Crítica: Inferno (sem spoilers)

blog-abreSete anos após sua última aventura, adaptada da obra de Dan Brown, ser transposta para as telas, o simbologista Robert Langdon (Tom Hanks) chega novamente aos cinemas com Inferno (idem, 2016), o quarto romance do escritor (terceiro a virar filme). Apesar do título, desta vez a trama não tem teor religioso como O Código Da Vinci (2006), onde Langdon ia em busca do Santo Graal e descobria um relacionamento amoroso entre Jesus Cristo e Maria Madalena, e Anjos & Demônios (2009), onde se revelava o lado obscuro do Vaticano.

A trama gira em torno da descrição do inferno narrado por Dante Alighieri em A Divina Comédia.

A trama gira em torno da descrição do inferno narrado por Dante Alighieri em A Divina Comédia.

Longe de polêmicas eclesiásticas, desta vez o título remete à obra A Divina Comédia, de Dante Alighieri, escrita por volta de 1310-1321, onde o autor narra sua passagem pelo inferno e relata com detalhes os tormentos que presenciou. Essa narrativa se transformou em um quadro, do pintor italiano Sandro Boticelli, com a reprodução dos nove círculos infernais narrados por Dante. Nesse quadro, encontram-se as pistas que Langdon tem que seguir para revelar o mistério da trama: o esconderijo de um  vírus altamente letal que pode eliminar grande parte da população do planeta.

O quadro de Boticelli traz as pistas para a solução do enigma.

O quadro de Boticelli traz as pistas para a solução do enigma.

Segundo o cientista Bertrand Zobrist (Ben Foster), a população mundial vem se multiplicando de forma descontrolada nos últimos anos. Levamos 100 mil anos para atingir a marca de um bilhão de habitantes e apenas poucas décadas para chegar a sete bilhões. Como um câncer, a humanidade será extinta em pouco tempo se continuar nessa progressão e, para Zobrist, a solução consiste em reduzir a população pela metade para a sobrevivência da outra metade.

Não te falei que o Dante sempre foi duas caras?

Não te falei que o Dante sempre foi duas caras?

Com a boa intenção de salvar o planeta, ele desenvolve uma praga biológica e a esconde em algum lugar do planeta, deixando pistas para seus aliados descobrirem e ativarem o vírus. O Professor Langdon é uma das poucas pessoas capazes de decifrarem o enigma oculto no quadro de Boticelli e impedir que a peste se espalhe – o que transformaria o planeta, simbolicamente, num inferno. Por isso, ele é o alvo de um grupo terrorista e da Organização Mundial da Saúde, que quer os conhecimentos do especialista para chegar ao vírus antes de todos. O problema é que Langdon perdeu a memória e, como num quebra-cabeças, tem que juntar os fatos para lembrar o que aconteceu consigo antes de acordar num hospital, ferido e desmemoriado.

Para proteger Langdon, entram em cena os X-Men. Não, pera...

Para proteger Langdon, entram em cena os X-Men. Não, pera…

Nessa corrida contra o tempo para decifrar as pistas, recuperar a memória e fugir dos perseguidores, Langdon conta com a ajuda de Sienna Brooks (Felicity Jones), a médica que o atendeu no hospital e que é fascinada pelas pesquisas do especialista. Do lado dos perseguidores estão Vayentha (Ana Ularu), oficial dos terroristas e Christoph Bouchard (Omar Sy) agente da OMS entre outros que vão surgindo ao longo da trama. As buscas percorrem várias cidades europeias, como Florença, Veneza e Istambul.

Run, Lola, Run!

Run, Lola, Run!

O filme tem um roteiro frenético, cheio de idas e vindas, como os bons filmes policiais e de mistério. As perseguições ajudam a criar o clima tenso e  espectador se envolve na história, descobrindo, juntamente com Langdon, as peças para a solução do mistério bem como os fragmentos de memória do simbologista, que vão construindo os fatos paulatinamente . Ponto para o diretor Ron Howard (que também dirigiu O Código Da Vinci e Anjos & Demônios) que conduz a história com maestria e sem deixar pontas soltas.

O novo filme não deixou de explorar a simbologia das obras-primas do Renascimento.

O novo filme não deixou de explorar a simbologia das obras-primas do Renascimento.

Conforme a história avança, percebemos que nada é o que parece e não dá para saber quem são os verdadeiros inimigos, nem os aliados. Essa sensação de paranoia reserva sempre uma surpresa – especialmente para quem não leu o livro – e torna a experiência envolvente. Vale notar que os acontecimentos do filme também seguem a sequência dos nove círculos infernais narrados em A Divina Comédia. Não é uma leitura literal e rigorosa, mas é possível identificar os pecados com o desenrolar da história.

Acha que conhece o fim da história porque leu o livro? Reveja seus conceitos.

Acha que conhece o fim da história porque leu o livro? Reveja seus conceitos.

Também é importante ressaltar que o cinema optou por um final diferente do livro, tornando a história menos fictícia e mais contemporânea. Para quem é fã de filme de ação e espionagem, Inferno reserva bons momentos. Com um texto menos fantasioso que os filmes anteriores, o longa trata de um tema atual sem se tornar moralista em excesso. E lembra que temos sim, um problema sério a resolver com a questão populacional, mas sem esquecer que, de boas intenções, o inferno está cheio.

Cotação: blog-cotacao-inferno

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