“Se aventura tem um nome, esse nome é Indiana Jones“. Nunca um slogan definiu tão bem um personagem, que completa 40 anos desde que estreou nos cinemas americanos. Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, 1981) marcou época e se tornou o filme mais visto do ano, fez a música-tema do personagem grudar na memória, além de catapultar ainda mais a carreira de Harrison Ford – ele já estava num bom momento após interpretar Han Solo em dois filmes da franquia Star Wars – tornando-o um dos atores mais bem pagos de Hollywood.

Arca da Aliança: Proteção divina.

Ao contrário da série estelar, que usava elementos de ficção científica pouco plausíveis na vida real, a fórmula do sucesso de Caçadores da Arca Perdida se prendia em uma temática muito simples e realista: Jones era um professor e arqueólogo que partia pelo mundo em busca da Arca da Aliança (a arca que continha as tábuas que Moisés recebeu com os Dez Mandamentos), para impedir que o objeto sagrado caísse nas mãos dos nazistas. E dá-lhe correria, tiroteios, perseguições e muita, muita aventura, capaz de deixar qualquer um sem fôlego nos 115 minutos de projeção.

Caçadores conquista pela simplicidade do roteiro.

Com um custo de US$ 18 milhões, fez uma bilheteria de US$ 212 milhões, superando com larga margem o segundo colocado daquele ano, Num Lago Dourado, que fez “apenas” US$ 119 milhões. A terceira colocação ficou com Superman II, outro clássico absoluto (que, embora tenha data de 1980, só estreou nos Estados Unidos em junho do ano seguinte. Leia curiosidades desse filme aqui.) e computou uma bilheteria de US$ 108 milhões. Para comemorar os 40 anos deste clássico da aventura, selecionamos 10 curiosidades de bastidores, enquanto esperamos o 5º. filme da franquia, que já está em produção, com estreia prevista para 2022.

“Esse troféu está no papo!”

1 – Caçadores teve oito indicações para o Oscar, incluindo Melhor Filme, das quais abocanhou quatro estatuetas: Melhor Montagem, Efeitos Visuais, Som, Direção de Arte e o prêmio especial de Edição de Som. Este último é bem merecido, pela criatividade do técnico de som Ben Burtt. Duvida? Depois de passar horas empurrando pedras colina abaixo para capturar o som da pedra gigante que persegue Indiana na sequência de abertura, Burtt solucionou o problema sem querer, descendo com um Honda Civic num aterro de cascalho. Ele percebeu que aquele ruído era o que ele procurava, pegou o microfone e segurou perto de um dos pneus traseiros para gravar o som.

Som viscoso das cobras: dedo no queijo e esponjas úmidas no skate.

2 – Mais sonoridades: o ruído da pesada tampa da arca sendo aberta nada mais é do que o movimento da tampa da caixa de descarga da casa de Ben Burtt. As milhares de cobras deslizando têm o som dos dedos do técnico enfiados numa caçarola de queijo acrescido do som de esponjas úmidas aplicadas na fita adesiva de um skate. Merece ou não merece um prêmio por tal criatividade?

Roteiro escrito nos intervalos de Caçadores da Arca Perdida.

3 – A roteirista Melissa Mathison, esposa de Harrison Ford na ocasião, foi ao set para visitar o marido e o diretor Steven Spielberg aproveitou para ditar a ela uma idéia que ele teve, a respeito de um futuro filme. O roteiro foi escrito ali mesmo, nos intervalos das filmagens. O que esperar de um roteiro escrito assim? Apenas o filme E. T., O Extraterrestre (1982).

Adivinha de onde vêm meu ódio por aranhas…

4 – Grandes astros nascem de pequenos papéis. Alfred Molina teve seu primeiro papel creditado no cinema (embora o ator já tenha atuado em outras produções) neste filme. E começou duramente: logo no primeiro dia de filmagens, sua cena era ter o corpo coberto de tarântulas, na sequência de abertura do filme. Parece que os aracnídeos se tornaram um estigma na vida do ator, já que, anos depois, ele interpretou o Doutor Octopus, em Homem-Aranha 2 (2004).

Arte conceitual de Jim Steranko, famoso desenhista da Marvel.

5 – E muitos anos antes da Marvel investir em cinema, seus artistas já estavam envolvidos com a sétima arte. O desenhista Jim Steranko, bastante conhecido por seu trabalho na série Nick Fury: Agente da Shield, foi o responsável pelas artes conceituais e storyboards. O ilustrador Ralph McQuarrie, responsável pelo mesmo trabalho na trilogia de Star Wars e velho parceiro de George Lucas, ficou de fora desta atividade, mas ainda ganhou uma migalha: é dele a ilustração da Arca da Aliança vista na grande Bíblia do colégio.

Corre, Indiana! Corre!

6 – Harrison Ford realmente teve que correr da pedra gigante na sequência de abertura. Como a cena foi gravada em vários ângulos diferentes, ele teve que repetir a corrida cerca de dez vezes. O tropeção que ele leva também foi real e o diretor manteve na edição, para a cena parecer mais autêntica.

“Fortuna e Glória, garoto! Não, pera… personagem errado!”

7 – Foi graças ao sucesso de Caçadores que Ford foi contratado para o papel principal em Blade Runner: O Caçador de Androides (1982). Até então, o favorito para interpretar o personagem Richard Deckard era Dustin Hoffman, mas após ver alguns trechos do filme antes do lançamento do cinema, os realizadores se apaixonaram pela interpretação de Harrison Ford e decidiram dar-lhe o papel.

Indiana Knight ou Michael Jones?

8 – Que Tom Selleck recusou o papel de Indiana Jones para interpretar Magnum (1980-1988) na série de TV homônima todo mundo já sabe. O que pouca gente deve saber é que quem também estava cotado para dar vida ao arqueólogo era o astro David Hasselhoff, que se consagrou na série A Super Máquina (1982-1986). Ele chegou a fazer o teste com Spielberg, mas o diretor não aprovou sua interpretação.

Sequências em quadrinhos que inspiraram os produtores.

9 – George Lucas e Steven Spielberg são fãs declarados das HQs do Tio Patinhas. Tanto que se inspiraram nas clássicas histórias do pato quaquilionário escritas por Carl Barks para algumas das cenas mais memoráveis do filme. A cena de abertura, por exemplo, tem várias sequências da história The Price of Pizarro, publicada na revista Uncle Scrooge 26 (1959), lançada quando os produtores tinham, respectivamente, 15 e 12 anos – no Brasil, saiu em Coleção Carl Barks Definitiva Vol. 22 (Panini, 2021) com o título As Minas do Rei Toleimon. Outra HQ publicada em Uncle Scrooge 7 (1954), intitulada The Seven Cities of Cibola – publicada por aqui como A Cidade do Ouro, em Coleção Carl Barks Definitiva Vol. 14 (Panini, 2020) -, tem os patos em contato com um valioso ídolo que aciona uma pedra redonda gigante que destrói tudo em seu caminho.

Cante com a gente: Pam-Pa-ram-paaaam-pam-paraaaam…

10 – O músico John Williams tinha feito dois temas para o filme e os tocou no piano, para aprovação de Steven Spielberg. O diretor gostou tanto que sugeriu a Williams que usasse os dois. O resultado foi a famosa The Raiders March, um dos temas de filmes mais populares de todos so tempos.

Grandes clássicos nunca envelhecem.

Eleito o segundo lugar na lista de 500 melhores filmes de todos os tempos da revista Empire (2008), Caçadores da Arca Perdida é um clássico incontestável. Quando foi lançado em DVD no mundo, teve seu título mudado para Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, a fim de padronizar com os filmes seguintes da franquia. Porém, uma coisa permanece imutável: o apelo deste filme que, embora já tenha 40 anos, não envelhece nunca e, cada vez que o assistimos, parece que se mantem sempre atual. Parabéns, Dr. Jones. Fortuna e glória, sempre!

P. S.: Não deixe de ler nosso artigo com mais curiosidades da franquia completa, que fizemos quando o longa completou 30 anos. Basta clicar aqui.

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