Crítica: Luke Cage (sem spoilers)

blog-abreApós três grandes sucessos basados nos super-heróis da MarvelDemolidor (duas temporadas) e Jessica Jones – a Netflix estreia hoje uma nova série em 13 episódios com mais um personagem do terceiro escalão da editora. Em Luke Cage, o personagem-título (interpretado por Mike Colter) é um ex-presidiário com pele indestrutível que tenta recomeçar sua vida após a prisão, mantendo-se longe de encrencas. No entanto, no violento bairro negro do Harlem, encrenca é o que ele mais vai encontrar.

Luke atrai encrencas como um imã. E atrai balas também.

Luke atrai encrencas como um imã. E atrai balas também.

A responsabilidade de manter o nível das séries anteriores é grande, por vários motivos. Primeiro, porque a alta qualidade de Demolidor criou uma expectativa do público para as próximas séries em parceria com a Netflix. Em segundo lugar, porque Jessica Jones recebeu muitas críticas negativas de uma parcela dos espectadores e Cage tem a missão de provar que este foi um caso isolado na lista de séries já contratadas pelo canal on demand. E, por fim, porque Luke Cage não é um personagem muito conhecido do público em geral, embora tenha sido criado há mais de 40 anos e tenha certa notoriedade por ser o primeiro personagem negro a ganhar uma HQ com seu nome.

Alguém vai sentir nos ossos que não é fácil derrubar quem tem pele de aço.

Alguém vai sentir nos ossos que não é fácil derrubar quem tem pele de aço.

Apesar disso, a série conta com a simpatia de Colter, que já teve uma pequena participação em Jessica Jones (nos quadrinhos, Luke Cage é marido de Jessica Jones e ambos têm uma filha, Daniele)e chamou a atenção pela boa caracterização do personagem. Assim como nas séries anteriores da Marvel/Netflix, a plataforma paga permite que os roteiros possam ousar na violência e sexualização, tornando as histórias mais próximas da realidade, o que também conta pontos.

Luke e o barbeiro Pop, num momento de descanso.

Luke e o barbeiro Pop, num momento de descanso.

Da mesma forma que fizemos nas séries anteriores, vimos os três primeiros episódios e nossa crítica se baseará nas primeiras impressões da história desenvolvida nessa trinca. Quem acompanhou Jessica Jones, sabe que Cage se afastou da Cozinha do Inferno após ajudar a heroína a resolver seus problemas com o Homem-Púrpura (David Tennant) – mas se você não acompanhou, não tem problema: a série é independente e não necessita prévio conhecimento. Cinco meses depois, Cage começou a trabalhar na barbearia de Henry “Pop” Hunter (Frankie Faison), profissional muito querido por todos pelo seu jeito acolhedor e pelos muitos anos em que o estabelecimento funciona no local.

Strokes é o rei do pedaço (pelo menos, ele acha que é).

Strokes é o rei do pedaço (pelo menos, ele acha que é).

Outro estabelecimento bastante badalado do Harlem é a boate Harlem’s Paradise, de propriedade de Cornell Stokes (Mahershala Ali), também conhecido como Boca de Algodão (apelido que ele detesta), um traficante casca-grossa que é primo da vereadora Mariah Stokes (Alfre Woodard), política corrupta que usa dinheiro público para financiar as ações do primo. Cage também trabalha à noite nesta boate, lavando pratos a fim de conseguir um dinheiro extra para pagar o aluguel. Uma ação mal sucedida de tráfico desencadeia uma série de fatos que vão envolver os amigos do herói e exigir seus poderes especiais.

Misty vai investigar os crimes e seus caminhos se cruzam com os de Cage.

Misty vai investigar os crimes e seus caminhos se cruzam com os de Cage.

Completam o elenco a detetive Misty Knight (Simone Missick) que se envolve com Luke tanto emocional como profissionalmente, uma vez que os crimes ocorridos na cidade vão cruzar seus caminhos. O primeiro episódio tem um ritmo lento e arrastado, bem incomum para uma série de super-heróis, que, normalmente, pede mais ação. Isso exige um pouco de paciência do espectador, pois, como num jogo de xadrez, as peças estão se posicionando para a trama começar a se desenrolar. E ela começa a crescer a partir da metade do segundo episódio, quando inicia-se uma violenta guerra de tráfico, com muitos tiros, sangue e violência explícita.

Série traz a realidade dos negros para a TV

Série traz a realidade dos negros para a TV

Resta saber se o público terá paciência para aguentar um episódio e meio para ver as coisas acontecendo, especialmente depois de duas temporadas de Demolidor onde a ação já começa nas primeiras cenas. Se passar por essa etapa, a série vai crescendo e promete melhorar muito mais nos próximos episódios. Um grande mérito está na direção de elenco, que conseguiu reunir um cast com 98% de atores negros, que consegue, sem levantar bandeiras, construir um cenário de luta por reconhecimento e valorização, remetendo às origens do personagem, que nasceu no auge do movimento “blaxploitation” – movimento de valorização do negro que surgiu na década de 1970 no cinema, TV e quadrinhos.

Cascavel é vilão dos quadrinhos que deve aparecer na série.

Cascavel é vilão dos quadrinhos que deve aparecer na série.

Vale citar também as participações dos personagens Tucão (Rob Morgan) e Claire Temple (Rosario Dawson), que já estiveram tanto em Demolidor como em Jessica Jones e servem de elo entre as séries. Nos três primeiros capítulos não foi vista nenhuma referência às HQs de Luke Cage, fora a citação de Kid Cascavel, que aparentemente é o grande chefão do crime no Harlem e mandante de Boca de Algodão. Nos quadrinhos, Cascavel é o vilão responsável pela prisão de Luke Cage e pela morte de Reva Connors, a amada do herói.

Braceletes e tiara é referência aos quadrinhos

Braceletes e tiara é referência aos quadrinhos

Falando na origem do personagem, até o terceiro capítulo, salvo rápidas cenas em flashback, ainda não foi revelado como o herói conseguiu seus poderes, o que é um ponto negativo, uma vez que aqueles que não conhecem o herói dos quadrinhos ficam sem as informações de como ele consegue ser à prova de balas. Nada que um pouco de paciência não resolva, já que, ao que tudo indica, isso ainda será mostrado, mas novamente fica a questão: será que o público está disposto a esperar, uma vez que a série criou a expectativa de superar ou, no mínimo, ser do mesmo nível que Demolidor, numa inevitável comparação? O tempo (e a audiência) dirá.

Luke Cage em sua edição de estreia

Luke Cage em sua edição de estreia

O que se pode adiantar é que, pelos primeiros episódios, a série promete. Impossível não gostar do “paizão” Pop Hunter, que abre sua barbearia para acolher os jovens das ruas e, com isso, tirá-los da criminalidade. O fato de não permitir palavrões no estabelecimento – quem não cumpre a regra tem que pagar uma “multa” – demonstra sua preocupação em passar algo de bom para a garotada, evidenciando ainda mais a boa construção de seu caráter. E Misty Knight começa apagada (nem seu nome é dito), mas parece que ainda terá um papel importante no desenrolar dos fatos.  Por fim, e mais importante, conta a favor o carisma de Mike Colter, que foi uma excelente escolha para o papel e promete honrar o personagem.

Cotação: blog-cotacao-luke

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