Crítica: Uma Aventura de Babás

blog-abreO filme Uma Noite de Aventuras (Adventures in Babysitting, 1987) é mais um daqueles filmes oitentistas que marcaram época pela simplicidade de ideias e genialidade da execução. Leve e divertido, é uma opção perfeita para passar um dia chuvoso sentado no sofá assistindo TV com toda família. E, seguindo a onda de remakes de filmes desta década, a Disney Channel refez o longa numa produção apelidada de DCOM (Disney Channel Original Movie) que, embora tenha seus méritos, passa longe do charme do original.

Elenco reunido. Sabrina (loira ao centro) e Sofia (morena à direita, de azul) não possuem o carisma de Shue.

Elenco reunido. Sabrina (loira ao centro) e Sofia (morena à direita, de azul) não possuem o carisma de Shue.

Pra começar, a protagonista Sabrina Carpenter não tem o mesmo carisma de Elizabeth Shue. Bem no estilo “patricinha perfeita e afetada” (comum nas produções do canal), sua Jenny Parker (no longa de 1987, o nome era Chris Parker) chega a incomodar com o jeito histriônico de falar. Aliás, vale dizer que, nesta versão, são duas babás: a atriz Sofia Carson interpreta Lola Perez, uma rival de Jenny na luta por uma vaga de estágio numa grande empresa. Sofia, até pela força do seu papel de antagonista, também não chega aos pés de Shue. Apesar disso, a rivalidade das duas garante algumas boas risadas na trama.

Fique longe dos meus empregos!

Fique longe dos meus empregos!

Outra mudança considerável foi com as crianças: ao invés de apenas três, passaram a ser cinco, de duas famílias diferentes. A trama começa mostrando Jenny e Lola concorrendo a um estágio em fotografia na empresa do conceituado Leon Vasquez. Logo de cara, a antipatia das duas provoca um acidente que faz com que ambas troquem de celular. Assim, Lola atende uma ligação que era para Jenny e aceita um serviço de babá para ganhar um dinheiro extra e pagar uma multa de trânsito. No entanto, sem qualquer experiência, o que ela provoca é uma tremenda confusão que caberá a Jenny resolver.

Perseguições, trapalhadas e muita, muita correria.

Perseguições, trapalhadas e muita, muita correria.

A fim de resgatar Trey (Max Gecowets), o filho adolescente do casal, que fugiu pela janela para ir a um show de rock com os amigos, Jenny e Lola carregam todas as crianças com elas, mas acabam envolvidas numa sequência de erros e trapalhadas que culmina numa perseguição por traficantes de animais silvestres. Assim, o grupo passa a fugir por toda a cidade, numa correria frenética para chegar em casa antes dos pais das crianças e, pior, resolver todas as pendências que deixam no caminho.

Adeus à inocência: sai a nerd, entra a esportista.

Adeus à inocência: sai a nerd, entra a esportista.

O ritmo do filme é muito mais acelerado que a versão original e chega a pecar pelo exagero. Nem o título em português foi preservado, embora o original continue o mesmo. No entanto, a sequência de erros das duas babás e das crianças acaba gerando muitas situações hilárias que garantem boas risadas. Outras, no entanto, perderam seu encanto: uma das graças da primeira versão, a garotinha Sara (Maia Brewton) e sua paixão pelo Poderoso Thor (um mecânico interpretado por Vincent D’Onofrio, o atual Rei do Crime da série Demolidor, da Neflix), foi substituída por AJ Anderson (Madison Horsher), uma patinadora cujos ídolos são… bem… patinadoras profissionais. Adeus à magia e à inocência, fruto dos tempos atuais onde esses termos não existem. Uma pena.

Subiu aqui em cima, manda uma rima! É o Rap das Babás!

Subiu aqui em cima, manda uma rima! É o Rap das Babás!

Apesar disso, o filme tem mais pontos positivos do que negativos. Em meio a todas as confusões arrumadas pelas crianças, o roteiro direciona para que cada uma possa destacar sua personalidade, com destaque para Bobby (Jet Jurgensmeyer), o pequeno mestre-cuca em busca de seu “ingrediente secreto”, Emily (Nikki Hahn), a pré-adolescente rebelde-depressiva em busca de atenção e a fofíssima Katy (Mallory james Mahoney), cuja vaidade excessiva a leva a “roubar” os brincos e maquiagens da mãe. E vale destacar que a cena em que o grupo sobe ao palco para cantar rap foi mantida. Ponto para a direção de John Schultz.

A nova versão é legal, mas os clássicos nunca morrem.

A nova versão é legal, mas os clássicos nunca morrem.

Para quem não viu a primeira versão, certamente vai se divertir muito com as trapalhadas das duas babás em sua rivalidade juvenil. Quem, como eu, viu o longa-metragem original, fica a nostalgia de uma deliciosa comédia juvenil sendo refilmada numa nova versão que tem sim os seus méritos, mas dificilmente entrará para o imaginário do público. Afinal, o sorriso de Elizabeth Shue não se esquece tão fácil. Uma curiosidade: Adventures in Babysitting é o centésimo DCOM, mas o primeiro remake feito para a TV baseado num grande sucesso do cinema.

Cotação: blog-cotacao-babas

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