A Panini vem investindo em nostalgia, resgatando HQs antigas a fim de manter o montante de fãs leitores da velha guarda, que já não conseguem mais se interessar pelos rumos atuais dos personagens. Um projeto novo (mas nem tanto. Falamos mais sobre isso aqui) que tem uma aceitação muito boa é a Coleção Clássica Marvel. O maior mérito do projeto é apresentar, em ordem cronológica, as primeiras histórias dos personagens mais icônicos da Casa das Ideias, como Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, X-Men, Capitão América, Hulk, Thor e outros.

Material publicado na Biblioteca Histórica Marvel há mais de 12 anos.

Uma vez que esse material já foi republicado anos atrás na luxuosa Biblioteca Histórica Marvel (em capa dura e papel couché), nem todos os volumes me interessaram, mas alguns deles pretendo comprar, formando um acervo de determinados personagens em histórias sequenciais. É o caso dos volumes 3, dedicado aos X-Men e o 5, dedicado ao Incrível Hulk, ambos vendidos pelo preço de R$ 34,90.

Gênese mutante

No encadernado dos mutantes, somos apresentados às primeiras cinco edições do título americano The Uncanny X-Men (1963), que marcou a estreia da equipe. As edições 2 e 3, inclusive, não eram republicadas no Brasil desde 2007, constituindo-se uma excelente oportunidade para os leitores conhecerem detalhes da gênese dos X-Men originais, formados por Ciclope, Homem de Gelo, Anjo, Fera, Garota Marvel e, claro, o Professor X (que, não raras vezes, entra na frente de batalha para tirar seus inexperientes alunos das enrascadas).

Estes simples operários não parecem muito assustados com os mutantes.

O curioso desta edição é que os X-Men são sempre citados como uma bandeira da Marvel contra o preconceito e a intolerância, mas ao ler as HQs, a gente percebe que a mensagem era bem menos do que os militantes fazem crer. Sim, é verdade que a equipe mutante trazia implícita essa mensagem, mas os roteiros primam pela aventura dos heróis e a ideologia fica apenas nas entrelinhas, como uma mensagem velada e não tão escancarada como os engajados (e as próprias HQs) dos tempos  atuais querem provar. Tempos mais inocentes, onde o importante era contar uma história, não fazer panfletagem.

O que acham dessa Feiticeira Es…meralda?

Os roteiros de Stan Lee primavam pelo clima aventuresco e a ação, embora um tanto quanto infantilizados. Se, dentro deste contexto, pudesse transmitir uma mensagem subliminar, tanto melhor. Hoje, parece que a situação se inverteu: criam-se HQs com o objetivo de panfletar e, se puderem ter uma boa história subliminar, tanto melhor. E é exatamente por isso que estas HQs clássicas são tão boas, embora as ameaças chegam a ser um tanto forçadas. Evidentemente, é preciso ler com a mentalidade da época, onde os conceitos eram totalmente novos e revolucionários: heróis que já nasciam com poderes, as possibilidades da energia atômica, etc.

Título do Hulk teve vida curta, mas marcante.

Primando pela simplicidade, as histórias tinham um clima de aventura e muita ação, feitas para divertir. É também o caso da CCM do Hulk, que apresenta os seis primeiros – e únicos – números de sua revista original. Publicada bimestralmente, a revista do Hulk teve um cancelamento prematuro causado pelas dificuldades iniciais da Marvel, que teve que recorrer à DC para distribuir suas revistas e a editora do Superman limitou a quantidade de títulos para a concorrente – o que explica a estratégia de colocar dois personagens em títulos que tinham boas vendas, como Tales of Suspense (que passou a trazer o Capitão América e o Homem de Ferro) e Tales to Astonish (onde o Verdão passou a dividir o espaço com o Homem-Formiga).

O começo de tudo

É por isso que esta CCM traz uma edição a mais do que os volumes anteriores – geralmente focados em cinco edições originais – apresentando a saga completa do Gigante Verde (que estreou com pele cinza) antes dele migrar para a genérica Tales to Astonish (que será o conteúdo da próxima edição do Hulk na coleção). Nesta gênese, o Hulk ainda mantinha uma pequena parte do seu intelecto e era levemente maquiavélico, chegando a cogitar eliminar a humanidade para provar que não dependia de ninguém.

material extra inclui a saudosa seção de cartas.

Os encadernados são enriquecidos com o material extra: editoriais escritos por profissionais da área, contextualizando as aventuras, ajudando o leitor a se situar no tempo e ampliando seus conhecimentos sobre os personagens. Além disso, a volta da seção de cartas, embora sejam fictícias, transmitem um pouco da sensação gostosa de ler mensagens enviadas pelos leitores (no caso, profissionais que atuam no meio de quadrinhos) contando suas sensações ao ler personagens tão fantásticos pela primeira vez. Nostalgia pura!

Erros da edição não podem faltar. Mas estão melhorando.

As edições primam pela boa qualidade, inclusive editorial, uma novidade boa, em se tratando da editora, que já ficou conhecida pela falta de cuidado nesse quesito. Ainda existem pequenos erros – a edição do Hulk, por exemplo, tem esboços de HQs publicadas em Tales to Astonish (que deveriam sair no próximo volume do Verdão) com a legenda dizendo que são do título The Incredible Hulk – mas não chegam a comprometer o conteúdo, além de serem em quantidade quase nula, comparado a edições recentes da editora. No geral, é uma coleção que vale a pena fazer.

Coleção Clássica Marvel Vol. 3 – X-Men (148 páginas)
Coleção Clássica Marvel Vol. 5 – O Incrível Hulk (164 páginas)
Autores: Stan Lee (texto), Jack Kirby  e Steve Ditko (desenhos)
Editora: Panini

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