Ele tem a força! Mestres do Universo comemora 30 anos

Um dos personagens mais icônicos dos já lendários anos 1980, He-Man ganhou uma versão live-action que estreou em 7 de agosto de 1987 nos Estados Unidos – no Brasil, o filme chegaria quase um ano depois, em 30 de julho de 1988, algo impensável nos tempos atuais, onde a Internet e a pirataria tornam os filmes um produto fácil de ser compartilhado. Estrelado por Dolph Lundgren, Mestres do Universo (Masters of the Universe, 1987) deixou uma legião de fãs saudosistas, embora grande parte reclame da qualidade do roteiro e, principalmente, a falta de fidelidade com que o herói de Etérnia foi retratado nas telas.

O ator Frank Langella fez um duro regime para se parecer com Esqueleto.

Injustiça. Mestres do Universo é um bom filme de ação que bebeu bastante na fonte de Star Wars, com muitas batalhas com naves espaciais e armas lasers, além de contar com a excelente atuação do ator Frank Langella no papel de Esqueleto, cuja maquiagem era bem convincente para a época. O que aconteceu é que o filme teve uma série de problemas de produção, envolvendo falta de dinheiro, interferências externas e foco errado, o que resultou num produto aquém do esperado pelo público, acostumado a ver o super-herói ganhar bronzeado instantâneo quando dava seu grito de guerra na TV.

Os três protótipos que virariam He-Man.

Para quem não sabe, He-Man não nasceu desenho animado. Antes de ir para a TV, ele surgiu em uma linha de brinquedos criados pela empresa Mattel (também responsável pela Barbie) para criar uma série que fizesse concorrência ao sucesso dos produtos baseados na saga Star Wars (que a Mattel havia recusado produzir antes da trilogia estourar nos cinemas. Que azar, hein?). Assim, o designer Roger Sweet criou três modelos genéricos – um bárbaro, um soldado e um astronauta –  e levou aos executivos da empresa, oferecendo-os como uma linha de brinquedos de ação que, exatamente por não terem uma franquia associada, poderiam estimular a imaginação das crianças.

“Nunca mais me chame de Conan!”

Dos três modelos, a versão bárbara foi a escolhida para a produção … e assim surgiu He-Man, que nem Príncipe Adam era, muito menos tinha uma identidade secreta. Os responsáveis por Conan, o Bárbaro, procuraram a Mattel no início da década de 1980 interessados em fazer uma linha de brinquedos do cimério. Quando a Mattel lançou He-Man, foi acusada de plagiar Conan e até circula um boato de que He-Man teria sido o modelo do bárbaro que não foi aprovado, mas nada disso é verdade. O fato é que a Mattel havia criado He-Man antes desse contato e talvez até tivesse semelhanças com o cimério, mas o boneco nunca esteve ligado ao personagem.

Desenho produzido pela Filmation estourou na TV.

Pouco tempo depois, a linha foi adaptada para uma série animada na TV produzida pela Filmation com o personagem já transformado num super-herói com dupla identidade – algo que veio de uma minissérie em quadrinhos criada pela DC Comics em 1982, um ano antes de He-Man chegar na TV. No entanto, a Cannon Group demonstrou interessem em adaptar He-Man antes do sucesso do desenho animado, motivo pelo qual o herói do filme não se transforma no Príncipe Adam e não aparecem personagens icônicos como Gato Guerreiro ou Gorpo (este, substituído pelo anão Gwildor como alívio cômico).

“Eu tenho a forçaaaaaaa!” Grito de guerra teria relação com Star Wars?

Isso explica o fato do filme ter tido uma crítica negativa dos espectadores, que compararam o longa ao personagem dos desenhos animados, quando, na verdade, ele foi baseado no seu conceito original. Por sinal, o fato de ter inspiração em Star Wars poderia explicar a icônica frase de He-Man – “Eu tenho a força!” – embora não haja nenhuma informação oficial a respeito. A produção de Mestres do Universo contou com um orçamento inicial de US$ 17 milhões, aumentado depois para US$ 22 milhões, tornando-se o filme mais caro do estúdio. Na semana de estreia, Mestres do Universo ficou em terceiro lugar nas bilheterias, mas nas semanas seguintes caiu consideravelmente e faturou apenas US$ 17,3 milhões.

Szponder ao lado do elenco: participação forçada… como um menino-porco.

Parte desse fracasso deve-se a várias interferências externas. A Mattel, criadora e detentora dos direitos do personagem, determinou que He-Man não poderia matar ninguém no filme. Por isso, os produtores decidiram que os soldados de Esqueleto seriam todos robôs (embora isso nunca tenha sido mencionado na história). A empresa de brinquedos também fez um concurso no qual o vencedor teria um papel na trama. Porém, com o prazo já terminando e o orçamento estourado, o diretor Gary Goddard teve que limitar o vencedor – um garoto chamado Richard Szponder – a uma mera ponta como Pigboy, um capanga de Esqueleto que entrega sua equipe quando o vilão retorna da Terra.

Falta de dinheiro atrapalhou bastante a produção.

Limitações orçamentárias também atrapalharam bastante. O roteiro original previa uma cena que se passava na Montanha da Serpente e várias imagens conceituais foram desenhadas pelo designer de produção, Willian Stout. As artes mostravam o exterior da montanha e, no lado interno, rios de lava corriam ao redor do lugar onde ficava o trono de Esqueleto. She-Ra, a irmã de He-Man, também tinha uma participação na trama, mas foi cortada durante a produção, sem contar que, por falta de dinheiro, as filmagens foram finalizadas pelo estúdio três dias antes do previsto, deixando a  equipe num dilema para resolver todas as cenas importantes que conduzissem à batalha final entre He-Man e Esqueleto. Depois de dois meses, os executivos da Cannon permitiram ao diretor filmar o encerramento de forma correta (mas ainda assim, com prazo bem apertado).

Filme foi uma briga para ser concluído satisfatoriamente.

O elenco também não foi um mar de rosas para a produção do filme. Sarah Douglas – a intérprete de Ursa, em Superman II – foi convidada para fazer o papel de Maligna, mas não aceitou, deixando para Meg Foster a missão de interpretar a vilã. Dolph Lundgren também teve seus desentendimentos com o diretor e até interferiu no roteiro, adicionando cenas de ação e aumentando a participação de He-Man na trama. O ator declarou que filmar Mestres do Universo foi, para ele, “um pesadelo” e pulou fora da sequência, que já estava programada e deveria se chamar Masters of The Universe 2: Cyborg.

He-Man depois da gripe… ou melhor… da fraca bilheteria.

Pelo roteiro, He-Man (que seria interpretado pelo surfista Laird John Hamilton) voltaria à Terra para lutar contra Esqueleto, que sobreviveu no final do filme anterior e veio à Terra, onde assumiu a identidade do empresário Aaron Dark, explorando nossos recursos e transformando o planeta num mundo desolado pós-apocalíptico. Nesta sequência, She-Ra e Mandíbula fariam suas participações e o estúdio chegou até a contratar o diretor: Albert Pyun. No entanto, com o fracasso comercial de Mestres do Universo, a continuação foi esquecida e o roteiro foi reescrito e se transformou no filme Cyborg: O Dragão do Futuro (1989), estrelado por Jean-Claude Van Damme.

O importante é não entrar em pânico. Vou morar com amigos que é muito melhor.

Mesmo com todos esses problemas externos e a enxurrada de críticas, Mestres do Universo marcou época e hoje é lembrado com nostalgia pelos fãs. Sabendo desses detalhes todos, até dá para apreciar ainda mais o longa-metragem, que tem um clima sci-fi e também foi um dos primeiros trabalhos para o cinema da atriz Courteney Cox, antes dela se tornar uma estrela da franquia Pânico (1993) e abrilhantar a série Friends (1994-2004). O fato é que He-Man ainda tem apelo popular e há planos de um novo longa-metragem do herói de Etérnia, produzido pela Sony e que já entrou no calendário de lançamentos, com data prevista para 18 de dezembro de 2019.

Twitter oficial anunciou a data do filme.

Se o filme vai sair do papel ou não, é outra história. Mas fica a torcida para que o campeão de Grayskull ganhe um filme à altura de sua grandeza, com todos os efeitos que a atual tecnologia possam permitir. Afinal, mesmo depois de 30 anos, o personagem continua carismático e faz valer seu grito de guerra. Ele ainda tem a força!

Na torcida para ver essa espada cortar os céus novamente, pela honra de Grayskull.

Para finalizar, uma curiosidade extra: a Cannon Group tinha interesse em fazer um filme do Homem-Aranha, mas como o orçamento era baixo, decidiu dividir o valor em duas produções e, com o lucro destas, adquirir um montante necessário para bancar os efeitos especiais que o filme do aracnídeo exigiria. Foram elas: Superman IV – Em Busca da Paz e Mestres do Universo. Nem precisa explicar porque o filme do Amigão da Vizinhança não saiu do papel na época,  né?

Executivos da Cannon não eram muito bons de matemática…

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