Crítica: Boneco do Mal

blog abreNeste final de semana, chegou aos cinemas de todo país o filme Boneco do Mal (The Boy, 2016), suspense dirigido por William Brent Bell, o mesmo diretor de A Filha do Mal (2012) e que marca a estreia do roteirista Stacey Menear. A princípio, a premissa do filme pode dar a ideia de que se trata de uma cópia do clássico Brinquedo Assassino (1988), que consagrou o boneco Chucky e rendeu mais cinco continuações, a última das quais bem recente – A Maldição de Chucky (2013). No entanto, a semelhança está apenas no fato da trama ter um boneco como protagonista. Boneco do Mal está mais para Halloween do que para Brinquedo Assassino.

Casal de maluc... hã... idosos e seu "filho"

Casal de maluc… hã… idosos e seu “filho”

A história começa com a jovem Greta (Lauren Cohan) sendo contratada por um casal de idosos para cuidar de seu filho Brahms (Jett Klyne). Ao chegar na mansão do casal, ela é apresentada ao “garoto”: um boneco de porcelana do tamanho de uma criança de oito anos, cuidado pelos idosos como se fosse uma criança de verdade. Eles entregam a Greta uma lista de funções: não receber visitas, acordar o garoto às 7h, ler para ele, colocar música alta – segundo os pais, ele gosta de música clássica – colocar para dormir, dar beijo de boa noite entre outras.

Fique aí sentado e me deixe em paz.

Fique aí sentado e me deixe em paz.

Apesar de achar estranho, Greta pensa que encontrou uma forma de ganhar dinheiro fácil, pois não terá que cuidar de criança nenhuma. Não tarda e os idosos partem em viagem, com a recomendação de seguir à risca a lista de tarefas e o alerta: “Seja boa com ele e ele será bom com você”. No entanto, assim que eles partem, a garota joga o boneco num canto e passa a curtir a estadia gratuita na mansão. Como era de se esperar, coisas estranhas passam a acontecer, com indícios de que o boneco tem vida própria.

O verdadeiro Brahms morreu num incêndio há 20 anos.

O verdadeiro Brahms morreu num incêndio há 20 anos.

Greta se envolve com Malcolm (Rupert Evans), o entregador do supermercado que, semanalmente, vem à casa deixar suprimentos e pede a ele mais informações sobre Brahms. O rapaz então revela que o filho do casal morreu há 20 anos num incêndio na mansão e que, desde então, os idosos cuidam do boneco, que apareceu de repente. A partir daí, tanto os personagens quanto o público são envolvidos no terror psicológico da história até o surpreendente clímax que provoca uma reviravolta e revela todo o segredo por trás dos acontecimentos.

Terror psicológico: diretor explora ângulos e closes para mexer com a tensão do espectador

Terror psicológico: diretor explora ângulos e closes para mexer com a tensão do espectador

O diretor explora muito bem o clima tenso com o uso das sombras e os diversos closes no rosto perturbador do boneco e na sinistra decoração da casa, composta de vários animais empalhados. O foco repetitivo e de vários ângulos no boneco deixa a impressão de que ele vai se mover e atacar a qualquer momento. No entanto, Brahms apenas observa com seu olhar estático, o que causa um forte incômodo – algo que se espera de um filme de terror. Mas se você gosta de histórias com muitas mortes e sangue espirrando, não se anime: o filme não dá medo.

Quer sentir medo? Tente com a Anabelle ou o Chucky.

Quer sentir medo? Tente com a Anabelle ou o Chucky.

Há, sim, alguns sustos em determinados momentos, mas o sentimento é mais de simpatia do que de pavor, principalmente conforme vamos conhecendo a história do boneco e Greta descobre um elo com Brahms. Ao invés de usar o recurso da matança (há apenas três mortes durante a trama, das quais só uma é violenta), o diretor preferiu mexer com o lado psicológico e envolver o espectador na história do menino, algo que funciona bem, considerando o baixo orçamento (apenas US$ 10 milhões) e o elenco enxuto.

Quero ser seu amigo. Vamos brincar?

Quero ser seu amigo. Vamos brincar?

O título do filme em português só ganha sentido na última meia hora, quando um acontecimento muda o ritmo da trama e ele se torna mais tenso e frenético. O final deixa um gancho para uma possível continuação, que certamente virá, uma vez que o filme já arrecadou o triplo do valor investido – nos Estados Unidos, ele estreou em 22 de janeiro e já ultrapassou US$ 30 milhões em bilheteria. Porém, vale dizer que Boneco do Mal é um daqueles filmes com clima perturbador, mas que não vão deixar ninguém com medo de dormir sozinho. Por enquanto, o reinado de Chucky continua garantido.

Cotação: blog cotaçãoboneco

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