Crítica (sem spoilers): Mogli, o Menino Lobo

nullVelhos clássicos nunca morrem. Na maioria das vezes, nem envelhece. Prova disso é a estreia totalmente renovada de Mogli, o Menino Lobo, novo longa-metragem dos Estúdios Disney, que chega aos cinemas neste final de semana. A mesma Disney já tinha lançado uma animação de Mogli há cinquenta anos atrás – mais especificamente em 1967 – que, por sua vez, é uma adaptação da obra de Rudyard Kipling, autor inglês que escreveu o livro The Jungle Book (O Livro da Selva) em 1894. Ou seja: faz mais de 120 anos que essa história foi contada, mas chega aos cinemas com atores reais e efeitos de computação gráfica extremamente realistas.

Mogli e seu irmão Gray: "Acho que mamãe pulou a cerca..."

Mogli e seu irmão Gray: “Acho que mamãe pulou a cerca…”

A Disney vem adaptando seus clássicos desenhos animados em live-action, relançando uma produção por ano. Já lançou Malévola (2014), Cinderela (2015) e, neste ano, é a vez de Mogli, interpretado pelo talentoso ator mirim Neel Sethi, que realiza seu primeiro trabalho em uma grande produção (ele já tinha trabalhado num curta-metragem em 2013). A direção é de Jon Favreau, responsável também pelo sucesso Homem de Ferro (2008).

A esconde muitos segredos e lições

A esconde muitos segredos e lições

A história começa em ritmo acelerado, com uma perseguição pela floresta, diferente da animação de 1967, que inicia mostrando a origem de Mogli e como ele foi encontrado na floresta pela pantera Baguera. Esta história fica nas entrelinhas até a segunda metade do filme, quando só então ela é mostrada em flashback. O longa faz algumas alterações na trama do desenho, aprofundando as motivações dos personagens e inserindo novos detalhes que tornam a história muito mais completa. Por exemplo, o motivo pelo qual Shere Khan odeia Mogli é muito mais aprofundado e tem a ver com a chegada do garoto à floresta.

Vamos, Mogli. Vou te levar ao cinema para ver o filme do Pantera Negra.

Vamos, Mogli. Vou te levar ao cinema para ver o filme do Pantera Negra.

Mogli foi encontrado na floresta quando ainda era um bebê. Baguera (voz de Ben Kingsley) entregou a criança a uma família de lobos e ela foi criada como se fosse um deles e aprendeu a decorar e respeitar a “Lei da Selva”, recitada pela alcateia todos os dias. Porém, ao contrário do que se esperaria (é a magia da Disney, desconsidere o racionalismo), Mogli não se tornou um selvagem, muito pelo contrário: o garoto é habilidoso e capaz de utilizar instrumentos para facilitar sua vida, sendo constantemente repreendido pelo seu pai, Akela (voz de Giancarlo Esposito).

Shere Khan. Mau, mas com motivos explicados.

Shere Khan. Mau, mas com motivos explicados.

Durante um período de estiagem, os rios secam e uma lagoa torna-se o único lugar aonde os animais podem matar sua sede. Naquele ponto, que passou a ser chamado de Pedra da Paz, predadores e presas fazem uma trégua e não atacam uns aos outros, pois a lei da selva determina que matar a sede é mais importante que guerras entre espécies. É quando surge o tigre Shere Khan (voz de Idris Elba) e declara que Mogli irá crescer e trazer a destruição à floresta, pois é o que os humanos fazem.

Melhor ter um amigo urso do que uma cobra como amiga

Melhor ter um amigo urso do que uma cobra como amiga

A profecia de Shere Khan semeia a discórdia entre os lobos e Mogli decide voltar para a aldeia dos homens. Em sua jornada, acompanhado de Baguera, o garoto encontra a cobra Kaa (Voz de Scarlett Johansson), o urso Balu (voz de Bill Murray) e Rei Louie (voz de Christopher Walken). Até seu confronto com Shere Khan, o garoto vive várias aventuras e tem a oportunidade de conhecer diversas espécies de animais, que são muito bem representadas pelos recursos gráficos do filme.

Todo mundo gostaria de ter um amigo como Balu, mesmo que fosse em CGI.

Todo mundo gostaria de ter um amigo como Balu, mesmo que fosse em CGI.

O uso de CGI para reprodução de todos os animais é de um realismo impressionante. O fato de Mogli ser o único ser humano em cena durante todo o filme só faz aumentar o deleite visual das paisagens e dos animais falantes em cena. A perfeição dos movimentos e das falas nos fazem acreditar que estamos, de fato, numa floresta. A personalidade de cada animal também é bem característica: Raksha (Lupita Nyong’o) e Akela como os pais amorosos; Baguera, o sábio conselheiro; Balu, o Boa-vida incorrigível; Kaa, a serpente misteriosa e sedutora e Shere Khan como o vilão ameaçador. Tudo se encaixa e nos faz crer que aquilo é real.

A força do alcateia é o lobo e a força do lobo é a alcateia.

A força do alcateia é o lobo e a força do lobo é a alcateia.

O filme tem uma mensagem bem explícita de amizade e proteção. A própria “lei da selva”, declamada pelos lobos, afirma que “…a força da alcateia é o lobo e a força do lobo é a alcateia”, mostrando que todos os seres são como um só. Apesar da vida selvagem predominar a soberania do mais forte sobre os mais fracos, os animais se respeitam e até veneram a ação de cada um na Natureza, onde cada papel é cumprido para trazer prosperidade ao conjunto – como na lição que Baguera ensina a Mogli sobre o papel dos elefantes. A grande ameaça a toda aquela paz é a presença da humanidade, pois são eles que controlam a “flor vermelha” – que é como os animais chamam o fogo – a única coisa que pode destruir a todos.

Na Natureza, tudo está em harmonia.

Na Natureza, tudo está em harmonia.

Mogli, O Menino Lobo é uma aventura encantadora, com momentos para rir, para torcer e até alguns sustos – afinal, a floresta tem sempre seus perigos! É um filme para adultos e crianças, que prova que velhas histórias continuam sendo boas quando se encontra um jeito novo para contá-las. A Disney tem feito isso muito bem ao longo de sua história e, parece, isto está longe de acabar, pois ano que vem teremos uma nova versão de A Bela e a Fera. Que bom!

Cotação: blog cotaçãomogli

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