Leituras da Semana – Abril (1)

Inaugurando o mês de Abril (e ainda pegando um restinho de março), as leituras desta semana têm edições recentes, mas também tem um livro que resgata momentos clássicos de dois grandes personagens.

Uma teia de personagens legais.

Homem-Aranha: Aranhaverso 3 (fev/2017) – Duas histórias do Homem-Aranha 2099, duas da Gwen-Aranha e uma da Mulher-Aranha, Teia de Seda e Guerreiros da Teia. O universo aracnídeo reunido nesta edição, bem bacana. Todas as histórias são boas, mas os destaques são para o Homem-Aranha 2099 e Guerreiros da Teia. Teia de Seda e Gwen-Aranha não são ruins, mas estão longe de se tornarem clássicas. E a nova fase da Mulher-Aranha tem seus atrativos, com a inclusão da heroína no rol dos personagens “engraçadinhos”, que enfatizam o lado ridículo das situações em que se envolvem. É a Marvel rindo de si mesma. Vale a leitura.

O destaque desta edição é o Homem-Formiga. Só.

Avante, Vingadores! 3 (fev/2017) – Os quadrinhos da Marvel andam numa fase tão ruim que decidi cortar alguns títulos do meu orçamento em 2017. Um deles era Avante, cujos números anteriores comprei interessado no rumo das histórias do Esquadrão Supremo, que realizaram um ato surpreendente na edição 1. Neste número, a equipe entra numa batalha com os Vingadores liderados pelo Capitão América-Rogers, mas o rumo da batalha foi pra lá de frustrante. Além disso, o mix também tem uma HQ chatérrima da Capitã Marvel (que a editora quer, a todo custo, empurrar goela abaixo dos leitores como a melhor-heroína-símbolo-ever), outra do intragável Hulk-Cho e os igualmente irrelevantes novos Supremos. A Força-V é até divertida, mas a química entre as integrantes deixa a desejar. A única que vale a pena acompanhar é a do Homem-Formiga, bacanérrima. Uma pena que colocaram o personagem no mix ao invés de lançar esse material em encadernados-solo. Fica a torcida para que a editora lance futuramente uma reedição.

Documento histórico

Coleção Super-Heróis Vol. 3 – Capitão América e Lanterna Verde (fev/2017) – A trajetória desses dois grandes personagens, um da Marvel, outro da DC, que tem em comum o fato de serem “soldados” – um deles da Terra, outro, do espaço sideral. Ambos, criados quase simultaneamente – Lanterna Verde foi criado em 1940, um ano antes do Capitão América (Ahá! Dessa você não sabia, né?). O bom desta coleção é exatamente o resgate histórico, passando pelas origens e bastidores de criação até os grandes momentos nos quadrinhos e como o personagem está na atualidade. É um documento, feito de fã para fã (e, modéstia à parte, esta edição tem grande parte do material feito por mim, o que me enche ainda mais de satisfação). Vale a pena ter na estante.

propaganda ideológica disfarçada de HQ.

Capitão América 1 (mar/2017) – Depois de mais de 20 anos, o Sentinela da Liberdade volta a ter um título só dele – mesmo que, aparentemente, seja por pouco tempo, já que vem sendo divulgado por aí que a revista se chamará Capitão América e Agentes da Shield (a não ser, claro, que se trate de outro título paralelo.). Mesmo também que o Capitão América não seja o Capitão América, mas sua versão Falcão. E mesmo também que o roteirista Nick Spencer (que o editorial se esforça para que o leitor aceite que ele é a última bolacha do pacote num deserto onde não existem supermercados para comprar outro) transforme a HQ num festival de propaganda ideológica minoritária a cada balão. A capa, que traz a chamada “O Fardo de Sam Wilson”, na verdade chama a atenção para o fardo do leitor, que tem que engolir um personagem pobre (e olhe que sou fã do Falcão!), numa história com piadas medíocres e roteiro ioiô, que vai e vem no tempo e chega ao cúmulo de ter um flashback dentro de um flashback (Roteiristas, o que aconteceu com o texto com começo, meio e fim?). A única preocupação não é contar uma boa história, mas passar uma ideia política: o Capitão América é o defensor das minorias, seja participando de uma parada gay,  seja viajando numa classe econômica de avião e conversando com uma dupla inconveniente, seja passando ideia que mexicanos têm, sim, o direito de cruzar a fronteira americana, fazendo um discurso anti-Trump (e olhe que a HQ foi escrita antes do atual presidente ser eleito). Ok, o Capitão América sempre foi um herói politizado. No entanto, as críticas eram bem mais sutis e, acima de tudo, o herói defendia um ideal, não uma postura política. O Falcão América, ao assumir um lado – abertamente na edição, inclusive colocando o próprio Steve Rogers contra ele -, jogou no lixo tudo aquilo que Simon, Kirby, Byrne, Englehart, Brubaker e tantos outros construíram ao longo de 75 anos. Como diria o Chaves, melhor ver o filme do Pelé.

 

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