Saído do Forno: Louco – Fuga

blog abreAcaba de chegar às bancas, livrarias e comic shops o décimo volume da Graphic MSP, que traz como protagonista o personagem mais pirado da Turma da Mônica. Louco – Fuga tem roteiro e arte de Rogério Coelho e mergulha na mente do amalucado personagem para mostrar que o conceito de loucura é bastante subjetivo e depende do ponto de vista de quem julga.

Misteriosos robôs perseguem o Louco

Misteriosos robôs perseguem o Louco

A história mostra o Louco – que é um acróstico para seu verdadeiro nome: Licurgo Orival Umbelino Cafiaspirino de Oliveira – preocupado em libertar um pássaro preso numa gaiola, cujo canto melancólico lhe chamou a atenção. Porém, ele precisa enfrentar os Guardiões do Silêncio, seres robóticos que farão o possível para impedi-lo de realizar seu objetivo. Esse enredo simples dá margem para uma verdadeira viagem visual, onde o autor exibe todo surrealismo tradicional às histórias do personagem, mas aliado à pureza de sentimentos e um simbolismo que o leitor vai descobrir ao longo da trama.

Sempre fugindo (inclusive pra fora dos quadros)

Sempre fugindo (inclusive pra fora dos quadros)

Na mente do Louco tudo pode acontecer e os cenários se modificam em nível frenético. A narrativa também não segue uma lógica linear e os fatos se sucedem de forma nonsense, mantendo apenas o foco no título do álbum. O Louco está sempre fugindo: ora fora dos quadros, ora de uma conversa, ora de seus próprios pensamentos. O autor usa a história como uma metáfora, onde o pássaro preso, os Guardiões do Silêncio e o próprio protagonista são mais do que eles querem mostrar.

A arte de Coelho tem forte influência do artista Bill Sienkiewicz (direita)

A arte de Coelho tem forte influência do artista Bill Sienkiewicz (direita)

A arte do álbum é belíssima e o autor não esconde sua influência: as páginas são facilmente comparáveis ao estilo de Bill Sienkiewicz, artista americano que tem, entre seus trabalhos mais importantes, as graphic novels Elektra Assassina (1986) e Demolidor: Amor e Guerra (1986), cuja arte pintada teve grande repercussão na época em que foi lançada. Coelho brinca com a diagramação das páginas, criando extensos painéis compostos de várias páginas, subvertendo a ordem de quadros e transformando a narração da história num deleite para os olhos.

Alguns rostos conhecidos no meio da história

Alguns rostos conhecidos no meio da história

Alguns detalhes que tornam a leitura muito mais interessante são as referências inseridas no texto, com a participação – óbvia! – do “Cenourinha” e seus amigos, do Bidu e muitos outros. O prefácio do jornalista Alexandre Inagaki também brinca com o nome do personagem de forma inteligente e criativa.

Diagramação pra lá de louca

Diagramação pra lá de louca

Louco – Fuga é uma obra que cumpre exatamente aquilo que o título propõe: ser uma fuga da realidade e ingressar nos recônditos mais ocultos da imaginação humana para libertar a “loucura” que todos nós já tivemos, mas aprisionamos dentro de nós mesmos. É uma homenagem rasgada ao criador desse universo encantado, cuja mente nos deu de presente personagens tão queridos ao longo de mais de 50 anos e que continuam agradando as novas gerações. A última página deixa isso bem explícito. Louco é quem não vê.

Anúncios

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s