Saído do Forno: Kris Klaus – Papai Noel Casca-grossa

blog abreDentre os vários lançamentos da Comic Con Experience – evento que aconteceu no último final de semana, de 3 a 6 de dezembro, no Centro de Exposições São Paulo Expo – um dos destaques foi Kris Klaus – Papai Noel Casca-grossa, de Maurício Muniz (roteiro) e Joel Lobo (arte).

Maurício Muniz (de preto) e Joel Lobo (sentado) lançam HQ na CCXP 2015 (Foto: Arquivo pessoal do autor)

Maurício Muniz (de preto) e Joel Lobo (sentado) lançam HQ na CCXP 2015 (Foto: Arquivo pessoal do autor)

Trata-se da primeira HQ da dupla, que aproveitou um período excelente para chamar a atenção: além da proximidade do Natal, ainda teve seu lançamento no badalado evento de quadrinhos e cultura pop, cujo público foi superior a 120 mil pessoas, segundo informações do site Papo de Quadrinho. Se isso foi pensado anteriormente ou mera coincidência, não vem ao caso: foi uma excelente estratégia.

Bem e mal se misturam numa HQ com muito humor, violência e Ho Ho Ho

Bem e mal se misturam numa HQ com muito humor, violência e Ho Ho Ho

Fora isso, o álbum é uma mistura de elementos do imaginário popular e extremamente opostos, como a magia e a pureza do Papai Noel e o terror dos vampiros. Exatamente por isso, não deixa de ser uma ideia genial colocar os dois símbolos – um da bondade e outro da maldade – numa mesma história, transformando o bom velhinho numa espécie de super-herói-salvador-da-pátria, o único capaz de enfrentar e derrotar os cruéis sugadores de sangue.

Stavros e sua legião de mortos-vivos e ratazanas

Stavros e sua legião de mortos-vivos e ratazanas

A trama mostra os vampiros, liderados pelo maligno Stavros, em mais um plano de dominação mundial, invadindo uma cidade na noite de Natal e fazendo várias vítimas, incluindo as crianças que esperam pelo Papai Noel. Os vampiros – cuja lenda diz que só podem entrar em algum ambiente se forem convidados – estão liberados para invadir qualquer local, graças ao poder de uma relíquia antiga, que também é capaz de impedir o nascer do Sol, possibilitando aos sanguessugas agirem tranquilamente e dominar cidade após cidade.

Cena macabra: Kris é atacado por vampiros

Cena macabra: Kris é atacado por vampiros

No entanto, por se tratar da noite de Natal, o Papai Noel está circulando pelo mundo com seu trenó, distribuindo presentes… e também é atacado pela horda de vampiros. Assim, o bom velhinho percebe que é o único capaz de derrotar os vilões e devolver ao planeta a paz inerente da festa natalina. É a deixa para muita pancadaria, sangue e piadas de humor negro. O traço rústico de Joel Lobo ajuda a dar o clima de terror à HQ, cuja arte abusa das sombras e hachuras. Ele teve influências de grandes mitos como Frank Miller (O Cavaleiro das Trevas), Carl Barks (Tio Patinhas) e Mike Mignola (Hellboy).

Verás que o Noel não foge à luta

Verás que o Noel não foge à luta

Além disso, a história resgata a origem pagã de Papai Noel que, segundo os nórdicos, era o próprio Odin, o pai dos deuses, que saía para caçar no período do inverno, montado em seu cavalo voador Sleipnir. Essa lenda existiu muito antes do surgimento do Cristianismo e foi absorvida ao longo dos anos, com elementos incorporados à história do bispo São Nicolau, dando origem ao Papai Noel como hoje o conhecemos. Como Odin era um guerreiro, este Papai Noel não pensa duas vezes em decepar cabeças, chutar partes sexuais e empalar vampiros.

Entre o sangue e a porradaria também há espaço para ternura.

Entre o sangue e a porradaria também há espaço para ternura.

É interessante notar também que, embora seja comum em publicações independentes, o uso de palavrões ficou restrito a uma única frase na HQ inteira e, ainda assim, não é gratuita. A frase é contextualizada e torna o momento surpreendente e engraçado. Ponto para o autor. Também ficou evidente a paixão da dupla pelos quadrinhos de super-heróis ao “se apropriar” da icônica frase do Coisa, membro do Quarteto Fantástico, e transformar o Tá na hora do pau em Tá na hora do ho ho ho. Boa sacada de Joel Lobo!

Se você não foi bonzinho este ano, cuidado com ele.

Se você não foi bonzinho este ano, cuidado com ele.

Enfim, Kris Klaus é uma boa surpresa que vem suprir a grande necessidade dos quadrinhos nacionais: histórias de qualidade, com roteiros bem escritos e arte elaborada. Uma pena que, por ser uma tiragem limitada, poucas pessoas poderão ter acesso ao trabalho. Fica o desejo que uma dessas pessoas seja o dono de uma grande editora, que se interesse em lançar uma segunda edição com distribuição nacional e venda em bancas e livrarias, para que mais gente possa usufruir desse material. O mercado nacional agradece.

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