Saído do Forno: Papa-Capim – Noite Branca

blog abreA 11a. edição do selo Graphic MSP chega às bancas, comic shops e livrarias com uma temática de terror. Em Papa-Capim – Noite Branca, a roteirista Marcela Godoy e o desenhista Renato Guedes revisitam o índio curumim criado por Mauricio de Sousa e o transformam num bravo guerreiro que deve enfrentar forças sobrenaturais que aterrorizam a tribo onde vive.

"A primeira graphic novel de terror" - Parece, mas nem tanto.

“A primeira graphic novel de terror” – Parece, mas nem tanto.

Apesar de se apresentar como uma história de terror, o álbum não é bem assim. A história possui seus elementos sobrenaturais e traz uma leitura mais sombria do personagem, mas não chega a aterrorizar – e nem pode, afinal, muito embora o selo tenha uma pegada mais adulta, os títulos Graphic MSP não excluem nenhuma faixa etária, o que inclui o público infantil, principal comprador das HQs de Mauricio de Sousa.

Espíritos maléficos assombram a tribo. Adivinhem quem vai lutar contra eles?

Espíritos maléficos assombram a tribo. Adivinhem quem vai lutar contra eles?

A trama mostra o indiozinho um pouco mais crescido, com seu inseparável companheiro Cafuné, sendo assombrados por espíritos vampiros conhecidos como Noite Branca, que foram trazidos com os colonizadores e que, de tempos em tempos, passam a dominar os guerreiros indígenas e se alimentar de seus espíritos para saciar sua sede de morte. Cabe a Papa-Capim, o mais jovem guerreiro da tribo, descobrir como derrotar a ameaça.

A arte "conversa" com o texto e é isso que faz uma HQ ser boa.

A arte “conversa” com o texto e é isso que faz uma HQ ser boa.

A arte de Renato Guedes – conhecido por seu trabalho em quadrinhos da Marvel e DC, como Wolverine, Vingadores Secretos, Superman, Smallville e outros – dá o clima sombrio exigido pelo roteiro e a opção por tonalidades escuras na colorização também ajuda a inserir o leitor naquela situação de tensão e suspense. Os extras do álbum complementam a trama, trazendo informações de que a lenda da Noite Branca foi inspirada num mito real do folclore brasileiro chamado Tatus Brancos, contado na época dos bandeirantes.

Texto de Gonçalves Dias. Dá até pra usar a HQ em sala de aula, professores!

Texto de Gonçalves Dias. Dá até pra usar a HQ em sala de aula, professores!

Isso mostra que a autora não se limitou apenas em escrever uma história, mas fez um bom trabalho de pesquisa antes, para trazer algo bem mais rico aos leitores. A pesquisa também fica evidente na citação literária de Gonçalves Dias, extraída de seu poema indianista I-Juca Pirama, publicado em 1851, e em alguns diálogos em tupi-guarani que, infelizmente, perdem a riqueza por falta de uma nota de rodapé com a tradução dos mesmos. Nada que comprometa a narrativa, mas poderia ser muito mais prazerosa se houvesse esse “agrado” ao leitor.

Papa-Capim em harmonia com a Mãe-Natureza.

Papa-Capim em harmonia com a Mãe-Natureza.

Independentemente disto, Papa-Capim – Noite Branca talvez seja o álbum mais diferente do que tem sido apresentado até agora, nas dez edições anteriores, a ponto de causar uma estranheza à primeira vista. Mas cumpre bem o seu papel de pegar um personagem clássico e apresentá-lo de uma forma diferente e totalmente autoral aos leitores. Não é o melhor álbum do selo, nem tampouco é uma leitura aterrorizante como se propõe, mas é intrigante e envolvente e é isso que basta.

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