Crítica: O Pequeno Príncipe

blog abreAdaptar uma obra literária é uma tarefa complicada. Se essa obra for conhecida e amada por milhões de leitores no mundo inteiro, é algo extremamente perigoso, pois corre-se o risco de não agradar e afundar a obra. Adaptar essa obra ligada com outra história paralela, tornando a história clássica apenas um pano de fundo para a trama principal, mas manter a mesma magia e singeleza do texto original é uma tarefa praticamente impossível. Mas a animação O Pequeno Príncipe (The Little Prince, 2015) consegue essa façanha com louvor.

Uma amizade que começa por acidente

Uma amizade que começa por acidente

O desenho conta a história de uma menina sem nome (dublada por Larissa Manoela, a Maria Joaquina de Carrossel, na versão brasileira) cuja mãe, extremamente metódica, tem um plano de vida para a garota rigorosamente esquematizado e cronometrado, ao qual a Menina segue sem questionar. Para ingressar numa das mais importantes escolas do País, a garota muda de bairro com sua mãe e segue sua rotina extremamente regrada, até que, acidentalmente, entra em contato com o vizinho, um velho Aviador (voz de Marcos Caruso) que conserta seu velho aeroplano no quintal e é considerado senil por toda vizinhança.

Um avião de papel com uma história cativante

Um avião de papel com uma história cativante

O velho joga um avião de papel pela janela da Menina, com o início da história de um Príncipe que ele encontrou no deserto em sua juventude. A história incompleta desperta a curiosidade da Menina, que passa a querer descobrir o que aconteceu depois. A partir daí, inicia-se a amizade dos dois e a descoberta de preciosas lições que as crianças esquecem quando se tornam adultos: o que é realmente essencial na vida.

Filme utiliza técnica de stop motion para narrar a história do Pequeno Príncipe

Filme utiliza técnica de stop motion para narrar a história do Pequeno Príncipe

A história do Pequeno Príncipe e da Menina se alternam com técnicas diferentes de animação: a Menina é feita em computação gráfica e o Pequeno Príncipe utiliza o stop motion. O clima mágico criado pela trama mescla as narrativas da história da Menina e do Príncipe e envolve o espectador de modo que é impossível não se emocionar em vários momentos dos 108 minutos de projeção. E, embora a história gire em torno da Menina e o Aviador, os outros personagens também são relevantes para a mensagem que se quer passar: o rei, o homem vaidoso, o administrador (que simbolizam o mundo dos adultos) e a raposa, que “passeia” entre os dois mundos – o do Príncipe e o da Menina – de forma lúdica, mostrando a importância de cativar e ser cativado.

Uma "selfie" pode ser relevante quando registra um momento feliz com quem se ama

Uma “selfie” pode ser relevante quando registra um momento feliz com quem se ama

Cativados ficamos nós, com o privilégio de ver uma produção brilhante, que foge do lugar-comum sem desrespeitar o clássico de Antoine de Saint-Exupéry. Diferente das inúmeras produções baseadas no livro (das quais se destacam o longa-metragem estrelado por Gene Wilder em 1974 e o anime de 1978), este desenho resgata a clássica pergunta “O que você quer ser quando crescer?” para lembrar que as prioridades da vida adulta nem sempre são essenciais se a gente se esquece das coisas mais simples. Lições que todos sabem, mas nunca lembram de colocar em prática. Que bom que temos obras assim para nos dar uma injeção de ânimo.

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”

Cotação:  blog cotaçãoprincipe

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