Crítica (sem spoilers): O Escaravelho do Diabo

blog abrePode parecer estranho uma crítica “sem spoilers” de uma história policial cujo assassino misterioso já teve seu nome revelado há mais de 30 anos. Mas continue lendo… a gente chega lá…🙂

Primeiro livro da Série Vaga-Lume a virar filme.

Primeiro livro da Série Vaga-Lume a virar filme.

Depois de muitos anos de espera – salvo engano, o primeiro anúncio foi feito em 2012, com previsão de estreia para o ano seguinte – chega aos cinemas o filme O Escaravelho do Diabo, adaptação do livro homônimo escrito por Lúcia Machado de Almeida e que se tornou um clássico juvenil na década de 1980, como parte da consagrada Série Vaga-Lume, da Editora Ática.

Aviso fatal: vítimas recebem um escaravelho pelo correio

Aviso fatal: vítimas recebem um escaravelho pelo correio

A história policial trazia uma série de assassinatos envolvendo pessoas ruivas que recebiam um pequeno escaravelho (uma espécie de besouro) antes de morrer, cujo nome científico do animal indicava que tipo de morte elas teriam. O caso foi solucionado pelo jovem estudante de medicina Alberto, cujo irmão, Hugo, foi a primeira vítima. O filme traz a mesma premissa, mas faz uma série de mudanças pontuais, que tornam a história totalmente nova para quem leu o livro, incluindo o assassino e suas motivações.

Alberto rejuvenesceu alguns anos em relação à sua versão literária.

Alberto rejuvenesceu alguns anos em relação à sua versão literária.

Pra começar, Alberto não é um jovem rapaz, mas sim um adolescente de 13 anos (Thiago Rossetti), que tem no irmão mais velho Hugo (Cirilo Luna) um ídolo – apesar das constantes briguinhas comuns entre irmãos. Hugo é fascinado por motociclismo, o que também desperta o interesse de Alberto, que vive sonhando com o dia em que vai dirigir a moto do irmão. Quando Hugo é assassinado, o garoto desenvolve uma obsessão por descobrir o culpado e passa a participar das investigações junto com o Delegado Pimentel (Marcos Caruso).

Minha Santa Teresinha, dai-me paciência contra quem me apelidou de Dory.

Minha Santa Teresinha, dai-me paciência contra quem me apelidou de Dory.

Uma outra mudança em relação ao livro  é que o Delegado sofre de um tipo de síndrome que o faz ter lapsos de memória, o que faz com que não tenha a visão técnica necessária para desvendar os crimes. É aí que entra Alberto, que logo percebe que os crimes na cidade de Vale das Flores estão relacionados com a cor dos cabelos das vítimas. A família irlandesa do livro foi omitida da história, que ganhou novos personagens, como Daniel (Felipe de Carolis), o jornalista Louzeiro (Bruce Gomlevsky) e Delegada Dora (Ana Cecília Costa), que chega para substituir Pimentel, devido a seus problemas de memória. O elenco conta também com Jonas Bloch no papel do Padre Paulo Afonso e Bruna Cavalieri como Rachel, colega de escola de Alberto, por quem o garoto é apaixonado.

Mais realismo: nada de fantasias de besouro.

Mais realismo: nada de fantasias de besouro.

O filme tem um clima de mistério bem adequado ao roteiro do livro e resgata o passado do assassino em cenas em flashback, mostradas ao longo da trama, o que ajuda o espectador a compreender melhor suas motivações. Além disso, o assassino não aparece vestindo nenhuma fantasia de escaravelho, como no livro, mas tem uma cicatriz em formato do inseto nas costas, tornando a história menos fantasiosa e mais pé no chão. Ponto para o diretor Carlo Milani, cujo filme marca sua estreia no cinema.

AHHH!! Tem um bicho nas minhas costas!!

AHHH!! Tem um bicho nas minhas costas!!

Porém, o filme não é perfeito e tem seus problemas: o fato de utilizarem um protagonista adolescente torna a investigação um tanto quando inverossímil, já que nenhum profissional de justiça permitiria que uma criança interferisse em seus trabalhos – nem um adulto, na verdade, mas pelo menos, seria mais fácil de engolir. A presença do assassino ao longo da história também sofreu uma modificação que não vamos revelar para não estragar a surpresa, mas quebra a familiaridade que havia com o mesmo na obra literária. Contudo, não são problemas que prejudiquem o desenrolar da trama que, de um modo geral, é intrigante e fiel ao original.

Padre Paulo Afonso tem a chave para a solução do mistério.

Padre Paulo Afonso tem a chave para a solução do mistério.

O Escaravelho do Diabo é o primeiro livro da Série Vaga-Lume a ser adaptado para o cinema. O filme continua com o teor didático do livro, pois permite a discussão em sala de aula sobre uma série de temas como o bullying e suas consequências, doenças degenerativas e traição no namoro . Espera-se que, com a boa adaptação, outros livros da coleção ganhem as telas futuramente. Seria muito bom ver O Mistério dos Cinco Estrelas, outro clássico, escrito por Marcos Rey – que foi cogitado ganhar uma adaptação há mais de 20 anos e que até agora não saiu do papel – sendo levado ao cinema. Como o cinema nacional tem ganhado cada vez mais espaço e apoio, apesar de ainda sofrer com a falta de recursos, é um sonho que pode não estar tão distante. Vamos torcer.

Parece propaganda de shampoo, mas é apenas Rachel, a paixão de Alberto.

Parece propaganda de shampoo, mas é apenas Rachel, a paixão de Alberto.

Abaixo você confere, além do trailer do filme, também o clipe da música Brisa Fria, composta por Black Alien, Paulo Miklos, Don L e Pepe Cisneros – Cuba 07, em parceria com o produtor musical BiD. No canal do filme no You Tube, você também pode ver outra música do longa além de entrevistas e trailers.

Cotação: blog cotaçãoescaravelho

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