Crítica: O Bom Dinossauro

blog abreEstreou neste final de semana, nos cinemas de todo Brasil, o novo filme da Pixar, O Bom Dinossauro (The Good Dinosaur, 2015), que mostra um mundo alternativo, onde o meteoro não provocou a extinção dos dinossauros e eles continuam a viver na Terra juntamente com os seres humanos, uma raça ainda em ascensão.

Espero nunca sofrer de torcicolo.

Espero nunca sofrer de torcicolo.

A história mostra um casal de apatossauros – chamados apenas de Papai e Mamãe – e seus três filhos: Libby, brincalhona e habilidosa, Buck, o pentelho e espevitado, mas muito forte, e Arlo, que é dócil e gentil, mas um tanto covarde. Os dinos vivem felizes em sua fazenda, cada um com sua obrigação específica, cultivando seu próprio alimento e estocando num silo construído pelo pai de Arlo.

A obrigação de Arlo é alimentar as galinhas... se ele não tivesse medo delas.

A obrigação de Arlo é alimentar as galinhas… se ele não tivesse medo delas.

O sonho de Arlo é deixar sua “marca” na parede do silo, provando que já realizou uma grande e importante obra, assim como seus irmãos, mas sua insegurança e medo o impedem de dar um passo além. Apesar disso, Arlo conta com o amor e o apoio de seu pai, que sempre o motiva para que saia de sua zona de conforto e faça algo importante. Num dia de tempestade, Arlo se perde de seus familiares e se vê longe de seu lar, sendo obrigado a fazer uma longa caminhada de volta.

Arlo encontra Spot... e nasce uma grande amizade.

Arlo encontra Spot… e nasce uma grande amizade.

Nesse caminho, ele encontra Spot, uma criança humana que, apesar de uma hostilidade inicial, acaba se tornando seu amigo e companheiro de viagem. Em contato com a natureza selvagem, a dupla passa a viver muitos perigos e encontrar novas amizades e desafios que vão, não apenas torná-los mais fortes, mas também mais maduros. Como na vida real, há aqueles que querem ajudar e há aqueles que só querem se aproveitar da desgraça alheia para proveito próprio, algo que Arlo e Spot vão descobrir a duras penas.

Uma jornada de perigos e histórias à luz do fogo.

Uma jornada de perigos e histórias à luz do fogo.

O filme é o primeiro longa-metragem dirigido por Peter Sohn – ele dirigiu também o curta Parcialmente Nublado, que acompanhou o filme Up – Altas Aventuras (2009) – mas o diretor já tem experiência em outros longas da Pixar, como Os Incríveis (2004), Ratatouille (2007) e Universidade Monstros (2013), onde atuou como dublador. Por isso, o diretor soube transmitir a magia dos filmes da Disney/Pixar (ele também é um dos roteiristas) numa história terna e comovente, mas também cheia de aventura e humor.

Há momentos que dispensam palavras...

Há momentos que dispensam palavras…

O Bom Dinossauro faz uma inversão de personalidades ao humanizar os dinossauros e “animalizar” os humanos. Spot é selvagem, não fala, só ruge e rosna, além de ter um grande senso de fidelidade. A falta de diálogos, no entanto, não interfere na relação entre Arlo e Spot, que se comunicam com olhares e símbolos. E são exatamente as cenas sem palavras que reservam os melhores momentos do filme, como quando Arlo explica para Spot o significado de família. A cena mostra que a melhor comunicação é aquela que é sentida, fazendo com que a plateia se envolva com o momento e se emocione junto com os personagens.

Lições preciosas com um toque de poesia

Lições preciosas com um toque de poesia

Além disso, o filme também transmite preciosas lições, como a necessidade de dar um passo além do medo para descobrir a beleza das coisas (mostrado de forma bastante poética) e que ninguém pode lutar contra a Natureza, apenas conviver com ela. E é nessa convivência que Arlo deixa de ser um garoto e se torna um homem… ou melhor, um dinossauro adulto. Exatamente como acontece com os humanos.

O garoto Sanjay vai descobrir seus heróis hindus

O garoto Sanjay vai descobrir seus heróis hindus

O final do filme não traz nenhuma surpresa, mas é bonito acompanhar a trajetória dos personagens até que ele aconteça. Prepare o lenço, pois, embora não seja surpreendente, o final emociona. E, para tornar mais completa a experiência, o curta Os Heróis de Sanjay (Sanjay’s Super Team) mostra a história (quase) real de Sanjay Patel, um dos animadores da Pixar, que transformou suas experiências com o pai e a religião hindu numa belíssima história que ensina a importância da religião e das tradições na formação das crianças, por mais que, para elas, isso pareça entediante. No fim, ela vai acabar descobrindo quem são seus heróis.

Um bom amigo pode mudar tudo.

Um bom amigo pode mudar tudo.

O Bom Dinossauro é mais um acerto da Pixar, capaz de cativar e apaixonar públicos de todas as idades e fazer com que tenham, no cinema, uma experiência tão vibrante quanto a de uma criança num parque de diversões. Palavra de quem viu e sentiu isso ao vivo e a cores.

Cotação: blog cotaçãodino

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