Leituras do Mês – Janeiro/2017

blog-abreA partir deste mês, nosso blox trará resenhas das revistas em quadrinhos lidas no período, com a opinião crítica sobre o material. É uma forma de atualizar nossos leitores sobre o que há de melhor (e pior também) nas bancas e comic shops. Neste mês, apresentamos as leituras de janeiro, mas como um mês é um período muito longo, a partir de fevereiro faremos uma postagem semanal. Algumas revistas são bem antigas porque minhas leituras estão um tanto quanto atrasadas… mas aos poucos estou colocando em dia. Vamos lá?

Recomeço para o Vingador Dourado

Recomeço para o Vingador Dourado

Homem de Ferro 1 – (dez/2016) O Vingador Dourado chega numa nova revista mensal. O roteiro de Brian Michael Bendis é dinâmico e traz o herói de volta ao heroísmo, depois de um período “invertido”, como Homem de Ferro Superior. Apesar de boa, a história traz alguns conceitos bem estranhos, como o “novo” Dr. Destino, que longe de ser um herói, também não é mais o vilão que amamos odiar. E, segundo consta, se transformará em um novo Homem de Ferro. Outro problema da edição é a total falta de menção à vida pré-Guerras Secretas. A exemplo do que aconteceu nos anos 1990, com o famigerado arco The Crossing, onde Tony Stark morreu e foi substituído por um adolescente e, após a saga Massacre, o herói adolescente foi simplesmente apagado da cronologia e o Stark original retornou como se nada tivesse acontecido, esta HQ faz o mesmo com o Superior. Nenhuma menção, nenhum flashback… nada que remeta ao vingador prateado! Melhor assim, mas a sensação é de um buraco cronológico.

Uma HQ com pouco a dizer

Uma HQ com pouco a dizer

O Cavaleiro das Trevas III 6 – (Dez/2016) Esta edição mostra a união entre o Superman e o Batman para expulsar os kryptonianos da Terra, mas o que deveria ser uma batalha épica se resolve em poucas páginas de forma fácil e sem qualquer emoção. A certeza que fica é que as críticas de que CT III era desnecessária se confirmam. É uma saga que começou muito bem, mas mostra que não tem mais nada de relevante para apresentar. A minirrevista tem uma batalha entre a Mulher-Maravilha e sua filha Lara que também é vazia e medíocre.

Tudo novo na Turma Jovem

Tudo novo na Turma Jovem

Turma da Mônica Jovem 1 – (Dez/2016) Esta edição é especial por vários motivos. Primeiro, porque recomeça a numeração, depois de 100 números (como virou tradição nas revistas da Turma da Mônica). Segundo porque, para comemorar o reinício, traz uma série de novidades na diagramação das páginas (o Índice mudou, bem como o editorial Fala, Mauricio!, na última página), um logotipo mais jovial e capas internas em ciano (e não mais em PB). Por fim, a história foi escrita pelo roteirista Flávio Teixeira de Jesus, o mesmo que escreveu a outra edição 1 da Turma da Mônica Jovem, lá em 2008. É uma história bem humorada e muito romântica, como há um bom tempo não se via neste título.

Mago supremo em seu título solo

Mago supremo em seu título solo

Dr. Estranho 1 (dez/2016) – Leia a crítica desta revista específica aqui.

O espião em seu melhor momento

O espião em seu melhor momento

Salvat IX – Nick Fury Parte 2 – (jun/2016) Muito mais solto do que na primeira edição, o desenhista Jim Steranko mostra todo sua estilo único ao revolucionar a diagramação das HQs, com imagens psicodélicas, fotográficas, páginas quádruplas e leitura não linear – uma delas segue um labirinto e obriga o leitor a virar a revista conforme lê os quadros. Só por isso, já valeria a pena a leitura, mas tem também o dinamismo dos roteiros das aventuras do diretor da Shield… Uma edição primorosa que define bem o título de “clássico”.

Roteiro descontraído e genial

Roteiro descontraído e genial

Gaviã Arqueira – Vingadora da Costa Oeste (nov/2016) – O terceiro encadernado do Gavião Arqueiro é focado na sua versão feminina-adolescente: a Gaviã Arqueira (nome adotado pela Panini que, além de horroroso é ortograficamente incorreto, visto que “gaviã” não existe na Língua Portuguesa. Como se já não bastasse os erros do “internetês”, a editora ainda colabora para um maior empobrecimento da nossa língua). Tirando-se essa bizarrice, o que sobra é só alegria, porque as histórias são de um excelente nível, mostrando as aventuras da Arqueira em Los Angeles, enfrentando todo tipo de problema pessoal. Ela se mete com a Madame Máscara e perde tudo o que tem, precisando recomeçar sua vida do zero, arrumando um emprego de cuidadora de gatos e trabalhando como detetive particular. Leve, divertido e totalmente descompromissado. Leitura nota 10.

Entre a inovação e o desgosto

Entre a inovação e o desgosto

Guerras Secretas – Os últimos Dias do Surfista Prateado (dez/2016) – Que o Surfista Prateado foi totalmente descaracterizado nas mãos de Dan Slott todo mundo já sabe. Com uma temática “engraçadinha” que não combina com a essência do herói filósofo, suas aventuras espaciais ao lado da insossa Dawn Greenwood (uma versão Marvel da personagem Brotoeja, da Harvey – aquela editora que também produzia os quadrinhos do Gasparzinho) que saíam na revista Universo Marvel estavam mais para tortura espacial. No entanto, esse encadernado até que, de certa forma, redime o roteirista. A primeira HQ tem um jeito inovador de leitura (faltou um curso intensivo de como seguir a história, mas tá valendo) onde o leitor precisa imitar o símbolo do infinito (∞) para seguir o roteiro, criando a sensação de um looping temporal, no qual o Surfista estava inserido. No mínimo, genial. As outras HQs da edição seguem um bom nível, até as duas últimas, que têm relação com o final de Guerras Secretas e mostram uma solução absurda para o ressurgimento do nosso universo. Mas como “absurdo” é sinônimo de toda essa fase do Surfista, até que dá pra engolir e deixar passar. Só tome cuidado com a indigestão.

Fase marcante

Fase marcante

Coleção Histórica Marvel – Os X-Men Vol. 8 (jul/2016) – Finalmente colocando em dia essa coleção, o último volume da caixa tem a estreia dos Novos Mutantes, com as três primeiras aventuras do grupo adolescente em sua revista solo (a estreia de verdade aconteceu numa graphic novel que continua inédita no Brasil). A partir daí, o título se relaciona ao dos X-Men, que voltavam do espaço, após enfrentar a Ninhada. Juntas, as duas equipes lutam para salvar o Professor X, que foi infectado pelos monstrões espaciais. Depois, a edição dá um salto no tempo para mostrar mais três aventuras com a volta da Ninhada à Terra. Uma edição bem bacana de uma fase muito boa dos mutantes.

Um recomeço sem explicações

Um recomeço sem explicações

O Espetacular Homem-Aranha 1 (dez/2016) – Já foi longe o tempo em que as HQs do Homem-Aranha eram as melhores e mais divertidas. Os roteiristas parecem não saber mais o que fazer com o aracnídeo e inventam bobagens atrás de bobagens, levando o herói cada vez mais a um poço sem fundo. A bola da vez é a invenção do Peter Parker rico e industrial. Até aí, tudo bem. Mudanças fazem parte da carreira de qualquer personagem. O problema é que, nesta fase pós-Guerras Secretas, tudo começa como se você entrasse no cinema com o filme pela metade. Nada se explica, tudo já está acontecendo e você que se vire para entender. Ninguém vai te explicar como Peter ficou rico, como sua empresa se tornou uma multinacional ou como e por quê seu uniforme passou a ter uma aranha em neon e olhos luminosos na máscara. Simplesmente é assim. A coisa é tão absurda que uma ideia criada como uma gozação na vida do aracnídeo – o Aranhamóvel – volta com força total e, desta vez, como algo sério. Aí tem a segunda história, com o Homem-Aranha Ultimate… na escola, tendo que lidar com notas baixas, fugir dos professores para ser herói e azarado com as garotas… e você percebe que o novo Homem-Aranha é melhor que o clássico. Culpa da nostalgia? Não. O roteirista de Miles Morales é Brian Bendis, enquanto que do Aranha Clássico é Dan Slott. Isso faz toda a diferença.

A briga vai esquentar

A briga vai esquentar

O Espetacular Homem-Aranha 2 (dez/2016) – Nesta segunda edição da nova revista do Homem-Aranha, o agora milionário Peter Parker anuncia que comprou o Edifício Baxter, antigo lar do Quarteto Fantástico, e o transformou em sede das Indústrias Parker. Isso provoca a fúria de um certo personagem esquentadinho (literalmente falando), causando uma luta entre o aracnídeo e o Tocha Humana. Ao mesmo tempo, o Zodíaco continua sua busca por poder. E o Homem-Aranha Ultimate tem que se explicar ao Homem-Aranha tradicional depois da confusão causada pela luta contra o Coração Negro com direito a uma alfinetada homérica do roteirista nos Justiceiros Sociais que povoam as redes. A edição tem mais ritmo e mais humor que a anterior.

Palavras são desnecessárias quando a imagem diz tudo

Palavras são desnecessárias quando a imagem diz tudo

Pétalas (2015) – Uma HQ sem diálogos, com uma história terna e até um pouco trágica, que mostra que uma vida só é bem vivida quando você faz a diferença na vida de alguém. O álbum conta a história de uma raposa jovem que cuida do pai mais velho e encontra uma ave em suas andanças pela floresta para juntar lenha e manter o pai aquecido. A história vai muito além de apenas “olhar as figuras” e exige do leitor um raciocínio lógico para entender certas situações, mas o contexto é facilmente compreensível e a mensagem é bem clara. A arte de Gustavo Borges (de apenas 20 anos) e as cores de Cris Peter ajudam a entrar no clima lúdico da história e o “ângulo da câmera” assume os pontos de vista dos vários personagens, dando uma perspectiva bastante diferenciada, inserindo o leitor na trama. Uma leitura diferente e agradável.

A Mulher é Maravilha, mas a história, não.

A Mulher é Maravilha, mas a história, não.

Mulher-Maravilha Terra Um (Dez/2016) – Depois de dois encadernados bacanas do Superman e dois do Batman, chegou a vez da Princesa Amazona ganhar o seu, pelas mãos do conceituado roteirista Grant Morrison. Mas isso não foi suficiente para que essa renovada origem da heroína seja interessante. Por ajudar um homem (Steve Trevor agora é negro) que cai na Ilha Paraíso, a princesa Diana é julgada pelas amazonas e tem que justificar seus motivos. A história é entrecortada pelas recordações das várias “testemunhas” do julgamento e perde a linha narrativa, se tornando um vai e vêm infinito de informações. Em resumo: uma história chata, bem aquém do que a Mulher-Maravilha merece.

Uma das melhores HQs de todos os tempos

Uma das melhores HQs de todos os tempos

Coleção Salvat XIX – A Morte dos Stacys (Jan/2017) – Um clássico absoluto, que mostra o porquê do Homem-Aranha ser o herói mais carismático da Marvel. Em dois arcos icônicos – a morte do Capitão Stacy durante uma batalha contra o Dr. Octopus e a morte de Gwen Stacy pelas mãos do Duende Verde – os roteiristas Stan Lee e Gerry Conway abusam da carga dramática e nos fazem sentir a mesma dor que Peter Parker sentiu ao perder pessoas tão próximas. Histórias tão eternas que permanecem atuais ainda hoje. Apenas senti falta da história seguinte à morte de Gwen, quando o aracnídeo enfrenta Luke Cage. Já que o encadernado colocou duas histórias pós-morte do Capitão Stacy, não custaria dar mais esse presente aos leitores. Fora isso (há também os erros de tradução, claro!), é uma edição imperdível e feita para ler, reler e sofrer com a dor de um personagem que carrega a bênção e a maldição de ser o Homem-Aranha.

HQ acerta no alvo e conta a origem do nêmese do Demolidor

HQ acerta no alvo e conta a origem do nêmese do Demolidor

Mercenário: Anatomia de um Assassino (2014) – A origem do vilão, contada por ele mesmo. Num presídio de segurança máxima, dois agentes tentam arrancar do Mercenário alguns segredos de um roubo recente e o vilão conta detalhes inéditos de sua infância, juventude e vida criminosa. A arte de Steve Dillon combina com o estilo da narrativa e do personagem, mas o roteiro é bastante previsível com um final sem surpresas (na verdade, tem um detalhe inesperado). É uma boa HQ, mas nada fora do normal.

Warlock em arco inédito no Brasil

Warlock em arco inédito no Brasil

Os Heróis Mais Poderosos da Marvel 44 – Warlock (Out/2016) – Trazendo um arco inédito no Brasil, este encadernado mostra o guerreiro estelar formando uma equipe para proteger as Joias do Infinito depois que Thanos quase acabou com o Universo na minissérie Desafio Infinito. É uma história bem no estilo clássico da Marvel, com humor (a escolha dos membros de sua Guarda do Infinito por Warlock é hilária) e ação com o herói galáctico sendo obrigado a enfrentar ameaças espaciais que – obviamente! – vão fazer de tudo para roubar as joias. Inconcebível que essa série tenha permanecido inédita no Brasil por tanto tempo.

Três é demais? Nem sempre.

Três é demais? Nem sempre.

Graphic MSP – Astronauta: Assimetria (Dez/2016) – Pensar que o Astronauta, um personagem secundário da Turma da Mõnica, já está no seu terceiro álbum, num primeiro momento, parece até exagero. E é, de fato. Além do curto período de tempo (são 14 edições, sendo que três são do Astronauta), há outros personagens interessantes na turma a serem explorados (como os vindouros Capitão Feio e Jeremias e a Turma da Tina, ainda esquecida na coleção). No entanto, Assimetria é uma história tão interessante que esse desprezo inicial passa após as primeiras páginas. Danilo Beyruth desenvolveu uma história bem curiosa, onde o herói espacial vai explorar uma anomalia em Saturno e descobre mais do que esperava. E, para quem esperava que uma trilogia seria o fim da saga do Astronauta, esqueça. O final deixa um gancho para um quarto volume.

Muita piada pra pouco roteiro

Muita piada pra pouco roteiro

Os Vingadores 1 (nov/2016) – Mais uma edição do novíssimo Universo Marvel, desta vez com a equipe dos Heróis Mais Poderosos da Terra, trazendo as novas formações que surgiram pós-Guerras Secretas. Os Novos Vingadores traz uma temática engraçadinha que acaba sendo no esquema muita piada e pouco roteiro. História chatinha que só serve mesmo para apresentar os heróis – Wiccano, Hulkling, Poderoso, Soprano, Tigresa Branca, Garota-Esquilo e sua “esquilete” Mindinha e Gavião Arqueiro, um infiltrado da Shield. Todos liderados por Roberto DaCosta, o Mancha Solar. Já a equipe dos Vingadores oficiais, além dos clássicos Homem de Ferro e Thor (em sua versão feminina), Capitão América (em sua versão com asas) e Visão, tem também Nova, Miss Marvel e Homem-Aranha (em sua versão latina). Os roteiros são de Mark Waid, então a série tem seu potencial. Os heróis, porém, não apresentaram a química necessária como equipe. Novas ameaças também foram apresentadas nesta edição: o Criador, o Guerrilheiro Chitauri e o misterioso comprador da Torre Stark, ainda sem nome. Não empolgou.

Ponto de partida... que não começa nada.

Ponto de partida… que não começa nada.

Universo Marvel 1 (nov/2016) – O editorial da revista diz que o título é “o ponto de partida para a nova fase dos heróis da Marvel”, mas não é bem assim. Assim como nos outros títulos “rebootados”, as histórias desta edição não explicam nada, não dão ao leitor um panorama pós-Guerras Secretas… simplesmente têm histórias aleatórias e o leitor que se vire para entender. Mas pegar o bonde andando nem é tão ruim assim: as histórias são boas, se você já tem um prévio conhecimento do Universo Marvel. Torneio de Campeões mostra o Maestro e o Colecionador recrutando heróis para uma batalha onde o prêmio é a dominação do universo (como sempre!). Guardiões do Infinito mostra três equipes de Guardiões da Galáxia (isso mesmo: tem mais uma!) lutando juntos; Venom: Cavaleiro do Cosmo transforma o simbionte, definitivamente, num herói. Nova também é bacana e Inumanos é a tentativa da Marvel de popularizar os personagens (mas precisam melhorar muito). É um bom mix, mas nada que empolgue.

No final da semana tem mais! 😉

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