…), as reformulações ao longo das décadas para continuar sempre atual… tudo recheado de muitas curiosidades e informações inéditas ou pouco conhecidas.

A obra dedicou um capítulo especial à produção cinematográfica com Christopher Reeve

Por um material tão extenso, o livro é indicado tanto para fãs como também para o leitor eventual, que gostaria de conhecer um pouco mais do personagem e de sua relevância para a cultura pop, além de compreender as constantes mudanças ao longo de sua carreira, sem nunca perder sua essência heroica, mesmo diante de tempos modernos, onde personagens mais sombrios e violentos ganham a preferência do público.

Há 80 anos o herói se reinventa sem perder sua essência.

Infelizmente, a versão brasileira peca bastante na tradução, onde qualquer um com um nível intermediário de inglês pode perceber a falta de apuro na edição do texto. Desde nomes de personagens até incoerências gramaticais, a impressão que dá é que, para cumprir prazos, o texto original foi jogado num tradutor on line, sem o cuidado de adequar a linguagem. Espera-se que, numa segunda edição, a obra passe por uma revisão mais apurada para corrigir esses pequenos detalhes, pois o material é de primeira qualidade e merece esse tratamento.

Capa original americana: muitas nuvens e logotipo chapado

Como ponto positivo, a capa brasileira teve o cuidado de imitar o logotipo do herói, com tridimensionalidade nas cores amarela e vermelha, diferente do branco chapado da versão original – além da imagem, que também é diferente e mostra a capa vermelha em contraste com o céu azul e não com nuvens azuladas. Superman – Uma Biografia Não Autorizada é um verdadeiro dossiê do Homem de Aço, escrito com tanta paixão e respeito ao legado do herói que poderia até ser assinado por Lois Lane. Estranhamente, o livro não se encontra relacionado no catálogo disponível no site da Editora Leya, mas ele é facilmente encontrado nas principais livrarias, como Amazon e Saraiva.

Crítica (em vídeo): Maze Runner – A Cura Mortal

Fechando a trilogia iniciada em 2014 com Maze Runner – Correr ou Morrer e Maze Runner – Prova de Fogo (2015), chegou ao cinemas no dia 26 de janeiro o longa-metragem Maze Runner – A Cura Mortal (2017), baseado na série de livros de James Dashner. Acompanhe, no vídeo a seguir, nossa opinião sobre o filme e detalhes da trama.

Top 10 – Melhores livros lidos em 2017

Encerrando nossa Retrospectiva 2017, vamos agora à lista dos melhores livros lidos este ano. Importante dizer que, como livros são algo mais permanente e exigem mais tempo para ler, as obras que figuram nesta lista não são, necessariamente, lançadas em 2017 (por isso mesmo, o título não é “Melhores de 2017”). Muitas delas estavam na lista de desejos e só este ano foram adquiridas; outras aguardavam um tempo livre para serem apreciados e, finalmente, há também os lançamentos, sempre bem-vindos.

Ler é uma viagem.

No início do ano, fiz um propósito de ler mais livros em 2017, visto que eu dava muita prioridade aos quadrinhos e deixava de ler algo mais complexo. Minha meta era um livro por semana, totalizando 52 livros, mas claro que isso não foi possível, uma vez que alguns deles demandaram mais tempo, nem sempre algo que me sobra. Num balanço geral até que fui bem: consegui ler 36 obras, entre os mais densos, obras de leitura mais rápida e livretos curtos, que lia no mesmo dia. A meta continua para 2018. E estes são os melhores deste ano.

Projeto educacional brilhante

10 – Aquarela (Alan Almario e Camila Soares) – Este é o terceiro livro fruto de um projeto pedagógico da Universidade Ibirapuera que insere os alunos do curso de Pedagogia na criação de contos com temática inclusiva. A primeira obra tratou de contos de fada recontados sob o ponto de vista de outros personagens; a segunda foi especificamente sobre inclusão social, com personagens das mais variadas minorias sociais; esta homenageia as músicas infantis que foram sucesso na televisão e tocou muito nas rádios. Cada conto tratava do tema seguindo a letra das músicas, num exercício de criatividade único e inovador. Uma pena que estes livros não estão à venda (foram produzidos pelos alunos apenas como trabalho de conclusão de curso e distribuídos em tiragem limitada), mas representam um esforço louvável dos professores Alan e Camila na busca pela valorização do processo educacional, tão decadente em nosso País.

Cantando os escritos… ou vice-versa.

9 – Ruído Branco (Ana Carolina) – Que Ana Carolina é uma excelente cantora, é indiscutível. Dona de uma voz ímpar e dotada de grande afinação, a cantora se destaca num cenário musical onde a qualidade nem sempre é predominante. No ano passado, ela também enveredou pelo caminho da literatura e lançou seu primeiro livro, com escritos aleatórios que incluíam poesias, prosas e letras de música inéditas, além de muitas fotos do seu acervo pessoal. A leitura é rápida, agradável e desperta muita reflexão. Uma delícia!

Aqui tem o Ragnarok verdadeiro, não aquela piada cinematográfica.

8 – Os Filhos de Odin (Padraic Colum) – Mitologia é um assunto que sempre me interessou. Quando se fala dos nórdicos, então, o interesse cresce mais ainda, por conta dos personagens fazerem parte do acervo de super-heróis da Marvel. Este livro traz contos originais da mitologia nórdica – muitos deles, quadrinizados por Stan Lee e Jack Kirby – numa linguagem atual e acessível a todas as idades. Muito bom conhecer detalhes dessa história que só conhecia pelos quadrinhos.

Texto ágil e inteligente.

7 – Por que fazemos o que fazemos? (Mário Sérgio Cortella) – O filósofo fala, com clareza e sem rodeios, das motivações que nos leva a tomar certas atitudes e orienta como superar alguns vícios que atrapalham o nosso convívio social. Uma aula de boa educação, que resgata valores e ensina que nem tudo que parece interessante num primeiro momento será positivo em nossa vida profissional.

Fábula encantadora

6 – O Chamado dos Bisões (Paola Giometti) – Terceiro livro da série Fábulas da Terra (que já contou a origem dos lobos e das águias), esta obra aborda o tema das migrações, feitas pela espécie dos bisões (uma espécie de búfalo que habita a América do Norte). Ao se perder da sua família, a pequena Mika inicia uma jornada para reencontrar sua família e aprende sobre a importância das mudanças. Uma história encantadora para adultos e crianças.

Uma série cada vez mais embananada.

5 – Diário de um Banana Vol. 12 – Apertem os Cintos (Jeff Kinney) – Os livros da série Diário de Um Banana completam 10 anos contando as desventuras do adolescente Greg Heffley em sua busca por popularidade. Este 12º. volume (sim, a conta está certa. Foram 12 livros em dez anos, sem contar os especiais Faça Você Mesmo e O Livro do Filme), mostra a família Heffley indo passar as férias num resort paradisíaco, mas claro que nem tudo sai como o planejado. Na verdade, nada sai como o planejado e o garoto vive as situações mais estapafúrdias, num roteiro que lembra bastante o filme Férias Frustradas, estrelado por Chevy Chase. Hilário.

Bom humor do cotidiano

4 – Diálogos Impossíveis (Luiz Fernando Veríssimo) – O estilo irreverente de Veríssimo é sempre uma leitura agradável, seja na sua coluna semanal no jornal O Estado de São Paulo, Zero Hora e O Globo, seja nos livros que compilam suas crônicas. Neste livro, a premissa é mostrar diálogos totalmente improváveis, que sempre resultam em muito bom humor. Um exemplo: Batman se encontra com o Conde Drácula no asilo e refletem sobre a vida e a morte. Outro mostra a mágoa de Isaac com seu pai Abraão, anos depois deste tê-lo tentado oferecer em sacrifício para Deus. É um mais divertido que o outro, sempre com leveza e uma conclusão surpreendente, como compete às boas crônicas.

O nascimento de um vilão. Ou quase isso.

3 – Cavaleiro Negro (Davi Paiva) – O fato do livro estar entre os três primeiros não é apenas uma gentileza com o autor, que faz parte do meu rol de amigos, mas porque a história é realmente boa. Conta a trágica história de Fidler Koogan e sua busca por vingança no fictício reino de Ryddle, tornando-se um hábil espadachim e usando todos os recursos possíveis – inclusive os não tão éticos – para conseguir seu objetivo. A trama é tão envolvente e bem escrita que você simpatiza com as trapaças de Koogan e dá razão a seus atos. Com claras influências de obras como Game of Thrones, O Senhor dos Anéis, Star Wars, Eragon e games como Ragnarök e Magic – The Gathering, tanto o reino como os personagens são desenvolvidos com profundidade e coerência.

Tributo a um mestre

2 – Os Mundos de Jack Kirby (Edson Diogo e Will) – Para comemorar o centenário de Jack Kirby, cocriador do Universo Marvel juntamente com Stan Lee, o site Guia dos Quadrinhos reuniu 100 artistas nacionais, onde cada um deu sua visão para um dos personagens criados pelo “Rei”. Só por este esforço hercúleo, o livro já mereceria um prêmio. Porém, ele é mais do que isso, pois reúne obras espetaculares para prestar um tributo às criações de Kirby. É um verdadeiro museu portátil, onde podemos apreciar lindíssimas obras de arte ladeadas por uma breve biografia dos personagens retratados e dos criadores. Mais do que um livro voltado apenas aos fãs de quadrinhos, a coletânea mostra também aos que não são familiares a este universo a grande contribuição que Jack Kirby deixou para a cultura em geral.

Agora é hora de alegria!

1 – Sílvio Santos – A Trajetória do Mito (Marcelo Morgado) – A popularidade que Sílvio Santos possui não é à toa. Ela não veio por um golpe de sorte ou por ele ter nascido em berço de ouro, nem tampouco foi conquistada por bobagens instantâneas postadas num vídeo no You Tube. O empresário precisou ralar muito para chegar aonde chegou e cada conquista foi celebrada com humildade e consciência de que sorte e talento são inatos, mas nada cai do céu se não for buscado com afinco. Este livro, com uma linguagem agradável, traz depoimentos do próprio “patrão” em vários assuntos (ou capítulos): negócios, artista, dono de televisão, política e vida pessoal. A leitura é tão envolvente que a gente não consegue parar enquanto não chega ao final, fascinados com o exemplo de luta e dedicação deste homem, que é um ícone da televisão. É muito fácil ser fã de Sílvio Santos vendo seus programas pela TV, pois sua simpatia é contagiante. Mas é muito mais fácil ser fã de Senor Abravanel quando conhecemos sua história de vida, que é modelo de empreendedorismo, dedicação e fé.

Como o desleixo pode estragar uma excelente obra.

Mico Literário – O mico literário do ano vai para o livro Almanaque dos Quadrinhos, lançado já há alguns anos pela Discovery Publicações. Vendido em bancas de jornal, a obra é um documento histórico sobre os quadrinhos, contando desde os primórdios da chamada Nona Arte até nossos dias. O autor, Franco de Rosa, é uma das pessoas que mais entendem do assunto no País e o melhor indicado a abordar as várias vertentes deste segmento. No entanto, o livro peca pela falta de zelo na revisão, talvez pela pressa em colocar logo nas bancas antes que a febre pelo tema acabe de forma repentina. Os absurdos vão desde a exibição – no topo de uma página, com destaque e fonte gigantesca – da quantidade de caracteres do editorial até um recado do editor, no meio do texto, pedindo a conferência de uma data. Legendas trocadas, imagens repetidas e informações mal checadas também fazem parte do conteúdo (Nem vou comentar o Superman com o S invertido, logo na capa…). Uma pena, pois alguém com o histórico de Franco de Rosa merecia um pouco mais de carinho no material produzido.