Crítica (sem spoilers): Batman vs. Superman – A Origem da Justiça

blog abreQuando o diretor Zack Snyder anunciou, durante a Comic Con San Diego 2013, que a sequência do filme O Homem de Aço (2013) teria a participação do Batman, ele levou o público à loucura ao redor do mundo inteiro, afinal um embate entre os heróis é o sonho de todo fã de histórias em quadrinhos. Foram dois anos e meio de espera, mas finalmente chegou o dia, pois esta semana estreia Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça, produção que, certamente, é um dos filmes mais aguardados de 2016.

Zack Snyder pede aos jornalistas que não revelem spoilers.

Zack Snyder pede aos jornalistas que não revelem spoilers.

A convite da Warner Bros. o nosso blox participou da cabine de imprensa na tarde de hoje e trouxemos nossas impressões sobre esta aventura – sem spoilers. Aliás, um parêntese: a questão do spoiler nas redes sociais tem se tornado um assunto tão sério que, antes do início do filme, a assessoria de imprensa da Warner pediu aos jornalistas que não divulgassem detalhes importantes e foi exibido um vídeo onde o próprio diretor Zack Snyder aparece na tela pedindo o mesmo. Acho vergonhoso termos chegado a esta situação por algo que deveria ser tão natural, que é o respeito ao prazer do outro em assistir a um filme. Isso não deveria ser necessário pedir, é obrigação e educado fazer. Gente consciente não dá spoiler, quem dá spoiler é babaca.

Quem você acha que engana com esses óculos?

Quem você acha que engana com esses óculos?

Dito isto, vamos ao filme: a história tem um bom roteiro, que trabalha muito bem as motivações dos personagens até culminar no aguardado embate entre os dois heróis. Conforme a história vai se desenrolando, o clima de tensão vai sendo alimentado de modo que os heróis só poderiam terminar se estranhando. Batman (Ben Affleck) está preocupado com a presença de um ser tão poderoso quanto um deus no planeta. Do outro lado, Superman (Henry Cavill) também se preocupa com os métodos pouco ortodoxos utilizados pelo vigilante de Gotham, que deixa marcas profundas em suas vítimas (literalmente falando).

Monumento a um herói. Ou não.

Monumento a um herói. Ou não.

Esta questão divide o povo: há os que consideram o Superman um salvador e há os que o enxerguem como uma ameaça a ser combatida e eliminada. Isso leva o próprio herói a questionar o seu papel, buscando apoio nos braços de sua amada Lois Lane (Amy Adams) e sua mãe, Martha (Diane Lane). Nesse contexto, entra Lex Luthor (Jesse Eisemberg) como o dissimulado empresário que se finge de generoso, mas cujas ações sempre têm um interesse particular por trás que envolve a destruição do Superman.

Morra de inveja, Julia Roberts!

Morra de inveja, Julia Roberts!

A descoberta de uma pedra de kryptonita nas naves alienígenas espalhadas pelo planeta após a batalha no filme anterior dá a Luthor uma arma para explorar e atrai a atenção de Wayne e também de Diana Prince, uma mulher misteriosa que participa dos eventos sociais de Luthor, mas cujos objetivos permanecem em segredo. Com as peças colocadas no tabuleiro, resta partir para a ação. E é aí que surgem os problemas. Para começar, Luthor tem uma interpretação completamente equivocada e que nada tem a ver com o personagem dos quadrinhos, um empresário sério e dissimulado.

Meu personagem não é inimigo do Batman? Então... fiz o Coringa!

Meu personagem não é inimigo do Batman? Então… fiz o Coringa!

Eisenberg criou um “Luthoringa”, um abobalhado que embora seja um gênio do crime, é histriônico, psicótico, exagerado, um agente do caos – alcunha que sempre coube ao arqui-inimigo do Batman “que se veste como palhaço”, só pra citar a referência de um dos diálogos entre Bruce Wayne e Clark Kent na trama. O ator interpretaria um excelente Coringa, mas como Luthor ele está exagerado e descaracterizado. Sua postura que não combina com a seriedade exigida a um grande empresário e muito menos com o perfil de cientista louco que ele tinha nos quadrinhos do Homem de Aço nos anos 60/70. Se a ideia de Snyder era prestar uma homenagem a esta fase, ele falhou amargamente, pois nem no seu período “cientista louco”, ele era, de fato, louco. Luthor sempre foi articulado e inteligente, não uma pessoa incapaz de seguir uma linha de raciocínio para fazer um discurso coerente na festa organizada por ele. Vergonhoso!

Alfred: extremamente sarcástico

Alfred: extremamente sarcástico

Outro problema está nos personagens coadjuvantes da trama, todos muito mal aproveitados. A história gira toda em torno do Superman, Batman, Lois e Luthor. O resto, se não estivesse ali, não faria falta. O editor Perry White (Laurence Fishburne), que teve um papel tão marcante em O Homem de Aço, está apagado, inútil. Suas falas mais relevantes são uma piadinha com a data de criação do Superman nas HQs e desqualificar as notícias trazidas por Lois e Clark. O talento de Fishburne merecia mais. Tal fato se repete com todos os coadjuvantes que, obviamente, não foram criados para terem grande destaque (por isso são coadjuvantes!), mas deveriam ajudar a contar a história, o que não ocorre. A única exceção talvez seja Alfred (Jeremy Irons), sempre com ótimos diálogos, altamente sarcásticos.

Olha! Conseguimos achar uma cena iluminada!

Olha! Conseguimos achar uma cena iluminada!

Por fim, o filme tem um ritmo lento e sombrio demais. Sabemos que esta é uma característica das produções de Zack Snyder e o estilo até funcionou bem em produções como 300 (2006) e Watchmen (2009), mas numa trama que tem um personagem capaz de voar na velocidade da luz e outro que anda pela cidade num automóvel tunado, cenas em câmera lenta são um recurso que chega a incomodar. O fato dos personagens estarem sempre fazendo cara de mau ou em conflito eterno com a existência também é exagerado. Tudo bem o Batman ser soturno, mas Superman é um herói que representa a esperança. Uma esperança sombria e depressiva, diga-se de passagem.

Lembra do Zod? Pois é... Apocalypse faz uma destruição parecida.

Lembra do Zod? Pois é… Apocalypse faz uma destruição parecida.

Também há, por demais, o uso de sonhos ou delírios para explicar coisas que ficam mal explicadas, principalmente para o público que não acompanha quadrinhos. Somado a isso, tudo demora demais para acontecer. Há, obviamente, a necessidade de se contar uma história, mas muitas cenas poderiam ser cortadas sem qualquer prejuízo na compreensão. O excesso de referências dos quadrinhos também pode confundir o espectador sem familiaridade com as HQs. E, de novo, há muita, muita destruição: em menor escala que O Homem de Aço, mas ainda exagerada para um filme de super-herói que, essencialmente, deveria salvar a cidade, não demoli-la. Snyder, pelo visto, não aprendeu com as críticas que recebeu do filme anterior.

A heroína que todos queriam ver

A heroína que todos queriam ver

Mas o filme também tem coisas boas e a Mulher-Maravilha é a melhor delas. Para quem estava preocupado com a interpretação de Gal Gadot, pode relaxar: ela passa toda verdade no papel e consegue agir como duas pessoas distintas – sensual e instigante como Diana Prince e heroica e poderosa como Mulher-Maravilha. Ver Gadot no papel só nos faz aguardar com ansiedade o filme solo da personagem. Ben Affleck também está bem como Batman, contrariando a chuva de críticas que recebeu quando foi escolhido para o papel. Ele passa credibilidade necessária ao papel do amargurado herói.

Momento aguardado: a união da Trindade

Momento aguardado: a união da Trindade

Uma das grandes preocupações era se haveria tempo de narrar tudo o que o filme se propunha. Pois a trama se sustenta naturalmente e tudo conduz a um clímax que vai surpreender o público, principalmente porque foi inspirado numa HQ de grande sucesso. Os leitores certamente vão gostar e o público que não leu os quadrinhos não terá problema nenhum em compreender a trama. Há algumas aparições inesperadas de personagens e várias pistas ao longo do filme deixam escancarado os elementos que apontarão para o filme da Liga da Justiça, que estreia no final do ano que vem.

Calmaí, Bruce! Vamos ali tomar um chá de pêssego da vovó.

Calmaí, Bruce! Vamos ali tomar um chá de pêssego da vovó.

E, antes que eu esqueça: a luta entre Batman e Superman tem motivos bem justos para acontecer, mas não empolga como deveria. Uma pena, já que o título do filme destaca exatamente essa batalha. De modo geral, Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça consegue superar O Homem de Aço, mas mantém o mesmo nível. É um bom filme que deve agradar a garotada que vai ao cinema em busca de um filme com porradaria e explosões, mas talvez desagrade os fãs mais antigos, que buscam uma história mais consistente. Não é um filme que decepciona, mas também não surpreende. Para o Batman e a Mulher-Maravilha, foi tudo bem, mas o Superman ainda precisa encontrar seu lugar ao sol.

Cotação: blog cotaçãobvs

4 comentários

  1. vcs criticos que deveriam aprender, snyder corajoso fez filme para os fãs da dc que sao as pessoas que realmente importa que nao entendeu que procure ler as historia e ponto final, eu como fã entendi tudo, todas as referencias e pesadelos e tudo tem ligação e tem sentido, quem nao entendeu problema da pessoa e vá procurar ler as hqs e depois ver o filme pra enteder, só que faltava fazer filme pra uns pigados de gente que nem ligam pra batman, pra superman e pra mulher maravilha, snyder vc está de parabens por ter feito um filme pra quem realmente interessa, nós fãs dos quadrinhos e o resto é resto.

  2. Muntantexis….valeu por ler minha crítica, gostei do seu ponto de vista, espero que tenha gostado da minha também, o jeito é esperar se DC Comics e a Warner deve melhorar muito tem termos de roteiro, história…porque muitas coisas…tive que pesquisar…já fazia um tempo que não olhava mais quadrinhos da DC…ainda mais muito grudado na Marvel…mas…vou me readaptando…

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