“Eu sou um homem que irá lutar por sua honra. Serei o herói com o qual você tem sonhado.” Estes versos da música Glory of Love, interpretada por Peter Cetera, definem perfeitamente o enredo do filme Karatê Kid II – A Hora da Verdade Continua (The Karate Kid, Part II, 1986), que celebra 35 anos de sua estreia no dia 20 de junho. Com direção de John G. Avildsen, o filme tem uma história simples e cativante, mais madura que a primeira parte, lançada em 1984, mas sem perder a sua essência.

Daniel e Miyagi, relação de pai e filho.

Daniel (Ralph Macchio, que à época do filme tinha 23 anos, mas aparência de 14) é um jovem franzino que se muda com a mãe para uma nova cidade e encontra a hostilidade de uma gangue de arruaceiros, tornando-se alvo de bullying. Ajudado pelo vizinho, o Sr. Miyagi (Pat Morita), Daniel aprende os segredos do karatê em um treinamento pra lá de estranho (e divertido) e consegue vencer seus algozes num torneio. Em linhas gerais, esse é o enredo do primeiro filme.

Trama emociona com lições de humanidade.

No entanto, a história ia além desse roteiro simples e, de forma leve e envolvente, passava lições de vida por meio das inesquecíveis frases do Sr. Miyagi. Com o segundo longa-metragem, não foi diferente. Mas as coisas evoluíram e, da simples defesa pessoal, a questão passou a ser uma luta de honra – algo bastante valorizado pela cultura japonesa. E a honra vai além das desavenças pessoais entre Miyagi e Sato (Danny Kamekona), mas envolve também a relação com o pai e com o amor que o mestre japonês deixou. Uma trama apaixonante sobre vida, amizade e romance, que mostra que a violência deve ser sempre a última atitude a ser tomada e que a serenidade é nosso maior tesouro.

Lutas fazem parte do enredo, mas prevalece a lição de não-violência.

Dito assim, parece que o filme remou na contramão das grandes produções da época, onde filmes como O Exterminador do Futuro, Rambo e Mad Max, entre outros, levaram multidões ao cinema para ver violência nua e crua com muitos tiros e explosões acontecendo. Em Karatê Kid, havia lutas e muita ação, mas de uma forma sutil e contida que acabou marcando época e continua até hoje trazendo frutos, como a série Cobra Kai, exibida pela Netflix, que já vai para a quarta temporada. Por isso, resgatamos 10 curiosidades de bastidores para comemorar os 35 anos deste grande filme.

Peter Cetera: Mais de 1 milhão de cópias vendidas e nomeação para o Oscar de Melhor Canção.

1 – Começamos o texto com os versos da música Glory of Love, que estourou nas paradas e, inclusive, foi indicada ao Oscar de Melhor Canção Original. O que pouca gente deve saber é que a música foi escrita por seu intérprete, Peter Cetera, para o filme Rocky IV, que estreou no ano anterior. No entanto, Sylverster Stallone, que dirigiu o longa, preferiu a música Hearts on Fire como tema do seu personagem. E Karatê Kid ganhou seu tema definitivo.

Oahu é a ilha mais japonesa do Havaí.

2 – A história do filme se passa em Okinawa, cidade japonesa de origem do Sr. Miyagi. Mas as filmagens foram feitas no Havaí, na cidade de Oahu, localizada a nordeste da ilha. As locações foram feitas num terreno de propriedade de um médico local e montadas sete réplicas exatas de casas de Okinawa para formar a aldeia onde vive Yukie (Nobu McCarthy) e Kumiko (Tamlyn Tomita). Além disso, foram construídos três acres de plantações e contratados 50 figurantes nascidos em Okinawa, mas residentes no Havaí foram contratados, tudo para dar mais autenticidade à história.

Plano de carreira: aposentadoria precoce.

3 – A cena de abertura, com Daniel nos chuveiros e a briga no estacionamento entre Miyagi e Kreese (Martin Kove) estava no roteiro do primeiro filme, mas só foram filmadas posteriormente, para a sequência. As filmagens começaram 10 dias após a estreia do longa, em 22 de junho de 1984 (Ei, o primeiro filme também está fazendo aniversário: 37 anos!!)

Um bom ator dá o sangue pelo seu personagem. Literalmente.

4 – Por sinal, o sangue nas mãos de Kreese após este socar o vidro dos automóveis é verdadeiro: o ator realmente se machucou fazendo a cena.

“Cansei de derrubar minhas cenouras. Vou virar monge!”

5 – Ichiro, o homem a quem Daniel corre para ajudar quando seu carrinho de mão tomba é um dos abades que aparecem no filme Karatê Kid IV – A Nova Aventura (1994). Ele é interpretado pelo ator Arsenio “Sonny” Trinidad, que também interpretou um monge em Ace Ventura 2 – Uma Aventura na África (1995).

Não deixe de notar a gafe da aeromoça.

6 – Na cena em que Daniel está com Miyagi no avião é visto uma aeromoça passando e tropeçando em alguma coisa no chão. A cena foi mantida na edição final.

Ali aparece no flashback inicial, mas fica fora da trama.

7 – A atriz Elisabeth Shue, intérprete de Ali, par romântico de Daniel no primeiro filme, retomou seus estudos em Harvard logo após o término das filmagens do longa. Ela teria um papel secundário na trama da sequência, que mostraria o rompimento com Daniel antes dela viajar para a Europa para as férias de verfão, mas os roteiristas desistiram de filmar a cena e ela é apenas mencionada numa conversa com Miyagi.

Golpe sujo: Miyagi é atingido covardemente.

8 – Invencível? Nem tanto: na cena em que Chozen (Yuji Okumoto) luta com Miyagi no dojo do mestre, ele é atingido pela lança do rapaz. Foi a única vez em que Miyagi tomou um golpe em todos os filmes da franquia. E olhe que, em todos os filmes, ele se envolve em alguma briga com os algozes de Daniel: primeiro, foi com a gangue de Johnny, vestidos de esqueletos; depois foi com Chozen no dojo e, em Karatê Kid III – O Desafio Final (1989), luta duas vezes com Mike Barnes (Sean Kanan).

Trama no Japão trouxe o primeiro papel da atriz Tamlyn Tomita.

9 – O roteirista Robert Mike Kamen estava dividido entre contar a história de Miyagi no Japão ou de mostrar a vingança de Kreese por sua derrota vergonhosa. Optou pela primeira, mas assumiu o compromisso de filmar a vingança de Kreese numa terceira parte.

Essa bilheteria é nossa!

10 – Karate Kid II foi o quarto filme mais visto do ano de 1986, perdendo apenas para Top Gun, Crocodilo Dundee e Platoon. Faturou US$ 115 milhões nas bilheterias, superando o longa original, que faturou US$ 91 milhões e tornando-se o filme mais lucrativo da franquia, já que os posteriores foram só ladeira abaixo (US$ 38,9 milhões em Karatê Kid III e US$ 15,8 milhões em Karatê Kid IV).

Karatê é somente para defesa, Daniel-San!

A série Cobra Kai tem feito um resgate dos filmes originais com muita reverência sem deixar de atualizar a temática. Vários atores fizeram aparições especiais, reprisando seus papeis, como Tamlyn Tomita, Yuji Okumoto, Elisabeth Shue, Martin Kove e até Traci Togushi, a pequena menina que Daniel salva do tufão, aparece já crescida para abrilhantar a série. A maior ausência é mesmo Pat Morita, que morreu em 2005, mas cujas lições permanecem até hoje, passados mais de três decadas. Porque, como diz a canção-tema, “Nós viveremos para sempre sabendo que tudo que fizemos foi pela glória do amor!”

 

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