Crítica: Raio Negro

A DC Comics passou a frente de sua rival e, um mês antes da estreia do Pantera Negra nos cinemas, colocou no ar, a série Raio Negro (Black Lightning, 2018), um super-herói afro-americano, com um elenco formado quase em sua totalidade por atores desta etnia. A série estreou no dia 16, pelo canal CW e chegou ontem à Netflix, numa parceria que vai permitir que o público brasileiro possa ver a série com apenas uma semana de atraso em relação à exibição oficial nas TVs americanas.

Elenco da série é quase totalmente formado por atores negros

A estreia tem um grau de importância muito grande, uma vez que o longa do Pantera Negra vinha sendo considerado uma iniciativa ousada da Marvel ao produzir um filme de super-heróis com um elenco totalmente formado por atores afrodescendentes com um protagonista que, além de tudo, carrega a marca de ser o primeiro personagem negro da editora. Nesse sentido, a série da DC estrear primeiro um programa nos mesmos moldes é uma clara declaração de guerra (no bom sentido), uma vez que todos sabemos que a editora é praticamente imbatível em suas séries de TV, ao contrário da concorrente.

Fazendo uma entrada triunfal

Vale mencionar que o pioneirismo ainda pertence à editora de Stan Lee, que nos brindou com a ótima série de Luke Cage pela Netflix em 2016, mas considerando que o canal streaming tem um público restrito, a série Raio Negro estar num canal aberto faz toda diferença e garante a liderança à DC Comics nesse quesito. O grande problema, se é que se pode chamar assim, é a falta de popularidade do herói junto ao público, visto que, mesmo quem acompanha quadrinhos, conhece pouco sobre ele. Mas aí é que está o desafio da série: começar praticamente do zero e apresentar o personagem com categoria para ganhar o público. Isso, a série faz muito bem.

Tobias Whale domina o crime na cidade.

Raio Negro é Jefferson Pierce (Cress Willians), diretor de uma escola, que teve uma carreira como super-herói no passado, mas a abandonou após quase morrer numa batalha (o primeiro episódio não dá muitos detalhes sobre como isso ocorreu). No entanto, com a criminalidade sempre crescente na cidade, Pierce vê sua filha adolescente, Jennifer (China Anne McClain), ameaçada pelos 100, o grupo de delinquentes que domina o local. Assim, ele se vê obrigado a vestir novamente seu uniforme, aperfeiçoado pelo amigo alfaiate Peter Gambi (James Remar). Ao mesmo tempo em que precisa convencer a esposa, que é contra sua vida heroica, Pierce tem que lidar com o mafioso Tobias Whale (o rapper Marvin “Krondon” Jones III) que, aparentemente, é o responsável por quase ter matado Raio Negro no passado.

Momento “massavéio”: Willians mostra os poderes, mas força nas expressões.

A série tem um bom ritmo, mas Willians não convence no papel do herói. Parece ligado no piloto automático, passando pouca credibilidade. De qualquer forma, pode ser apenas uma impressão inicial, visto que o ator tem vários anos de carreira – inclusive em séries de sucesso como Prison Break, Veronica Mars e West Wing – e o personagem ainda tem muito que crescer. O uniforme neon também incomoda inicialmente, principalmente porque o traje clássico dos quadrinhos é mostrado em flashback, na carreira antiga de Raio Negro, e funcionou muito bem.

“Calmae, já vou apagar a luz!”

De qualquer forma, a trama é muito bem elaborada e empolgante. Tem tudo para ser mais um acerto da DC Comics em sua linha de séries – lembrando que Raio Negro funciona de maneira independente e não terá ligação com as outras séries do canal: Arrow, The Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow, que fazem parte do “Arrowverse”, universo compartilhado da TV. Raio Negro passa toda quarta-feira pelo canal CW e o episódio daquela semana é disponibilizado na semana seguinte, sempre às terças-feiras, pela Netflix.

Estreia eletrizante

Nos quadrinhos, Raio Negro estreou em 1977, em título próprio, criação de Tony Isabella (texto) e Trevor von Eeden (arte). Originalmente, os poderes elétricos do herói eram artificiais, gerados pelo cinto que conduziam energia pelo seu uniforme. Posteriormente, o uso constante desse artefato acabou por ativar o metagene no DNA de Pierce, que adquiriu os poderes sem a necessidade do acessório. O título do Raio Negro durou apenas 11 edições, mas o herói continuou a fazer participações especiais em outros títulos.

“Secundário é o Xaveco! Eu faço parte dos grandes!”

Raio Negro ganhou outro título-solo em 1995 que também teve vida curta: apenas 13 edições. Ele foi membro dos Renegados – equipe fundada pelo Batman quando este se desentendeu com a Liga da Justiça e abandonou a equipe para fundar a sua própria – e, pouco tempo depois, se tornou membro da própria Liga. Por questões de direito autoral, a animação dos Superamigos contou com a presença do herói Vulcão Negro, que foi claramente inspirado no personagem. Uma curiosidade: Raio Negro foi também o nome escolhido para o personagem da Marvel, líder dos Inumanos. Contudo, é importante destacar que essa homônimo é só na tradução brasileira. O nome original dos personagens são diferentes: enquanto o da Marvel é conhecido como Black Bolt, o da DC chama-se Black Lightning.

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