Saído do forno: Turma da Mata – Muralha

blog abreFoi lançada na Bienal do Livro (que aconteceu de 31/8 a 10/9, no Riocentro – RJ) o nono volume da Graphic MSP, o selo adulto de publicações da Mauricio de Sousa Produções. Desta vez, o destaque vai para a Turma da Mata, os animais cujo seu representante mais ilustre é o elefante Jotalhão. O álbum, intitulado Turma da Mata – Muralha, foi escrito por Artur Fujita, com arte de Roger Cruz e cores de Davi Calil.

"Ei, Jotalhão, me dá um autógrafo!!!"

“Ei, Jotalhão, me dá um autógrafo!!!”

De todos os personagens de Mauricio de Sousa, talvez a Turma da Mata seja um dos grupos menos populares. Não tenho números que comprovem essa popularidade, mas não precisa ser bidu – com o perdão do trocadilho – pra saber que eles são menos queridos do que os outros “núcleos”: Penadinho e seus amigos do cemitério, Tina e sua galera jovem, o caipirinha Chico Bento e sua turma da roça, Bidu e toda cachorrada e objetos inanimados que atuam com ele, Papa-Capim e sua tribo e, claro, a turma mais amada do Brasil, protagonizada pela Mônica. Talvez apenas Piteco e suas aventuras pré-históricas se igualem á bicharada liderada por Jotalhão.

Apesar da temática séria, as HQs da turma do Jotalhão também têm espaço pra bagunça.

Apesar da temática séria, as HQs da turma do Jotalhão também têm espaço pra bagunça.

O motivo é fácil entender: as histórias da Turma da Mata são sempre voltadas a questões políticas envolvendo o governo do Rei Leonino na floresta, tais como administração pública de recursos, cobrança de impostos, guerras… ou seja, temas adultos que, embora sejam tratados com bom humor e numa linguagem infantil, ainda assim são assuntos desinteressantes para o público a que se destina. Mesmo assim, Jotalhão e seus amigos serviram como crítica à ditadura militar, graças à possibilidade de criticar o governo de forma velada e lúdica.

Clima político inclui brigas com o exército do rei.

Clima político inclui brigas com o exército do rei.

Neste álbum, o clima político é o fio condutor da história. A Turma formada pelo Coelho Caolho (que, de fato, é caolho), Raposão, Tarugo e Rita Najura se alia para lutar contra a tirania do governo, que monopoliza a mina de Calerium, um metal raríssimo que concede energia para o reino. A história começa com um flashback que mostra o pai de Jotalhão combatendo o rei Leonino I, que construiu uma muralha ao redor da mina de calerium para impedir que os animais tivessem acesso ao metal. Com a morte do seu líder, o trono foi assumido por Leonino II e o pequeno Jotalhão acabou trabalhando como secretário – escravo seria um termo melhor – no reino.

Chamem os ThunderCats!

Chamem os ThunderCats!

O simpático elefante se alia aos seus amigos de infância para invadir o castelo e derrubar o tirano Fuinha do poder, que deu um jeito de sumir com Leonino, dado como morto. Como sempre aconteceu nos álbuns anteriores, a visão diferenciada dada aos clássicos personagens é o maior atrativo. Além disso, Fujita conseguiu criar um clima heroico entre os animais, que funcionam como a química que havia no desenho animado dos ThunderCats, onde cada personagem possui uma qualidade que complementa a dos companheiros.

Rita Najura, especialista em missões furtivas.

Rita Najura, especialista em missões furtivas.

Assim, Jotalhão tem sua memória e seu tamanho (o que pode ser uma vantagem ou não, dependendo do momento); Tarugo é um mestre em mecânica, criador de uma superarmadura; Caolho é um grande estrategista, Raposão é o lutador e Rita Najura é a espiã, capaz de passar despercebida em qualquer lugar. Excepcional a cena em que ela descobre uma conspiração no palácio do rei.

As coisas ficam quentes com Tarugo e sua superarmadura.

As coisas ficam quentes com Tarugo e sua superarmadura.

Dispensável falar sobre a arte de Roger Cruz. O desenhista, que já trabalhou com vários títulos mutantes na Marvel, tem experiência suficiente para fazer um álbum de encher os olhos que é melhorado com a colorização de Calil. O clima de guerra é reforçado pelas cores quentes que norteiam toda a trama, em tons de vermelho, laranja, marrom e amarelo. Vale destacar a cena em que Jotalhão passa de um tímido e tranquilo elefante verde para um raivoso elefante vermelho que sai “esmagando” os inimigos. Qualquer semelhança…

Jotalhão esmaga!

Jotalhão esmaga!

Apesar desses pontos positivos, a história não é das melhores já feitas na coleção Graphic MSP e o problema nem está na caracterização dos personagens, que perderam o estilo “fofura” para ganhar um teor mais agressivo. A questão está mesmo na falta de carisma do grupo e na temática política do enredo. Jotalhão é muito bom como garoto-propaganda de molho de tomate, mas funcional mal como personagem de quadrinhos, assim como seus amigos. E, o mais contraditório é que esta versão mais adulta é a melhor Turma da Mata já feita.

Teaser do álbum, divulgado no ano passado.

Teaser do álbum, divulgado no ano passado.

Em outras palavras, Muralha é um álbum que tem muitos méritos, tanto pela versão modernizada dos personagens quanto pela belíssima arte, mas não espere demais, assim como, decerto, você não espera muito das HQs da turma tradicional. No contexto, colocando todos os álbuns juntos, podemos comparar como se fosse um grande “revistão” da Turma da Mônica, onde Jotalhão e seus amigos participam, mas não apaixonam.

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