Saído do Forno: Protocolo – A Ordem

blog abreEncontros entre super-heróis sempre atraíram a atenção dos leitores. Marvel e DC fazem isso desde os primórdios e sempre alardearam as grandes sagas, que reuniam vários personagens ao mesmo tempo e que, de um tempo pra cá, se tornou a mola mestra das vendas de HQs. Os crossovers entre editoras diferentes, então, levam os fãs ao delírio. Nesse sentido, a HQ Protocolo – A Ordem, produção nacional que começa a ser distribuída pelo País, gerou uma grande curiosidade nos leitores pelo ineditismo de reunir, numa mesma trama, mais de duas dezenas de super-heróis nacionais.

Cheklist: quantos desses personagens você conhece?

Cheklist: quantos desses personagens você conhece?

Primeiro, porque super-herói nacional é uma raridade. Não que eles não existam, pelo contrário. Eles existem,  e aos montes, mas a grande maioria é desconhecida até mesmo entre os leitores regulares de quadrinhos. A produção nacional sofre com o preconceito, a falta de interesse mercadológico e, sendo bastante sincero, em grande parte das publicações, a baixa qualidade tanto de roteiro como de arte. Por conta disso, o álbum ganha um interesse ainda maior, por “apresentar” esses personagens pouco conhecidos ao público leitor.

Da esquerda para a direita: Guilherme de Sousa, Gabriel Rocha e Elenildo Lopes com um fã (em pé) no lançamento da HQ, em Niterói (RJ).

Da esquerda para a direita: Guilherme de Sousa, Gabriel Rocha e Elenildo Lopes com um fã (em pé) no lançamento da HQ, em Niterói (RJ).

Mas apenas isso não seria suficiente se, como já foi dito, a qualidade de arte e roteiro não fossem bons. Não é o caso. Protocolo – A Ordem tem a ideia fantástica de reunir os heróis numa mesma aventura que ganha forma no excelente roteiro de Thiago da Silva Mota (criador do personagem Dragão Negro, que também faz parte da trama) e nos desenhos de Ton Marx.  Completa o álbum o primoroso acabamento gráfico e papel de qualidade.

Capitão R.E.D. descobre uma invasão alienígena. Melhor pedir ajuda!

Capitão R.E.D. descobre uma invasão alienígena. Melhor pedir ajuda!

Financiado pelo site Catarse em 2015, a obra faz valer o valor arrecadado e oferece ao público leitor tudo aquilo que foi prometido: uma aventura única, toda em cores, com 100 páginas e a reunião de um exército de heróis brazucas, mostrando que nosso País também tem bons personagens que lutam por seu espaço nas bancas. A trama não é inovadora, mas também não decepciona: Tudo começa quando o Capitão R.E.D. (criação de Elenildo Lopes, que foi o idealizador do projeto) descobre uma invasão alienígena ao nosso planeta. Incapaz de conter a ameaça sozinho, R.E.D. começa a recrutar vários super-heróis para formar uma superequipe em defesa da Terra.

Uma página para apresentar cada personagem. Recurso repetitivo, mas necessário.

Uma página para apresentar cada personagem. Recurso repetitivo, mas necessário.

Além disso, no decorrer da história, o grupo descobre que, entre eles, existe um traidor, que está do lado dos alienígenas. Com isso, instaura-se um clima de paranoia entre os heróis. As páginas iniciais, que mostram a convocação dos heróis, um por página, com direito a logotipo e nome do criador, é um recurso que até tornou a narração um pouco repetitiva, mas era necessário que fosse dessa forma a fim de dar o crédito aos personagens e seus respectivos criadores, apresentar os mesmos aos leitores e preparar o terreno para o combate que viria. Tirada essa ambientação inicial, a história esquenta e só cresce a cada página, com as tradicionais batalhas entre os heróis e depois contra os vilões. Além de cenários conhecidos, o leitor mais atento também encontrará alguns rostos e diálogos familiares.

Discurso familiar? Qualquer semelhança não é golpe.

Discurso familiar? Qualquer semelhança não é golpe.

Segundo Lopes, um segundo álbum já está em planejamento. O jovem quadrinista parece, ele próprio, ter fôlego de super-herói. Além de já idealizar a continuação de Protocolo – A Ordem, também planeja o número 2 da revista Capitão R.E.D. e anunciou, recentemente, o lançamento do herói Velox, o primeiro herói homossexual dos quadrinhos brasileiros (inclusive, a primeira imagem oficial do herói foi divulgada hoje, com exclusividade, pelo site Papo de Quadrinho). O único empecilho para todos esses projetos é mesmo a questão mercadológica brasileira, que investe pouco em super-heróis nacionais.

Novo herói que vem por aí. Imagem divulgada com exclusividade pelo site Papo de Quadrinho no dia de hoje.

Novo herói que vem por aí. Imagem divulgada com exclusividade pelo site Papo de Quadrinho no dia de hoje.

A expectativa e a boa recepção de Protocolo – A Ordem talvez mude esse panorama. O álbum mostrou que é possível criar uma boa história ambientada em nossas paisagens com uma qualidade tão boa quanto às publicadas lá fora. O maior inimigo que os heróis precisam vencer é o preconceito contra o que é produzido em terras brazucas. Foi preciso a união de mais de 20 super-heróis para vencer a primeira batalha. A guerra continua.

Dormindo com o inimigo: quem será o traidor?

Dormindo com o inimigo: quem será o traidor?

Para conhecer mais sobre o projeto e adquirir um exemplar de Protocolo – A Ordem, entre em contato diretamente com os autores, na página do álbum no Facebook.

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